quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Cronologia da república - 31 de Dezembro


Na qualidade de autor desta cronologia desejo para todos os leitores que o ano de 2010 seja UM GRANDE ANO, CHEIO DE PROSPERIDADE A TODOS OS NIVEIS


Daniel Nunes Mateus

O habitual cheirinho a derrapagem



Quem passe pela zona da fábrica da electricidade em Belém, depara com um grande estaleiro de demolições. No sítio, erguer-se-á o novo Museu dos Coches, projecto tão controverso quanto necessário, por várias razões.

Pode ser bastante discutível a construção de um imenso bloco de betão naquela zona. Isto, em detrimento do espaço já existente e susceptível de ser prolongado através de um túnel que ligaria o Picadeiro à nova zona hipoteticamente situada na Calçada da Ajuda, em instalações desactivadas e que têm pertencido às Forças Armadas. Esta era entre outras, uma das propostas aventadas. Contudo, há que fazer algo que corrija a actual situação de desleixo e pouco interesse estético do conjunto de carruagens que se encontram amontoadas sem qualquer critério.

A colecção deve ter uma apresentação condigna, com espaço, luz, qualidade ambiental e oferecendo a possibilidade de visitas mais longas às exposições a realizar. Decerto contaremos com mais viaturas provenientes de Vila Viçosa e se existir algum bom senso, o Museu poderá alargar em muito, o âmbito das suas actividades.

O que parece inacreditável, é a pressa no anúncio da conclusão da obra a ser inaugurada dentro de dez meses. Será possível tal milagre? Num país onde a construção de um pequeno colector de rua demora anos a fio, como podem ousar prometer a abertura de portas do Museu dos Coches no próximo 5 de Outubro de 2010 ? É um autêntico jogo do risco a que a tutela se sujeita e veremos se esse afã construtor não implicará como é habitual, uma colossal derrapagem de custos que claro está, jamais serão adjudicados às comemorações da famigerada república. Se a isto acrescentarmos a homenagem da Câmara Municipal de Lisboa ao Buíça - as tais pretensas "cartas de marear" no Terreiro do Paço-, aí temos a mais reles provocação em todo o seu duvidoso esplendor.

Sabemos como as coisas funcionam. Engenheiros que se atrasam nos projectos, modificações de última hora na arquitectura, faltas na entrega de materiais, etc. Desta vez, será salutarmente desejável o catastrófico adiamento da conclusão das ditas obras, eximindo o próprio regime à vergonha do enaltecer da usurpação, subversão, assassínio e toda uma longa série de deboches aviltantes que o regime de 1910 significou. Para nem sequer falarmos da apropriação de símbolos que significam precisamente o oposto daquilo que querem comemorar, isto é, a consagração dos futuramente anónimos senhores deste preciso momento.

Estas fortes chuvadas com as consequentes enxurradas, são um excelente sinal dado pelo braço forte de uma Natureza que é mais sábia que uns tantos milhões de neurónios alojados aqui e ali nos cérebros dos decisores dos nossos destinos e carteiras.

Existem sérias dúvidas acerca da viabilidade da dita inauguração na data anunciada. Esta gente gosta de anunciar e principalmente, de inaugurar para telejornal ver. Talvez - e com muita sorte - lá consigam realizar uma cerimónia onde cheguem nos nossos Mercedes pretos a 150.000 Euros/unidade, com batedores da policia e banda da GNR. Um grande discurso acerca das novas iniciativas do progresso, uma fita verde e vermelha a ser cortada por um desconhecido de ocasião e aí, a oficial inauguração do futuro colector de esgotos do futuro edifício do remotamente futuro Museu dos Coches. Tal e qual como as famosas auto-estradas inauguradas a metro. Logo a seguir, um grandioso repasto a ser debitado nas despesas de representação do Estado.

O povo paga para no final da obra concluída e ao ler as brochuras referentes ao Museu dos Coches, ter a perfeita consciência do valor da colecção e principalmente, a quem ela se deve.

Logo à entrada, inevitavelmente estará o retrato da fundadora, benevolamente sorridente e grandiosa no seu majestático porte. Quem se lembrará então dos presidentezinhos disto e daquilo, de ministrozecos de caspenta barbicha, das pançonas de secretários de Estado ou dos opinionistas regimentais?

A realizar-se pela multiplicação de esbulhos, derrapagens e todo o tipo de subsidiarismos do costume, a inauguração do Museu dos Coches "em 5 de outubro de 2010", será um violento e masoquista estaladão que a república desfere na própria fuça. Ficamos a rir.


Cronologia da república - 31 de Dezembro

1910
  • Os padres são proibidos de ensinar e em público não podem usar as suas vestes

1911
  • É fechado o jornal “Vida Nova” dos Açores
1913
  • É fechado o jornal “O Socialista” de Lisboa
  • É fechado o jornal “A Pátria” de Lisboa

1914
  • É fechado o jornal “O norte” do Porto
1925
  • É fechado o jornal “Eccos” de Tomar
  • É fechado o jornal “A gazeta de Viana”

Fontes: aqui

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Foi você que pediu uma república?

Ontem à noite passava na SIC, salvo erro, um "debate" onde constava o Adelino Maltez e o Medeiros Ferreira, entre outros. O sr. Maltez professava para 2010 um ano complicado com a questão do regime em evidência. O sr. Medeiros dizia que não e exortava o "centenário da república". Dizia: "vai ser um ano para "reflectir a república"!; e mais: "D. Manuel II legitimou a república" (não sabia!); e ainda: "em cem anos os portugueses nunca desejaram o retorno da monarquia". Pudera! Dezasseis anos de terrorismo e messianismo + quarenta e picos de ditadura salvaram a república. O país viveu anestesiado desde 1910 e acordou na constituição de 1976! Porque é que os conselheiros colocaram no "calhamaço" a proibição de um referendo ao regime?? Foi falta de confiança?? Se o povo gostava tanto disto porquê agir com o ferrolho-proibitivo? Com que direito alguns (que ainda andam por cá a assobiar) agiram sobranceiramente em nome de todos?

Cronologia da república - 30 de Dezembro

1919
  • Greve da Carris

1922
  • É fechado o jornal “A Provincia” de Castelo-Branco
  • É fechado o jornal “A Beira” de Viseu

Fontes: aqui

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Indo eu, indo eu, a caminho de 2010 ou Em república nada se ganha tudo se transtorna


" A republica, a pretexto de libertar e moralisar a familia, dissolveu-a, destruindo-lhe os ultimos apoios de estabilidade, de força, e de virtude. Aggravou extraordinariamente as condições, já tão precarias, do trabalho nacional, que vive mais do que nunca n'uma incerteza atrophiante, n'um sobresalto continuo. E tornou dia a dia mais embaraçosas, mais graves, mais difficeis, as difficilimas, as gravissimas circunstancias da nossa vida financeira e da nossa economia."

