Mostrar mensagens com a etiqueta Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. Mostrar todas as mensagens

sábado, 3 de outubro de 2009

Contas – Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República

<span class=

Afinal vem aí o Centenário da República: sabiam que 10 milhões de euros dos nossos impostos foram atribuídos a essa Comissão? Digam-me uma coisa: a “República” que somos todos nós não agradecia que se construísse antes um Hospital novo, ou outro bem para beneficiar o Povo?

Como eu já disse uma vez "A história é curta quando a memória é curta …” sabem quem foi o primeiro presidente da república? Esse é o medo porque a esmagadora maioria não sabe … precisam de 10 milhões de euros para comprar manuais escolares para o Povo. Daí que vos deixo a lista pública dos gastos dessa dita cuja comissão… acessível publicamente aqui

Como diz D. Duarte “o 5 de Outubro não serviu de nada… por isso foi preciso fazer o 25 de Abril” … são demasiadas revoluções num século: 28 de Maio de 1926 (a dita que colocou Salazar no poder), 5 de Outubro de 1910, 25 de Abril de 1974 … e Portugal a cair a pique. Sabiam que o PÃO, aquele bem tão essencial e também chamado a comida dos pobres, aumentou “21 VEZES” de 1910 a 1926 ??? A culpa era do Rei que já tinha sido morto em 1908… sabem qual foi a consequência? Salazar foi posto pelos militares no poder para equilibrar as finanças que os republicanos comandados por Afonso Costa destruíram… o problema é que a história repete-se, e estamos a cair precisamente no mesmo … como diz o meu avô “vivemos um clima de paz podre, o problema é que nos pode cair da rifa um maluco que pode dar cabo disto tudo”.

Vejam os números e distribuam aos vossos amigos: é insultuoso que num país com mais de 400 mil desempregados se lembrem de gastar 10 milhões de euros em tudo menos beneficio do Povo, é como aqueles empresários que quando recebem subsídios em vez de apostarem na empresa e nos empregados vão comprar um BMW para a mulher ! Ah um pormenor técnico … meus caros o presidente desta comissão é um Banqueiro !!!!

ID Mais recentes primeiro Data Mais antigos primeiro Ent. Adjudicante Ent. Adjudicada Objecto Ordem decrescente de montantesOrdem crescente de montantes Montante
75140 2009-08-05 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Henrique CayatteDesign, Lda. Prestação de serviços de degign com vista à criação e desenvolvimento do Portal Centenário da República 99.500,00 €
75158 2009-08-05 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Henrique Frederico Cantiga Cayatte Prestação de serviços de design global do estacionário da Comissão Nacional e dos materiais de suporte à comunicação dos diferentes eixos programáticos 90.000,00 €
76813 2009-08-11 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Daniela Ermano Prestação de serviços de criação do projecto de arquitectura efémera de quatro espaços expositivos 67.000,00 €
48242 2009-05-06 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Entre Pessoas – Tecnologias, Lda. Prestação de serviços no domínio das tecnologias de informação e comunicação 60.000,00 €
48235 2009-05-06 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República João Lagos Sports – Gestão de Eventos, S.A. Prestação de serviços para a organização da cerimónia de apresentação pública dos Jogos do Centenário 59.720,00 €
75090 2009-08-05 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Paulo Renato Pereira Trincão Prestação de serviços na área da produção e divulgação científica, pedagogia e museografia 52.500,00 €
75083 2009-08-05 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Bruno Ricardo Ribeiro Henriques Serviços de investigação, selecção e tratamento de informação,produção de conteúdos científicos para o eixo programático República das Letras 18.000,00 €
75182 2009-08-05 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Adelaide Maria Martins de Andrade Silva Prestação de serviços de consultadoria jurídica na área de planeamento, organização e execução do Programa das Comemorações do Centenário da República 14.610,00 €
52924 2009-05-20 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República FBAFerrand, Bicker & Associados, Lda.. Aquisição de serviços de criação da imagem gráfica do Centenário da República 10.000,00 €
90300 2009-09-23 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Auristela Maria Lopes de Miranda Leão Prestação de serviços na área de planeamento, organização e coordenação da programação cultural que integra o Programa das Comemorações do Centenário da República 9.740,00 €
75224 2009-08-06 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Ana Mafalda Jardim Temes de Oliveira Prestação de serviços na área de planeamento e de organização do Programa das Comemorações do Centenário da República 9.600,00 €
39977 2009-04-02 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Dub Division – Comunicação e Multimédia , Lda. Aquisição de Serviços de produção de anúncio publicitário das Comemorações do Centenário da República 8.500,00 €
40002 2009-04-02 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Dub Division – Comunicação e Multimédia , Lda. Aquisição de Serviços de produção de anúncio publicitário das Comemorações do Centenário da República 8.500,00 €
Despesa total correspondente: 507.670,00 €

