sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cronologia da república - 14 de Maio

  • 1913

Desterro para os Açores de dezenas de prisioneiros políticos

  • 1915

Assaltos a armazéns e padarias em Lisboa

Fim da “ditadura” de Pimenta de Castro

  • 1923

Boatos acerca da possível venda de Macau

  • 1924

É fechado o jornal “A Revolta” de Coimbra




Fontes: aqui

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Tintin e os pincaros da República portuguesa


Sabe-se agora qual a fonte de inspiração de Hergé, quando editou os albuns «A Orelha Quebrada» e «Tintin e os Pícaros». A eterna guerrilha entre Alcazar e Tapioca. Está à vista, no seguinte panorama, por azar nosso, português:
«(...) assim ficarão existindo 4 coroneis por regimento. (...) em engenharia, para um quadro de 8 coroneis, existem já 37!» (deputado Eugénio Aresta, a sessão parlamentar de 13.MAR.1922).
«(...) o profissional militar é de todo o funcionalismo público o que luta com mais dificuldades. (...) há oficiais cujos filhos não vão às escolas por não terem calçado, há oficiais cujas familias não saem por não terem que vestir, e há oficiais que para darem pão aos filhos solicitam que os deixem alimentá-los com o pão dos soldados» (deputado corn. Fernando Freiria, sessão parlamentar de 16.MAR.1922).
«(...) pelo País fora se joga desenfreadamente e há oficiais do Exército que são donos de casas de tavolagem!» (deputado Sá Pereira, sessão de 7.MAR. 1923.
« (...) do famoso Grupo dos Treze, autêntica organização terrorista (...) fazem parte, ao lado de batoteiros e criminosos da pior espécie, oficiais, sargentos e soldados da Guarda repúblicana!» ( deputado Agatão lança, sessão de 7.MAR. 1922).
«(...) Nas bancadas do Governo, como Ministros da Guerra, têm-se sentado indivíduos que não têm categoria moral nenhuma para ocupar esse lugar, e que procuram (...) obrigar a curvar a cabeça (...) mesmo quando sintam a fome sua e a dos seus (...) no Exército há poucos oficiais que ponham a sua dignidade e a honra à frente da sua barriga» (deputado António Maia, sesão de 4.ABR.1924).
«(...) Na artilharia a pé... devem existir hoje por junto 5 alferes e tenentes! Em compensação, majores, tenentes-coroneis e coroneis são às centenas: em maior número que os soldados. Não se sabe o que se lhes pode dar a fazer. Um sistema ridiculo e criminoso de promoções deu origem a esta bestialidade colossal: um número de oficiais superiores, superior ao que deveria ser o dos subalternos - e um número de subalternos menor que o que deveria ser o de generais!» (Major Botelho Moniz, in "O 18 de Abril" - 1925).
Fonte: Costa Brochado, «Para a História de um Regime», Editorial Império, 1949.
Por hoje é muito, mas não chega. Amanhã ainda é dia-

Cronologia da república - 13 de Maio

  • 1915

É fechado o jornal “O Nacional” de Lisboa

  • 1925

100 mil fiéis em Fátima

  • 1926

Bernardino Machado lança a 1ª pedra para o monumento ao marquês de Pombal

Esta obra é vista como uma promoção da maçonaria.

Ramalho Ortigão, considerava em 1882, que este monumento era dedicado à morte da democracia e do senso comum na sociedade Portuguesa




Fontes: aqui

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Uma Igreja Republicana?




O Almanaque Republicano, num inaudito momento de pirrice, veio sublinhar as palavras recentes de Bento XVI: "Nos cem anos da República, as minhas felicitações e a minha bênção a Portugal inteiro, país rico em humanidade e cristianismo". Parece-me que a mensagem é clara e tanto os republicanos como os monárquicos devem entende-lâ: a «César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (Mateus 22:21).
A Igreja tem, desde o início das Comemorações oficiais deste Centenário da I República, deixado passar uma mensagem que se torna agora mais forte: a de que o 5 de Outubro de 1910 foi, para o seu corpo institucional, uma libertação. E, em certa medida, foi-o, mas é necessário contextualizar tal afirmação, compreendendo o antes e o depois.
O antes é um Liberalismo que sequestrou a Igreja tornando-a uma Secretaria de Estado. Não era o Regalismo do Absolutismo, era antes o Burocratismo Mação a laicizar a Igreja e a utilizá-la como extensão do seu domínio subterrâneo.
O depois é humilhação, a perseguição e a espoliação. Se isto é liberdade, bem, sê-lo-á pelo fogo. Mas a Igreja não pode esquecer que a I República constituiu uma hecatombe que dura até aos dias de hoje: o estado do património religioso das nossas catedrais, igrejas e ermidas em ruínas, assenta sobre o sequestro e a nacionalização dos bens eclesiásticos, em 1911.
Porém, o mais preocupante, quanto a mim, como Católico que sou, é que sob a Concordata de 1940, se tente passar uma esponja sobre os 30 anos antes e se transforme a II República (1933-1974) no paradigma dessa tal libertação e de uma sã convivência.
E hoje, nesta III República que tem como porta voz, de novo, a Maçonaria, espanta-me que a Igreja reclame liberdade quando volta a ser refém do Estado, através dos seus às suas IPSS, católicas, às obras de cariz paroquial, da tutela conjunta de património, etc.
Espanta-me mais: que a Igreja se esqueça, como em graça referia, há uns anos atrás, Miguel Esteves Cardoso, que o Pai Nosso começa com a frase: «santificado seja o Vosso Reino» e não «santificada seja a Vossa República».

