segunda-feira, 29 de junho de 2009
A não perder
domingo, 28 de junho de 2009
A bandeira da ignorância e do fanatismo.
"Tomemos um outro exemplo, não mediterrânico, mas pertencente, também a ele, à Europa Meridional, o de Portugal. Até 1910 as armas e a bandeira articulam-se, também aqui, à volta do azul e do branco, cores heráldicas dos reis de Portugal desde o século XII. Sobrevém a Revolução, e põe-se a questão da bandeira do regime republicano. Que cores escolher? O azul e o branco, que fariam recordar excessivamente a monarquia derrubada, são excluídos. Ao amarelo acontece o mesmo, pois evoca de maneira excessivamente o poderoso e temido inimigo espanhol. Restam portanto o verde, o vermelho e o preto. Em 1911, em circunstâncias mal elucidadas, e por motivos que ainda se discutem, a jovem república portuguesa adopta uma bandeira verde e vermelha, divida a meio. Essa é, ainda hoje, a bandeira de Portugal, e é uma das raras bandeiras europeias que infringe a regra das cores heráldicas: o verde (sinople) e o vermelho (goles) tocam-se, o que é estritamente contrário aos princípios da heráldica (de resto, a escolha do preto, justaposto ao verde ou ao vermelho, não teria laterado nada no que diz respeito à transgressão desses princípios). Depois da adopção desta bandeira, de algum modo por dedução, pois escolheram-se as cores "que restavam", foram avançadas diferentes explicações de ordem histórica ou simbólica, para justificar a escolha destas cores. O verde, cor da Marinha portuguesa, sublinharia o papel desta no derrube do Antigo Regime. (Avançou-se mesmo que a nova bandeira retomava totalmente o pavilhão verde e vermelho, dividido a meio, do navio Adamastor, que tinha tido um papel decisivo no sinal de partida da Revolução.) Ou então, o verde seria a cor da Liberdade e o vermelho proclamaria a maneira como ela tinha sido conquistada: pelo sangue. Banal simbólica de cores, solicitada fora de tempo e que evidentemente nada explica. (...)
[verbete "BANDEIRA"]. PASTOREAU, Michel - Dicionário das cores do nosso tempo: simbólica e sociedade. Lisboa: editorial Estampa, 1997, pp. 34-35
Numa análise sucinta, mas extremamente bem documentada, o medievalista e especialista em simbologia Michel Pastoreau, caracteriza a bandeira forjada na revolução portuguesa de 1910 «à pressa e na confusão» (p. 35). Ela é, sem dúvida, um dos grandes exemplos de como os republicanos temiam a força histórica presente do simbolismo das instituições monárquicas. Não bastava arrancar do pano a coroa, havia que tingi-lo com outras cores. Os tons escolhidos evidenciam o pânico e acrescentam-lhe violência, conflito e agressividade. Vermelho de sangue (sangue do antes e do devir, sangue do regicídio, de La Lys, da noite sangrenta) que empurra um verde cínico, seiva nova da nova aristocracia: os políticos de carreira, ociosos comendadores e ditadores de oportunidade. A República não desejava apenas um novo regime. Queria um novo país e a bandeira positivista, assimilada graças ao futebol (que é, como sabemos, a melhor maneira de electrizar as massas), auxiliou essa refundação.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Desníveis, elevações e losangos no deserto empedrado

A reformulação do projecto para o Terreiro do Paço, limitou-se a limar algumas das mais agrestes e contestadas arestas do anterior. O arquitecto nomeado sem concurso público, decidiu que os aspectos fundamentais previamente apresentados, permanecerão mesmo que esbatidos. Os losangos que todos perceberam ser uma alegoria muito evidente, as raias alegadamente "evocativas de cartas de marear" e sobretudo as várias e ainda incompreensíveis variações que sobre-elevam ou desnivelam a praça na sua placa central e no torreão ocidental (poente), lá estão no projecto reapresentado. Da estátua equestre, não há notícia do seu pleno restauro em tudo o que isto implica.
A edilidade deve saber que os lisboetas gostariam de possuir uma praça mais aprazível e próxima da natureza, com a plantação de árvores* criteriosamente escolhidas. Mais importante que a simples exibição de uma muito contestada obra feita, a praça deve ser devolvida à gente de Lisboa. Esta clara necessidade que foi apercebida pela CML de meados do século XIX, é hoje desprezada pela persistência do vincar do espírito de uma carcomida autoridade, num deserto de pedra sem império. Para comemorar a república.
Eles não têm emenda e quando reconhecerem o erro será tarde demais.
* Se estiverem interessados, leiam a caixa de comentários do Público. Confirma o que aqui se diz.
Logótipos
A Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República adjudicou o seu logótipo dois jovens designers, que segundo os próprios "procura reinventar graficamente o conceito de República, entretecendo visualmente noções como as de "democracia" e "parlamentarismo"... Como se a democracia e o parlamentarismo fossem conquistas da republica: referem-se aos primeiros anos de ditadura revolucionaria? Referem-se aos 48 anos do Estado Novo? Referem-se ao modelo democrático da III republica, aquele que mais se aproxima qualitativamente da monarquia constitucional? Como podemos observar (em cima) a solução gráfica representa bem o inevitável vazio da sua mensagem: um balão cheio de nada, nas cores carbonárias: o encarnado do sangue que (os republicanos) derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito natural, (os republicanos) devem alimentar-se. (Fernando Pessoa)terça-feira, 23 de junho de 2009
Do norte, para "fazer História"...
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Psicografia do Dr. Afonso Costa
sábado, 20 de junho de 2009
“Rei” de táxi do Chiado ao Camões
Pode acontecer a qualquer um num dia menos auspicioso. Não é por se ser Duque que não se está livre destes imprevistos, pelas mais variadíssimas razões. E se o Duque de Bragança, teve de dar o desprazer ao taxista deste não lucrar uma boa corrida, com tão ilustre cliente, penso que foi por uma boa razão, porque, ao privar com o senhor Duque uma vez, fiquei com a impressão de ser uma pessoa bem-educada.
Que os taxistas têm uma má reputação, é pelas mais óbvias razões. Porque tal como este, e como já comprovei, os taxistas tem uma péssima conduta. Não me admira nada, que o taxista em questão tenha vendido a história ao Correio da Manhã, por uma boa quantia. E o correio da manhã, fértil das melhores notícias de homicídios, roubos e mexericos, não perdeu a oportunidade de dar a António Ribeiro Ferreira, a oportunidade de escrever mais um conteúdo noticioso, que mesmo sendo uma crónica, o autor teve a infelicidade de usar expressões mal escolhidas.
Muitos dos leitores podem pensar que estou a perder tempo a escrever, sobre algo que não interessa. Que a melhor arma é o desprezo, que somos superiores a esse tipo de crónicas e afins. Até é verdade.
Mas esta chamou-me a atenção. E procuro fazer evidenciar, como derivado a estes pormenores, a imagem da monarquia é degradada aos olhos da opinião pública, injustamente. A começar o móbil infantil, que deu a origem a crónica do senhor António Ribeiro Ferreira. O título chamativo. As primeiras linhas, em que o autor diz que por estas histórias os portugueses continuam a ser republicanos e ligam muito pouco a monarquia. As primeiras linhas são a conclusão do autor, o resto é o sucedido em si. Perante a leitura, fiquei parvo a pensar, como é que um jornal, um autor com tantos assuntos na baila do dia, mais importantes, perde tempo a escrever um conteúdo jornalístico acerca de um imprevisto do Duque de Bragança, e usa esse imprevisto para mais um mexerico, mais uma história insólita.
Com que objectivo? E a conclusão forte a que chega? Como pode afirmar isso categoricamente? Será tem a ver com o facto do perigo do centenário da Republica ser a oportunidade de a verdade vir ao de cima, e as pessoas perceberem quem os anda a enganar, a começar pela imprensa? Perante casos, desde compra de viaturas de serviço de luxo para os senhores deputados, fortunas gastas em motoristas e viaturas para altos cargos governativos e altas patentes militares, sem que estes paguem um tostão, como é possível vir num jornal um conteúdo desta natureza tão mesquinho.
Isso mostra uma coisa, é por estes pormenores que a imagem da monarquia tem a conotação que tem, sem razão nenhuma. Mas há uma conclusão boa que se pode tirar, se falam dos monárquicos, é porque existimos e temos algum valor, nem que seja pela nossa existência incomodar.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Quando um elogio funebre precisa de ser justificado....