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Escutar a república em vésperas do centenário

Preso por ter cão, preso por o não ter: O Presidente se tivesse esclarecido os portugueses no momento oportuno (a mais de um ano das eleições legislativas), nada de mal viria ao pequeno mundo de intriguinhas palacianas em que vivemos.
Se o Presidente tivesse esclarecido o País quando saíu a "notícia" dos emails no DN e dito que havia vulnerabilidades nos sistemas electrónicos da Presidência, então teria sido acusado pelo PS de estar a dar uma ajuda ao PSD em plena campanha eleitoral. Como se manteve em silêncio, acabou na prática por dar uma ajudinha política ao Eng. Sócrates. Jogada magistral do PS que talvez lhe tenha valido ter sido até o partido mais votado!
Vem isto a propósito da necessidade de "escutarmos" a história política dos últimos cem anos das democracias ocidentais.
Nos regimes monárquicos constitucionais como os do Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Noruega, Luxemburgo, Espanha, Holanda, Bélgica, Japão, Austrália, Canadá, nunca o Chefe do Estado foi acusado de partidarismo, ou se levantaram suspeitas de que serviços secretos andavam a armar-se em espiões partidários.
É preciso irmos às repúblicas dos EUA (Nixon), França (Chirac) ou ao Portugal de hoje, - já sem falar na Itália ou na Grácia por uma simples questão de decoro, - para confirmarmos, mais uma vez, que a natureza da própria República acaba sempre, mais tarde ou mais cedo, neste espectáculo lamentável a que estamos a assistir.
Nas Monarquias constitucionais contemporâneas, o Chefe do Estado - a Coroa - é o garante do suprapartidarismo do Poder Judicial, das Forças Armadas e da Independência Nacional.
Em República as "secretas" andam quase sempre ao deus dará. Umas vezes só nas mãos do Chefe do Estado, outras sob a alçada do Governo da altura.... por entre os "mixericos" partidários de quem irá ser o próximo Presidente...
Mas alguém tinha dúvidas que iam começar mal as comemorações do tal "centenário" da república?
Luís Filipe Coimbra no 31 da Armada

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sem rei nem roque

Foi um espectáculo confrangedor ontem à noite assistir às declarações do Chefe de Estado: afinal as suas tão aguardadas palavras pouco mais revelaram do que um homem acossado pela intriga que grassa entre os órgãos de soberania e de estados d’alma pouco dignos do mais alto magistrado da nação. Depois, já enterrado no sofá, foi assistir atónito à intervenção do ministro Pedro Silva Pereira, em autêntica pose de estadista, ripostar com invulgar dureza e numa arrogância quase elegante a pública birra de Cavaco Silva.
O que vem à tona com isto tudo é a materialização dum negro pesadelo: uma nação pobre e decadente a hipotecar o seu presente com uma baixa e irresponsável guerrilha política protagonizada pelos principais órgãos de soberania nacionais: uma crise sistémica sem solução à vista. Sem dúvida o panorama ideal para o regime celebrar o seu centenário.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ler os outros

Jaime Nogueira Pinto no Jornal i:

