sábado, 17 de julho de 2010

De 5 para 6, de 6 para sempre


A República é um "edifício" estranho. Se os seus inquilinos vêm na forma de sucessão o pior mal da Monarquia por outro lado (o lado do cérebro que menos usam mas que fervilha de complexos vários desde os genes dos avoengos) lá vão tentando perpetuar-se no poder – esse poder que dizem "ser" do Povo, desde que esteja nas mãozinhas certas!!! Cinco anos não é muito? Ou é pouco? ... bem, comparado com 100 anos...! A República é um "edifício" estranho. Salazar, esse grande republicano, também achava que cinco anos era pouco.

Cronologia da república - 17 de Julho

  • 1911


Afonso Costa é demitido do lugar de professor na Universidade de Coimbra

  • 1912

A existência de vários explosivos numa habitação, gera um incêndio em Lamego, que destrói várias casas

  • 1913

A assembleia, autoriza a câmara municipal do Porto a contrair um empréstimo, para a construção do matadouro municipal

A assembleia, autoriza o governo a contrair um empréstimo, para conceber a exposição universal de São Francisco da Califórnia

  • 1923

A exibição da peça “Mar Alto”, de António Ferro é proibida pela censura

É fechado o jornal “O Defensor” das Caldas da Rainha

  • 1924

Em Lisboa, a PSP e a GNR travam um combate, resultando em 8 mortos e 14 feridos

  • 1925

O governo proíbe a importação de todo o tipo de gado

 
 
 
 
 
 
Fontes: aqui

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A qualidade de vida na morte nesta nossa República


É notícia dos jornais: «Portugal é dos piores países para morrer». Mais concretamente - trata-se de um estudo denominado Index Global sobre a «Qualidade na Morte», realizado pela Economist Intelligence Unit (EIU), em que este nosso País, subjugado pela pata republicana «está entre os dez piores países para morrer».
Em 40 países avaliados, aqui ficam, por ordem decrescente, os dez primeiros: Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Irlanda, Bélgica, Áustria, Holanda, Alemanha, Canadá e EUA.
Na mesma ordem, os dez últimos: Portugal, Malásia, Turquia, Russia, México, China, Brasil, Uganda, Índia.
Não valerá a pena frisar o Reino Unido e os mais países que compõem a Commonwealth instalados nos lugares cimeiros dos que proporcionam a quem morre um condigno final de vida. Não, agora descobriu-se que a familia Real britânica é dona de uma fortuna enorme, e por isso tudo aquilo não presta, é uma farsa. O mesmo quanto às restantes Monarquias que estão em bom lugar na classificação geral.
Vamos é falar dos últimos. Do 3º e do 4º Mundos. Da miséria espalhada pelo planeta. Da Rússia surgente do Império comunista e subjugada por máfias. E de Portugal. Do nosso País que esta República definitivamente afastou da paridade com os demais países europeus e nem quando morremos nos sabe dar algum conforto.
Estariamos em tão baixo nivel em 1910?

Crónica instrumental

Pretender que a notícia duma tragédia ocorrida em 29 de Julho de 1910, o suicídio uma pobre mãe e três filhas na Boca do Inferno, reflicta o "ambiente sombrio" no qual o país se encontrava, (que era um facto apesar de tudo) é pura propaganda, caro Luís Naves. Eu suspeito que este tipo de “mensagem” até possa "passar” no jornal, mas parece-me que o leitor dos blogues tem mais critério e não a engole assim... De resto bem sabemos todos como a miséria e as suas consequências continuaram e acentuaram-se após o 5 de Outubro.

Ilustração: Stuart Carvalhais 1923

Cronologia da república - 16 de Julho

  • 1911


Protestos em Lisboa contra o monopólio do peixe

  • 1912

É fechado o jornal “O Dia”

O governo institui tribunais militares em Braga, Coimbra e Lisboa para julgar revoltosos

  • 1918

Os sindicatos agrícolas protestam contra a falta de adubos

A Secretaria de Estado das Subsistências exerce uma maior fiscalização, para evitar a apropriação indevida ou especulação sobre bens alimentares





Fontes: aqui

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Coisas do Centenário



Não costumo entrar em polémicas quanto a posts alheios, mas neste ano de um centenário que envergonha aqueles que o comemoram por qualquer tipo de razão - onde o preconceito e o interesse material ocupam a primeira linha -, surgem recorrentemente prosas eivadas das habituais pechas atiradas á cara daquilo que pensam ser os "pobres monárquicos" deles.

Este post do João Gonçalves, consiste num perfeito exemplo daquela propaganda surda que já é velha e relha, engendrada nos costistas tugúrios fumarentos e de acres odores, decerto mercê dos eflúvios vinháticos que acompanhavam as assassinas conspiratas que arruinaram um prometedor século. Nunca tomarei o João Gonçalves como um jacobino, porque nunca o foi, nem poderá sê-lo. Num plano infinitamente inferior, aqueles que hoje insistem em orgulhosamente reivindicar o vergonhoso labéu, não fazem a mais remota ideia de tudo o que o termo encerra na sua dimensão política e pior ainda, humana. Não é disso que se trata. Embora com alguns amistosamente prive, o João tem por regra não gostar dos monárquicos, umas vezes "porque sim", outras vezes "porque não". Temos de aceitar a excêntrica teima sem revidar no mesmo tom, até porque esta insistência na nossa universal "estupidez e pobreza de espírito", advirá do secreto reconhecimento do contrário daquilo em que insiste. É uma homenagem que o João Gonçalves não quer reconhecer ou prestar. Ele sabe que todos bem o compreendemos.

Pela leitura do Portugal dos Pequeninos, adivinhamos o dilema do J.G. Dia após dia, vergasta os seus imaginativos colegas de república, de uma forma impiedosa e jamais vista em qualquer mísero e despiciendo blog thalassa. Se hoje o sr. Cavaco é um candidato a regenerador herói de uma pátria sem remissão, amanhã o presidencial silêncio ou longa complacência diante do 1º ministro, é severamente criticado como escabrosa, oportunista e adivinhada pusilanimidade. O J.G. bem tranquilo poderá ficar e no dito cavalheiro insistir em votar, porque não se tratará de qualquer deficiência de carácter do titular da inútil e risível instituição, mas tão só de simples calculismo cumpridor de prazos eleitorais. Chame-se o homem Cavaco, Soares, Alegre, o "concorrente a porteiro da ONU" Sampaio ou até, Thomaz, o recurso à reserva mental e ao dito que afinal se pretendeu não dizer, é a trivial constância que garante o sistema. Nada mais interessa e toda a vida pública depende deste vai e vem de casos em ricas casas, bastas vezes criados à volta de uma sopinha fria e evocadora da escusável memória do venerando vencedor de Verdun. Nisto são os republicanos excelsos peritos na vigarice e levam a palma do justo vencedor antecipado.

