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sábado, 25 de dezembro de 2010

Parasitismo no Centenário, património a leilão



“Neste país” – é assim que hoje em dia, os portugueses chamam à sua pátria -, existe sempre uma verba qualquer para comprar miserável sucata a prazo, como um Mercedes ou BMW, destinado a uma qualquer irrisória excelência. Simultaneamente, um desastre que ninguém quis comemorar, tem custado milhões sobre milhões, devorados em festas, parasitas do "Esquema", publicações que poucos adquirem e "templates" a martelo, numa cega-rega de chupismo sem peias. No entanto, adquirir belas obras que enriquecem o nosso património e garantem um hipotético renascer da nossa auto-estima, é coisa difícil. Na Sotheby’s de Nova Iorque, vai a leilão este belíssimo quadro que retrata um grande português do Oriente. A base de licitação está fixada entre os 80.000 – 100.000 Dólares (EUA). Não haverá por aí um mecenas capaz de oferecer a Portugal esta prenda de Ano Novo?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

No Combustões, um texto oportuno



A tela que maior entusiasmo concitou este ano na National Galery de Londres foi Charles I Insulted by Cromwell's Soldiers, pintada por Delaroche em 1836 ou 1837. Havia sido dada por perdida durante o Blitz de 1940-41, mas foi redescoberta algures na Escócia em 2008, voltando triunfalmente à casa de origem. O quadro mostra Carlos I, Rei de Inglaterra, sentado e absorto na leitura de uma qualquer obra edificante. À direita do soberano, já deposto e no cativeiro que lhe foi imposto no fim da chamada Segunda Guerra Civil, um soldado do Parlamento sopra-lhe no rosto o espesso fumo de cachimbo. À esquerda, um outro soldado, visivelmente embriagado, parece zombetear da desgraça do Rei, erguendo-lhe a taça das libações. Atrás dos dois foliões, dois militares puritanos assistem à ignóbil brincadeira sem intervirem.

No fundo, mais que a desdita de um homem humilhado por dois canalhas cheios de ódio, retrata o drama cósmico da inversão das polaridades, do triunfo do mal sobre o bem, do eclipse das virtudes da magnanimidade, da serenidade e da caridade. Aquilo que vulgarmente vejo nas exibições de ódio contra a monarquia e os monárquicos não passa disso: ódio a tudo o que não se compreende, ódio àquilo que não se pode ter nem pelo dinheiro, nem pelo atrevimento, excitação incontrolável dos sentidos na destruição de pedestais. É o ódio do plutucrata, príncipe do Reino de Mamona, dos condes da banca e marqueses dos supermercados, mais os seus caudatários, jograis-intelectuais em busca do dobrão de ouro atirado por esmola no fim das actuações. Tudo se resume a isso: despeito, eterna adolescência moral e uma quase certa revolta contra o berço onde se naceu. Não deixa de ter piada que é o povo chão quem melhor compreende os reis. O povo chão ama os reis. O mesmo não acontece com a burguesia, sobretudo a alta, que subiu a choques de punhal, bem como a novíssima, despenteada mental, a das Kátias e das Vanessas, dos futebóis, das gestões e das férias nas repúblicas dominicanas.

No Combustões

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Apit'ó comboio (das comissões do TGV) !

Estes senhores do Centenário, não contentes em reivindicar fardos e fardos de excentricidades para a comemoração de coisa alguma, resolveram agora dar luz verde-vermelha de arranca-pára dos caminhos de ferro, como improváveis encarrilados impulsionadores da República em Portugal.

Uma muito risível anedota, dado ser mais uma clara fraude cometida pelos habituais amigos do alheio. Quando se sabe que mais de 80% das linhas férreas nacionais foram planeadas e construídas pela "nefanda Monarchia", virem agora os comissionistas do projecto TGV fazer propaganda aos comboios, não deixa de ser uma ridícula pouca vergonha. Querem obra que dê para o conto, é tudo.

