quarta-feira, 14 de abril de 2010

As quadrilhas Portuguesas da História

Não ha nada d'egual, nada de semelhante ás quadrilhas portuguezas da historia.(...) O menuer pode ser um louco e ser um genio e um caracter. Pode ser um louco sem genio e sem caracter. E pode ser um criminoso, um salteador vulgar. Toma o nome de Luthero, Mahommet, Robespierre, Danton ou Marat quando é um louco de genio e de caracter. Chama-se Theofilo Braga quando é um louco sem caracter. E conhecem-no por Alexandre Braga, João Chagas ou Affonso (Costa) Maria de Ligório quando é um malandrão de taberna, um malandrão de prostibulo ou um salteador de estrada.

Homem Christo. Banditismo Politico. Madrid, 1912

Cronologia da república - 14 de Abril

  • 1918

Restabelecimento da censura de imprensa

  • 1920

Ataques bombistas em Lisboa

Ataques bombistas no Porto

Ataques bombistas em Faro

Ataques bombistas em Beja

  • 1926

Lutas entre deputados na assembleia da república

Fontes: aqui

terça-feira, 13 de abril de 2010

História honesta

A "História de Portugal" coordenada pelo Prof. José Mattoso tem o seu 6º vol. dedicado à transição Monarquia/República e chama-se "A Segunda Fundação". O título é aterrador e logo nos peparamos para mais umas catilinárias...
Mas não. O texto está eivado de verdades, até porque o autor responsável é Rui Ramos. Atentemos no seguinte excerto:
«Nos últimos 90 anos, a maior parte dos historiadores tem repetido piedosamente as calúnias que a propaganda republicana inventou contra João Franco. O franquismo foi desfigurado como uma desastrada tentativa de combater os republicanos com um governo brutal. Esta ideia é tão injusta como disparatada (...). Com efeito, João Franco veio para o poder com uma retórica de oposição. (...) Os republicanos ficaram desorientados e divididos perante um poder que subitamente passava a falar como eles, que até os promovia e apoiava. A João Franco ficaram os republicanos a dever a eleição de quatro deputados, a sua maior representação parlamentar até então. Se João Franco quis alguma coisa, foi inaugurar uma nova era de tolerância e democracia (...). Se falhou, não foi por ter usado a força, mas precisamente pelo contrário».
E esta? Que bom seria os comentadores históricos que "blogam" pela República vir aqui, a este espaço aberto, contrariar a verdade histórica...
in «História de Portugal», direcção de José Mattoso, vol. 6º, pág. 267.

Ocuparam a sede do partido de Franco quando mataram o Rei e lá nasceu o SLBenfica - Jornal a Bola dia 12-4-2010

Por António Simões
O Sport Lisboa era de Belém e não tinha campo. Mirabolantes algumas histórias dos seus primeiros tempos – em que as balizas se montavam e desmontavam para treinos e jogos e as redes eram da pesca. Como o Sport Benfica tinha campo e sede de luxo, mas não tinha jogadores, fundiram-se. E o que era para ser o Sport Clube de Lisboa e Benfica acabou à última hora por ser... Sport Lisboa e Benfica.Aurélio Paz dos Reis ganhou fama e fortuna como comerciante de flores que criava no jardim do seu palacete, no Porto. Era da maçonaria – e envolveu-se na revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891. Alargou o negócio à estereoscopia – a fotografia em relevo -, na sua loja de máquinas de escrever passou a vender igualmente películas da Lumière & Jougla. De súbito, saltou-lhe, ousada, a ideia: comprar cinematógrafo aos irmãos Lumière. Largou, então, para Lyon – quando lá chegou os Lumière disseram-lhe que não vendiam a máquina por dinheiro nenhum, que fora promessa feita ao pai. Paz dos Reis, não desistiu – e acabou por descobrir em Paris o cronofotográfico que os irmãos Werner inventaram entretanto. Foi o que trouxe para o Porto, revolucionário. Deu-lhe, pomposo, outro nome: kinetógrafo português. E a 12 de Novembro de 1896, apresentou no Teatro do Príncipe Real, vários «quadros de fotografias em movimento», um deles era sessão de Jogo do Pau em Santo Tirso. Levou a novidade a Braga – e ao Brasil. No Rio, o negócio falhou, pô-lo em stand by, retornou ao Porto, dedicou-se ao comércio de automóveis Minerva - e quando a monarquia caiu chegou a vereador da Câmara Municipal.Algures por 1896, Manuel Maria da Costa Veiga conhecera em Lisboa Edwin Rousby. Chamavam-lhe O Electricista de Budapeste, uns diziam que era húngaro, outros que era americano. Viera a Portugal como agente de Robert Williams Paul, tentando vender a sua última invenção: o Paul-Acres Camera, «máquina de filmar cujas imagens eram passadas em peep-show, uma caixa fechada dentro da qual se via o filme através de um óculo». Para melhor mostrarem a sua novidade, fizeram várias filmagens em Portugal, uma Tourada à Antiga Portuguesa no Campo Pequeno – e A Praia de Algés na Ocasião dos Banhos, nesse trecho de um minuto, como todos os demais, «as atracções foram a ginasta Amparo Aguilera e o actor Jaime Silva, artistas do Real Coliseu». O exibidor era, claro, Costa Veiga. Mas, ao saber que Paz dos Reis se tornara ele próprio «caçador de imagens», decidiu fazer o mesmo – e em 1899 comprou num leilão protótipo do «mecanismo de Paul». Implantara-se já como empresário do «mundo do espectáculo», conseguira financiamento para construir o Teatro Avenida, inaugurara o Éden Concerto – e abrira em Cascais a Esplanada D. Luís Filipe, onde exibia os filmes que Rousby e Paul lhe enviavam do estrangeiro. Fundou a Portugal Filmes em Algés – e a sua primeira produção foi Aspectos da Praia de Cascais: D. Carlos a banhos, o chique do veraneio, o glamour do Sporting Club na Parada...Contudo, nada disso teve o impacto de uma outra coisa, que em 1904 empolgou uma certa Lisboa: o animatógrafo, assim se chamou às salas destinadas a projecções de cinema. O primeiro foi o Salão Ideal, lançado por João Freire Correia, dono de um estúdio de fotografia na Rua da Prata, em Lisboa - e que em 1910 assinaria o primeiro documentário verdadeiramente desportivo em português: A Corrida de Automóveis na Rampa da Pimenteira, fundara já a Portugália Films, associado a Manuel Cardoso Pereira. As primeira entradas para o Salão Ideal custavam seis vinténs – mas durante largo tempo «a moral e os bons costumes» marcaram o animatógrafo como «símbolo de escândalo, interdito às meninas de sociedade» porque a «obscuridade das salas» era «propícia à sedução e à intimidade».Modéstia de Cosme Damião e prisão de Cruz ViegasFoi nesse ano de 1904, a 28 de Fevereiro, que antigos alunos da Casa Pia e jogadores do Grupo dos Catataus se juntaram na sala de reuniões da Farmácia Franco para fundarem um novo clube. Primeira sugestão de nome: Grupo de Football Lisboa. José da Cruz Viegas, então aspirante do exército, que na I Guerra Mundial cairia, prisioneiro, nas masmorras dos alemães, contrariou-a com curioso argumento: «As iniciais dariam GFL, talvez aparecesse alguém a suor que se trataria da Guarda Fiscal de Lisboa». Falou-se em Grupo Sport Lisbonense – e em Grupo Sport Lisboa se ficou, não muito depois já era simplesmente Sport Lisboa. A Cosme Damião coube redigir a acta da fundação – mas por modéstia não escreveu nela o seu nome. Logo se acertou que presidente seria José Rosa Rodrigues, o mais velho dos irmãos Catataus; que o símbolo seria uma águia - «por