Na verdade, os nossos esquemáticos mariannistes andam gorgulhantes com a sua má sorte. Não lhes bastando ter um representante que não passa de um apagado, desinteressante, mal relacionado e bacoco fait-divers de subúrbio e ainda por cima sucessor de uma mão cheia de sonoros e caríssimos nadas - que embora protestando, o João também é forçado a pagar até que a fatal ampulheta decida o fim da sinecura -, a "velha situação monárquica do bigode retorcido" que tão bem lhes serviu, para sempre desapareceu. Consistiu este fogo de artifício, na converseta tonitroada pela sacra aliança daquilo que de mais desprezível teve a caceteira turbamulta do sistema do 5 de Outubro, com as miasmáticas águas paradas da 2ª república. Goebbels não faria melhor. Mas factos são factos e deles não podemos alhear-nos. Não só o sucessor da Coroa significa exactamente o oposto daquilo que o João insiste em fazer crer, como entre as hostes do azul e branco se contam aos centos os filiados teimosos, com leitura e uma preparação que fazem empalidecer o conhecido currículo verde-rubro, adquirido nestas negociatas regimentais em que a república de telejornal há muito se tornou. O insulto torna-se assim gratuito e tem o esperado efeito de boomerang, pois é com um certo gáudio que os monárquicos lêem e divulgam as obras dos historiadores que J.G. tanto gosta de evocar - como Fátima Bonifácio e Rui Ramos - que nos últimos anos têm prestado um grande serviço à verdade de uma História que deliberada e despudoradamente tem sido muito mal contada.

Bem vistas as coisas, o João deveria até manifestar a sua felicidade pela Situação, uma vez que diária e descoroçoadamente confirma as escassas alterações climáticas de permanente guerra civil partidista, sem a qual o nosso bairrismo político não pode sobreviver. Eternamentee à compita pelo mata e esfola, os republicanos "de esquerda" desprezam e desrespeitam o sr. Cavaco sempre que a oportunidade surge - bastará lermos o que dele se escreve e diz -, tal como os "republicanos de direita" se desunharam ao longo de vinte anos, em espalhar notícias de negociatas de marfins, constelações de diamantes caídos em florestas jâmbicas, fundações privadas erguidas com dinheiros públicos, geracionais nepotismos vários, negócios de extinta colónia dos mares do sul da China, ou suspeitos terrenos camarários e andares de luxo em qualquer Bagatella do centro lisboeta. Neste campo do boato, qualquer taxista alfacinha, faz o pleno de uma tradição que o felizmente defunto, mas mal enterrado PRP inaugurou em Portugal. A luta política "por Bem de Belém" não pode passar sem estas pequenas e tão humanas misérias, onde luxos nababos vão alternado com calculadas modestas marquises anodizadas e assim por diante, num eterno bailinho dos pergamóides de hoje, com os veludos do amanhã.

Conheço o João Gonçalves há perto de trinta anos e gabo-lhe a coerente e comprovadamente desinteressada fidelidade à causa do Partido. Sendo um impenitente não-filiado PSD friendly - como já se definiu -, compreende-se este constante permanecer no terreno, evocando simbólicos actos de cavaleiros de outras eras, em que o putativo vencedor permanecia em campo após a refrega, atestando uma vitória. Mas afinal, trata-se de uma vitória de quem, ou mais importante ainda, de quê? Poderá o João explicar? É que ainda poucos entenderam para onde nos pretende levar.

Não tardaremos em compreender. Com Cavaco já em afanoso guignol antes do bater da hora, a desértica e presidencial campanha aproxima-se, sentando-se os "pobres monárquicos" mudos e quedos na primeira fila, mas prestos e lestos para o desfrute do espectáculo que se adivinha.

Passando adiante dos política e republicanamente despojados comentadores do ciberespaço, numa frase se lobriga aquilo que a república foi, é e jamais poderá deixar de ser. Os agentes do barrete frígio, empanturram-se de um conceito de forma que apenas será tida como boa, se o "seu" presidente estiver disponível para a partilha de feudos, lataria aposta nas lapelas dos 10 de Junho, aplicação da mobilidade em direcção a uma pública gamela, comendadorias amigas, catrapiscanço secretário em ocioso gabinete de estudo, ou assessorias anexas. É esta a limusínica república que querem e que no fundo, bem merecem. Sobretudo, é a república que ouvidos de mercador faz aos lancinantes protestos de um cada vez mais evidente Portugal dos Pequeninos. Será assim tão difícil o João reconhecer que não tem lugar entre "isto"?

Então, mais não se rale e aproveite bem o verão, desobedecendo a qualquer patético pacóvio que de arreganhada tacha lhe recomende férias dentro de portas. Se puder, parta para mais civilizado destino, talvez uma não muito longínqua, irreverente e transbordante de auto-estima Monarquia.

Os sentimentos e o pensamento da raggazza


«... nós, republicanos, temos por nós a força irresistivel da civilização, porque a democracia, a república, não é hoje só uma forma de governo das sociedades, é a própria forma do sentimento, da acção e do pensamento contemporâneo...»
(Bernardino Machado, in "Da Monarquia para a República, 1883-1905").
Inteiramente de acordo com Bernardino. Estão aí todos os colarinhos brancos da actualidade para atestar a pureza dos sentimentos e a elevação do pensamento das figuras da República Portuguesa. Nem é preciso citar nomes, a televisão todos os dias os repete e as Comissões parlamentares afadigam-se em agitar um cenário e uma peça de teatro que já cansa e não convence ninguém.
Pobres de nós!...

