quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Escrever a História como se estivessem a fazer panquecas

O jornal Público a reboque do centenário da república brinda-nos hoje com um artigo sobre os "chefes" da revolução. Todo o texto é clamoroso. Entusiasta. Salivoso num discurso quase político. Um detalhe importante: na palavra do autor do texto os "chefes" da revolução eram "chefes" de Portugal e antes da revolução já tinham "pastas" atribuídas. Também se depreende que pelo facto de serem "anti-clericais ferozes" atraia a simpatia do povo português. É danada a boa maneira republicana de fazer política que continua igual e apurada. Ademais, a boa maneira republicana de escrever as coisas tem que se lhe diga. É como fazer panquecas! Vira-se de um lado, do outro, enrola-se e mete-se o que se quiser lá dentro! Come povo que continuas a enfardar a propaganda e a ignorância.

Cronologia da república - 19 de Agosto

  • 1918


O governo constitui 5 tribunais militares com sede em Lisboa, Porto, Coimbra, Funchal e Ponta Delgada

  • 1920

O parlamento é encerrado

 
 
 
 
 
 
Fontes: aqui

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Os tiros e as bombas só são bons nos miolos dos "thalassas"


O jornal Público publica hoje duas notícias que apesar de não o parecerem são parentes e filhas da mesma pu-lítica. Trata-se de um artigo sobre as "organizações secretas" (como "eles" gostam de dizer que eram secretas(!), como se na altura dos factos muita gente não soubesse, falasse e escrevesse sobre a sua existência!) e outra sobre a condenação de Mário Machado, líder de uma organização (secreta) de extrema-direita não muito longe do que seria a carbonária de 1897, apesar de nessa altura os "meninos extremistas" não raparem o cabelo e não estar na moda as tatuagens. Muito têm em comum as (estas) organizações "secretas": o secretismo, o aparelhismo, a violência, o crime, a propensão para o distúrbio, a vontade de fazer mudar o rumo dos acontecimentos, especialmente quando os acontecimentos são o não acontecer de coisa nenhuma. Devo referir que ao invés de certos "historiadores" tenho nojo das organizações secretas, e afins, especialmente as que preferem as bombas e o crime e não vejo nenhuma desculpa, nem através dos "ideais", para olhar para elas (sejam carbonária ou hammerskins) com ternura, simpatia e "agradecimento" tal como fazem alguns "idealistas republicanos" e os senhores da comissão do centenário da república.
Serve esta prosa para referir a única diferença entre os dois regimes – onde a carbonária viveu e a dos extremistas (de "esquerda" e "direita") de hoje. A República – regime emanado do terrorismo e imposta pela violência e coação até 1926 e depois com ditaduras opressivas até 1974 – não desaprendeu os seus métodos; hoje está armada e equipada de leis e armas que não permitem a qualquer "romântica" organização secreta ter as veleidades que as avós-organizações fizeram quando se vivia em monarquia. Parece que os tiros e as bombas só são bons nos miolos dos "thalassas".

REPÚBLICA PARA TODOS OS PORTUGUESES

«República para todos os Portugueses», ideia comum a dois Republicanos insuspeitos e ilustres, Manuel d'Arriaga e Guerra Junqueiro. Este último defendeu, em coerência, a conservação do azul e branco na Bandeira Nacional, por forma a que o que nela figurasse não fosse factor de divisão, como o verde-rubro carbonário e, ainda por cima, anti-heráldico. Assim os «democratas» da nossa praça prestassem a Guerra Junqueiro, ao menos, essa justa homenagem no centenário da República.

texto e bandeira por César Guerreiro

Cronologia da república - 18 de Agosto

  • 1914


É fechado o “Jornal da Noite”

  • 1919

É fechado o jornal “A Monarquia”

  • 1924

É fechado o jornal “A Cidade de Beja”







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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Cronologia da república - 17 de Agosto

  • 1912


Sidónio Pais é nomeado embaixador de Portugal na Alemanha

70 pessoas são julgadas por alguns tribunais militares

  • 1921

Greve da criadagem hoteleira e particular

  • 1923

É fechado o jornal “Voz de Guimarães”








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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"Involução" no Arsenal de Marinha


Foi casa onde se construíram muitos navios da Armada, dando trabalho a operários, mestres navais, engenheiros e militares. Grande obra da reconstrução de Lisboa, assistiu também aos eventos que marcavam as principais cerimónias de um Estado anfitrião dos grandes do mundo. A república deixou-o na mais triste decadência e durante a sua vigência, ardeu a Sala do Risco, perdendo-se preciosidades de incalculável valor.
Entulhou-se a carreira sobre a qual deslizaram para o Tejo, os navios das esquadras de naus que rumaram para a salvação, no Brasil. Ao longo de mais de um século, o Arsenal foi-se adaptando aos novos tempos e produziu corvetas, fragatas e os primeiros navios de construídos em aço. Barcos torpedeiros, contratorpedeiros, canhoneiras e cruzadores ligeiros, atestaram a razoável capacidade de uma indústria que o desleixo vai deixando morrer. Também podemos hoje vislumbrar, na outra margem, uma outra "fábrica de barcos", aquela que foi a maior doca flutuante da Europa. Vazia, como Portugal.