(...) A República não foi de brandos costumes: mataram-se padres logo no primeiro dia e, apesar das amplas liberdades, o regime foi expedito, através dos bandos "populares", para dar cabo dos adversários - partidos e jornais monárquicos, católicos e mesmo republicanos e conservadores. Criou um modelo "à mexicana" ou "à Chávez", em que as eleições eram concorrenciais, mas o governo - os democráticos - ganhava sempre. (...)
O regime defendia-se com uma classe de "cidadãos vigilantes" - carbonários, "formigas brancas" e polícias oficiais ou oficiosos. A violência era livre. Daí episódios como o da enigmática "camioneta fantasma" que, na noite de 19 de Outubro de 1921, foi de porta em porta para capturar e assassinar republicanos, entre eles os heróis do 5 de Outubro - Machado Santos e Carlos da Maia- que se tinham passado para o sidonismo.
Muito do que veio depois, o resto do século XX português - o 28 de Maio e o autoritarismo salazarista - é incompreensível sem se perceber que a República foi (também) assim. A ver se nas celebrações se lembram destes detalhes... Na integra aqui

sábado, 29 de agosto de 2009

Directamente da Tailândia

Connosco desde sexta-feira está Miguel Castelo Branco, um veterano das lides blogosféricas e do intervencionismo monárquico. Uma contribuição erudita, um escrita hábil e quantas vezes mordaz que constitui um grande reforço, para os tempos e desafios que se aproximam. O regime que se cuide.
Bem vindo ao Centenário da República, Miguel.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Respeitinho à força

Antes de 1910, um dos passatempos favoritos dos paladinos da república era o insulto aos símbolos nacionais e ao Chefe do Estado. Se algum magistrado se atrevesse a levá-los a julgamento, transformava-se em alvo de toda a artilharia insultuosa da imprensa republicana, que impunemente chamava “verdugos mascarados de juizes”, “arruaceiros”, “loucos”, “insultadores da justiça” ou “agentes do crime triunfante” a todos aqueles que intervinham nos seus julgamentos (Archivo Republicano). Leia o resto aqui»»»

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O site oficial das comemorações do 5 de Outubro: Tal como o símbolo, expressão do vazio.

O vazio do Republicanismo, é visível no site oficial das comemorações da implantação da Republica. Chamam a nós monárquicos: retrógrados, absolutistas e outros adjectivos. Apesar disso tudo, graças ao esforço individual de várias pessoas está online uma plataforma aberta a população em geral, que, problematiza o sentido destas comemorações. Através do blogue, há a possibilidade de fazer-se comentários livremente. Ao alcance de qualquer internauta.
No site oficial, as participações estão sujeitas aos contactos com a comissão. E isso, trás todo o tipo de selecção de informação, que, se considere “inadequada”.
Na navegação pelo site, encontramos uma preocupação da comissão em agir junto das escolas e universidades, numa apologia messiânica, que tão bem caracteriza o Republicanismo. E depois disso? Nada.
Em breves palavras, penso que caracteriza-se muito bem o significado dessa “revolução lisboeta”.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Luís Barata

...junta-se a nós na Plataforma do Centenário da República para enfrentar os meses de infame propaganda republicana que se adivinham no horizonte. Luís Barata é jurista de formação com percurso profissional pela magistratura e aqui publicará também Coisas Reais. Seja bem vindo, caríssimo Luís!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Eles andam aí!!!

Esta manhã fui alertado por um amigo que estava no ar no Rádio Clube Português uma entrevista à Professora Fernanda Rolo a respeito das actividades da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (uff!) pelo locutor de serviço Nuno Domingues. Tenho a dizer que me impressionou a subserviência manifestada pelo entrevistador: ignorando o regime terrorista a que deu origem a revolução de 5 de Outubro, e que a maior parte dos países evoluídos da Europa são monarquias, o pivot limitou-se a estender o tapete à Senhora Doutora para uns valentes minutos de publicidade gratuita. Ficámos a saber alguma coisa sobre o novo portal da Comissão de festas na Internet e sobre o ambicioso programa que a Comissão está a delinear para as escolas: publico com o qual a Comissão nutre um particular carinho (sic). Protejam bem os vossos filhos então, pois a velha estratégia da mentira mil vezes repetida continua em voga.

Resta-nos a satisfação de verificar que sempre que a Comissão das Comemorações se manifesta publicamente nos grandes meios de comunicação a respeito do seu Portal, o numero de visitas à nossa modesta plataforma na Internet disparam.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

"Não discutimos a Nação!"