Homem Christo. Banditismo Politico. Madrid. 1913

Cronologia da república - 28 de Dezembro

1911
  • O bispo de Lisboa, da Guarda e do Porto são desterrados por dois anos
1922
  • Protesto contra a detenção de sindicalistas

Fontes: aqui

sábado, 26 de dezembro de 2009

A inauguração do novo Museu dois Coches a 5 de Outubro de 2010

Insulto à memória da Rainha Dona Amélia

O Museu Nacional dos Coches foi, como todos sabem, obra da Rainha Dona Amélia, a última rainha de Portugal, mulher, nascida francesa e morrendo convictamente portuguesa.
Assim, pergunto que direito tem o governo português de insultar a sua memória ao querer reerguer um novo museu dos coches a inaugurar no centenário da Implantação da Republica, acto esse que foi o culminar de uma série de acontecimentos fatídicos que a vitimaram, como o assassinato do seu marido e Rei, de seu filho e Herdeiro e que a exilou? Naturalmente não se põe aqui uma questão de Monarquia/ República. Apenas que se respeitem as memórias.
Vejamos de quem estamos a falar: a 1 de Fevereiro de 1908 a família real regressada a Lisboa, sofre um atentado onde o Rei D. Carlos e o Príncipe Herdeiro D. Luis Filipe são mortos.
Dois anos depois, é implantada a república e é obrigada a partir para o exílio a 5 de Outubro de 1910 juntamente com a sogra, a Rainha Maria Pia e o seu filho mais novo, o já Rei D. Manuel II.
Os Bragança não fogem do reino. Embarcam inicialmente para o Porto. “Não chorámos, não pedimos, não tivemos medo. Ao contrario. Se houve um comandante com medo de morrer, não houve duas rainhas com medo de ficar”, afirmaria D. Amélia em 1938.
Parte posteriormente para Londres e após o casamento de seu filho radica-se em Versalhes.
Nestes anos de exílio casou o filho e viu-o morrer bem como toda a sua família directa, passando então a simbolizar toda uma dinastia, da qual era a única representante viva.
Durante a II Guerra Mundial, o governo de Salazar, ofereceu-lhe asilo político, que ela recusou, e declarou o castelo dos duques de Orleães, território nacional, tornando-o território neutro, intocável, na França ocupada.
Perguntaram-lhe um dia se recordava Portugal ao que respondeu: “Recordar?! Recordar é ter esquecido uma vez. Eu nunca esqueci” A Rainha morreu aos 86 anos, profundamente atingida na sua felicidade de mulher, de esposa e de mãe, mas nunca na de Rainha. Já no seu leito de morte afirmou” quero bem a todos os portugueses, mesmo aqueles que me fizeram mal (…) sofro tanto. Deus está comigo. Levem-me para Portugal” e faleceu.
É a sua memória que a inauguração do novo Museu dois Coches a 5 de Outubro de 2010 insulta.

Cronologia da república - 26 de Dezembro

1914
  • É fechado o jornal “Noticias da Beira” de Castelo-Branco
1925
  • É fechado o jornal “Acção Social” de Barcelos

Fontes: aqui

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A A.E.P. propõe a abolição do feriado do 1º de Dezembro



A gente da AEP - Associação Empresarial Portuguesa -, insurge-se contra o excessivo número de feriados e correspondentes pontes, propondo a simplificação do calendário. Como inadiável sugestão, aí está a abolição do feriado do 1º de Dezembro.

Nada disto é por acaso ou por conveniência empresarial. É a perfeita coordenação política e económica inter-fronteiriça que neste post mencionámos. Não nos admiraremos se surgir gente do poder, pronta para "estudar a questão".


Até já chegou ao Farmville!



Do Facebook, sei da existência de um jogo que pelo que parece, consiste na construção de uma quinta. Pois bem, há gente que gosta de marcar posição e opta por originalidades. Neste caso, a pesquisa conduziu-me por acaso a este exemplo. A coisa vai!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A noite do "Bolo-Arriaga"...


Uma das curiosidades consequentes de qualquer golpe de Estado, consiste sempre na apressada mudança dos nomes, sejam estes os das ruas, avenidas, praças e até cidades, ou noutros casos, a alarvice chega mesmo à pastelaria.
Pois bem, em Portugal somos peritos neste tipo de actividade e aqui deixo alguns exemplos:

1. A Av. Rainha Dª Amélia passou a chamar-se Av. Almirante Reis, o tal senhor que apenas se notabilizou por desfechar um tiro na própria cabeça. Fez bem, coitado. Como teria passado os anos a seguir à vitória da Rotunda? Aliás, esteja onde estiver, a rainha agradece. A Almirante Reis é frequentada por uma certa calibragem que não é passível de se coadunar com o vestido de cauda de uma rainha. É a ironia da justiça deste mundo.

2. Uma localidade. Lembram-se de Poço de Boliqueime? Pois… Quando Sua Excelência o Senhor Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva ascendeu a 1º ministro – já foi, já foi e não vale a pena “fazer de conta” que não -, o autarca lá do sítio logo mudou o nome à terra, promovendo-a a Fonte de Boliqueime. Mas, o problema é que o cavalheiro agora é o Supremo Magistrado, o Venerando Presidente da República! Então como é? Para o segundo mandato, há que adequar a vila à sua nova categoria, saltando de Fonte, para Termas de Boliqueime. No mínimo! Aqui fica a sugestão.

3. Agora vem um dos meus favoritos. Quando o Afonso Costa concluiu que a coisa já estava feita e que o Directório do PRP não corria riscos de ir parar à fronteira, lá saiu, mais os amigos, dos Banhos de S. Paulo, onde “faziam de conta”, despreocupadamente nuzinhos e de toalha enrolada à cintura. Não fosse a Guarda Municipal pensar que estavam envolvidos na tramóia. Enfim, começaram logo a mudar o nome às coisas, a começar pelas ruas, avenidas, praças e navios da Armada. Logo depois, pegaram naPortuguesa – o tal Hino que o Keil e o Mendonça dedicaram em 1891 a D. Carlos e a D. Miguel! – e impuseram-no como símbolo nacional. Tudo bem, é grandioso e bonito. Chegou a vez da Bandeira. Pronto, é difícil, medonha, mas podemos tentar compreender.

Mas…
Que coisa, chegarem ao ponto de decretar sobre o novo nome do Bolo de Natal?! Incrível? Não, é verdade.
Daquelas cabecinhas pensadoras, aventaram-se algumas hipóteses, entre as quais o nome Bolo da Família. Mas não, a coisa cheirava muito a clerical. Estão a ver, família, logo eflúvios a incenso papista. Não dava.
Tiveram então a brilhante ideia de honrar o dito Bolo com o nome do primeiro presidente – aliás, pouco tempo depois forçado a demitir-se, acusado de cesarismo – Manuel de Arriaga. O Bolo era oficialmente conhecido por Bolo Arriaga!
Pelos vistos não pegou, até porque nestas coisas do merchandising, uma coroa sempre é uma coroa. Comprariam alguma coisa cujo rótulo ostentasse o "ovo estrelado" com os dizeres Fornecedores da Casa Presidencial? Duvido muito. Por exemplo, imaginem vocências abrirem um negócio com o nome Presidente das Meias, o Presidente dos Cachorros Quentes, ou o Presidente dos Frangos. Falência tão certinha, como a reconhecida perícia de Sua Excelência a Senhora Doutora Dona Maria Cavaco Silva em fritar sonhos para a Consoada.
Já sabem como é. A cada um, o seu bolo, seja ele Arriaga, Bernardino, Carmona, Craveiro, Tomás, Soares, Sampaio ou Cavaco & Esposa. Cá por mim, obscurantista de tintes medievalescos à inglesa, abarbato-me com o velho e prestigiado Bolo Rei. Sem fava e com muitas frutas cristalizadas.

