sábado, 31 de outubro de 2009

Crise actual é só comparável com o período da I República afirma Vitor Bento

Ontem ,numa conferência dedicada à apresentação de um estudo económico sobre o futuro da Economia Portuguesa ,dirigido por Ernâni Lopes (antigo ministro das Finanças) “A Economia no Futuro de Portugal”, no Centro Cultural de Belém.

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«Para encontrar uma década de crescimento tão fraco, é preciso recuar a 1912/1921, período pós implantação da república e da passagem da 1ª guerra mundial», afirmou, Vitor Bento (Economista,Presidente do Sibs,Conselheiro de Estado) durante a sua intervenção no CCB

Mais informação aqui..


Os factos não são novos, pois já aqui neste blogue foram divulgados, mas é importante quando a informação chega a determinados patamares institucionais.
A partir de agora os "generais de 5 estrelas" do regime republicano vão ter de falar de outro modo.O caso não é para menos.
Não só a frase vem de quem vem, como é completamente nova na abordagem "oficial" das nossas elites pensantes:
Até hoje considerava-se em rodapé que o falhanço (quando admitido) da I República se devia à I Grande Guerra (as despesas e desvio de mão de obra, a par da queda de produção)... pois agora, Vítor Bento descreve implicitamente o periodo entre 1912 e 1921, portanto começa antes da guerra.
Por outro lado nunca houve uma referência tão forte sobre o carácter negativo da evolução daquele periodo, embora Vitor Bento tenha o cuidado de não se referir ao regime, mas antes ao período temporal, a conclusão acaba por ser a mesma.

Este foi claramente um ponto de inflexão a favor da ideia que os monárquicos sempre divulgaram.

Cronologia da república - 31 de Outubro

1919
  • É fechado o jornal açoriano “ A folha da tarde”
  • É fechado o jornal açoriano “A folha de angra”
1921
  • É lançada uma bomba contra o consulado dos EUA em Lisboa
1923
  • É fechado o jornal açoriano “Diário de Angra”
Fontes: aqui

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Corre opção


As notícias enfocam um "novo" caso de compadrio que envolve "figuras" on ou off da política. Estas notícias ganham ânimo na boca dos apresentadores, comentadores, jornalistas e bloggers. Tenho pena que tanto comentário provoque o efeito contrário na selva portuguesa – o rugir de um novo caso torna em brisa todos os anteriores. É sinal do tempo. Cada vez tudo é mais efémero inclusive as noções de moral e justiça. Nesta selva os predadores correm de barriga cheia pela gula e pela vaidade. A política que devia ser uma actividade altruísta, positiva e congregadora tornou-se um meio privilegiado de tráfico de benefícios pessoais. Toda a política inclusive a ética republicana, principalmente esta. O país não reage. Espanta-se de boca aberta como se os cargos dos políticos e de directores de empresas públicas produzissem uma auréola santifica na moleira dos preponentes. Pelo contrário, os preponentes fazem as suas opções. E todos têm uma opção de vida. Infelizmente este país não tem bons exemplos para dar e a escumalha, sem referências e valores, corre para a frente fruindo do acumulado de impunidades. Já vem de trás. Deixamos impune o regicídio, o terrorismo republicano (que se vai comemorar com uma grande festa em 2010!), o assentamento do Estado Novo, a descolonização, o PREC e agora vislumbramos o degredo moral do regime.
Dizem para aí que o país está moderno e que está a avançar. Eu vejo-os. A correrem por eles e a darem ao povão, entusiasta, umas voltas... de atraso.

Iconografia pré-republicana #5

Portugal Pilot Flag. Digital ID: 1574657. New York Public Library

Os direitos da mulher


"Por volta de 1900, quase todos os direitos [femininos] estavam a ser conquistados, especialmente nos países protestantes. Não havia, no entanto, uma única juíza, política, generala ou empresária em toda a Europa. Curiosamente, a monarquia, uma das mais antigas instituições, permitia ocasionalmente que uma mulher estivesse acima de todos os homens. Em 1900, a mais famosa mulher no mundo inteiro era a rainha Vitória, que então celebrava o seu 63º ano no trono britânico."

