sábado, 25 de setembro de 2010

A frustração paga-se cara



Vários jornais portugueses focam como notícia de primeira página o facto da Casa Real Inglesa ter solicitado (em 2004) um "subsídio" para comparticipar os gastos de energia nos palácios reais (4, salvo erro). O que está em causa, na verdade, é o acesso e a elegibilidade ao subsídio. Os comentários dos leitores portugueses (nos nossos jornais, claro) são elucidativos da qualidade e objectividade das suas mentes (concerteza nem leram direito os artigos). Lê-se de tudo: que os monarcas são uns chulos, porcos, opressores, possuidores de manias, calcadores do povo oprimido. O que estes críticos não sabem é que desde 2006 a gestão financeira dos palácios reais já não é da responsabilidade da Rainha mas sim do governo que estiver eleito. Por cá, tudo é arremesso e pedra fácil para com a ideia de Monarquia. Sem umbigo para olhar, certo moderno povo republicano, à beira de celebrar o centenário que merece, esquece-se dos nossos "palácios" públicos-(privados) e de quem paga a electricidade, gás e demais reposteiros. O grau de ressabiamento que certa massa crítica atinge é proporcional ao seu grau de inveja – e de inteligência –, não tenho dúvidas. Há cérebros que não querem pagar os luxos dos Reis mas aceitam bem pagar os luxos dos Presidentes. Como me dizia ontem um amigo, mais grave do que a crise a frustração vai-se pagar cara!

* Foto: Palacete de S. Bento. Residência Oficial do Primeiro-Ministro.

Cronologia da república - 2ªedição - 25 de Setembro

  • 1917


O governo restabelece a ordem militar de S. Bento de Avis

O governo restabelece a ordem militar da torre e espada

  • 1920

As classes marítimas entram em greve

  • 1922

É fechado o jornal "O Lidador" de Beja

  • 1925

Início do discurso do promotor de justiça, o futuro marechal António Óscar Carmona no julgamento dos revoltosos de 18 de Abril





Fontes

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Paço Ducal


Créditos: Zé Barreiros


Debaixo do buço da República

Em 1938, a Infanta D. Filipa (tia d'El Rei D. Duarte) cheia de saudades do se Portugal, não quis mais saber dos impedimentos colocados pelo regime republicano. Visitaria a sua Pátria, assim decidiu. E assim procedeu.
Chegou incógnita. Quer dizer: esperavam-na apenas os portugueses. E percorreu o País de lés-a-lés. Esteve na Batalha, em Guimarães, no Porto, em Braga. Participou em recepções, assistiu a uma tourada, no Ribatejo, foi comprimentada por milhares de portugueses. O aviador Roberto Sameiro homenageou-a com espectaculares piruetas do seu aeroplano. Houve lágrimas de gratidão, de alegria, de esperança. Obviamente, não pode dar entrevistas - não seria conveniente cair nas garras do regime...
E partiu, enfim, sem que a República se apercebesse da sua estadia e do que ela significava para os portugueses.

Todos a Guimarães Centenário da República

A Causa Real promove no próximo dia 5 de Outubro no Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães pelas às 15,00 horas, uma Proclamação de Lealdade para com S.A.R. O Senhor D. Duarte, Duque de Bragança, que juntará membros de todas as Reais Associações existentes no território nacional, simpatizantes da Causa Monárquica e cidadãos que não se revêem na actual forma de regime.

Apela-se à participação e presença de todos nesta acção em que terão ocasião de escutar uma relevante alocução ao país do Chefe da Casa Real. Para tanto a Real Associação de Lisboa disponibiliza transporte em autocarro com preços especiais, incluindo para jovens com 50% de desconto.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Aqui del Rei! em tempo de república.

