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sábado, 31 de outubro de 2009

Crise actual é só comparável com o período da I República afirma Vitor Bento

Ontem ,numa conferência dedicada à apresentação de um estudo económico sobre o futuro da Economia Portuguesa ,dirigido por Ernâni Lopes (antigo ministro das Finanças) “A Economia no Futuro de Portugal”, no Centro Cultural de Belém.

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«Para encontrar uma década de crescimento tão fraco, é preciso recuar a 1912/1921, período pós implantação da república e da passagem da 1ª guerra mundial», afirmou, Vitor Bento (Economista,Presidente do Sibs,Conselheiro de Estado) durante a sua intervenção no CCB

Mais informação aqui..


Os factos não são novos, pois já aqui neste blogue foram divulgados, mas é importante quando a informação chega a determinados patamares institucionais.
A partir de agora os "generais de 5 estrelas" do regime republicano vão ter de falar de outro modo.O caso não é para menos.
Não só a frase vem de quem vem, como é completamente nova na abordagem "oficial" das nossas elites pensantes:
Até hoje considerava-se em rodapé que o falhanço (quando admitido) da I República se devia à I Grande Guerra (as despesas e desvio de mão de obra, a par da queda de produção)... pois agora, Vítor Bento descreve implicitamente o periodo entre 1912 e 1921, portanto começa antes da guerra.
Por outro lado nunca houve uma referência tão forte sobre o carácter negativo da evolução daquele periodo, embora Vitor Bento tenha o cuidado de não se referir ao regime, mas antes ao período temporal, a conclusão acaba por ser a mesma.

Este foi claramente um ponto de inflexão a favor da ideia que os monárquicos sempre divulgaram.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Mais uma pequena pista para a investigação do Tiago Moreira Ramalho

Se o Tiago afirma que até 1910 Portugal perdera o comboio da Europa, por exemplo a HISTÓRIA ECONÓMICA DE PORTUGAL, (Organização de Pedro Lains e Álvaro Ferreira da Silva, Volume III. Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, 2005) diz outra coisa bem diferente:

Aceitando que as periodizações são cezuras algo convencionais, não custa admitir que o “século XX português” terá tido o seu começo em 1890. Se toda a primeira metade do século XIX fora de sobressaltos políticos e mesmo de crise económica – o produto por habitante não acusa crescimento, mas estagnação -, na segunda metade de Oitocentos o voluntarismo político modernizador dos principais partidos do constitucionalismo monárquico resultou no fomento material e em taxas de crescimento da riqueza nacional acima das do crescimento da população. Regeneradores e progressistas convergem no propósito de unificarem o mercado nacional e de fomentarem a abertura económica ao exterior. Alternando no poder, uns e outros contribuem para que Portugal integre o grupo de países a que podemos aplicar, até ao começo da primeira Grande Guerra, o conceito de “crescimento económico moderno”.

Parece-me é que temos que ter cuidado com as fontes, para não vivermos intoxicados pela propaganda...

Ilustração: Stuart Carvalhais 1923

Agradeço ao Carlos Bobone a preciosa ajuda

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Quanto nos Custa a República

A demagogia republicana alarde em todo o mundo a mensagem que numa monarquia, a nobreza gasta enquanto que o povo passa fome.
Ainda hoje, o "custo" é ainda um dos principais argumentos que os republicanos usam, com algum sucesso, diga-se de passagem, junto das massas indiferenciadas.

Mas será verdade?

Recorrendo a um motor de busca da internet, chegamos, ao fim de 3 cliques, ao relatório e contas da Casa Real de Windsor. 132 Páginas com explicações, despesas descriminadas, tudo bem apresentado, próprio para ser lido e entendido por alguém sem conhecimentos de contabilidade
Recorrendo a bastantes mais cliques, e sabendo à partida que o valor da despesa da Presidência da república se encontra num documento chamado “Conta Geral do Estado”, conseguimos saber quanto nos custa a nossa actual chefia de estado.
Da "Conta Geral" apenas consegui retirar o valor de 17 188 538 € de despesas da presidência da República. De uma maneira geral o documento está concebido para ser lido por contabilistas ou alguém com fortes conhecimentos dessa arte. Um simples cidadão, pouca ou nenhuma informação, consegue extrair deste documento.

Resumindo, e falando apenas em despesas globais:
Despesas da Casa Real de Windsor (2007): 50 000 000 € (£ 40 000 000)
Despesa da Presidência da república Portuguesa (2007): 17 188 992 €

Da Wikipedia temos que a população estimada e PIB do Reino Unido e de Portugal no ano de 2007 foi:
Portugal: 10 617 575 hab - $ 148 866 666 667
Reino Unido: 60 975 000 hab - $ 1 734 166 666 667

Pelo que as despesas por habitante em ambos os países, com as respectivas chefias do estado foi, no ano de 2007 de:
Portugal: 1.61 €
Reino Unido: 0.82 €
Ou seja a presidência da república custa a cada Português o dobro do que custa a cada Britânico a sua Monarquia.