Geoffrey Blainey, Uma Breve História do Século XX
(Livros d' Hoje, 2009)

Pedro Correia no Corta-fitas

Cronologia da república - 30 de Outubro

1911

  • Greve de mineiros

1912

  • Invasão da câmara municipal do Porto por republicanos

1919

  • É fechado o jornal “Defesa de Castelo-Branco”
  • É fechado o jornal “A cidade” de Braga

1923

  • Greve de operários do Porto

1924

  • É fechado o jornal “Alma Nova” de Elvas

Fontes: aqui

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

E outros países derivam...

Este livro «El Rey. Historia da Monarquia» coordenada pelo historiador espanhol Jose Antonio Escudero, acaba de ser distinguido com o Premio Nacional de Historia que contempla ensaios e trabalhos de excelência da investigação histórica, no país vizinho. É uma imagem pelo caminho da Monarquia na construção da Espanha actual, um país com uma imagem sólida de respeitabilidade e excelência no Mundo Contemporâneo. Espanha nasceu com a Monarquia e prossegue com ela. Sobre o actual monarca, o historiador não hesita em afirmar: «El rey Juan Carlos, es "referencia de todos e introduce una especie de factor de unidad y faro cuando todo lo demás se mueve".». Um farol que tem faltado ao nosso país nos últimos 99 anos, durante este tempo tão desorientado que talvez nem a navegação de cabotagem o ajudará a chegar a bom porto. Estimo mesmo que a ética republicana está para Portugal, como o iceberg esteve, em 1912, para o Titanic.

Vigarices regimentais




A tomada de posse do governo de continuidade presidido por José Sócrates, trouxe poucas novidades. Na verdade, apenas a menção à república, consistiu em algo de inédito e que não mereceu qualquer comentário pelos geralmente atentos analistas políticos.

1. A questão das prioridades do investimento público. Não tenhamos qualquer tipo de ilusões quanto a isto. O 1º ministro irá insistir nos Trabalhos de Imhotep, impondo-nos o TGV, a terceira autoestrada para o Porto e o substituto da Portela. No entanto, os mais recentes dados fornecidos pelas Nações Unidas, coloca Portugal num excelente 23º lugar mundial, no que respeita a infraestruturas. Pelo contrário, o ranking nacional quanto à justiça, educação e competitividade, é desastroso. A obsessão no favorecimento do sector da construção civil, poderá ser satisfeita, se se atender à urgente reabilitação das zonas históricas das grandes cidades, onde o parque imobiliário anterior ao século XX, está vergonhosamente votado à completa ruína . Este crime deverá ser erradicado da vista de todos, em benefício do interesse geral.

Este relatório independente, da ONU, é por si próprio uma advertência - quase um indicativo para um bom programa de governo - que serve de conselho para as necessárias prioridades da acção governamental. Esperemos e aguardemos.

2. A questão da república.

Sócrates iniciou o seu discurso com um apelo aos "valores republicanos", tendo-o terminado com uma evocação ao primeiro - e possivelmente derradeiro - centenário comemorativo da subversão que o 5 de Outubro de 1910 representou.

Sabemos de fonte segura que o 1º ministro é um pragmático destes dias de contas, balanços e imediatismo mediático. Se amanhã fosse instaurada a Monarquia, Sócrates diligentemente a serviria, como regime de todas as liberdades e da independência nacional. Pouco lhe interessam aspectos filosóficos, históricos ou conceptuais e se alguém pretender aprofundar um certo tipo de questões, lá replica com o costumeiro ..."está a querer complicar?"

Pelos vistos, desta vez parece que sim. Provavelmente, José Sócrates sofre umas quantas influências doutorais de Mário Soares, exímio contador de estórias, algumas mais verídicas que outras e no caso da república de 1910, parte integral da apologética de uma situação que tendo sido escandalosa, violenta e absurda, serve de justificação para a sempre necessária ligação no tempo, a tal almejada e imprescindível continuidade que legitima.

O caso do Centenário da República, surge no momento exacto. As dificuldades que se avizinham de uma situação económica, política e social de limites ainda indefiníveis mas certamente graves, conduz à necessidade de um paliativo urgente, ou seja, a montagem do espectáculo de circo. Sem qualquer hipótese de reedição de um campeonato de futebol internacional, como mobilizar a distracção popular? Não existe dinheiro para mais uma Expo de promoção ao umbigo em torno do qual o regime gira, Portugal não venceu a Eurovisão em 2009, o Mundial da FIFA realizar-se-á na África do Sul e não consta ser possível unir patrioticamente os portugueses tal como aconteceu durante o processo que conduziu à independência da Timor.