Hoje querem transformar a frente do Arsenal que dá para o rio, num espelho de águas mortas, mas de acordo com aquilo que se vê nas "revistas chiques lá de fora". É o estilo à Wallpaper, tão dilecto dos nossos senhores que decidem e gostam do "querer parecer bem". Se a 1ª República acabou com com os bergatins que douravam a imagem dos grandes acontecimentos públicos e colocou um ponto final na era dos cruzadores da Armada, a 2ª transformaria a carreira, numa estrada destinada à passagem da ruidosa e fumarenta sucata a prazo. Pelos vistos, a 3ª, que pouco cuida da praça adjacente, quer inventar mais um happening, muito de acordo com o betonismo do tal obervatório da droga. A isto, podemos chamar "involução".

*Na imagem, Dª Amélia embarca no Bergatim, dando início a uma cerimónia de Estado.

Comissão Oficial do Centenário em homenagem a Dª Amélia!



Diz a notícia batráquio, que ..."aproveitando as Comemorações do Centenário da República", realizar-se-á uma série de eventos culturais em toda a capital. Orquestras de jazz, disc jockeys, dança e cinema, preencherão um mês inteiro. Não podemos deixar de "parabenizar" - é assim que deveremos passar a falar, não é? - quem se lembrou de entreter os numerosos turistas que acorrem a uma cidade em completa decadência. Esburacada, com os seus prédios a ameaçarem substituição por monturos informes de reles betão, deserta e com fachadas cheias de letreiros "pois Era", "vende-se", temível "projecto aprovado" e outras malandrices do estilo, Lisboa precisa de oferecer entretenimento, nem que seja para simular pertencer ao mais badalado espaço europeu. Na verdade, esta capital cada vez mais se parece com a sua prima além Mediterrâneo, a Argel das esplendorosas construções de traço francês, vidros estilhaçados, trapeiras que se afundam nas telhas partidas, fachadas que mostram cinco ou seis camadas de tinta às três pancadas, alumínios que substituíram as persianas de madeira, estuques esboroados e gradeamentos enrubescidos pela ferrugem do tempo. É o progresso que temos.

Concordamos com a ideia de aproveitar as noites amenas do estio, onde uns jogos de luz emprestarão algum brilho a cenários de alvenaria cheios de mazelas que o impenitente sol não deixa esconder. O que se torna um absurdo é a inclusão destas iniciativas, no âmbito das comemorações da famigerada república. Não contentes com degraus e os losangos ao estilo Burbbery's, uma estátua equestre com carradas de lixo e um cais de pedra quase desaparecido no Terreiro do Paço, agora servem-se da república para entreter os viandantes mais incautos. Para mais, atrevem-se a invocar as "mulheres" da dita cuja, para prestarem louvaminhisses que estranhariam às mesmas. É que enquanto na monárquica e aliada Inglaterra, as milhares de activistas que seguiam Emmeline Pankhurst acabaram por conseguir a igualdade que lhes era negada, no Portugal republicano tivemos as mulheres sujeitas à discriminação milenar e pior ainda, com princípios impiedosamente propagados em cartilhas, jornais de leitura em casa de pasto, legislação vexatória e oratória vibrante de machismo que roçava a misoginia e outras certezas, próprias de sifilíticos machotes sorvedores de vinhaças no café Gelo. Os linotipistas ao serviço das folhas de Afonso Costa lá iam compondo umas linhas destinadas a ensinar os seus bons "chefes de família" e tanto sucesso obtiveram, que aquela "república calma, de ordem e de tranquilo progresso" que sucedeu ao período revolucionário, integraria plenamente na ideologia oficial, todo o precioso legado de quem estabeleceu as regras da prioridade, da hierarquia. De facto, a partir de 1910, deixou de haver lugar à possibilidade de uma mulher ascender à chefia do Estado, quanto mais, tornar-se, por imposição desse cargo, comandante supremo das forças armadas... Era só o que mais faltava, voltar Portugal inteiro a ter de deixar um ser inferior, destinado à mudança de fraldas, panos do pó, panelas, vassouras e agulhas de coser, passar à frente de homens que ainda por cima, abriam alas em respeitosa reverência. Nem pensar nisso, nunca mais. O mulherio devia seguir por outro caminho e voltar à batinha doméstica, porque a outra, aquela que dizia o que bem entendia ser a verdade, fazia lembrar aqueles ominosos tempos, em que os homens eram pela regra, obrigados a sujeitar-se a costumes bem diferentes.

Acabaram-se com os puxões de orelhas a ministros que faziam ouvidos de mercador às imprecações de uma Amélia de Orleães, escandalizada pela fábrica de gás construída diante da Torre de Belém. Acabaram-se de vez com as retiradas estratégicas diante da colossal figura da majestade, quando esta perseguia conselheiros e deputados, exigindo a tomada de medidas e a outorga de projectos e verbas que zelassem pela saúde pública, instituíssem sanatórios, hospitais, institutos de investigação científica, lactários, cozinhas de assistência, berçários e programas de formação da juventude. Nada de chapéus espampanantes com penas de avestruz, rendas, leques e sedas cor de rosa à la mode de Paris, ou muito menos ainda, primazias de primeira fila. Nunca mais queriam ter pela frente Marias Segundas que se atreviam a colocar ministros na ordem e apontavam com o indicador para o articulado da Carta, ou Marias Pias que ameaçaram militares golpistas com pelotões de fuzilamento. Sobretudo, não admitiriam mais Amélias que liam e se imiscuíam na vida pública, tinham opinião e discordavam, não podendo por isso mesmo, ter qualquer tipo de relevo. Visibilidade ou primazia institucional, então, jamais.