Lá vai Lisboa... (marcha de Fialho de Almeida - 1911)


«A mesma gente das ruas, tão pacífica nos tempos monárquicos, agora aparece em cena com propósitos de dirigir o Estado e impor à lei da razão a força bruta. Os carbonários mandam em tudo, são árbitros de tudo, nas cores da bandeira, como na escolha dos funcionários e distribuição das recompensas. A gentusa dos bairros foscos que debutou na política por vias de facto anarquistas, atirando bombas, terrorizando pelo assassinato das choças, agora quer fazer parte da polícia cívica (!), para ter a cidade à mercê do seu espírito de vendetta.
Lisboa tem o ar de uma cidade coacta e constrangida, com as casas fechadas, as avenidas desertas, os restaurantes e as grandes lojas às moscas. Pelas ruas, de quando em quando, ajuntamento de plebe arremangada, que parece esperar não sei que Páscoa; ou bichas de gente correndo ao governo civil e aos ministérios, e atroando os ares com berrarias que os jornais chamam pomposamente "manifestações". A tropa sai dos quarteis para fazer apoteoses, como o outro ao Magalhães. Os heróis e os ministros andam pela provincia no record dos vivas e na patuscada dos jantares. A gente retrai-se, a classe preponderante desaparece e some-se; e todos, atónitos, perguntam se é este o quadro do Portugal redimido e aberto à liberdade!»
Fonte:Ernesto Rodrigues, «5 de Outubro - uma reconstituição», Gradiva Publicações, 2010 (1ª ed.), pág. 210.

A Igreja Católica reconhece e aceita qualquer regime que promova a liberdade e a dignidade do Homem na sua plena acepção.

Fotografia gentilmente cedida pela sempre gentil Miss Pearls

Um exemplo da ética repúblicana

Papa em Portugal


Grão-Mestre da Maçonaria defende que José Sócrates não deveria ter ido à missa do Papa

O Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa, António Reis, afirmou esta tarde à Antena 1 que o primeiro-ministro não deveria estar presente na missa celebrada esta tarde pelo Papa Bento XVI no Terreiro do Paço. António Reis lembrou que o primeiro-ministro espanhol também não esteve presente na missa aquando da visita do líder católico a Espanha
 
Fonte: http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Grao-Mestre-da-Maconaria-defende-que-Jose-Socrates-nao-deveria-ter-ido-a-missa-do-Papa.rtp&headline=46&visual=9&article=343696&tm=72
 
 
Leiam a resposta dada pelo porta voz do vaticano:
 
http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Porta-voz-do-Vaticano-admirado-com-controversia-da-participacao-de-Socrates-na-missa.rtp&headline=46&visual=9&article=343739&tm=72

Cronologia da república - 12 de Maio

  • 1915

Tumultos em Lisboa pelo encerramento de várias padarias

Cassiano Neves demite-se do cargo de governador civil de Lisboa

  • 1916

Greve dos operários da construção civil

  • 1917

Revoltas em Lisboa

  • 1923

Greve dos metalúrgicos





Fontes: aqui

terça-feira, 11 de maio de 2010

1920-1921: a formiga branca ataca a selva


Na sequência do afastamento de Afonso Costa, os seus sicários - a desvastadora "formiga branca" - tomam conta do País. Só governava quem e como eles queriam. O resultado foram os seguintes 14 Governos nesses dois anos, presididos respectivamente por:
1 - Fernandes Costa - 15.I.1920 (não chegou a tomar posse, impedido pela "formiga")
2 - Sá Cardoso (reconduzido) - 15.I.1920 a 21.I.1920
3 - Domingos Pereira - 21.I1920 a 8.III.1920
4 - António Maria Baptista (morreu durante o mandato) - 8.III.1920 a 6.VI.1920
5 - Ramos Preto - 6.VI.1920 a 26.VI.1920
6 - António Maria da Silva - 26.VI.1920 a 19.VII.1920
7 - António Granjo - 19.VII.1920 a 20.XI.1920
8 - Álvaro de Castro - 20XI.1920 a 30.XI.1920
9 - Liberato Pinto - 30.XI.1920 a 2.III.1920
10 - Bernardino Machado - 2.III.1921 a 23.V.1921
11 - Barros Queirós - 23.V.1921 a 30.VIII.1921
12 - António Granjo (mandato findo com o seu assassinato) - 30.VIII.1921 a 19.X.1921
13 - Manuel Maria Coelho - 19.X.1921 a 5.XI.1921
14 - Maia Pinto - 5.XI.1921 a 16.XII.1921

Parabens ao Sr. Barros Queirós pelo seu mandato, o mais longo dos mencionados: um mês e sete dias!

Cronologia da república - 11 de Maio

  • 1913

Conflitos em Aveiro

  • 1915

O governo proíbe a exportação de estanho

É fechado o jornal “ O cidadão” de Évora

São proibidas todas as manifestações

O governo demite os vereadores da câmara municipal de Loures

  • 1916

Demissão colectiva do governo

  • 1918

Conspiração contra o governo

  • 1919

80% de abstenções nas eleições legislativas

  • 1920

Criação do tribunal de defesa social com dois juízes de nomeação governamental



Fontes: aqui

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Afonso Costa visto pelos seus correligionários


Ao contrário do que os ético-republicanos querem fazer passar, A. Costa foi um ditador sobretudo temido. Aqui ficam algumas impressões desse que não nasceu em S. Comba dâo, mas ali ao lado - em Seia:
José Relvas: « Não concorriam em Afonso Costa as qualidades precisas para adquirir grande popularidade. A sua natureza autoritária, exteriorizada na violência da sua linguagem, no ataque sempre tendente à agressão pessoal, a sua mesma figura pouco atraente, eram a antítese das qualidades externas, persuasivas, brilhantes e atractivas de António José de Almeida».
Machado dos Santos: «E eu mandava V. Ex.ª para Timor e não o mandava para a guilhotina por ter acabado a pena de morte em Portugal».
António Sérgio: «...ensombrou todo o seu trabalho com a tirania para com a religião e os trabalhadores».
António José de Almeida: « Eu conheço este homem público e sei como se despega com uma cabeleira pombalina que lhe orna o crâneo, em dias festivos, perante admiradores extáticos... Conheço esse exibicionista...»
Guerra Junqueiro: «... fizera do Partido que liderava (...) o único organismo vivo da República. Vivo e insuportável».
Fonte: a biografia de AC escrita por Eurico Carlos Esteves Lages Cardoso

Entretanto, numa Monarquia...

