
terça-feira, 31 de março de 2009
Más companhias (2)

segunda-feira, 30 de março de 2009
A república no seu melhor...
Eça é que é essa!
«O Partido Republicano em Portugal nunca apresentou um programa, nem verdadeiramente tem um programa. Mais ainda, nem o pode ter: porque todas as reformas que, como Partido Republicano, lhe cumpriria reclamar já foram realizadas pelo liberalismo monárquico. (...) A república não pode deixar de inquietar o espírito de todos os patriotas. Ela seria a confusão, a anarquia, a bancarrota. Além disso (é de urgente patriotismo falar com franqueza), a república entre nós não é uma questão de política interna, mas de política externa. Um movimento insurreccional em Lisboa, triunfante ou semitriunfante, teria no dia seguinte um exército de intervenção marchando sobre nós da fronteira monárquica de Espanha.»
120 anos depois, há que reconhecer que o autor de «Uma Campanha Alegre» acertou, pelo menos, na «confusão, anarquia e bancarrota».
Novo reforço
sábado, 28 de março de 2009
A república velha - Filipe Anacoreta
De resto, a grandeza da efeméride tem reflexo no tipo de festejo que suscita: a instauração da 1ª República, o pior regime para Portugal destes últimos cem anos - não ignorando o demérito daquele que o antecedeu e já ponderando, apesar de tudo, o tempo de Sócrates - suscita apenas subvenções públicas, apoios estatais e mobiliza os suspeitos do costume. Todas as iniciativas são centralizadas e não têm nada de espontaneidade popular (ao contrário do que, por exemplo, sucede com as comemorações do 25 de Abril).
Aprender com os erros do passado, nada. Desenvolver uma pedagogia diante da irresponsabilidade e cegueira de alguns dos seus mais importantes protagonistas, nada. Apontar a reconciliação e a mobilização de todos para a afirmação de uma renovada identidade nacional, nada. Nada quanto a estudar o que levou ao aparecimento e à aspiração do Estado Novo e ao facto da recente República (em menos de 16 anos) ter ficado tão rapidamente velha, saturada e nociva.
O primeiro objectivo das comemorações é, pois, «evocar a República e o republicanismo, divulgando os seus ideais cívicos, as suas principais realizações e os seus grandes protagonistas». Não há uma leitura objectiva e factual da história, uma preocupação de compreensão do movimento republicano, integrando-o na Revolução Francesa e nos grandes movimentos ideológicos que massacraram o século XX (nomeadamente comunista, nacional-socialista e fascita). Apenas a divulgação do mito que, pelos vistos, continua a alimentar alguns, teimosamente ignorantes e cegamente confiantes na ideia criada à força da vontade do progresso que tanto nos fez regredir.
O problema não é novo. O doente não sabe o seu remédio, muito menos quando não reconhece a doença. Por isso, lá vamos nós embarcar em mais esta excentricidade que antes de começar já cheira a mofo, sabe mal e não contribuirá em nada para a renovação, cada vez mais urgente, do regime republicano.
Filipe Anacoreta no Cachimbo de Magritte
sexta-feira, 27 de março de 2009
A mulher e a sua condição, aos olhos dos “Democráticos” de Afonso Costa
Ainda a respeito da publicidade enganosa sobre o papel da republica na emancipação da mulher: esta nada teve que a ver com regimes, republicanos ou monárquicos, e em Portugal tratou-se antes duma coincidência cronológica (as mulheres adquirem direito ao voto sob o regime de Salazar), um fenómeno civilizacional transversal no ocidente liberal judaico-cristão. Mas afinal, como era a mulher encarada pelos revolucionários republicanos? Ora leiam esta pequena pérola autoria de Gonçalves Costa publicada em 1913 no jornal Humanidades de Coimbra conotado com o Partido Democrático de Afonso Costa:(...) Muito se tem escrito acerca da educação da mulher, criticando as suas aberrações, traçando de varias formas qual deveria ser o seu trajecto na vida social. (...) Algumas vezes protestando contra os preconceitos que a esmagam, com um gesto repulsivo, grita revoltada pela sua emancipação. E nesta palavra ela compreende a fuga do lar, a fractura (cruel dos elos que a ligam ao esposo e aos filhos e aí vai sob a impulsividade da enganadora corrente feminista. Tristes quimeras! lutando pela sua regeneração, degenera-se. As mulheres na (sua maioria são verdadeiras crianças, com caprichos singulares, excêntricas exigências, são histéricas, nervosas, morbidamente tímidas, deploravelmente ignorantes.
Em frente desta fotografia, o que pretendem as feministas, onde quer que elas existam? (...)
Afinal, (...) Basta que ela saiba ser mãe para o que é preciso aprender. Uma parte desta sublime missão sabe-a ela instintivamente, outra desconhece-a geralmente - a educação dos filhos.
conferências da biblioteca-museu republica e resistência

A Biblioteca-museu Republica e Resistência tem estado muito activa na divulgação do papel da mulher na sociedade, a colar na República um papel de regime pró-activo na defesa da condição feminina. No site existe um video esclarecedor com o Dr Fernando Rosas... (o homem está em todo o lado.
bem haja
quinta-feira, 26 de março de 2009
Curso sobre a 1ª república e republicanismo (2ª e 3ª sem se mencionar a sequência)

A Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República decidiu criar um curso sobre a 1ª república e o republicanismo (a 2ª, sem que se lhes mencione o nome).
Num país com dez milhões de habitantes, o entusiasmo generalizou-se às mais diversas áreas sócio-profissionais, conseguindo-se a inscrição da astronómica quantidade de 153 alunos, prevendo-se a necessidade do recurso à recruta de mais docentes que possam satisfazer a ansiosa procura popular.
O curso obedecerá a uma criteriosa explanação da natureza do regime republicano deste os seus primórdios oitocentistas. Desta vez, destacamos alguns pontos de interesse para a formação dos estudantes:
1- Como o prp prosseguiu uma política de agitação, através de campanhas de boatos, calúnias e manipulação da informação através da coacção física e moral.
2- Como o prp conseguiu obter deputados no Parlamento da Monarquia, através do favor dos dois principais partidos do sistema, o Progressista e o Regenerador, servindo assim como elemento desestabilizador e de ameaça à segurança do Estado.
3- Como o prp decapitou o regime, através do recurso ao terrorismo. Como construir uma rede bombista e como organizar grupos de executores de figuras públicas (aulas facultativas)
4- Como criar uma sensação de permanente insegurança pública, inventando notícias numa imprensa fragilizada pela ausência de censura prévia.
5- Como delegar no braço armado não filiado, as acções de violência subversiva, para após conseguido o objectivo, o Directório do prp se apoderar do poder que não conquistou por esforço próprio.
6- Como desenvolver - em conúbio com correligionários estrangeiros - uma campanha alarmista acerca da solidez institucional no país. Neste capítulo explicar-se-ão as razões que levaram a 1ª república a submeter-se de uma forma até então jamais vista, à tutela da Grã-Bretanha, como preço a pagar pela neutralidade de Londres perante a subversão em Lisboa.
7- Como liquidar o movimento sindical. Como destruir o Partido Socialista Português (aulas obrigatórias).
8- Como manipular as contas públicas, fazendo crer numa efectiva redução do défice orçamental.
9- Como forçar centenas de milhar de potenciais "reaccionários realistas" a emigrar para o Brasil e Estados Unidos da América.
10- Como convencer dezenas de milhar de matarruanos a partir para as trincheiras da Flandres, fazendo simultaneamente crer em Paris, num ingente esforço de guerra. Novos uniformes, novas bandeiras regimentais e logística ad-hoc.
11- Como entrar em guerra com a Alemanha e a Áustria-Hungria, cumprindo apenas os objectivos estratégicos do sector político que almejava ao completo reconhecimento diplomático.
12- Como ignorar o esforço de guerra do Rei que em Londres organizava o serviço hospitalar para os soldados portugueses. Como diminuir-lhe a acção no campo do aprovisionamento. Como aproveitar-se a influência da Majestade na Inglaterra, em benefício do Estado português e ao mesmo tempo, desencadear uma violenta campanha de imprensa em Lisboa.
13- Como ser derrotado em todas as frentes de batalha e apresentar-se em 1918, como potência vitoriosa e coberta de honra nos campos da Flandres, Angola e Moçambique.
14- Como consolidar o regime através da formação de 45 governos em 16 anos.
15- Como conseguir a respeitabilidade institucional, proclamando e depondo 8 presidentes em 16 anos.
16- Como organizar milícias de caceteiros eleitorais, dando força ao reordenamento dos círculos para a eleição de deputados e desenhando-os de forma a beneficiar exclusivamente os detentores do poder da força.
17- Como ter um Parlamento onde o número de deputados uniformizados ascenda às dezenas.
18- Como transformar a GNR no exército privado do partido do regime.
19- Como organizar núcleos de coação, como a Formiga Branca ou a Legião vermelha, capazes de acções de força intimidatória e exterminadora.
20- Como liquidar a influência do Estado sobre a hierarquia da Igreja, instituindo a Lei da Separação e permitindo a radicalização incontrolada do clero ultramontano.
21- Como assassinar um presidente da república, em nome da própria república. Como assassinar um primeiro-ministro republicano, em nome da própria república.
22- Como eliminar os opositores indesejáveis, promovendo passeios de Camioneta pelas ruas de Lisboa.
23- Como eliminar de uma assentada todos aqueles que sendo republicanos, se tornaram incómodos pelos seus próprios crimes, organizando-se uma Leva susceptível de ser emboscada na zona do Chiado/Corpo Santo.
24- Como prometer a construção de uma armada de couraçados do tipo Orion e conseguir manter em actividade a Armada Real durante mais 25 anos.
25- Como conseguir a ameaça de intervenção externa nas finanças e alfândegas nacionais (colónias incluídas). Pela actualidade, estas aulas são obrigatórias.
26- Como liquidar a solvência do Banco de Portugal, através do laxismo no controle da circulação da moeda, permitindo-se a falsificação de papel-moeda.
27- Como encher as prisões com presos políticos em nome da liberdade, aplicando-lhes tratamento vexatório e conforme os figurinos do senhor Kamal Attaturk.
28- Como conseguir manter em circulação durante vinte anos três moedas diferentes no espaço nacional: o Real, o Escudo e a Libra esterlina, paralelamente a cédulas monetárias de âmbito local.
29- Como conseguir transformar a bandeira de um braço armado do prp em bandeira nacional, manipulando-se o significado das cores e elementos constantes no escudo nacional.
30- Como transformar um Hino claramente monárquico e dedicado ao Rei, em Hino da república.
31- Como criar as condições para uma sublevação militar que garanta indefinidamente a vigência do regime republicano.
32- Como reciclar a Formiga Branca, transformando-a em Polícia de Vigilância e Defesa do Estado.
33- Como criar e ampliar o campo de internamento do Tarrafal, para melhor controlo de facciosos extremistas.
34- Como conseguir a consagração do prp reformulado e crismado em União nacional, como elemento único no Parlamento da república.
35- Como proceder a uma maciça campanha em prol dos símbolos do regime, de uma forma jamais vista em Portugal: bandeira, hino, presidente e presidente do Conselho de ministros.
36- Como manter o poder durante quatro décadas
37- Como resistir a qualquer tipo de negociação ou período prolongado de transição, garantindo para a república a posse das províncias ultramarinas.
38- Como se desfazer apressadamente do Império Ultramarino, beneficiando os correligionários políticos e a potência dominante do campo internacional oposto às alianças em que Portugal participa.
39- Como retirar a nacionalidade a populações africanas, tendo como critério a cor da pele.
40- Como destruir a economia, assinando os acordos necessários à adesão política da república portuguesa à Comunidade Económica Europeia, garantindo-se em contrapartida, a instauração por tempo indeterminado, do sistema de subsídios que acabarão por conduzir Portugal a uma União das Repúblicas Ibéricas.
41- Como promover a extinção de classes sociais, permitindo apenas a existência de duas: a dos muito ricos e a dos pobres.
Consiste esta breve súmula do programa, na primeira parte a desenvolver pelo corpo docente criteriosamente escolhido pela sua fidelidade ao regime, dependência de lugares cativos obtidos por nomeação de confiança político-partidária e comprovada linhagem republicana transmitida hereditariamente.
Publicidade enganosa

Boas companhias (2)
Paulo Pinto Mascarenhas não é monárquico apesar da sigla... o seu inevitável blog, ABC do PPM também já aí consta na barra lateral.
Com a tua inteligência e a maturidade que acarreta a experiência de vida, ainda cá hás-de vir dar!
Eleições e a revolução de 5 de Outubro
quarta-feira, 25 de março de 2009
Novo medicamento para o combate ao sono na Assembleia da República
Salazar era maçon? parece que sim …