Para os fulanotes de chapéu de coco, bengala, bigodinhos retorcidos e pêras à caceteiro do republicanismo, o símbolo de muitas mulheres foi durante décadas, aquela que um dia desembracou numa Santa Apolónia apinhada de um povo desejoso de ver o futuro que chegava. Aquele porvir que trazia o interesse pela ciência e pelas questões que procuravam mitigar os abusos do laisser faire da sociedade liberal. Essa mesmo que gostava de pintar ao ar livre, que se atrevia a ler "indecências estrangeiras", ia ao teatro sem o marido, discutia os grandes temas como uma igual entre os intelectuais e que ousava fotografar, tratando ela própria, das coisas técnicas da nova arte.

Amélia de Orleães era para os rufiões do PRP, ..."a mulher de hoje, sobretudo aquela que vegeta nas cidades onde há cheiros de civilização, não é a mulher como devia ser, nem tão pouco parece aproximar-se da devida meta, é uma mulher manequim, chapa aonde os holofotes das casas de modas de Paris e de Londres projectam as linhas caprichosas dos seus figurinos complicados. E’ uma mulher falsificada, pretensiosa, entalada em rígidas lâminas de aço, e aumentando sensivelmente o seu peso real com alguns quilos de algodão que lhes retocam as deficiências do físico." Este textozinho, consiste numa amálgama daquilo que o PRP fazia distribuir pelas ruas da capital quando à rainha se referia e a primeira imagem que imediatamente surge, é a do retrato pintado por Corcus, pendurado na parede de honra do Museu dos Coches. Daí o ódio por quem saía à rua sozinha com os filhos, ia às compras na Baixa, cavalgava solitária no Jardim do Campo Grande, frequentava as touradas no Campo Pequeno, discutia os temas da actualidade, atrevia-se à política, enfrentava genuínas ou duvidosas sapiências e trocava correspondência com vultos eminentes da ciência e das artes. Não podia ser, aquela mulher significava a subversão da ordem aceite.

Muito bem faz a escabiótica comissão oficial do Centenário da República - a república de 1926-74 incluída -, quando sem o querer, homenageia quem jamais se sujeitaria ao estatuto de inferioridade a que o regime condenou as mulheres portuguesas, a partir daí votadas à condição subalterna de madames Carmona, donas Gertrudes e pouco mais, porque das outras, as senhoras Bernardino ou Almeida, não reza a história. Muito menos ainda, os figurinos da moda.

De facto, quando se fala em república de início do século, apenas um nome permanece na mente de todos: o da corajosa, gigantesca, teimosa, inteligente e risonha Amélia. Um ícone sem rival.

Cronologia da república - 16 de Agosto

  • 1920


Greve dos sapateiros do Porto

  • 1921

O governo reconhece a crise da indústria têxtil nacional

  • 1923

O governo põe fim ao pão político e aumenta em 50% o pão vulgar

Sobe o preço do trigo

Violentos protestos promovidos pela União Sindical de Lisboa






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domingo, 15 de agosto de 2010

Dia de festa


Hoje é dia da Assunção de Nossa Senhora, rainha de Portugal, coroada por D. João IV por veneração e reconhecimento, e que república alguma conseguirá jamais destronar. Esta é a razão pela qual a dinastia de Bragança abdicou do uso da coroa que é sempre representada ao lado do monarca. Para um católico e monárquico como eu, se outras razões não existissem, hoje é um dia de Graças e de Confiança.

Cronologia da república - 15 de Agosto

  • 1911


Vários habitantes da Madeira pedem ao ministro das finanças que reduza os impostos e acabe com os monopólios

  • 1914

É fechado o jornal “O Diário da Manhã” de Lisboa

D. Manuel II oferece-se como voluntário para a 1ªGuerra Mundial

  • 1916

É fechado o jornal “A Tarde” de Lisboa

  • 1917

O governo determina a mudança dos reais de prata e cobre para os escudos

  • 1922

É fechado o jornal “O Avante” da Covilhã






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sábado, 14 de agosto de 2010

O Expresso não resistiu!




Sábado de manhã, muito calor e um verão que vai a meio, sem que isso até hoje significasse praia. Lá me decidi ir de comboio até Carcavelos e para me entreter, recorri ao saquinho de plástico que entre muito desperdício de papel, contem o Expresso.

Já em viagem, estourou uma audível zaragata num grupo que digladiava argumentos acerca da actual situação política. Entre o mata e esfola, as sugestões de "pena de morte" e um infindável e esperado arsenal de "pneus a arder, bastões de ferro, caçadeiras e barricadas", decidiram-se pela necessidade de "acabar com isto". "Isto", diante de um agente da autoridade que se alheou completamente, não fazendo caso do chorrilho de insultos endereçados aos vários palácios do Poder.

