sábado, 17 de outubro de 2009

Cronologia da república - 17 de Outubro

1910

  • Distúrbios na Universidade de Coimbra
  • Dec.-D.G nº11 Abolido provisoriamente o lugar de reitor do liceu

1911

  • O governo pede a assembleia para suspender a constituição para julgar monárquicos
  • Criação de um tribunal especial “Tribunal das Trinas”

1915

  • Greve dos operários de construção civil
  • Greve dos polidores de móveis

Fontes: aqui

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Saudade de João Camossa


Faz hoje 2 anos que faleceu João Carlos Camossa Saldanha. Homem invulgar e cativante, foi fundador do Centro Nacional de Cultura (e seu presidente em 1949)* e do Partido Popular Monárquico. Que saudade. Ele foi um dos culpados pela minha adesão à causa monárquica. João Camossa "nasceu" monárquico. O seu pai, o capitão-mar-e-guerra Augusto Saldanha, foi um dos resistentes ao 5 de Outubro de 1910, o que lhe valeu a prisão e muitos dissabores na carreira militar e na vida familiar. Os seus argumentos, simplicidade e emoção oratória não deixavam ninguém indiferente. Era um homem de histórias que adorava as tertúlias e a conversa inteligente. Não o revejo em nenhuma das actuais figuras políticas nem nesta moralidade e costumes. Não deve ter sido por acaso o seu alheamento do (recente) PPM e dos "lugares" que lhe ofereceram. Costumava dizer-me, no seu tom irónico, que se ele fosse "republicano" um "dedinho" do que ele dizia já lhe tinha dado direito a uma comenda!
Pelos seus ideais e pelas causas que o moveram, ergo uma homenagem ao João Camossa. Que as saudades que deixa sejam força para continuar a lutar por um verdadeiro Portugal.

* O Centro Nacional de Cultura tem em agenda uma homenagem a João Camossa no início de 2010.

Cronologia da república - 16 de Outubro

1911

  • Afonso Costa defende a intransigência com os inimigos da Republica
  • 55 pessoas são presas sob a acusação de tentarem derrubar a Republica
  • Incursão realista no norte de Portugal

1913

  • É fechado o jornal “7 de Julho” de Chaves

1915

  • Portaria determinando a colocação de bustos da república em todas as salas de audiência dos tribunais

1918

  • Ataque aos presos do levantamento de dia 12, registando inúmeras mortes e feridos

1921

  • É fechado o jornal “Voz de Guimarães”

1925

  • Decreto 11154 extingue a repartição central da secretaria do governo civil de Lisboa

Fontes: aqui

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Engorda


O tempo passa e os cidadãos nem reparam no peso deste regime. Não estamos a falar de gramas. Estamos a falar de toneladas. A República passou a ser o Estado. O Estado passou a imiscuir-se na política legislativa. A independência entre o Estado e a política, ou um Estado independente, apolítico, não existe em República. O Estado passou a ser um assunto "privado" ou arrendado de 5 em 5 anos. A República está a engordar e a arrotar caprichos vai para 100 anos. E pesa, descaradamente. Até quando os cidadãos vão querer alimentar este regime?


** Adenda, para os mais sensíveis: esta foto montagem procura ir ao encontro da alegórica-República, a mesma que passou a personificar o regime da mama e que foi mandada colocar, por decreto, em tudo quanto era sítio, e que, como tal, é esculpida de peito ao léu. Acontece que, nesta foto actual, a República já está gorda de tanto fartar.

Fazer história

O jornal O Diabo publica na sua última edição uma selecção de posts deste blogue, numa iniciativa que deve honrar os seus autores. No mesmo sentido vem a grata notícia de que a Plataforma do Centenário da Republica nos últimos tempos duplicou a media de vistas diárias: estamos certos com o aproximar da triste efeméride o nosso esforço ganhará mais relevância.

Cronologia da república - 15 de Outubro

1918

  • Confrontos bombistas em Lisboa
  • O comandante do regimento de cavalaria 5 em Évora é assassinado em Évora

1920

  • É fechado do jornal “A bandeira vermelha” de Lisboa

Fontes: aqui

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

XII – LISBOA “REPUBLICANA” (3)

Em balde as empresas substituíram títulos regalengos de T. de D. Maria II, D. Amélia, Príncipe Real, etc., por outros mais consentâneos da nova idolatria populacheira. A gente de dinheiro não sai de casa, ou debandou para a província, e quanto à outra, como há quase dois meses não trabalha, claro que não tem dinheiro para espectáculos, e engana o estômago fazendo demonstrações festivas aos mandantes, e mesmo nos intervalos desta a si mesma…»

ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 31-32.

Cronologia da república - 14 de Outubro

1924

  • Encerramento de várias casas comerciais contra a legislação sobre impostos
  • Tumultos no Porto e em Espinho contra o lock out

Fontes: aqui

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Viva a Monarquia Socialista Açoriana

E não é que a familia ganhou?