... - dizia o Senhor Presidente do Conselho da II República Portuguesa, António de Oliveira Salazar. E dizem os organizadores das festividades que comemorarão, em 2010, os 100 anos sobre a instauração do regime republicano. Não discutem a Nação que lhes passou um cheque de 10 milhões de euros em tempo de crise, nem discutem o regime que os amamenta com o saudável leite da ideologia burguesa. Ou não fosse o cabecilha desta organização um banqueiro. Artur Santos Silva preparou, aliás, um programa muito interessante para estas lautas festas que fazem lembrar, em muitos aspectos, as comemorações do Estado Novo: República e Lusofonia, Arte e Espectáculos, Jogos do Centenário, República nos Media, Edições e Exposições do Centenário, Portal Centenário da República e Georeferenciação e Fluxos de Comunicação. Se substituirmos a Lusofonia por Império, o Portal pelas luxuosas publicações editadas pelo Secretariado Nacional de Propaganda, de resto tudo, ou quase, tudo é decalcado de cérebros muito semelhantes aos da Revolução Nacional. Aliás, a formatação ideológica a partir das escolas parece ser um ponto assente no programa desta Comissão: rever, revisitar e reformatar a imagem da República de forma a servir um Estado moderno é o objectivo principal. («As actividades previstas incluem exposições, encontros científicos, roteiros municipais, jogos e concursos e actividades nas escolas», Público, 08-07-09). Num país onde a Escola já quase não tem contacto com a História do seu país, onde os estudantes não saber situar cronologicamente os acontecimentos e as figuras que o antecederam; num país onde os museus não têm orçamento para quase nada, nem para conteúdos educativos, gastar 10 milhões em propaganda republicana é imoral e muito pouco ético. Incorrendo no risco de parecer imparcial, diria que é um crime. Mas estas coisas, que vão sendo hábito numa sociedade pouco transparente e habituada à impunidade, não espantam saindo da boca, mãos e cabeça de banqueiros. Fico realmente admirado que uma pessoa de consciência, saber e intelectualidade como a Dr. Raquel Henriques da Silva (que, mais do que ninguém, conhece o Estado da Cultura em Portugal) assine por baixo desta fantochada.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Logótipos

A Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República adjudicou o seu logótipo dois jovens designers, que segundo os próprios "procura reinventar graficamente o conceito de República, entretecendo visualmente noções como as de "democracia" e "parlamentarismo"... Como se a democracia e o parlamentarismo fossem conquistas da republica: referem-se aos primeiros anos de ditadura revolucionaria? Referem-se aos 48 anos do Estado Novo? Referem-se ao modelo democrático da III republica, aquele que mais se aproxima qualitativamente da monarquia constitucional? Como podemos observar (em cima) a solução gráfica representa bem o inevitável vazio da sua mensagem: um balão cheio de nada, nas cores carbonárias: o encarnado do sangue que (os republicanos) derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito natural, (os republicanos) devem alimentar-se. (Fernando Pessoa)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Imparcialidade...

...é um nome pomposo para indiferença, que por sua vez é um nome elegante para ignorância

G. K. Chesterton, tirado daqui

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A república em 1910 e as restrições ao culto religioso


Com o 5 de Outubro de 1910 inicia-se um período de violenta perseguição religiosa em Portugal. A Igreja vive por esses dias um período de semi-clandestinidade durante o qual diversos membros do clero foram sujeitos à prisão, a maus tratos e à morte.
A seguir transcrevermos uma curiosa carta (reproduzida na imagem) escrita por Maria Júlia Carvalho Prostes pela altura das festas natalícias à sua filha:

Mª querida Maria Thereza,

Lisboa, 31-12-1910

Obrigada pelas tuas boas-festas, desejamos eu mtº do coração a ti, teu Marido, Sogra e Cunhada, as maiores felicidades, e o anno nôvo mtº prospero.
Aqui houve algumas Missas da meia noute, entre ellas S. Luiz, onde a Mª das Dôres foi com as Mendonças sendo por bilhetes e à porta fechada. Eu, como havia difficuldade nos bilhetes, fiz como costumo aos Sábados, jantei em casa Mª Archangela, e ali passei a noute. (...)


Agradeço à Conceição Mascarenhas a cedência da carta.

domingo, 31 de maio de 2009

Vasco Pulido Valente e o "regime terrorista"

Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República!