Cronologia da república - 25 de Dezembro



  • Na qualidade de autor desta cronologia, desejo a todos os leitores um Feliz Natal recheado de muitos desejos realizados e muito Amor entre todos


Daniel Nunes Mateus

Cronologia da república - 24 de Dezembro

  • Véspera de Natal

1910
  • Pastoral alerta para o desrespeito Republicano para com 5 milhões de católicos

1911
  • Destruição de um jornal católico em Viseu

1912
  • É fechado o jornal “Imparcial” de Guimarães

Fontes: aqui

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Cronologia da república - 23 de Dezembro

1911
  • 20 prisões politicas
  • João Arroio, ex-politico monárquico é demitido do ensino universitário
1918
  • João de Almeida comanda uma revolta militar monárquica
1920
  • É fechado o jornal “O Templo” de Coimbra
1921
  • A pressão da G.N.R obriga o governo a confiar no exército, chamando Gomes da Costa para comandar o exército

Fontes: aqui

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Monarquia nova

Por mais que os seus detractores insistam, ancorados em complexos e preconceitos malsãos e numa certa subcultura de burguesia de dinheiro novo inseguro, a evidência é que a solução monárquica se coloca hoje como futurível e muitos portugueses, de esquerda como de direita, aceitam agora discutir a Restauração como tópico relevante da agenda política. De tema marginal, a possibilidade da Restauração ganhou paulatinamente adeptos. Já não é um dado de memória, partilhado e transmitido por herança familiar; é uma corrente de opinião que vai ganhando espaço, que concita simpatia e adesões em todos os escalões sociais e profissionais. A república habituara-se a monarquices extravagantes de dedos brasonados e bizantinas exibições genealógicas; hoje debate-se com uma verdadeira insurreição cultural que lhe mina os fundamentos, a legitimidade e desafia a sua mitologia. De facto, a república nunca teve republicanos e os que teve confundiram-se sempre com o Partido Democrático, essa coisa tentacular, carregada de baias e dominada por pulsões liberticidas. Os republicanos, hoje, são poucos, inconsistentes e invertebrados. Pedem a mudança na república, mas tudo o que defendem já foi experimentado e falhou: falhou no republicanismo parlamentar primo-republicano, com uma chefia de Estado simbólica, falhou com o cesarismo plebiscitário de Sidónio, falhou com a presidência submetida ao "presidencialismo do Presidente do Conselho", falhou com o semi-presidencialismo de voto directo universal que ainda temos. No fundo, a república é o passado e desse passado não se consegue libertar. Está, arrasta-se, finge consenso. Não sendo detestada é, no mínimo, desprezada. Viraram-lhe as costas, por ela não se interessam, não mobiliza corações nem inteligências. Refém das lutas partidárias, a chefia de Estado republicana passou a ser encarada como pré-aposentamento para os locatários de Belém. Vai-se descendo em intervenção, subindo na hierarquia do Estado. O Presidente é, hoje, um Roi fainéant, um falso rei constitucional, sem o prestígio de um monarca hereditário, sem a influência fáctica de que gozam os reis e com a tremenda e irreparável suspeita de continuar, por mais que o negue, a depender do(s) partido(s) que o colocaram na chefia do Estado.
Por seu turno, a possibilidade de uma monarquia nova parece identificar-se com a grande política e com a destinação de Portugal. Hoje, defender a monarquia pressupõe a defesa de uma certa ideia de Portugal, da lusofonia, da preservação do mínimo da soberania do Estado, das liberdades regionais, da separação de poderes, da fiscalização dos abusos cometidos pela partidocracia, de colocar no seu lugar os plutocratas mais as negociatas e os favores. Defender uma monarquia nova é sinónimo de reposição da respeitabilidade do Estado, da solidariedade social e da realização dos grandes objectivos colectivos.
Acabei de ler uma excelente antologia comentada de textos de Lord Salisbury, quiçá um dos maiores pensadores de acção conservadores do século XIX, infelizmente pouco conhecido pela generalidade dos conservadores portugueses. Salisbury era defensor da paz e do equilíbrio, teoria que aplicava aos negócios estrangeiros como aos assuntos internos. Para a sua realização, advertia para o perigo do imobilismo conservador e do aventureirismo trabalhista. Uma política serena, de unidade no essencial, com partilha de responsabilidades era, em suma, a sua solução. Portugal precisa, mais que no passado, desta concórdia e deste embainhar de espadas. Portugal precisa de recobrar a segurança e o ânimo, voltar a gostar de si, pensar as aventuras do futuro. A república atira-o para o passado, para a guerra civil, para a disputa miniatural, para o fulanismo. É por isso que sempre que olho para os nossos príncipes vejo essa possibilidade de recobro do direito que temos ao futuro.

Cronologia da república - 22 de Dezembro

1912
  • António José de Almeida recebe insultos e vaias de apoiantes de Afonso Costa
1914
  • O parlamento é encerrado
1923
  • O parlamento é encerrado
1925
  • O deputado Pinheiro Torres defende o fascismo como solução

Fontes: aqui

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A I república e D. António Barroso

Crónica de João Carlos Espada no Jornal I

Há um livro recente que tem um título curioso e que vale a pena ler. Chama-se "Réu da República: o Missionário D. António Barroso, Bispo do Porto" (Aletheia, 2009). Os autores, Carlos Azevedo e Amadeu Araújo, contam a história de um homem - D. António Barroso - e da época em que ele viveu, entre 1854 e 1918. Na história desse homem e dessa época estão contidos alguns dos grandes equívocos que em Portugal - bem como na generalidade das culturas europeias continentais - foram associados ao conceito de liberdade. Foi em nome desses equívocos que se cometeram, e por vezes ainda cometem, gravíssimos atentados contra a liberdade.
A história da perseguição da Primeira República a D. António Barroso ilustra o paradoxo que consiste na perseguição à liberdade em nome da liberdade. Esse paradoxo domina a história política moderna da Europa continental desde, pelo menos, a Revolução Francesa de 1789 - essa "doença infecciosa", como lhe chamou Edmund Burke. Em Portugal, esse paradoxo esteve gritantemente patente na Primeira República, entre 1910 e 1926.
A grande questão política e filosófica que a perseguição ao bispo do Porto levanta é saber por que razão a Primeira República perseguiu a Igreja Católica em nome da liberdade. Porque a Igreja se opunha à liberdade? Ou porque os republicanos usavam a palavra "liberdade" para designar uma coisa muito diferente da liberdade propriamente dita? Continuar a ler »»»

Cronologia da república - 21 de Dezembro

1911
  • Distúrbios militares em Braga
1918
  • Tiroteio na Rua Augusta
1923
  • Para Álvaro de Castro o problema das contas públicas têm a origem no governo