Cronologia da república - 13 de Outubro

1911

  • Afonso Costa visita os jesuítas detidos em Caxias

1917

  • Decreto 3458 cria a taxa de guerra aplicada nas colónias
  • É fechado o jornal “O mundo” em Lisboa
  • Lutas entre militares e polícias em Lisboa

1918

  • Declaração do estado de emergência pelo governo
  • Assalto ao jornal “O Mundo”
  • Assalto ao clube democrático dos fenianos no Porto
  • Assalto a sede “A Montanha” no Porto

1921

  • O partido democrático declara-se em oposição ao governo

Fontes: aqui

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Cronologia da república - 12 de Outubro

1910

  • Conflitos entre Republicanos
  • Os carbonários exigem que o seu símbolo: as cores verde e vermelha com o escudo e a esfera sejam a bandeira nacional

1911

  • Prisão de 142 monárquicos, na tentativa de derrube da república, no norte
  • Incursão de grupos monárquicos armados

1916

  • É fechado o jornal açoriano “O Dia”

1918

  • Tentativa parlamentarista de derrube da república em Coimbra, Évora e Vila Real
  • O decreto 4891 suspende a constituição
  • Tentativa de derrube da república em vários pontos do País

Fontes: aqui

domingo, 11 de outubro de 2009

Cronologia da república - 11 de Outubro

1910

  • Detenções por suspeita de jesuitismo em Almada

1922

  • Greve geral de marítimos de longo curso

1923

  • Pescadores e Armadores protestam em Lisboa contra o vandalismo espanhol em águas nacionais
  • Greve geral de marítimos de longo curso

1924

  • É fechado o jornal açoriano “A voz do campo”

Fontes: aqui

sábado, 10 de outubro de 2009

A ética será republicana?

Esta é uma ideia cara aos nossos presidentes da República que, perante o calendário de feriados predominantemente religiosos fazem questão, uma vez chegado o 5 de Outubro, de recordar ao país a importância da ética republicana. Cavaco Silva não foi excepção. Não duvido que os presidentes da República que temos tido defendam a ética da República mas daí a dizer-se que existe a ética republicana vai um passo demasiado largo. E no caso português perigosamente largo. Em primeiro e mais óbvio lugar porque não é o facto de o regime ser republicano ou monárquico que o torna mais ou menos ético. Portugal é uma república e a Suécia e a Holanda monarquias mas no que à ética da vida política e pública respeita temos muito a invejar aos súbditos de Carlos Gustavo e de Beatriz. Em segundo lugar esta associação entre a ética e a natureza republicana do regime envenenou-nos todo o século XX e ameaça-nos o XXI pois incapazes que somos de dissociar a ética da República esquecemo-nos da primeira para não nos malquistarmos com a segunda. A nossa incapacidade de debatermos o regicídio, a noite sangrenta ou, no pós 25 de Abril de 1974, a descolonização resultam em grande parte desta atávica associação entre a natureza do regime e a ética da sua classe dirigente. Onde estava em Novembro de 1975, a ética dos militares e políticos portugueses que, como relata Leonor Figueiredo no seu livro “Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola”, deixaram para trás nas prisões e campos de concentração de Angola cidadãos portugueses que tinham sido raptados pelo MPLA?

Enquanto os factos menos nobres praticados na República, a corrupção e o falhanço da Justiça continuarem a ser vistos como notas de rodapé na exaltação mais ou menos folclórica da ética republicana continuaremos reféns daquela divisão jacobina do mundo que envenenou a I República e que, de sinal contrário, se prolongou no Estado Novo, aí com a tentativa inversa de transformar em boa a ditadura com o argumentário da honestidade pessoal de quem a chefiava. A República que somos será mais ética não por ser república mas sim por ter entre os seus políticos e na sua administração quem não veja na condição republicana (tal como outrora o viram na condição monárquica ou em “ser da situação”) um atestado de impunidade.

Helena Matos 8 de Outubro, 2009 no Público

Cronologia da república - 10 de Outubro

1910

  • 46 padres presos no Limoeiro
  • 82 padres presos em Caxias
  • 233 freiras presas no Arsenal da Marinha
  • Destruição dos jornais “Liberal” e “Portugal” de Lisboa

Fontes: aqui

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O gato e o melro

Entrevistado (ou esmiuçado) pelo tareco da moda, Mario Soares não se deixou enganar. Sabe-a toda, como se diz na gíria! E driblou o gatinho com a maior das facilidades. Assim, bastou-lhe uma simples menção à actual terceira república, para atalhar de imediato ripostando que não existe nenhuma terceira república e que esta é apenas a segunda! E deu uma explicação surrealista: - segundo Mário Soares o estado novo, não conta, porque a ditadura não é republicana nem monárquica! Perante esta revelação o mínimo que se esperava de um gatinho inteligente é que perguntasse de seguida - então se a ditadura, que durou quarenta e oito anos, não conta, o que é que vamos comemorar no centenário?! Ou seja, o que significa a expressão 'centenário da república'?! Mas o tareco, tão espertinho noutras ocasiões e com outros convidados, calou-se, e mudou de assunto. E o pessoal lá em casa foi aldrabado outra vez.
Então não andamos a comemorar o 5 de Outubro há cem anos! Que eu me lembre o estado novo sempre fez feriado no 5 de Outubro!
Enfim, com melros destes não saímos da gaiola.
.
. Saudações monárquicas