António Ayres Pacheco
«Publicando este discurso, tenho principalmente em vista satisfazer a opinião do paiz, que reclama essa publicação, e evitar que me sejam attribuidas coisas que eu não disse e que circularam com applauso em alguns jornaes. O discurso vae exactamente, com escrúpulo inexcedivel, como foi pronunciado. Podia corrigir-lhe um ou outro defeito, mas preferi a isso poder conscienciosamente affirmar que é, sem a minima alteração, precisamente o mesmo que pronunciei no templo de Belém.
Como todos podem ver, para ninguém foi offensiva a minha palavra. Não ha n'ella a minima individualisacão, ha sim a evidente intencionalidade de não querer magoar ninguém, nem mesmo ferir a memória dos dois regicidas, d'esses desgraçados, que devem compartilhar, não dos nossos ódios, mas da caridade das nossas orações.
Reservo, pois, para mim a responsabilidade das minhas palavras, deixando para os outros a responsabilidade da interpretação que lhes queiram dar.
Ayres pacheco»
ler o elogio, clicar aqui
bem haja
Uma Constituição interactiva
Encontra-se em preparação pelo Instituto da Democracia Portuguesa (IDP), o Constituição 2.0, cujo evento de lançamento e debate está previsto para o próximo dia 11 de Julho em local a confirmar. Esta iniciativa tem como objectivo a construção participada, através de ferramentas colaborativas e interactivas ao dispor dos utilizadores da Internet (twitter, blogue, facebook), de uma nova Constituição para Portugal.
Aberta a quem queira participar, a Constituição2.0 terá uma estrutura base. Os participantes serão convidados a reflectir e contribuir com sugestões, alterações ou adições em torno de um blogue Constituição 2.0 e de uma página Wiki (Constituição 2.0 Wiki) permitirá aos participantes dar o seu contributo através de comentários e propostas para a página Wiki da Constituição2.0 e, por último, através da intervenção no debate de lançamento.
Voltaremos em breve ao assunto: não basta dizer mal, para mudar é preciso participar!
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Centenário da expulsão das ordens religiosas