Não há muito a acrescentar a esta carta, enviada ao presidente da república, Manuel de Arriaga, em 1911. Apenas que podia ter sido escrita em 2010.
(Sublinhados nossos)

A vós me dirijo senhor, como chefe desta nação bem digna de melhor sorte!
Fez ontem um ano que existe neste país a República e de então para cá só desenganos! Que dirão aqueles (como eu) que julgavam que em se mudando o regime, que haveria honestidade e liberdade! Puro engano!! Quem foi republicano convicto deve corar de vergonha e decerto não julgava que houvesse tanto heroi republicano de barriga. Se há ainda quem defenda a república é por capricho porque come à mesa do orçamento.
Mas comei lobos famintos!
Houve na verdade nos últimos anos da monarquia cenas escandalosas, mas decerto com o decorrer do tempo ao passo que a República com um ano de existência está ainda muito pior nos exemplos de administração.
Para onde caminhamos?
Pelas ruas não há respeito entre os elementos da classe civil. As autoridades não são respeitadas tudo é carbonários e voluntários!!! No exército não há disciplina e na marinha ainda pior; a organização do exército foi um saque à nação; só assim se explica como se promoveram capitães, com 2 anos de subalterno, como se o país necessitasse de tanto oficial que só serve para receber o salário e passear; como se não se soubesse que tudo isto é um cancro para o país e como a organização obedeceu simplesmente para promoções escandalosas etc etc.
Haveria ordem se houvesse respeito.
Haveria trabalho se o exemplo viesse de cima e os próprios ministros (do governo provisório) dessem o exemplo e não anexassem em altos cargos toda a Ex.ma família.
Haveria Liberdade se cada um dicesse [sic] o que sente. O povo não estava convocado para a república e os grandes republicanos só tinham era inveja de não comer. Não tenho habilitações para melhor me exprimir, mas no intanto [sic] dá vor de gritar: aqui del-Rei!!
Lisboa, 6/10/911

MATOS, Sérgio Campos, introd. e FREITAS, Joana Gaspar, colab. - Correspondência política de Manuel de Arriaga, volume I. Lisboa: Livros Horizonte, 2004, p. 371.

Cronologia da república - 2ªedição - 23 de Setembro

  • 1911


Protesto estudantil da escola politécnica

  • 1912

Os oficiais têm um prazo de 30 dias para reconhecerem a Republica

  • 1918

Nacionalização de bancos estrangeiros

É fechado pela polícia o jornal "O mundo"





Fontes

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A república em produção fictícia




Imaginemos algumas situações que hoje, qualquer bípede julgaria caricata:

1. Estando vivo até uns anos depois de 1974, o governo português convida António Lopes Ribeiro, para a realização de uma mini-série sobre a tomada do poder pelos militares e a consolidação da 2ª República sob a direcção de António de Oliveira Salazar.

2. Em 1955 e decorrida uma década após o desaparecimento do III Reich, a recentemente constituída República Federal da Alemanha, contrata Leni Riefenstahl e Wolfgang Liebeneiner, com o fim de passarem ao cinema, a tomada do poder por parte do NSDAP de Adolfo Hitler.

3. Em 1950, Rossellini é convidado para a execução de um grande documentário laudatório da tomada do poder por Mussolini, apresentando a Marcha sobre Roma como ..."uma imperiosa necessidade, ditada pelo estado de profunda decadência institucional que o país vivia". Teria consistido numa tarefa fácil, no seguimento da Trilogia Fascista que Rossellini passaria ao celulóide, com La nave bianca (1941), Un pilota ritorna (1942) e o Uomo della croce (1943).

4. Decidindo comemorar o golpe de Estado protagonizado pelo subversivo PRP + Carbonária e respectiva direcção de meia-noite, o governo português incumbe a televisão oficial do Estado, a RTP, para realizar uma mini-série alusiva aos dias 3, 4 e 5 de Outubro de 1910. Muito concretamente, estabelece-se um acordo com as "Produções Fictícias" - melhor nome não podia ser escolhido -, com a supervisão histórico-científica de António Reis, coincidentemente grão-mestre do Grande Oriente Lusitano.

Estas possibilidades parecem-vos simples idiotias? São. Parecem-vos extemporâneas, anacrónicas e abusivas da imparcialidade que o tratamento de temas da História deverá sempre merecer? Evidentemente. Sente-se roubado, insultado e desprezado? Decerto.

Apenas uma nota: a 4ª hipótese, mais uma "à portuguesa", é verdadeira! Vivemos uma época de todos e mais alguns incríveis, pagos por si, por exemplo. Da próxima vez que tomar um café, pense nos 21% de imposto que desembolsará e para onde irá esse dinheiro.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Terapias republicanas contra a "loucura".