Cronologia da república - 10 de Maio

  • 1911
    Greve dos trabalhadores marítimos e fluviais do Porto
  • 1915
    Confrontos e desacatos em Lisboa
  • 1918
    Salazar conclui a sua licenciatura
    O decreto 4238 aumenta o IRS sob o vencimento dos funcionários públicos
  • 1919
    A GNR passa a contar com artilharia

Fontes: aqui

domingo, 9 de maio de 2010

Afonso Costa uma biografia fiável


É uma edição do Autor. Bom sinal!... O Autor, Eurico Carlos Esteves Large Cardoso, remata as suas "Palavras prévias" assim brilhantemente: «Nós, monárquicos por convicção, temos, porém, sempre em vista, tratar os assuntos dos nossos "adversários" políticos com a maior objectividade, veracidade e isenção, atributos de que já demos provas em anteriores trabalhos, pela simples razão do sectarismo não ser a nossa bandeira, nem a maledicência a nossa divisa»
De modo que fomos procurando dados biográficos desse que se doutorou em 1895, em Direito, com 17 valores e uma tese em que atacava violentamente a Rerum Novarum, pobre coitada! Foi o advogado mais tributado pelo Fisco, gostava de viver bem e tinha automóvel (um dos 300 então existentes em Portugal). Não obstante, preconizava o «socialismo económico na República».
Conseguiu ser eleito deputado pelo Porto. em 1899, aproveitando o descontentamento gerado nas populações pelas medidas recomendadas pelo insígne Ricardo Jorge (que abandonou a cidade sob ameaças de morte) aquando de um surto de peste bubónica.
Sobre ele escreveu Sampaio Bruno: «pseudo-republicano, desleal republicano, que tudo faz para ser deputado, jogando com um ramo de republicanos e socialistas e outro de monárquicos, audacioso piritoso, um Dr. Alonso». Em resposta, Costa esmurrou-o em público. Esmurrou um ancião, ele que andaria pelos 30 anos.
Há muito que ler. Remato com este episódio, ocorrido em 4 de Outubro de 1910, quando Afonso Costa, que prudentemente não comparecera à Rotunda, julgou ser vitima de um atentado contra a sua pesoa. Ouviu tiros, convenceu-se que fora atingido. O médico republicano Malva do Vale, que o detestava, mandou-o despir e observou-o, após o que «declarou sarcásticamente que ele tinha no corpo um buraco de nascença e natural».

Centenário da República: os malabarismos da propaganda, ou uma mentira mil vezes repetida

Com uma simples pesquisa no google para as palavras “Cronologia da República”, verifica-se como enquanto a Plataforma do Centenário apresenta e analisa os factos subsequentes à implantação da mesma, o site oficial expõe alguns faits divers criteriosamente escolhidos relativos aos anos precedentes da revolução, que o mais das vezes revelam um regime tolerante e democrático. O mesmo acontece com os temas das diversas rubricas radiofónicas que tenho ouvido aleatoriamente nalgumas estações reverentes ao regime como a TSF e a Antena 1. Este desplante não é de espantar, tais foram as trágicas consequências da dita revolução que ninguém com um mínimo de honestidade pode negar, e que só alguém com má fé se poderia orgulhar. De resto vale tudo para promover a confusão entre os ideais de 1826 e as intenções jamais cumpridas pelos republicanos de 1910. Como um dia vaticinou Eça de Queiroz: O Partido Republicano em Portugal nunca apresentou um programa, nem verdadeiramente tem um programa. Mais ainda, nem o pode ter: porque todas as reformas que, como Partido Republicano, lhe cumpriria reclamar já foram realizadas pelo liberalismo monárquico. (…) A república não pode deixar de inquietar o espírito de todos os patriotas.

Na imagem: efeitos do empastelamento do jornal "A Nação" ocorrido a 21 de Outubro de 1913

Diário da República - episódios parlamentares (IV)


No tempo da I República, pouca era a aficcion taurina e não havia muitas tias. Não quer isso dizer que a classe política fosse mansa. Uma das suas principais - e temíveis - armas na retórica parlamentar era o batuque:
«A partir de Abril de 1926 (...) rara foi a sessão de Parlamento que não fosse encerrada no meio dos maiores tumultos, entre gritos e insultos, carteiras partidas e sarrafos no ar! Na sessão de 15 deste mês, quando o chefe do Governo, sr. António Maria da Silva, iniciava o seu discurso, a oposição esquedista começou a bater com os tampos das carteiras, conseguindo, com um barulho ensurdecedor, não o deixar falar... Na sessão de 19 do mesmo mês, quando o Ministro dos Estrangeirosia começar um discurso, levantou-se um tal batuque de carteiras que ele teve de desistir... Mas foi na longa sessão de 28, 29 e 30 de Abril que se bateu o record das interrupções provocadas pelo batuque. Nessa sessão os trabalhos foram interrompidos quatro vezes, porque, muitos deputados, armados com sarrafos, batiam estrondosamente nas carteiras quando o Presidente queria proceder a votações ou os membros da Governo tentavam falar.
(...)
Na sessão de 24 de Maio de 1926, o Presidente da Câmara dos Deputados sr. Alfredo Rodrigues Gaspar, sentiu a necessidade de proferir estas palavras:" Devo dizer à Câmara de maneira peremptória que desde que a Câmara me manifeste - não é preciso batuque ou quaisquer manifestações violentas - que eu não satisfaço bem à direcção desta Câmara (,,,) abandonarei, sem mais dificuldades este cargo (...).
(...) no dia 25 de Maio de 1926 (,,) o sr. deputado Pina de Morais, voltado para a Preidência, declarou, decidido, não consentir o seu partido que se entrasse na discussão da ordem do dia, sem estar presente o Governo, pelo que, "com muito desgosto, informo a Mesa que faremos oposição pela forma a que já estamos habituados!". Era o batuque...
Fonte: Costa Brochado, «Para a História de um Regime», Editorial Império, págs. 48.