Sabemos qual o fito da mudança de agulhas. Falam do Caminho de Ferro que a Monarquia construiu, preparando outro tipo de carris que conduzem directamente a certo tipo de contabilidade, provavelmente off-shore em qualquer paraíso tropical ou à beira das Colunas de Hércules. A exposição sobre os caminhos de ferro, embalada com laçarotes verde-rubros, indicia o pestilencial assunto TGV, onde alguns arredondarão o pecúlio por outrem prometido e impacientemente aguardado. Daí a insistência.

Porque não se dedicam a brincar com uns Marklin dos velhos tempos em que eram crianças privilegiadas?

São desavergonhados e não merecem qualquer tipo de crédito.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Vergonhosa " Barraca" na Camioneta Fantasma

Há dois anos e meio, aqui deixámos um post alusivo à Camioneta Fantasma. Não pretendendo reeditá-lo por razões óbvias - dois anos passaram e o texto é perigosamente actual -, torna-se contudo imperiosa a constante atenção, por tudo aquilo que se vai fazendo em ano de Centenário. A propaganda não esmorece, é bem paga através de subsídios e de promessas de pecúlios relativamente garantidos a quem sujeita a honorabilidade da sua profissão, aos desmandos de quem pode e manda. Poderá ser o caso de uma peça de teatro que está em cena em Lisboa? Como tema,A Camioneta Fantasma - ou A Noite Sangrenta -, torna-se sempre num aliciante, porque além de controverso pelo próprio acontecimento de há oito décadas, ainda provoca estupefacção pela violência de que se revestiu. Num país então submetido a correrias, cenas de pancadaria e ribeiros de sangue que jorravam pelas ruas em direcção à grande sarjeta colectiva em que Portugal se tornara, a Camioneta Fantasma consistiu num dos muitos episódios que ingloriamente distinguiram a 1ª República. Eram comuns os ajustes de contas entre grupos furiosamente inimigos e granizavam insultos, calúnias e as consequentes ameaças à integridade física dos visados. Fosse no Mercado da Praça da Figueira ou no areópago de S. Bento, eram escassas as variações sobre o mesmo tema. O país habituara-se à insegurança como sistema.

Após o Regicídio do 1º de Fevereiro de 1908, caíram todas as barreiras que estabeleciam aquela imaginária, mas muito real fronteira até então existente entre a luta política e o puro e simples livre arbítrio. As deploráveis cenas de generalizadas sovas e sevícias praticadas contra clérigos e civis conotados com o regime deposto, as intermináveis levas de presos políticos, a tortura exercida nas prisões do Estado, as quadrilhas de bandoleiros que coagiam cidades e campos, horrorizaram a Europa onde o novo verbo portugaliser, ganhou declarado relevo em qualquer conversa que tivesse como ponto de interesse a desordem, violência ou ilegalidade. De facto, tornou-se normal a fuzilaria e o bombismo entre rivais, fossem eles elementos civis ou unidades das forças armadas do Estado. A Polícia e a Guarda combatiam o exército, alternando com a Marinha e os "voluntários civis" - as milícias partidárias -, as preferências na escolha de amigos ou aliados de ocasião. O Palácio de S. Bento era um centro de irradiação de sedições de diversos matizes, excitando ânimos e fazendo trovejar acusações gravíssimas e bastas vezes infundadas, onde a falta de decoro e o desbragamento de falas e argumentos, minaram irreversivelmente, qualquer resquício de respeito que ainda alguns poderiam acalentar perante aquilo que normalmente se designa por Poder. Espancava-se e matava-se, como parte dos jogos onde a oposição política e inimizades pessoais se amalgamavam numa dificilmente identificável confusão, conduzindo a violências inauditas e irreparáveis.