Dizendo para mim o inevitável ..."a coisa vai mesmo mal, perdeu-se a compostura e o medo", tentei abstrair-me e abri o semanário, encontrando as notícias que fomos conhecendo ao longo da semana. A crónica de Miguel Sousa Tavares consiste numa variante elegante daquilo que ainda era possível escutar no berreiro que alegremente decorria uns bancos mais à frente, mas a novidade, consistiu nas duas páginas de destaque, brilhando pelo ineditismo do tema escolhido. Trata da "questão dos monárquicos" que são afinal, muitos mais do que aquilo que se possa pensar. Surgem de forma inesperada, cortam todo o espectro político e já muito longe do labéu de "ratos da Torre do Tombo", desempenham as mais diversas funções. Isto poderá espantar a maioria dos leitores do Expresso, sempre chamados a ler os piramidais e insondáveis desígnios de escutas jamais feitas, os inefáveis poderes presidenciais que existem em part-time, os tais procuradores à cata de algo mais e o fabuloso mundo dos terrenos, demolições, centros comerciais e contentores vários, além de casos futebolísticos que captem a atenção de uma franjinha mais desportiva.

Grande surpresa, essa... O Expresso está verdadeiramente boquiaberto, ou então, é globalmente parvo parvo andando a "fazer de conta", ou para tudo ser mais plausível e elevado, resolveu-se a tactear o terreno. Já há uns anos, o seu director José António Saraiva o fez, mesmo que de forma indirecta e evocando o rival país vizinho.

Já paira entre todos, aquela sensação de que o país precisa e quer algo de novo. Que corte cerce o legado das últimas duas décadas, mas não perturbe a tranquilidade palradora de todos os nós. Assim, talvez seja esta uma das interpretações a dar às imprevistas páginas centrais do Expresso.

Afinal, é uma "surpresa" que não o é, até para os mais desatentos. Embora disso não se fale, "eles" existem em todas as famílias, todos os partidos, locais de trabalho e sobretudo, irritam precisamente aqueles que se sentem donos da vontade alheia. Enfim, estão por aí, silenciosos, dificilmente mutáveis e de uma persistência estóica, sabendo bem qual a sua primeira fidelidade acima de qualquer clube, grupinho debicador de acepipes ou leituras.

Existem mesmo. Mas qual é a surpresa? Não são uma "meia dúzia" de milhar, nem uns excêntricos de estranhas falas e vetustos almanaques debaixo do braço. São gente que todos têm ao lado, muitas das vezes sem que disso se dêem conta.

Não são afinal os monárquicos portugueses, o mais subterrâneo e teimoso movimento clandestino de resistência em Portugal?

No 1 de Outubro de 2008, escrevi um post que me parece bastante actual e que por isso mesmo, volto a deixar à vossa apreciação e não lhe emendo ou acrescento seja o que for. Há quem ande à procura da chave. Sabem onde a encontrar.

Cronologia da república - 14 de Agosto

  • 1911


Confrontos em Guimarães, entre monárquicos e o exército, que resultam em 7 presos

  • 1914

Ataques em Almada a barcos pesqueiros

  • 1915

É fechado o jornal “O Heraldo da Madeira”

  • 1918

A assembleia permite que os deputados acumulem as suas funções com outras actividades

Confrontos no Porto, com funcionários da CP, resultando em várias prisões

  • 1919

Explosão de bombas em Lisboa

  • 1920

É fechado o jornal “O Popular” de Lisboa

  • 1922

A repressão sobre os operários gera protestos

 
 
 
 
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Uma senhora séria



A republicanagem, gosta é de aparecer e de preferência, em "inaugurações" seguidas de banquete à conta e limusina novinha em folha, parqueada à porta. Bem mais eficaz, é o método que esta senhora usa, anunciando os tempos que aí chegam. A Monarquia é definitivamente, o futuro.

Ontem, 70 milhões



"Foi ontem pela noitinha. A habitual massa humana, ostentando na lapela o monograma da Rainha e segurando uma vela amarela acesa na mão direita, repetiu no Terreiro Real (Sanam Luang) o solene juramento de fidelidade ao trono e à rainha. Não pude ir, mas como tantos outros milhões de pessoas espalhadas por todo o país, fiz o juramento em casa, na companhia dos vizinhos. A monarquia é, indubitavelmente, um grande dique face às misérias da plutocracia e da alvar patetice que domina meio mundo. Ontem foi o Dia da Mãe, aniversário natalício da Rainha Sirikit, sem dúvida um dos mais fortes pilares da liberdade neste país há pouco ameaçado pelas garras canalhas do dinheiro e da americanice."

Cronologia da república - 13 de Agosto

  • 1913


Acordo entre a Alemanha e a Inglaterra para a partilha das colónias Portuguesas

  • 1922

É fechado o jornal “O Povo de Chaves”

  • 1924

Tentativa revolucionária para por no poder o General Gomes da Costa







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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O lado crónico da 3ª República


«8 de Outubro de 1975 - Quase meio milhão de desempregados. A inflacção agrava-se no sector alimentar. Milhões de contos de défice no orçamento do Estado. As reservas de ouro e divisas baixam assustadoramente. Subida vertiginosa das notas em circulação. Os depósitos nos bancos descem. A dívida pública já galga para cima dos 70 milhões..
(Natália Correia, "Não Percas a Rosa Diário e algo mais (25 de Abril de 1974 - 20 de Dezembro de 1975)".