Cronologia da república - 9 de Maio

  • 1912
    Lançamento de bombas em Valpaços
    Renúncia de Aresta Branco ao lugar de presidente da câmara dos deputados
  • 1913
    Fecho do jornal “A revolta”
    Fecho do jornal “Sindicalista” de Lisboa
    Fecho do jornal “Terra Livre”
    Fecho do jornal “Cambada”
  • 1915
    Inauguração do centro monárquico académico de Coimbra
    É fechado o jornal “O Beirão” de Castelo-Branco
    É fechado o jornal “A Pátria Nova” de Bragança
  • 1918
    O governo concede amnistia para crimes políticos
  • 1924
    Greve do pessoal dos telégrafos-postais

Fontes: aqui

sábado, 8 de maio de 2010

PORQUE O "ESTADO" SOMOS NÓS

Enquanto os extremistas-"republicanos"-laicos se esforçam numa argumentária Pidesca para ensombrar a vinda de Bento XVI, o povo português vai mostrar ao "Estado" que o Estado somos NÓS. Sairá à rua quem quiser, quem puder e mostrará a sua convicção – e fé. É desta atitude que o "poder", que nos impõe as doutrinas certas e erradas, tem tanto medo... que o povo exorte sem amarras.

Cronologia da república - 8 de Maio

  • 1913
    É fechado o jornal “O Dia” de Lisboa
    Greve em Vila Boim
    Prisão de vários sindicalistas

Fontes: aqui

sexta-feira, 7 de maio de 2010

António de Oliveira Salazar


Esta é a expressão de quem não se conforma com a História oficial. De quem não aceita seja ocultado aos portugueses um período de 48 anos que - aos ditos portugueses - urge seja feita justiça. À moda de cada um. Estamos a falar da II República.
Para que não subsistam dúvidas, a fonte literária é recente: emana da colecção «Duas Faces», ed. QuidNovi, em conjunção com o DN, 2009. Logo na abertura do 1º vol. diz-se:
«Ser o primeiro ministro de um monarca absoluto - assim terá definido Salazar o cenário dos seus sonhos. Algo que lhe permitia governar livremente, sem freios, como Pombal (...) de uma assentada se arrumavam noventa anos de liberal-constitucionalismo e dezasseis de uma turbulenta República.
(...) era mesmo aquele poder concentrado, sem entraves, que (...) pretendia para si, em pleno século XX (...). Já não com o objectivo do progresso industrial e comercial, como pretendera o marquês (...) antes com a intenção de restaurar a administração pública e impor a ordem (...) na atmosfera do tempo as ideias conservadoras circulavam como uma brisa envolvente (...). A galáxia conservadora era vasta e incluia numerosos republicanso descontentes, que na Assembleia travavam uma luta de morte com a ala esquerda do Partido Republicano (...). O quadro político era insustentável: no dia 28 de Maio de 1926, partindo deBraga forças militares comandadas pelo general Gomes da Costa orientaram-se para a capital. (...) O Estado encontrava-se em ruínas e a Nação esperava do Exército, derradeiro pilar da sobrevivência, que pusesse cobro a tantos e tamanhos destemperos (...).
O restante da leitura fica para os interessados. Só demora 48 anos de República. É o que não pode ficar esquecido. Por muito que os ético-republicanos queiram e forcem.

Agora quando se fala nisto tem que falar disto...

Não adianta fechar os olhos. A República está em discussão (perdida). Nunca tanto como agora a questão do regime é arguida. Agora quando se fala nisto (ver cadência de comentários!) tem de se falar disto.... e disto.

Cronologia da república - 7 de Maio

  • 1917
    É fechado o jornal “O pátria nova” de Coimbra
  • 1920
    É fechado o jornal “Imprensa da Manhã” de Lisboa
    É fechado o jornal “A Imprensa da Noite” de Lisboa
  • 1925
    Apreensão de emissores de telegrafia sem fios

Fontes: aqui

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Diário da República - episódios parlamentares (III)