Resta-lhes a patranha republicana. No entanto, o 1º ministro poderá ter a certeza de que anda por aí muita gente a ..."querer complicar". Num momento em que praticamente se extinguiu a geração monárquica dos pergaminhos, linhagens e heráldicas, o sistema instalado pode contar com uma feroz e radical oposição que não deixará de apresentar a verdade aos portugueses. Regime espúrio, ilegal, prepotente e violento, a república foi a forja fatal do desgraçado século XX a que este país se submeteu, tal canga por castigos imerecidos. Os monárquicos de hoje são académicos, preenchem lugares relevantes em todos os campos profissionais, têm influência e como o regime bem sabe, possuem uma audiência sem precedentes. A mentira e o reescrever de uma estória mal contada, não passarão.

A chamada ao previsível carnaval do Centenário da República, consiste num erro crasso que evidenciará ainda mais, as profundas clivagens existentes entre os próprios detentores dos mais altos cargos da dita instituição. Os tristes acontecimentos do passado 5 de Outubro de 2009 assim o demonstraram.

Sim, vamos "querer complicar". Neste aspecto, o quanto pior-melhor, serve perfeitamente e até contamos com a preciosa ajuda do residente de Belém, do 1º ministro e dos chefes da oposição. Perfeito!


Cronologia da república - 29 de Outubro

1913

  • Destruição do jornal católico “O Universal”

1921

  • Explosão de bombas na sede das juventudes sindicalistas

1923

  • Greve e agitação operária no Porto

Fontes: aqui

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Iconografia pré-republicana #4

Portugal. Digital ID: 1572761. New York Public Library

Toma lá, Dá cá


Esta história republicaneta conta-se em poucas palavras: Um dos primeiros senão o primeiro "decreto" dos terroristas republicanos foi a abolição dos Títulos Nobiliárquicos. Ora, esses meninos já sabiam que as mercês desde meados do século XIX eram uma "necessidade do Tesouro Público". O fisco, na monarquia, sabia tirar partido da concessão de títulos e tributava os diversos alvarás com um imposto muito elevado (cada alvará importava Imposto de Sêlo + Emolumentos + Direitos de Mercê). O desmesurado aumento dos impostos desde o tempo Miguelista fez com que muitos titulares de jure e herdade recusassem os mesmos assim como muitos agraciados recusavam renovações e mercês novas pela questão tributária. Vai daí que a verdadeira integridade republicana viesse ao de cima um mês depois de saída a lei tudo igual ao litro, em Novembro de 1910, quando o ministro das finanças de então, o dr. Afonso Costa, apresentou ao parlamento uma proposta, de imediato aprovada, de revisão da lei revogando os antigos Direitos de Mercê – é que as qualificações de nobreza eram em grande número pagas em prestações e o Afonso Costa não queria perder pitada – (em 1913 aprovou um novo diploma para apelidar o imposto de "Direitos de Encarte" e obrigando a que este fosse pago de uma só vez não permitindo as "prestações"!!) Com monarquia ou em república todos os representantes de títulos e mercês podiam exibir os títulos (mas obrigatóriamente precedidos no nome civil) desde que tivessem pago os escudos devidos na tesouraria do Afonso Costa.

Cronologia da república- 28 de Outubro

1922

  • Greve dos mineiros de Aljustrel

1923

  • Tumultos populares no Porto

1924

  • Greve de trabalhadores em Guimarães

Fontes: aqui

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Cronologia da república - 27 de Outubro

1911

  • Congresso do partido republicano “circo dos cavalinhos” começa com 600 e acaba com 280 delegados

1912

  • Assalto de repartições públicas e queima de documentos em vila flor

1917

  • Decreto de mobilização agrícola

1918

  • É fechado o jornal “O Minho” de Viana do Castelo

Fontes: aqui

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Entrevista de José Adelino Maltez ao Ensino Magazine de Outubro

..."O Sô Doutor" é uma instituição nacional que a República criou para substituir a aristocracia"