Os "Democráticos" de Afonso Costa, não podiam condescender com aqueles que durante o breve consulado presidencialista de Sidónio, os haviam alijado do apetecível exercício do poder. O clientelismo que se tornara infrene e conquistara todo o tipo de posições que permitiam o controlo da máquina do Estado, ao mesmo tempo que atemorizava a sociedade civil até à submissão, provocou um profundo sentimento de frustração entre um vasto espectro da sociedade portuguesa. O exclusivismo e o falsear descarado daquilo que se considerava ser a vontade popular expressa por magérrimos cadernos eleitorais, tiveram como companhia a ruína económica com o consequente desemprego, a fuga para o estrangeiro, a fome e a tristemente célebre crise das subsistências, além das desoladoras notícias dos desastres que se sucediam nas frentes de combate na Flandres, em Angola e em Moçambique. De facto, a "enxerga de percevejos" de que Guerra Junqueiro se queixava, era o resultado de mais de três décadas de feroz delapidar daquele património de civilidade que pior ou melhor, o sistema constitucional do Rotativismo tinha conseguido instituir em Portugal. Os republicanos foram modernos propagandistas, naquele sentido que atingiria o seu clímax na década de 30 e que hoje, talvez poderia ter quase como inocentes correspondentes, um certo jornalismo de escândalos que alimenta os tablóides, onde um simples título é por si, uma lápide que condena qualquer reputação à maldição eterna. Há oitenta anos, a situação era infinitamente mais grave e nociva, não tendo correspondência com qualquer uma daquelas cenas que os portugueses já presenciaram desde 1976. É difícil conceber uma realidade jamais experimentada, nem mesmo tendo paralelo o já distante PREC. A 1ª República foi pior, infinitamente pior.

O assassinato de Sidónio - às mãos de um radical e alucinado "libertador" republicano -, reavivou a memória da tarde do 1º de Fevereiro e pode ter desencadeado o imparável processo de ajuste de contas que apenas podia chegar ao fim, com o desaparecimento físico dos odiados rivais. Sidónio contara com a colaboração dos monárquicos, desejosos de poderem participar na política que há quase uma década lhes era vedada. As cartas e diários dos principais vultos republicanos - como Relvas e Chagas, por exemplo -, são um excelente e perturbante exemplo do profundo trabalho de charrua que ia revolvendo ódios velhos, simultaneamente lançando as sementes da colheita final de vidas que chegariam ao epílogo, num futuro não muito longínquo. Atraso mental, desonestidade, inépcia e banditismo, eram alguns dos epítetos que surgem página após página, demonstrando a inconsistência de um regime que não concitava o respeito de que desesperadamente necessitava. Tal como Junqueiro foi um dos mais evidentes responsáveis morais pelo assassinato do Rei e do Príncipe Real, outros correligionários do PRP acirraram rancores e engendraram discórdias que apenas poderiam levar à queda do sistema instaurado em 5 de Outubro de 1910.

Machado Santos detestava profundamente o sistema que Afonso Costa despoticamente instituíra, onde a inépcia, escandalosamente caminhava a par da violenta prepotência sobre todos aqueles que não faziam parte do esquema de dependências entretanto consagrado. Após a morte de Sidónio e da proclamação da Monarquia do Norte, regressou o costismo em toda a sua força e mais disposto que nunca, à liquidação dos adversários que ainda poderiam oferecer alguma resistência ao seu projecto de monopólio do poder. Para mais e em pleno processo de consolidação da revolução soviética, surgiram novos procedimentos organizativos e de acção, pelo que não eram de surpreender ocorrências de cariz subversivo que denunciavam a inelutável dissolução do Estado como autoridade universalmente aceite. O terror extremo desanima os adversários e galvaniza os executantes, eis o princípio básico e imutável do livro de instruções da subversão. Há ainda que reconhecer que em caso de sucesso, garante-lhes uma legitimidade susceptível de se prolongar indefinidamente.