Cronologia da república - 12 de Agosto

  • 1911


Julgamento dos participantes dos protestos de Elvas

Os menores, presos na cadeira do Limoeiro, são transferidos para a cadeia das Mónicas

  • 1912

É fechado o jornal “Os Açores”

  • 1916

A Inglaterra envia uma esquadra marítima para saudar a república portuguesa

  • 1917

Lança-se a primeira pedra para a construção do monumento a erguer ao Marquês de Pombal

  • 1920

Escândalo das subsistências

  • 1921

É fechado o jornal “ A Velha Guarda” de Guimarães






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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Notícias do Centenário da República



1. Narciso Miranda expulso do PS, acompanhado por mais de cem militantes. O Público declara serem mais de duzentos. "Operação Saneamento Básico".

2. Continua a saga Freeport: Ana Gomes exige a demissão do PGR, o convencido, mas falso "Rainha da Inglaterra". Como se diria num comício do PSOE, "no pasa nada!".

3. Dos tempos de Cavaco, o antigo deputado Duarte Lima surge envolvido num estranho caso que envolve amantes, desvio de milhões, pistolas e mentiras.

4. Apesar das advertências e soluções desde há 40 anos apresentadas pelo monárquico Ribeiro Telles, continua o círculo infernal, assassino e mafioso dos incêndios.

5. Ao pé disto, a "questão dos tabacos" não passou de uma ténue cortina de fundo. Continua a ladroeira.

Este Centenário da República promete. Em cada buraco, temos várias minhocas.

A republicana condição feminina: a propósito de algumas mentiras oficiais.


Em 1994 saiu o livro Portugal - 20 anos de democracia (ed. Circulo de Leitores). A elaboração de um dos seus capítulos - «A Familia e a Condição Feminina» - foi confiada a Antónia de Sousa e a sua leitura merece crédito. Depois de afirmar que «quando se deu a revolução de 25 de Abril, os tempos estavam maduros para as grandes alterações que haviam de ser introduzidas na sociedade portuguesa», a Autora constata a necessidade de recuar no tempo para melhor se comprender o novo papel da mulher. E então, ainda no século XIX:
«A Portugal chegara a reivindicação do voto, do direito à instrução e a uma activa participação social. Acompanhando o movimento do mundo, também no nosso País se começaram desde logo a distinguir mulheres em áreas até aí exclusivamete masculinas. Em 1889 tivemos a primeira licenciada em Medicina; em 1911, uma mulher conseguiu exercer o direito de voto, usando a prerrogativa de ser chefe de família. A lacuna da lei quanto ao sexo do chefe de família foi invocada pela médica Carolina Beatriz Angelo, que, desta forma, conseguiu vencer os interditos e votar. Este, porém, foi um caso único durante décadas, pois, para que não pudesse repetir-se a proeza, os homens da I República apressaram-se a corrigir a lei».
O costume, enfim. A situação social evoluindo de acordo com os países avançados, no tempo da Monarquia, a República a demorar voluntariamente esses progressos. Mas não: visite-se um desses quaisquer blogs de propaganda republicana e leia-se a versão oficial da História. Uma mentira tão despudorada como qualquer mulher pública.

Contos (para maiores de idade!) da República Portuguesa


Era uma vez uma república que foi implantada pela via do terrorismo e do "pia baixinho senão comes no foçinho"... ... e então uns tais bonzinhos que lutavam contra o faxismo porque vivia-se na mais porca e badalhoca de miséria, resolveram ajuntar-se (assim tipo "casamento moderno") à tropa insatisfeita e resolveram fecundar uma revolução, para acabar com a repressiva ditadura-faxista. O intento destes "cavalheiros" era tão nobre e altruísta que queriam acabar com uma ditadura para implantar uma... outra ditadura, mas das boazonas, a comunixta, que retomasse a linha púdica das boas repúblicas sovietes, onde nunca existiria repressão, nem censura, nem conselhos, nem comités, nem haveria ricos e viveríamos felixes e de braços levantados para sempre....

Cronologia da república - 11 de Agosto

  • 1911


O rei da Itália resgata as jóias que D. Maria Pia hipotecou

  • 1912

O desrespeito ao hino nacional leva a confrontos em Lisboa

  • 1913

É fechado o jornal “A Portuguesa” de Aveiro

  • 1922

O presidente da república é autorizado pela assembleia, a ausentar-se de Portugal, para assistir às comemorações do centenário da independência do Brasil

  • 1924

A assembleia, concede ao governo o direito de suspender qualquer lei ou decreto que implique aumento de despesa

Tentativa comunista de tomar o poder

 
 
 
 
 
 
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terça-feira, 10 de agosto de 2010

3ª República - ditos inesquecíveis


Almirante Rosa Coutinho:
«Foram fixadas [no Pacto MFA-Partidos] as bases que o MFA considera indispensáveis para que se possa iniciar em Portugal uma consulta popular eleitoral sem que o Movimento possa perder - pelos resultados acidentais de uma consulta eleitoralista feita a um povo pouco esclarecido - o seu papel de motor do processo revolucionário».
Gonçalo Ribeiro Teles (então dirigente do PPM, que se recusou assinar o Pacto MFA-Partidos):
«Os partidos que assinaram o pacto-plataforma do MFA tiveram de comer sapos e comeram-nos».