Retirado da entrevista que o politólogo, concedeu ao referido jornal

Independência


Um novo governo tomou posse. Na tomada, o presidente desta república disse que ia ser colaborante, um "referêncial de estabilidade", pois sabia o que era governar em maioria relativa. A maior parte do povo não deslinda o que estas palavras querem dizer. Não é por se ter ouvido uma mentira. Ao invés, é uma cassete gasta. O regime é presidido por parte daqueles que andaram à liça e a dispôr das verbas deste país. A propalada independência e imparcialidade face aos partidos ou governos é uma falácia. Um presidente da república não se devia "por a pau". A promiscuidade entre a presidência e a governança existe e nesta república é uma regra matemática. Como melhor exemplo lembro, porque, tal como dizem os comunistas – nunca esquecer –, a Amnistia Presidencial aos terroristas das FP25 tendo à cabeça o chefe da tribo da COPCON, Otelo Saraiva. Eles devem-se. Os portugueses deviam levantar a cabeça e decifrar as constantes "imparcialidades" dos presidentes da república. Talvez o óbice seja esse: levantar a cabeça. Devem andar muito pesarosas de olhar para o chão e para as migalhas.

Cronologia da república - 26 de Outubro

1914

  • Assalto ao jornal “Liberdade” no Porto

1915

  • Greve dos operários de Setúbal e Palmela

1916

  • Dec 2691 obriga os produtores de trigo a vende-lo a manutenção militar

Fontes: aqui

domingo, 25 de outubro de 2009

sábado, 24 de outubro de 2009

Cronologia da república - 24 de Outubro

1923

  • Greve em São Pedro da Cova
  • Várias prisões em São Pedro da Cova
  • Encerramento da sede do sindicato em São Pedro da Cova
  • Encerramento da chamada sopa comunista em São Pedro da Cova

Fontes: aqui

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Coisas do diabo...




Ainda muito a propósito do Orçamento Geral do Estado que o governo deverá apresentar ao Parlamento, sugerimos ao 1º ministro que admoeste o Palácio de Belémquanto a uma redução de gastos. De Madrid chega a notícia de João Carlos I tersolicitado a Zapatero, o não aumento em 2010, da dotação anual à Casa Real. Como se sabe, o Palácio da Zarzuela despende 8,9 milhões de Euros/ano para aquele "estadão" que se conhece. Aqui, na República da Tugalândia, os quase 17 milhões anuais são apenas suficientes para a sra. de Cavaco Silva - a fanática capadócia - dizer em entrevista que o Palácio de Belém não tem... um tostão?!

Cronologia da república - 21 de Outubro

1910

  • Suspensão das funções do bispo de Beja por portaria

1912

  • Ataque ao posto da GNR pela população em Coruche

1914

  • Destruição do jornal “Noticias de Évora”

1920

  • Greve de alfaiates em Lisboa

1921

  • Tentativa de Assassinato, em Leiria, do industrial Alfredo da Silva
  • CGT reclama a libertação dos sindicalistas detidos

Fontes: aqui

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Num ocaso nevoento




«É o presidencialismo possível ou desejável em Portugal?» Debate com a participação de João Gonçalves e de Pedro Mexia. Ciclo de debates - "QUE DEMOCRACIA PARA O SÉC. XXI? - organizado pelo CADC – Centro Académico de Democracia Cristã, em colaboração com as Livrarias Almedina. Na Almedina, Estádio Cidade de Coimbra. 23 de Outubro 2009, às 21h 00."

A resposta só pode ser uma: não!

Tivemos uma experiência presidencialista com Sidónio Pais e uma tentativa abortada com Manuel Arriaga - Pimenta de Castro. A 2ª república não foi presidencialista, devido aos condicionalismos impostos pela personalidade do primeiro-ministro Oliveira Salazar e à clara necessidade de manter as Forças Armadas tranquilas e aparentemente ttulares do exercício da soberania. Gomes da Costa jamais poderia ter sido o "presidente-total" e ainda menos um general Carmona ou a conhecida nulidade Craveiro Lopes. Pelo contrário, o sempre subestimado Américo Tomás, viu crescer a sua importância - embora discreta e camuflada pelo governo de Marcelo Caetano - após o desaparecimento político de Salazar.