Cronologia da república - 15 de Julho

  • 1914


Manifestações no Funchal

  • 1915

É fechado o jornal “O Arauto” de Portimão

  • 1916

Assalto a estabelecimentos comerciais em Caldelas

  • 1917

É fechado o jornal “O Transmontano” de Bragança

  • 1920

A assembleia autoriza as câmaras a lançar impostos sobre exportações dos respectivos concelhos

Assassinato de um dos juízes encarregado de um tribunal para julgamento de crimes sociais

  • 1922

É fechado o jornal “A Província” de Coimbra

  • 1924

A assembleia concede amnistia a marinheiros e soldados que participaram em revoltas







Fontes: aqui

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Cronologia da república - 14 de Julho

  • 1917


Ao discursar na assembleia, Afonso Costa diz-se marxista e partidário da luta de classes

  • 1918

O governo modifica vários artigos do código do processo civil

O governo assegura a manutenção da jurisprudência no supremo tribunal de justiça

O governo regula o funcionamento do conselho colonial

O governo obriga os detentores, negociantes, lavradores, produtores ou possuidores de azeite, a declarar os seus rendimentos ao regedor da paróquia

O governo regula o funcionamento dos celeiros municipais

O governo regulamenta a forma de comerciar-se os produtos alimentares

O governo contrai um empréstimo para a criação de escolas primárias pelo país

O governo regula a produção e o comércio de vinhos do Porto

O governo regula a exportação de madeiras

Em 1911, na FDL, havia a hipótese de bacharéis em Direito, passarem a catedráticos sem efectuarem o doutoramento

Sidónio Pais diz que o governo é republicano, agrade ou desagrade

  • 1919

Greve geral da indústria de móveis

  • 1924

Atentado bombista em Lisboa





Fontes: aqui

terça-feira, 13 de julho de 2010

Laureados pela FIFA na África do Sul


Admite-se que tenha vindo da Gorongosa até à Africa do Sul, baloiçando de cipó em cipó. Mas não é o Tarzan. Nem sequer o sempre credível Super-Homem. Não, este é o Dino Supremo. Um português como nós.
Acompanhou o Campeonato do Mundo, torcendo pela Selecção dos navegantes. Não naufragou, todavia, como ela. E chamou a atenção de todos, da própria FIFA, que o elegeu o melhor adepto do Campeonato. Viu a sua fotografia exibida no ecrã gigante do Estádio Soccer City, foi vibrantemente aplaudido e regressou num Hyundai a estrear. Tal o prémio que lhe foi destinado.
Olhando para Dino Supremo, vemos que está lá tudo: as alvíssimas ceroulas de gola alta, o garrido da bandeira republicana, nas caneleiras, no peito, na capa que o ajudaria a voar de bancada para bancada. Um misto de catatua e arara. Com o especial atractivo da bigodaça aparatosa, tipica dos anos aúreos do PREC abrilesco.
Está aqui, está, como tantos dos nossos, registado no Guiness.
É que a República ainda não nos tirou tudo. Ainda nos deixou a graça e a capacidade de improviso. O que nos resta para voltar destes grandes eventos mundiais de alguma forma medalhados.

Limusinas, vaidades e corte de fitas




Uma hilariante dissertação de Cavaco Silva, na melhor tradição corta-fitas de outros tempos. Desde "atirar para um lado a bola e outros a atirar para outro", até a futebolisticamente comparar o seu papel como coordenador de selecção - que nas suas sábias palavras somos nós, os dez milhões -, Cavaco julga-se como olímpica figura que ao lado de serviçal sempre de taça de água perfumada nas mãos, nela mergulha as mãos, limpando-as de qualquer responsabilidade adquirida num passado distante ou ainda muito próximo. Cercado de amizades perigosas e comprometedoras, perora longamente diante de assembleias compostas por gente que na sua maioria, são as famosas gárgulas económicas e financeiras que tiveram a sua parte de leão na partilha dos despojos, que aqui chegaram no tempo das "vacas gordas" referidas pelo barrosão presidente da Comissão Europeia.

Pois não é assim. Cavaco está, como desde sempre esteve, em plena campanha eleitoral, servindo-se capciosamente das suas hipotéticas funções e dos recursos do Estado que diz querer defender. Podia começar por defendê-lo de si e dos seus próximos. É nítido este pendor eleiçoeiro e o chorrilho de banalidades proferidas em cada aparição presidencial, vem acirrar a convicção da imensa maioria de que tal acontece, devido precisamente ao sistema que o próprio ajudou a erguer e conservar. De flamante limusina vai chegando e aconselhando à morigeração de costumes e manias, enquanto os comprometedores silêncios, as amizades perigosas, o não querer dizer ou saber dizer, apontam apenas para a necessidade do cumprimento da vaidade pessoal, aliás confirmada a cada dia que passa. Supina nulidade, é um embaraço para os seus próprios aliados. Poderá este homem fixar-nos olhos nos olhos e apelar à compreensão e união todos, perante as tarefas que urge executar?

Tudo isto é muito mau, fazendo-nos sonhar com a passada classificação medíocre, uma mais desejável categoria a que todos já nos habituáramos.

Neste momento, não existe qualquer instituição, nem alguém que no regime consiga mobilizar a população, fazendo-a ver a necessidade de um radical virar de página que afaste o monte de térmitas que nos mina o soalho e a porta. É que os símbolos contam e muito. Como símbolo, o regime que ousa comemorar um centenário de torpezas, pouco vale, a não ser para o que deles se servem.

Olhemos para o que ontem sucedeu num país que há tanto tempo parece irremediavelmente divido. De facto, em Espanha existe uma instituição firme, inamovível e que concita a quase unanimidade. Ontem, de Vigo - a tal pretendida cidade lusíada que serve de Cavalo de Tróia -, a Sevilha, Valência, Santander, Murcia, Leão, Córdova, Ceuta, Las Palmas, Bilbau e Barcelona, as flâmulas regionais foram esquecidas e atiradas para o plano da curiosidade bairrista. Por todo o lado, um mar de bandeiras espanholas onde uma gigantesca coroa - que cada vez mais parece ocupar toda a flâmula de Espanha -, serve de símbolo que adverte os derrotados pela guerra, pela história e porque não?, pela conveniência do bem comum. Existe a convicção generalizada do sucesso que o país vizinho terá na luta contra a crise dos dinheiros e da unidade. O seu irreverente optimismo e a solidez da base constitucional são essenciais e geralmente reconhecidos.