Cronologia da república - 10 de Agosto

  • 1912


É fechado o jornal “A Pátria”

  • 1917

É fechado o jornal “O Echos de Chaves”

  • 1918

Tumultos em Lisboa

  • 1922

É fechado o jornal “A Folha Tavirense” de Tavira

Proibição de greve geral nacional

 
 
 
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

À beira-mar na República Portuguesa


Regressado de uns dias de descanso numa terra algarvia (este ano a água está uma sopa) quero partilhar um momento à beira-mar. Estava eu a mirar o mediterrâneo quando um jovem, inserido num divertido grupo, me perguntou sobre uma determinada distância para outra praia. Espanhol, não falou propriamente em castelhano mas muito bem nos entendemos – pelas piadas e trejeitos era um jovem que se vivesse cá no burgo alinharia em "bloquices". Reparei nos seus braços tatuados e em particular no desenho de uma bandeira espanhola com a coroa bem proporcionada. Disse eu: – ... mira, que é para toda a vida.... (apontando para a coroa)! Ao que ele respondeu mais ou menos assim: – vale, sou Espanhol até morrer!

Premonições fáceis


«... o nosso portuguesinho valente era sidonista esperançado como já fora thalassa de gema. E era patrióticamente. Era-o apaixonadamente.
Um dia, numa reunião de optimos portugueses, um deles interrogou-me:
- Que nos diz você cap., Sidónio Paes irá para a frente?
- Incontestávelmente! Não é homem que saiba recuar.
- Por muito tempo?
- Até que lhe façam enterro nacional...
- O quê, matam-no?!
- Como mataram El-Rei D. Carlos...»
in João Paulo Freire (Mário), O Livro de João Franco Sobre El-Rei D. Carlos.

Cronologia da república - 9 de Agosto

  • 1924


É fechado o jornal “A Imprensa Nova” de Lisboa






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domingo, 8 de agosto de 2010

A República, um «estonteamento nervoso».

MATOS, Sérgio Campos e FREITAS, JOANA Gaspar de - Correspondência Política de Manuel de Arriaga. Lisboa: Livros Horizonte, 2004. ISBN: 972-24-1309-0

Uma das fontes mais credíveis para o estudo da Primeira República é a epistolografia pessoal e política. Ela revela os momentos candentes e as manigâncias dos homens do regime, e uma descrição muito mais sincera dos atalhos para os fins, geralmente de cariz corporativo, partidário e ideológico. De resto, em 100 anos, neste aspecto, pouca coisa mudou.
Nesse sentido, apela-se para a leitura da Correspondência política de Manuel de Arriaga, o decano do republicanismo português que na sua proverbial carreira política soube, melhor do que ninguém, atalhar o melhor que pode para salvaguardar os interesses do regime, mas sobretudo os seus e os dos seu «partido». Sirva como exemplo maior a epístola 310, confidencial e datada de 23-1-1915, em que Manuel de Arriaga implora ao amigo Pimenta de Castro que o não abandone e a quem entrega de bandeja o governo do país, passando por cima da autoridade de Vítor Hugo de Azevedo Coutinho, o presidente do conselho de então. São, aliás, pungentes os adjectivos que Arriaga utiliza para se dirigir ao futuro ditador: «o teu austero e belo nome servirá para garantir a genuinidade do sufrágio, a conciliação e a paz na República e no exército».
Mas toda a obra mostra o decorrer da obra republicana no pós-Outubro de 1910: diferendos, cisões, ameaças, cartas de anónimos a vociferar contra a corrupção e a amoralidade da República. Sem esquecer a questão da própria bandeira rubra e verde que um amigo de Manuel de Arriaga faz questão de resumir num assertivo comentário datado de 1911:

Com esta carta envio-te o incluso estudo, que uma convicção, porventura ridícula do meu espírito, de acerto na solução, me faz considerar meu dever não a deixar desconhecida, tão profundamente se me encaixa na cabeça a ideia, ou antes o sentimento de que a bandeira verde-vermelha é a negação do sentir nacional, é um pavilhão sugestivo de ódios e de desunião, é tudo que há-de menos Português para simbolizar o velho venerando Portugal rejuvenescido, orgulhoso do seu Passado e transformado em anseio de felicidade, de Justiça, de Moralidade, de Progresso e de alegria vivificante de Paz e Prosperidade!
Não compreendo, não compreendo uma bandeira irritante do cérebro e que se não pode olhar por muito tempo sem estonteamento nervoso! Imaginemos um sujeito condenado a viver numa cela forrada de verde-vermelho! Seria textura que daria assunto científico para estudar a influência dessas cores conjuntas sobre o órgão visual com o tempo, que acabaria por enlouquecer a vítima! Seria um nunca acabar o desfiar de argumentos contra tais cores fundamentais! Perdoa este desespero sentido de um velho português. E perdoe-se-me a audácia da minha crítica e as pretensões ao meu projecto pela sinceridade do sentir, e pelos propósitos de ser tudo a que me abalancei, considerando um problema patriótico, que deve ser tratado como um problema democrático. Mil respeitos aos teus, e muito afectuosamente um abraço para ti do velho amigo

Pedro R. Folque

De Maria Filomena Mónica... à atenção de Moniz e Moura Guedes.


«Enquanto viveu [Fontes Pereira de Melo], o País gozou de uma liberdade de expressão ímpar. Em Portugal, editavam-se livros - basta pensar em O Crime do Padre Amaro - que, noutras latitudes teriam dificuldade em ver a luz do dia. O mesmo se aplica à imprensa».