O ilusório presidencialismo, não passa de uma reedição de um neo-sebastianismo disfarçado de "novos tempos", enfim, um bonapartismo querido por alguns, num projecto de moralização da coisa pública. Conhecendo a personalidade e a carreira de alguns - ou melhor, do único - candidato(s) a salvador(es) da pátria, conclui-se com um simples apontar do dedo à manipulação e à quimera. Não será desta forma que a república conseguirá sobreviver ao vórtice que criou. Aliás, temos coisas mais importantes para tratar.


Era tudo muito legal. Tudo à imagem da República


"(...) No decorrer dos conturbados tempos da 1ª República, surgiram variados grupos e grupelhos semi-secretos, actuando como corpos privados de polícias secretas ao serviço dos variados partidos políticos e até das próprias instituições ou como associações onde, por vezes, era difícil traçar uma linha clara entre fins políticos e fins criminosos. Assim, nasceram mais ou menos ligados à Maçonaria-Carbonária e ao Partido Democrático, a Formiga Branca, os Defensores da República, os Voluntários da República, o Grupo dos Treze, e outros "13". As lutas entre estes grupos eram constantes, como no caso dos Lacraus e do Grupo do 27 de Abril, atacando a acção da Formiga Branca e dos Democráticos."


Pedro Manuel Pereira, in jornal "A avezinha", 15.10.2009

A Lei do Código eleitoral, de 1913 OU Uma República contra a descriminação e as elites

A transcrição que se segue refere-se à Lei do Código Eleitoral de 1913 que foi revista para melhorar a anterior de 1910.

"Capítulo I
Dos Eleitores

Artigo 1º – São eleitores de cargos legislativos todos os cidadãos portugueses do sexo masculino, maiores de 21 anos que estejam no gozo dos seus direitos civicos e politicos que saibam ler e escrever português e residam no territorio da Republica Portuguesa.

Artig 2º – Os cidadãos pertencentes ao exercito e á armada e aos corpos da policia civica, que á data da eleição se encontrem em serviço efectivo não podem votar.

Art. 3º – Não podem ser eleitores: os alienados e bem assim os interditos, (...) os falidos, (...) os que estiverem pronunciados por despacho com transito em julgado (...) e os por efeito de sentença penal condenatória, (...) os que tiverem sido condenados como vadios, a partir de 5 anos a contar da data que os condenou, (...) os que tiverem sido condenados por crime de conspiração contra a República, (...) os indigentes incluindo os que tiverem sido internados em qualquer estabelecimento de caridade, (...) os estrangeiros naturalizados ha menos de dois anos."


Foto retirada do site: www.parlamento.pt

Festa Republicana na Rua do Carmo


"A poucos dias, são as festas da cidade – não festas de uma aristocracia, mas festas para o povo, festas para todos. E pratica-se aquele monstruoso atentado na Rua do Carmo. Atira-se uma bomba sobre um cortejo que reune principalmente crianças. Morre um vendedor de hortaliça, um operario de Castelo de Vide, um dos proprios implicados no crime, e ha dezenas de pessoas feridas, quasi todas operarios e crianças. Não é já a existencia de agitadores que se observa. Verifica-se a existencia de uma seita de malfeitores que não se preocupa com os mais elementares sentimentos de humanidade."

Relato do embate entre facções republicanas a 10 de Junho, em Lisboa; in O Mundo, 1914, pág 105

Cronologia da república - 20 de Outubro

1911

  • António José de Almeida é espancado por Carbonários em Lisboa

1913

  • Tentativa de derrube da Republica
  • Destruição dos jornais “Dia” e “Nação” em Lisboa

1914

  • Tentativa de derrube da república
  • Corte das comunicações telefónicas e telegráficas com o norte do país
  • Incidentes em Bragança
  • Destruição do jornal “Jornal da Noite” em Lisboa
  • Destruição do jornal “Restauração” em Lisboa
  • Destruição do jornal “Talassa” em Lisboa
  • Destruição do jornal “Ridículos” em Lisboa

1919

  • Conflito entre os industriais de conserva e os marítimos em Setúbal

1921

  • Decreto 7744 – Suspensão da constituição

Fontes: aqui

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Iconografia pré-republicana #1