Esta Camioneta Fantasma - ou Noite Sangrenta -, pode ser incluída na série de ocorrências que tal como a chamada Leva da Morte e o Regicídio, jamais foram perfeitamente clarificadas à luz do exercício da justiça. Na verdade, uma das principais preocupações do PRP, consistiu em abafar o processo que correndo nos tribunais, procurava deslindar cumplicidades e comprometimentos de uma vasta rede de conspiradores que derrubara a Monarquia nos fatídicos minutos da tarde do 1º de Fevereiro de 1908. O volumoso Processo do Regicídio desapareceu sem deixar rasto e embora os dias posteriores ao crime denunciassem a clara implicação dos centros de decisão republicanos - disso se gabava abertamente a sua propaganda -, jamais houve uma verdadeira vontade em apurar a verdade dos factos. O mesmo aconteceria uma década depois, quando após a liquidação de Machado Santos, Maia, Granjo e outros, se tornou impossível trazer a verdade à barra do tribunal. O medo era imenso, generalizado e as forças ocultas - hoje encaradas como aspectos exóticos de um passado distante -, eram poderosas e omnipresentes, obrigando ao silêncio e à resignação.

O teatro A Barraca, decidiu levar à cana uma peça que reaviva toda a caduca catilinária despejada então pelos evidentes responsáveis que haviam beneficiado com o crime. Durante o sidonismo, os caídos na Noite Sangrenta, tinham sido tácitos aliados dos monárquicos e eram em definitivo, ferrenhos inimigos declarados daquilo a que já se chamava de Nova República Velha, ou seja, o predomínio dos "Democráticos" de Costa. É certo que esta peça teatral parece feita de encomenda, talvez fruto de mais uma acção benemérita da Comissão que tem aposto o seu logo a torto e a direito, mostrando trabalho*. No entanto, a desonestidade intelectual de tão evidente e grosseira, apenas poderá ser desculpada pela ignorância de quem se atreve a tanto.

Ignorância ou cupidez?, eis a questão.

Apenas como indicação da total inconsistência do argumento, aqui deixamos um pequeno excerto da apresentação do texto parido algures numa Barraca subsidiada não se sabe bem por quem:

«A História e o futuro vivem de saber ler o passado. Não será despiciendo saber toda a verdade sobre os crimes que se abateram sobre os dirigentes do 5 de Outubro, onze anos depois de terem conquistado a liberdade para o povo português.»

"Conquistado a liberdade para o povo português". Inacreditável? Não, esta é a "estória" que os milhões catados aos contribuintes paga, para ser propagandeada para escândalo de alguns e desinteresse da imensa maioria. Antes assim.

*Ainda ontem, quinta-feira, vimos o pepsodêntico sorriso do sr. Artur(inho) Santos Silva na vernissage de António Barreto. Entre um croquete e um vinho do Porto, fez-se notar.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Parabéns!


Directamente do ratazanismo de sacristia, para outro altar, cá está este:
"Temos muito mal a dizer do regime que nos governa mas, apesar dos problemas, funciona. Somos um país europeu com crises graves, como os outros. As nossas críticas estão ao nível das de franceses, britânicos e espanhóis. É razoável celebrar hoje com dignidade o centenário da República porque, após Abril de 1974, a revolução de 1910 frutificou em liberdade e desenvolvimento. Vivemos numa república estável, livre e serena. Excelente razão para celebrar."

segunda-feira, 22 de março de 2010

Querem por as criançinhas a falar sobre isto

A pergunta podia ser: o que é um atentado? Ou, o que é um acto terrorista? Mas não. A "comissão" e os adesivos do costume querem pôr toda a gente a falar sobre isto quando ninguém sabe a história disto. Eles não querem que se fale disto querem é que se fale do que isto gostava de ser....

domingo, 14 de março de 2010

Guerra Junqueiro - um republicano arrependido


Nas vésperas de morrer, Junqueiro exclamava: "Dava toda a minha glória para não ter saído do catolicismo. Errei a minha vida. Quem me dera ter vivido ignorado só para a minha mulher e para as minhas filhas!"
Quando a República, pelo seu exemplo, pelas suas realizações, pelas suas atitudes, leva um homem como Junqueiro, que lhe deu o melhor do seu talento e tudo quanto havia de prestigioso no seu nome, a este remorso, a este arrependimento crescente que termina pelo grito - Meu Deus, levai-me, meu Deus, levai-me! - não é lícito dizer-se ou pensar-se que a República está morta e que urge remover o seu cadáver, para que a Nação não contamine?