Cronologia da república - 8 de Agosto

  • 1911


Não é aprovada a alteração à constituição que permitia o presidente da república dissolver a assembleia legislativa

  • 1922

É suspensa a constituição

  • 1924

O governo regulamenta a compra e o abastecimento de cereais

O governo permite a exportação dos produtos agrícolas dos Açores





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sábado, 7 de agosto de 2010

Cronologia da república - 7 de Agosto

  • 1914


A assembleia da república dá autorização ao governo para este mobilizar tropas para intervir na 1ªGuerra Mundial

  • 1916

O governo concede ao Jardim Zoológico um empréstimo para este adquirir a quinta do Conde de Burnay

  • 1917

Brito Camacho apresenta na assembleia, uma proposta de lei para abolir o juramento político nos tribunais

  • 1921

Greve geral e protestos em Portalegre pelo aumento do preço do pão

  • 1922

A assembleia declara o estado de sítio no distrito de Lisboa com a suspensão das garantias constitucionais

Greve geral contra o alto custo de vida. Regista-se explosões de bombas que resultam em vários feridos e prisões

Greve em Lisboa para defesa de um único tipo de pão que resulta na morte de um operário

A polícia encerra as instalações do sindicato dos metalúrgicos, da confederação geral dos trabalhadores e da união dos sindicatos operários de Lisboa

Explosão de várias bombas

O jornal “A Batalha” é apreendido





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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Cronologia da república - 6 de Agosto

  • 1912


É fechado o jornal madeirense “O Radical”

  • 1914

É fechado o jornal a “Era Nova” de Barcelos

Voltam a circular as moedas de prata de 100 reis de D. Manuel II

  • 1918

O Parlamento é encerrado

  • 1919

É fechado o jornal “Avante” de Lisboa

  • 1923

A assembleia da república elege Manuel Teixeira Gomes como presidente da república

  • 1924

O governo proíbe a importação de automóveis






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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Provocação republicana... com resposta!



Ora venham ler o que A Q U I está!

Cronologia da república - 5 de Agosto

  • 1916


Revolta popular contra o alto custo de vida

Assalto a padarias

É fechado o jornal “A Evolução Republicana” de Braga

É fechado o jornal açoriano “O Debate”

  • 1917

A queda da ponte da Trafaria faz 30 mortos

  • 1920

Revolta na Guarda, Coimbra, Aviz e Azambuja

  • 1921

Afonso Costa é burlando num empréstimo de 50 milhões que prometera conseguir da War Finance Corporation. Isso leva a queda do governo, por este não conseguir prescindir do aumento de impostos

  • 1922

Agitação popular contra os tipos de pão, com assaltos a padarias

Os vários sindicatos promovem várias acções de protesto na defesa de um único tipo de pão

Protestos em Lisboa, Barreiro, Portalegre, Santarém, Évora, Faro, Olhão, Coimbra e Porto








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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Cronologia da república - 4 de Agosto

  • 1911


Julgamento de alguns soldados da GNR

  • 1915

A assembleia autoriza o governo a contrair dois empréstimos para fazer face às despesas com os contingentes militares em Angola e Moçambique

  • 1918

É fechado o jornal “A Tribuna” de Lamego

É fechado o jornal “O Sul” de Faro









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terça-feira, 3 de agosto de 2010

"Tenho os poderes da Rainha de Inglaterra"



Diz este! Por um centésimo daquilo que ele fez, ou ainda pior, não fez, Sua Majestade já teria sido deposta. O descaramento desta gente, ultrapassa os limites daquilo que a sanidade mental recomenda.

O embaixador imperial



No Expresso do passado fim de semana e no meio dos trastes do costume, o prático saquinho de plástico reservava-nos uma extensa e interessante separata, focando as já seculares relações luso-japonesas que dentro de três décadas comemoração o V Centenário. Este será um século de celebrações luso-asiáticas - a desconfiada Índias, as receptivas Tailândia, Indonésia, Ceilão, Malásia, Birmânia, e China - e se existisse a mínima intenção em se aproveitar esta oportunidade única, muitos proventos Portugal retiraria de um património que de tão esquecido ou negligenciado, pertence apenas aos poucos que por ele se interessam. Em poucas palavras, a um punhado de académicos, alguns dos quais persistem em manter esta memória e inestimável contributo para aquilo que o Ocidente ainda é.

O embaixador imperial concedeu uma importante entrevista, na qual focou os tradicionais pontos de contacto entre os dois países e sobretudo, a grande influência cultural que teima em vingar num Japão nostálgico de um passado sempre evocado.

As glórias da modernidade conquistada por uma administração competente e sob a orientação de um soberano de excepção, fizeram do Império do Sol Nascente, uma grande potência que sacudiu o torpor de séculos de isolacionismo que poderiam ter transformado o país, em mais uma colónia do avassalador imperialismo europeu que em oitocentos alastrava por todo o Extremo Oriente. O império consolidou a sua independência, abriu-se ao mundo, contratou técnicos e deu uma especial atenção à formação de quadros, libertando-se de preconceitos locais que viam o estrangeiro como uma ameaça à segurança de uma velha comunidade de enraizadas convicções e princípios. Seis décadas decorridas após a revolução Meiji, os couraçados japoneses já haviam vencido a frota russa em Tsushima, tinham perseguido os navios do Kaiser pelo Pacífico fora e substituído a Alemanha como presença em valiosos territórios na China, nas concessões internacionais que mais não eram, senão arremedos de possíveis futuros Hong-Kongs. Culminou esta ascensão, com a simbólica presença da frota japonesa nos portos da Indochina Francesa, onde risonhos vietnamitas respondiam às imprecações escandalizadas dos seus gálicos senhores coloniais, dizendo que ..."os japoneses são duros ocupantes, mas aqueles porta-aviões e couraçados foram construídos na Ásia e pertencem a gente igual a nós".