Até nisso, Portugal está em desvantagem.

AGUSTINA BESSA LUIS


O "Monarquia do Norte" quis também ouvir, em 1996, a grande escritora portuense Agustina Bessa Luis. Concretamente, perguntou-lhe: «Em sua opinião, que significado tem para Portugal o nascimento do Príncipe D. Afonso?» (primogénito d'El Rei D. Duarte, nesse ano nascido).

Eis a resposta: « Assim como não há mal nas coisas, se não se entendem, não há bem se as coisas não se sentem com generosidade.

Quando nasce uma criança que por muitos é olhada com esperança, ela tem de ser vista com entendimento e bondade que afastem toda a desordem de pensamento.

Chamados e escolhidos há poucos. O ser escolhido é já felicidade. O ser chamado pertence a Deus».

Na profunda expressão dos enigmas, que Agustina tanto cultiva, lê-se bem a estrela que orienta e conduz. Quem? Até onde? Para quê e porquê?

A resposta sempre caberá aos portugueses.

Cronologia da república - 13 de Julho

  • 1911


Rebelião entre o exército

Os funcionários da CP, que tinham infringido a Lei da Greve, são amnistiados

  • 1912

Revolta monárquica em Évora

  • 1918

O governo cria uma revista de propaganda pedagógica intitulado “A Escola Primária”

Regulando o serviço de censura à imprensa

O ministro Martinho Nobre de Melo, recebe o titulo de professor doutor, pela FDL, sem efectuar o respectivo doutoramento

  • 1919

É fechado o jornal “A Democracia” de Vila Real





Fontes: aqui

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Nós portugueses



A sobrevivência de qualquer comunidade, da mais circunscrita como a família, à mais alargada como o caso duma Nação depende, de entre outros factores, de uma cultura de serviço e altruísmo, ou noutra palavra, de “amor”. É sobre esta perspectiva que eu descreio profundamente na viabilidade duma Pátria sustentada em contas de mercearia, na disputa de interesses individuais ou corporativos, assente numa cultura de conflito permanente com a sua História, na desconstrução sistemática dos seus símbolos e tradições. Atingida a Idade do sacrossanto indivíduo, democratizado o hedonismo, o grande desafio da democracia, para a sua própria sobrevivência, é a restauração da mística desse “amor”, cimento último de qualquer tribo. Reduzidos por estes dias à figura de Consumidores, com existência circunscrita às estatísticas e sondagens, para toda a sorte de duvidosos interesses, tal metamorfose só será possível através duma inspiradora metapolítica que nos resgate uma causa comum, para voltarmos de novo a ser um Povo.

Cronologia da república - 12 de Julho

  • 1911


Distúrbios em Coimbra

É encerrada a Universidade de Coimbra e o seu reitor é demitido

  • 1912

É fechado o jornal “A Província” de Viseu

Adelaide Cabatte defende o direito da mulher poder votar

Agressão a um grupo de presos monárquicos, em Lisboa

  • 1914

Comício do partido evolucionista contra o governo

  • 1917

O governo decreta o estado de sítio em Lisboa

Confrontos entre operários da construção civil, resultando 6 mortos

  • 1922

Abolição do tipo único de pão

  • 1923

A assembleia determina que o funeral de Guerra Junqueiro tenha honras nacionais e seja pago pelo estado

É fechado o jornal “A folha de Setúbal”

Encerrada desde 1910, a Feira Popular de Lisboa reabre ao público

  • 1925

O jornal “Voz Sindical” de Setúbal fala do ódio e da desconfiança popular, face à classe política






Fontes: aqui

domingo, 11 de julho de 2010

NUNO CARDOSO e o baptizado do Infante D. Dinis


Os monárquicos de Esquerda, de que o nosso Amigo Rui Monteiro é - digamos assim - porta-voz, levaram-me a buscar a minha colecção do «Monarquia do Norte» que, como já referi, tive o gosto de coordenar. Em Fevereiro de 2000, realizou-se na Sé do Porto, o baptizado do Senhor Infante D. Dinis. A nossa publicação não deixou de entrevistar, sobre o evento, personagens de vulto na cidade.
Aqui fica o depoimento do Eng. Nuno Cardoso, então Presidente da Câmara (Partido Socialista):
«P. - Que significado atribui à realização do baptizado do Infante D. Dinis no Porto?
R. - Não podemos também esquecer que o Infante D. Dinis irá ostentar o título de Duque do Porto, uma honraria instituida por D. Pedro IV, que é preito de gratidão pela forma, firme e determinada, com que o Povo do Porto lutou a seu lado - e no Cerco do Porto - pela causa da Liberdade. De tal forma foi esse empenho que o Rei Soldado doou o seu coração à cidade, hoje em dia guardado religiosamente na Igreja da Lapa.
P. Qual o lugar da Tradição no Porto Capital Europeia da Cultura?
R. - O Porto teve sempre grandes pendências com a aristocracia. Guardou, porém - e sempre - uma relação muito forte com os Reis de Portugal. Com D. Pedro IV, mas também - e por exemplo - com D. João I, ajudando-o a construir a armada para Ceuta. Foi aqui também que nasceu D. Henrique, o Navegador, o Homem que deu Novos Mundos ao Mundo. e foi aqui que se travaram duras batalhas, contra o invasor francês que queria destruir o Trono de Portugal.
O baptizado real realiza-se na Sé Catedral do Porto, coração do Centro Histórico, declarado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade. O Bairro da Sé constitui, também, o coração do que há de mais nobre quanto ao modo de ser e estar na vida dos portuenses: gente humilde e honrada que ganha o pão com o suor do seu rosto.
P. - Sente-se honrado pela escolha do Porto para a celebração deste Baptizado Real?
R. - O baptizado do Infante D. Dinis na Sé Catedral terá, estou certo, o enquadramento popular que um acontecimento dessa ordem merece. O Porto - cidade burguesa e mercantil por excelência - saberá acolher com agrado o Infante D. Dinis, nas vésperas de um acontecimento de grande impacto como é o caso da capital Europeia da Cultura que se celebra no próximo ano».
As águas aplanam-se. E vão ganhando limpidez e transparência...