significar elevação de propósitos, largo espírito de iniciativa e ânsia de subir o mais alto possível»; que a divisa seria Et Pluribus Unum como apologia de união na comunhão de sentimentos. As cores, escolheu-as Cruz Viegas: vermelho e branco por «traduzir alegria, colorido e vivacidade e ser fonte de entusiasmo». Bola em segunda mão, 1500 réis...Compraram-se camisolas de flanela na Alfaiataria Nunes e uma bola em segunda mão ao Cricket Club por 1500 réis. As redes eram umas que tinham sido usadas na pesca da corvina, na Trafaria – e para os jogos e treinos, que se faziam, ali mesmo em Belém, numa faixa de terreno junto da linha de comboios para Cascais, montavam-se e desmontavam-se as balizas, havia um carpinteiro que recebia 50 réis pelo trabalho. Para o banho usava-se a água de um poço, um moço retirava-a com um balde e despejava-a pela cabeça abaixo dos jogadores. A 1 de Janeiro de 1905, fez-se o primeiro jogo «formal», contra o Campo de Ourique. Treinador foi Manuel Gourlade – e o SL venceu por 1-0. Nesse, como em vários outros jogos seus esteve apenas um polícia à guarda, pelo serviço lhe deram 500 réis – e o Sport Lisboa criou igualmente o hábito de oferecer lanches aos adversários, nos seus primeiros documentos de contabilidade há despesas de 4,5 litros de vinho por 540 réis e de 36 sanduíches por 1800 réis. O truque da sede dos franquistasA 19 de Maio de 1906, D. Carlos colocou ponto final ao rotativismo entre regeneradores e progressistas que vinha de 1893 – nomeando João Franco para primeiro-ministro. Ele prometeu governar, liberal, democrata, à inglesa – mas depressa passou a governar, autocrático, ditador, à turca. Semanas depois, a 26 de Julho, fundou-se o Sport de Benfica, José Duarte foi o seu primeiro presidente. Três meses volvidos sucedeu-lhe Luís Carlos Faria Leal, major do exército – e em Maio de 1907, o SB por 40 mil réis ao ano, tomou posse de terreno da Quinta da Feiteira onde montou campo de futebol de 120 por 79 metros. Passou tempo com o Benfica a brilhar em ciclismo e atletismo – e a 31 de Janeiro de 1908 Franco convenceu o rei a promulgar decreto que permitia a deportação dos presos políticos para as colónias de África ou para Timor. Ao assiná-lo, D. Carlos largou, premonitório, num murmúrio: - Assino a minha sentença de morte, mas os senhores assim o querem...No dia seguinte, o rei e o príncipe real caíram às balas de dois carbonários. E ali mesmo, no olho da tragédia, ao avistar João Franco, Maria Pia, a velha rainha-mãe, praguejou, apontando para os cadáveres de D. Carlos e D. Luís Filipe estendidos no chão do Arsenal: - A vossa obra, Senhor Presidente! Diziam que o senhor era o coveiro da monarquia. Foi pior. Foi o assassino de meu filho e de meu neto...D. Manuel assumiu a coroa – e atirou João Franco para o exílio. Alguns dos membros do Centro Regenerador Liberal da Cruz da Pedra, o braço político franquista, que tinha a sua sede na Travessa de Sanches de Baena, eram também sócios do Sport Benfica - e Faria Leal contou não muito tempo volvido: «Porque os franquistas haviam abandonado, na retirada, armas e bagagens –numa simulada assembleia geral, aprovámos acta testamentária a considerar por herdeiro o Sport Benfica, que assim se viu pomposamente instalado, com uma sala de bilhar e um decente e moderno mobiliário...» Tinha campo, tinha sede – só não tinha grandes jogadores de futebol. Cosme Damião, a alma do Sport Lisboa, também era um dos 129 sócios do Sport Clube de Benfica. E como o SL tinha jogadores, mas não tinha campo, lembrou-se de fundi-los. António Freire Sobral apresentou em AG a proposta de junção e sugeriu o nome: Sport Club de Lisboa. Achou-se que ficaria melhor Sport Clube de Lisboa e Benfica – e a 13 de Setembro de 1908, ao oficializar-se a união, a designação que se acertou, à última hora, foi Sport Lisboa e Benfica. 720 réis por causa de um candeeiroJoão José Pires, que a 28 de Junho fora eleito presidente do Sport Clube de Benfica, foi indicado primeiro presidente do Sport Lisboa e Benfica – após a fusão com o Sport Lisboa. Ao assumir o cargo teve de suportar dívidas que vinham de Belém: 157$500, sendo, por exemplo, 110 mil réis ao salão de jogos da Viúva Sena Cardoso e 47$500 a uma mercearia! Lá, no SL, criara-se, entretanto, outro costume: no final dos jogos, aos adversários ingleses, dava-se... uísque. Pouco depois Cosme Damião, o capitão da equipa de futebol, pagou às Companhias Reunidas Gás e Electricidade 720 réis – por «prejuízos causados num candeeiro d´iluminação», uma bola que ele chutara violentamente, galgara a vedação do campo e partira globo e lâmpada! Como Lisboa se iluminava...A ideia de iluminar as ruas de Lisboa foi do intendente da polícia Pina Manique, no reinado de D. Maria I. Os primeiros apareceram por volta de 1780 – eram lampiões de azeite, suspensos em consolas, davam uma luz ténue, fusca, apenas. Já no século XIX substituiu-se o azeite por óleo de purgueira ou de baleia, mais barato, mas muito mais mal cheiroso – e houve um tempo em que também se tentou por petróleo.Em 1848 havia em Lisboa 2168 candeeiros a óleo – e a Companhia Lisbonense espalhou pela cidade os «vaga-lumes» - que se acendidam manualmente. No ano seguinte eram já 402 os candeeiros a gás. Trinta anos depois, D. Luís ofereceu à Câmara Municipal seis candeeiros de lâmpadas de arco tipo Jablochkoff, que tinham sido usados na Cidadela de Cascais, por ocasião das festas de aniversário de D. Carlos. Eram iguais aos que, quatro meses antes se usaram para iluminar a praça do Teatro da Ópera em Paris – e foram instalados na rua dos Mártires, no Chiado, no Largo das Duas Igrejas e na varanda do Hotel Gibraltar. As «velas Jablochkoff» eram de carbono – e não duravam mais de hora e meia. Por isso, para mantê-las acesas precisava-se de servente de escadote, sempre pronto, sempre alerta – que no fim da combustão de cada uma a substituísse. João Rodrigues Ribeiro era padre, reitor do Liceu de Santarém – e «hábil mecânico». Celebrava missa com um cálice que ele próprio fabricara – e imaginou o «comutador automático» - que resolvia, de facto, a baixo custo e com grande simplicidade o problema da iluminação eléctrica de Jablochkoff. Em 1879, publicou o seu plano de «comutação de velas» no Jornal das Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais – mas apesar das suas qualidades não registou a patente, nunca se levou à prática a sua invenção. E por entre a discussão sobre o seu alto custo e o seu «eventual perigo para a saúde», os seis candeeiros que iluminaram a esplanada da Cidadela de Cascais e foram motivo de pasmo na cidade afundaram-se assim na penumbra da história.Em 1887 a Câmara Municipal celebrou com uma empresa belga contrato para fornecimento de gás à cidade – e colocou-lhe como condição que iluminasse a Avenida da Liberdade e os Restauradores. Utilizou-se o sistema de manga incandescente – e dois anos depois, inauguraram-se os primeiros 38 candeeiros eléctricos na Avenida da Liberdade. Em 1902 estava já generalizada a iluminação das ruas, durante a I Guerra muitos deles apagavam-se para que se poupasse em energia - e apenas em 1965 deixou de funcionar o último candeeiro a gás na cidade, no Campo de Santana...