Vasco Pulido Valente em entrevista ao Correio da Manhã e à Rádio Comercial sobre as comemorações do centenário da república:


ARF - Vamos comemorar os 100 anos da República. No livro que lançou, sobre no período de 1910 a 1917, é muito contundente com a I República. Diz que foi um regime terrorista. Vamos andar um ano a chamar heróis a cidadãos que usaram o terrorismo?

VPV - Criaram essa República e que conseguiram a partir de 1913 governar em partido único. Esse partido governou sempre, excepto numas interrupções provocadas por golpes militares, pronunciamentos militares, em que usaram, para se manter, métodos terroristas. E que viveu sempre em guerra com o País, guerra aberta com o País.

ARF - E porque é que se comemoram os 100 anos?

VPV - Eu sei porque é que se vai comemorar isso. Porque a República teve uma reabilitação póstuma, que foi a reabilitação salazarista. Como os republicanos eram contra o Salazar e havia muita gente que era contra o Salazar começou-se a achar que a República era boa porque era antisalazarista. Porque os republicanos, certos republicanos, eram antisalazaristas e começou a criar-se a lenda de que se a ditadura salazarista era má a ditadura republicana, a que ninguém chamava ditadura, era boa. Hoje em dia passa por ter sido um regime muito meritório que não foi. Ainda por cima, o nome oficial da República era República Democrática Portuguesa. Tinha lá aquela coisa, mas aquele democrático estava ali como estava nos países comunistas.

ARF - Coreia do Norte e outros.

VPV - Quase a Coreia do Norte. Não era tanto.

ARF - Vai participar nessas comemorações, já foi contactado?

VPV - Não.

ARF - Não foi porque tem essas opiniões?

VPV - Não.

ARF - Não convém às comemorações dos 100 anos?

VPV - Não sei se convém ou não convém. Mas compreendo que pessoas que queiram comemorar não me queiram. Mas houve uma senhora deputada que me veio falar em nome do senhor presidente da Assembleia da República. E eu expliquei à senhora deputada que já não tinha idade para receber recados por interposta pessoa do doutor Jaime Gama, que eu conheço desde os 18 anos. Portanto, se o doutor Jaime Gama me quiser falar não tinha mais que agarrar num telefone e telefonar-me. Não telefonou mais. E foi o único contacto que eu tive. Lembrei-me agora.

LC - Na sua opinião não devia haver comemorações?

VPV - Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A ética republicana

A ética republicana é como o Espírito Santo: não se consegue explicar exactamente o que é, nunca se avista mas acredita-se que opera milagres. Lembrei-me muito da ética republicana ao ver as imagens da demissão de Michael Martin, o speaker da Câmara dos Comuns. Tal como nos anos 70 era difícil explicar, em Portugal, as razões da demissão de Nixon, pois usar as polícias para espiar as campanhas dos partidos da oposição era então um direito adquirido do governo, também hoje surge como bizarro que este homem se tenha demitido não porque ele mas sim alguns deputados tenham utilizado dinheiros públicos, ainda por cima em quantias irrisórias, em benefício próprio ou mais propriamente em benefício dos seus jardins e casas. Isto é o que acontece nos países onde a ética é simplesmente ética e não uma basófia do regime.

Helena Matos no Público retirado daqui

Nota: Há uma diferença: o Espírito Santo explica-se e opera milagres, a ética republicana é comprovadamente um mito.

terça-feira, 12 de maio de 2009

O caso das pressões

Em encontros presenciais e conversas telefónicas, o presidente do Eurojust Lopes da Mota terá dito aos dois procuradores que iriam "tramar-se", ou "sofrer represálias" - depende das versões de testemunhos - se não acabassem depressa com a investigação. Foi-lhes transmitido que o primeiro-ministro queria celeridade no processo e sublinhado o risco de perda da maioria absoluta. No I Online

Afonso Costa há mais pouco mais de cem anos deportava um grupo de juízes do Tribunal da Relação de Lisboa para a Índia como represália ao arquivamento dum processo interposto pelo seu gabinete a João Franco por causa do célebre caso dos adiantamentos. Os seus presuntivos herdeiros jamais se esqueceram dos velhos métodos. Em Portugal, na terceira república acreditar na justiça mantém-se uma miragem.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O Grande Bloqueio