«O livro ainda não foi lançado, mas já promete grande polémica pela controversa tese que defende. Da autoria de José da Costa Pimenta, ele próprio controverso juiz, e com o título bem assertivo de Salazar, o maçon, o livro sustenta a tese de que Salazar foi maçon. Embora não tenha reunido provas concretas, Costa Pimenta alicerça a sua tese no facto de Salazar usar muitas fórmulas maçónicas nos seus discursos, bem como o facto ( este indubitável) de ter deixado de praticar os sacramentos da comunhão e da confissão ainda relativamente novo, e ainda a longa presidência de um maçon- Óscar Carmona, Presidente da República de 1928 a 1951. Estará nas livrarias nos primeiros dias de Abril.»
Luís Barata In: ver aqui
Afinal de onde são as cores da bandeira da república ?

1912 , EDIÇÃO DA CASA ALFREDO DAVID ,ENCADERNADOR 30-32, Rua Serpa Pinto, 34-36
LISBOA
Noite Sangrenta de 1921 - Quando o regime decapita-se ...
Na violência de 1921, o fundador da republica, Machado Santos, e muitos outros foram assassinados. o Partido Democrático, liderado por António Maria da Silva, governou por 28 meses, mas caiu em Novembro de 1923 e foi seguido por ministérios de curta vida.
Esta violência ocorreu a 19 de Outubro de 1921, apenas 11 anos após a implantação da República, quando, na sequência da demissão do governo presidido por Liberato Damião Ribeiro Pinto, o protector da Guarda Nacional Republicana, então a guarda pretoriana do regime, e a sua posterior condenação a um ano de detenção (confirmada a 10 de Setembro de 1921 pelo Conselho Superior de Disciplina do Exército), um conjunto de militares ligados àquela força policial, a que se juntaram militares do Exército e da Armada, se sublevou.
A sublevação desembocou na chamada Noite Sangrenta, o assassinato por um grupo de marinheiros e arsenalistas sublevados de algumas das principais figuras da República. O coronel Manuel Maria Coelho era o chefe da sublevação. Acompanhavam-no Camilo de Oliveira e Cortês dos Santos, oficiais da Guarda Nacional Republicana, e o capitão-de-fragata Procópio de Freitas.
Sem possibilidade de resistência, o governo presidido por António Granjo apresentou a sua demissão a António José de Almeida, tendo Granjo procurado refúgio em casa de Francisco Pinto da Cunha Leal, o líder do ala esquerda do republicanismo e próximo da liderança do movimento revolucionário. Descoberto, foi levado ao Arsenal da Marinha, o centro revolucionário, e abatido a tiro. O mesmo aconteceu a diversas outras figuras gradas da política republicana, incluindo o almirante Machado Santos, o comandante José Carlos da Maia e o coronel Botelho de Vasconcelos, todos raptados por uma camioneta fantasma que percorreu Lisboa naquela noite.
Fonte : ver aqui
Apetrechamento

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terça-feira, 24 de março de 2009
Curso I República e Republicanismo

COMISSÃO NACIONAL PARA AS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA
Mais de 150 pessoas inscritas para curso sobre I República e Republicanismo
O desejo de melhor conhecer o período da I República e o Republicanismo é partilhado por muitos cidadãos com idades e proveniências geográficas distintas – como revelou o número de inscrições no primeiro curso de divulgação à distância hoje iniciado, que recebeu 153 candidaturas.
O elevado número de pessoas interessadas em aprofundar este tema obrigou a dividir por três edições os alunos inscritos – com intervalos de três semanas no arranque das aulas – para permitir um melhor acompanhamento pelos professores.
Hoje, dia 23 de Março, começa a formação do primeiro grupo. O segundo grupo iniciará a sua formação no dia 13 de Abril e o terceiro no dia 27 de Abril.
A este curso de “E-learning” candidataram-se pessoas de diversas nacionalidades que vivem não só em Portugal – de Norte a Sul, incluindo ilhas das regiões autónomas – como no Brasil, na Venezuela, em Itália, na Tunísia, no Senegal e em Timor-Leste, entre outras proveniências geográficas.
O curso sobre a I República e Republicanismo, que resulta de uma parceria entre a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e o Instituto Camões, tem a duração de seis semanas e foi concebido pela Professora Doutora Maria Cândida Proença e pelo Professor Doutor Luis Farinha, ambos investigadores do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL.
Em matéria de actividades profissionais dos candidatos ao curso, ainda que entre eles haja vários professores de história, de filosofia e de ciências sociais, há também licenciados em química e noutras áreas de conhecimento. Entre as razões da candidatura, há não só a vontade de saber mais sobre a I República e o Republicanismo como também quem, vivendo no estrangeiro, queira melhorar o seu domínio da língua portuguesa e quem se inscreva por querer de algum modo participar nas Comemorações do Centenário da República.
Em Outubro de 2009 iniciar-se-á uma nova edição do curso, essa destinada a um público mais específico e com a possibilidade de obtenção de créditos e certificação.
Esta dá vontade de rir... se ao menos fossem nacionais os alunos ...
Merchandising para o Centenário da República
Exmos. Senhores
Vimos por este meio manifestar o nosso interesse e disponibilidade em desenvolver, por ocasião deste centenário, uma linha de produtos em porcelana e cristal alusiva à efeméride acima referida.
Nesse sentido, solicitamos marcação de reunião para aprofundarmos este assunto e apresentamos os nossos melhores cumprimentos,
Devidamente assinado em nome da Vista Alegre Atlantis Empresas
domingo, 22 de março de 2009
Será na liberdade, igualdade ou fraternidade?
Vasco Pulido Valente Público 22 de Mar. 2009
O que eles celebram no centenário da república
Maria José Morgado ao Sol - 21 Mar. 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
Assim vamos lá
segunda-feira, 16 de março de 2009
sábado, 14 de março de 2009
A génese da nossa regeneração