Portugal. Digital ID: 1571937. New York Public Library

A revolução devorando os seus filhos

Como refere aqui em baixo a cronologia do nosso Daniel Nunes Mateus, faz hoje oitenta e oito anos que os ímpetos revolucionários e a instabilidade política da república produziram um dos seus mais aberrantes acontecimentos; quando, ao mesmo tempo que o assassino de sidónio Pais era libertado da cadeia eram barbaramente assassinados António Granjo, Carlos da Maia, Freitas da Silva, Machado dos Santos e Botelho de Vasconcelos, naquela que ficou conhecida pela Noite Sangrenta, com o protagonismo dum obscuro cabo Abel Olímpio o "Dente de ouro" e a sua Camioneta fantasma (na imagem). Saiba mais aqui.

Liberdade & fraternidade na República Portuguesa (1914-1916)

«De 1914 a 1916 andamos com a vida por um fio, insultado em tôda a parte onde aparecíamos: no Parlamento, na rua, nos cafés e nos carros "eléctricos". Raro era o dia em que não recebíamos aviso de que fôra deliberado, num comité de patriotas, coserem-nos de facadas ou queimarem-nos nos miolos, alguns dêsses avisos dimanando da Polícia que, todavia, nunca prendeu tão beneméritos cavalheiros, sabendo quem êles eram e onde se reuniam concertando o patriótico intento.
Uma noite na Brasileira do Rossio, apareceu um grupo à minha procura, um grupo de patriotas, está bem de ver, um dêles mal disfarçando debaixo do capote um machado. Propunham-se abrir-me a cabeça, como aconselhara o Mundo, para ver o que eu tinha dentro dela. Por acaso não jantara em casa, nesse dia, e por isso não fôra, como de costume, depois de jantar, tomar café à Brasileira, sem nenhum aviso do que se planeava.
Pagou as favas o Dr. António José de Almeida, insultado e zurzido pelos bons patriotas que me tinha procurado no café, e provàvelmente êle teria sido vítima duma machadada, se não o empurrassem para a loja dum armeiro, o Heitor, que, por um feliz acaso, ainda não tinha fechado.
No Parlamento, mais duma vez, êsses executores da alta justiça social se instalaram, armados de bombas e pistolas, na galeria que dominava o sector unionista, dispostos a cumprirem o seu mandato a um sinal convencionado

Brito Camacho, «Portugal na Guerra»

Cronologia da república- 19 de Outubro

1911

  • Manifestação de carbonários contra os jornais “O intransigente”, a “Republica” e a “Luta”
  • Existem 500 presos políticos

1915

  • Greve dos soldadores de Setúbal

1921

  • Tentativa de derrube da Republica
  • São assassinados António Granjo, Carlos da Maia, Freitas da Silva, Machado dos Santos e Botelho de Vasconcelos
  • Libertado o assassino de Sidónio País

Fontes: aqui

domingo, 18 de outubro de 2009

Cronologia da república - 18 de Outubro

1911

  • Saneamento de dois professores da Faculdade de Direito de Coimbra

1917

  • Protestos dos Bombeiros Municipais de Lisboa, sendo o quartel invadido pela GNR

1919

  • É fechado o jornal “ A Província” de Coimbra

Fontes: aqui

sábado, 17 de outubro de 2009

A velha república

É sempre bom reler "A República Velha" (Gradiva), de Vasco Pulido Valente, um livro que eu estava proibido de ler na faculdade. Ali, naquele livro maldito, podemos constatar o carácter terrorista da I República. Ali, naquele livro que Mário Soares deve ter queimado num auto-de-fé privado, podemos ver como o "bom povo republicano" era a PIDE informal de Afonso Costa; o bom povo bufava e batia com primor. Ali, podemos verificar que a repressão dos direitos sindicais começou com Afonso Costa, e não com Salazar. Ali, podemos ver como a esquerda indígena não evoluiu muito: os nossos esquerdistas passaram do "morte ao talassa" para o "morte ao fascista". Em 100 anos, conseguiram mudar uma palavra.

Henrique Raposo no Clube das Republicas Mortas

O Rei não és tu!