Cronologia da república - 11 de Julho

  • 1912


Bernardino Machado é nomeado embaixador no Brasil

Para por fim à revolta monárquica do norte, partem mais de 500 praças

É fechado o jornal madeirense “Diário da Manhã”

É proclamado o estado de sítio nos concelhos de Chaves e Montalegre

  • 1913

O governo determina uma observação rigorosa para os divorciados poderem contrair novo casamento

  • 1917

Greve dos condutores de carroças




Fontes: aqui

sábado, 10 de julho de 2010

O Sr. Andrade - barbeiro e socialista republicano


Era neste hotel, comido e carcomido, pelo tempo distorcido, que o Sr. Andrade tinha a sua barbearia. Num anexo, há uma duzia de anos encerrado, precisamente desde que o Sr. Andrade morreu.
Tudo se passava na Vila do Conde de antigamente. O hotel nasceu na Década de 30 do século transacto e o Sr. Andrade, então já homem e profissional de barbas e cabelos, ali se estabeleceu. Sobreviveu ao hotel, no seu pequeno nicho, com todo aquele equipamento cosmético em metal e a cadeira de palhinha, como já não há. Trabalhou até que a morte, muito repentinamente, o levou.
Os veraneantes dessa Vila do Conde vinham todos, senão do Porto ou do interior minhoto, de Lisboa ou mesmo do Ribatejo. Havia-os salazaristas rijos, havia-os muito mais liberais ou mesmo francamente oposicionistas à - então assim chamada - "Situação". Por mais que puxe pela cabeça, não me lembra os houvesse republicanos.
Todavia, o Sr. Andrade era nem mais do que - empedernidamente - socialista e adepto da República.
Nesse tempo, o dia começava, para os cavalheiros em férias, com uma ida à barbearia, a meio da manhã, operação tida por indispensável antes de qualquer investida até ao paredão da praia. A política era um tema corriqueiro, entre os jornais e a navalha ou o pincel carregado de espuma nas mãos do Sr. Andrade.
- Então, Sr. Andrade, que nos conta?
- Isto vai mal, Sr. Dr., isto vai muito mal...
- Pois vai, mas tudo se há-de...
- Olhe que não, Sr. Dr., isso pensa V. Ex.cia...
Os veraneantes tinham no Sr. Andrade um amigo verdadeiro, um confidente. E o Sr. Andrade, o homem mais educado do mundo, sabendo que tantos dos seus clientes o podiam "entalar" com uma simples denúncia, em todos confiava. Nos civis e nos militares. Falava-se abertamente de tudo na sua barbearia. Antes e depois do 25 de Abril, em que qualquer coisa podia passar pela cabeça do Sr. Andrade, tantos eram os fascistas que se tinham sentado na sua cadeira de palhinha. Mas não. Nunca. O Sr. Andrade era também um senhor.
Conheceu o meu Avô, que morreu em 1938. Ria-se com as aventuras do meu Pai e admirava-lhe a acutilância das suas observações contra o salazarismo. A mim, em 1993, já muito trémulo das mãos, ainda me aparou a barba. Lembro bem aquela navalha, pouco segura, a passear no meu pescoço. Mas não havia que temer. O Sr. Andrade republicano, sabendo-me monárquico, como já o meu Avô e o meu Pai, jamais seria capaz de me jugular.
E depediamo-nos de fortíssimo shake-hands, um abraço no final da época estival. Esse abraço que daqui lhe mando, para onde ele está de certeza, entre os justos.

Cronologia da república - 10 de Julho

  • 1912


É fechado o jornal madeirense “A Boa Nova”

Sabotagem nas pontes da linha férrea do Minho

  • 1915

É fechado o jornal “A Tarde” do Porto

  • 1920

Prisão do general Gomes da Costa

É fechado o jornal açoriano “A Pátria”

  • 1921

Salazar assiste a uma sessão parlamentar como deputado

O parlamento é encerrado

Nas eleições legislativas há grande mobilização devido à candidatura de monárquicos e católicos. Por uma única vez os afonsistas não obtiveram a maioria absoluta

Existência de vários acordos pré-eleitoriais

  • 1923

As forças policiais e os vários ramos das forças armadas, só podem corresponder-se com embaixadas estrangeiras, perante a autorização do ministério dos negócios estrangeiros

  • 1924

É fechado o jornal açoriano “A Pátria”





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sexta-feira, 9 de julho de 2010

JOSÉ LUIS NUNES - fundador do PS


A partir de 1995, e durante alguns anos, coordenei o boletim «Monarquia do Norte», da Real Associação do Porto. Entre os mais temas, havia sempre lugar para a entrevista. Em Junho de 1996 coube a vez ao Dr. José Luis Nunes, advogado e fundador do Partido Socialista. Um Senhor que cativava pela sua extrema educação, e que infelizmente já não se encontra entre nós.
A primeira questão a que respondeu foi esta, aquando do nascimento do primogénito da Casa Real Portuguesa:
«Em sua opinião, que significado tem para Portugal o nascimento do Príncipe Dom Afonso
Disse o sempre lembrado Advogado:
«Em primeiro lugar, importa salientar o facto em si, e a felicidade que o evento trouxe à família Real, o que não deve ser secundarizado.
No plano institucional, é a continuação da Dinastia que fica garantida, pondo assim termo a quaisquer querelas».
Palavras simples de um português fiel ás suas convicções ideológicas que não confundia com opções de regime. E não temia revelar o seu pensamento.

Beber da influência...

Ah, é por causa do calor!! ... pensei que fosse por causa das Comemorações do centenário!

Quem quer Primeiras Damas, paga-as !