Do Jornal de Notícias de 4 de Junho de 1926:
«... parece que todas as autoridades estão dispostas a fazer da cadeia civil um verdadeiro manicómio. Ontem, para lá foi enviada uma desgraçada, Virgínia Maria de Jesus, do Bonjardim, que toda a gente conhece como doida, por dar vivas à monarquia, etc, etc.».
(N. R. O pensamento republicano português, segundo as mais recentes teses, é profundamente inspirado em "O Processo" de F. Kafka)

A história desconhecida....



Diz o DN nas suas páginas: "As estórias nunca contadas pela História", Grátis uma colecção inédita e exclusiva feita a partir dos arquivos dos dois jornais mais antigos de Portugal continental, o DN e o JN*, que lhe conta a história desconhecida da I República, do Estado Novo e da Democracia.
Um livro de capa dura, distribuído em fascículos, a que se juntam ainda 6 medalhas com banho de ouro velho mate dos rostos da República, de Afonso Costa, a Pinheiro Chagas, de Ana de Castro Osório a Manuel de Arriaga. Imprescindível para pais, professores e alunos e todos aqueles que gostam de História.

Lol.... Será que é desta que "todos aqueles que gostam de História" vão ler alguma verdade desta estorieta forjada, manipulada e deturpada que é (na verdade) a "história desconhecida da I República"?

* não sabia que o DN e JN eram os jornais mais antigos de Portugal! Com jornais que nos oferecem colecções destas está-se sempre a desaprender.

Um século depois, Cavaco imita D. Carlos




Diz ele, que ..."espanta muitos, dada a importância estratégica dos nossos portos, que possamos discutir meses e anos a fio o TGV ou o novo aeroporto de Lisboa sem que paremos um pouco para pensar nos portos do futuro”. Refere-se ao mar a que jamais votou qualquer interesse quando foi primeiro-ministro. Aliás, nos anos 80-90, assistiu-se a um recuo sem precedentes nas actividades relacionadas com este sector. Cavaco Silva escandaliza-se agora, com o abandono a que tem sido votado este património e desfia um imenso rosário de possibilidades, desde auto-estradas marítimas - a obsessão pelo termo é sintomática -, onde os transportes rivalizariam com aqueles outros que ajudou a incentivar, quando decidiu betonar o país de norte a sul. A isto, acrescenta a necessidade de modernização dos portos e uma nova política de taxas portuárias e procedimentos administrativos.

Cavaco junta-se a Sampaio, o outro imitador profissional com mais de cem anos de atraso, das actividades anti-tuberculose da rainha D. Amélia.

Cavaco também chega atrasado mais de um século, pois tudo aquilo que oportunamente diz para eleitor ouvir, foi dito e repetido por D. Carlos. O grande rei pagou bem cara a sua visão, pois disso se serviram os seus inimigos, para inventar as mais torpes alarvidades acerca dos seus afazeres marítimos. Desde bacanais a bordo do iate Amélia, até ao plágio do trabalho de outrem e passando pela negligência dos seus deveres de Estado, tudo foi apontado a D. Carlos. O motivo? O excessivo interesse pelo mar.

Quão atrasado anda, este neo-entusiasta naval. Ou leu a recente biografia de D. Carlos que Rui Ramos deu à estampa, ou andam uns monárquicos a assoprar-lhe ao ouvido. Se assim for, que compre um iate para estudos oceanográficos e ponha-se à faina. Até lhe sugerimos um nome, Mariani I. Com um século de atraso, mas mais vale tarde que nunca.