Cronologia da república - 9 de Outubro

1910

  • É fechado o jornal “Echos do Liz” de Leiria
  • É fechado o jornal “União” de Santarém

1911

  • É fechado o jornal “Popular” de Lisboa

1915

  • Conflitos em Amora entre operários e a polícia

1920

  • Milhares de operários ficam desempregados

Fontes: aqui

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Não te enganaste Rafael

Haja Paciência


Muita. Para aturar o ressabiamento, o ódio, o desprezo, a ignorância, o cuspe dos que se dizem "defensores" em prol desta república. O que me dói é a sorrateira desonestidade que embrulha os assuntos professados pelos evangelistas do regime. O léxico mental destes revolucionários não passa de três palavras falsamente manipuladas: privilégio, passado, diferença. Como se o "Estado" fosse o único mérito para as nossas vidas e o politburo o único grupo com direitos, como se o futuro já existisse, como se a "igualdade" fosse respirada por decreto. Quando estes revolucionários se levantam de manhã não devem por os pés assentes na terra. Não querem... mas não há outro remédio. Por isso tudo agridem pela sua frustração. Paciência.

Quem cuida da res-publica?

Finalmente um orgão de comunicação de referência pega no caso dos gastos da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República que já tinha sido denunciado aqui. Acontece que eu espanto-me que não cause enorme escândalo o facto do design do deste simples site ter sido adjudicado por 99.500,00 euros. Eu pasmo com a naturalidade com que se aceita que se gastem às expensas dos impostos dos cidadãos 90,000,00 euros em "estacionário" (envelopes, canetas, papel de carta etc.). De resto, com a sua empresa a facturar 180.000,00 euros nestes dois ajustes directos, Henrique Cayatte só pode estar feliz: uma comenda da republica no dia 10 de Junho será a cereja no topo do bolo.

Cronologia da república - 8 de Outubro

1910

  • Prisão aleatória de padres a mando de Afonso Costa
  • Basílio Teles visa a instauração de uma ditadura revolucionária

1911

  • Convocação urgente do congresso, devido a todos os actos conspirativos pelo país
  • O ministro da guerra é demitido por não ter mobilizado o exército para combater as incursões monárquicas do norte

1912

  • Conflito entre populares e a GNR em Silves que resulta 2 civis gravemente feridos

1916

  • Distúrbios no Porto

Fontes: aqui

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Já começam as ameaças

Perante as "acções" monarquicas, que muito parecem incomodar a Maçonaria. Esta começa já a fazer ameaças. Um avental de nome Carvalho Homem, perante a manifestação da noite do passado dia 4 veio fazer ameaças à integridade física dos monárquicos, à boa maneira da formiga branca.


Estas ameaças apenas nos encorajam a seguir a nossa luta contra o cancro republicano de Portugal. Precisamos de mais aventais como este Carvalho a dar-nos a devida força.

Comemorar a instabilidade

O 5 de Outubro chegou ao fim, com a indiferença da larga maioria dos Portugueses, que cada vez menos crêem na estafada propaganda republicana. A I República foi tudo menos um regime recomendável: Vigorou entre 1910 e 1926, durando menos de 16 anos, mais exactamente, 188 meses. Nesse curto período histórico, Portugal teve oito Presidentes da República e 44 Governos. Ou seja, cada Presidente não durou sequer 2 anos e cada Governo não durou mais do que 4,3 meses…
Para que se não pense que o regime era instável mas pacífico, abundam os exemplos de anarquia, de assassinatos políticos e de irresponsabilidade governativa.
Basta lembrar os feitos de um cacique do partido democrático, conhecido por “Ai-ó-Linda”, o qual, a 16 de Janeiro de 1920, entrou armado no Gabinete do presidente do Ministério (o equivalente a Primeiro Ministro), de seu nome Fernandes Costa, obrigando este a demitir-se no próprio dia em que tomara posse...
Outro episódio, ainda mais grave, foi o ocorrido a 19 de Outubro de 1921, quando a tristemente célebre “camioneta fantasma” percorreu Lisboa assassinando António Granjo (Primeiro Ministro demissionário) e Machado Santos (um herói do 5 de Outubro), entre outras pessoas.
Entre 1921 e 1925 conta-se que deflagraram, só em Lisboa, 325 bombas, o que dá a bonita média de uma bomba cada 4 dias…
Mesmo esquecendo esta deplorável realidade, também ao nível da governação a I República se saldou por um enorme fracasso, como os indicadores seguintes expressivamente ilustram: a mortalidade infantil passou de 14,6, em 1910, para 43,9, em 1920; o analfabetismo desceu apenas de 57%, em 1910, para 46%, em 1923; o défice da balança comercial subiu 50%, entre 1913 e 1924; a taxa de inflação subiu 2509%, entre 1914 e 1925; o défice orçamental subiu mais de 2000%, entre 1910 e 1925.
O estado de Portugal sob a I República chegou a um tal ponto, que um ilustre republicano, Guerra Junqueiro, declarou, enojado: “isso que para ai está é uma bacanal de percevejos numa enxerga podre”
Comemorar a República?
Apenas por ignorância ou sectarismo.