A dimensão histórica está presente, mas muitas outras áreas serãocontempladas: "espiritualidade, cultura, economia, arquitectura, escultura, pintura, assistencial". Um congresso "pluridimensional" que demonstrará que as "ordens e congregações estão vivas" - disse LuisMachado de Abreu, Presidente da Comissão Científica do Congresso, iniciativa a que a Agência ECCLESIA se associa.
A realizar dos dias 2 a 4 de Novembro de 2010, na Fundação CalousteGulbenkian, este congresso pretende chamar "os diferentes actores que estiveram envolvidos" na efeméride. Eduardo Franco salienta que"procuramos envolver instituições de várias identidades ideológicas"com seminários, mostras gastronómicas e exposição de indumentária religiosa.
(Luís Filipe Santos In Ecclesia)
Para mais informações visite o site: http://www.congressoordens2010.net/
Imparcialidade...
G. K. Chesterton, tirado daqui
Os deputados da 1ª República Portuguesa: Inquérito prosopográfico
Este artigo apresenta os resultados do 1ºinquérito prosopográfico, que incide sobre o conjunto dos deputados da 1ªRépublica Portuguesa, realizado no âmbito de um projecto de investigação ainda em curso: O Recrutamento Parlamentar em Portugal, 1834-1926, dirigido por Pedro Tavares de Almeida. Este artigo tem como fonte principal a obra: Parlamentares e Ministros da 1ªRépublica (1910-1926) coordenada por AH de Oliveira Marques e co-editada pela Assembleia da Republica e edições afrontamento em 2000.
A mudança abrupta de regime ocorrida em 1910, implicou uma profunda depuração e substituição da “classe politica”, mormente a nível parlamentar. Globalmente apenas 48 deputados (6,4% do total) da Republica tinham frequentado os lugares institucionais do poder no regime anterior. Na sua maioria, estavam na oposição republicana. Apenas na legislatura sidonista (1918-19) em que Monarquicos e Católicos ocuparam mais de ¼ dos lugares do hemiciclo, se observou um retorno de um numero expressivo de políticos do regime deposto, ascendendo a 17% a proporção daqueles que tinham ocupado cargos públicos antes de 1910.
Independentemente dos ADESIVOS (da minha autoria) de monárquicos ao regime, presente na História Politica da 1ªRépublica de David Ferreira (isto a meu ver), a renovação da elite politica foi profunda, implicando mudanças significativas no perfil social. O resto do artigo dá-nos importantes informações, que, procurarei sintetizar. A maioria da classe politica a nível ministerial e parlamentar nasceu na província, em meios pequenos. A maioria dos deputados da 1ªRépublica fez a sua iniciação na vida parlamentar quando tinha menos de 41 anos. A esmagadora maioria dos deputados tinha uma elevada formação académica. Relativamente as profissões os juristas ocuparam grande destaque. Relativamente ao cursus honorum politico dos deputados, a esmagadora maioria dos deputados fez a sua estreia parlamentar sem ter qualquer experiencia no poder, ao contrario do que se sucedia na maioria dos outros países europeus. Relativamente a carreira parlamentar era precária e de curta duração. Conclusão durante a 1ªRépublica as carreiras parlamentares foram curtas e instáveis, porem, a analise espacial de representação politica nesse período revela um elevado grau de solidez e estabilidade dos vínculos territoriais dos deputados. Ampla maioria dos seus membros tinha uma ligação ao circulo por onde foram eleitos. A mobilidade dos mandatos parlamentares foi relativamente fraca.
terça-feira, 16 de junho de 2009
As repúblicas não são eternas
Para aqueles que de forma sobranceira me perguntam quais as motivações para esta minha teimosa militância pela monarquia, que aspirações me movem para tão exótica causa, tão incómoda e excluída da “agenda politica”, eu respondo que o faço por uma questão de responsabilidade: a responsabilidade que me cabe para com a continuidade desta “utopia” no seu sentido mais nobre: o sonho dum Portugal com futuro.Conheço alguns ilustres “compagnons de route” que optaram por “congelar” o seu ideal monárquico, imbuídos dum pseudo-realismo e embrenhados na espuma dos seus projectos pessoais, políticos ou profissionais. Tenho pena: eu sei como é difícil apregoar esta ingrata causa que não favorece carreiras ou comendas. Reconheço que a mensagem embate numa implacável “agenda mediática” que emerge do espectáculo popularucho e da mesquinha contenda política, das conveniências corporativas e interesses imediatos.
Não nego a evidência de que hoje os grandes males que Portugal padece são profundos e estão a montante da questão do regime. Como em 1910 as instituições estão descredibilizadas e não funcionam. Os portugueses, habituados ao assistencialismo e pouco atreitos a responsabilidades, parecem conformados com um medíocre destino, cuja perspectiva não passa do amanhã. E temos a merdização do debate político, com a gestão da rés pública ao nível do chão. Deste modo e dentro das minhas limitações, não prescindo de intervir de dentro do sistema em favor da minha comunidade e pelo futuro do meu país, com a liberdade que esta república me proporciona. Mas não me passa pela cabeça hipotecar as minhas mais profundas convicções.
Acredito profundamente na monarquia, na instituição real como a solução mais civilizada para a chefia dum Estado europeu e quase milenar como é o nosso. Num tempo de relativização moral, de fragmentação cultural e enfraquecimento das nacionalidades, creio mais que nunca na urgência duma sólida referência no topo da hierarquia do estado: o rei, corporização dum legado simbólico identitário nacional, garante dos equilíbrios políticos e reserva moral dum povo e dos seus ideais. O rei, primus inter pares, é verdadeiramente livre e por inerência assim será o povo.
Sou modesto: espalhar a doutrina e "fazer" mais monárquicos é o meu único objectivo. Que floresça nas mentalidades o sonho duma nação civilizada e de futuro, ciosa da sua identidade e descomplexada da sua História. De resto, o seu curso é sempre imprevisível e, quem sabe um dia, num instante tudo poderá mudar.
Grandes Obras
A aposta em infra-estruturas destas é SEMPRE política, não racional. Recordo-me dos estádios de futebol que estamos todos a pagar…
Determinadas obras, para além dos fins políticos, presuntivamente fomentadores da Economia, servem essencialmente os interesses das grandes empresas de construção civil, que ocupam um lugar relevante na economia portuguesa e no emprego de emigrantes não qualificados.
Qualquer gestor minimamente capaz sabe que um qualquer projecto obedece a várias regras de boas práticas, podendo ser suficientemente abrangente para se equacionarem interesses públicos. Em Portugal determinam-se interesses políticos, aos quais se adaptam os diferentes aspectos da realidade. Deste modo, o governo legitima-se indirectamente pelas eleições para endividar o país para muito além da legislatura sem proveito real.
É menos poluente? Não. É mais rápido? Não. É mais expedito? Não. Assenta em infra-estruturas existentes? Não.
Adiante.
Siga.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Salazar e o Rei ( que não foi )
Salazar e o Rei (que não foi) é a história secreta da relação de amor/ódio que existiu entre os monárquicos portugueses e o Estado Novo. É por isso uma obra cheia de surpresas e revelações. Quando um dia se escrever a crónica melancólica da monarquia e dos monárquicos portugueses do século XX e, mais do que isso, quando for possível descrever com verdade o que o próprio salazarismo representou, este livro de Fernando Amaro Monteiro virá decerto a constituir uma fonte fundamental para ambas as empresas. Não houve episódio significativo de que o autor não desse notícia, documento que não investigasse, intriga ou mistério que não procurasse esclarecer. E os leitores conhecerão, ao lê-lo, toda a panóplia dos sentimentos possíveis: admirar-se-ão algumas vezes, indignar-se-ão outras, acontecer-lhes-á mesmo rir ou comover-se.
A imagem de Salazar, olhada do ponto de vista da monarquia, é na verdade muito curiosa e, sob vários aspectos, devastadora. É certo que não encerra os lugares comuns do ditador facínora, culpado de todos os males passados, presentes e futuros do país, mas deixa, em pequenas pinceladas, o retrato de um homem seco, que acreditava em poucas coisas e em ainda menos pessoas, e que se dispunha a enganar uns e outros para ganhar o direito de permanecer.
Com a sua extraordinária capacidade de dar a ver algumas cenas que ficam como verdadeiros momentos simbólicos, com a sua determinação de deixar «falar» os documentos, este novo livro de Fernando Amaro Monteiro não é apenas mais um trabalho sobre uma época reconhecidamente controversa – é uma obra que permite olhar esse período a uma luz completamente nova, é em suma um livro que fará data.
MCH
domingo, 14 de junho de 2009
Um Humanista na República de Salazar - Aristides de Sousa Mendes