Todos conhecemos as infra-estruturas de ensino construídas nas grandes cidades ao tempo da monarquia liberal. Todos reconhecemos pela sua traça característica o múltiplo equipamento construído pelo Estado Novo, ainda hoje parcela decisiva na oferta nacional. O abarracamento pré-construído é o estilo que marca o pós 25 de Abril em matéria de construção escolar onde impera o pladur e a cobertura lusalite ou argibetão. De facto no período democrático da república as prioridades foram as auto-estradas, centros comerciais e estádios de futebol. Passados mais de trinta anos, com um parque escolar muito degradado, começa-se finalmente a notar sinais de mudança com o anúncio de muitos milhões para a sua recuperação. E haverá com certeza mais boas notícias: por exemplo aqui no Estoril foi recentemente inaugurada a escola básica nº 1 de Alapraia, unidade modelar até do ponto de vista arquitectónico.
Em matéria de ensino, onde se joga o futuro e a proficiência e da nação, fica ainda a faltar a aposta mais difícil, porém decisiva: a reconstrução das escolas por dentro, na sua vocação e substancia. Desafio para o qual o regime não tem força ou vontade.
quarta-feira, 11 de março de 2009
IRS 2009 - Afinal não chegam 10 milhões para financiar o Centenário da República

terça-feira, 10 de março de 2009
Ética republicana
segunda-feira, 9 de março de 2009
Façam bandeiras

Certeiro

sexta-feira, 6 de março de 2009
D. Nuno Álvares Pereira, uma vida dedicada aos outros e a Portugal
argumento certeiro
Paz social
Prof. Thomaz de Mello Breyner, in Diário 1911-1913, págs. 105 e seg.
quinta-feira, 5 de março de 2009
O Reconhecimento da I República Portuguesa pela Inglaterra
(publicado originalmente na Plataforma do Centenário da República)O trabalho que agora se apresenta foi elaborado no âmbito do Seminário de Práticas Diplomáticas leccionado pelo Professor Doutor Victor Marques dos Santos ao 4.º ano da licenciatura em Relações Internacionais (ano lectivo de 2008/2009) do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), trabalho esse orientado pelo Mestre Pedro Fonseca, tendo sido avaliado pelo júri com a nota final de 16 valores. A versão que pode ser consultada aqui sob o formato PDF (também no final deste texto) não inclui os anexos da versão integral que tornaram o documento final demasiado grande para uma consulta online facilitada. A quem deseje consultar a documentação constante da versão integral o autor terá todo o gosto em cedê-la, embora essa versão final esteja também disponível em CD na Biblioteca do ISCSP, naturalmente aberta ao público. O restante deste texto constitui parte integrante da introdução e conclusão do trabalho, embora com pontuais alterações.
Atendendo à pertinência do estudo das Práticas Diplomáticas para a compreensão de fenómenos de carácter histórico e político quer no plano doméstico, quer no plano da política internacional, decidimos abordar a temática do reconhecimento da I República Portuguesa pela Inglaterra, o que em si já permite percepcionar a devida circunscrição temporal em análise, ou seja, o período de 1910 a 1911, mais especificamente, entre 5 de Outubro de 1910 e 11 de Setembro de 1911.
O acto de reconhecimento de um novo estado ou de um novo regime num estado preexistente constitui-se como uma “forma de manifestação unilateral de vontade por parte dos estados”(1) , definição estrita que em si contém a caracterização de tal acto como sendo eminentemente político. Mas se a acção formal do reconhecimento se reveste de um cariz político porque emanada a partir das instâncias decisórias governamentais (o que à primeira vista seria passível de invalidar o tema em análise neste trabalho de Seminário de Práticas Diplomáticas), já o processo de condução das conversações e/ou negociações que permita a um novo actor político, o governo de um novo estado ou regime, contactar e relacionar-se com os já existentes actores estatais da comunidade internacional com o objectivo de obter da parte desses o reconhecimento formal, que lhe garante existência não só de facto mas primordialmente de jure, é um processo de cariz essencialmente diplomático porque desenvolvido em primeira instância pelos representantes diplomáticos.
A escolha deste tema está relacionada em termos pessoais com o interesse pela temática da I República e com a particular importância que assume o estudo desse regime à medida que se aproxima a comemoração do seu centenário já em 2010. Por outro lado, também as relações luso-britânicas se constituem como temática de primordial importância para qualquer interessado pela política externa portuguesa, visto que a Aliança Luso-Britânica representa historicamente um dos principais vectores dessa.
Como tal, o reconhecimento da I República pela Inglaterra constitui um momento marcante dessa tradicional aliança, especialmente se considerarmos que essa foi a terceira república de uma Europa predominantemente monárquica e que nos dias de hoje a Inglaterra permanece como uma das mais tradicionais monarquias no mundo.
Este trabalho de investigação e reflexão foi elaborado com base em recursos bibliográficos existentes sobre o tema em análise, de que se destaca a obra do Professor Doutor Victor Marques dos Santos, A Questão Africana e as Relações Luso Britânicas. 1884 – 1914, e, principalmente, com recurso a documentos consultados no Arquivo Histórico-Diplomático, a quem desde já agradecemos na pessoa da Dr.ª Isabel Feveiro pela atenção e disponibilidade, designadamente os telegramas trocados entre Portugal e Inglaterra relativos ao tema e período em análise.
A primeira parte deste trabalho prender-se-á necessariamente com uma breve operacionalização do conceito de reconhecimento, com particular incidência na sua importância enquanto acto unilateral de manifestação dos estados relacionado essencialmente com a prerrogativa de soberania desses, e como forma de reconhecimento de tal prerrogativa a outros actores estatais, dando-se especial atenção ao conceito de reconhecimento de governo, à distinção entre reconhecimento de facto e reconhecimento de jure, e às formas de reconhecimento, isto é, reconhecimento individual ou colectivo e reconhecimento expresso ou implícito.
Em segundo lugar deter-nos-emos, a título introdutório à terceira parte do trabalho, sobre a aproximação do Partido Republicano Português à Inglaterra com uma ressalva à priori, apenas no concernente ao ano de 1910, ou seja, nos meses que antecedem a Proclamação da República, com especial atenção dada à chamada “missão ao estrangeiro” de diversos republicanos.
A temática central do trabalho constituirá finalmente a terceira parte deste, onde nos referiremos concretamente ao processo de troca de correspondência diplomática entre os representantes portugueses em Londres e os governantes republicanos em Lisboa, analisando os respectivos telegramas e comunicações, até porque se constituem como fontes primárias da nossa pesquisa, que em termos de periodização se iniciam em 25 de Outubro de 1910, culminando com a Nota Britânica de Reconhecimento da República Portuguesa datada de 11 de Setembro de 1911, pelo que procuraremos analisar ainda as diversas condicionantes e variáveis que influenciaram este processo que, desde já, se nos afigura como atribulado, representando um momento marcante no contexto da Aliança Luso-Britânica mas também numa Europa tradicionalista, a qual era hostil a um certo radicalismo do republicanismo português de índole anti-clerical.
No que respeita à conclusão, em primeiro lugar é necessário classificar devidamente o reconhecimento da I República Portuguesa pela Inglaterra à luz do conceito de reconhecimento devidamente operacionalizado na primeira parte do nosso trabalho. O reconhecimento começa por ser de facto a 9 de Novembro de 1910, quando Villiers (Ministro britânico em Lisboa) se considera habilitado a tratar com o Governo Provisório, e torna-se efectivamente de jure com a nota formal datada de 11 de Setembro de 1911. No que diz respeito à forma, a nota britânica é de cariz individual e expresso, no entanto, parece-nos que a acção concertada com as demais potências europeias, especialmente se tivermos em consideração a iniciativa da Inglaterra em tratar da questão, inclusive havendo lugar ao reconhecimento por parte de Espanha, Itália, Alemanha e Áustria em simultâneo com a Inglaterra, reveste a forma de reconhecimento colectivo.
É de salientar que antes da nota britânica ocorrem dois adiamentos do acto de reconhecimento. Após o reconhecimento de facto, a 13 de Abril de 1911 Grey (Ministro dos Negócios Estrangeiros Inglês) garantia que o reconhecimento de jure teria lugar após as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, ocorridas a 28 de Maio. A 30 de Maio Grey comunicava que o reconhecimento passaria a ter lugar apenas quando a Assembleia reconhecesse o Governo e a forma de governo republicana. A forma de governo republicana é sancionada a 19 de Junho e, novamente, os britânicos adiam o reconhecimento, exigindo duas novas condições, a aprovação da nova Constituição e a eleição do Presidente da República. A nova Constituição é aprovada a 18 de Agosto, e 6 dias depois eleito Manuel de Arriaga, desenrolando-se nos dias seguintes o processo que culmina com a Nota Britânica de Reconhecimento da República Portuguesa, de 11 de Setembro.
A nível pessoal, foi particularmente enriquecedora a investigação e elaboração do presente trabalho, na medida em que o período da I República carece de uma profunda análise histórica e desejavelmente imparcial, o que não tem acontecido nos últimos anos em que a I República tem vindo a ser uma temática cada vez mais discutida ao nível da sociedade civil. É preciso ampliar o debate sobre a I República, mas torná-lo mais imparcial e foi precisamente este estado de espírito que nos guiou na realização deste trabalho.
1 - Cfr. Victor Marques dos Santos, Apontamentos das Lições de Teoria das Relações Internacionais, Lisboa, ISCSP-UTL, 2005, p. 60. Texto policopiado. Consulta e citação autorizados.
quarta-feira, 4 de março de 2009
República !
sábado, 28 de fevereiro de 2009
A PSP censurou o 1º livro depois de 1974, Pornographie ! Vamos censurar a República ?