Afonso Costa 2



Fonte: Jornal a Bola de 15-2-2010

Afonso Costa 1


Fonte: Jornal a Bola de 15-2-2010

À espada, duelo de Afonso Costa contra o conde do comité olímpico - Jornal a Bola

Por António Simões:
Nasceu «exposto na roda», eufemismo usado para bebés abandonados. Mal entrou no Parlamento, Afonso Costa escreveu carta à mulher a dizer: «já comecei a guinchar» - e logo se falou dele como «deputado da peste». Andou ao soco, lutou à espada, pelos seus duelos passaram o Conde do Comité Olímpico e a guerra ao monopólio do inglês que levou a primeira bola de futebol para a Madeira... Foi em 1884. Nunca na política, o desafio, a batalha, se fizera assim. Sebastião de Magalhães Lima era já advogado ilustre – e, republicano e maçon, fundara O Século. Ao saber que por ocasião das eleições houvera na Madeira, onde Manuel de Arriaga era candidato, violenta carga policial – correu para o seu jornal e «tomando a pena» desafiou o rei D. Luís para pancada: «Eu não posso bater-me com os lacaios de vossa majestade, mas se vossa majestade tem nas veias o sangue quente dos seus avoengos, desça à rua e me encontrará um adversário». O impulso do sangue quente – levou-o a condenação a ferros no Limoeiro, outras vezes por lá passaria. Ah! E outra vez também se bateu em duelo ao sabre com Pinheiro Chagas, então director do Diário da Manhã, deixando-o ferido. Inspirado nesse espírito de Magalhães Lima, refinando-o, aguçando-o, radicalizando-o, entrou Afonso Costa na política. Polarizou paixões e ódios. Tornou-se ídolo de multidões – que o cunharam Pai da República. Outro tanto frenesim despertou em adversários e inimigos – que lhe chamaram Chefe de Calceteiros, Jacobino de Algodres, Conspirador Bolchevista, Mata-Frades. No Parlamento temiam-lhe o ardor e a ironia, o tiro mordaz, o sorriso perverso. Num ponto, todos concordam: sem ele, sem a sua coragem, o seu voluntarismo, a monarquia não teria caído quando caiu, como caiu. E Joaquim Vieira escreveu na sua Fotobiografia: «Pertence àquela pequena galeria de homens que passaram à História envoltos por lendas. Apologéticas e demonizadoras. Ora idealista e patriota. Ora ambicioso e sem escrúpulos. Ora democrata. Ora ditador. Chegou dele a dizer-se que batia na mãe...»Cabeça como «assador de castanhas»Segundo Oliveira Marques, «chegou ao mundo fraco, com escrófulas e achacado» - e sobreviver foi a sua primeira grande batalha. Ele, Afonso Augusto da Costa sempre disse ter nascido em São Tiago, Seia, a 6 de Março de 1871. E isso é certo – só que nesse dia no registo paroquial o único Afonso que aparece é Afonso Maria de Ligório, «exposto na roda» - eufemismo que então se usava para bebés abandonados à nascença. Ligório, dizia-se, lhe chamaram em homenagem a um arcebispo de Milão que protegia jesuítas. Sobre as suas origens nunca quis falar muito, disso fez mistério. De saúde débil, aos três anos dos médicos «deram-no como perdido» - por uma angina. Acabara de fazer 10 quando foi perfilhado por Sebastião Fernandes da Costa, advogado que deixara o Seminário de Coimbra e o «destino de padre» e que depois se envolvera em nebuloso relacionamento com Ana Augusta Pereira, «filha de uma tecedeira de Gouveia precocemente cega, a quem morrera o marido em consequência de perseguições do facínora João Brandão». É o nome dela que aparece, como mãe, no BI de Afonso Costa. Que de si próprio contaria: «Já de pequeno era bastante insubmisso: gostava muito de brincar com a água e de jogar a bilharda, o pião e ir aos ninhos, jogar a travar lutas com condiscípulos, estabelecer verdadeiras guerras de pedra com a garotada, ficando tantas vezes com a cabeça rachada, que se cortasse o cabelo à escovinha, ela faria lembrar um assador de castanhas». O «deputado da peste» a guincharAos 12 anos, mandaram-no estudar para a Guarda – brilhava nos estudos, dava nas vistas na sala de ginástica – e «nos pátios e nas ruas, improvisando ruidosas brincadeiras que não raro terminavam por batalhas e duelos, ora à pedra, ora ao soco. Não costumava recuar, nem desistir, e se levava muito dava sempre quanto podia». Assim continuou. Sempre. Para Coimbra foi, então, Afonso Costa estudar direito – e foi a contestação ao Ultimatum que o lançou, fulgurante, à política. Tinha 19 anos. Já doutorado, em 1900, com 29, tornou-se deputado. Ele, Paulo Falcão e Xavier Esteves foram os primeiros que o Partido Republicano teve. Eleitos pelo Porto. Surto de peste negra levara o governo de José Luciano de Castro a criar na cidade cordão sanitário formado por militares – despertando a ira popular, que o PRP aproveitou. Por isso (e não só...) lhes chamavam «os deputados da peste». No dia 19 de Junho de 1900, Poças Falcão, presidente da Câmara de Deputados, deu-lhe, inquieto, a palavra – pela primeira vez. No jornal O Norte, João Chagas escreveu: «Todos os olhares caem sobre o deputado do Porto, que começa a falar alto e no seu habitual tom de energia. Começa a ler, lentamente, como um juiz lê uma sentença, aquela formidável moção de ordem. O murmúrio, a princípio vago, vai aumentando. É a tempestade que quer rebentar. Mas Afonso Costa não lê: impõe. Quando ele conclui – porque conclui! – é um ah! de espanto!»O que Costa pedira ali – não era um pedido qualquer. Era um manifesto. O que ele pedira era que a substituição das instituições monárquicas - «por outras diferentes, de feição republicana, graças às quais o governo da Nação pertence à própria Nação e não a uma família, casta, grupo ou classe privilegiada e seus aderentes». Falcão cortou-lhe a palavra – e antes de abandonar a sala lançou, ainda mais provocador, em desafio: «A última partida há-de ser nossa». Chegou a casa – e escreveu carta à mulher, dizendo-lhe: «Já comecei a guinchar»! O primeiro até no... soco!O Novidades, diário... governamental, comentou assim a sua estreia parlamentar: «É dos três republicanos o de palavra mais correcta, mais espontânea, com modulações mais variadas. Dos três é o que sabe encontrar notas de originalidade e tem arrojos de expressão que revelam o orador de raça». E Oliveira Marques acabaria por dar ainda melhor recorte à sua virulência, à sua eficácia, anos depois: «Foi ele talvez o mais poderoso aríete na demolição do regime. Chegava a intervir nos debates diariamente, discursando, respondendo, interrompendo, requerendo, propondo». Num ápice se veria que não havia na monarquia deputado republicano mais turbulento, mais truculento, mais agitador. Quer pelas palavras, quer pelos actos. Em 1902, bateu-se ao soco com Sampaio Bruno – em plena Rua Sá da Bandeira, por o seu correligionário o ter acusado de «desleal republicano». Passados seis anos Afonso Costa deu dois murros a Martins de Carvalho, deputado franquista, em plenos Passos Perdidos – levando José de Castro, futuro ministro republicano, a exclamar: «Sempre o primeiro! O primeiro no parlamento, o primeiro no foro e até o primeiro no soco!». Adiantamentos para não pagarCorreu o tempo e D. Carlos continuou a intitular-se, pomposo, Rei de Portugal, d´Aquém e d´Além Mar em África, Senhor da Conquista e da Navegação da Etiópia, da Arábia, da Pérsia e da Índia – mas era o monarca de mais acanhados rendimentos em toda a Europa. Para os seus gastos, o orçamento de Estado atribuía-lhe 100 contos anuais – e 60 à rainha D. Amélia, outro tanto à rainha-mãe, D. Maria Pia, 20 ao Príncipe Real, D. Luís Filipe, 10 a infante D. Manuel e o mesmo a D. Afonso, irmão do rei de quem se dizia que não casava por falta de dote. Chamavam-lhe A Lista Civil – e todo esse dinheiro não bastava para sustentar o aparato do regime, conservar palácios, pagar viagens e cerimónias, queixava-se a Casa Real – e em segredo, continuava a pedir à Fazenda adiantamentos que nunca pagava. Aires de Ornelas, o ministro do futebolBernardino Machado, lente de Coimbra, eleito presidente do directório do Partido Republicano, ao desembarcar na estação do Rossio – tinha à sua espera multidão de apoiantes. Sobre eles carregou a polícia com violência – causando 70 feridos. O comandante da polícia revelou que Hintze o instruíra no sentido de «prevenir com antecedência os maiorais do Partido Republicano», de se absterem de «dar gritos subversivos», de se manifestarem «contra as instituições». Os jornais republicanos da manhã seguinte foram todos apreendidos «à ordem do Juízo de Instrução Criminal» - e até no Diário de Notícias, que era a «voz do ordeirismo», se lamentaram as «violências de déspota». Dois dias depois, D. Amélia foi a uma tourada no Campo Pequeno – e quando Afonso Costa entrou na praça largaram-se vivas à República e alguém contou que a rainha não contivera as lágrimas ao ver aquele frenesim, aquela algazarra, «tanta gente a virar as costas ao camarote real». Foi nesse cenário a rasgar-se no drama que a17 de Maio de 1906 se deu a demissão de Hintze Ribeiro – e assim se colocou ponto final no rotativismo que se iniciara em 1893, o seu último governo durara dois meses apenas. Face ao desprestígio dos dois principais partidos, o Progressista e o Regenerador, à queda sucessiva dos ministérios organizados ora por um, ora por outro, dois dias passados o rei chamou João Franco, chefe do Partido Regenerador-Liberal ao governo. Mal tomou posse prometeu «governar à inglesa, desenvolvendo a instrução e afastando-se do proteccionismo e do favoritismo reinantes na administração pública portuguesa». Amnistiou os crimes de abuso de liberdade de imprensa – e os amotinados dos cruzadores. O seu ministro da Justiça era Aires de Ornelas, que em 1888 participou no primeiro «ensaio» de futebol que se fez em Portugal Continental - na Parada, em Cascais, uma bola que Guilherme Pinto Basto trouxera de Inglaterra. Outros ilustres que então jogaram? Salvador Correia de Sá Benevides, o visconde de Asseca – oficial de engenharia militar, que depois se tornou oficial-mor da casa real e vedor de D. Manuel II. E Vasco de Sabugosa, conde de S- Lourenço – que na aclamação de D. Manuel II haveria de servir como alferes-mor do Reino, o pai o Conde de Sabugosa, mordomo-mor de D. Carlos, era o poeta distinto que fez parte dos Vencidos da Vida, a mãe a condessa de Murça, dama camarista da rainha D. Amélia. 