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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dia 1 de Fevereiro, Porto – um Portugal que as têvês recusam captar

Igreja dos Clérigos, no Porto, quase cheia em homenagem e evocação ao Rei D. Carlos e ao seu filho D. Luís Filipe. Na homilia o padre Gonçalo Aranha evocou o odioso regicídio. "Os dias estão hoje bem piores". Frisou. À saída, num pequeno átrio, Dom Henrique de Bragança cumprimentava a multidão que saía e de si se abeirava. Lá fora no frio as pessoas dispersaram mas não o sentimento. Um grupo encetou por um repasto no tasquinho do sr. Melo, bem perto da Praça Carlos Alberto. Na parede, uma bandeira de Portugal não suscitava dúvidas ou piscar de olhos a quem a mirava. No calor de um retiro de estudantes académicos brindou-se a Portugal e ao Rei. Bem alto. Um Portugal que as têvês recusam captar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A MORTE SAIU À RUA

A morte saiu à rua num dia assim

Naquele lugar sem nome para qualquer fim

Uma gota rubra sobre a calçada cai

E um rio de sangue dum peito aberto sai


O vento que dá nas canas do canavial

E a foice duma ceifeira de Portugal

E o som da bigorna como um clarim do céu

Vão dizendo em toda a parte o rei morreu!


Teu sangue, Rei, reclama outra morte igual

Só olho por olho e dente por dente vale

À lei assassina à morte que te matou

Teu corpo pertence à terra que te abraçou


Aqui te afirmamos dente por dente assim

Que um dia rirá melhor quem rirá por fim

Na curva da estrada há covas feitas no chão

E em todas florirão, as flores duma nação


Poema de José Afonso, com ligeiras alterações minhas que em nada afectam o seu sentido.

sábado, 30 de janeiro de 2010

É fartar, vilanagem!




Amanhã lá estarão todos, para mais um regabofe que o site oficial do regime - a tal vigarice do template grátis a 100.000 Euros - única e exclusivamente propagandeia. Champanhadas, bolinhos, banquetes, charutões, é o que as fotos têm mostrado e nem um texto que se leia, um projecto de regeneração da vida pública ou um simples bocejo de enfado pela desastrosa situação actual. Dali não vem coisa alguma que preste. Nada.

Ratoneiros globais de um Estado exangue. Aldrabões compulsivos que das instituições se servem como esconderijo para todo o tipo de roubos, vigarices e ilegalidades. Uma chusma de térmitas como há muito não se via, sujará amanhã as ruas da cidade azul e branca.

Entretanto, a mitragem escolheu o 1 de Fevereiro, Dia do Regicídio, para a cerimónia do lançamento da primeira pedra do Museu dos Coches. Provocação atrás de provocação e ainda têm a coragem de publicamente afirmar que ..."os republicanos nada tiveram que ver com o Regicídio"... Gabam-se e assumem-no abertamente!

Divirtam-se à conta do Zé Povinho e fartem bem, vilanagem. Enquanto podem.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cônsul do Sião em Lisboa, testemunha ocular do regicídio

O regicídio, eventualmente o mais importante acontecimento da história portuguesa contemporânea pelos efeitos imediatos que produziu e pelas ondas de choque que ainda hoje se repercutem, teve um grande impacto na corte siamesa, que foi colhida de espanto e requereu de imediato aos seus embaixadores e cônsules na Europa detalhada informação sobre a tragédia. Da consulta da abundante correspondência diplomática a que tenho acedido, o processo respeitante ao assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe parece corroborar as conhecidas versões, mas também abrir novas pistas para a compreensão dos factos ocorridos no fim de tarde daquele dia ameno de inverno de 1 de Fevereiro de 1908.