Sessão de 11 de Fevereiro de 1921. O deputado Plínio Silva acusa os seus colegas de não serem «mais do que comparsas, dispostos eternamente a suportar os insultos de S. Ex.ª o Ministro das Finanças». Logo uma voz bradando - «Não apoiado! Não apoiado!»
Sussurro.
Vozes: «Isto é uma provocação! É preciso que o Sr. Plínio Silva retire as suas frases!
O Presidente da Câmara convidou, efectivamente, o deputado a retirar as palavras consideradas insultuosas. Mas a Câmara não se satisfez com as explicações recebidas, levantando-se grande sussurro com àpartes e protestos violentos.
O sr. Presidente: "É preciso que se restabeleça o sossego".
O sr. Afonso de Macedo: "V. Ex.ª tem de chamar à ordem o sr. Plínio Silva".
Continua o sussurro.
O sr. Presidente: "Não ouvi da parte do sr. Plínio Silva qualquer expressão menos respeitosa"
O sr. Pais Rovisco: "Se V. Ex.ª não ouviu como pode ser julgador? O sr. Plínio Silva tem de repetir a expressão...".
Muitos àpartes.
Sussurros.
O sr. Presidente: "Eu deste lugar não posso estar a discutir com os senhores deputados. Só posso responder a um por cada vez. Desde que digo que não houve da parte do sr. Plínio Silva ideia de desconsideração...".
O sr. Pais Rovisco: "V. Ex.ª parte de uma base falsa"
Sussurro.
O sr. Plínio Silva: "Não tenho dúvida em...».
Sussurro.
O sr. António Maria da Silva: "A Câmara assim não pode funcionar!".
Sussurro.
O sr. Presidente: "Peço a atenção da Câmara. outra maneira vejo-me obrigado a suspender a sessão".
Por outros grandes protestos, foram falando os srs. deputados Afonso de macedo, João Camoesas, António Granjo, Vasco Borges e Plínio Silva, procurando uma solução para o grave problema que embaraçava a Câmara... António Granjo, defendia que, uma vez que o Presidente deu como não ouvidas as expressões de Plínio Silva, "julgo inútil qualquer coisa mais. A questão está liquidada. Agora só pode ser tratada em qualquer outro sítio".
Vozes: "Aqui, aqui é que tem de ser liquidada"
Sussurro.
Vozes: "Retire-as. Aqui é que foram ditas as palavras"
O sr. Pais Rovisco: "Peço a palavra para explicações".
Vozes: "Isto não pode ser!".
O sr. Ladislau Batalha: "Assim não há maneira de trabalhar! Só pensamos em perder tempo...".
O sr. Presidente: "Vai continuar a discussão do projecto".
Vozes: "Não pode ser!"
A sessão torna-se agitada.
O sr. Presidente: "Peço ordem!"
Continua o sussurro.
O sr. Presidente: "Está interrompida a sessão".
Eram 18 horas e 25 minutos».
Fonte: Costa Brochado, «Para a História da nação», Editorial Império, pág.33.

A inegável VERDADE!

Ramalho - de monóculo atento na República (IV)



«A República principiou energicamente por condenar igrejas, conventos, hospitais, asilos, colégios, bibliotecas, escolas e associações de beneficiência, como, por exemplo, a das Cozinhas Económicas que em 17 anos dispendeu na sua obra mais de 1.100 contos de reis; como a das Damas da Caridade, as quais no último ano da sua gerência (...) visitaram no seu domicílio em Lisboa 4327 doentes, pelos quais foram distribuidos 16.408$865 reis; como a da Irmandade das Senhoras Viúvas, presidida pela Rainha a Senhora D. Maria Pia, distribuindo em esmolas nas suas visitas às casas e às enfermarias cerca de 2 contos de reis por ano; como (...) a das Irmãzinhas dos Pobres, as quais, com o exclusivo produto de esmolas, edificaram um vasto palácio em que mantinham confortávelmente e carinhosamente, sem subsídio algum do tesouro, 300 velhos inválidos.

Para compensar tão enormes desfalques no ensino e na assistência pública, ceiou-se uma instituição nova, o Museu Republicano, estabelecido no extinto Colégio do Quelhas. Nesta casa, primeira e por enquanto creio que única fundação pedagógica do novo regime, existe, segundo detalhados documentos fotográficos, publicados pela Ilustração Portuguesa, a famosa sala apologética do regicídio. Nela figura com os retratos dos regicidas e versetos dos Lusíadas dedicados ao culto dos heróis e inscritos nas paredes, um trofeu central composto de um pedestal coberto de veludo, sobre o qual, ao lado de um busto da República, de uma coroa de flores e de uma longa palma, a palma dos mártires, se vê o gabão e o chapeu do Buiça e a clavina com que foi assassinado no dia 1 de Fevereiro de 1908, aos 19 anos de idade, num landau descoberto, em frente de seus pais, o inocente e imaculado príncipe D. Luis Filipe de Bragança. Junto da clavina de Buiça vê-se também o revolver de que se serviu Costa para matar, à queima-roupa, com um tiro na nuca, o rei D. Carlos

O museu inaugurou-se solenemente com um almoço a que assistiram todos os membros do Governo (...)

O mesmo número da Ilustração Portuguesa, consagrado à inauguração do museu da República, dá-nos ainda em sucessivas fotografias o aspecto de diversos trâmites da fabricação de bombas explosivas. Informa o interessante magazine que em Lisboa se fabricam por centenas bombas de caracter mercenário. Parece ser apenas um passatempo de delicados amadores».

in Ramalho Ortigão, «Últimas Farpas», (1911-1914), Clásica Editora, pág. 37.