Rui Crull Tabosa no 31 da Armada

Cronologia da república - 7 de Outubro

1910

  • Reposta em vigor, a legislação de Mouzinho da Silveira que extinguia as ordens religiosas

1911

  • Incursão monárquica de Paiva Couceiro
  • Monárquicos são espancados em Lisboa
  • Prisão de monárquicos

1920

  • Greve de motoristas em Lisboa

1922

  • Assalto ao jornal “Palavra” de Lisboa
  • Assalto ao jornal “Correio da Manhã” de Lisboa

Fontes: aqui

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Que República se comemora em 2010?

Em 2010, a propósito do "centenário da república", vamos comemorar o quê? Uma ideia – a ideia de república? Um acontecimento – o derrube revolucionário da monarquia constitucional nas ruas de Lisboa em 5 de Outubro de 1910? Ou um regime – o que resultou do monopólio do Estado e do constrangimento da vida pública por um partido da esquerda radical, o Partido Republicano Português, entre 1910 e 1926? Talvez alguém, um dia, nos venha explicar o que significa a efeméride. Entretanto, examinemos as hipóteses, antes de reflectir um pouco sobre a especulação político-partidária que pode estar por detrás de tudo isto.

UMA IDEIA?

Se é para comemorar a ideia de república, a escolha do 5 de Outubro de 1910 não é a mais feliz, embora seja há muito tempo feriado nacional. É que aquilo que desde o séc. XVIII interessou aos verdadeiros "republicanos" nunca foi saber se o chefe de Estado é electivo ou não mas o tipo de Estado e vida pública. O ideal republicano era o de uma comunidade de cidadãos independentes a viver sujeitos às leis e não ao arbítrio de outros homens, mesmo que tivessem um rei, como a Grã-Bretanha.

Nesse sentido, o processo de republicanização não foi obra da revolução de 1910 mas da chamada "revolução liberal" da primeira metade do séc. XIX: foram os liberais que reduziram o rei a um chefe de Estado com poderes definidos por uma constituição e que estabeleceram em Portugal o princípio do Estado de Direito e as instituições e cultura da cidadania.

Na prática, os liberais fizeram da monarquia constitucional o que eles referiam como "uma república com um rei", isto é, uma comunidade de cidadãos livres com um chefe de Estado dinástico. A Câmara dos Pares estava aberta a todos os que satisfizessem requisitos legais que nada tinham a ver com o nascimento. A Igreja ainda era oficial (como, aliás, nas repúblicas desse tempo) mas havia liberdade de consciência e estava previsto o registo civil.

Nesse sentido, se as comemorações de 2010 visam celebrar o fim da monarquia constitucional, governada pelos liberais, estaremos então perante uma festa reaccionária para vitoriar o fim de um regime que trouxe as instituições do Estado moderno, a extinção das ordens religiosas, o Código Civil e o maior eleitorado, em termos proporcionais, antes de 1975?

Em 1910, é verdade, a monarquia constitucional estava em grandes apuros. Tinha uma classe política desacreditada e incapaz de assegurar bom governo e o jovem rei D. Manuel II era atacado por quase toda a gente, da direita e da esquerda. O Partido Republicano Português, um movimento sobretudo lisboeta, conseguira criar um sério problema de ordem pública que a monarquia constitucional nunca poderia ter resolvido sem se negar a si própria, tornando-se num regime repressivo, o que a sua classe política não podia aceitar. Quando o PRP resolveu tentar a sua sorte, em Outubro de 1910, subvertendo a guarnição de Lisboa, quase ninguém apareceu para defender o regime.

Tudo isto é verdade. Mas se o objectivo é celebrar a morte de sistemas políticos apodrecidos, ignorando o que se lhe seguiu, não deveríamos comemorar também o 28 de Maio de 1926, que pôs fim a um regime desacreditado?

UM REGIME?

Gostamos de contrastar o actual regime democrático, desde 1974, com a ditadura do Estado Novo (1933-1974). Mas o regime implantado em Portugal em 1910 e que durou até 1926, a chamada I República, tem tão pouco a ver com a actual democracia como o salazarismo. A I República passou por várias situações e foi dirigida por várias personalidades. Mas na sua versão dominante, associada ao monopólio do poder pelo Partido Republicano Português de Afonso Costa, foi um dos regimes mais intolerantes, exclusivistas e violentos do séc. XX em Portugal.

A "democracia" do PRP assentou na redução do eleitorado através da negação do direito de voto aos analfabetos: durante a monarquia, puderam votar 70% dos homens adultos em Portugal; com a I República, essa percentagem reduziu-se a 30%. A "tolerância" de Afonso Costa consistiu numa guerra de morte à Igreja Católica, sujeita a uma "lei de separação" que visava, de facto, o contrário: a sujeição do clero e dos católicos à prepotência e arbítrio de um Estado hostil. Críticos e oposicionistas ficaram sujeitos à violência dos ‘gangs’ armados do PRP, que em 1911 trataram de destruir (dizia-se então "empastelar") todos os jornais ditos "monárquicos" em Lisboa.