Trinta e seis horas após o crime, o Príncipe Devawongse Varoprakan, irmão do rei Chulalongkorn do Sião e Ministro dos Estrangeiros siamês, foi informado em Banguecoque da gravidade da situação portuguesa. O telegrama vinha de Paris e fora enviado pelo embaixador siamês em Paris, Príncipe Charon. Informava laconicamente que o Rei de Portugal fora alvo de atentado e que não sobrevivera. Sugeria o Príncipe Charon que o Rei Chulalongkorn fosse informado com a máxima urgência e que fosse enviado telegrama de condolências à Rainha Dª. Amélia, à Rainha Mãe [Maria Pia] e ao novo Rei D. Manuel. Na manhã seguinte, o Cônsul Geral de Portugal em Banguecoque informava o MNE siamês da ascensão ao trono do Infante D. Manuel, pedindo às autoridades siamesas que proclamassem luto em memória do Rei falecido. O titular dos Estrangeiros siamês respondeu ainda nessa tarde ao representante português junto da corte, informando-o que o Rei Chulalongkorn fora acometido de grande pesar pelas terríveis novas.
No dia 14 de Fevereiro, num longo e detalhado relatório, o Príncipe Charon dava conta ao monarca siamês dos acontecimentos. O então cônsul siamês em Lisboa, Pinto Basto, era amigo pessoal do Rei D. Carlos e fora testemunha presencial do atentado, pelo que a informação transmitida por Charon provinha de fonte absolutamente fidedigna e com acesso a altas instâncias do Estado e da corte portugueses. O Príncipe Charon, ao saber do regicidio, apanhara de imediato o Sud-Express e chegara a Lisboa ainda se faziam preparativos para as solenes exéquias. Pinto Basto lavrou o seu testemunho. Desse, avultam os seguintes elementos, que estimamos importantes:

1. Pinto Basto encontrava-se a cerca de 35 metros do landau que transportava a família real.
2. Ao iniciar-se o tiroteio, Pinto Basto correu em direcção ao centro do tiroteio e verificou que a polícia atirava em todas as direcções, tendo escapado por pouco ao fogo dos agentes, que pareciam desnorteados e incapazes de seleccionar alvos.
3. Pinto Basto participou na caçada aos regicidas e agarrou um deles, entregando-o à polícia que inexplicavelmente o abateu no próprio local.
4. Pinto Basto entrou no Arsenal e ajudou a retirar os corpos do Rei e do Príncipe Real. Verificou que o Rei se encontrava morto, pois recebera fatal disparo na medula. O Príncipe Luís Filipe agonizava e não resistiu por muitos minutos aos ferimentos recebidos.
Quanto às causas do regicídio, Pinto Basto esclarecia:
1. O Atentado não fora obra de anarquistas, mas decorrera de um vasto complot de revolucionários profissionais, bem organizados, muito bem adestrados e dotados de armamento de grande precisão.
2. A finalidade do atentado era a de matar por atacado toda a família real, bem como o Presidente do Governo.
3. Depois de desenvolver os seus pontos de vista muito críticos a respeito de João Franco, Pinto Basto não deixava de tecer elogios às reformas que o chefe do governo desenvolvia, bem como destacar as qualidades de serviço e honestidade que sempre evidenciara.
4. Os assassinos eram portugueses e alguns destes parece terem sido contratados para executar o crime. O número de criminosos envolvidos seria muito superior ao dos terroristas abatidos pela polícia. Pinto Basto afirma que ao longo de todo o trajecto havia atiradores de atalaia - todos envergando capas ou longas samarras - e que ninguém parece ter-lhes prestado atenção.
Chulalongkorn recebeu e leu o longo relatório e informou posteriormente o seu MNE que ficara muito abalado e perplexo com tudo o que lera. O Sião e Portugal iniciavam um longo afastamento que só seria emendado em finais da década de 1930.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Desníveis, elevações e losangos no deserto empedrado



A reformulação do projecto para o Terreiro do Paço, limitou-se a limar algumas das mais agrestes e contestadas arestas do anterior. O arquitecto nomeado sem concurso público, decidiu que os aspectos fundamentais previamente apresentados, permanecerão mesmo que esbatidos. Os losangos que todos perceberam ser uma alegoria muito evidente, as raias alegadamente "evocativas de cartas de marear" e sobretudo as várias e ainda incompreensíveis variações que sobre-elevam ou desnivelam a praça na sua placa central e no torreão ocidental (poente), lá estão no projecto reapresentado. Da estátua equestre, não há notícia do seu pleno restauro em tudo o que isto implica.

A edilidade deve saber que os lisboetas gostariam de possuir uma praça mais aprazível e próxima da natureza, com a plantação de árvores* criteriosamente escolhidas. Mais importante que a simples exibição de uma muito contestada obra feita, a praça deve ser devolvida à gente de Lisboa. Esta clara necessidade que foi apercebida pela CML de meados do século XIX, é hoje desprezada pela persistência do vincar do espírito de uma carcomida autoridade, num deserto de pedra sem império. Para comemorar a república.

Eles não têm emenda e quando reconhecerem o erro será tarde demais.