8000 de défice, 4000 da Casa Real! Em Junho de 1906, o rei ordenou, por proposta de João Franco, a dissolução das Cortes, eleitas dois meses antes. Novas eleições se marcaram para 19 de Agosto – Franco ganhou-as e em Lisboa o Partido Republicano elegeu quatro deputados: António José de Almeida, Afonso Costa, Alexandre Braga e João de Menezes. O parlamento abriu em Setembro – e as primeiras sessões giraram em torno da questão da nacionalidade no indigitado Ministro da Fazenda: Ernesto Driesel Schroter, filho de austríacos. A explosão deu-se, logo depois, a 20 de Novembro. Quando Franco reconheceu em São Bento que o Ministério da Fazenda procedia, desde há vários anos, a «adiantamentos» de somas avultadas aos membros da família real. Era a primeira vez que um chefe de estado reconhecia as histórias que corriam pelos cafés em dichotes e lamúrias – que «dos oito mil contos de défice, quatro mil é a a Casa Real que os gasta», dizia-se. Expulso do Parlamento à... coronhada Em Novembro, Afonso Costa falou disso no Parlamento como «crime de peculato», agitou a câmara ao bradar: — É dinheiro arrancado ao pobre povo desgraçado, que o entrega com tanto suor e tantas lágrimas...E virando-se para João Franco incendiou ainda mais o cenário:— Ordena o povo que logo que esteja pago digo o Sr. Presidente do Conselho ao Rei: retire-se, Senhor, saia do país, para não ter de entrar numa prisão, em nome da lei! Com os deputados de pé, a sala a estoirar em burburinhos, frenesins e vozearias, Costa largou: — Por menos do que fez o Sr. D. Carlos rolou no cadafalso a cabeça de Luís XVI. Tomás de Mello Sampaio, o Presidente da Câmara de Deputados, exigiu-lhe que retirasse a ofensa ao Rei, Costa reiterou-a. Intimou-o a abandonar a sala, ele recusou sair. Entraram soldados da Guarda levaram Afonso Costa para os Passos Perdidos, à coronhada. Por um mês o suspenderam de deputado – e os jornais republicanos mantiveram a questão ao rubro, a ferro e fogo. O Diário Popular escreveu: «A ladroeira está proclamada». O Mundo promoveu o rei a «gatuno, insaciável por dinheiro», a «bandido e assassino». E A Luta revelou: «com o dinheiro dos contribuintes D. Carlos terá adquirido em 1902 dois prédios para instalar uma amante». Do dinheiro que o Estado lhe dava, D. Carlos retirava para seu «salário anual» quatro contos e meio. Oficial do exército ganhava então 700 mil réis – e os operários da Carris até 350 mil. Assinatura anual de telefone andava pelos 50 mil réis - e botas de futebol na Casa Senna pelos 6500 réis. Por par de sapatos de senhora cobravam-se 3200 réis – e por um barril de água ao domicílio 200 réis. Golpe para rei não dever nadaEm Abril de 1907, D. Carlos dissolveu o Parlamento - e numa carta a João Franco pôs, preto no branco: «São precisas obras e não palavras. De palavras, bem sabemos está o país farto». E, depois, numa entrevista ao jornal francês Le Temps, revelou: «Caminhávamos não sei para onde. Foi então que dei a João Franco os meios para governar. Fala-se da sua ditadura, mas os outros partidos, os que mais gritam, pediram-me também a ditadura. Para a conceber, exigia garantias de firmeza para levar as minhas ideias a bom fim. João Franco foi o homem que eu desejava».A 27 de Maio, o Partido Republicano fez grande comício na Avenida D. Amélia – que depois de 5 de Outubro passou a Avenida Almirante Reis. Votou-se moção de Brito Camacho em que se considera D. Carlos, ao aceitar a ditadura de João Franco, violava a constituição – e «lavrara, portanto, o termo da sua abdicação». Em funcionamento estava já o «gabinete negro», instituído pela Lei de Imprensa: delegados do Ministério Público censuravam tudo o que nos jornais pudesse incomodar o franquismo.Três meses depois, João Franco deu, enfim, conta certa aos Adiantamentos: 771 contos - e arranjou forma de liquidá-los num golpe contabilístico: 465 seriam pagos através do arrendamento de edifícios da Casa Real e 306 pela compra do iate Amélia. E foi assim que a Coroa ficou sem dever nada – e o Rei ainda viu a Lista Civil aumentada em 160 contos. Reacendeu-se, pois, o escândalo. Aquilino, a bomba e os comboiosEm ebulição andava a resistência republicana – e foi por essa altura que Lisboa se agitou com a notícia de que numa casa da Rua do Carrião, à Estrela, o médico Gonçalves Lopes e o comerciante Belmonte de Lemos foram «vítimas mortais da explosão de bombas que estavam a manipular». Com vida escapou Aquilino Ribeiro, então redactor de jornal republicano – que lá morava. A polícia levou-o, ferido, para a esquadra do Caminho Novo, acabaria por evadir-se dos calabouços. Eram os três da Carbonária - e logo Juiz de Instrução Criminal enviou à «Exma. Direcção dos Caminhos de Ferro do Estado, Serviço de Movimento», ofício que dizia: «evadiu-se calabouços da Polícia Civil de Lisboa o preso Aquilino Gomes Ribeiro, escritor, natural do Carregal, concelho de Sernancelhe e com os sinais seguintes: alto, magro, 22 anos, barba e cabelos crescidos de dois meses, cor pálida. Solicita-se a sua captura. O preso é da máxima responsabilidade, por ser acusado de um crime muito grave e por esse motivo se lhe recomenda a maior vigilância possível nos passageiros do seu comboio e se for reconhecido, deverá empregar todos os meios ao seu alcance para o deter tendo o máximo cuidado em o não deixar de novo evadir-se...»O caminho-de-ferro fora introduzido em Portugal em 1856. Em 1900 12 milhões de passageiros circularam nos comboios portugueses. Nos jornais, anunciavam-se excursões de comboio a Paris, ida e volta, por 45 mil réis em primeira classe e 35 mil réis em segunda – ou a Londres por 61 mil réis e 46 mil réis. O valor mais barato equivalia a mês e meio de ordenado de um funcionário público inferior, a semana e meia de salário para um chefe de repartição. De Sete Rios a Sintra, demorava-se duas horas... Na prisão, contra o que a carroça levavaPreso no Quartel de Cabeço de Bola, na sequência do falhanço do Golpe da Biblioteca de 28 de Janeiro de 1908, Afonso Costa escreveu a 30, no seu diário de cativeiro: «Pelas 10 horas da manhã levantei-me. Pouco depois, notei que na parada do quartel havia movimento desusado. Era uma carroça, que, segundo as conversas dos soldados perto do meu calabouço, vinha carregada de bombas apreendidas aos revolucionários! Podia lá ser! Mas a verdade é que, muitas ou poucas, sempre fui estranho e contrário a semelhante meio de luta, ainda mesmo só em defesa, por o considerar um perigo para quaisquer instituições, ainda as mais liberais. Não me parece que o problema das bombas tenha fácil solução. Esses desvairados, que um dia começaram a fabricá-las, arranjaram, pelo visto, prosélitos e imitadores. Esse terrível problema só se resolve governando bem, ou educando muito. Com a nossa miséria, com o nosso pavoroso analfabetismo e com os erros dos governantes, o mal agravar-se-à sempre, com perigo para todos nós, até para os que queremos novas instituições, em que esse meio de luta será tão perigoso como na monarquia...»Ponto assente, pois: Costa era contra a violência bombista, a lei da bala. E parecia que estava a advinhar: dois dias depois D. Carlos e D. Luís Filipe estavam mortos. Não, o regicídio não amansou a polémica dos Adiantamentos. Lá, na luta que ele adorava, que o empolgava, na Câmara dos Deputados, Afonso Costa voltou com ela à berlinda, acusou o Conde de Penha Garcia de como Ministro da Fazenda em 1905 ter dado 1,8 milhões de réis ao Infante D. Afonso e, provocador, largou: - Se os republicanos tivessem sabido mais cedo dos aidantamentos não havia já monárquicos em Portugal. Tumultos de novo – mais uma sessão suspensa. Carta dramática, braço a sangrar...Para duelo à espada francesa Afonso Costa o desafiou. Marcaram-no para 14 de Julho de 1908, na estrada da Ameixoeira, em Lisboa. Antes de para lá partir, Costa escreveu a Bernardino Machado carta em tom trágico: «Vou tranquilo para este lance. Se for fisicamente vencido, o meu sangue regará a terra sagrada da Pátria, e mais um passo se terá dado para a República. Bato-me pela nossa causa e, por isso, quando a sorte me seja pessoalmente adversa, convido-o, a si em nome de todo o nosso Partido, a dar à minha memória a compensação de uma vitória próxima».Sobressalto também em torno dos monárquicos - que temiam que se Costa fosse mortalmente ferido e os apoiantes o transformassem em mártir, mais um rastilho para a revolução. Houve quem afiançasse que foi por isso que o Conde de Penha Garcia, muito melhor esgrimista que Costa, se limitara, com a sua perícia, a atingi-lo, subtil, apenas num braço, que deixou a sangrar suave... Conde no COI mesmo com RepúblicaNo ano seguinte, em 1909, o Conde de Penha Garcia subiu à presidência da Sociedade Promotora de Educação Física, embrião do Comité Olímpico de Portugal - que promoveu os primeiros Jogos Olímpicos Nacionais. E saltou para delegado permanente de Portugal no Comité Olímpico Internacional, lugar que manteve mesmo quando, desfeita a monarquia, se exilou em Genebra. Nasceu no Fundão em 1872, filho de um grande proprietário da província da Beira Baixa, Presidente da Câmara, governador civil, presidente da Junta Geral de Castelo Branco, deputado em várias legislaturas e par do Reino. Depois de se formar em direito em Coimbra - em 1892 José Capelo Franco Frazão foi para Paris frequentar a École Livre des Sciences Politiques, onde se formara Pierre de Coubertin, o refundador dos Jogos Olímpicos. Mal regressou a Lisboa em 1895, ajudou a fundar a União Velocipédica de Portugal, tornou-se presidente do Centro Nacional de Esgrima, foi campeão de espada, iniciou actividade profissional na área do Direito, no escritório de Veiga Beirão – e dois anos depois filiou-se no Partido Progressista. A deputado chegou em 1898, eleito pelos territórios coloniais de Macau e Timor. Em 1900, D. Carlos atribuiu-lhe o título de conde de Penha Garcia – e quando a monarquia caiu, em 1910, era ele o presidente da Câmara dos Deputados. Hinton, o da primeira bola na MadeiraNão foi apenas contra o Conde de Penha Garcia que Afonso Costa lutou, audaz, à espada. Outro duelo travou – quando a monarquia estava já em estertor. Largos anos antes, em 1875, no largo da Achada, na Camacha, Harry Hinton organizou o primeiro jogo de futebol que em Portugal se fez – com bola que trouxera de Londres, onde estudava. O pai fora para a ilha tratar de doença, fundou a fábrica de açúcar de cana do Torreão, lá ficou. Harry cedo se dedicou ao «sport»: cricket, natação, ténis, tiro e pesca, em tudo foi ás. Epidemia de filoxera atacou em 1895 a Madeira, para lhe minimizar os efeitos o governo fixou por cinco anos o preço e as condições de importação de melaço, açúcar e álcool, concedendo mão-cheia de regalias alfandegárias. Em 1903, a Hinton & Sons que monopolizava o negócio na ilha pretendeu que o Estado lhe mantivesse os privilégios por mais 15 anos. Não o conseguiu de imediato - conseguiu-o, contudo, no orçamento de 1904. Cinco anos volvidos, o governo de Campos Henriques apontou para novo regulamento, Hinton ameaçou: se se mudasse o quadro exigiria indemnização de 673 mil libras. No impasse se foi ficando... Até que a 21 de Abril de 1910, Afonso Costa, no seu jeito incendiário, de nunca ter a discussão em anemia, revelou que ia levar a São Bento «cartas altamente comprometedoras» a propósito da Questão Hinton – e nesse dia a câmara de deputados não funcionou por falta de quórum. Prometeu lê-las na sessão seguinte. A que o governo faltou, «numa enormíssima prova de cobardia moral», alguém escreveu. As «cartas da polémica» eram de D. Fernando Serpa Pimentel, comandante do D. Amélia. Conhecera Harry Hinton a bordo do iate – quando ele por lá andava conviva de D. Carlos, isso logo se soube. Temendo que a sua leitura espalhasse ainda mais a arruaça pelo parlamento (e não só...) D. Manuel II publicou de imediato decreto encerrando as Cortes. Caíram mais achas na fogueira - o que só depois se saberia é que afinal as cartas não eram tão comprometedoras como Costa insinuara, mas não deixaram de acelerar o desejo de que a República acabasse de vez com o «regabofe da monarquia». Entre muros, duelo que Costa ganhouAfonso de Albuquerque escreveu em O Liberal artigo contra Afonso Costa, a título puxou: «Mentira, traição, calúnia, ladroeira». Acusava-o do roubo das cartas, de ser «a vergonha do parlamento, da advocacia, do partido republicano e da pátria». E logo Costa o desafiou para duelo à espada. Não se fez na via pública, como o de Penha Garcia - escondeu-se por trás dos muros altos da Quinta dos Loureiros, em Benfica. Venceu-o, atingindo Albuquerque no peito, deixando-lhe corte profundo, a sangrar. Afonso Costa aprendera esgrima na classe que Veiga Ventura montou na Penitenciária de Lisboa, Norton de Matos era um dos seus companheiros de treino, e sobre esse seu jeito escreveu Rocha Martins: «era bom esgrimista apesar de gaucher» - e outros duelos deixou pelas «pendências» com Augusto Forjaz, Teixeira de Vasconcelos e Pinheiro Chagas.
01:11 - 15-02-2010