A I República foi ainda o primeiro regime a excluir expressamente as mulheres da vida cívica, ao negar-lhes por lei o direito de voto. Nas colónias de África, seguiu uma política dura e racista, que em 1915 chegou ao genocídio das populações do Sul de Angola. Afonso Costa forçou ainda a entrada de Portugal na I Guerra Mundial (1914-1918). Em dois anos, houve quase tantos mortos como nos 13 anos de guerras coloniais entre 1961 e 1974. É com este regime que a nova democracia portuguesa quer identificar-se em 2010?

O que explica então esta fúria comemorativa? Fundamentalmente, as metamorfoses da esquerda. As esquerdas portuguesas, há 30 anos, eram marxistas, de linha soviética, maoista ou social-democrata "avançada". Desprezavam os velhos republicanos, patriotas e colonialistas, de que uma parte até aderira ao Estado Novo na década de 1960, por causa das colónias (Norton de Matos, por exemplo, tornou--se uma referência da propaganda colonial salazarista). Basta ler os livros de História publicados na década de 1970 por autores marxistas: o republicanismo era para eles uma coisa "pequeno-burguesa", de caixeiros com bigodes.

Depois do 25 de Abril de 1974, o coronel Vasco Gonçalves, na tomada de posse do II Governo Provisório, em Julho, avisou logo que a revolução não tinha sido feita para voltar "ao triste passado de antes de 1926". Exactamente: a república, para as esquerdas portuguesas em 1974, era um "triste passado". Aliás, um dos partidos logo convidados para integrar o Governo Provisório foi o Partido Popular Monárquico, por via do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Tanto Álvaro Cunhal como Mário Soares, filhos de antigos republicanos, evitaram o anticlericalismo, até para poderem conviver com os "católicos progressistas", que formaram uma das principais componentes das esquerdas portuguesas na década de 1970.

A Democracia em Portugal, entre 1974 e 1976, foi construída contra o Estado Novo mas também contra a I República. Desde logo, constitucionalmente. Ninguém queria o parlamentarismo e o desregramento dos partidos. Por isso, a Constituição de 1976 inspirou-se na monarquia constitucional, ao estabelecer um Presidente da República que, à parte o ser eleito por sufrágio universal, tinha os mesmos poderes do Rei da Carta Constitucional de 1826. Por essa via, o regime com o qual, de facto, a actual democracia tem mais em comum é a monarquia constitucional de 1826-1910.

As esquerdas portuguesas só mudaram de opinião perante a velha república quando deixaram de ser marxistas e de querer fazer em Portugal uma revolução socialista. Para se distinguirem de uma direita cujo modelo de liberalização económica aceitaram numa forma mitigada, começaram a valorizar outra vez os "valores republicanos", como fez a esquerda socialista francesa, e sobretudo adoptaram o programa de "fracturas culturais" da esquerda americana.

A fim de dar profundidade histórica a esta reconfiguração ideológica, identificaram-se com o laicismo anticlerical da velha I República. Mais: ocorreu-lhes que identificar esta democracia com a I República de 1910-1926 seria a maneira de legitimar oficialmente o exclusivismo de esquerda e fazer com que os liberais e os conservadores não se sentissem em casa no actual regime. O resultado é um travesti histórico. Os velhos republicanos de 1910 eram profundamente patriotas, machistas e homofóbicos. Foi a I República que, em 1922-1923, proibiu e mandou apreender a ‘Sodoma Divinizada’ de Raul Leal e as ‘Canções’ de António Botto, das primeiras defesas abertas da homossexualidade em Portugal. Que diriam os déspotas do PRP se soubessem que a comissão do centenário pensou em comemorá-los com o casamento gay? Saberiam apreciar a ironia da História?

REPÚBLICAS HÁ MESMO MUITAS

A Coreia do Norte é uma república, tal como Portugal; a Bélgica uma monarquia. O actual regime português tem, felizmente, mais a ver com a Bélgica do que com a Coreia do Norte. A nossa República Portuguesa, desde 1910, já foi muita coisa, com situações constitucionais diversas: a I República (1910-17), a República Nova (1918), outra vez a I República (1919-26), a Ditadura Militar (1926-33), o Estado Novo (1933-74), o PREC (1974-76), a Democracia (a partir de 76). Comemorar a implantação é comemorar o quê? Todos esses regimes? Só um deles – e qual?

REPÚBLICA PARA TODOS OS PORTUGUESES

O grande problema da I República de 1910-26 foi saber-se se era um regime aberto a todos os portugueses ou só para alguns. Os líderes do dominante Partido Republicano Português de Afonso Costa, situado na esquerda radical, achavam que devia ser só para os militantes do seu partido, que monopolizavam o Governo e todos os empregos no Estado. Recusavam o princípio da alternância no poder ("na república não se governa para a direita") e qualquer desvio à linha anticatólica.

Outros republicanos – como os Presidentes Manuel de Arriaga e Sidónio Pais e o "fundador da república", Machado dos Santos – quiseram, pelo contrário, fazer uma "república para todos os portugueses", isto é, conciliadora com a Igreja Católica e aberta à participação no espaço público de quem não era militante dos republicanos ou não tinha ideias de esquerda. Por isso, Arriaga foi deposto em 1915 e Sidónio e Machado dos Santos assassinados (em 1918 e 1921).