* Se estiverem interessados, leiam a caixa de comentários do Público. Confirma o que aqui se diz.

sábado, 2 de maio de 2009

A arma fumegante dos republicanos

A prática de regicídio parece ser uma constante no comportamento daqueles que pretendem derrubar as monarquias. Que eu saiba, república alguma jamais foi implantada por votação impoluta. Llembro o caso italiano, em 1946, em que a contagem foi interrompida quando as regiões mais fiéis à Casa de Sabóia começaram a inclinar o prato da balança para a manutenção da chefia de Estado dinástica, ou lembro, ainda, o caso grego, em que os ditadores militares fizeram um plebiscito absolutamente viciado. Recentemente, a abolição (até ver) da monarquia nepalesa saíu de um arranjo visando oferecer aos maoístas a participação no governo daquele país dos Himalaias. Ao povo nepalês foi negado o direito de decidir. Matar reis, exterminar por atacado famílias reais, parece ser a especialidade dos inimigos das monarquias.
Ontem, um celerado quis matar a família real holandesa. Parece não haver novidade, porquanto o século XX oferece interminável sucessão de crimes de sangue contra famílias reais: Humberto I de Itália, D. Carlos I de Portugal, Jorge I da Grécia, Francisco Fernando da Áustria, Nicolau II da Rússia, Alexandre I da Jugoslávia, Faisal II do Iraque, Sisavang Vatthana do Laos, Lord Louis Mountbatten of Burma. Os inimigos da monarquia sabem-na popular e entranhada na consciência e afectos do povo, pelo que a "propaganda pelo facto" - expressão cunhada pelos anarquistas do século XIX - constitui o único meio para virar a página e impor o facto consumado irreversível. Há semanas, no último dia das barricadas vermelhas em Banguecoque, fui ao acampamento dos republicanos tailandeses e travei interessante diálogo com um seguidor de Thaksin, professor do ensino secundário e ardente defensor da república. Falou-me despreocupadamente sobre as suas convicções e, ao terminar a sua exposição, deixou cair um sintomático "até seria melhor se a família real desaparecesse". Sabemos o que isso quer dizer. Desaparecer quer dizer "assassiná-los a todos, sem excepção". Estes republicanos são uns bons safados !



Miguel Castelo-Branco, in Combustões, 2-5-2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Regicídio em 2009



Ontem fez 101 anos que mataram Sua Majestade D.Carlos I e seu filho D.Luis Filipe, claro que não muitos mas algumas pessoas pouco civilizadas devem achar bem se bem que segundo uma sondagem em 2008 80% da população condenava abertamente o Regicídio. Independentemente das crenças políticas naquele dia morreram 5 pessoas, duas foram caçadas como animais ( o Rei e seu filho ), e os outros os assasinos e um inocente ou não porque se sabe hoje que não eram dois mais pelo menos 5 atiradores. Eram seres humanos mas aqueles que não tinham culpa nenhuma e que não tinham as mãos com sangue eram D.Carlos e seu filho, os outros por matarem um Rei e um Princípe não eram heróis e não são … mataram a pesar de tudo dois seres humanos. Hoje todos condenam quando a ETA mata pessoas ou quando a Al-Queda mata alguém … há 100 anos vários chefes de estado foram assasinados, desde Reis até ao presidente dos EUA. Achava-se ideologicamente que o chefe de estado era o culpado de tudo o que assombrava o Povo, hoje isso é inconcebível embora nos últimos 100 anos temos tido vários exemplos que nos demonstram o contrário : desde Kennedy ao presidente do Egipto,etc … Foi um Regicídio que provocou a 1ª Grande Guerra.

A História demonstra-nos que é cíclica, por muito que Marx tenha tentado inventar a Roda nem sequer conseguiu a formula mágica para curar as feridas do Povo. Contemporâneos dele de Esquerda Anarquista estão por detrás da mentalidade fruto da época que legitimava os regicídios ou presidicídios. Há 100 anos a vida humana tinha muito pouco valor tanto para a classe trabalhadora como para os militares que não passavam de carne para canhão.

Hoje continuamos com os mesmo problemas senão vejamos o que Eça de Queiroz dizia em 1871 :

“O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido!”

O que mudou hoje ? Mataram um Rei e o filho, mataram um Presidente da República eleito pelo primeiro sufrágio universal feito em Portugal > Sidónio Pais. deram-nos de 1910 a 1974 uma autêntica guerra civil e uma ditadura republicana de 48 anos … e o Povo sempre na mesma. A Monarquia era a culpada de tudo mas não explicam e nem mudaram nada para melhor … só para pior.