"O líder parlamentar do PS condenou esta quarta-feira a apreensão cautelar de vários exemplares de um livro com a foto de um quadro de Gustave Courbet, em Braga, por suposta divulgação de pornografia, considerando que a actuação da PSP violou o direito à liberdade de expressão, refere a Lusa."
Fonte : http://diario.iol.pt/politica/gustave-courbet-livro-psp-feira-braga-ps/1045361-4072.html
Já agora porque não a PSP apreender a República Portuguesa ? aquela jovem que vemos de há 100 anos para cá com o peito ao léu ? Não será também pornografia ?
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Cortina de fumo: a "4ª república"

O visível estertor do regime da 3ª república, oferece-nos a vantagem de seguir com algum interesse, os argumentos apresentados pelos defensores do status quo e daqueles outros que não pretendendo alterações de monta, propõem a urgente operação cosmética que iluda o generalizado sentimento da necessária mudança.
No semanário Expresso da última semana, Henrique Raposo contesta as posições do vitalício constitucionalista Vital Moreira, o sempre conhecido e estrénuo defensor dos postulados a Constituição de 1976. Tal como Jorge Miranda, concebe-a como coisa sua, digna de figurar no albúm de recordações da juventude, mesmo quando ao tempo era deputado do estalinista PC de Cunhal e decerto sonhava com um articulado constitucional bem diverso daquele que conforma esta democracia burguesa.
Diz Vital Moreira que a Constituição possui instrumentos de freio e contrapesos sólidos no que cerne aos poderes instituídos pelo texto, evitando-se os excessos da personalização e o défice da reflexão institucional. Desta forma, parece considerar o poder presidencial de dissolução parlamentar, como o mais decisivo contrapoder no sistema. Aqui, fazemos notar - sem quaisquer pretensões, porque somos leigos na matéria, mas nem por isso cidadãos pouco atentos -, a completa anomalia que significa a necessidade de existência de um contrapoder, especialmente quando é fatalmente dirigido contra aqueles que a maioria da população elegeu como seus representantes. Temos pelo reconhecimento desta desnecessária realidade, a assunção da fragilidade do próprio regime, forma híbrida de compromissos firmados num período de transição.
Entramos assim, na plena discussão daquilo a que eventualmente alguns se prepararão para chamar de 4ª república, onde o móbil do contencioso previsível reside na claramente messiânica presidencialização do regime, ou pelo contrário, na própria reivindicação dos actuais poderes do p.r. pelo 1º ministro, com o evidente reflexo no parlamentarismo puro e consequente caducidade do período ainda vigente, no qual o p.r. é eleito através do sufrágio universal.
Os argumentos de princípio geralmente aceites, tal como a necessidade institucional de evitar a personalizaçãp da política, estabelecem os limites impostos pelo próprio conceito de democracia, que se vale sobretudo das suas instituições consagradas em texto constitucional e não em fulanismos de enigmáticos contornos políticos num certo momento. A experiência da 1ª e da 2ª república parece ter feito escola no campo da teoria, mas o contraponto imposto pela realidade de um país que viu a normalidade constitucional cerceada por um hiato de quase sete décadas - 1910-75 -, prova a inequívoca e constante tentação da derrapagem no caudilhismo que só a escassa qualidade - há que assumi-lo - e carisma dos homens públicos, tem impedido a instalação de uma nova situação de hegemonia de um hipotético one man show.
Entre todos os argumentos discutidos, surge bastante clara a partilha do poder por parte dos dois principais partidos rotativos, embora por precaução tal não seja inequivocamente explícito, remetendo-se apenas os dois comentadores, para modelos conformadores do edifício estatal, sem contudo se mencionar uma única vez uma verdade que é por todos conhecida e que aliás, pretende encontrar uma outra fórmula que lhe permita manter-se indefinidamente.
No período de declínio da popularidade de uma dada maioria, é recorrente o apelo da "opinião pública" ao p.r., para proceder em conformidade com o momento político - signifique isto o que significar -, dissolvendo o Parlamento. Desta forma, os mandatos de quatro anos saídos de eleições para a a.r., são mera baliza temporal que confirma para o exterior a democraticidade do sistema, sem que este limite de vigência de uma maioria possa ser encarado como o próprio cerne da existência da reclamada democracia do regime. Dois anos, três anos, no máximo, eis o palmarés invariavelmente apresentado pela 3ª republica, no que respeita à durabilidade dos executivos e respectivas maiorias que os suportam. Comparemos o nosso caso com o da monarquia vizinha e tiremos as conclusões necessárias.