Fontes: aqui

domingo, 20 de dezembro de 2009

Uma História da Violência

O caos está instalado. Num quadro de governo minoritário, a elite política portuguesa prova mais uma vez que não sabe fazer política na base da negociação. A política, em Portugal, sempre feita através da imposição de uma vontade. E daí nasce essa aberração da cultura política portuguesa: a maioria absoluta, dizem, a única forma de governar. Que bela cultura democrática.
Mas de onde vem esta aberração? A resposta está nos últimos 200 anos da nossa história. Em Uma História da Violência em Portugal de 1834-1851 (Tribuna da História), Fátima Bonifácio recorda uma coisa: depois da guerra civil oficial entre miguelistas e liberais, Portugal conheceu uma guerra civil oficiosa (1834 e 1851) entre a esquerda (os setembristas) e a direita (os cartistas) do liberalismo português. Neste período, as mudanças de poder nunca ocorreram de forma normal, dentro das regras institucionais. Essas mudanças assentaram sempre na violência política. Ninguém estava interessado em desenvolver hábitos de negociação dentro de um quadro institucional partilhado por todos.
Após 1851, Portugal conheceu um período de relativa estabilidade, que durou até 1890. Mas foi só isso. Entre 1890 e 1910, a instabilidade regressou em força com a Monarquia Constitucional. E, depois, tivemos um longo Inverno político, composto pela I República e pelo Estado Novo, dois regimes que assentaram no desrespeito pelas regras institucionais de uma sociedade livre. Portanto, até 1974, Portugal teve apenas 30 anos de alguma normalidade dentro de um quadro institucional respeitado por todos. Tirando esses 30 anos, a nossa política passou sempre pela imposição da vontade do mais forte. E, como natural, 30 anos de democracia não chegam para tirar esse veneno maioritário do nosso ADN político.

Cronologia da república - 20 de Dezembro

1912
  • Manuel de Arriaga pede ao governo clemência para com o clero e a abolição do barrete dos presos políticos
1914
  • É fechado o jornal “A justiça” da Covilhã

Fontes: aqui

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Esmiuça a República

O pessimismo nacional, a renúncia de viver e de lutar, é assim uma doença que alastra na sociedade portuguesa, e que se vai tornando endémica, tanto nos grandes centros como nos campos e nas aldeias. (...). Mas os pessimistas profissionais que vêem tudo negro, por definição, e peroram, impunemente, nas televisões, nas rádios e não se cansam de profetizar desgraças - por causa do deficit crescente e da dívida pública em aumento - e de prever catástrofes, contribuem muito para agravar o pessimismo nacional, sem se importarem com as consequências sociais negativas que daí advêm. Chegam a prever o futuro do nosso País em desagregação ou, ainda pior: do seu desaparecimento, como Estado. Pensam e dizem mal de tudo e de todos - sem, no entanto, se julgarem obrigados a indicar perspectivas alternativas* para vencer a crise que nos afecta e os males que não se cansam de nos anunciar...

Mário Soares

Quem tiver paciência pode ler o resto aqui

* por acaso pensou em Monarquia?

Terrorismo pela "fraternal" república

"(...) Imediatamente depois do Buíça começar a fazer fogo saiu de debaixo da Arcada do Ministério um outro homem que desfechou uns poucos de tiros à queima-roupa sobre o meu Pai; uma das balas entrou pelas costas e outra pela nuca, que O matou instantaneamente. Que infames! para completarem a sua atroz malvadez e sua medonha covardia fizeram fogo pelas costas. Depois disto não me lembro quase do resto: foi tão rápido! Lembra-me perfeitamente de ver a minha adorada e heróica Mãe de pé na carruagem com um ramo de flores na mão gritando àqueles malvados animais, porque aqueles não são gente «infames, infames».
A confusão era enorme. Lembra-me também e isso nunca poderei esquecer, quando na esquina do Terreiro do Paço para a Rua do Arsenal, vi o meu Irmão em pé dentro da carruagem com uma pistola na mão. Só digo d'Ele o que o Cónego Aires Pacheco disse nas exéquias nos Jerónimos: «Morreu como um herói ao lado do seu Rei»! Não há para mim frase mais bela e que exprima melhor todo o sentimento que possa ter.
Meu Deus que horror! Quando penso nesta tremenda desgraça, ainda me parece um pesadelo!
Quando de repente já na Rua do Arsenal olhei para o meu queridíssimo Irmão vi-O caído para o lado direito com uma ferida enorme na face esquerda de onde o sangue jorrava como de uma fonte! Tirei um lenço da algibeira para ver se lhe estancava o sangue: mas que podia eu fazer? O lenço ficou logo como uma esponja.
No meio daquela enorme confusão estava-se em dúvida para onde devia ir a carruagem: pensou-se no hospital da Estrela, mas achou-se melhor o Arsenal. Eu também, já na Rua do Arsenal fui ferido num braço por uma bala. Faz o efeito de uma pancada e um pouco uma chicotada: foi na parte superior do braço direito."

Cronologia da república - 18 de Dezembro

1917
  • Afonso Costa é encarcerado em Elvas
1918
  • Depois do assassínio de Sidónio Pais a junta militar do Porto pede um governo autoritário
1925
  • Afonso Costa: “A raça dos sebastianistas e messiânicos têm pululado, de sorte que agora já alguns me quereriam para ditador”

Fontes: aqui

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Cronologia da república - 17 de Dezembro

1923
  • Cunha Leal defende uma ditadura militar
  • Teixeira Gomes confessa pressentir que há todas as condições para a implementação de uma Ditadura
1926
  • Sinel de Cordes vai negociar o pagamento da divida de guerra à Inglaterra, contraída por Afonso Costa em 1916

Fontes: aqui

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Comissão da República aprova mastro grande

Diário de Noticias, dia 16/12/2009 página 11

O presidente da comissão nacional para as comemorações do centenário da república, Artur Santos Silva, disse ontem desconhecer os custos do projecto da Câmara de Paredes de erguer um mastro gigante, de um milhão de euros, mas considerou a iniciativa interessante. A Câmara Municipal de Paredes quer associar-se às celebrações do centenário da implantação da república com a construção de um mastro com cem metros de altura para suportar a bandeira de Portugal, a maior do país e uma das maiores do mundo, segundo o autarca, estão a suscitar polémica no concelho, como o DN já avançou na sua edição de ontem.

Dolorosas novas

Encontrei ontem doloroso testemunho da tragédia portuguesa de 1908. Datada de 15 de Fevereiro - uma semana após o regicídio - assinada por D. Manuel II, a carta anunciava ao Rei Chulalongkorn do Sião o passamento do Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luís Filipe. Mais que uma breve e protocolar nota informativa, presente-se a dor do novo e jovem monarca ao dar a triste notícia a um chefe de Estado que vivia no outro lado do mundo, mas que tivera a oportunidade de conhecer pessoalmente em 1897, quando Chulangkorn por Lisboa passou em digressão oficial. Os arquivos tailandeses estão, como verifico, carregados de testemunhos portugueses, aqui encontrado valiosos documentos que em Lisboa, na voragem de insensibilidade, criminosa incúria e facciosismo se perderam para sempre. Que vergonha ter de vir à Tailândia para encontrar documentação portuguesa, escrita em português e emitida pelo Estado Português.