DO GOVERNO DA REPÚBLICA PELO REI

É o título de um livro de Diogo Lopes Rebelo publicado em 1496, no tempo do rei D. Manuel I. Como salientou o historiador Vitorino Magalhães Godinho, os reis e as cortes portuguesas a partir do século XV sempre pensaram no reino de Portugal como uma "república" no sentido clássico: um governo em que, independentemente da origem do poder dos governantes, estes regiam o Estado tendo em conta o bem público e de uma maneira regular e legal, sem arbítrio pessoal.

Mais tarde, sobretudo a partir do século XVIII, acrescentou-se a esta ideia de república o princípio da participação dos cidadãos no governo, através de instituições representativas e em nome da soberania da nação. A monarquia constitucional portuguesa, no século XIX, foi esse tipo de "república". Portugal já era, neste sentido, "republicano" muito antes de 1910.

UM OUTRO 5 DE OUTUBRO: O DE 1143

"Cinco de Outubro? É o dia da verdadeira independência de Portugal!", diz o líder do Partido Popular Monárquico. Mas Nuno da Câmara Pereira refere-se a outro 5 de Outubro, mais recuado no tempo e crucial na fundação do Reino de Portugal: o de 1143. Assinou-se então o Tratado de Zamora, início da independência portuguesa. Este tratado, fundador da nacionalidade, foi o resultado da conferência de paz entre Afonso Henriques e o rei Afonso VII de Leão e Castela, precisamente a 5 de Outubro de 1143.

Lamentando que seja celebrado apenas pelos monárquicos, Câmara Pereira lembra que já propôs ao PS que o 5 de Outubro passasse a ser o ‘Dia da Bandeira’, em que "todos os portugueses, da esquerda à direita, dos monárquicos aos republicanos, celebrassem o dia da pátria".

Rui Ramos no Correio da Manhhã

Cronologia da república - 6 de Outubro

1910

  • A população no geral, reage com indiferença a implantação da Republica

Fontes: aqui

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Há por aí muitos mastros e varandas a pedi-las (11)

A bandeira portuguesa foi hasteada hoje no Palácio de Santa Clara, sede do Município de Guimarães. Daqui.

Reposta a legalidade


Hoje de madrugada foi de novo hasteada a bandeira portuguesa da monarquia na sede Real Associação de Lisboa no Largo Camões, em desafio à ordem da Camara Municipal de Lisboa que após mais de quarenta anos decidiu ordenar a sua remoção. Estranho é que em véspera de Centenário da revolução carbonária, a edilidade que não consegue zelar pela sua própria varanda, se entretenha a vasculhar as dos outros com o fundamento de que a exibição desse símbolo nacional deverá obedecer aos regulamentos de publicidade e mobiliário urbano. Se a CML optar por nos remover a bandeira, isso não faz mal: temos muitas.

5 de Outubro de 2009: resgatar a esparança!

1 - Partida de Belém

Noite mágica

A Grande Festa Azul e Branca

Em Beleza

Terra à vista!

Desembarque monárquico no Cais do Sodré

Subindo a Rua do Alecrim

A caminho do Largo do Camões

Por-tu-gal! Por-tu-gal!

Hastear da bandeira

A mais bela bandeira do mundo!

* Reportagem fotográfica de Francisco Melo

Cronologia da república - 5 de Outubro

1910

  • Um diplomata alemão que ostentava uma bandeira branca, com o objectivo de evacuar alemães foi confundido com rendição
  • Tumultos populares em Setúbal
  • Destruição de linhas férreas
  • Assaltos a esquadras da Polícia
  • 72 mortos
  • Os oficiais do exército não apoiam a Republica

1911

  • Proclamação da monarquia em Castelo-Branco
  • Incursão monárquica de Paiva Couceiro

1915

  • É fechado o jornal “A defesa de Santa Clara” de Coimbra
  • António José de Almeida, critica o estado do País

1921

  • António Granjo é insultado por populares no cemitério do Alto de São João

Fontes: aqui

domingo, 4 de outubro de 2009

É esta noite! Cais de Belém, 22.00H

A Armada não conseguiu disponibilizar-nos o cruzador Rainha D. Amélia para a festa de desagravo da golpada subversiva do 5 de Outubro de 1910. Assim sendo, hoje embarcaremos no S. Jorge pelas 22.00h e navegaremos Tejo acima, para à meia noite irmos ao Terreiro do Paço. Estão previstas algumas surpresas de que o país inteiro tomará conhecimento.

Não faltes nesta hora tão importante para a nossa Causa. Passa a palavra, mobiliza os amigos e irmãos!


Esta noite, todos de azul e branco, por Portugal!

Local de embarque: Cais de Belém


Entrada: 20 coroas, com direito a 2 bebidas e cocktail de boas vindas!


Festa pela noite fora.

Tel. 91 6869146 / 21 3428115

A ética republicana em acção

A respeito deste pertinente desabafo do Rui Monteiro, convêm esclarecer por exemplo, que o site da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, apesar do apoio de uma grande empresa de telecomunicações, custou noventa e nove vezes mais do que o nosso. Comparando bem, sabem qual é a grande diferença? É que o primeiro foi pago pelos nossos impostos: um roubo.