Cronologia da república - 13 de Abril

  • 1915

Várias detenções efectuadas pela polícia na Figueira da Foz

  • 1919

É fechado o jornal “A Nabancia” de Tomar

  • 1922

Greve dos funcionários da câmara municipal do Porto

Fontes: aqui

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Marcelo Caetano - a oposição à Restauração da Monarquia.

«A 18 de Abril de 1951, Carmona morreu e, para espanto de Marcello, os monárquicos decidiram restaurar a Monarquia. A Assembleia Nacional preparava-se para rever o capítulo da Constituição que tratava do Chefe do Estado (...).
Posta a questão, Mário de Figueiredo, Lumbrales e Cancela de Abreu votaram pela Monarquia e Marcello, Albino dos Reis e Trigo de Negreiros pela República. (...)
Num discurso comemorativo do 28 de Maio, descrevendo como puro espírito de "reacção" o seu monarquismo de juventude, Marcello Caetano pronunciou-se claramente a favor das instituições republicanas e, depois de ter defendido a candidatura de Salazar à presidência (que Salazar não quis) participou com zelo na campanha de Craveiro Lopes. Isto fez dele o inevitável porta-voz da ortodoxia, quando, já passada a eleição, se soube que os monárquicos tencionavam voltar à ofensiva (...)».
in Vasco Pulido Valente, «Marcello Caetano - As desventuras da razão», ed. Gótica, 2002, pág. 35.

Cronologia da república - 12 de Abril

  • 1915

Encerramento do parlamento

  • 1916

Greve dos operários da construção civil

  • 1917

É fechado o jornal “O Radical” de Leiria

  • 1919

Os operários da CUF do Barreiro entram em greve

  • 1920

Greve dos operários corticeiros de Lisboa

Greve dos operários estofadores de Lisboa

Greve dos operários decoradores de Lisboa

Ataques bombistas em Lisboa

  • 1923

Greve dos barbeiros de Lisboa

Greve dos operários têxteis da Covilhã

Greve dos sapateiros do PortoGreve dos operários da construção civil da Covilhã

Fontes: aqui

domingo, 11 de abril de 2010

Fialho de Almeida, um exemplo

José Valentim Fialho de Almeida representa uma das mais correctas escritas da literatura nacional. Deixou ironia, mordacidade, e um estilo conseguido, interessantíssimo. Ele próprio devia achar que, por vezes, se excedia nas suas críticas. E depois temia - há exemplos concretos - os resultados da sua escrita, mormente o desafio para duelos por parte dos visados nas suas crónicas.
Aliás, nunca foi além dos contos. Muitos e belíssimos - é ler «A Ruiva», páginas imortais da nossa literatura. Mas, porque nunca chegou ao romance, ficou-lhe o «ódio» por tantos seus coevos, desde logo Eça.
Publicou muita crítica política e social, desvastadora, e será de perguntar porque a República não lhe ergueu estátua alguma - logo após o Ultimato, num seu escrito célebre, disse assim: «Há vinte anos que o País não faz senão gritar Viva a República»!
A explicação é simples - andados os anos, Fialho de Almeida publicamente manifestava o seu apoio ao Governo de João Franco.
Conheceu a mudança de regime. Mas já então era a favor da Monarquia. E morreu em 1911, em circunstâncias misteriosas, tudo levando a crer que se tratou de suicídio.
Fialho de Almeida foi um homem honesto. Nasceu pobre, casou rico. Viúvo, herdou considerável fortuna. Podia ter acabado os seus dias sossegadamente.
O seu percurso de vida merece um estudo que o status quo evita. Viveu republicano, envelheceu monárquico.
Fica aqui um excerto seu, de o 1º volume de «Os Gatos». Por ele se alcança muito: sobretudo acerca de certas histerias e da mentalidade de que despertou o regime agora centenário:
«CARICATURA DA VALENTIA ALFACINHA
Na noite em que explodiram as primeiras rebeliões contra o tratado, um homem depois de tomar o chá com a família, pôs os dois sobrolhos carrancudos, levantou a gola do casaco, e preparou-se a sair para as barricadas. Sobressalto da esposa, que branca de morte lhe pergunta, da cancela, o que vai ele fazer.
- O que vou fazer? Juntar-me aos meus irmãos: a pátria agoniza: saberei morrer, se for mister.
Ela suplica pela Virgem, que suba, e não exponha o repouso dos seus filhos: o que ainda mais a aziuma, o amor mavórtico do bravo. Mas já na rua, mirando os ares nublados:
- Cuidas então que isto pode ficar assim? Com mil demónios, nunca! Ouves? Manda-me cá abaixo o guarda-chuva.
Este valente podia bem chamar-se o povo de Lisboa».

Cronologia da república - 11 de Abril

  • 1917

Ataques aos vendedores do mercado do Porto

  • 1919

Greve dos estofadores e decoradores de Lisboa

  • 1920

Greve dos trabalhadores da construção civil

Greve dos trabalhadores da indústria tabaqueira

Julgamento em tribunal militar de monárquicos pertencentes ao “Batalhão de Voluntários de El-Rei” de Braga

Fontes: aqui

sábado, 10 de abril de 2010

Esta noite, o apelo ao trono


Esta noite, os manifestantes ouvem atentamente o apelo da sua liderança ao trono


"O orador foi discorrendo sobre os acontecimentos da noitinha, da gravidade da situação e do estado de não-retorno que se parece ter consumado com as lutas do dia. Contudo, preparava algo, pois aludiu uma vez ao Rei. Ao ouvirem falar no Rei, os presentes irromperam em gritaria prolongada e o orador sobrepôs-se às palmas, que continuaram a acompanhá-lo na longa tirada em voz poderosa: "nós pedimos ao nosso Pai, ao Senhor da Vida, ao Senhor do Reino; nós, que somos os seus mais humildes filhos, os mais leais, os mais desinteressados; nós que o amamos em tudo, que por ele estamos prontos aos maiores sacrifícios ..." . Foi atroadora a resposta e a palavra de ordem que acabou por calar o orador mostrou a que ponto o amor dos tailandeses pelo seu Rei se mantém: "ráu rák NáyLuang, ráu rák Náy Luang" (nós amamos o Nosso Rei)."

Tal como prevíamos, a situação provavelmente evoluirá positivamente, após o exercício do Poder Moderador. Tal já sucedeu diversas vezes ao longo das últimas seis décadas e não existe um motivo sólido para que tal não volte a acontecer. Em suma, coisas que alguns europeus da West Cost não conseguirão entender.

Ainda a bandeira...

«A questão da bandeira vinha também na sequência de um debate, que reflectia duas concepções da República. A antiga bandeira do Partido Republicano era verde-rubra (...). Os republicanos do quadrante radical entendiam que, triunfante o partido, a bandeira dele devia ser assumida pela nação. Este ponto de vista foi fortemente contestado. As pátrias não mudam com a forma dos governos, e por isso as cores nacionais deviam continuar a ser o azul e o branco, eliminada a coroa monárquica. Muitas propostas tinham sido apresentadas nesse sentido, e era esse o projecto do poeta Guerra Junqueiro.. Por detrás do problema quase fútil das cores da insígnia punha-se a questão de fundo, que já então ameaçava dividir o regime: se a República pertencia aos republicanos, se a todos os portugueses».
in «História de Portugal», coordenação de José Hermano Saraiva, vol 8, Quidnovi, 2004, pág. 72.