Para sossego da clientela regimental e da letargia mental a que o português é tão atreito, o debate político está devidamente amestrado pela asfixiante agenda dominante. Só assim se justifica discrepância que encontramos nos temas abordados e debatidos nos meios tradicionais e na blogosfera.
Dou como exemplo a malquista “questão do regime”: a poucos meses do inicio das festividades do Centenário República, parece-me muito estranho e lamentável que esse relevante debate que encontramos amiúde em grandes blogues nacionais como o Insurgente, Portugal Contemporâneo, o Corta-fitas e o Combustões (só para mencionar os mais populares e artigos mais recentes), não transpareça minimamente nos meios de comunicação tradicionais.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A mariana embarretada


A "república" foi a contribuição portuguesa na decoração dos espaços públicos do Parlamento Europeu em Bruxelas. É isto que sobressai do nosso património artístico? Referência paupérrima dum povo com mais de oitocentos anos de história.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O guarda republicano prossegue o ardina


(Caricatura publicada nã revista humorística “Papagaio Real”, em 1914)

O ardina foi uma inesperada vítima da república. Nisso distingue-se de outras classes de vítimas, cujo sacrifício fora antecipadamente anunciado. Alguma violência era já de esperar e estava programada muito antes da implantação do regime. Se alguns visionários do calibre de Eça de Queirós previram com décadas de antecedência o carácter turbulento e sanguinário da república portuguesa, qualquer observador da propaganda republicana, por pouco arguto que fosse, poderia prever que a extinção da monarquia traria consigo a perseguição aos institutos religiosos, a demissão do corpo diplomático, de oficiais do exército e dos servidores da Casa Real, a humilhação e expulsão dos jesuítas, etc. Mas nem os mais argutos prognósticos previram que a república, depois de proclamada, viria a criar tão conflituosas relações como as que criou com todos os agentes da imprensa, desde os orgulhosos directores de jornais até aos mais desprotegidos vendedores de rua. Leia o resto aqui»»»

sábado, 28 de março de 2009

A república velha - Filipe Anacoreta

Foi hoje publicado o plano das comemorações do Centenário da República. Ali se exibe com vaidade um orçamento de 10 Milhões de Euros, grotescamente abastado para tempos de crise e de desemprego. Vê-se bem que a disciplina orçamental que reivindica moderação nos prémios e nos aumentos salariais não se aplica aos capatazes da ideologia.
De resto, a grandeza da efeméride tem reflexo no tipo de festejo que suscita: a instauração da 1ª República, o pior regime para Portugal destes últimos cem anos - não ignorando o demérito daquele que o antecedeu e já ponderando, apesar de tudo, o tempo de Sócrates - suscita apenas subvenções públicas, apoios estatais e mobiliza os suspeitos do costume. Todas as iniciativas são centralizadas e não têm nada de espontaneidade popular (ao contrário do que, por exemplo, sucede com as comemorações do 25 de Abril).
Aprender com os erros do passado, nada. Desenvolver uma pedagogia diante da irresponsabilidade e cegueira de alguns dos seus mais importantes protagonistas, nada.
Apontar a reconciliação e a mobilização de todos para a afirmação de uma renovada identidade nacional, nada. Nada quanto a estudar o que levou ao aparecimento e à aspiração do Estado Novo e ao facto da recente República (em menos de 16 anos) ter ficado tão rapidamente velha, saturada e nociva.
O primeiro objectivo das comemorações é, pois, «evocar a República e o republicanismo, divulgando os seus ideais cívicos, as suas principais realizações e os seus grandes protagonistas». Não há uma leitura objectiva e factual da história, uma preocupação de compreensão do movimento republicano, integrando-o na Revolução Francesa e nos grandes movimentos ideológicos que massacraram o século XX (nomeadamente comunista, nacional-socialista e fascita). Apenas a divulgação do mito que, pelos vistos, continua a alimentar alguns, teimosamente ignorantes e cegamente confiantes na ideia criada à força da vontade do progresso que tanto nos fez regredir.
O problema não é novo. O doente não sabe o seu remédio, muito menos quando não reconhece a doença. Por isso, lá vamos nós embarcar em mais esta excentricidade que antes de começar já cheira a mofo, sabe mal e não contribuirá em nada para a renovação, cada vez mais urgente, do regime republicano.


Filipe Anacoreta no Cachimbo de Magritte