Cronologia da república - 4 de Outubro

1910

  • Os carbonários vão para a rua, enquanto que os elementos do directório encontram-se nos banhos de São Paulo
  • Com os revoltosos confinados a rotunda os chefes republicanos reunidos nos banhos de São Paulo decidem não avançar
  • Os oficiais do exército, envolvidos na conspiração, decidem desistir
  • Suicídio do Almirante Cândido dos Reis
  • São 500 o total de revolucionários na rotunda

Fontes: aqui

sábado, 3 de outubro de 2009

Contas – Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República

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Afinal vem aí o Centenário da República: sabiam que 10 milhões de euros dos nossos impostos foram atribuídos a essa Comissão? Digam-me uma coisa: a “República” que somos todos nós não agradecia que se construísse antes um Hospital novo, ou outro bem para beneficiar o Povo?

Como eu já disse uma vez "A história é curta quando a memória é curta …” sabem quem foi o primeiro presidente da república? Esse é o medo porque a esmagadora maioria não sabe … precisam de 10 milhões de euros para comprar manuais escolares para o Povo. Daí que vos deixo a lista pública dos gastos dessa dita cuja comissão… acessível publicamente aqui

Como diz D. Duarte “o 5 de Outubro não serviu de nada… por isso foi preciso fazer o 25 de Abril” … são demasiadas revoluções num século: 28 de Maio de 1926 (a dita que colocou Salazar no poder), 5 de Outubro de 1910, 25 de Abril de 1974 … e Portugal a cair a pique. Sabiam que o PÃO, aquele bem tão essencial e também chamado a comida dos pobres, aumentou “21 VEZES” de 1910 a 1926 ??? A culpa era do Rei que já tinha sido morto em 1908… sabem qual foi a consequência? Salazar foi posto pelos militares no poder para equilibrar as finanças que os republicanos comandados por Afonso Costa destruíram… o problema é que a história repete-se, e estamos a cair precisamente no mesmo … como diz o meu avô “vivemos um clima de paz podre, o problema é que nos pode cair da rifa um maluco que pode dar cabo disto tudo”.

Vejam os números e distribuam aos vossos amigos: é insultuoso que num país com mais de 400 mil desempregados se lembrem de gastar 10 milhões de euros em tudo menos beneficio do Povo, é como aqueles empresários que quando recebem subsídios em vez de apostarem na empresa e nos empregados vão comprar um BMW para a mulher ! Ah um pormenor técnico … meus caros o presidente desta comissão é um Banqueiro !!!!

ID Mais recentes primeiro Data Mais antigos primeiro Ent. Adjudicante Ent. Adjudicada Objecto Ordem decrescente de montantesOrdem crescente de montantes Montante
75140 2009-08-05 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Henrique CayatteDesign, Lda. Prestação de serviços de degign com vista à criação e desenvolvimento do Portal Centenário da República 99.500,00 €
75158 2009-08-05 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Henrique Frederico Cantiga Cayatte Prestação de serviços de design global do estacionário da Comissão Nacional e dos materiais de suporte à comunicação dos diferentes eixos programáticos 90.000,00 €
76813 2009-08-11 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Daniela Ermano Prestação de serviços de criação do projecto de arquitectura efémera de quatro espaços expositivos 67.000,00 €
48242 2009-05-06 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Entre Pessoas – Tecnologias, Lda. Prestação de serviços no domínio das tecnologias de informação e comunicação 60.000,00 €
48235 2009-05-06 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República João Lagos Sports – Gestão de Eventos, S.A. Prestação de serviços para a organização da cerimónia de apresentação pública dos Jogos do Centenário 59.720,00 €
75090 2009-08-05 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Paulo Renato Pereira Trincão Prestação de serviços na área da produção e divulgação científica, pedagogia e museografia 52.500,00 €
75083 2009-08-05 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Bruno Ricardo Ribeiro Henriques Serviços de investigação, selecção e tratamento de informação,produção de conteúdos científicos para o eixo programático República das Letras 18.000,00 €
75182 2009-08-05 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Adelaide Maria Martins de Andrade Silva Prestação de serviços de consultadoria jurídica na área de planeamento, organização e execução do Programa das Comemorações do Centenário da República 14.610,00 €
52924 2009-05-20 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República FBAFerrand, Bicker & Associados, Lda.. Aquisição de serviços de criação da imagem gráfica do Centenário da República 10.000,00 €
90300 2009-09-23 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Auristela Maria Lopes de Miranda Leão Prestação de serviços na área de planeamento, organização e coordenação da programação cultural que integra o Programa das Comemorações do Centenário da República 9.740,00 €
75224 2009-08-06 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Ana Mafalda Jardim Temes de Oliveira Prestação de serviços na área de planeamento e de organização do Programa das Comemorações do Centenário da República 9.600,00 €
39977 2009-04-02 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Dub Division – Comunicação e Multimédia , Lda. Aquisição de Serviços de produção de anúncio publicitário das Comemorações do Centenário da República 8.500,00 €
40002 2009-04-02 Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Dub Division – Comunicação e Multimédia , Lda. Aquisição de Serviços de produção de anúncio publicitário das Comemorações do Centenário da República 8.500,00 €
Despesa total correspondente: 507.670,00 €

Sábado, 3 de Outubro de 2009
Alerta! Alerta! É amanhã!