Cronologia da república - 10 de Abril

  • 1920

Greve dos arsenalistas

  • 1921

Afonso Costa anuncia a contracção de um empréstimo externo para pagar a dívida externa

  • 1926

Afonso Costa é eleito presidente da assembleia da sociedade das nações

Fontes: aqui

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Eleições presidenciais

O texto transcrito de seguida é da autoria de Ramos de Almeida.
Datado de quando? A propósito de quem?
Responda quem souber...
«A eleição presidencial de... vem demonstrar o divórcio entre os dirigentes do maior partido da República e as suas próprias comissões populares. Enquanto estas, tal como em ..., apoiam a candidatura de ..., aqueles combatem-na, adiando a solução do problema político, cuja acuidade se tornara premente. Batido pelo candidato oficial do partido democrático, ... traça o quadro da decadência do regime, certo de que "por estar decidido a fazer uma política nacional, com continuidade e energia, não fora eleito".
Realmente assim sucedeu. Os leaders do Partido preferiram um literato e um diplomata - de valor, é certo - que pouco ou nada conhecia dos meandros da política e das reivindicações concretas do Povo, ao político experimentado e lúcido, que conhecia como nenhum outro a política nacional, como nenhum outro penetrara pelo pensamento e pela acção no sentir do Povo, através do conhecimento mais perfeito das suas necessidades e das suas causas».
Dão-se pistas acerca das entidades em causa:
a) - Mário Soares.
b) - Aníbal Cavaco Silva.
c) - Freitas do Amaral.
d) - Afonso Costa.
e) - Otelo Saraiva de Carvalho.
f) - Bernardino Machado.
g) - Meneses Alves.
h) - Teixeira Gomes.
i) - Francisco Louçã.
j) - Craveiro Lopes.

Cronologia da república - 9 de Abril

  • 1911

É fechado o jornal “A Tribuna” dos Açores

  • 1915

Pela recusa em cumprir os decretos ditatoriais várias câmaras e juntas de freguesia revoltam-se contra o governo

Greve geral em Viana do Castelo

Bombas sob uma procissão nas Caldas da Rainha

  • 1920

É fechado o jornal “O Portugal” de Lisboa

  • 1921

Amnistia do governo de crimes políticos ou religiosos

Amnistia do governo de crimes militares cometidos na 1ªGuerra Mundial

Greve de padeiros em Lisboa

No dia da celebração do soldado desconhecido rebentam várias bombas em diversos locais

  • 1922

Augusto de Castro fala num desejo geral de uma governação estável

  • 1925

É fechado o jornal “A Defesa do Povo” de Viana do Castelo

Fontes: aqui

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Actualidades

EDITORIAL DO JORNAL DE NOTÍCIAS
«Nós temos a liberdade de reunião: Mas quando é que o povo se poderá reunir livremente? Nós temos a liberdade de escrever. Mas quando se tirará a mordaça aos jornais? Nós temos a liberdade e o direito que a todas as grandes cidades assiste de se governarem por si próprias, de administrar os seus dinheiros, de regulamentar o seu trabalho, de proteger os seus operários, de amparar os seus pobres, de exercer, enfim, todas as suas faculdades no sentido da sua força, da sua honra, da sua prosperidade. Quando é que o Porto será declarado maior, a não ser para o pagamento das contribuições e impostos?
Ninguém sabe. O que se sabe é que, apesar das afirmações intenciosas de que somos entrados em definitivo período constitucional, ninguém pode fazer uso do seu direito nem ter segurança na sua justiça. O que se sabe é que o Porto continua a ser humilhado na sua história de povo livre.
O que se sabe é que a imprensa continua a viver num regime de especial suspeição, ao arbítrio das paixões indisciplinadas e dos caprichos de uma lei que ela não pôde, nem pode estudar, quanto mais desprezar ou corrigir, como todo o acto para o qual os interessados não foram escutados, nem ouvidos. Será isto uma democracia? Será isto a democracia sonhada pelo povo do Porto nos seus sonhos de generosa justiça e de nobreza altiva?»
de 29 de Agosto de 1911.

Gatunagens...



Logo em Outubro de 1910, as novas autoridades do regime instaurado pelos obuses de 75mm, expropriaram uma colossal quantidade de bens pertencentes à Igreja. Nem mencionando as depredações que levaram à fogueira estátuas, preciosas alfaias e paramentos religiosos, há que mencionar pilhas de livros, inconábulos, arquivos, etc. No entanto, entre os bens mais cobiçados, encontravam-se os imóveis que foram logo ocupados por organismos estatais ou apêndices parasitários do novo regime, como "comissões para a promoção do ensino", ligas várias e outras necessidades prementes de agrado à devorista clientela que ainda medra sob várias denominações aggiornadas.

Quantos edifícios foram deixados ao mais completo abandono e depredação? Muitos, demasiados. Despiram-nos da decoração, talhas douradas e outras riquezas que para sempre se perderam após o saque, aproveitando uma mão cheia de gatunos bem instalados. Um desses imóveis foi a Igreja de Campolide, imponente construção que se ergue nas imediações da Penitenciária de Lisboa. Está sob a alçada do sempre esquivo Ministério das Finanças que durante tantas décadas deixou cair o "imóvel de interesse público" (séc. XIX) na situação com que hoje deparamos. É certo que continuam os useiros rodriguinhos da "falta de verba", "situação jurídica" e outras desculpas do estilo, chegando-se ao cúmulo - suprema ilegalidade - da igreja nem sequer se encontrar registada na Conservatória do Registo Predial, ou na matriz predial. Sabemos o que por outras palavras, isso significa: a construção praticamente "não existe", habilidade que outras entidades - como a Câmara Municipal - tem usado para demolições dentro da área histórica. Com a hipotética extinção da Penitenciária, já se calculam as manobras especulativas a que a CML se propõe com os seus amigos do costume. Lembrem-se do que se passa na Duque de Loulé, onde o 35 caiu vítima do camartelo, após a sua retirada do Inventário Municipal. Hoje, um miserável mamarracho (Fundo BES do primo Salgado) está em construção naquele terreno. Há alguns anos, não houve grandes problemas na devolução de bancos e outras empresas a muitos que hoje são os sponsor da "Situação".

O Provedor de Justiça solicitou ontem ao dr. Teixeira dos Santos, a restituição gratuita da igreja de Campolide ao Patriarcado, mas a tutela não está nada interessada em qualquer tipo de justiça. Quer continuar a enfardar, mesmo se neste caso, lucrar com o roubo dos seus predecessores. O mesmo se passa com a Real Quinta de Caxias - ao abandono pelas Forças Armadas - , cujo legítimo e roubado proprietário é o Duque de Bragança. O Estado - "nós" - quer devolver a igreja de Campolide à respectiva paróquia, mas exige dinheiro pela devolução do roubo que vergonhosa e abusivamente perpetrou. Por aquilo que não consegue manter, exige mais de 46.600 contos (233.000€)! O descaramento é total.

Crentes ou não crentes e independentemente de questões religiosas, trata-se de uma reparação. Ladrões, devolvam o que roubaram!

TEÓFILO BRAGA - o Homo Eticus Republicanus (Lineu)

Foi um dos principais no Partido Republicano. Fanático, maldicente, intolerante. Ministro e Presidente. Curiosamente, é hoje pouco mencionado. Por motivos obvios de conveniência, de Teófilo Braga se realça apenas a sua pretensa sobriedade de vida: ia para o trabalho e regressava a casa utilizando sempre o transporte público...
Mas o Museu da Presidência da República, através da sua colecção fotobiográfica «Presidentes da República» (ed. 2006, texto de Rui Ramos) fornece uma visão claríssima do espírito de Teófilo Braga. Como por exemplo (págs. 40-41):
«Eis como descrevia os seus correligionários republicanos na capital: "Se estivermos à espera do levantamento de Lisboa, nunca ele virá, porque essa gente é timorata e cheia de conveniências, tem medo da polícia, da guarda municipal, etc. Além disso, os dirigentes são elementos velhos que tudo empatam. A revolução do Porto é que pode acordar esta gente; então, ver-se-à forçada a aderir. e no caso de aí rebentar a revolução, aí estarei, pronto para o trabalho". Mas quando viu os conspiradores do Porto derrotados e presos, depois do fracasso do golpe na manhã de 31 de Janeiro de 1891, não teve escrúpulos em insinuar que não passavam de gente comprada pelo "dinheirinho da polícia". A partir daí, Teófilo afastou-se dos lugares da frente do movimento republicano, o que não significou que o seu nome não continuasse a aparecer com destaque».

Cronologia da república - 8 de Abril

  • 1921

Greve académica em Coimbra

  • 1925

É fechado o jornal “O Correio do Minho” de Viana do Castelo

Fontes: aqui

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A república por telegrafo

Liceu Nacional Central de Braga


A traição do "Esquema"



Os órgãos de comunicação social, declaram continuar hasteada a bandeira espanhola na fortaleza de Valença. Monumento nacional, símbolo local da soberania portuguesa, foi profanado por gente que perdeu toda a legitimidade ao optar por este insultuoso tipo de contestação. Trata-se de subversão e de atentado à integridade do Estado. Do que está à espera a GNR? Que explicação dá a PSP? Porque não envia o exército um pelotão que ponha cobro ao dislate? O episódio da taurina coisa nas varandas, não passa de folclore a resolver no próximo embate futebolístico entre as duas "selecções", quando tudo voltará ao normal. Outra coisa, é o assalto estrangeiro a um edifício público. S. Bento não cora de vergonha?

O que se estranha, é a total passividade das autoridades nacionais que se têm abstido de impor a Lei e a dignidade do Estado. São precisamente estas autoridades - e aqui incluímos o governo que tutela as policias e as Forças Armadas - que são muito lestas na resolução de outros casos que têm acontecido e que vão continuar a acontecer, queiram ou não queiram, gostem ou não gostem. O critério parece simples: se se trata de uma Bandeira Nacional azul e branca, deve ser de imediato apeada e entregue a um nebuloso "Ministério Público" - o que é isso? -, mas se o caso disser respeito a uma bandeira estrangeira, poderá então ficar ao vento durante o tempo que a subversão militante assim o entender.