ARISTIDES DE SOUSA MENDES
Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches nasce, na Casa do Aido, em Cabanas de Viriato, Concelho do Carregal do Sal, aos primeiros minutos do dia 19 de Julho de 1885; alguns minutos antes tinha visto a luz do dia o seu irmão gémeo, César, filhos do juiz Dr. José de Sousa Mendes, descendente de lavradores abastados da vizinha aldeia de Beijós, originários da Muxagata, e de D. Maria Angelina Paes do Amaral de Ribeiro Abranches, da nobre Família dos viscondes de Midões, senhores do velho morgadio do Aido, cujas relações familiares estreitas permitiram que aí nascessem.
Aristides pertenceu a uma família aristocrática, católica, conservadora e monárquica - (ele também católico e monárquico). Seu pai era membro do supremo tribunal.
Recusou-se a seguir as ordens do seu governo (o regime de Salazar) e concedeu vistos a refugiados de todas as nacionalidades que desejavam fugir da França em1940, ano da invasão da França pela Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial. Aristides salvou dezenas de milhares de pessoas do Holocausto. Foi o "Oskar Schindler português" (comparação pouco reconhecedora do facto de Aristides ter salvo um número muito superior de pessoas do que Schindler).
Uma proposta para uma república em festa permanente há 99 anos

sexta-feira, 12 de junho de 2009
Levaram as jóias...
Além, óbvia e principalmente, dos ladrões, a culpa pelo sucedido foi: das autoridades culturais e policiais dos Países Baixos – que, além de não terem implementado as mais eficazes medidas de segurança, terão mostrado pouco interesse e empenho na resolução do caso; e de quem autorizou, em Portugal, a cedência de tesouros nacionais tão valiosos sem - confirmou-se depois – estar devidamente assegurada a sua protecção. E de não muito valeu a indemnização que se recebeu e o que se fez posteriormente com ela.
Este foi mais um exemplo do desinteresse, do desleixo, da displicência com que frequentemente as instituições da república tratam as heranças da Monarquia. A não ser, claro, quando aquelas precisam destas para «comemorar» o centenário do golpe de 5 de Outubro de 1910... admitindo, implicitamente, que nada de muito importante, justificativo de ser «celebrado», aconteceu nestes últimos cem anos. O «novo» Museu dos Coches e a «renovação» da Praça do Comércio, e respectivos «cortejos» de dúvidas e de suspeições, constituem dois exemplos recentes e bem conhecidos desse abuso.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
À Espera da Liberdade
Em 1914 o governo da república portuguesa, pressionado de fora e de dentro, exposto à censura da imprensa internacional, decretou uma amnistia para os presos políticos. A campanha da imprensa estrangeira, que dedicava desveladas atenções aos presos políticos portugueses, tocara os dirigentes republicanos no seu ponto mais sensível. Se havia coisa de que se ufanavam era de serem os representantes em Portugal das ideias modernas e dos ideais humanitários dos povos mais “civilizados”. Mas em vez das palavras elogiosas que ambicionavam ler na imprensa francesa, inglesa ou alemã, o que encontravam com deprimente frequência eram denúncias de prisões injustificadas e de maus tratos aos presos políticos. (...) quarta-feira, 10 de junho de 2009
As tricas políticas no 10 de Junho republicano

Das comemorações oficiais do 10 de Junho, aqui deixamos algumas notas:
1. A parada.
Tal como estamos há muito habituados, um péssimo enquadramento do desfile. Mau cenário, pouco espaço e sobretudo, pouco público. A escassez de efectivos evidenciou-se uma vez mais, nestes tempos de contenção orçamental.
Notas positivas: a inédita apresentação das históricas bandeiras nacionais, com relevo especial para a última, a azul e branca. Da actual, nenhuma e ainda bem, embora tivesse surgido subrepticiamente nos estandartes das unidades. Como deve ser. Os Meninos da Luz montando belíssimos cavalos brancos, bem tratados e sempre acarinhados pelo público presente.
O novo equipamento apresentado, com viaturas flamantes de novas, desde os Pandur aos gigantescos panzer Leopard II, deveras impressionantes. Não se prevêem avarias em público, pelo menos nos anos vindouros.
Um aspecto a destacar, consiste no aspecto aguerrido e bem equipado das unidades especiais das Forças Armadas, afinal, o que verdadeiramente importa.
Notas negativas: o péssimo marchar das tropas em geral - nem sequer existindo uma uniformidade no passo, bastas vezes descoordenado - , num ritmo triste, lento, quase de aprendizes. Sugestão: contratem instrutores dos nossos "novos aliados" do leste, ou em alternativa, russos ou chineses.
Ausência da presença de um passado que aliás, as Forças Armadas agora comemoram. Mais exactamente, nota-se a falta de uniformes dos tempos da guerra de libertação contra Bonaparte. Faça-se essa justiça em 2010, ano da vitória. Este tipo de eventos deve ter um carácter didáctico e cívico.
2. A sempiterna e escusada polítiquisse.
Foi evidente o mal estar existente entre alguns órgãos de soberania, destacando-se a atitude pouco correcta do actual residente de Belém, que não conseguiu esconder o seu desdém pela figura do seu primeiro-ministro, ignorando-o ostensivamente. Pelo menos, foi o que a televisão mostrou ao país e escandalizou o meu amigo, prof. Serras Gago. No rescaldo das eleições do passado domingo, o dr. Cavaco Silva já se sente suficientemente ancho para não manifestar o mínimo sinal de cordialidade institucional que o decoro exige. Tem assim início o período de sampaízação das relações entre Belém e S. Bento. Vergonhoso.
Sabendo o que ocorre nas monarquias europeias, desde já temos a garantia que sendo rei de Portugal, D. Duarte II manteria uma perfeita relação de lealdade institucional com o seu primeiro-ministro - fosse ele quem fosse -, pois os monarcas respeitam por regra a legalidade saída do escrutínio popular. Disto não temos qualquer dúvida ou hesitação em afirmá-lo. O tempo o demonstrará, se os portugueses assim o entenderem.
3. Nota final.
O surgimento de bandeiras nacionais azuis e brancas nas varandas de Santarém. O povo começa a deixar de ser tímido e a manifestar flagrantemente o seu patriotismo Finalmente.
"Dia de Portugal"?

terça-feira, 9 de junho de 2009
Tempos e Costumes

Um jornal republicano (O Mundo de 24 de Março de 1915) diz a respeito daditadura do conselheiro João Franco: "Tendo tomado uma feição revolucionária etendo sido violentamente combatido, não demitiu um só funcionário do Estado que exercesse lugar vitalício. Muitos dos seus mais intransigentes adversários, monárquicos e republicanos, eram funcionários públicos, mas nenhum foi por esse motivo destituído".
Continuar a ler no site Plataforma do Centenário da Républica
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Ainda bem?

quinta-feira, 4 de junho de 2009
A república em 1910 e as restrições ao culto religioso

Lisboa, 31-12-1910
Aqui houve algumas Missas da meia noute, entre ellas S. Luiz, onde a Mª das Dôres foi com as Mendonças sendo por bilhetes e à porta fechada. Eu, como havia difficuldade nos bilhetes, fiz como costumo aos Sábados, jantei em casa Mª Archangela, e ali passei a noute. (...)
terça-feira, 2 de junho de 2009
Éticas
Zapatero usa el Falcon para ir a un Mitin en Coimbra
A Ética Monárquica
La Reina viaja a Londres en «low cost»
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Chapeladas obrigatórias?