(...) "As mortes do meu muito amado e prezado pai e do meu muito querido irmão, vítimas de abominável asassinato trouxeram-me, bem assim à totalidade da Nação Portuguesa, a mais profunda aflição. (...) O interesse que VM sempre mostrou por toda a minha família é consoladora esperança de que Vossa Majestade tomará uma viva parte na acerba mágoa que me causaram tão cruéis golpes. Chamado n'estas tristes circunstâncias, pela ordem da sucessão e na continuidade das leis do Reino de Portugal, ao trono de meus antepassados, rogo a Vossa Majestade haja dispensar-me os mesmos sentimentos de afecto que dedicava ao Augusto Monarca falecido e de ficar certo do vivo desejo que tenho de estreitar cada vez mais as relações de boa inteligência que felizmente subsistem entre os nossos países (...)".

Dois anos depois, a república era imposta a tiros de canhão e as relações luso-siamesas eclipsaram-se, passando a representação consular para mãos de italianos pelas décadas de 20 e 30, até à chegada de um português nas vésperas da Segunda Guerra Mundial. Portugal perdeu, então, a última oportunidade de manter no Sião o estatuto de potência aliada, a mais antiga e respeitada, que os siameses sempre lhe haviam tributado. O estado de coisas era tão confrangedor que um dia, por volta de 1911, a polícia siamesa entrou pelo nosso consulado adentro para questionar os residentes a razão "daquela bandeira que ali puseram no jardim". Referiam-se, claro, à verde-rubra que ninguém conhecia e que Lisboa não tivera sequer a sensatez de anunciar aos países com os quais mantinha relações diplomáticas. Coisas do amadorismo de uma república que se vai celebrar !

Pudores? A "república" sempre foi decotada

Outros argumentos aqui.

Iça

Num ano que se avizinha catastrófico para a economia os defensores das comemorações da república multiplicam-se como micróbios em milhares de gastos. De Paredes uma novidade. Paredes não quer ficar "fora" das comemorações! O edil planeia gastar 1.000.000,00 € (um milhão de euros) para construir o maior mastro de Portugal, com 100 metros, quiçá um dos maiores do mundo, "quase tão alta como o monumento do Cristo-Rei, em Lisboa, e com mais 25 metros do que a Torre dos Clérigos, no Porto. O mastro com cem metros será maior que o Big Ben, em Londres, e a bandeira terá 25 por 16 metros.". Iça! Quando o regime está em baixo querem levantar a imoral...

Cronologia da república - 16 de Dezembro

1911
  • É fechado o jornal “Vitalidade” de Aveiro
1918
  • Botelho Moniz pede a restauração da pena de morte
1922
  • É fechado o jornal “República” de Setúbal
1923
  • É fechado o jornal “A Justiça” de Viseu

Fontes: aqui

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

É... a culpa deve ser "do Constantino"!



A situação catastrófica que ameaça arruinar o resto da já escassa respeitabilidade do regime grego de 1974, poderá ter consequências até há pouco inimagináveis.

Compreende-se a rápida reacção das autoridades portuguesas que sentem como sua, a situação que hoje se vive na Grécia. De facto, alguns analistas internacionais apontam Portugal como o próximo peão do grupo PIGS (Portugal, Ireland, Greece, Spain) a resvalar para uma situação que ameaça a bancarrota. Os sinais de alarme já foram sentidos nas Instituições do poder que de facto, acabaram por viabilizar a proposta governamental rectificativa do Orçamento Geral do Estado. Se a isto juntarmos a pressa do governo na preparação de factos políticos propiciadores da realização de eleições gerais no mais breve espaço de tempo possível, o quadro parece tornar-se mais nítido. Não seria uma surpresa a contemporização de todas as forças do actual regime, no sentido da obtenção de uma plataforma mínima de colaboração, para isso contando com Cavaco Silva, parte integrante e vital do sistema. PS, PSD, CDS e o próprio PC, são os naturais interessados na manutenção do status quo sistémico, pouco interessando o volátil protagonismo mediático de uma extrema esquerda bastante instável.

Há 35 anos, um referendo apressadamente organizado pela dupla Karamanlis/Papandreu - que conformaria o novo regime -, conduziu ao reconhecimento da república que um ano antes tinha sido proclamada peladitadura dos coronéis. Constantino II foi impedido de regressar ao país após a queda da Junta - nem sequer pôde intervir publicamente na campanha para o plebiscito -, apesar de ao longo dos anos ter poderosamente contribuído para o regresso ao sistema constitucional. Jamais aceitou o seu regresso a Atenas, enquanto a Constituição não fosse reposta.

Conhecemos o percurso declinante da Grécia desde a entrada na então CEE. Tendo beneficiado de um longo período de desenvolvimento económico e social, o país parecia ressarcir-se positivamente do fim da guerra civil que derrotara os comunistas. A partir de 1950 e durante duas décadas,os gregos conseguiram surpreendentes taxas anuais de crescimento (7%), só sendo ultrapassados pelos japoneses. A estabilidade que a Monarquia conferia às instituições, acalmou as paixões políticas, colocou o país a trabalhar, tranquilizou os investidores e atraiu capitais.

Ao longo dos últimos vinte anos, o país resvalou para a conhecida contradança rotativa imposta pela Nova Democracia do clã Karamanlis e pelo PASOK dos Papandreou. Uma autêntica máfia bem instalada, com escândalos de toda a ordem, chefia do Estado nula, públicas e descaradas indecências por parte dos donos do poder, corrupção generalizada, incúria dos negócios públicos, plutocracia larvar, eis o resultado do eclipsar da separação de poderes no sistema constitucional pós-1974. Frenesim despesista, caciquismo demencial, desperdício consumista, especulação financeira ruinosa, confirmam o panorama que Portugal também conhece. Tal como existe, o regime parece ter os das contados e desta vez, não poderá atribuir "as culpas" ao Basileus Constantino II.

Diz agora o 1º-ministro Georgios Papandreu que ..."estamos determinados para fazer o que seja necessário para contrariar o gigantesco défice, para restaurar a estabilidade nas finanças públicas e promover o desenvolvimento. É a única forma de garantir que a Grécia não perderá os seus direitos de soberania".

Se substituirmos os nomes dos protagonistas, compreende-se o nervosismo em Lisboa. É a peça de dominó que se segue.


Cayatte, o papa-contratos

Dois contratos em ajuste directo por 180 mil euros fizeram disparar as críticas contra o presidente do Centro Nacional de Design, Henrique Cayatte. A Comissão dos 100 anos da República defende-se, dizendo que pagou abaixo do preço de mercado.
Dois contratos feitos em ajuste directo, sem concurso, valeram ao atelier do designer Henrique Cayatte 189 mil euros. A tarefa, segundo consta no resumo que aparece na base de dados do Estado é simples: criar um site para a Comissão que está encarregue de celebrar os cem anos da República e, ainda, aplicar a imagem das comemorações em envelopes, papel de carta, cartões de visita, aquilo a que se chama, normalmente, o material “estacionário”. Continuar a ler

Cronologia da república - 15 de Dezembro

1913
  • Afonso Costa, ministro das finanças é eleito reitor da FDL. Nomeação essa vista como uma submissão ao regime Republicano, pela comunidade académica
  • O conselho superior de instrução demite-se

1914
  • Tumultos em Tarouca

1917
  • Prisão de Bernardino Machado

1918
  • A morte de Sidónio Pais leva ao que Damião Peres vai qualificar como A Nova República Velha, marcada pela ditadura do PRP.