É o patrioteirismo dos senhores do Centenário da República, com o Palácio de Belém incluído no rol. Enfim, mais um episódio do "Esquema", porque nada deve ser por acaso. Entretanto, o "agente dorado" Saramago, continua a sua prédica. Só visto!

Cronologia da república - 7 de Abril

  • 1911

Tumultos no arsenal da marinha

  • 1917

Assaltos no Porto a vendedores de pão e hortaliças

  • 1918

É fechado o jornal “O povo de Santa Clara” de Coimbra

  • 1919

O decreto 5367 extingue a polícia preventiva e cria o corpo de polícia da segurança do estado

  • 1922

Greve geral operária

  • 1923

O industrial Lambert D´Argent é vítima de um atentado

Encerrado o sindicato dos trabalhadores rurais em Santiago do Cacém

  • 1924

Greve dos funcionários dos transportes de Lisboa e Porto

Fontes: aqui

terça-feira, 6 de abril de 2010

AFONSO COSTA, O «RACHA-SINDICALISTAS»

«O republicanismo sempre foi uma realidade minoritária, pequeno-burguesa, essencialmente urbana, portanto geográfica e sociológicamente localizada, não se estranhando por isso que o seu poder fosse por vezes mais passivamente consentido que activamente apoiado (...). Entalado à direita pela ameaça da contra-revolução, à esquerda pela ameaça da revolução social, o republicanismo viu-se condenado a continuar a tendência para a crispação do poder (...). O hegemónico Partido Democrático de Afonso Costa iniciou assim uma verdadeira política de "terra queimada". À direita, procurando desacreditar as facções republicanas Unionista e Evolucionista e reprimir qualquer sinal de conspiração monárquico-clerical (...). À esquerda, respondendo com um crescendo de hostilidade às reivindicações operárias, o que muito azedou as relações entre o sector do trabalho e o poder democrático de Afonso Costa, significativamente cognomizado de "racha-sindicalistas"».

in José Miguel Sardica, «A Dupla Face do Franquismo na Crise da Monarquia Portuguesa», Edições Cosmos, 1994, pág. 101.

Valença, a taurina bandeira



Numa atitude pouco pensada e nada inteligente, a comissão de utentes do SAP de Valença, decidiu-se pelo hastear da taurina bandeira do país vizinho. Além de não terem concitado a mínima simpatia ou compreensão por parte dos seus concidadãos, os apressados activistas acabaram por fazer exactamente o que os responsáveis políticos de Lisboa pretendem: estes últimos conseguiram alijar um problema que tinham em ombros e melhor ainda, os gastos com a assistência à população, passam directamente para a responsabilidade do erário vizinho. Pelo menos, durante algum tempo. Neste processo de ..."aproximação à Espanha, Espanha e Espanha", onde surgem Mários Linos, Pinas Mouras, sector bancário e da informação e um ou outro tinte avermelhado como o Sr. Saramago, os utentes do SAP participam gulosamente no festim que não durará muito. Decorridos alguns meses de visitas de urgência a Tui - muitas vezes e como é hábito, "por dá cá aquela palha" - e passada a euforia do sucesso mediático além-fronteira, sempre queremos ver até quando as autoridades estrangeiras permitirão o abuso ? Podemos imaginar o que daqui a algum tempo se dirá dos portugueses, enraizando o preconceito que é velho de séculos e ainda tão visível no péssimo ou desigual tratamento ministrado a tantos dos nossos que por lá trabalham ou querem investir.

Os habitantes de Valença reagiram intempestivamente e acabaram por fazer um tremendo favor ao Ministério da Saúde que fica assim livre do problema. Mais ainda, a população da cidade não atacou minimamente o poder político instalado em Lisboa e que noutros casos de outras bandeiras, é bastante lesto em sentir-se ofendido e agravado.

Foi hasteada a bandeira estrangeira na fortaleza de Valença. Um edifício público que para mais, é um símbolo da soberania. Sempre queremos ver até onde chegará a presteza policial em retirar o enxovalho colectivo que ondeia nas nossas muralhas. Qual é a reacção das Forças Armadas Portuguesas?

RAMALHO: DE MONÓCULO ATENTO À REPÚBLICA (II)

«Dois dias depois de aclamado o Governo Provisório, achando-me ausente de Lisboa, na quinta de uma das minhas filhas, em Linda-a-Pastora, fui distinguido com uma busca policial na casa do meu domicílio na capital. Sob o anúncio formal de que a minha casa seria arrombada, a pessoa depositária da chave abriu obedientemente a casa, acompanhando na sua visita os oito cidadãos encarregados dessa diligência por expressa determinação de S. Ex.ª o Sr. Eusébio Leão, digníssimo governador civil. Eram oito cavalheiros vestidos à paisana e armados de revólver, sob o comando de um bravo e honesto sapateiro, meu conhecido da antiga Rua de S. Roque, hoje do Mundo. Não sei se todos os outros eram igualmente artistas de sapataria (...) todos me deixaram penhoradíssimo pela afabilidade das suas maneiras, pela benigna lhaneza do seu trato. Vindo por ordem do Sr. governador com a missão especial de averiguar se nos meus aposentos havia jesuitas armados e escondidos, S. Ex.ªs teceram tocantes elogios ao estilo da minha mobília, à escolha das minhas obras de arte e à perfeita ordem em que se encontravam as minhas camisas, as minhas gravatas, as minhas luvas, os meus papeis e os meus livros. Mexendo conscienciosamente em tudo não destruiram nem desarrumaram nada».
in Ramalho Ortigão, «Últimas Farpas (1911-1914)», Clássica Editora, pág. 19.

Cronologia da república - 6 de Abril

  • 1911
Para reprimir quaisquer protestos, devido a aplicação da lei de separação do estado e das igrejas, o cruzador adamastor patrulha a zona costeira, entre o Porto e Minho

1912

Tiroteio entre soldados e populares em Braga, com várias prisões

  • 1913
Manifestação em Lisboa


  • 1925
Protestos de camponeses no Ervedal no qual resultam vários feridos




Fontes: aqui

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A verdade



Entre intrigas e lutas pelo poder, uma parte substancial da esquerda portuguesa, tem desde sempre apresentado o modelo nórdico como um modelo. Habilmente, há quem pretenda escamotear o ordenamento constitucional daqueles países, onde a Coroa surge como um elemento essencial da separação de poderes, independência, unidade do Estado e economia de recursos. Neste ano do Centenário da República, torna-se importante esclarecer a nossa opinião pública, acerca da solidez da instituição monárquica nos socialmente mais desenvolvidos países europeus. Sem população iletrada, com as mais altas taxas de educação universitária, baixos níveis de corrupção, com uma Justiça independente e que funciona, eis a opinião de noruegueses, suecos e dinamarqueses quanto às suas monarquias:

67% dos noruegueses são favoráveis à monarquia, embora os remanescentes 33% não correspondam totalmente aos partidários de uma república.

77,8% dos dinamarqueses são favoráveis à monarquia, enquanto 15,3% apoiam a instauração de uma república.

63% dos suecos são favoráveis à monarquia, enquanto 17% prefeririam uma república.

D. DUARTE DE BRAGANÇA ESCREVE A MARCELO CAETANO (3-Set-1973)

«Meu caro Prof. Doutor Marcello Caetano:
Antes da ida de Vossa Excelência a Londres, eu pedira ao Dr. Pedro Feytor Pinto o favor de lhe perguntar a vossa opinião sobre a oportunidade de ser apresentada em Angola uma segunda lista de candidatos nas próximas eleições para deputados à Assembleia Nacional.
O Dr. Feytor Pinto, ao regressar de Londres disse-me que o assunto deveria ser tratado em Luanda e por isso para lá me dirigi, depois de ter pedido aos meus amigos Coronel Herculano de Carvalho e Dr. Joaquim Santos Silva que estudassem, com o necessário sigilo, a viabilidade prática de tal projecto.
Quando cheguei a Luanda (...) fomos explicar o projecto e ouvir a opinião do Dr. Alcarva, Director-Geral de Segurança em Angola. (...) francamente positiva, como aliás tinham sido as opiniões (...) de numerosas personalidades (...) Embaixadores, Governadores de Distrito (...) presidente provincial da ANP.
Em seguida pedimos audiência ao Senhor Secretário-Geral do Governo de Angola, sem que tal se viesse a efectivar (...).
(...) quando regressei a Angola (...) a DGS informou-me de que por motivos de segurança, eu tinha de embarcar para Lisboa, nessa mesma noite.
As poucas vezes que o Governo tem expulso um cidadão nacional de uma das provincias, têm sido justificadas por actos que põem gravemente em perigo a segurança nacional.
Não posso aceitar de maneira alguma uma situação como esta que põe em jogo a minha honra e a de toda a minha família.
A acusação implicita neste facto é tanto mais injusta quanto o meu irmão Miguel, o meu primo Francisco e eu arriscámos a nossa vida em zonas operacionais, na defesa da unidade nacional. Muitas outras vezes me desloquei a Angola e a outros territórios ultramarinos com o objectivo de estudar mais de perto as suas peculiaridades e interesses, pondo de parte comodidades e riscos conscientemente aceites, como qualquer outro cidadão que ama e serve a sua Pátria.
E no que se refere aos vários grupos de monárquicos, mais ou menos irrequietos, jamais poderão constituir ameaça à segurança nacional (...).
(...) quanto menos compreensiva for a Admimistração Pública para com esses grupos, mais agressivos eles se tornarão, ao sentirem-se privados da justiça e do uso legítimo da liberdade. Não será difícil compreender que a Lista B seria constituida por portugueses de palavra que nunca dificultariam a acção do Governo em ordem ao progresso e bem-estar das populações.
Aliás, da vitória em Angola de deputados da oposição adviriam vantagens de ordem internacional (...).
Espero que Vossa Excelência compreenda o meu sentimento de desgosto e de repúdio perante a hipótese de me ser atribuído qualquer acto que pudesse ser considerado perigoso para os interesses nacionais e aguardo as providências (...) no sentido de (...) me ser garantido o pleno exercício dos direitos que a Constituição me assegura como cidadão português, nomeadamente o direito de circular livremente em todo o território nacional.
(...)