Em 1910 Portugal estava entre os 6 países mais fortes economicamente na Europa, Portugal era uma potência política onde nenhum estrangeiro confundia com Espanha e conheciam a nossa bandeira. Hoje a OCDE diz que os países onde há mais justiça social é nas monarquias europeias, tenho amigos na Holanda, Espanha, Inglaterra … nenhum me disse que não havia democracia e nem Liberdade. No entanto dos 10 países europeus mais fortes 7 são monarquias e nós estamos em 27 segundo a OCDE.
A Monarquia era mais gastadora muitos dizem mas por acaso sabem que a Casa Real Espanhola gasta 9 milhões de euros anuais a sustentar a família e a manter as propriedades e a Casa Civil do Cavaco gasta 16 milhões de euros anuais ?????
Pois muitos não querem sustentar uma Corte mas não sabem que sustentamos as cortes de todos os ex-presidentes da república até hoje … Será que um voto vale assim tanto ? 16 milhões de euros ? É imoral ….

Lembremos hoje o Artista, o Estadista, o brilhante estratega … não esqueçamos o seu filho !
Não esqueçamos antes de tudo donde viemos, quem somos e o que queremos … Um Portugal melhor !

O Rei Está Morto ! VIVA O REI !

Um crime que o regime não admite. Uma memória que dificilmente se esquecerá

Podemos nós esquecer quem somos e fazer disso uma mais valia?

Seleccionar no passado aquilo que queremos e não queremos, aquilo que fica "bem" e o que nos embaraça, como se a memória fosse um self-service?

O orgulho sempre foi o pão dos pobres de espirito, a teimosia sempre garantiu a infalivél perenidade do caractér daqueles que confundem um bom discurso com justiça social... admitir um erro, uma falha é algo que apenas está reservado ao que podem a ultrapassar. Estranho um regime que diz "moderno", "igualitário" não ser capaz de admitir , reconhecer ou lamentar que D. Carlos e seu filho foram assassinados, não porque fossem "maus" mas porque eram a única fronteira entre a ambição de poucos e a vulnerabilidade de todos os outros (nós)... o povo.

Tantas são as estátuas de ilustres desconhecidos homenageados cuja obra se resume a um livro ou um acto circunscrito à geração que os homenageou. Tantos os feriados cuja origem o povo desconhece ou dá pouca relevância, tantos os medalhados pelo actual regime, cuja relevância é questionável ou desconhecida.

Quando se trata de homenagear um Rei como D. Carlos ou repudiar os actos que levaram à sua morte, cuja maioria dos republicanos e do povo condenam, o regime e os seus orgãos e instituições são de forma avassaladora, inundados por uma amnésia colectiva.


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Evocação do Regicídio a 1 de Fevereiro de 2009... a total ausência de bandeiras da República

Vergonha, ignorância ou puro desinteresse por Portugal, tudo pode ser usado para justificar semelhante ausência institucional no dia 1 de Fevereiro. Entre a pura proibição de participação e o silêncio, os vários regimes e governos têm-se pautado por uma coerência granitíca que os torna mais semelhantes do que diferentes no que toca à real memória do que é Democracia.

Mais importante do que relembrar que as Democracias não podem ser fundadas em cima de crimes e homicidios, é o cantar as janeiras para o Primeiro-Ministro (o Colégio Militar, proibido de participar no Centenário do regicídio, foi posto a cantar as janeiras num acto eleitoralista), inaugurar um hipermercado ou mesmo congregar esforços para "desculpar" eventuais corrupções (toda a oposição deu o apoio institucional ao primeiro ministro no caso freeport).


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O actual regime vive mal com a memória e a História do País. Não se trata de uma questão de oposição entre Monarquia e Republica é uma questão de principio, ética e Liberdade. D. Carlos foi Chefe de Estado de Portugal, um Rei em paridade com D. Afonso I tão português quanto tantos outros ilustres republicanos que partilharam a sua sorte... o de ser alvo de justiça popular por um punhado de fanáticos que nem sequer constituiam uma força politica ou uma alternativa ou projecto para Portugal.

Uma classe política que vive mal com o passado dificilmente poderá construir qualquer futuro. As monarquias europeias souberam ultrapassar e corrigir erros passados sem repudiar qualquer um destes ( e é isto que explica o seu superior desenvolvimento). Mau grado não ter, até hoje, a Republica Portuguesa aprendido esta importante lição, corremos o risco de ver uma repetição daquilo que Portugal faz melhor desde o principio do sec XX e continuar a afundar até Portugal ser o que o Regicídio é, para a classe politica vigente desde 1910.