No Público de hoje, Pedro Magalhães informa-nos acerca do cariz perfeitamente democrático da obrigatoriedade do voto - como na Bélgica, por exemplo -, argumentando com a existência de vinte e nove democracias onde tal se pratica.
Discordo. No nosso país, cuja praxis de democracia parlamentar foi entrecortada por um longo hiato de 65 anos, a obrigatoriedade do voto, surge como um abuso ou prepotência de poder. A ausência de credibilidade das organizações partidárias que se criaram subitamente de forma vertical, deve-se antes de tudo, ao seu contínuo confinamento a redutos de defesa de interesses pouco coincidentes com o da generalidade da população. Simplesmente, o povo não se revê nos dirigentes e pior ainda, nem sequer reconhece um verdadeiro valor aos partidos. A culpa cabe inteiramente a estes últimos que encaram a população como mera serviçal, quando deveria acontecer exactamente o contrário.
Em países onde a democracia é uma forma de organização social que se tornou natural pela educação - espírito cívico - e necessidade de afirmação dos múltiplos sectores que alicerçando-se em ideologias, esperanças e interesses a tornaram querida e possível, a obrigatoriedade do voto tem uma plena correspondência com a defesa da própria coisa pública que entendemos ser A Democracia.
Em Portugal, o artifício da obrigatoriedade de ir às urnas, nada mais é senão isso mesmo. Uma forma de suprir por decreto, a clara ilegitimidade que muitos portugueses decidem atribuir ao sistema, simplesmente não comparecendo à chamada que forçosamente significaria o reconhecer legal de situações impossíveis. Hoje o poder tem medo da flagrante ilegitimidade decorrente de uma brutal falta de quorum eleitoral.
Não! O direito à abstenção faz parte do nosso património de gente livre. Enquanto não existir uma verdadeira democracia - aquela que a república impediu de definitivamente se implantar em Portugal -, a obrigatoriedade do voto é uma vergonha, ou seja, uma outra forma de chapelada eleitoral e de subversão da vontade popular.
domingo, 31 de maio de 2009
Vasco Pulido Valente e o "regime terrorista"
Vasco Pulido Valente em entrevista ao Correio da Manhã e à Rádio Comercial sobre as comemorações do centenário da república:
ARF - Vamos comemorar os 100 anos da República. No livro que lançou, sobre no período de 1910 a 1917, é muito contundente com a I República. Diz que foi um regime terrorista. Vamos andar um ano a chamar heróis a cidadãos que usaram o terrorismo?
VPV - Criaram essa República e que conseguiram a partir de 1913 governar em partido único. Esse partido governou sempre, excepto numas interrupções provocadas por golpes militares, pronunciamentos militares, em que usaram, para se manter, métodos terroristas. E que viveu sempre em guerra com o País, guerra aberta com o País.
ARF - E porque é que se comemoram os 100 anos?
VPV - Eu sei porque é que se vai comemorar isso. Porque a República teve uma reabilitação póstuma, que foi a reabilitação salazarista. Como os republicanos eram contra o Salazar e havia muita gente que era contra o Salazar começou-se a achar que a República era boa porque era antisalazarista. Porque os republicanos, certos republicanos, eram antisalazaristas e começou a criar-se a lenda de que se a ditadura salazarista era má a ditadura republicana, a que ninguém chamava ditadura, era boa. Hoje em dia passa por ter sido um regime muito meritório que não foi. Ainda por cima, o nome oficial da República era República Democrática Portuguesa. Tinha lá aquela coisa, mas aquele democrático estava ali como estava nos países comunistas.
ARF - Coreia do Norte e outros.
VPV - Quase a Coreia do Norte. Não era tanto.
ARF - Vai participar nessas comemorações, já foi contactado?
VPV - Não.
ARF - Não foi porque tem essas opiniões?
VPV - Não.
ARF - Não convém às comemorações dos 100 anos?
VPV - Não sei se convém ou não convém. Mas compreendo que pessoas que queiram comemorar não me queiram. Mas houve uma senhora deputada que me veio falar em nome do senhor presidente da Assembleia da República. E eu expliquei à senhora deputada que já não tinha idade para receber recados por interposta pessoa do doutor Jaime Gama, que eu conheço desde os 18 anos. Portanto, se o doutor Jaime Gama me quiser falar não tinha mais que agarrar num telefone e telefonar-me. Não telefonou mais. E foi o único contacto que eu tive. Lembrei-me agora.
LC - Na sua opinião não devia haver comemorações?
VPV - Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República.
sábado, 30 de maio de 2009
A onda

sexta-feira, 29 de maio de 2009
Entrevista a Vasco Pulido Valente
Grande estreia em televisão… “Anthero – O Palácio da Ventura”, dia 1 de Junho às 21h45
Um trabalho com a assinatura do realizador José Medeiros
Uma equipa de televisão roda em várias localidades do país (S. Miguel, Coimbra, Vila do Conde, Lisboa) um filme inspirado na vida e obra do Poeta e Filósofo Anthero de Quental.
Para Pedro K, o Realizador, a vida e a morte do Poeta serão encenadas pelo olhar de um Grupo de Saltimbancos e pelo testemunho de algumas das personalidades que o conheceram melhor: Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz, Oliveira Martins, Teófilo Braga e sua irmã Ana Quental, cujos pontos de vista, por vezes contraditórios tentarão desvendar alguns dos enigmas que assombraram a atormentada existência de Athero e as completas razões que o levaram ao banco onde, sob a âncora da Esperança, o Poeta descreveu na vida e se suicidou.
A rodagem decorre com as dificuldades inerentes a uma produção de baixo orçamento, mas sem grandes sobressaltos. No entanto para Pedro K este trabalho é mais do que um filme, é uma viagem aos “misteriosos sinais do seu código genético”…
“Anthero – O Palácio da Ventura”, uma obra com argumento de José Medeiros e André Medeiros Palmeiro, baseado num esboço de Vasco Pereira da Costa, imagem de José Fontes, edição de Bruno Correia, direcção de fotografia de Carlos Azevedo, produção de Emanuel Macedo e música e realização de José Medeiros.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
A República das Bananas e dos Cavaquinhos

Neste momento o nosso país está a sofrer as consequências de ser uma república, um presidente que foi primeiro ministro tem neste momento a sua credibilidade política fragilizada graças aos seus laços políticos com gestores e administradores do BPN. Jamais isto poderia acontecer numa Monarquia, em tempos ouviu-se :
AFONSO COSTA – Por muito menos rolou no cadafalso a cabeça de, Luís XVI
Ups quem devia ir a seguir ?
O nosso Rei não !
Este desaconselhável Conselho de Estado...