Cronologia da república - 6 de Maio

  • 1911
    Tumultos em Torres Novas
  • 1913
    É fechado o jornal “O Socialista” de Lisboa
  • 1915
    Inauguração em Lisboa do centro monárquico D. Carlos I
  • 1917
    É fechado o jornal “O Notícia da Beira” de Castelo-Branco
  • 1918
    O governo proíbe a exportação de carnes ou derivados
  • 1919
    O director da polícia de segurança do estado é demitido por não concordar com as perseguições aos operários
  • 1922
    O governo contrai um empréstimo para a construção de cinco bairros sociais

Fontes: aqui

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O "disparate" da tolerância

O sr. António Reis (logo o apelido que lhe havia de calhar!), grão-doutorado da obediência maçónica diz que a "tolerância de ponto" que a república deu aos seus funcionários, motivada pela visita do Papa, é um "disparate, pois vai prejudicar as famílias sem necessidade"... Este sr. do GOL (digo Lol) esquece-se que para prejuízo de muitas famílias (conceito que lhe é indiferente) temos feriado no dia 5 de Outubro e não estou a ver os laicos e ateus a prescindir do feriado de Natal, da Páscoa, da Nª Srª Conceição, para além, dos inúmeros e diversificados feriados municipais. Muitos trabalham aos feriados e não podem ficar em casa com a "família laica" nesses dias. Também diz que "objectivamente (a "tolerância de ponto") é um 'entorse' numa prática coerente com a laicidade do Estado".
– Caro, sr. Reis, quanto à sua intolerância laica e republicana estamos aventalmente falados; quanto ao prognóstico que reserva a este "Estado", espero que para si a vinda do Papa represente uma artrite crónica coerente.

A suprapartidária mentira


Manuel Alegre anunciou a sua candidatura a presidente desta república. Anunciou – como todos os outros – a ladainha de pretender ser o presidente de "todos" os portugueses. Repetindo o que já há uns anos dissera, enalteceu o seu estatuto republicano e socialista com o aperitivo acrescido de polvilhar o seu discurso com o aviso de que "não é neutro"! Enquanto os portugueses não se aperceberem que a eleição à presidência é uma eleição tão partidarizada como para o parlamento, vamos continuar a viver num regime cujo chefe de estado é um gestor de interesses e esquemas. Proferir que são "o presidente de todos os portugueses" é um arroto de hálito fétido.

Diário da República - episódios parlamentares (II)


Sessão de 6 de Dezembro de 1920. O ministro das Finanças apresenta à discussão uma proposta de lei, com um pedido de urgência aos deputados.. Um deles, Mariano Martins, considera necessitar de tempo para analisar o documento. E propõe que a discussão seja adiada por 48 horas. O deputado Pais Rovisco é de opinião contrária e solta um àparte: «Mais um dia!». Mariano Martins não achou graça: «Que quer V. Ex.ª dizer com isso? V. Ex.ª mostra o mais absoluto desconhecimento destes assuntos. Um assunto de tal natureza não se pode apreciar com consciência em menos de quinze dias...».
«O sr. Pais Rovisco: Ora, ora...
O sr. Mariano Martins: Irrita-me essa petulância...»
«E não foi preciso mais nada: "Nesta altura - diz o Diário das Sessões - o sr. Pais Rovisco avança para o sr. Mariano Martins, dando-se uma cena de pugilato, que obriga o sr. Presidente a interromper a sessão».
Sessão de 10 de Fevereiro de 1925. O deputado Julio Gonçalves classifica de miserável certa atitude do deputado Moura Pinto. Este atira-lhe com a ponta do cigarro que estava fumando. Aquele agradeceu-lhe a beata com um copo de vidro que, falhando o alvo, «foi apanhar a cabeça do sr. deputado Afonso de Melo, vítima inocente destas liberdades parlamentares».
Fonte: Costa Brochado, «Para a História de um Regime», Editorial Império, 1949, págs. 32 e 44.

Cronologia da república - 5 de Maio

  • 1912
    Soldados agridem populares na moita do Ribatejo
  • 1913
    Exílio de vários militares para os Açores
  • 1918
    Paralisação dos eléctricos em Lisboa
  • 1919
    Crise governamental
    Greve dos alfaiates de Lisboa
    Greve dos cesteiros de Lisboa
    Greve dos funcionários da companhia nacional de moagem
  • 1923
    A assembleia é abandonada por deputados nacionalistas

Fontes: aqui

terça-feira, 4 de maio de 2010

Diário da República - episódios parlamentares (I)


O Presidente Manuel Teixeira Gomes terá tentado garantir o apoio do Exército, em mais umas vésperas de golpada. E, para isso, nada como um chazinho em Belém com todos comandantes das unidades de Lisboa. Mas o Governo trocou-lhe as voltas e é o próprio, insistindo, a deslocar-se em visita aos quarteis da capital. Na sessão parlamentar de 8 de Janeiro de 1924, o deputado Cunha Leal denuncia o ocorrido:
«Esta atitude pessoal do Presidente da República junto da guarnição de Lisboa tinha o seu complemento nos intervalos das visitas. S. Ex.ª vinha da liberal Inglaterra; desembarcou dum navio inglês sob a bandeira inglesa; conhecia muito bem os seus costumes. Ser-me-à lícito saber se algum dia o venerando e supremo magistrado da República teve o ensejo de ver que o rei da Inglaterra procurasse por qualquer forma exercer qualquer acção sobre oficiais?
Evidentemente que S. Ex.ª não vem de Inglaterra conspirar; mas a verdade é que o sr. Presidente da República preferia dar a este País uma direcção errada, talvez tentando o aliciamento de oficiais»
«Não apoiados.
Apoiados.
Protestos».
«O Chefe do Estado tinha saído de Belém, fazendo uma escapada de colegial e procurando iludir o Governo...»
«Protestos da esquerda
Vozes: A pessoa do sr. Presidente da República não pode ser discutida!
O sr Cunha Leal (continuando): «O sr. Presidente da Republica foi, sem conhecimento do seu Governo, ao Corpo de Marinheiros contar quantas peças lá estavam. Dali seguiu para o Arsenal, de onde, sem conhecimento ainda do Governo, pretendeu embarcar para bordo do Douro revoltado, navio em que se encontrava chefiando a revolta o sr. João Manuel de Carvalho, íntimo amigo do Chefe do Estado. Foi depois disto que o Governo, topando pelo telefone o Chefe do Estado, lhe manifestou a sua estranheza por S. Ex.ª se ter querido ir lançar nos braços dos revoltosos».
Cunha Leal concluiria a sua intervenção, em mais este caso, na Câmara, desabafando:
«Que bem tem pago o Partido Nacionalista as listas brancas com que votou o nome do sr. Teixeira Gomes! O pior é que pagam connosco a República e a Nação».
Fonte: Costa Brochado, «Para a História de um Regime», Editorial Império, 1949, pág. 26.