A Armada não conseguiu disponibilizar-nos o cruzador Rainha D. Amélia para a festa de desagravo da golpada subversiva do 5 de Outubro de 1910. Assim sendo, embarcaremos TODOS amanhã no S. Jorge pelas 22.00h e navegaremos Tejo acima, para à meia noite irmos ao Terreiro do Paço. Estão previstas algumas surpresas de que o país inteiro tomará conhecimento.

Não faltes nesta hora tão importante para a nossa Causa. Passa a palavra, mobiliza os amigos e irmãos!


Amanhã à noite, todos de azul e branco, por Portugal!


Local de embarque: Cais de Belém


Entrada: 20 coroas, com direito a 2 bebidas e cocktail de boas vindas!


Festa pela noite fora.

Tel. 91 6869146 / 21 3428115


Cronologia da república - 3 de Outubro

1910

  • Para fazerem o 5 de Outubro carbonários vão buscar armas e bombas a sede do partido republicano

1911

  • Monárquicos são presos em vários pontos do país

1918

  • É fechado o jornal “Noticias de Castelo-Branco”

1923

  • Greve de ferroviários do sul
  • Greve de marítimos do Porto

1925

  • Numa entrevista, o General Gomes da Costa caracteriza como oportunistas, os deputados do Parlamento

Fontes: aqui

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

XI – LISBOA “REPUBLICANA” (2)

«Ainda o ano passado, por este tempo [Novembro de 1909], quando às primeiras chuvas as famílias volviam do campo e praias, para encher as ruas lisboetas, às tardes do rumor alegre das suas chalras; ainda o ano passado, apesar de ter sido um mau ano de negócios, a capital tinha um tal ou qual aspecto de urbe fina, rica, elegante e algo soberba dos seus palácios de pedra, das suas avenidas, de ailantos e faulónias, dos seus coupés e dos seus autos, dos seus cavaleiros e das suas amazonas.
A mudança do regime transformou completamente a fisionomia das ruas, e influi na qualidade e até na quantidade dos viandantes.
Lisboa parece uma versão plebeia de si própria, uma cidade de criados de servir e de operários sem trabalho.»

ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 28-29.

Cronologia da república - 2 de Outubro

1911

  • A sede da associação católica em Braga é incendiada

1915

  • Só são admitidos na função publica, individuos que juraram fidelidade a Republica

1925

  • Os elementos do comité de defesa da república são atacados por forças do governo

Fontes: aqui

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Há por aí muitos mastros e varandas a pedi-las (10)



Caldas da Rainha, 27 de Setembro. Daqui

Escutar a república em vésperas do centenário

Preso por ter cão, preso por o não ter: O Presidente se tivesse esclarecido os portugueses no momento oportuno (a mais de um ano das eleições legislativas), nada de mal viria ao pequeno mundo de intriguinhas palacianas em que vivemos.
Se o Presidente tivesse esclarecido o País quando saíu a "notícia" dos emails no DN e dito que havia vulnerabilidades nos sistemas electrónicos da Presidência, então teria sido acusado pelo PS de estar a dar uma ajuda ao PSD em plena campanha eleitoral. Como se manteve em silêncio, acabou na prática por dar uma ajudinha política ao Eng. Sócrates. Jogada magistral do PS que talvez lhe tenha valido ter sido até o partido mais votado!
Vem isto a propósito da necessidade de "escutarmos" a história política dos últimos cem anos das democracias ocidentais.
Nos regimes monárquicos constitucionais como os do Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Noruega, Luxemburgo, Espanha, Holanda, Bélgica, Japão, Austrália, Canadá, nunca o Chefe do Estado foi acusado de partidarismo, ou se levantaram suspeitas de que serviços secretos andavam a armar-se em espiões partidários.
É preciso irmos às repúblicas dos EUA (Nixon), França (Chirac) ou ao Portugal de hoje, - já sem falar na Itália ou na Grácia por uma simples questão de decoro, - para confirmarmos, mais uma vez, que a natureza da própria República acaba sempre, mais tarde ou mais cedo, neste espectáculo lamentável a que estamos a assistir.
Nas Monarquias constitucionais contemporâneas, o Chefe do Estado - a Coroa - é o garante do suprapartidarismo do Poder Judicial, das Forças Armadas e da Independência Nacional.
Em República as "secretas" andam quase sempre ao deus dará. Umas vezes só nas mãos do Chefe do Estado, outras sob a alçada do Governo da altura.... por entre os "mixericos" partidários de quem irá ser o próximo Presidente...
Mas alguém tinha dúvidas que iam começar mal as comemorações do tal "centenário" da república?
Luís Filipe Coimbra no 31 da Armada

Cronologia da república - 1 de Outubro

1910

  • Discordância entre conspiradores republicanos para o avanço do movimento do 5 de Outubro

1911

  • Republicanos destroem o círculo católico do Porto
  • Tentativa de linchamento de monárquicos em Lisboa
  • Assaltado o seminário e o paço episcopal no Porto

1914

  • Greve de motoristas em Lisboa

1916

  • É fechado o jornal “a verdade” de Lagos

1921

  • Explosão de uma bomba na sede da juventude socialista em Lisboa

Fontes: aqui