O prezado Tiago Moreira ramalho resolveu evoluir para o ódio mais básico que pode ditar a conduta anti-monárquica, que na maior parte dos casos pouco ou nada tem a ver com republicanismo...."o Rei sou eu" escreve no site do EXPRESSO

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Outras grandes nações no debalde do sec XIX cairam no republicanismo formatado.Com os mesmos efeitos e com os devidos ajustes o republicanismo apenas realçou o descontrole social e politico emergentes da fase de concentração industrial, na devida proporção do grau de desenvolvimento no momento em que se deu a mudança de regime.
O romantismo da ruptura abrupta em nome de uma teoria inatíngivel ,os filhos, netos e bisnetos da Comuna de paris continuam a sua senda, propagando aos ventos os beneficios de uma sociedade sem classes no meio de um mundo onde as Nações mais evoluidas foram aquelas que em vez de romperem com o ciclo politico adaptaram-se a ele, onde a igualdade se transparece nas oportunidades, a equidade na força do tecido económico e a fraternidade no sentimento de pertença a uma comunidade cujo perene representante é o Rei.
O texto, que rebato, tem importãncia pelo fraco conhecimento daquilo que foi a experiência da 1º Republica em Portugal e das suas congéneres pela Europa fora


"O rei sou eu"


Falso..o Rei é determinado por razões históricas intrínsecas ao próprio povo e cultura que pressupõe representar.No caso português é SAR D. Duarte Pio, por variadissimas razões , as quais o próprio Estado reconhece.

"É essa a maravilha de tornar os Estados numa coisa pública, tirando-os da mão de um senhor - normalmente é um senhor, não há quotas na genética - que o herdou apenas porque os concidadãos dos seus antepassados não se importaram de abdicar do direito a escolher o seu líder máximo, delegando tal competência à madrasta natureza. E que madrasta, tantas vezes"

A mesma genética que confere cidadania ao nascidos filhos de.. e em território X.... Também na mais fundamental peça do edificio republicano, a cidadania, existe a questão genética hereditária a fundamentar a existência do próprio Estado.
SE não pode existir um Rei porque hereditariedade de direitos politicos é errado, então também o é na assumpção de pertença a um povo,cultura ou nação aos recém nascidos.
Toda a Nação Pais ou Estado é um somatório de esforço e dedicação em prol da ascendência , em prol do futuro

"Dizem que o monárquico é regime de muita virtude. Que os países mais ricos da Europa são Monarquias. Pois são. Mas falta dizer que se tornaram os mais ricos e poderosos muito antes de se pensar na ideia de uma República. Ou no século XIX a Inglaterra e a Holanda não eram muito mais ricas que esta nossa praia mal amparada?"

Falso!...a Inglaterra medieval era pobre...mais pobre que o rico império português, o qual só existiu até à Republica.
Para dizer a verdade só podemos falar em Republica versus Monarquia a partir de 1918
mesmo assim as monarquias que deixara de o ser ficaram mais pobres (Alemanha ,por exemplo...Russia, Austria, Turquia...etc etc etc) enquanto que as monarquias que prevaleceram ficaram mais ricas
Mesmo assim qualquer Reino europeu está mais bem colocado em qualquer indice, que a melhor das republicas...e isto é um facto não casual, muito pelo contrário indica a qualidade do regime e o nível de incompetência politico-administrativa que grassa na tal "praia mal amparada"

"E dizem que o monárquico é regime de muita liberdade, de muita escolha"

correcto!...Qualquer monarquia europeia figura nos lugares cimeiros de qualquer índice de qualidade democrática e liberdade expressão.Dizer o contrário é ocultar sériamente a verdade

"como é que se pode falar em Democracia quando o mais alto cargo do Estado é imposto por uma espécie de desígnio divino?"

falso!...Fosse um povo e a qualidade do regime deste mesuraveis pelas qualidades éticas intrínsecas de um único cargo e ninguém estaria preocupado com níveis de desemprego ou dinâmicas do PIB, cargo esse que em Portugal só parece ser relevante para aparecer numa varanda a 5 de Outubro e 2 a 3 vezes em comunicados pela televisão.