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uma memória que se quer esquecer...
...esperemos que não, pelas gerações que agora nascem.


bem haja

domingo, 1 de fevereiro de 2009

No Terreiro do Paço e em Dallas




Há quase cinquenta anos, um misterioso tiroteio em Dallas, tornou possível testemunhar quase em directo, o assassínio de um Chefe de Estado. Na ocasião, John Kennedy - uma das mais colossais fraudes mediáticas do passado século - foi abatido aos olhos de uma população chocada e incrédula. As imagens do acontecimento, são igualmente o testemunho da normal aflição de Jackie Bouvier Kennedy que desvairada, rasteja pela parte traseira da limusina presidencial. O pânico daquela mulher, a cabeça estilhaçada do presidente e a tragédia interiorizada por um povo inteiro, remete-nos para aquele outro dia, pouco mais de meio século antes, quando o landau preto, transportava a família real portuguesa. Os mesmos sons de tiroteio, as correrias apavoradas dos atónitos espectadores da matança, a coragem abnegada de cocheiros, polícias e de alguns populares. Mas neste caso, o que a memória colectiva registará para sempre, foi a atitude de uma rainha que erguendo-se na carruagem, não fugiu nem procurou proteger-se. Mais do que a própria vida, defendeu os seus e com a esta demonstração pública de abnegada coragem, honrou o trono e a sua pátria de eleição.

Duas mulheres de ascendência francesa. Duas opostas atitudes e uma certa maneira de exercício do dever. De uma, a senhora dos salões mundanos, registará a história o delírio da obsessão pela imagem, o fait-divers e a futilidade glamourosa de uma capa de revista. Da outra, a heroína do Terreiro do Paço, ficará para sempre, o testemunho de que provou estar preparada para o perfeito desempenho da esmagadora tarefa representativa que a vida lhe reservara. Em suma, duas formas de ver a França. A de ontem e a dos nossos dias.


*Post dedicado ao António Bastos, do Estado do Tempo

sábado, 31 de janeiro de 2009

No próximo Domingo, 1 de Fevereiro



Como é habitual nas gentes do norte, o João Amorim, nosso colega e amigo do blog Os Carvalhos do Paraíso, tomou a iniciativa de organizar um almoço de confraternização. Realizar-se-á no próximo domingo, 1 de Fevereiro de 2009, pelas 13.00 horas, no restaurante/cervejaria Trindade, ao Chiado, Lisboa.

A todos os interessados em participar na já tradicional evocação da memória das vítimas do Regicídio, endereçamos este apelo à participação no convívio. Desde já podem contar com a presença de representantes de vários blogues, como o Risco Contínuo, Estado Sentido, o Combustões, Centenário da República e Cartas Portuguesas, além de alguns republicanos ultrajados por aquilo que o 1º de Fevereiro representou.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Regicídio e República


Não podemos aceder à história apenas pelos circuitos dos humores momentâneos. Se a aproximação aos factos se faz sempre com elementos condicionados, quer pelo conhecimento parcial, quer pela distância do tempo, quer pela névoa da ideologia que foca e desfoca o que, embora inconscientemente, parece relevante, cumpre-nos sempre reler a história e examinar mais profunda e friamente os dados e os significados.

A República esteve discretamente escondida nas entrelinhas de quase todas as crónicas que foram feitas sobre o assassínio do Rei de Portugal de em 1908. Notou-se algum desconforto em não condenar expressamente um acto de violência máxima, apenas por ele ter sido lançado por quem poderia pretender outra coisa: matar a monarquia enquanto matava o Rei.

Chegamos assim aos retorcidos da história e suas interpretações. Os cronistas não estão isentos desta manipulação, nem os jornalistas, os políticos, os intelectuais ou religiosos. Nem a opinião pública. Temos em Portugal experiências recentes de factos que foram enxertados nos anais segundo as conveniências enigmáticas dos seus historiógrafos. Percebe-se, mas não é honesto.

Por isso merece o maior realce o testemunho exemplar do Cardeal Patriarca de Lisboa pela celebração a que presidiu em S. Vicente de Fora e pela palavra luminosa que lançou sobre o centenário do regicídio.

Estamos a dois anos de celebrar o centenário da implantação da República. Nalguns areópagos começa a contagem de espingardas, glórias e vindictas. Pelo que já se cheira vai haver muitas histórias à volta da mesma República. Datas como 1789, 1834, 1926 vão dar que perorar a eruditos de circunstância. Mais do que extrair dividendos importa um esforço comum por aprofundar o que objectivamente se passou para termos algo de autêntico a transmitir às gerações vindouras. A história não é um brinquedo de circunstância.

António Rego

Fonte : http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=56060