in Alfredo Pimenta, «Nas Vésperas do Estado Novo», ed. Nova Arrancada, pág. 10

Contribuição de João da Ega

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Não faltam "ultimatums"


Hoje tal como há 120 anos atrás Portugal por culpa própria está perante poderes que lhe são superiores abre as goelas e grita, esbraceja e pula, mas de concreto não se atreve a mexer uma palha.
Esta reacção à perda de credibilidade da República nos mercados financeiros internacionais é fútil, inadequada e vai ter como resultado o aumento do nível de descrédito.
Em ano de comemoração do centenário da "República", nada como regressar a esses "heróicos" tempos.

Luís Bonifácio

Ler aqui

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Centenário da mordaça


Quem cala consente.

Afonso Costa, a referência da República

Sr. director do "Povo de Aveiro"

Em coimbra, o grande e glorioso caudillo republicano que dá pelo nome de Affonso Costa vivia com a mãe, que lhe servia de creada. (...) Chegou a chamar-lhe o nome mais degradante da dignidade d'uma mulher, e desceu á baixeza de a espancar barbaramente. Porque? Vae ver. Um dia, na louca embriaguez das orgias escandalosas, começou a levar para casa meretrizes, ceava com ellas, e obrigava a mãe a servi-las. De principio, a mãe, enojada da desenvergonha do filho, recusou-se ao baixo mister de creada de mulheres publicas; mas em desforço da rebeldia materna, Affonso Costa sovou generosamente e atirou carinhosamente por uma escada abaixo a mãe, que ficou com o braço partido. Foi sempre tamanho o amor a sua mãe, que esta viu-se na dura necessidade de ir supplicar a pessoas da relação do filho a finesa de lhe pedirem que a não tratasse com tanta ternura de aggressões e tal carinho de insultos. Um modelo de dedicação filial, o Affonso Costa, digno rival de Nero. Um mandou rasgar o ventre da mãe; outro partiu-lhe um braço. Um foi imperador Romano; o outro aspira a ser presidente da republica portugueza.

In, jornal "Povo de Aveiro", 31 de Outubro de 1909

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Celebrações da República


(...) o regime republicano português teve a sua génese na liberdade e democracia do regime Monárquico, que foram utilizadas para perpetrar um duplo crime de homicídio cobarde e brutal, o que não abona nada em favor dos republicanos. Até porque, de seguida, e uma vez agarradas as rédeas do poder, o regime republicano perseguiu selvaticamente todos aqueles que timidamente se lhe opunham, ceifando quem lhe passasse pela frente, roubando direitos há muito conseguidos, atropelando tudo e todos e formando o regime à sua medida. Em qualquer momento da Monarquia foram os republicanos da 1ª República melhor tratados, de forma mais digna, livre e democrática do que passaram eles a tratar os outros a partir do momento em que lhes foi passado para a mão o bastão. Ou o roubaram. Vasco Lobo Xavier no Mar Saldado »»»»

domingo, 31 de janeiro de 2010

Comemorações da república (2)

Não vou aos touros, não gosto (genericamente) de fado e nunca experimentei o mais vago sentimento monárquico. Mas comemorar a Iª República é igual a comemorar o dia em que o nosso tio-avô contraiu sífilis. A abolição da monarquia constitucional resultou da acção de um pequeno bando de rústicos, de carácter, conduta e aspecto duvidosos. O regime imposto pelo bando foi um exercício de limitação sucessiva de direitos concedidos, é verdade que moderadamente, até 1910. Fora a famosa liberdade religiosa, um pretexto para perseguir o clero, no resto, contas por alto, condicionou-se a liberdade de expressão, mediante censura activa, e a liberdade de voto, entretanto restrita aos alfabetizados - cujo número, durante a vigência "progressista" de Afonso Costa e comparsas, misteriosamente quase não sofreu alterações (durante Salazar, curiosamente, sim).
As consequências imediatas de semelhante delírio traduziram-se na emergência do Estado Novo, que adaptou a trela nos costumes e contrapôs ao caos governativo e económico um modelo de ordem, para alívio inicial das massas. As consequências a longo prazo ainda se sentem hoje, quando um país teoricamente civilizado festeja com pompa oficial a delinquência e o atraso de vida, afinal os autênticos "valores" da I República, de que a III, para nosso embaraço, pelos vistos não abdica.