Ao contrário de países como a Dinamarca, onde a simplificação extrema do regime passou pela presidencialização dos poderes do 1º ministro e reserva para o Chefe do Estado - a rainha Margarida II - as incumbências consideradas como históricas, a república portuguesa reflecte na sua orgânica, o profundo conflito de interesses partidários que a conformam, tendo criado uma miríade de instituições que alegadamente servem de fiscalizadoras daquilo que a Constituição estatuta como Lei. Desta forma, foi criado o Tribunal Constitucional, o Procurador Geral da República, o Provedor da justiça, a Autoridade para a Concorrência, o Banco de Portugal e porque não considerá-lo?, o Conselho de Estado. A verdade é que todas estas instituições dependem fortemente da personalidade de quem nomeia o seu titular, neste caso o p.r. e na maior parte das vezes, o próprio partido que detém as rédeas do poder governamental. A reclamada independência dos órgãos face ao poder político de momento, é desta forma uma falácia, pois em regra, os juízes conselheiros são frequentemente, correntes de transmissão do partido a que pertencem, exercendo as suas funções, sem que exista a mínima possibilidade de escrutínio popular às individualidades que encarnam certos princípios políticos ou um dado conceito de organização da sociedade. Os seus poderes são tão vastos que se ergueram hoje aos de fazedores da moral pública vigente, imposta por desconhecidos e tacitamente aceite pela massa amorfa de eleitores despojados de escolher estes legisladores de secreto ou inacessível areópago.
Curiosamente, Henrique Raposo aponta claramente para a necessidade de uma revisão dos pressupostos que envolvem os poderes presidenciais, parecendo querer atribuir ao temporário inquilino de Belém, a possibilidade de nomeação vitalícia de juízes do Tribunal Constitucional, sob a condição de prévia fiscalização parlamentar. Deste modo, ficamos assim totalmente á mercê de uma qualquer mexicanização do sistema, pouco importando qual seja o partido que colha a benesse propiciada pelo p.r. em exercício, que poderá muito bem num dado momento, coincidir com a maioria governamental. Teríamos assim uma garantida eternização no controlo da coisa pública, pois os mecanismos de pressão ou recompensa estariam firmemente detidos pelo conluio partidista p.r/a.r. Em compensação, Raposo aponta para a necessidade do p.r. "abrir mão" do poder de dissolução parlamentar, mero sofisma que salva as aparências, uma vez que com essa magna concentração de potestades, torna-se completamente desnecessário. Ficamos ainda sem saber qual o desenho pretendido para a nova lei eleitoral, mas prevê-se uma séria tentativa de hegemonização rotativa pela concentração de círculos e óbvio prejudicar de minorias que seriam desta forma excluídas de assento parlamentar. Noutros tempos, a isto chamava-se chapelada eleitoral e o exemplo da 1º república é eloquente.
Como facilmente se depreende, todas estas questões se resumem apenas a pontuais medidas paliativas que garantam o perfeito imobilismo obtido pelas sucessivas revisões constitucionais. O problema reside como sempre, na inequívoca - e até muitas vezes orgulhosamente assumida - filiação partidária do Chefe do Estado. Razão têm todos os primeiros ministros, quando desconfiam das verdadeiras intenções, ou da reserva mental do p.r., especialmente se este não pertencer ao seu partido. Os exemplos históricos dos contenciosos verificados durante os mandatos de Soares, Sampaio e Cavaco, apontam para o prejuízo que significa para Portugal, o uso do abusivo poder de dissolução que afinal, garante apenas a solvência da camarilha que circunda o gabinete presidencial. Fossem os actuais poderes do Chefe do Estado reservados para a pessoa do Rei de Portugal, então poderíamos confiar plenamente no maduro raciocínio e ponderação do excepcional acto que é a chamada "bomba atómica" constitucional, ou seja, a dissolução. É que a perfeita independência partidária, equidade no julgamento e sentir daquilo que é o verdadeiro e perene interesse nacional - ou colectivo, como preferirmos -, só pode ser propriedade de quem não depende de momentâneos contextos, modas ou de campanhas organizadas por poderes económicos que em princípio, deverão ser alheios ao condicionamento da formação dos gabinetes governamentais. E se a isto acrescentarmos o ponderoso reflexo do Conselho de Estado, temos as ferramentas ideais que permitem o equilíbrio do regime constitucional.
Com tantos juízes, procuradores, altos representantes da república e governadores chancelados por nomeação presidencial, governamental ou até partidária - num constante Tratado de Tordesilhas de partilha de sinecuras - cai assim definitivamente por terra, o extemporâneo e ridículo argumento da necessária elegibilidade de todos os detentores dos cargos públicos que como vimos, são invariavelmente nomeados bem longe das urnas do voto popular. A cortina de fumo do argumento urneiro é apenas isto e nada mais.
Os 7 pecados mortais da República
Quem constituiu um partido único ? República
Quem instituiu uma pin-up como figura do regime ? República ... esta doí LOL
Quem instituiu a censura prévia na imprensa e aniquilou por completo a Liberdade de expressão ?
República
p.s. : até 1908 havia censura só depois de serem publicados os artigos, completamente diferente da censura prévia e do lápis azul
Quem criou campos de concentração como Tarrafal ? República
Quem criou polícias políticas de 1910 a 1974 ? personificadas na Formiga Branca e na PIDE ? República
Por muito que tentem dar a volta à questão grandes figuras do Estado Novo eram republicanos convictos : Marchal Gomes da Costa era Maçon e republicano convicto assim como Óscar Carmona
Quem mandou assaltar o Grande Oriente Lusitano em 1926 foi um Maçon do governo.
Chega de demagogia republicana !
Antero Quental - Um profeta da República