A diferença é ainda mais gritante se fizermos a comparação em termos de peso dessas despesas na economia. Assim sendo e expressando-as em percentagem do PIB (valores constantes da Wikipedia para 2007) temos que as mesmas representaram:
0.0115% do PIB em Portugal
0.0023% do PIB no Reino Unido
Ou seja a Presidência da República Portuguesa pesa 5 vezes mais na economia Portuguesa que a Monarquia Britânica na sua respectiva economia.
Venham lá Republicanos, chamem-me de DEMAGÓGICO!
Nota: Agradecia que alguma alma caridosa me fornecesse, ou indicasse onde posso encontrar uma informação descriminada sobre as despesas da presidência da república.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A questão do atraso económico Português

Um dos erros frequentes na analise da evolução do nível de vida em Portugal, é considerar todo o período de 1852 até 1914 como um único e indissociável ciclo… fruto da recorrência a autores estrangeiros (a queda da monarquia portuguesa é um facto único na história da Europa do sec XIX ate á I grande guerra, dai ser desconsiderado na analise que estrangeiros fazem). O facto é que existe não um mas dois períodos: o da a monarquia constitucional e o da I republica, sendo que isso não permite que digamos que se em 1852 o PIB per capita a preços constante era de 109 escudos e em 1914 de 142 escudos, que a evolução foi fraca… Falso! Em 1896 esse valor foi de 169, em plena monarquia! Ou seja, mistura-se a ascensão económica do período monárquico com a queda estrutural da I republica para dizer que no período de D. Carlos e D. Manuel não houve qualquer evolução e que as pessoas viviam na mais absoluta pobreza, sendo que a Republica foi a salvação da pátria.
Entre meados do séc. XIX e o inicio da I grande guerra, a Europa conheceu um crescimento rápido da produção. O arranque desta nova estrutura económica começa em 1780-1800 na Inglaterra; 1820-1860 na França (idêntico a Portugal); 1870-1890 na Suécia; 1890-1917 na Rússia.
Se na Inglaterra demora-se 50 anos a atingir a maturidade económica, na França o mesmo tempo, na Suécia 30 anos, na Alemanha 40 anos, no Japão 40 anos, nos EUA 50 anos e para outros países como a Turquia, Argentina, México nunca a maturidade foi atingida e só agora a China e a Índia começam a dar tais sinais, 57 anos depois do “arranque”.
Podemo-nos questionar se efectivamente Portugal estava atrasado em 1900! De acordo com P. Bairoch ("europe´s Gross Natonal Product 1800-1975") um Português em 1860 tinha 77% da riqueza de um alemão, 93% da de um Dinamarquês (imagine-se!!!), 75% da de um Francês, 47 % da de um Inglês… em 1913 cada português tinha 76,4% da riqueza que tinha em 1910 (apenas 3 anos o rendimento cai 23 % !!!). Isso quer dizer que, muito provavelmente (faltam-me dados) em 1910 o rendimento de cada Português poderia ser equivalente ao dum francês, superior ao dum alemão e á dum dinamarquês. Dá vontade de sonhar onde poderíamos estar se não tivesse havido a I republica e toda a propaganda de instabilidade social desde 1890.
Bom; em 1913 cada Português tinha 37% do rendimento de um alemão, 34% da de um Dinamarquês 42% da de um Francês e 29 % da de um Inglês… Em 1975 34% de um alemão, 36% de um dinamarquês 32% da de um francês e 44% da de um Inglês.
Ou seja mais uma vez se prova que entre Portugal e a Europa continuam a faltar o 16 anos de instabilidade da I republica e os 10 anos de propaganda caluniosa irresponsável e homicida que viria a terminar no homicídio do Chefe de Estado e consequente dessensibilização de Portugal no meio internacional.

A situação econónima antes e depois de 1910


A regeneração foi na verdade um “boom” económico que poderia ter adiantado os actuais níveis de vida em 30 anos, não tivesse sido a revolução de 1910 as crises económicas de 1890 e a implantação da republica no Brasil…


A linha azul mostra a evolução do rendimento “per capita” durante a monarquia, no período de 1855 ate 1910

A linha vermelha mostra a evolução do nível de rendimento durante a I República

A linha vermelha fina mostra a “tendência” (trend) que o ciclo económico poderia ter levado se não tivesse havido aqueles 16 anos ,entre 1910 e 1926

1- O 1910

Em 1855 o PIB era de 248.000 contos de reis, para uma população de 3.901.000 indivíduos, tal significava um rendimento per capita de 82 escudos (escudos de 1914). Esse rendimento viria a subir até 176 escudos (escudos de 1914), ou seja 114 % em 33 anos. A manter-se esse ritmo , o rendimento real per capita em 1921 teria sido de 189 escudos e não 90 como efectivamente foi (um hiato de 110%), sendo que era um valor inferior ao auferido em 1799.
Não podemos dizer que o nível de vida em 1799 fosse melhor do que em 1921, embora os dados indiquem nesse caminho, mas podemo-nos questionar onde foram parar os 110% de rendimento per capita, ou mesmo como foi possível a um país com um PIB real de um milhão de escudos em 1910 regredir para metade desse valor em 11 anos (555 000 contos em 1921). Para um país com seis milhões de almas e um rendimento per capita de 90 escudos… pode dizer-se que em 11 anos (1910-1921) Portugal efectivamente regrediu mais de 60 anos, anulando todo o desenvolvimento que a regeneração havia feito, condenando o país a um eterno atraso de uma a três décadas.