Cronologia da república - 4 de Maio

  • 1914
    Manifestações no Porto; com agressões a vários padres
  • 1916
    É fechado o jornal “O Leste” de Elvas
    A Lei 523 decreta o estado de sítio nacional
    O governo cria a intendência dos bens dos inimigos
  • 1919
    Greve dos funcionários da companhia de gás de Lisboa
    Greve dos trabalhadores da câmara municipal de Lisboa
    Greve dos operários metalúrgicos de Lisboa
  • 1921
    A assembleia dá ao governo o poder de dar ou tirar a liberdade de comércio de bens alimentares
    O governo revoga a lei de dissolução da assembleia da república

Fontes: aqui

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Afonso Costa e a separação de poderes

Podia ser mais um escandalo dos nossos dias. Mas não. A tradição é a tradição: nada de regras. Por isso, na sequência da sangrenta revolta de 15 de Maio de 1915, que, aliás, instigou, o deputado Afonso Costa não se resignava com um destino benigno para o Presidente Arriaga e o 1º Ministro Pimenta de Castro.
Pior - ditava ordens para o tribunal que os havia de julgar. Conforme narrou o Gen. Pimenta de Castro:
«O dr. Afonso Costa, no seu primeiro discurso depois da revolta, feito no centro democrático aos seus súbditos e correlegionários, ameaçava os juizes que não pronunciassem o dr. Manuel de Arriaga e o general Pimenta de Castro, presidente do Ministério. Depois, sofreado, sem dúvida, pela razão tesa do "não se metam com o velho" (do Ministro inglês!!!) vozeava somente contra o general Pimenta de Castro. E o facto é que o dr. Manuel de Arriaga, contra o qual era profundo o ódio dos democráticos, foi para sua casa em Lisboa (...). Eu fui preso para o "Vasco da Gama", onde me enxovalharam com chufas encomendadas, e ao cabo de 27 dias era deportado para a Ilha de S. Miguel»
«A 6 de Junho de 1915, falando do directório do partido democrático, exprimia-se deste modo: "Resta agora que os tribunais se não reservem o triste papel de se recusarem ao pronunciamento dos srs. Pimenta de Castro e Manuel de Arriaga. Isto não acontecerá. Seria preferível ver absolvidos todos os réus acusados de crimes comuns a ter de assistir à absolvição pelo mais grave delito dos homens públicos, que cometeram».
EM QUE CONSISTIRIA PARA AFONSO COSTA O ESTADO DE DIREITO?
Fonte: Costa Brochado, «Para a História de um Regime», Editorial Império, 1949, pág. 15.

Cronologia da república - 3 de Maio

  • 1911
    É criada pelo governo a GNR
  • 1912
    Revolta dos presos do limoeiro
  • 1913
    É fechado o jornal “O Diário de Coimbra”
  • 1915
    Numa conferência no Porto, Afonso Costa caracteriza o governo como uma organização maléfica
    Os jornais afectos a Afonso Costa apelam à insurreição
    O derrube do governo contabilizou-se por 102 mortos e 250 feridos graves
  • 1919
    Evasão em massa da prisão do limoeiro
    É fechado o jornal “O defensor da república” de Setúbal
  • 1925
    Protestos de produtores de vinho contra a importação do produto
  • 1926
    Tentativa de implementação do bolchevismo

Fontes: aqui

domingo, 2 de maio de 2010

Carta de um republicano desesperado a um monárquico bem-intencionado


«Meu caro Pimenta de Castro. Vejo-me violentado a intervir novamente nesta amaldiçoada barafunda política, em que as paixões sectaristas e a intolerância dos velhos costumes têm envolvido esta nossa querida Pátria. Se não se acode desde já com firmeza e prontidão ao incêndio em que as facções estão ardendo há muito tempo, como desejando reduzir tudo à podridão e à miséria, estamos perdidos. Isto não são frases; é uma inevitável realidade!
Careço de ti e de forma que sem ti poderá caducar para sempre o remédio a dar-se ao grande mal.
Em duas palavras: preciso de um governo extra-partidário, com o acordo, se não de todos os partidos (e talvez se consiga), ao menos por quase unanimidade para atalhar ao antagonismo que pretendem introduzir entre a República e o Exército.
Deste governo serás o presidente e ministro do interior e será ministro dos estrangeiros o Freire de Andrade, ou ouro de igual valor. Os mais serão escolhidos pelos três partidos militantes, conforme ajustassem entre si, quanddo se possa conseguir, com a cláusula expressa de ficar interdito entre eles a politica partidária até às eleições gerais. O teu austero e belo nome servirá para garantir a genuidade do sufrágio, a conciliação e a paz na república e no Exército.
Esta ideia que, há um mês atrás, era repelida pelos políticos militantes, hoje dizem-me, e eu creio, será aceite pela força das circunstâncias.
Eu que ansiava por me ir embora, conservo-me no teu lado até ao fim da chefatura (e que grande sacrifício não faço em ficar?!). É necessário que outro tanto te suceda.
Tem paciência: somos dois velhos que nos vemos obrigados a dar alento aos novos. Por tudo, te peço que neste momento, tão angustioso para mim e tão grave para a Nação, não te esquives; não venhas com evasivas.
Peço-te, em nome da República e da Pátria, que não me abandones. Será curto o nosso cativeiro, e, ao fim dele, seemos compensados com a paz da nossa consciência, por havermos servido de algum bem à Pátira gloriosa onde nascemos.
Belém, 23 de Janeiro de 1915. Manuel de Arriaga».
Desta carta do 1º Presidente da República ao Gen. Pimenta de Castro, seu amigo, surgiria aquilo a que os "democráticos" de Afonso Costa chamaram a "ditadura Pimenta de Castro". E logo a 15 de Maio seguinte, uma sangrenta revolução (200 mortos e 1000 em Lisboa), põe permo ao Governo formado de acordo com os ditâmes de Manuel de Arriaga.
Este é vitíma de uma tentativa de assassinato e salva-o a intervenção do Ministro inglês «não se metam com o Velho», terá dito!), ameaçando com o não reconhecimento da República pela Sociedade das Nações. Ainda assim, é obrigado a resignar ao cargo, e de Arriaga nunca mais a política portuguesa soube nada.
Pimenta de Castro foi preso, na sequência da revolta, e deportado para os Açores.