O Conselho de Estado não é um qualquer órgão decorativo, sem importância real e de escasso valor constitucional. De facto, consiste no derradeiro elo institucional com um passado histórico que fez e consolidou Portugal, tendo surgido no alvorecer da luta pela Restauração da independência. Num momento em que eram escassas as hipóteses de sobrevivência de uma soberania reconquistada pela revolução do 1º de Dezembro, o Conselho de Estado foi instituído por D. João IV, para apoiar e aconselhar o monarca nas grandes e urgentes decisões necessárias para o sucesso na guerra, na reorganização da administração metropolitana e colonial e o gizar do sistema de alianças internacionais necessárias para enfrentar o poderio espanhol. Após o desaparecimento da Coroa em 1910, o Conselho de Estado permaneceu como um núcleo fundamental ao qual têm sido atribuídas as funções que a evolução dos tempos e as novas necessidades de enquadramento no ordenamento constitucional tornaram necessárias.
É um órgão de prestígio e isto, porque uma parte deste advém exactamente do facto de não obedecer à lógica dos confrontos político-partidários, sempre saídos de uma electividade que bastas vezes não é razão suficiente para uma nomeação criteriosa de personalidades capazes e inatacáveis naquilo que é essencial: prova insofismável de serviço público, probidade pessoal e patriotismo.
O Conselho de Estado não beneficia há muito tempo, do antigo lustro que concitava o geral respeito da população que durante séculos aprendeu a encará-lo como um extraordinário organismo onde os grandes interesses da nação estavam a cima de questiúnculas pessoais, partidismos ou defesa de interesses pouco claros. A actual situação é bem diferente e os últimos acontecimentos demonstram-no à saciedade.
Se o presidente não tem poderes para demitir um Conselheiro, pode contudo manifestar a sua posição pública e inequívoca de desagrado perante uma situação de descrédito que mancha a respeitabilidade do órgão, hoje enxovalhado aos olhos da opinião pública. Em reflexo, o dito Conselheiro que é alvo de suspeita, deverá por sua iniciativa solicitar a suspensão do mandato, evitando a insustentável situação de envolvimento de terceiros em conluios, acobertamento de ilegalidades e pior que tudo, comprometimento generalizado de todos os titulares dos órgãos de soberania em episódios onde a sordidez anda companheira do crime. Assim sendo, qualquer atitude no sentido da clarificação é imprescindível, embora tardia.
A república portuguesa ao espelho
Portugal não se liberta: pequenino, é um pátio de comadres, de conivências, jeitinhos, pingas de azeite e tachinhos de arroz.
Imolado o cordeiro, o processo BPN esvaziar-se-á por conta do tempo e do cansaço, com a promoção de uma série de arguidos, que como tantos outros lentamente assimilarão o estatuto como uma segunda pele. Na medida do possível, o presidente desta triste república deveria demarcar-se de toda a confusão: para beneficio da sua imagem, que a do regime verdadeiramente ninguém leva a sério.
"Jobs for the boys"
Lembrando ainda a recente apresentação do projecto arquitectónico para a Praça do Comércio (vulgo Terreiro do Paço) vieram agora os colegas de profissão do Sr. Arquitecto Bruno Soares (o autor do projecto) dar a sua opinião:
"Não foi uma noite fácil aquela que o autor do projecto de remodelação do Terreiro do Paço viveu na terça-feira na Ordem dos Arquitectos. A apresentação do seu trabalho foi brindada com uma chuva de críticas por parte dos seus pares, que não gostaram nem dos losangos que desenhou para a placa central nem dos degraus que ele quer fazer a separá-la do rio." escreve o Publico hoje
Eles realmente não gostaram..mas não foi do desenho (que apenas se trata de uma questão de gosto) mas sim de:
“O projecto ainda está aquém do que desejávamos. E isso causa-me tristeza e mágoa”. Mesmo não tendo encerrado o debate, as palavras de Carrilho da Graça exprimiram a desilusão dos arquitectos que também gostavam de ter sido convidados a redesenhar o Terreiro do Paço.
Gostavam de ter sido convidados!?
As criticas resumiram-se aquilo que foi mais duramente criticado na blogosfera..os losangos (com uma achegas do carácter fascizante do projecto em geral...a fazer recordar o Estado Novo).
Mas nada foi dito sobre a utilidade em si do projecto para os lisboetas ou para os 4 milhões de pessoas que diáriamente atravessam Lisboa e lá habitam durante 10 horas...o que interessa é todos partilharem o "bolo" "tacho" ou "gamela" como o povo tão justamente afirma
E assim vai a ética republicana à frente dos destinos do bem comum.
Não é de admirar que uma das principais criticas dos contemporâneos de D. Carlos tenham incidido na restrição da atribuição de honrarias (medalhinhas e comendas) e cargos politicos aos mais capazes (que eram escassos) e com critérios rigidos.
Na verdade já em finais do sec XIX a classe politica havia-se habituado a dividir entre si o Bem Comum em deterimento do Povo, sem que o Rei pudesse fazer algo para o impedir e evitar.
Tentou estoicamente D. Carlos, com o custo da própria vida, corrigir o mal instalado.Mas a ética republicana já se havia instalado nos corredores do Poder.
Longe de se ter inaugurado em 1910 , a Republica era já uma senhora velha quando se deu a revolução de 5 de Outubro.
Com 1910 não se diminuiram as honrarias ou atribuição de comendas e ordens (que ainda se fazem com as mesmas denominações do tempo da monarquia), não diminuiu a despesa pública (o Presidente Português gasta mais 60% do que a Rainha de Inglaterra), não diminuiu os vários abusos de Poder por parte de quem é eleito, não se diminuiu a influência temporal de quem exerce o Poder (muitas vezes ilegitimamente vai dando "dicas" e promovendo a instabilidade)) ,não se aumentou a riqueza nacional em termos absolutos (o aumento que tivemos foi importado do resto da europa , Portugal não é uma ilha isolada),não se diminuiu a quantidade daqueles que vivem directamente do érario publico...
Mau serviço fazem os poderes quando atribuem sem concurso público e sem critérios de eficiência a reformulação da principal praça da Capital (ainda é a Capital)a uma pessoa e mau serviço faz a Ordem dos arquitectos ao invés de apontar as ilegalidades e abusos clamar ofensa por não ter recebido a sua quota parte , tal corsário do sec XVII que apenas vive da pilhagem
...nada se diminuiu, antes se aumentou o Poder discricionário daqueles que ,advindo do povo e conhecendo as misérias e incapacidades da população, disso abusaram em proveito próprio, nem pensando duas vezes em retirar pelo assassinato o único obstáculo que conheceram nos últimos 100 anos, que foi o Rei.
Quando se fala em projecto para a Praça do Comércio, não é de desenhos que se fala.É de uma certa forma de proceder e governar o Bem comum que conhecendo as fraquezas económicas e sociais (que aumentam todos os dias) insiste em decidir unilateralmente como devem os cidadãos viver.
Tal Maria Antonieta que ás portas da morte afirmava, que se o povo não tinha pão que comesse croissants , assim são estes projectos...croissants gigantescos para um povo que já conta os cêntimos para comprar o pão de cada dia
bem haja
terça-feira, 26 de maio de 2009
Nós os modernos...
* Helena Matos no Público e retirado daqui
segunda-feira, 25 de maio de 2009
A ética republicana
Helena Matos no Público retirado daqui
Nota: Há uma diferença: o Espírito Santo explica-se e opera milagres, a ética republicana é comprovadamente um mito.
sábado, 23 de maio de 2009
O Anti-Republicanismo de Antero de Quental - Parte 1