Ficámos ( pelo menos eu fiquei ) ontem a saber que é costume a Dra.Luísa César, mulher do Presidente do Governo Regional dos Açores, representar o seu marido em visitas quando este não pode estar presente. E ficámos a saber dada a pesada factura (27.500 euros ) apresentada pela visita da Primeira Dama dos Açores e dois assessores ao Canadá representando o Dr.Carlos César, tal como ontem foi noticiado em vários canais televisivos.
Ora, não existindo qualquer função de representação prevista na Constituição da República ou no Estatuto dos Açores para as mulheres dos Presidentes dos Governos Regionais, obviamente que se fica com vontade de saber qual o fundamento jurídico para estas missões pagas pelo Erário público.
Pensava eu que quando um alto governante não pode estar presente faz-se representar por outro titular de cargo público conforme a natureza e a importância do acto,mas pelos vistos nos Açores não é bem assim. Não vai um Secretário Regional ou um chefe de gabinete, vai a Primeira Dama.
Fiquei ontem também a saber que a Dra.Luísa César é a Conservadora dos Palácios da Presidência Açoriana , e estou com grande curiosidade em saber se já o era antes do marido ser o Presidente do Governo Regional ou se o é por algum tipo de inerência.

Cronologia da república - 9 de Julho

  • 1915


Efectuam-se várias prisões em Lisboa, por ordem do governo, com receio de um novo movimento revolucionário

  • 1916

É fechado o jornal “O Reclamo” de Évora

  • 1920

A GNR invade a sede da união socialista operária do Porto

Revoltas em Setúbal

Desordem em Lisboa com a suspensão de todos os eléctricos

  • 1923

Detenção de vários operários






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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Centenário da República no Estoril

flagrantes da vida real

Holanda X Espanha


Este domingo as Repúblicas e demais vão ficar a ver uma final de futebol entre duas nações monárquicas. Tenho tanta pena dos "atrasadinhos" dessas nações, "nós" que somos tão evoluídos! Olhem a França, tão campeã, por certo, mas do campeonato onde o que rolou foram cabeças da guilhotina.

Bernardino na 2ª República


Estou muitas vezes em contacto com o Museu Bernardino Machado, em V. N. de Famalicão. Acompanhando as suas actividades e as suas edições, participando nas suas iniciativas. Sempre com o cuidado enorme de, alto e bom som, avisar os que ainda possa não conhecer - «eu não sou nada ao Bernardino, é simples coincidência de nomes». E o meu excelente Amigo Amadeu Gonçalves, um colaborador do Museu, de imediato a corroborar o meu dito, «é verdade, simples coincidência, apenas».
Em Famalicão há monárquicos e há republicanos, mas todos nos entendemos.
Recentemente, fui ao Museu Bernardino, em busca de uma documentação que importa a um estudo que ando fazendo, e topei com duas novas publicações: umas "Memórias" da autoria de um neto seu e um catálogo da exposição permanente do Museu. Algo que me interessou.
Ambas me foram oferecidas.
De modo que hoje não sinto inspiração para bernardinar a pessoa do Bernardino. Quase me parece menos condenável, o seu percurso político. Há, nessa exposição, uma fotografia do homem, já em final de vida, que impressiona. Muito velho, desfigurado - mas de pé, conversando com Gago Coutinho, parecendo ainda capaz de maquinar a derradeira politiquice.
Enfim, fico-me apenas pelo seu exílio, após o alicerçar da 2ª República. Bernardino partiu para França, mas em breve se acomodou na Galiza. Era um exílio sui generis - passava as férias de verão em Moledo. E mantinha opiniões políticas, por exemplo, a propósito da obra de Salazar:
«... a imprensa e a tribuna encontravam-se garrotadas, a eleição para a presidência da república fora um ludíbrio; os partidos populares achavam-se imobilizados; os poderes do estado, autarquias locais, tudo falsificado, as colónias subalternizadas. Sobressaindo por aviltamento das instituições, figuravam a Assembleia Nacional e a Câmara Corporativa. Estas últimas, desprestigiadas mandatárias da ditadura, e não da Nação, cumplices da usurpação da autoridade pública, não mereciam, sequer, a confiança dos seus chefes...».
É claro que, lendo isto, fico sempre na dúvida sobre quem foi o mestre e o discípulo: Afonso Costa ou Oliveira Salazar... Ambos bufavam e perseguiam as pessoas, ambos nadavam nas mesmas águas republicanas.

Cronologia da república - 8 de Julho

  • 1912


Combates em Montalegre entre o exército e forças monárquicas

Alistamento compulsivo de praças no exército por ordem do governo

Alguns navios de guerra são postos a patrulhar a costa Portuguesa

A assembleia cria tribunais militares para julgamento de crimes de rebelião

  • 1917

Revolta em Matosinhos

  • 1920

Greve dos sapateiros, no Porto

Revoltas em Setúbal, Alcácer do Sal, Santarém, Guimarães, Azambuja e Avis





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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cronologia da república - 7 de Julho

  • 1911


Casamento do padre Rabaça, pároco da freguesia de Gonçalo

  • 1912

Uma explosão de dinamite em Viana do Castelo resulta em várias detenções

  • 1917

Greve dos operários da construção civil, com a GNR a usar a violência sobre os grevistas.

Encerra a sede da União Operária e efectuando 300 prisões

Revolta em Angola que origina a demissão do governador-geral

  • 1918

É fechado o jornal açoriano “O Dia”

O governo proíbe a greve geral decretada

  • 1919

O governo usa o exército para por fim à greve da CP

  • 1923

Dois juízes do tribunal de defesa social são feridos, devido a uma tentativa de atentado bombista





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terça-feira, 6 de julho de 2010

Entre o prestígiado e o decorativo


Muitos se lembram do fim da 2ª República. Do 25 de Abril. Da Junta de Salvação Nacional e do primeiro Presidente da 3ª República - o Gen. António de Spínola.
Esses, também não esqueceram o conturbado período do PREC. Com a Esquerda totalitária a avançar todos os dias na escala do Poder. Em Portugal.
Em Espanha, por essa altura, verificava-se a pacífica ransição para a democracia. Coroada com Juan Carlos no Trono.
Por cá, o Presidente Spínola, averso a totalitarismos, tentou inverter a marcha dos acontecimentos. Com ele, outros. O insuspeito 1ª Ministro Adelino da Palma Carlos demitiu-se em Junho de 1974. Sucedeu-lhe o pai do "Gonçalvismo", o Cor. Vasco Gonçalves.
A avalanche comunista não cessava. Com Spínola a tentar opor-se-lhe. A manifestação do "28 de Setembro" fracassou pela acção de rua do PCP. Os meses corriam e o predominio comunista era cada vez maior. Chegámos ao "11 de Março".
Foram ataques a quarteis, "revolução" para aqui, "reacção" para ali e - Spínola no exílio. Começara abertamente o PREC.
Antes, logo em Setembro de 1974, «perante as câmaras de televisão, Spínola anuncia a sua renuncia. O homem que, meses antes se comprometera em servir o País com a mesma isenta devoção com que sempre o servira como soldado, revela que não pretende transformar-se num presidente decorativo» (vd. António de Spínola. col. Presidentes de República - Museu da Presidência da República, pág. 76).
Faltou a Spínola a autoridade para, num apelo só, imobilizar intervenções tão fortes como a dos extremistas comandados por Milan del Bosch, em Espanha, 1982. Para actuar como um Rei.