Cronologia da república - 2 de Maio

  • 1912
    Desacatos numa fábrica no Porto
  • 1917
    É fechado o jornal “A Lanterna” do Porto
  • 1919
    Greve dos funcionários da companhia de águas de Lisboa
    Greve dos funcionários da Carris

Fontes: aqui

Fontes: aqui

sábado, 1 de maio de 2010

Comemorações da república


Já não as vemos, porque aquilo tornou-se historicamente discreto a partir do momento em que se percebeu que a I República não tinha nada que ver com a democracia e isso cortou as pernas à comemoração que está reduzida a actividades académicas, mas em termos públicos creio que passou. O regime percebeu que não se pode identificar com um regime repressivo, antidemocrático, anti-feminista, colonialista e, por outro lado, a crise actual não dá para grandes festejos. E essa comemoração está muito longe... ninguém está a reparar. Neste momento são só os historiadores que falam nisso e ainda bem.

Estranhas comemorações

Dedicado ao Nuno Castelo Branco:
«Daqui a pouco, nós e os nossos centenários, e a estéril inanidade das nossas solicitações ruidosas ao Futuro, iremos na ressaca da mesma onda que virá colher o cisco da nossa Babel, e bem pode ser que o jesuíta, renascido do seio de outra civilização, surja depois para se rir de nós. Se os ultraliberais de 1882 estão com o Marquês de Pombal, quem nos afirma que as confederações republicanas e ateístas de 1982 não hão-de estar com os jesuítas. As situações parecem-me equivalentes nas paralelas do absurdo»
(in proémio do «Perfil do Marquês de Pombal», de Camilo Castelo Branco)

Entre o Lirismo e a Ferocidade

Descobri o livro de Fernando Honrado "Os Fuzilados de Outubro de 1921" há 15 anos. Li-o e arrumei-o, até hoje. O capítulo acima referenciado prendeu-me agora a atenção:
«Acontecimentos como os Fuzilamentos de 19 de Outubro de 1921 são previsiveis em sociedades como era a de Lisboa, naquele tempo. O Estado era fraco, os poderes à margem deste eram vários e, naturalmente, sem coordenação. A ânsia do Individualismo tocava a loucura, a Democracia era um valor de que a maior parte não se sabia servir.
Não havia uma Polícia ao serviço da comunidade, verdadeiramente. Aquela sobrepunha, a maior parte das vezes, os seus interesses de qualquer ordem, aos interesses comuns, ao dever de prevenir e reprimir o crime. Foi fácil ir a casa buscar as vítimas e, em seguida, assassiná-las.
(...) a "Noite Sangrenta" foi obra de um grupo de bandidos, marinheiros e praças da Guarda Republicana, ou fazendo-se passar por tal, que resolveram "ir à caça". Todavia, as peças não eram coelhos ou perdizes, mas homens.
Bandidos sim, mas bandidos organizados, com raiz política indiscutivelmente. Organizações deste tipo eram vulgares, e a distinção entre bandidos - chamados criminosos de direito comum - e certos indivíduos chamados políticos, não era nenhuma.
(...)
Mas afinal como foi possivel suceder a Noite Sangrenta? (...) O "Dente de Ouro", Abel Olímpio, o principal "brigadeirista" julgado e condenado duramente, por um Tribunal Militar que tinha por Promotor - seria por acaso? - um homem que foi mais de vinte anos Presidente da República Portuguesa [Marechal Óscar Carmona], devia saber tudo o que era essencial, mas nada disse de importante. Também ele, talvez, tivesse medo que o matassem. Porque não?
Criou-se uma ideia (...) de que Portugal é um País de brandos costumes. Será? Sem falar em Camarate (...) nós temos no "activo" além da Noite Sangrenta, o Regicídio e o assassinato de Sidónio em escassos treze anos. É de admitir que quem tem razão é Oliveira Martins que diz que Portugal tem vivido entre um lirismo bucólico e uma ferocidade africana».

Cronologia da república - 1 de Maio

  • 1912
    Um grupo de intelectuais radicados em Paris procura erguer uma estátua a Camões
  • 1914
    Manifestações em Lisboa
    Duelo à espada entre Leote do Rego e Álvaro Nunes Ribeiro
  • 1919
    Protestos em Lisboa contra o embarque de presos políticos para a Madeira
  • 1920
    Manifestações sindicalistas contra a ditadura
  • 1924
    Greve dos corticeiros
  • 1925
    Por lei, é concedido um empréstimo ao governo para a manutenção de edifícios públicos
  • 1926
    Nacionalização das fábricas de tabacos de Lisboa e Porto
    A população invade o parlamento

Fontes: aqui