Este anti-republicanismo não surpreende. Já em Março de 1873, isto é, na conjuntura em que se procurava lançar a União, receava que os «republicanos lunáticos» (nome por que era conhecido um grupo que, liderado por Oliveira Marreca, se reunia no Pátio do Salema) tivessem conseguido captar o apoio de Alexandre Herculano para um acto eleitoral: «Escrevo à pressa», noticiava a Martins, «por isso só sumariamente lhe direi que o Herculano, saindo da con cha agrícola [isto é, de Vale de Lobos], está entusiasmado por uma grande reforma, toda municipal, com bases democráticas (!) e, quanto posso conjec turar, a vinda dele agora a Lisboa tem talvez por fim entender-se com Marreca e c.a (que tratam de formar partido republicano) para esse fim788.»
Mas esta vigilância começou a dar um maior relevo aos movimentos da corrente federalista, onde, de um modo mais consequente, o radicalismo político se juntava ao positivismo e ao moDismo naturalista. Compreende-se. Este sector integrava Teófilo Braga e alguns antigos companheiros de Antero, e era o que tinha mais pretensões reformistas. Em 22 de Junho de 1873, criou o Centro Republicano Federal de Lisboa e lançou o jornal O Rebate, cujo primeiro número (29 de Junho) inseria o respectivo programa. O paladino da União Democrática Portuguesa reagiu imediatamente, acusando a iniciativa de querer caçar no seu próprio terreno. Daí O teor deste desabafo, feito ao amigo e confidente Oliveira Martins: «Envio-lhe o primeiro número dum jornal do Teófilo, que me mandou o [José] Fontana. É um documento! Que programa!, tiraram ao acaso frases do nosso e amalgamaram-nas com asneiras da própria lavra. Veja também o artigo de fundo, espécime Teófilo tout puro tolo e malévolo. Lá se insinua que os homens da evolução (somos nós) são meros sedentários e inactivos... Que diz a isto?, e que lhe parece duma república feita por esta boa gente?» 789
Com efeito, sob o entusiasmo da revolução espanhola e com a vis jacobina que alimentava o movimento, o articulista anónimo - Teófilo, segundo Antero - escrevia: «Temos porém um equívoco em que laboram os homens de boa-fé [referência a Antero e a Oliveira Martins], sedentários e apáticos: não poderá ser substituída a revolução pela evolução?» E a esta pergunta respondia, com os olhos postos na denúncia dos que desvalorizavam da questão do regime: «Não podemos opor às instituições anacrónicas, que ainda subsistem, a simples inércia da evolução. É preciso alguma coisa de mais forte; depois que se examinou a nau e se reconheceu que não estava capaz de navegar, em vez de deixá-la apodrecer sobre a areia meta-se-Ihe o machado e utilize-se o que tem préstimo para outros fins. É este processo lógico o que se chama revoluçã079o.»
A pedra-de-toque entre o republicanismo e o socialismo começava a tomar -se evidente. E, no terreno dos acontecimentos, Antero sentia-se aliviado com o facto de o exemplo de Castelar e de Pi y Mar~all não se ter propagado a Portugal. Mas isso não afastava os seus receios. E que, como escrevia, ainda em 1873, «o pior que nos pode acontecer é sermos amanhã república. Seria um 48, mas sem o talento, o entusiasmo, o idealismo do outro; um 48 chato»791. Saudava, por isso, a rápida passagem do «arrepio causado pela proclamação da república em Espanha»792. Mas, em sua opinião, o facto de, nos centros republicanos, não se encontrar «um homem nem uma ideia»793 tomava o movimento antidinástico ainda mais perigoso.
Este procedimento crítico foi-se definindo a um ritmo tal que, em Setembro de 1873, congratulava-se com a circunstância de a «fantasia republicana» estar «desfeita de todo no nosso grupo socialista», dando «por isso muitas graças a Deus»794. Todavia, tinha a consciência de que as suas ideias e acções passadas continuavam a suscitar equívocos quanto à questão do regime. No artigo «A República e o Socialismo» (1873)195 procurou esclarecê-las. O que não bastou, como se prova pelo desenrolar dos acontecimentos. Aquando do banquete comemorativo (25 de Março de 1876) da consolidação da III República francesa, foi convidado para participar no ágape congratulatório. «Sabe que», dizia, em evidente ironia, ao autor da Teoria do Socialismo, «há aqui grande faina de organização e reorganização de partidos: o republicano está finalmente constituído e com gente séria e tende a engrossar. Deu banquete e abriu centro [referência à fundação do Centro Republicano Democrático de Lisboa]. Ora eu fui convidado para o banquete, e não fui ao banquete; convidado para o centro, e não vou ao centro. Sou, pois, grande traidor! Como isto me aborrece e, por outro lado, estou convencido de que todo este radicalismo (os históricos e reforrninhos estão aqui estão republicanos) é absurdo, estéril, perigoso; como, ainda por outro lado, acho que é caso de consciência esclarecer sobre tudo isto os nossos amigos socialistas e preveni-]os contra a propaganda republicana que os trabalha; tomei uma resolução: boto folheto!»
Apesar de, no artigo citado, ter esclarecido o que pensava sobre as diferenças entre o socialismo e a república, sentia não haver sido compreendido. E a ameaça jacobina impunha a necessidade de se quebrar «com os republicanos, e eu estou resolvido a fazê-lo em voltando a Portugal [Antero encontra-se, então, nos Açores). Já esbocei para essa execução um folheto com o título: "Os Republicanos perante a República"». E, referindo-se ao grupo União Democrática Portuguesa, precisava: «urge que ninguém nos tome nem por jacobinos nem por comunistas.» Como não cumpriu aquele desígnio, três anos depois voltou a ele, mas novamente se ficou pelas intenções. Por conseguinte, continuou a sentir a necessidade de «botar folheto», isto é, de explicar à opinião pública como era socialista e por que é que, do «ponto de vista socialista, todos os partidos são estéreis, e como o repub1icanismo hoje e aqui é uma quimera. Digo por uma vez o que penso e saio duma situação equívoca que me incomoda», Fá-lo-ia num opúsculo que se iria intitular O Socialismo e os Partidos. Por razões que se desconhecem, mas que devem estar ligadas ao agravamento do seu estado de saúde e à sua ida para Paris, este texto também nunca conheceu a luz do dia. Em 1878, voltava a reagir contra as más interpretações do seu pensamento político: um pequeno grupo republicano-federalista, ou melhor, republicano -socialista (de Alcântara), propô-lo como candidato pelo círculo 98 (sê-Io-á, no ano seguinte, mas numa candidatura socialista); obviamente que não aceitou, tendo respondido «que achava equívoca a expressão republicano-socialista, e como este equívoco praticamente me parece perigoso, só aceitaria a dita candi datura com o carácter exclusivamente socialista, com toda a reserva da questão política e em completa isenção do movimento republicano actuaL.. Não sei o que pensarão e dirão os republicanos. Talvez seja uma ocasião de me explicar sobre a delicada distinção entre socialista e republicano, e de sair de uma vez por todas dum equívoco que me pesa».