Cronologia da república - 6 de Julho

  • 1912


Tentativa de restauração monárquica, comandada por Paiva Couceiro

Protestos monárquicos em Fafe, Viana do Castelo e em Chaves

  • 1916

Proibição de circular em Lisboa os jornais “Il movido”, “El Correo” e o “ABC”

  • 1922

É fechado o jornal “A União” de Viana do Castelo

  • 1924

É fechado o jornal madeirense “A Lanterna”

Criticas de Sarmento Pimentel à GNR






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segunda-feira, 5 de julho de 2010

5 de Outubro de 2010 - Uma Causa Nacional

Por mais que tal seja silenciado pelos grandes meios de comunicação do regime, suspeito que o sistema duma chefia de Estado monárquico constitucional atrai muitas mais simpatias em Portugal do que nos querem fazer crer. Para além daquelas elites e quadros que se escondem mais ou menos envergonhados nos diversos partidos e órgãos de poder da república, basta puxar a conversa na rua ou nas escolas, percorrer os mais influentes blogues e redes sociais para obter consciência de que a Causa Monárquica tem adesão e muitos simpatizantes. E aqui refiro-me a “simpatia” com o seu significado intrínseco e distinto de “militância”: para descanso dos mais empedernidos republicanos, a questão da chefia do Estado está longe de ser prioritária para a frágil classe média portuguesa, para quem são decisivas as contas da governança corrente de que depende a subsistência material duma família portuguesa.

De resto, como eu previ há algum tempo, desconfio que o que prevalecerá nas comemorações do Centenário da República por este País que se arrasta acabrunhado na História e no fundo de quase todas as tabelas de indicadores de bem-estar e progresso, é a brutalidade e infâmia do regime antidemocrático que sobreveio sujo de sangue em 1910, e que degenerou no regime de Salazar. O que sobrará destes festejos inusitados, é o reconhecimento e a divulgação duma outra bandeira que foi portuguesa e de liberdade.

Aqui chegados, acredito constituir o próximo dia 5 de Outubro, que está já aí na curva do calendário a seguir às férias, uma oportunidade ímpar na História para uma pacífica mas categórica mobilização de muitos portugueses monárquicos ou simples simpatizantes. Julgo que esta será uma ocasião preciosa para se prescindirem de divisões, comodismos ou egoísmos e sairmos à rua para restaurarmos o sonho de sermos Portugal. Não constando ainda nenhum programa ou acção para a efeméride que se aproxima, cabe à direcção nacional da Causa Real em consonância com as Reais Associações locais, assumirem com ambição o protagonismo que o calendário e a História este ano nos oferece de mão beijada. E cabe decididamente a todos os simpatizantes desvanecerem as suas dúvidas e hesitações e prepararem-se para assumirem o protagonismo que a ocasião exige.

No próximo dia 5 de Outubro a todos se nos exige a devolução da esperança ao futuro de Portugal. Onde seja, estaremos presentes.

Ele é de autocarro, agora é de bicicleta, lá para 5 de Outubro é de patins

Acontecimento teatral sobre a I República para famílias e crianças dos 6 aos 12 anos. A história da República é contada num tom pessoal a rapazes e raparigas que podem ter entre os 6 e os 12 anos. A contadora herdou um álbum de fotografias que pode ter sido feito por Carolina Beatriz Ângelo ou por sua avó, inspirado pelo ideal republicano. Nele está guardado tudo aquilo que diz respeito a este momento histórico. Em jeito de passagem de testemunho, a contadora abre o seu universo a quem a ouve. Entre linhas, cordas, flores, fotografias e xaropadas os ouvintes são iniciados num clima de secretismo que recria os passos que levaram à passagem da Monarquia à República em Portugal."

Viram? Dos 6 aos 12 anos! Num album onde tudo está guardado no que diz respeito ao momento histórico! Num clima de secretismo... são "iniciados"! Recriam-se os passos que levaram à passagem...!
Força "comissão". Talvez as crianças acreditem no acontecimento teatral que é a xaropada deste centenário. Ainda falam da "mocidade portuguesa". Ei-la, bem orientada pela propaganda.

A República à mesa: do jantar e do Orçamento


É certo que a democracia é de muito comer. Por isso preveni Portugal de que a república não lhe sairia barata. Come já muito, mas por enquanto ainda come mal. Enche de mais a boca, põe os braços em cima da toalha, dá cotoveldas no vazio das pessoas que lhe ficam à ilharga, quebra palitos, faz bolas com o miolo do pão, limpa os dentes com a lingua, e, quando se faz representar pelos seus leaders mais retintamente radicais, não desdobra o guardanapo, come com faca as ervilhas e com o garfo da carne assada penteia o bigode ao pedir a sobremesa. Veste-se geralmente mal e pior ainda se vestirá agora que se lhe foi embora para o Novo Mundo o conjunto mais válido dos nossos cérebros.
(Acabadinho de redigir por um lúcido qualquer).
CORRIGENDA:
Onde se lê, respectivamente, «Por isso preveni Portugal», deve ler-se «Por isso Gambetta prevenia a França»; «agora que se lhe foi embora para o Novo Mundo...», «agora que se lhe foi embora para o Brasil o Amieiro»; «(Acabadinho de redigir por um lúcido qualquer)», «Ramalho Ortigão, "Últimas Farpas (1911-1914)"».

