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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

XI – LISBOA “REPUBLICANA” (2)

«Ainda o ano passado, por este tempo [Novembro de 1909], quando às primeiras chuvas as famílias volviam do campo e praias, para encher as ruas lisboetas, às tardes do rumor alegre das suas chalras; ainda o ano passado, apesar de ter sido um mau ano de negócios, a capital tinha um tal ou qual aspecto de urbe fina, rica, elegante e algo soberba dos seus palácios de pedra, das suas avenidas, de ailantos e faulónias, dos seus coupés e dos seus autos, dos seus cavaleiros e das suas amazonas.
A mudança do regime transformou completamente a fisionomia das ruas, e influi na qualidade e até na quantidade dos viandantes.
Lisboa parece uma versão plebeia de si própria, uma cidade de criados de servir e de operários sem trabalho.»

ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 28-29.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

X – LISBOA “REPUBLICANA” (1)

«Lisboa tem o ar de uma cidade coacta e constrangida, com as casas fechadas, as avenidas desertas, os restaurantes e as grandes lojas às moscas. Pelas ruas, de quando em quando, ajuntamentos de plebe arremangada, que parece esperar não sei que Páscoa; ou bichas de gente correndo ao governo civil e aos ministérios, e atroando os ares com berrarias que os jornais chamam pomposamente “manifestações”. A tropa sai dos quartéis para fazer apoteoses (!), como o outro dia ao Magalhães Lima. Os heróis e os ministros andam pela província no record dos vivas e na patuscada dos jantares. A gente rica retrai-se, a classe preponderante desaparece e some-se; e todos, atónitos, perguntam se é este o quadro de Portugal redimido e aberto à liberdade!
Digam-me então se pelo que acabo de expor, o país não ficou pior depois da República, do que estava nos “omniosos tempos da monarquia”».

ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 25-26.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A República já prepara mais um morto.


Na sequência da "requalificação" da Praça do Comércio, em Lisboa, que será uma das obras-emblema das Comemorações republicanas de 2010, o café Martinho da Arcada, mítico lugar das letras, poderá vir a sucumbir ao reordenamento local. É o toque de Midas, mas ao contrário. Os republicanos burocratas e e as suas megalómanas comemorações e evocações, em tudo o que tocam, estragam. Ou transformam em algo bem menos valioso do que o ouro. Ler aqui.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Republica comemora centenário com novo "regicidio"

Já aqui foi lançado o aviso sobre as fortes ligações entre a Sociedade Frente Tejo e a Comissão do Centenário da Republica, na gestão de mais de 155 milhões de euros para fazer uma "expo" sobre o centenário da Republica.

Pois que a festa comece na Praça do Rei: o projecto para a Praça do Comércio foi "finalmente " apresentado, depois de ter sido mantido em segredo durante mais de um mês. Inclui um substancial alargamento dos passeios e grandes restrições à circulação automóvel. A calçada à portuguesa desaparece do local, enquanto o Cais das Colunas surge transformado numa plataforma circular.

Pois... leram bem... a duas das maiores referências da cultura portuguesa vão seguir o caminho do Rei D. Carlos e do Pricipe D.Luís Filipe e desaparecer debaixo da ignorância iluminada dos republicanos!



atentado
No desenho não se percebe mas a placa central está elevada

O rigor histórico é tanto que o arquitecto Bruno Soares escolheu a cor térrea para vincar a ideia de que até ao final do sec XIX a Praça não estava calcetada.
"A remodelação do Terreiro do Paço tem de ficar pronta a tempo das comemorações do centenário da República, que se realizam em Outubro do ano que vem. E embora o projecto ontem apresentado seja aquele que, em princípio, irá por diante, ele poderá vir incorporar sugestões ou alterações sugeridas por todos aqueles que quiserem participar neste debate.

Os desenhos serão colocados no site da Sociedade Frente Tejo a partir do próximo dia 12. O presidente desta entidade, o arquitecto Biencard Cruz, comprometeu-se ontem a “promover o envolvimento dos cidadãos” - “porque a praça é de todos, e não apenas dos especialistas” em urbanismo e arquitectura. "


Quem olhar para a imagem vê linhas cruzadas no pavimento junto às arcadas. Ali, o pavimento será de lioz e terá desenhadas umas linhas desencontradas que correspondem às rotas de navegação dos portugueses no séc. XVI tal como aparecem nas cartas da época... será?
Para outra interpretação podem até simular as trajectórias das balas dos vários regicidas que a República tão urgentemente quer comemorar... é que da Praça do Comércio não partiam as naus para as Descobertas pois sempre foi uma "Praça de poder" por estar junto ao Paço Real, forte simbolo do poder régio.
Mesmo quando esta era o Terreiro do Paço não se encontrava na trajectória de ser arrebatada da utilidade publica ao ser transformada num enorme espaço sem qualquer utilidade exactamente no eixo viário central de Lisboa.
Mais uma vez a república toma de assalto Lisboa para tomar para si o que é de todos e as reacções na blogoesfera foram várias e unânimes, trata-se de um atentado: Do Blogue Carmo e a Trindade" com o titulo "ACUDAM-NOS... que isto magoa a alma lusitana!!"
"Sr. Arqº Bruno Soares, tem V. Exa. toda a legitimidade de defender a sua dama, e tanto quanto me é dado a entender e respeitar, elaborar os projectos mais sui generis - e que menos me agradem - que entenda, contudo gostaria de requerer à autarquia que não permita o assassinato da calçada portuguesa naquele local.(...)
Agora vem o Sr. Arqº arruinar a calçada portuguesa tentando transformar o Terreiro do Paço em terra e losangos.
De facto, já não estamos no Séc. XIX para termos terra no terreiro, e não estamos no Séc. XXIII para termos losangos... Haja muita calma e paciência para aturar todas estas violências."


Já o blogue "Andarilho" disserta:"quer-me parecer que qualquer que fosse a solução encontrada para modernizar tão importante local, valioso património da cidade, a calçada portuguesa não deveria desaparecer. Conquistar os lisboetas também passa por respeitar a identidade e tradição da cidade."

O blogue "O Desproposito" lamenta o facto de não haver a hipotese de um Parque de estacionamento e da falta de "democracia" na forma como os projectos são apresentados
"triste, escrevo, triste, é o facto da proposta de desenho para a "nova" Praça do Terreiro do Paço estar (mais uma vez...) sujeita ao quase clandestino "estatuto" de segredo de estado..."
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Comentário muito acertado sobre esta opinião, de um A.M:"vamos ser optimistas... como com isto agora do terreiro do paço (cada vez melhor...) é que vamos comemorar a "república" pode ser que ainda desistam do museu dos cochos de zoom em zoom até à vitoria final!..."

O Blogue 2711 termina com a frase lapidar: "Quando não se tem mais nada para fazer, triste ideia, luta-se contra a calçada portuguesa."

bem haja