"Uma Monarquia Constitucional é apenas uma Monarquia como qualquer outra"

Não!...tem Constituição..está lá na palavra "constitucional"

"o povo inglês até pode ter os mais democráticos sistemas eleitoral e participativo; isto pode ser tudo verdade, mas não deixa de lhes faltar uma última liberdade: a de escolherem o seu líder máximo, "

Realmente há que ter pena dos 18% dos britânicos que perdem o sono a pensar nisso.
O problema são os 90% de portugueses que perdem o sono a sonhar com o nivel de vida dos britânicos
Mas podemos escolher o Presidente!...tão felizes que somos!


"só não percebe isto quem não quer."


Concordo...mesmo!

Só tenho pena e plena desconsideração por aqueles que acham bem penhorar o futuro de toda uma nação para poderem um dia serem Presidentes...ou lá o que isso seja

Entretanto os nossos melhores emigram para as ditatoriais monarquias...porque de facto lá vive-se melhor e com mais liberdade!

Cronologia da república - 17 de Outubro

1910

  • Distúrbios na Universidade de Coimbra
  • Dec.-D.G nº11 Abolido provisoriamente o lugar de reitor do liceu

1911

  • O governo pede a assembleia para suspender a constituição para julgar monárquicos
  • Criação de um tribunal especial “Tribunal das Trinas”

1915

  • Greve dos operários de construção civil
  • Greve dos polidores de móveis

Fontes: aqui

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Saudade de João Camossa


Faz hoje 2 anos que faleceu João Carlos Camossa Saldanha. Homem invulgar e cativante, foi fundador do Centro Nacional de Cultura (e seu presidente em 1949)* e do Partido Popular Monárquico. Que saudade. Ele foi um dos culpados pela minha adesão à causa monárquica. João Camossa "nasceu" monárquico. O seu pai, o capitão-mar-e-guerra Augusto Saldanha, foi um dos resistentes ao 5 de Outubro de 1910, o que lhe valeu a prisão e muitos dissabores na carreira militar e na vida familiar. Os seus argumentos, simplicidade e emoção oratória não deixavam ninguém indiferente. Era um homem de histórias que adorava as tertúlias e a conversa inteligente. Não o revejo em nenhuma das actuais figuras políticas nem nesta moralidade e costumes. Não deve ter sido por acaso o seu alheamento do (recente) PPM e dos "lugares" que lhe ofereceram. Costumava dizer-me, no seu tom irónico, que se ele fosse "republicano" um "dedinho" do que ele dizia já lhe tinha dado direito a uma comenda!
Pelos seus ideais e pelas causas que o moveram, ergo uma homenagem ao João Camossa. Que as saudades que deixa sejam força para continuar a lutar por um verdadeiro Portugal.

* O Centro Nacional de Cultura tem em agenda uma homenagem a João Camossa no início de 2010.

Cronologia da república - 16 de Outubro

1911

  • Afonso Costa defende a intransigência com os inimigos da Republica
  • 55 pessoas são presas sob a acusação de tentarem derrubar a Republica
  • Incursão realista no norte de Portugal

1913

  • É fechado o jornal “7 de Julho” de Chaves

1915

  • Portaria determinando a colocação de bustos da república em todas as salas de audiência dos tribunais

1918

  • Ataque aos presos do levantamento de dia 12, registando inúmeras mortes e feridos

1921

  • É fechado o jornal “Voz de Guimarães”

1925

  • Decreto 11154 extingue a repartição central da secretaria do governo civil de Lisboa

Fontes: aqui

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Engorda


O tempo passa e os cidadãos nem reparam no peso deste regime. Não estamos a falar de gramas. Estamos a falar de toneladas. A República passou a ser o Estado. O Estado passou a imiscuir-se na política legislativa. A independência entre o Estado e a política, ou um Estado independente, apolítico, não existe em República. O Estado passou a ser um assunto "privado" ou arrendado de 5 em 5 anos. A República está a engordar e a arrotar caprichos vai para 100 anos. E pesa, descaradamente. Até quando os cidadãos vão querer alimentar este regime?


** Adenda, para os mais sensíveis: esta foto montagem procura ir ao encontro da alegórica-República, a mesma que passou a personificar o regime da mama e que foi mandada colocar, por decreto, em tudo quanto era sítio, e que, como tal, é esculpida de peito ao léu. Acontece que, nesta foto actual, a República já está gorda de tanto fartar.