Dom Duarte Pio João
Princípe da Beira»
in «Cartas Particulares a Marcello Caetano» (prefácio e organização de José Freire Antunes), 1º vol., Publicações D. Quixote, pag. 238

Cronologia da república - 5 de Abril

  • 1913

A duquesa de Bedford, escreve vários artigos para o “Morning Post” de Londres sobre as deploráveis condições dos presos políticos portugueses


  • 1916
Greve dos pintores de construção civil


  • 1918
O aumento do custo de vida ultrapassa os 100%



Fontes: aqui

domingo, 4 de abril de 2010

República "de Abril": o abuso e o roubo!




Andam mesmo desesperados. 31 de Janeiro às moscas e com uns "gatunos prá prisão!", mas com correspondentes pândegas gastronómicas repletas de convivas à conta do orçamento. O vergonhoso silêncio oficial pela passagem do Centenário de Herculano. As terríveis maçadas da guerrilha inter-partidária e dos quid pro quo da eleição presidencial e tricas, desagrados e amuos de Belém pela conclusão do Congresso do seu partido. A inoportuna visita do Papa e o correspondente "comício" multitudinário que já se calcula. Escândalos sobre escândalos e a um ritmo mais alucinante que o Deliverance. Bandeiras que não param - e não vão parar - de subir aos mastros de todo o país.

Os safardanas esmifradores do erário público, agora deitam a mão a qualquer coisa que seja passível de fazer encher uma sala de espectáculos. Assim e para os nostálgicos dos tempos das "companheiras para todo o serviço", pescam umas relíquias dos tempos da queima de soutiens no Rossio e para compensar, fazem arregalar a vista com apresentadoras -"estilo Cinha"- de danças de salão da RTP. No fundo, é a mesma coisa. Tudo servido com músicas de outros tempos, numa apetitosa entremeada com o "Deixa-me Sonhar, Só Mais uma Vez" da Rita Guerra. Bravo...

Quando do período revolucionário pós-25 de Abril, os militares foram avisando os mais incautos saudosistas do reviralho, que ..."as Forças Armadas não querem o regresso aos desastres da 1ª República", aliás por elas deposta sem o disparar de um único tiro. Pior ainda, os "grandes vultos de 1910-26" eram mimoseados com epítetos que iam do burguês explorador ao terratenente latifundiário, banqueiro e usurário da Baixa lisboeta, rachas-sindicalistas, etc. Nada que não fosse verdade.

Agora chega mais esta prova cabal de desonestidade, falta de vergonha e mau serviço público. Para cúmulo, em homenagem à mulher a quem a 1ª República remetia para o arear de panelas, lavagem de fraldas e pouco mais. Que lata!

Boa Páscoa


A Páscoa é o terminar do ciclo da passagem de Cristo pela terra. Como Cristo reuniu-se ao pai, assim nesta época festiva, sejamos capazes de despojar-nos do que nos torna menores e fazermos para tornar a nossa realidade o motivo de sermos felizes.
Uma Páscoa Feliz.
São os desejos do Daniel Nunes Mateus

Cronologia da república - 4 de Abril

  • 1912
Em Castelo de Vide são presas 13 mulheres durante uma cerimónia religiosa


Na Chamusca, devido a uma cerimónia religiosa, registam-se confrontos resultando um morto e vários feridos

  • 1914
Por decreto é permitido a importação de milho e centeio


Tentativa de assalto a assembleia da republica

  • 1918
Greve de funcionários da câmara municipal de Coimbra



Fontes: aqui

sábado, 3 de abril de 2010

O GENERAL, O MINISTRO E A GREVE (1917)

«Continuava a mobilização para efeitos da nossa comparticipação na guerra.

É suficientemente conhecida a má disposição que no espírito nacional criou esta medida do Governo, fundamentada (...) na manutenção da nossa integridade colonial e no prestígio do regime.

(...)

Vencidas as mais instantes dificuldades, lá prosseguiu a mobilização, e ainda mal refeitos de tantas complicações, surge a grève dos correios e telegrafos.

(...) procurando desde logo organizar o serviço postal com elementos do exército.

Foram em número de desasseis os indivíduos que imediatamente fiz entrar na casa de reclusão, por me terem vindo declarar abertamente que não estavam dispostos a cumprir quaisquer ordens que lhes fossem dadas.

(...) apareceu no quartel-general o ministro da Justiça, Alexandre Braga, com crdenciais do Governo, dando-lhe plenos poderes para tomar as resoluções que entendesse necessárias.

(...) ficou resolvido que eu sustasse qualquer procedimento, até que ele, por intermédio dos seus amigos, tentasse aplanar as coisas.

No dia imediato, veio comunicar-me que tudo estava sanado, mas que se tornava preciso que eu mandasse soltar os presos que se achavam na casa de reculusão.

Lembrei-lhe que, em vista das leis militares, me não era permitido fazer tal coisa, mas que ele, com as prerrogativas que o Governo lhe concedera, poderia dar-lhes homenagem na cidade, continuando, porém, o auto de corpo de delito que eu mandara levantar (...).

Assim se fez (...).

No dia seguinte, aparece-me o mesmo ministro, visivelmente contrariado, dizendo-me que se não podia admitir que as suas ordens fossem desacatadas, pois tinham faltado aos compromissos que para com ele haviam tomado, recusando-se formalmente a trabalhar».


in Gen. A. Ilharco, «Memórias (Alguns Apontamentos sobre a Influência da Política no Exército)», Liv. Chardron, 1926, pág. 52.

Cronologia da república - 3 de Abril

  • 1912

O bispo de Évora é proibido de residir na sua diocese pelo governo

  • 1913

Protestos de operários em Lisboa

  • 1919

O aumento dos preços de bens alimentares leva a população a assaltar vários estabelecimentos em Coimbra

  • 1921

É fechado o jornal “O Grito do operário” de Viseu

Fontes: aqui

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Boas Novas



Já não era sem tempo. Pena devem ter os homens do avental com a saída do palco deste partisan déguisé.

5 DE OUTUBRO - O SUPLÍCIO DOS LAZARISTAS DE ARROIOS

«Crucifixo na dextra, fronte erguida, olhar digno, P. Fragues enfrenta a alcateia no corredor, entre a bibiloteca e o refeitório. Ao vê-lo, olhos chamejantes, punhos cerrados, carabinas no ar, ruge, ulula:
- Morram os traidores! Queriam fuzilar-nos! Assassinos do povo!
- Viva a República! intima uma voz dirigida ao Superior.
- Viva Jesus Cristo! Viva Maria! - opõe a fé do lazarista, afrontando a cegueira da multidão.
A magestade do seu porte e a firmeza da sua voz detêm a marcha dos amontinados, emudecem o rugir dos impulsos.
P. Fragues aproveita a pausa para afirmar, para acentuar:
- Nós não queremos mal à República! Ninguém daqui fez fogo sobre o povo! Nesta casa não há o que procurais! - E humedecendo a voz nas lágrimas da súplica: - O que temos nesta casa... são crianças, indefesas crianças! Piedade para as crianças!
O homem do machado em riste e dos bigodes em funeral toma alento. Aponta a lâmina ao crucifixo, rouqueja, galhofeiro:
- Deita isso fora! Calca-o aos pés!
Uma gargalhada espessa glosa a bruta intimação.
- Nunca! - repica altivamente o professo.
Um golpe de machado corta o crucifixo a meio. A turba aplaude. O Superior inclina-se a apanhar do chão o fragmento caido. E ao levantar a cabeça soam dois tiros de revólver - que o atingem no peito, e o abatem, fulminantemente».

in Sousa Costa, «Páginas de Sangue (Buíças, Costas & Cª)», Liv. Editora Guimarães, 5ª ed. (1938), pág 77.

Cronologia da república - 2 de Abril

  • 1911

Prisão de vários conspiradores

  • 1918

A falta de bens alimentares gera conflitos entre populares, o exército e a polícia em Lisboa

  • 1921

É fechado o jornal “A Restauração” em Lisboa

  • 1925

Greve dos ardinas em Lisboa

Fontes: aqui

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Valença do Minho




Aproveitando a inépcia do poder central lisboeta, eis uma vez mais, a subreptícia manipulação das autoridades das Autonomias espanholas, agora muito interessadas na completa desarticulação do Estado português. Não se sabe bem como, parece que alguns membros da Comissão de Utentes do SAP de Valença, andam a industriar os munícipes, no sentido de hastearem a bandeira espanhola nas suas casas. Se tiverem um pouco mais de paciência, ponderarão no assunto e poderão manifestar um sinal bem mais firme ao governo de Lisboa. Que façam apear a bandeira de todos os desastres e substituam-na pela Bandeira Nacional de Portugal, a azul e branca. Em Lisboa o efeito será devastador , especialmente se começarem por fazê-lo na Câmara Municipal de Valença.

A persistirem na patetice espanhola, o descrédito será total e sinónimo de fracasso da luta. Pensem melhor e ajam em conformidade! Azul e branco nos mastros e já!