A parte substancial do discurso do diplomata, deverá ser entendida nas evidentes sugestões enviadas às eternamente distraídas, euro-obcecadas ou ignorantes autoridades portuguesas. O senhor embaixador diz aquilo que há muito tempo os monárquicos têm defendido, mas sem qualquer tipo de sucesso junto do poder instituído. Os governos portugueses olham demasiadamente para a Europa Central, um espaço que nos é estranho e pouco favorável. Portugal é um país europeu, mas as suas verdadeiras oportunidades de crescimento, encontram-se precisamente naquele património adquirido ao longo de séculos de persistente labuta daqueles que tendo governado o país, deixaram à iniciativa dos mais ousados, o estabelecimento de entrepostos comerciais que conseguiram irradiar uma cultura que decisivamente contribuiria para o progresso em paragens tão distantes e díspares como a África dos dois oceanos, a América do Sul e a Ásia.

Quase podemos sentir o desdém contido, em certeiros comentários que sugerem a hipótese que persiste em perder-se, de um Portugal que nas devidas proporções ..."poderia ser o Japão da Europa". A extraordinária posição geográfica no centro do grande comércio mundial que liga o Atlântico a todos os outros oceanos do planeta, uma língua que tende a expandir-se a par do inglês e do espanhol, uma situação climatérica privilegiada e uma população nada avessa à curiosidade e ao conhecimento do outro. O embaixador diz aquilo que no seu país é interiorizado como uma quase absoluta verdade histórica: Portugal não é a "mesma coisa". Os japoneses respeitosamente reverenciam os contactos estabelecidos com holandeses, espanhóis e ingleses, mas no caso de Portugal, esse respeito vai muito além da sua proverbial cortesia. Entra-lhes pela casa adentro, permanece nas páginas dos seus livros de história, come-se à mesa, continua em palavras do quotidiano e por mais paradoxal isso nos possa parecer, significa o progresso de um momento inesquecível. É isso mesmo que hoje os faz desfilar pelas ruas de uma Lisboa calcinada pelo sol de verão, procurando nas nossas fachadas, os elos nunca perdidos com aquele velho reino que tanto lhes deu e que decerto gostariam ver reerguer-se e figurar entre os maiores.

De uma forma cortês, o embaixador imperial desferiu um tremendo ataque a uma política ruinosa, estúpida e incompetente, que tem privado Portugal do seu verdadeiro lugar no mundo.

Em retribuição pelos missionários, militares e comerciantes que há quinhentos anos chegaram ao Japão, não poderá o único Tenno discretamente enviar-nos uma completa e multidisciplinar missão composta por Nakamuras, Konoyes, Suzukis, Oshimas ou Umezus, que contribuam decisivamente para o quebrar das grilhetas que nos prendem a este pelourinho e deixa Portugal à mercê de todas as intempéries?

Cronologia da república - 3 de Agosto

  • 1911


Homem Cristo filho é aconselhado pelo alcaide de Madrid a sair da cidade, por não estar garantida a sua segurança

A câmara municipal de Lisboa resolve mudar o nome a 30 ruas da capital

  • 1912

Contracção de um empréstimo de 2.400 para a construção do caminho do ferro do vale do Sado

  • 1913

É fechado o jornal açoriano “A Democracia”

  • 1914

Corrida aos bancos para levantamento de depósitos

  • 1918

Paralisação do Porto de Lisboa

  • 1923

Manifestações grevistas em Lisboa









Fontes: aqui

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Proezas de um predador em democracia


«Em 1875, aparecera como ramo da I Internacional o Partido Socialista. Fundado por intelectuais, tinha como base os artesãos, ameaçados pela industrialização. O Partido Republicano, nascido a 25 de Abril de 1976, retirou-lhe qualquer hipótese de crescimento».


(Maria Filomena Mónica, Fontes Pereira de Melo, Aletheia Editores, pag. 114).

Cronologia da república - 2 de Agosto

  • 1911


Invasão da assembleia constituinte por populares, registando-se prisões e feridos

A opinião de Raul Brandão do ambiente que se vive é de intriga política. Existem inúmeras manifestações, conflitos, protestos, insultos contra a classe política

Brito Camacho e Machado Santos são vaiados

As GNR intervêm e gera-se conflitos resultando em 56 presos

O Jornal o Mundo acusa os monárquicos de serem responsáveis por esta instabilidade

Segundo a opinião de Carlos Malheiro Dias, os burgueses do Partido Republicano Português têm como objectivo roubar os cidadãos

  • 1912

Uma missão russa – israelita têm interesses em colonizar Angola

Acusada de conspiração, é presa no Aljube, a jornalista Alice Lawrence

  • 1917

Requerimento enviado ao Presidente da República, pedindo para que não seja aplicada pena disciplinar ao bispo do Porto

  • 1921

O governo determina a venda dos bens das extintas ordens religiosas

  • 1923

O governo regula a emigração para os Estados Unidos da América





Fontes: aqui