CONTAM os jornais do Porto que naquela cidade se realizaram imponentes festejos ao ser inaugurada a nova sede doGrupo republicano recreativo Antero de Quental.
Nada, na verdade, mais recreativo do que pôr sob o patrocínio deste altíssimo nome um centro republicano! Eu tenho a vaga desconfiança de que os ilustres membros desta preclara agremiação não fazem ideia muito perfeita das obras e do pensamento de Antero de Quental. Homens de ilustração rudimentar, mal [133 – 134] soletrando alguns as primeiras letras, não venham dizer-me que serão esses os melhores devotos dos Sonetos ou os mais aproveitados leitores do ensaio sobre as Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do Século XIX.
Se me fosse permitido remover o sentido comum de uma palavra, para dentro dela despertar a antiga significação obliterada, eu diria que Antero foi um matemático, tal como na Grécia se entendeu este vocábulo.
Toda a sua preocupação consiste em apreender as relações entre o homem e a vida. É o enigma da vida que, acima de tudo, o preocupa. Assim a sua poesia traz sempre consigo, como uma chaga sangrenta, a marca abrasada da inquietação espiritual que o consome.
Antero não é grande poeta senão quando tenta ser grande filósofo. E se do filósofo teve todas as qualidades, não lhe faltaram também todos os defeitos. A sua poesia é abstrusa, difícil, deixando as mais das vezes profundamente oculto o seu [134 – 135] sentido íntimo. Não é leitura de agrado para multidões iletradas.
O que em Antero nos interessa, comove e alenta a nossa admiração, não é a palavra encantada, a graça da imagem ou a estrofe colorida. A beleza dos Sonetos consiste na angústia moral em que se queimou a alma do poeta. Antero soube como ninguém explicar o coração de todos nós, mas não pode conseguir, quase nunca, que ele, enternecido, batesse mais apressado dentro do nosso peito. A sua imaginação era viva, mas de asas tão curtas que, voando alto, era estreito o voo.
De si mesmo fugia, como se fosse um fantasma. Levado pelo vento de mil desejos impossíveis, não acertava consigo. Turbava-lhe a tristeza a consciência. E a dúvida de todas as coisas, o cansaço de tudo, deixavam-no agonizante nas encruzilhadas do pensamento...
Este lugar é uma trincheira de guerra, áspera e rude, e não se estendem por aqui as sombras sossegadas do jardim de [135 – 136] Academus, onde é gostoso divagar parolando sobre as quimeras da literatura. Desviemos, pois, os olhos para outro lado. E porque não se entende que versos como esses se aprendam para cantar nas tabernas, nem para acompanhar o fado pelas vielas, às latas horas da noite, seria para ver se as intenções políticas e sociais do poeta permitem fazer dele orago em capela republicana, se não viesse o número 29 do ano VIII da Revista de História(publicação louvada pelo Ministério da Instrução Pública em portaria de 9 de Dezembro de 1914) dar à estampa uma carta de Antero de Quental que, desapiedadamente, deita abaixo todas as ilusões sobre o seu republicanismo.
Ofereço-a à leitura da digníssima direcção do Grupo republicano recreativo Antero de Quental, e creio que não lhe será precisa longa meditação para em assembleia geral explicar aos seus veneráveis consócios que é necessário modificar o nome da associação, porque Antero de Quental era um descarado reaccionário!
[ 136 – 137] Por tal modo se preparou a República, que os melhores espíritos, os mais nobres e os mais livres, logo a temeram e detestaram. Eça de Queirós dizia apavorado, negando que Ramalho fosse republicano: “Em política tem-se dito que Ramalho Ortigão é republicano. Nada menos exacto. Ramalho, creio, teme a república, tal qual é tramada nosClubs amadores de Lisboa e Porto. A república em verdade, feita primeiro pelos partidos constitucionais dissidentes, e refeita depois pelos partidos jacobinos, que tendo vivido fora do poder e do seu maquinismo, a tomam como uma carreira, seria em Portugal uma balbúrdia sanguinolenta” (A Renascença); e João de Deus, ferido já o terno coração, escreveu: “Nas obras do Arcebispo de Paris, assassinado por uns carrascos, que não podem pertencer a partido nenhum, e a quem por isso não chamo comunistas, respira-se um ar puríssimo de liberdade, e até diria republicano, se a república, como aí se está apregoando, não nos [137 – 138] estivesse prometendo o mais tremendo despotismo” (A Cruz do Operário).
Antero de Quental deixou ferretado em muitos lugares o seu horror pela “fantasia republicana”, como lhe chamava na carta em que a Oliveira Martins anunciou o aziago folheto sobre a posição de Portugal perante a revolução de Espanha.
Tão inquieto sempre, sempre tão agitado por contrários sentimentos e ideais contrários, era nele constante o empenho de combater os nossos republicanos, - “raça pérfida”, no seu expressivo dizer – e tanto que por certo centro republicano foi oficialmente declarado traidor, e nos jornais do bando, O Trinta, A República Federal, Emancipação, que Teófilo Braga inspirava, grosseiros insultos lhe cobriam o nome.
“O pior que nos podia acontecer é sermos amanhã república” – anunciava em Julho de 73 ao seu dilecto confidente, o mago evocador da História da República Romana. E acrescentando, com justo conhecimento do comum sentir, [138 – 139] que Portugal não era republicano, advertia que “não o serão os declamadores e os pulhas que actualmente constituem a quase totalidade do grupo republicano quem logre converter o velho desconfiado que se chama o povo português” (Cartas Inéditas de Antero de Quental a Oliveira Martins, pág. 152).
Não se enganou o poeta. As armas afiadas “no laboratório merdoso do Teófilo”, conforme a enojada expressão anteriana, não podiam atingir a alma da nossa gente. A República, imposta por traiçoeiro tumulto, matem-se contra o geral querer, trazendo a nação amordaçada e agrilhoada. O povo repele o regime que lhe esconde o Céu e toma por crimes as suas virtudes.