Fontes: aqui

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Diz Tony Abbott, lider da oposição e do Partido Liberal australiano


"'I support the monarchy, always have, always will, not because I'm a royal groupie,' he said. 'It's a terrific system of government and I challenge anyone to come up with a better one.'

"In his office yesterday, Mr Abbott had a portrait of Her Majesty."
I may dispute other concepts of Tony Abbott and certainly do not like the idea of going nuclear in Australia, but I must admit that what he said on the Monarchy fills me with joy. The headline of this posting could be my motto: "I support the Monarchy, always have, always will ... It's a terrific system of government."


domingo, 13 de dezembro de 2009

Cronologia da república - 13 de Dezembro

1915
  • G.N.R é atacada em Pevidem
1916
  • Tentativa revolucionária de Machado Santos
  • As garantias individuais são suspensas
  • É declarado o estado de sitio
  • São efectuadas várias prisões
1923
  • É fechado o jornal “Democracia Nova” de Setúbal

1924
  • É fechado o jornal “O Povo” dos Açores

Fontes: aqui

sábado, 12 de dezembro de 2009

A comissão de festas disponibilizou até agora 724 114,5 euros, para contratos feitos sem recurso a concurso

Os gastos com a comunicação das Comemorações do Centenário da República, a decorrer em 2010, já somam 344,4 mil euros. No total, a Comissão responsável pelo evento disponibilizou até agora 724 114,5 euros, para contratos feitos com empresas por ajuste directo, isto é, sem recurso a concurso.

Para Paulo Teixeira Pinto, presidente da Causa Real e ex-presidente do BCP, "a política é fazer escolhas e fazer escolhas é ter prioridades". "Não se deve fazer ajustes directos e, neste momento, é completamente desproporcional à realidade e inoportuno", critica, em declarações CM.

Para preparar o evento, que terá acções pontuais entre 31 de Janeiro e 5 de Outubro de 2010, esta Comissão, presidida pelo responsável do BPI, Artur Santos Silva, já investiu 724 114,5 euros. Num ano em que Portugal atravessa uma das maiores crises financeiras, as comemorações, têm um orçamento de dez milhões de euros proveniente do Orçamento do Estado.

Para dar conhecimento do evento, a Comissão contratou a construção do site centenariorepublica.pt. O design foi atribuído a Henrique Cayatte, Lda e custou 99 500 euros. Ao conceituado designer foram ainda pagos, a título pessoal, outros 90 mil euros pela prestação de serviços e aquisição de material de suporte à comunicação dos eixos programáticos.

A Comissão de Honra das Comemorações, presidida por Cavaco Silva, conta com 13 elementos, entre eles Jaime Gama, presidente da AR, José Sócrates, primeiro-ministro, e Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Além disso, há uma Comissão Consultiva de 17 pessoas, presidida pelo ministro Pedro Silva Pereira, e da qual fazem parte, por exemplo, Júlio Isidro e Margarida Pinto Correia.

Correio da Manhã 11 Dezembro 2009 - 00h30

Cronologia da república - 12 de Dezembro

1915
  • É fechado o jornal “A Justiça” de Setúbal

Fontes: aqui

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Pois fiquem sabendo (os que ainda não sabem ou que fingem não querer saber!)

"Pois fiquem sabendo. Como uma das accusações mais graves feitas ao partido republicano é a sua incapacidade, a da sua esterilidade, a do seu desprezo por todas as questões de verdadeiro interesse publico, não ha congresso nenhum em que para intrujar o povo, para lançar poeira aos olhos do paiz, não apareça uma proposta sobre a nomeação de commissões para estudarem o problema colonial, o problema militar, o problema industrial, o problema agricola, tudo quanto ha. No congresso seguinte seria natural, seria, apparecessem os trabalhos d'essas comissões. Apparece mas é outra proposta identica. E assim seguidamente. Pois não é uma famosa intrujice? Pois não é repugnante especulação? Pois não é uma affronta ao paiz, feita por uma quadrilha que se julga auctorizada a mangar de tudo e de todos, a tudo fazer, a tudo ousar, como se, repetimos, fosse n'esta terra um exercito invasor, um exercito conquistador?"

Homem Christo, Banditismo Político. Madrid, 1913

Uma boa surpresa. Um murro no estômago do Afonso Costa e na Ass. República e Laicidade. Um sapo (de muitos quilos) na garganta dos aventais do regime

Ouvi numa estação de rádio que o júri do Prémio Pessoa era composto por agnósticos, na sua maioria! Não sei a que queria "aludir" o jornalista mas a custo disse que o prémio foi este ano atribuído a D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, – pela "primeira vez" a um membro da Igreja. No fim da "peça" enumerou o júri: Francisco Pinto Balsemão, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Mário Soares, Miguel Veiga, Rui Vieira Nery entre outros. Não sei se a listagem foi cantada porque umas das razões da atribuição da distinção foi o facto de D. Clemente ser uma "referência ética" ou se foi para aludir à "ética" do júri.

A nova república velha

Nos últimos dias começou a despontar um discurso alarmado para além do de Medina Carreira: na sequência da situação de pré falência verificada na Grécia, das medidas drásticas tomadas na Irlanda, a comunicação social doméstica dá progressivamente mais destaque à incontornável realidade económica portuguesa: um deficit que caminha para os 10%, um Estado sem margem de manobra “pelo lado da receita” e os custos com a dívida que remontam já a dois milhões de euros a cada hora que passa.

Ontem no programa Roda Livre na TVI 24 Rui Ramos antecipou timidamente uma questão primordial para a discussão política que se impõe: não se vislumbra uma solução governativa dentro do actual sistema partidário, nem com os actuais protagonistas, cujo discurso encontra-se demasiado distante da realidade, das medidas disruptivas que se adivinham inevitáveis. Se é de todo improvável um “perdão da dívida” a uma democracia europeia, suspeito que a resolução do imbróglio português só poderá sair duma solução de “salvação nacional” amplamente consensual e de forte liderança. Enfim, é sobre os paradigmas da nossa sobrevivência como país que urge centrar a discussão política nacional: a terceira republica está moribunda e é urgente redescobrir a verdadeira alma portuguesa para fundar um novo ciclo.