Cronologia da república - 5 de Julho

  • 1919


O governo manda encerrar o sindicato ferroviário de Lisboa

  • 1923

O governo efectua um empréstimo para pagar as diferenças de câmbio dos juros da dívida externa

  • 1924

Vários operários que efectuaram greves são deportados para África






Fontes: aqui

domingo, 4 de julho de 2010

Efeméride: defenestração de Afonso Costa




Aproveitando o espírito festeiro que tem dominado o país, não obstante o facto de atravessarmos a pior crise dos últimos 40 anos, penso que a Comissão para o Centenário da República não podia deixar em branco o dia de hoje, por ser, efectivamente, um dos mais sensíveis do regime: a defenestração de Afonso Costa. Procurei nos novos roteiros republicanos a menção a tal acontecimento mas foi em vão. Injustamente esquecida esta data, a recordamos aqui.
Foi no dia 4 de Julho de 1915 que Afonso Costa, grande paladino da República Portuguesa, pouco depois de ter entrado num eléctrico de Lisboa pela porta, dele saiu pela janela. Deveu-se este curto circuito a um estampido, seguido de clarão, que Afonso Costa julgou ser a um implosão ou atentado contra a sua vida. Quem com ferros mata, com ferros morre, terá pensado. Mas não. Foi um triste reflexo que lhe causou uma aparatosa saída do eléctrico, uma embaraçosa queda e uma não menos honrosa subida à galeria das imbecilidades da Nação, como é apanágio de políticos da sua lavra. Depois da defenestração de Miguel de Vasconcelos, (na imagem) nada melhor do que recordar esta segunda saída por tal abertura como um dos feitos mais gloriosos e infelizmente esquecidos que Portugal legou para a História da Humanidade.

Cronologia da república - 4 de Julho

  • 1918


O governo manda proceder ao inventário da gasolina existente no país

O governo proíbe a exportação da batata

Tumultos no centro evolucionista de Lisboa

  • 1920

É fechado o jornal “A Restauração” de Setúbal

  • 1925

É fechado o jornal “O Diário Popular” de Lisboa





Fontes: aqui

sábado, 3 de julho de 2010

Insultos, anonimatos, republicanices


O jornalista Bourbon e Menezes, de O Mundo era o que costumamos designar um "chega-me isso" de Afonso Costa. Pau para toda a colher. Um dia, a propósito do Rei D. Carlos, escreveu:
«O frascário, que gostava de fazer patuscadas no iatch que tinha o nome da mulher, com galdérias e a guitarra do Reinaldo Varela a tocar o Choradinho e, no tédio das Necessidades, se dava de vez em quando à extravagancia de escrever à máquinas cartas insultuosas para a rainha...».
Tão elevada prosa mereceu do seu colega João Paulo Freire («O Livro de João Franco Sobre D. Carlos») o inequívoco e sonoro reparo:
«Em primeiro lugar chamar frascário a um homem morto já vai para 17 anos não é coragem, mas o que me arrepia e me confrange é aquela afirmação das cartas anónimas, afirmação baseada apenas em boatos torpes e que vai ferir escusadaemnte a memória de um Homem e a honra de uma Mulher!
Verdade que fosse, ainda havia que discutir o direito do insulto a uma pobre mulher viuva e mártir a quem mataram o marido e o filho. Mas Bourbon e Menezes é incapaz de me afirmar sob sua honra que aquilo é verdade. E não tendo a certeza dessa verdade - porque a não tem! - o meu camarada Bourbon e Menezes esqueceu-se, no momento aquelas abomináveis palavras linhas, de que era filho e de que era pai...»
Era assim na 1ª República. Tal qual como agora, quando já se avizinha o fim da 3ª República...

Cronologia da república - 3 de Julho

  • 1911


Rebelião em Angola

O parlamento aprova a promoção de Machado Santos ao posto de 1ºTenente, com uma pensão vitalícia de 3 contos

Revolta monárquica de Paiva Couceiro ao comando de 700 homens

Azóia, Leiria, Batalha e Fafe apoiam Paiva Couceiro

  • 1912

É fechado o jornal “O Aveirense”

Rebelião nas possessões Portuguesas da Índia

  • 1913

Proibição em Angola de importar-se armas, pólvora e munições

O novo regime eleitoral de Afonso Costa significa logo a redução do número de eleitores. Só podem votar quem tiver mais de 21 anos, saiba ler e escrever.

Há a discriminação da mulher.

São excluídos os militares, membros da polícia cívica e opositores à república.

De 695 471 recenseados em Agosto de 1910, há uma redução para 471 557

A implantação da república, apesar de criar um colégio eleitoral de 846 801, corresponde apenas a 250 000 votantes, porque as eleições de 1911 ocorreram apenas em 26 círculos

  • 1915

Com medo de um ataque bombista, Afonso Costa salta de um eléctrico em andamento

  • 1917

No congresso do partido democrático, Afonso Costa têm de disputar a liderança com Norton de Matos







Fontes: aqui

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Um "mapa" para nos desviar da República


Está à venda, em Lisboa(!) um mapa para nos guiar sobre a I República! A dita comissão não podia fazer melhor aos incautos: monumentos (?), nomes de ruas e instituições (?) da altura. Tudo isto inserido no projecto "autocarro da República".... Dou desde já o veredicto que o mapa peca por escasso e é mais uma das falácias da comissão do centenário. Um nojo. Que porcaria de trabalho da "comissão". Porque não estão assinalados os locais dos ataques à bomba, assassinatos, esperas furtivas, linchamentos com o beneplácito da GNR, assaltos a bancos e mercados, os "empastelamentos" das gráficas, as prisões dos grevistas, as casas ocupadas pela GNR, os locais dos confrontos entre facções republicanas... ....??

Cronologia da república - 2 de Julho

  • 1911


Assassinato do proprietário José Paquito Rebelo

  • 1917

Conflito entre a Companhia Carris de Ferro e a Câmara Municipal de Lisboa

  • 1918

Rusga policial no Porto

  • 1919

Greve dos funcionários da CP

É fechado o jornal “A Imprensa” de Lisboa

  • 1920

Apesar de ter arrendado à sociedade que gere o Jardim Zoológico, o conde de Burnay é expropriado da quinta das Águas-Boas e das Laranjeiras pelo governo

Greve dos trabalhadores das fábricas de fósforos de Lisboa e Porto

  • 1921

Greve da Carris

  • 1924

O governo permite a exportação dos produtos agrícolas produzidos nos Açores




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