O Anti-Republicanismo de Antero Quental - Parte 2
Por exemplo, o jornal do grupo de Teófilo Braga e Carrilho Videira escrevia (anonimamente): «O Sr. ,Antero de Quental publicou finalmente o prometido manifesto aos eleitores. E um documento curioso e que dificilmente se acreditará que fosse escrito pelo autor das Odes Modernas. Nós tributamos a mais sincera admiração pelo Sr. Antero das Odes Modernas, e por isso custa-nos a crer que o antigo poeta revolucionário escrevesse aquele monstruoso agregado de palavras e frases, com que nada prova a favor do seu socialismo. Faz diversas afirmações, confundindo todos os grupos monárquicos e republicanos, sem apresentar prova alguma do que avança, e chamando burgueses a todos os que não pensam como ele. Que entende o Sr. Antero de Quental por burgueses? Francamente não o sabemos; pois que um grande número dos republicanos é formado pelos proletários, pelos operários que vivem do rude trabalho manual.» E, fazendo uma referência concreta à origem social do poeta e dos seus proventos financeiros, rematava: os proletários republicanos, «para o Sr. Antero de Quental, são burgueses, ao passo que ele próprio, que vive dos seus rendimentos sem trabalhar, como proprietário rico, considera-se como proletário!» e acordo com este anátema, o poeta socialista havia passado de correligionário a inimigo a bater. Em 1876, Carrilho Videira - um dos mais aguerridos activistas do republicanismo federalista - já o tinha apelidado de «grande traidor». Mas, com aquela proclamação eleitoral, os vitupérios atingiram o auge. «Os federais», explicava a Martins, «a quem a existência do socialista incomoda altamente, abriram contra mim uma campanha de insinuações muito tolas, com o fim de me demolirem no conceito dos operários, persuadidos que, demolido eu, acabaria o socialista.>> E estes ataques não se limitavam a contestar o seu pensamento - Teófilo tenta-o na sua História das Ideias Republicanas em Portugal (1880)807 -, mas desciam ao terreno da injúria, pois chegaram a afirmar que, ética e psicologicamente, ele era um «céptico»,«um bocado cínico», que andava a «desfrutar os operários», para se rir «deles com os amigos». E Antero não tinha dúvidas quanto à origem da campanha: todas as atoardas saíam do «laboratório merdoso do Teófilo». Não surpreende este choque directo entre o poeta e os republicanos-federais: estes eram os que mais íntimos contactos mantinham com o associativismo popular (lisboeta) e, no plano doutrinal, eram os mais receptivos à questão social; por outro lado, alguns deles haviam militado com os socialistas. Ora se, antes de 1871, o projecto federalista, ainda que subordinado à solução do problema social, havia seduzido Antero, a sua maior consciencialização acerca dos elos existentes entre as séries (a série económica e a série política), a fundamentação organicista do seu modelo social e a própria lição que ia recolhendo dos acontecimentos fizeram-no rever o entusiasmo federalista e compreender que a questão do regime era de somenos na transformação da vida social. O radicalismo populista daquela tendência seria ainda mais perigoso do que a do republicanismo moderado. Exigia-se, por isso, uma luta sem tréguas contra todas as formas de jacobinismo, imperativo que terá aumentado com as tentativas de unificação do movimento (1876) e com o aparecimento de textos que visavam fundamentá-lo à luz dos ditames da filosofia positivista e do cientismo em geral.
De facto, na segunda metade da década de 70, Teófilo Braga, que já gozava de grande prestígio como intelectual, lançou-se numa teorização apostada em justificar e em unificar o republicanismo português. E, se Antero era visto como o maior ideólogo da corrente socialista, não se estranha que aquele o tivesse escolhido como seu adversário principal, tanto mais que entre ambos existia uma evidente rivalidade no que respeita à liderança de um novo «poder espiri tual» emergente - o poder dos intelectuais.
Fosse em termos sociocráticos (Teófilo), fosse a partir de uma funda mentação ético-metafísica, os intelectuais, reactualizando a ideologia cívica da «república das letras», actuavam como novos deres, ao reivindicarem para si, e geralmente contra a Igreja, um novo poder espiritual, assente na razão crítica e na ciência, e que devia iluminar o poder temporaladequado às sociedades científico-industriais. Isto implicava a redução da política a uma mera arte (de aplicação), prática que, sem a luz dos grandes princípios - que só eles, qual vanguarda, poderiam fornecer -, ficaria nas mãos de uma burguesia medíocre. Porém, neste terreno, por mais antiéticas que tenha sido as suas posições, Antero e Teófilo não divergiam tanto como pensavam. E alguma da animosidade que, a partir de 1872, existiu entre ambos também não é indissociável da luta interna pela hegemonia no interior dessa «república» e do novo poder «intelectual» e «moral» (Renan). Com efeito, se o positivista e republicano criticava o poeta metafísico e socialista (que, para muitos, era o guia espiritual da geração), Antero também não poupava o «merdoso do Teófilo», aplicando -lhe, entre outros epítetos, os de «Dr. Caos»8IO e «Marat de soalheiro»