Cronologia da república - 11 de Dezembro

1911
  • Greve no Funchal
  • O julgamento de um monárquico no Tribunal das Trinas é marcado com protestos

Fontes: aqui

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

«Os reis nunca morrem»

«Se algum dia mandarem embora os reis vão ter de voltar a chamá-los»

Alexandre Herculano

Já foi dito que nenhuma menina sonha ser filha do presidente de uma república, e que todas as crianças brincam e imaginam príncipes e princesas. Por muito que se destronem ou assassinem reis, é difícil matar o arquétipo. Quando há pouco tempo o Palácio de Belém, em Lisboa, foi aberto ao público, uma cidadã entrevistada para a RTP exclamou o mais sinceramente possível que se ali vivesse, se sentiria uma rainha. Quem se lembraria de dizer primeira-dama?
O arquétipo rei/rainha não morre às mãos dos regicidas, nem da necessidade dos republicanos de criarem «monarquias transitórias», onde eles próprios possam ser, durante algum tempo, reis e rainhas a fingir.
A humanidade pauta-se por períodos de depauperamento simbólico, para utilizar uma expressão de Jung. Talvez o regime republicano seja um desses «momentos»; regime, aliás, que tudo faz para eliminar os símbolos régios que sabe serem muito mais poderosos que a legislação. Em Portugal, a mudança de bandeira, do centenário e velho azul para a arrepiante combinação verde/rubra foi o seu mais profundo golpe na memória dos portugueses.
Mas dificilmente conseguirá arredar do inconsciente colectivo as imagens do rei/pai e da rainha/mãe.
Basta percorrer o nosso adagiário:

Casa de Rei nunca anda a pedir;
El-Rei tem costas;
Mulher que assobia e galinha que de galo canta, manda el-Rei que lhe corte a garganta;
Na terra dos cegos, quem tem um olho é rei;
O rei manda marchar, não manda chover;
Onde não há, rei perde;
Palavra de Rei não volta atrás;
Rei morto, rei posto;
Sem rei nem roque;
Amor e reino não querem parceiro;
Minha casa, minha casinha, eu para rei e tua para rainha;
Bom rei, se quereis que vos sirva, dai-me de comer;
Rogos de rei, mandados são;
Conselho de amigo, vale um reino;
Antes bom rei, que boa lei;
Um rei é uma coisa que obedece;
Os reis nunca morrem;
A teu rei nunca ofendas, nem lances em suas rendas;
Fraco rei faz fraca gente;
Qual o rei, qual a grei;
Ter rei é ter renda;
Um rei injusto é a calamidade de um povo;
Onde está o rei, está a corte;
Do rei, ou muito perto ou muito longe;
Nunca falta rei que nos governe, nem Papa que nos excomungue;
Rei por natureza, Papa por ventura, rei das abelhas não tem aguilhão;
Vão as leis onde querem os reis;
Não peques na lei, não temerás rei;
Palavra de rei é escritura;
Soldado doente não serve el-rei;
O rei deve ser teriaga contra a mentira;
Os reis, quanto mais perdoam, mais reis são;
Rei se nomeie, quem não teme;
Ninguém é rei na sua terra;
O rei faz fidalgos mas não dá fidalguia;
Trunfo e rei, é compra de lei;
Os maus são os camaleões do rei;
Vontade de rei não conhece lei;
Rei desarmado não tem seguro o seu Estado;
Em almas, não há rei que mande;
A cabo de cem anos, os reis são vilões; e a cabo de cento e dez, os vilões são reis;
A História é o livro dos reis;

Cronologia da república - 10 de Dezembro

1916
  • É fechado o jornal “O Rebate” de Tomar
1923
  • Revoltas militares
  • Golpe contra a República

1925
  • Proposta de um golpe palaciano para a eleição de um presidente por sufrágio directo, através de um plebiscito. Lança-se o nome de Gago Coutinho

Fontes: aqui

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Na República

Não estamos a ouvir um diálogo no café, estamos na assembleia a ouvir um deputado a dizer que é representante da província (!) e que a sua oponente pensa que é de uma classe superior e que mora na linha de cascais...isto fora as "palhaçadas"... A República no seu melhor. Um regime de palhaços ou um povo que não sabe rir?

Eu também


Um dia, talvez, a justiça se erguerá triunfante sobre um povo caído na escravidão. Sebastianista, pois claro, ainda acredito que na 25ª hora um sobressalto de liberdade moverá os corações e inteligências adormecidos e restituirá aos portugueses a cidadania confiscada, abusada e ridicularizada por todos os pequenos e grandes lóbis que nos reduziram a caricaturas.

Cronologia da república - 9 de Dezembro

1912
  • Distúrbios em Alijó
  • Confrontos em Lisboa

1917
  • É fechado o jornal “A gazeta de Braga”

1922
  • É fechado o jornal “Foz de Lima” de Viana do Castelo

Fontes: aqui

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cronologia da república - 8 de Dezembro

1917
  • Assalto ao jornal “O mundo” de Lisboa
  • Detenção de Afonso Costa no Porto
  • É fechado o jornal “República” de Setúbal
  • Adiamento do julgamento de Machado Santos

1920
  • O jornal açoriano “ABC” é fechado

1923
  • É fechado o jornal “O popular” de Braga
  • Carlos Rates defende uma ditadura de esquerda, contra à anunciada ditadura de direita

Fontes: aqui

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Cronologia da república - 7 de Dezembro

1910
  • Demissões de oficiais do exército que não tinham aderido a República
1914
  • Manifestações junto ao Palácio de Belém
1917
  • Cai a chamada “República – Velha”
1919
  • É fechado a publicação “O Jornal”

Fontes: aqui

domingo, 6 de dezembro de 2009

A República fez-se na rua.

Cronologia da república - 6 de Dezembro

1913
  • Protestos de industriais do Porto e de Lisboa
1914
  • É fechado o jornal “O Abrantes”
  • 1918
  • Tentativa de assassinato de Sidónio Pais, por um macon
1924
  • O governo é autorizado por lei, a fornecer gratuitamente o bronze necessário para a construção da estátua do marquês de Pombal

Fontes: aqui

sábado, 5 de dezembro de 2009

O bom exemplo para Portugal evitar o abismo


5 de Dezembro de 2009. No seu aniversário, o rei Phumipon Adunyadet mostra-se ao seu povo e discursa. Um exemplo para Portugal.

SOM PRACHARAN! *

"Inimaginável. Cerca de cinco milhões de tailandeses - estimativas do Khalahom, Ministério do Interior - concentraram-se hoje em todas as capitais de província e de distrito para prestar voto solene de fidelidade ao Rei. Depois do acto que ontem cobri para os meus leitores, decidi não participar na maior concentração desta jornada, que teve lugar em Sanam Luang (Terreiro do Paço) e fui a Sillom, uma das mais concorridas artérias comerciais de Banguecoque. O povo saiu em peso à rua. Eram milhares, dezenas de milhares em todos os cantos da enorme capital. No meu prédio, engalanado no exterior, elevou-se um trono votivo e os 200 moradores, com uma vela na mão, acompanharam as cerimónias transmitidas pela tv e cantaram o hino real. Depois, todo o país foi convidado a repetir o juramento de lealdade ao seu soberano: "lutar pela paz, pela prosperidade e pela união nacional até ao último suspiro", "defender o Rei, o povo e o Estado contra todas as forças apostadas em fomentar a sizânia e a mentira", "não deixar cair a bandeira e preservar a grandeza da nação, a felicidade do povo e a liberdade".

* Viva o Rei!

Cronologia da república - 5 de Dezembro

  • 1913
  • É fechado o jornal “A Democracia” de Coimbra
  • 1917
  • Revolta liderada por Sidónio Pais, para travar o envio de tropas
  • Tumultos e assaltos no Porto, Ermesinde, Rio Tinto e Gondomar

Fontes: aqui

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

OBRIGATÓRIO


O Jornal I vem brindando os seus leitores com uma colecção de 10 volumes, o essencial da obra de Fernando Pessoa. O volume de hoje é uma peça rara e pouco conhecida: trata-se de "Sobre a República" reúne uma breve antologia de textos do autor sobre a Primeira República e algumas das suas principais personalidades politicas. A não perder.

