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quinta-feira, 22 de abril de 2010

"A Monarquia do Norte nunca teria resistido". Conferências do Museu bernardino Machado

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Em mais uma das várias conferências que se vão realizando pelo País (sobre a temática: centenário da implantação da I República)abordou-se a implantação e colapso da Monarquia do Norte de 1919.
Mau grado a leveza com que se ainda aborda o conturbado periodo subsequente ao Sidonismo, o ângulo continua a ser as movimentações dos "conservadores" apoiados pelo clero, discurso semelhante ao que vigorava nas decadas de 70-80, onde estas "forças" seriam a "reacção"... mais uma vez apoiada pelo clero, nem poderia ser diferente para certas ilustres personalidades.
A insistência na suposta existência de uma cortina de obscuridade protagonizada por forças conservadoras que ciclicamente aparece referenciada nos manuais escolares, face à insistência no carácter "redentor" das revoluções armadas tem sido um dos maiores obstáculos à correcta abordagem da estrutura sócio-económica nacional e as suas ligações com as revoluções e governos que se sucedem... não pucas vezes se arma em punho apontada ao povo que se pretende "libertar".

Não pretendeu mais, Paiva Couceiro, que o justo referendo sobre um regime que se implantou pelo terrorismo nas ruas de Lisboa e se espraiou pelo Pais por cabo eléctrico. Um referendo que ainda hoje é actual e necessário para perceber se o golpe de 1910 foi uma transição natural ou um corte radical no curso da História e na sustentabilidade de uma certa forma de estar no mundo.
Portugal, 100 anos após 1910, hoje não tem motivos de orgulho sobre o seu passado recente. Nação endividada e desrespeitada pelos seus congéneres aparece, nas bocas do mundo, como uma referência negativa um exemplo daquilo que não se deve fazer. Cem anos depois é tempo de arrear caminho e perceber que nem todos os atalhos levam ao destino, se ainda houver uma réstia de racionalidade para o entender.

artigo, para ler


«Em mais uma conferência sobre As Grandes Questões da República, organizadas pela Câmara/Museu Bernardino Machado, Artur Coimbra, mestre em História, falou da contra-revolução monárquica e da acção de Paiva Couceiro, um dos poucos monárquicos que não se conformou com a implantação da República e combateu-a com recurso a armas. Este general monárquico/conservador liderou a contra-revolução a partir da Galiza, onde se exilou com outros monárquicos. No campo militar, organizou um pequeno exército e fez duas incursões pelo norte transmontano. A primeira vez aconteceu um ano depois da instauração da República, limitando-se a hastear a bandeira monárquica em Vinhais; na segunda, em 1912, entrou por Valença, Vila Verde e Chaves, conseguindo, com a ajuda do padre Domingos, alguns levantamentos populares em Cabeceiras, Celorico de Bastos, Fafe e Vieira do Minho. Incursões que foram rapidamente neutralizadas.
Ao nível político, Paiva Couceiro exigiu aos governantes republicanos a realização de um plebiscito e a restauração da Carta Constitucional de 1826.
Mais tarde, foram efectuados outros ataques ao republicanismo, com a ajuda do clero. O mais importante ocorreu em 1918, com a proclamação da Monarquia do Porto, pela Junta Militar do Norte, que dividiu o país em dois: do Vouga para cima monárquico e para sul republicano. Este sonho do regresso à Monarquia durou 25 dias, uma vez que foi derrotado pelo exército republicano, mas este foi um período de grande terror e violência, que ficou conhecido pelo Reino da Traulitânia.

Segundo o orador, a Monarquia do Norte, como ficou conhecida, dificilmente teria outro desfecho que não a derrota, porque não contou com o apoio do Rei D. Manuel II, exilado na Inglaterra, nem teve o reconhecimento de Espanha e Inglaterra.

A próxima conferência

...está agendada para o dia 21, sobre o tema "A resistência operária à I República", com o professor Paulo Guimarães.»

Fonte: Jornal regional "cidade Hoje" de 22-4-2010