Alberto Gonçalves aqui

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Demissão de ex-Vice-Presidente do Ateneu Comercial do Porto

Por causa disto. E porque a história foi isto.

Ex. mo Senhor Presidente da Direcção
Do Ateneu Comercial do Porto,

Os meus respeitosos cumprimentos.
É com profunda e muito sentida mágoa que me dirijo V.ª Ex.ª para solicitar a minha demissão de associada do Ateneu Comercial do Porto.
Esta minha decisão, devidamente ponderada, deve-se à minha total discordância relativamente ao facto do Ateneu ser o organizador de um evento público (no exterior das suas instalações) no âmbito das Comemorações do Centenário da República, em Portugal.
Trata-se, com efeito, de uma atitude que repudio veementemente por escusada e não muito conforme aos princípios do Ateneu Comercial do Porto.
Sócia há mais de 28 anos, continuando a tradição de muitos antepassados e familiares, não me consigo identificar com uma instituição que toma atitudes como esta. Não me é possível participar nestas comemorações que, para mim, evidenciam mais uma incoerência na sociedade portuguesa - todos os dias nos queixamos do sistema e do regime em que vivemos... mas espantosamente toda a gente se prepara para festejar alegre e insconscientemente o triste centenário de um regime imposto pela força e que até hoje nem sequer foi referendado! Pensava que estas manifestações pertenciam ao passado conturbado do republicanismo em Portugal e nomeadamente ao período da I.ª República.
Infelizmente parece que se querem ressuscitar essas práticas que, se violentas nessas épocas, seriam evitáveis na actualidade. Assim, e não cabendo aqui mais considerações deste teor, o que me resta a fazer e faço é desvincular-me do Ateneu Comercial do Porto.
Acreditava sinceramente que se tratava de uma instituição isenta, pluralista! Aqui se receberam – e bem! – individualidades de todos os quadrantes políticos e ideológicos mas, quando se toma uma atitude pública com estas características não mais se recupera essa imagem!
Como é evidente,não estão em causa as cerimónias calendarizadas para o Salão Nobre em que as palestras anunciadas serão certamente interessantes até porque é indubitável o prestígio dos oradores, mas não posso deixar de colocar duas questões :
1 -Para quê a cerimónia de um clube privado, no exterior das suas instalações?
2 - A quem serve este exercício exibicionista de cidadania republicana?

Quem me conhece poderá calcular o sofrimento que me vai na alma!
Nas instalações do Ateneu Comercial do Porto passei dos melhores momentos da minha Vida. Aqui cultivei saberes ,e sobretudo, grandes amizades. Aqui cresci, frequentando assiduamente os seus magníficos salões e a sua inigualável biblioteca, desde os 14 anos, na minha qualidade de filha de sócio. Durante vários mandatos integrei a Direcção quer como Directora quer como Vice-Presidente (a primeira Senhora a exercer este cargo) orgulhando-me da forma como fui desempenhado sucessivamente estes cargos aos quais me entreguei de alma e coração.
Compreenderão portanto o quanto me é penosa esta tomada de posição mas, os meus princípios assim o determinam.
Mais do quer ser associada desta prestigiada instituição, sou uma pessoa livre e, nesta conformidade, continuo a ser monárquica, advogando para Portugal um futuro melhor do que o presente. Como é do conhecimento de muitos dos associados do Ateneu, acredito que o regime monárquico é preferível ao da república pelo que seria incorrecto da minha parte continuar a pertencer ao Ateneu Comercial do Porto, nestas circunstâncias.
A V.ª Ex. ª e a todos os elementos da Direcção desejo, no entanto, as melhores venturas no exercício das V/ funções a bem dessa instituição que tão querida me é e para quem auguro um futuro que não desmereça o seu riquíssimo passado.
Solicito ainda o favor de apresentar os meus mais cordiais cumprimentos a todos os funcionários que sempre tão correctos foram para mim enquanto sócia e durante o exercício das minhas funções.