Quando a "ética republicana" aprova o terrorismo, ontem e hoje

"(...) a um ilustre hespanhol, meu amigo, um dos primeiros a interrogar-me sobre a formidável tragedia, respondi o seguinte: Não mataram o rei: suicidou-se. O rei era um monstro maléfico, perturbador consciente de quatro milhões de creaturas. Se eu podesse mata-lo em segredo, de longe da minha cama, com o pensamento, não o mataria. Pela verdade, tenho a coragem de acussar. Talvez chegasse não sei bem, até á coragem de morrer. O partido republicano não organisou nem aconselhou o attentado. O attentado foi obra unica de dois homens. E comtudo, as balas da morte partiram da nação. Foi um atentado nacional. Um raio esplendido, exterminador e salvador. (...) Heroes. Mataram um grande criminoso e o seu filho innocente. E' horrivel. Mas para elles, na sua concepção de historia, materialista e fanatica, o filho do rei era a vergontea da arvore, e a arvore da má sombra queriam corta-la pelo tronco. (...) pode dizer-se que são elles (os assassinos do rei) os dois regentes do reino."

Guerra Junqueiro; carta ao partido republicano a 13 de Fevereiro de 1908

Cronologia da república - 4 de Dezembro

  • 1925
  • A maçonaria Portuguesa funde-se numa só, com a sede no Grémio Lusitano

Fontes: aqui

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Pergunta para a comissão oficial do Centenário da República:

Gostariamos de saber o que vão editar sobre a relação da República e o nosso Índice de Desenvolvimento Humano?
Em que posição nos encontramos? O quanto evoluimos depois da República? Podemos estar felizes por sermos tão, tão modernos e estarmos à frente de todos os países retrógados, estúpidos e imbecis que ainda são Monarquias?

Agradecemos resposta para este blogge,
Muito obrigado

A liberdade na monarquia. A moral dos republicanos. Como poderemos julgar estes "ideais" hoje? Comemorando-os?

Mataram? É certo. Ferozes? Sem duvida. Mas crueis por amor, ferozes por bondade. Os que matam por amor, sacrificando o proprio corpo, são duros, mas são bons.

Guerra Junqueiro*

* Este poeta e publicitário republicano tem direito a homenagens na república por ter "criado um ambiente revolucionário"! Que lindo. Já estão a perceber onde a escumalha republicana foi beber o argumento do "amor" e "bondade" e mais um aval para o terrorismo. Agora percebo porque o sr Mário Soares amnistiou as FP25...

A liberdade de imprensa na monarquia. A libertinagem dos republicanos. O que é a liberdade dos media hoje?

"(...) Admittindo que se faça a revolução – porque é preciso que a revolução se faça – e porque nos achamos apetrechados para ella pela raiva e pela dor; á certa que aquelle figurão não pode ficar eternamente no paço de belém, ruminando nostalgicamente. (...) Pobre rei, coitado, como teremos dó d'elle! Depois de soffrer os incontrões inenarraveis da sorte que lhe hão de desconjunctar o throno, fará, na melancholia da sua jaula, o encanto de gastos conselheiros e de meigas raparigas anemicas...
E então os jornaes, depois de annunciarem que no jardim zoologico ha musica ás quintas e domingos, dirão, subindo ao mais alto furo do reclame, que acaba para lá entrar o ultimo animal de Bragança!

António José de Almeida. Jornal O Ultimatum, 23 de Março de 1890

Cronologia da república - 3 de Dezembro

  • 1918
  • Machado Santos ataca o governo devido aos inúmeros presos políticos existentes

Fontes: aqui

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Censura e perseguição à imprensa operária na 1ª república



O jornal “A Batalha”, Porta-voz da Organização Operária Portuguesa, foi fundado em 1919. A sua vida ficou assinalada por conflitos constantes com o poder.
Em meados de Março de 1920 as instalações de “A Batalha” foram fechadas por ordem do governo, mas o jornal continuou a publicar-se. Em 21.3.1920 anunciava: “As oficinas de A Batalha foram ontem reabertas”, acrescentando ironicamente: “Foram encarregados desta missão dois chefes de polícia, um deles o da esquadra das Mercês, que se houveram com toda a delicadeza”. Continuar a ler

2 de Dezembro. Ver com olhos de ver

2 de Dezembro. Combater


Não, escrupulos não. Quaes escrupulos! Não se trata de combater uma republica, mas uma infame oligarchia. Que me importa a mim a etiqueta! Não iria pegar em armas contra os republicanos mas contra bandidos. Que me importa a mim que elles se digam republicanos! E' uma quadrilha que assaltou o meu paiz, que me expulsou de minha casa e que me privou da minha liberdade. Motivo mais do que sufficiente para que eu me associe a todo o mundo contra elles.


Homem Christo, Banditismo Politico. Madrid, 1913

Momento lúdico >> reparem nas palavras escritas no cartaz e "viagem" pela história até 2010....

Ajoelhem-se


Hoje no próprio dia da Restauração da Independência, a classe polítca portuguesa tem o desplante de entregar a nossa liberdade a uma organização desconhecida para todos os portugueses, políticos incluídos.

Para os Portugueses a União Europeia é apenas uma cornucópia de onde brota o dinheiro, mesmo que esse dinheiro apenas beneficie uns quantos em prejuízo de dez milhões. Por este motivo a maioria encolhe os ombros, iludida pelo discurso oficial de que o tratado é necessário para garantir os milhões.

Mas os milhões acabam daqui a 4 anos, quando os Portugueses se tiverem que ajoelhar a uma decisão tomada por pessoas que não elegeram, sem terem qualquer compensação, aí o povo Português terá, pela primeira vez, de realizar um acto intrinsecamente europeu, pois como Theobald_von_Bethmann-Hollweg bem ensinou, os tratados são meras folhas de papel e voltará a comemorar o 1º de Dezembro, uma festa que foi vítima de uma conspiração da classe política que enriquece a olhos vistos e vê no tratado que suja o nome de Lisboa, apenas um meio de continuar a enriquecer.

Cronologia da república - 2 de Dezembro

  • 1913
  • Machado Santos é agredido quando dirigia-se para o congresso
  • É fechado o jornal açoriano “O Arauto”
  • 1921
  • É fechado o jornal “A verdade” das Caldas da Rainha

Fontes: aqui

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A urgência duma nova restauração

Estranho me parece que numa conjuntura como a actual, uma inusitada crise económica, de valores, e das instituições nacionais, as celebrações do 1º de Dezembro tenham passado de forma tão discreta pela comunicação social em geral e pelos jornais em particular.

Digo isto porque esta efeméride encerra quanto a mim uma mensagem de grande pedagogia e actualidade: o usurpador foi corrido e o assessor “defenestrado”.

Nestes dias em que a burocrática Europa se vê reforçada, por mais que se considere supérfluo e ultrapassado o conceito da identidade nacional, comunitária ou familiar, afinal perigosos contra-poderes, não me parece muito avisado que se abuse demasiado da famigerada bonomia indígena.

Cronologia da república - 1 de Dezembro

  • 1910
  • Greve dos funcionários do gás e electricidade do Porto
  • 1912
  • É fechado o jornal açoriano “A Luta”
  • 1918
  • É fechado o jornal “O Norte” de Braga

Fontes: aqui