A ajuntar ao que sabíamos, ei-la, a prometida carta de Antero, dirigida a João Lobo de Moura, íntimo amigo do poeta:
Meu caro Lobo – Pensei que me ia anunciar a sua estada em Lisboa e eis que me diz não saber ainda quando nem se será transferido. Gosto da resposta do [139 – 140] Barjona: tem um merecimento aquele rapaz, que o distingue no meio dos seus sodales; é a franqueza no cinismo; creio que por isso ficará na história do constitucionalismo português como uma espécie de M. de Calonne, sabe, aquele último e cinicamente espirituoso ministro de Luís XVI, que o Michelet nos descreve empurrando alegremente para o abismo a velha monarquia.
A independência de ordem jurídica no actual regime é uma coisa engraçadíssima. Mas quê, meu caro, o regime que está para vir, com a gente que o prepara, ainda nos há-de mostrar coisas mais bonitas. V. Faz lá a ideia dos republicanos portugueses! Tive ocasião de os tratar de perto este ano, e declaro-lhe que quase lhes fiquei preferindo o próprio Barros e Cunha, o próprio Melício, o próprio Santos Silva! Sabe V. Quem é que está hoje sendo um dos grandes repúblicos em Lisboa? Adivinhe... o Teófilo Braga! Redige um jornal intitulado O Rebate(traduza Le Rappel) em cujos artigos de fundo desenvolve o homem todos os recursos do estilo colhido nas antigas leituras do Piolho Viajante. Fala nesta choldra e outras amenidades de linguagem, e propõe-se enforcar toda a gente, começando desde já por enforcar a gramática, o senso comum e a decência. É uma espécie de Marat de soalheiro, que faz rir mas enoja, e enoja tanto mais quanto é lido, o que nos dá a medida da capacidade intelectual e moral do público republicano. Creio que teremos a República em Portugal, mais ano, menos ano; mas, francamente, não o desejo, a não ser num ponto de vista todo pessoal, como espectáculo e ensino. Falam de Espanha com desdém – e há de quê – mas eles, os briosos portugueses, estão destinados a dar ao mundo um espectáculo republicano ainda mais curioso; se a república espanhola é de doidos, a nossa será de garotos.
A grande revolução, meu caro, só pode ser uma revolução moral, e essa não se faz dum dia para o outro, nem se decreta nas espeluncas fumosas das conspirações, e sobretudo não se prepara com publicações rancorosas de espírito estreitíssimo e ermas da menos ideia prática. Quando nós virmos o Peniche e o Valadares, e o Teófilo e o Bonança ministros duma revolução compreenderemos tudo isto...
Mas alto! Isto não é artigo de fundo!....
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do c.
Antero
São suficientemente claros os termos desta carta, e até tão vivos por vezes, que juntar-lhe comentários seria apenas demorar a sua lição.
Quem procurou esmiuçar os escritos de Antero de Quental ou leu o exaustivo estudo crítico de António Sardinha, conhece a influência que sobre o espírito do poeta exerceram as doutrinas de Proudhon, a ponto de, escrevendo a Oliveira Martins, se chamar “arcade proudhoniano”.
[142 – 143] Ao terminar a carta, da qual apenas transcrevi a parte política, Antero declara ter relido ultimamente o famoso capítulo de Proudhon sobre a morte e que ele lhe fizera acudir ideias bastantes para compor com elas umaFilosofia da Morte, no gosto dos tratados de Séneca e de Cícero, mas com mais profundidade.
Confessando assim, incidentalmente, as repetidas leituras de Proudhon, Antero de Quental enchia de luz as linhas da sua carta. Ao dizer que a grande revolução necessária só pode ser uma revolução moral, Antero reconhecia que governar não é lisonjear as paixões do povo – é acordar as suas virtudes, fortalece-las e apoiar-se nelas.
Antero, cujo individualismo extreme podia ser servido para o encerrar na orgulhosa solidão dos ultra-românticos, tornou-se, debaixo do magistério de Proudhon, duro inimigo das ideias e dos sentimentos que deram alma e corpo à Revolução Francesa.
Quando se cuidava que as doutrinas de Rousseau eram um dogma intangível, [143 – 144] Proudhon, arredando de si as sugestões do tempo, escrevia contra elas a mais mordaz e penetrante crítica que o século XIX produziu. É sob a invocação de Proudhon que, para estudar os problemas da economia moderna e da filosofia da história, se juntam hoje, em França, na mesma sala, os escritores monárquicos e os doutrinadores sindicalistas. Os seus métodos de exame e os seus argumentos variam segundo a origem intelectual dos que ali se reúnem, mas idêntico pensamento os prende a todos: a crítica e o combate à democracia [parlamentar].
Admiravelmente descreveu Proudhon a grosseira máquina democrática dizendo que ela era “un système politique, invente tout exprès pour le triomphe de la médiocrité parlière, du pédantisme intrigailleur, du journalisme subventionné, exploitant la réclame et le chantage; où les transactions de conscience, la vulgarité des ambitions, la pauvreté des idées, de même que le lieu commun oratoire et la faconde académique, sont des moyens assurés de succès; ou la contradiction et l’incon- [144 – 145] séquence, le manque de francise et d’audace, érigés en prudence et modération, sont perpétuellement à l’ordre du jour; un pareil système se refuse à la réfutation; il suffit de le peindre. L’analyser ce serait le grandir et quoi que fit le critique, en donner une fausse idée” (Contradictions politiques, pág. 222).
Como Proudhon, Antero de Quental é um mestre da contra-revolução sempre que se mostra liberto dos encantamentos de Michelet. Manter o seu nome na tabuleta dum centro republicano, é vergonhoso testemunho da mais rotunda e pedantesca ignorância.
Se querem, porém, conservar o título glorioso de Antero de Quental lá nessa “fumosa espelunca” do Porto, como ele chamava a semelhantes casas, não esqueçam então de escrever, à laia de divisa, no salão de festas, por cima da cadeira da presidência, aquelas palavras proféticas da sua carta: - “A nossa república é de garotos”.
Luís de Almeida Braga in Sob o Pendão Real, Lisboa, Edições Gama, 1942, pp. 133-145.