A Associada ( n.º 542)
Iza Maria Barbosa Flores Marcos
Porto, 27 de Janeiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

"31" de boca

A propaganda da comissão oficial do "centenário" começou de fininho e promete acabar "grossa". Com nada de novo para contar a não ser as desfiadas mentiras e omissões sobre a implantação da república, os cartazes começam a aparecer e a demonstrar o carácter pseudo-historiográfico que envolve a "programação". No primeiro grande evento, um dislate pecaminoso: associar a implantação da república à "Liberdade" – lutar pela liberdade...! com uma sobreposição de imagens de 1910 e Abril de 1974, onde nem falta o cravozinho da praxe! Esclarecedor? Parece coisa de moucos mas é para levar a sério. São as mentiras da república, de fazer um "31"...

Porto 31 de Janeiro de 1891



...ou o ensaio de uma constante portuguesa. Pelo nosso Nuno Castelo Branco Obrigatório.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Ignorância e ética republicana de uma Ministra da Cultura

Começam a surgir à luz do dia as iniciativas da comissão oficial nomeada pelo Presidente da República para as “comemorações” do Centenário da República, centenário que afinal não tem cem anos, mas apenas cinquenta e um, já que o período do Estado Novo é excluído pelas luminárias republicanas, por ter sido uma ditadura: e ditaduras não podem ser republicanas, nas suas cabeças bem pensantes!
O Dr. Santos Silva, presidente da tal comissão, foi logo dizendo que “ Revisitar a ética republicana para conseguir um Portugal melhor” é o objectivo da comemoração do centenário da República (DN de 6.1.2010). Quanto a este objectivo, estamos falados. Todos sabemos como foi a dita ética republicana durante os 16 anos da I República, como foi praticada pelos grandes vultos que a serviram e ainda hoje são o farol dos republicanos que denodadamente a defendem e neles se revêem e continuam a praticar, nas trafulhices, golpadas, escândalos de corrupção, compadrios e caciquismos que infelizmente vamos presenciando nos nossos dias.
“Meio milhar de propostas”, noticia o mesmo artigo do DN, de carácter cultural, em que avulta uma exposição com um extenso nome: Resistência. Lutar pela Liberdade. Da alternativa republicana à resistência á ditadura (1891 -1974). Vai ser inaugurada na antiga Cadeia da Relação do Porto a 31 de Janeiro deste ano. E fica-se sem saber o que pensar. Houve ditadura de 1891 a 1974, incluindo a I República? Houve ditadura na Monarquia Constitucional, para além da já consagrada “ditadura” administrativa de João Franco, que terá levado à insurreição republicana? Estarão a reconhecer a existência da ditadura do Partido Democrático do Dr. Afonso Costa?
Falar das outras iniciativas culturais por todas as bibliotecas, fundações, teatros e lugares bem frequentados, para “aproximar as populações da história portuguesa (DN, idem)”. Mas vale a pena reter a enormidade das declarações da Ministra da Cultura, a pianista Gabriela Canavilhas que, segundo também o DN esteve presente e deu o seu beneplácito: “ Se mais não houvesse, bastava o sufrágio universal e ética republicana para que se justificasse esta celebração”. Ora esta bombástica declaração da Ministra só vem demonstrar a sua profunda ignorância da História de Portugal. A Senhora Drª. Gabriela Canavilhas saberá o que são fusas e semi-fusas, claves de Sol e outras, compassos e escalas, mas não sabe que o sufrágio universal existia na Monarquia Constitucional, que por esse sufrágio foram eleitos deputados às Cortes e vereadores republicanos na Câmara de Lisboa, que a seguir à instauração revolucionária da República o direito de voto foi restringido pelo regime, diminuindo o número de leitores, e que ela, se tivesse vivido nesse período edílico, nem para a Junta de Freguesia dela podia votar, porque o voto estava vedado às mulheres, que só o alcançaram em plena dituadura!
Se não podemos exigir aos nossos Ministros que pratiquem a “ética republicana”, porque só serve para encher a boca com uma expressão vazia de sentido, ao menos podemos exigir que a Ministra da Cultura saiba História do seu País, para além de ler e interpretar pautas musicais, e não diga asneiras. Deturpar a história fará parte também da ética republicana? Parece que sim.