2- A REPUBLICA DO BRASIL E AS CRISES DA DECADA DE 90

Que ocorreu então entre 1890 e 1910 ?. A economia quase estagnou, mesmo apesar de em 1910 ter atingido o maior valor para o Rendimento Interno até então conseguido (1.007.000 contos a preços constantes de 1914). Mesmo apesar da enorme dívida que todos os anos crescia 11.000 contos, o país crescia… não havia uma tendência no sentido da descida, como se veio a verificar desde 1910 até 1921.
Para cumprir os programas de fomento necessários Portugal tinha obrigatoriamente de recorrer ao crédito internacional, e para isso era obrigatória a entrada no sistema do “livre câmbio”, através do sistema “padrão ouro” (cada moeda valia efectivamente uma quantidade fixa de ouro).
Esta abertura ao exterior era um enorme risco para uma economia ainda agrícola e a prová-lo estão as pautas aduaneiras portuguesas, que eram à altura as mais elevadas da Europa (o Estado cobrava em média 30% sobre as importações) o que no fundo reflecte o carácter proteccionista sobre a industria nacional.
Mas não se pode dizer que Portugal fosse efectivamente uma economia aberta, pois o peso das importações e exportações nunca ultrapassou os 7% (em Inglaterra a média era de aproximadamente 20%). Só com advento da República é que esta fasquia foi ultrapassada tendo a Balança comercial registrado desvios de 21 pontos percentuais com as importações a representarem 28% do PIB (1921) face aos 7% das exportações.
A real abertura da economia não advinha da balança comercial mas da exportação de trabalhadores (emigração - modelo idêntico ao italiano, com as mesmas consequências). Portugal exportava os trabalhadores, que enviavam remessas sob a forma de letras de câmbio sobre a praça de Londres (porque o Brasil tinha mais relações económicas com Inglaterra) permitindo aos nacionais e ao Estado ter crédito para contrair empréstimos.
Então tudo o que se passava no Brasil tinha reflexos imediatos no valor da moeda face á libra. Isto foi verdade na guerra do Paraguai (1868-71) e particularmente grave na implantação da republica do Brasil (1890-1907).
A desvalorização da moeda face ao exterior provocava o imediato aumento da Divida Pública e de facto o crescente endividamento que se verifica desde 1890 não advém de um endividamento real, mas do seu menor valor. Na altura todos queriam ver culpados no Fontes Pereira de Melo ou numa conspiração inglesa. Foi num estudo de 1915 ( “O Ágio”, Salazar) por um académico de nome Oliveira Salazar, que se provou o que já era sugerido por alguns… Foi o câmbio da moeda brasileira que determinou o câmbio da moeda nacional até 1907.
Tudo estava bem se tudo estivesse bem no Brasil (e D. Carlos sabia-o), mas desde Novembro de 1889, com o fim da monarquia no Brasil que este pais descambou num Carnaval de golpes de Estado, sendo que em 1891 já as praças internacionais previam a bancarrota, com o cambio da moeda portuguesa a cair 25 % e as transferências do Brasil a passarem de 4355 contos (1888) para 800 contos em 1891, uma queda de 80%
Portanto foi uma consequência da conjuntura internacional, o que determinou a fraca performance económica (1890-1907), sendo que o PIB per capita de 1909 só seria igualado em 1928…19 anos de diferença! e a prova do fracasso da I republica
De facto a I república foi um fracasso, não só ideológico como social. O Liberalismo assentava grande parte do seu pensamento no equilíbrio do Poder pela sua divisão. Ao monarca, o poder moderador contrapunha o poder executivo do governo e das assembleias. Mas a implantação da República apenas veio vincar o acrescido gosto pelo poder que as “elites” vinham vindo a adquirir e o quanto era incomoda a presença de um poder moderador. A enorme liberdade de movimento financeiro e executivo dos sucessivos governos veio provar que a independência orçamental tinha sido subestimada e que esta era de facto mais forte do que os poderes consignados na Constituição…mas seria de facto mais eficiente?
A República implanta-se muito devido ao escândalo dos tabacos, que em 1926 ainda não tinha sido resolvido.
O aumento do nível de vida foi uma mentira escabrosa… as diferenças sociais aumentaram, e se em 1910 não se vivia muito bem, em 1921 nem pão havia para comer, o que diz muito da igualdade entre os homens!
A dívida pública aumentou e não se construíram quaisquer estruturas. É legitimo perguntar-se para que serviu a republica ou se a monarquia era assim tão desnecessária.
Bom entre a linha azul e a vermelha a única diferença (do gráfico) é o Rei porque o resto estava lá tudo: as estruturas, os políticos, as mentiras e omissões!
…afinal a monarquia fez falta!

Fonte : Leonidas, Somos Portugueses, Forum Realistas