João Mattos e Silva, daqui

sábado, 26 de dezembro de 2009

A inauguração do novo Museu dois Coches a 5 de Outubro de 2010

Insulto à memória da Rainha Dona Amélia

O Museu Nacional dos Coches foi, como todos sabem, obra da Rainha Dona Amélia, a última rainha de Portugal, mulher, nascida francesa e morrendo convictamente portuguesa.
Assim, pergunto que direito tem o governo português de insultar a sua memória ao querer reerguer um novo museu dos coches a inaugurar no centenário da Implantação da Republica, acto esse que foi o culminar de uma série de acontecimentos fatídicos que a vitimaram, como o assassinato do seu marido e Rei, de seu filho e Herdeiro e que a exilou? Naturalmente não se põe aqui uma questão de Monarquia/ República. Apenas que se respeitem as memórias.
Vejamos de quem estamos a falar: a 1 de Fevereiro de 1908 a família real regressada a Lisboa, sofre um atentado onde o Rei D. Carlos e o Príncipe Herdeiro D. Luis Filipe são mortos.
Dois anos depois, é implantada a república e é obrigada a partir para o exílio a 5 de Outubro de 1910 juntamente com a sogra, a Rainha Maria Pia e o seu filho mais novo, o já Rei D. Manuel II.
Os Bragança não fogem do reino. Embarcam inicialmente para o Porto. “Não chorámos, não pedimos, não tivemos medo. Ao contrario. Se houve um comandante com medo de morrer, não houve duas rainhas com medo de ficar”, afirmaria D. Amélia em 1938.
Parte posteriormente para Londres e após o casamento de seu filho radica-se em Versalhes.
Nestes anos de exílio casou o filho e viu-o morrer bem como toda a sua família directa, passando então a simbolizar toda uma dinastia, da qual era a única representante viva.
Durante a II Guerra Mundial, o governo de Salazar, ofereceu-lhe asilo político, que ela recusou, e declarou o castelo dos duques de Orleães, território nacional, tornando-o território neutro, intocável, na França ocupada.
Perguntaram-lhe um dia se recordava Portugal ao que respondeu: “Recordar?! Recordar é ter esquecido uma vez. Eu nunca esqueci” A Rainha morreu aos 86 anos, profundamente atingida na sua felicidade de mulher, de esposa e de mãe, mas nunca na de Rainha. Já no seu leito de morte afirmou” quero bem a todos os portugueses, mesmo aqueles que me fizeram mal (…) sofro tanto. Deus está comigo. Levem-me para Portugal” e faleceu.
É a sua memória que a inauguração do novo Museu dois Coches a 5 de Outubro de 2010 insulta.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Quem cuida da res-publica?

Finalmente um orgão de comunicação de referência pega no caso dos gastos da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República que já tinha sido denunciado aqui. Acontece que eu espanto-me que não cause enorme escândalo o facto do design do deste simples site ter sido adjudicado por 99.500,00 euros. Eu pasmo com a naturalidade com que se aceita que se gastem às expensas dos impostos dos cidadãos 90,000,00 euros em "estacionário" (envelopes, canetas, papel de carta etc.). De resto, com a sua empresa a facturar 180.000,00 euros nestes dois ajustes directos, Henrique Cayatte só pode estar feliz: uma comenda da republica no dia 10 de Junho será a cereja no topo do bolo.