A mulher e a república


Hoje, num noticiário televisivo, vi uma "peça" sobre "as mulheres e a república". – Que com a república as mulheres passaram a votar, que com a república as mulheres foram para a frente da revolução, que com a república as mulheres uniram-se e lutaram pelos seus direitos! Como estava num café, ao balcão, e ninguém me conhecia comecei a fazer figura de comentador e troquei com o simpático senhor do balcão uma prosa que gerou boa disposição geral. Disse eu: depois de 1910 votou uma mulher porque vincou, e muito bem, que era "chefe de família"; a "famosa" Rosa Santos foi entregar umas sandes à rotunda e ficou para a fotografia; a luta das mulheres não começou em 1910, começou em todas as mulheres que lutaram por este país, desde Aljubarrota, às invasões francesas, à Patuleia, nas mulheres incógnitas, nas Rainhas, que deram a cara por Portugal.
– Eles pensam que nos enganam, disse o empregado, olha se alguma vez o meu avô mandou na minha avó?

De 04 a 15 de Outubro em Lisboa no Palácio da Independência


Não falte, a entrada é gratuita com oferta do catálogo

Estará patente no Palácio da Independência, ente o dia 04 e o dia 15 de Outubro a exposição “A Repressão da Imprensa na 1ª República”, organizada pela Plataforma do Centenário da República e com o apoio da Causa Real.
Esta exposição é feita à margem das comemorações oficiais dos cem anos da república portuguesa e também, o que é mais penoso, à margem da investigação oficial sobre os primórdios do regime republicano.
Trata-se da exibição dum conjunto de várias dezenas de quadros que evidenciam existência de um sistema repressivo regular e duradouro, mantido ao longo da primeira república. Durante esse período o regime estabeleceu formas imaginativas, directas e eficazes, de impedir o acesso do público aos textos perniciosos ou nefastos ao regime: o uso o assalto, a apreensão, a suspensão, e até a censura sem fundamento legal de jornais ou artigos foi tão frequente e continuado, que no seu conjunto constituiu um sistema repressivo sólido e consistente. A estratégia era a sustentação de um regime que não aceitava a contestação dos seus fundamentos, e uma classe política que não punha em jogo a sua permanência no poder. É esta a tese da presente exposição que assim se opõe à ciência histórica em vigor.

Não falte, a entrada é gratuita com oferta do catálogo - de Segunda a Sexta!

Cronologia da república - 2ªedição - 21 de Setembro

  • 1913


Conflitos entre Populares e a Polícia em Lisboa

  • 1915

A assembleia especifica os crimes de alta traição

  • 1921

A assembleia autoriza um empréstimo para pagar as comemorações do centenário de Fernão de Magalhães

  • 1922

Criação do chamado “imposto de vida cara”

 
 
 
Fontes

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Uma «admirável conferência sobre a educação da mulher»


Proferida pelo Dr. Serras e Silva, «doutrinário, sociólogo e educador». Segundo este «eminente» Prof da Universidade de Coimbra, que «falou largamente da vida interior da mulher», esta, quando «tem o sentimento do modernismo não faz o menor esforço para aperfeiçoar em si as grandes qualidades que exaltam sempre o que nela há de mais nobre e de mais puro. Inferioriza-se lamentávelmente, sempre que pretende aproximar-se do homem, lançado-se numa reivindicação de direitos que não é própria nem da sua sensibilidade, nem do seu sexo».
(do Jornal de Notícias de 11.07.1926)
Moral da história: os republicanos são uns marialvas.

Cronologia da república - 2ªedição - 20 de Setembro

  • 1914


É fechado o jornal "O operário" de Beja

É fechado o jornal "A cidade" de Portalegre

  • 1920

Tentativa de derrube do governo

A estação do Barreiro é ocupada pelo exército face a hipótese de uma greve

Explosão de linhas ferroviárias

Os grevistas detidos são atados a frente dos comboios

  • 1921

O governo cria 3 tipos de pão





Fontes

domingo, 19 de setembro de 2010

O parto republicano.



A História de uma nação apresenta momentos-chave em que o seu destino colectivo se vê perante dilemas ou aporias que é necessário resolver ou enfrentar. Foi assim com Alcácer Quibir, a Restauração de 1640 e o Ultimatum de 1890. A República nunca foi um turning point no percurso de Portugal enquanto nação, enquanto desejo colectivo ou ansiedade conjunta. É necessário que exista um Outro e que o Outro nos agrida ou nos subjugue para ocorrer no espírito colectivo (se é que ele efectivamente existe) uma "vontade de querer". Pelo contrário a República fez regredir o país em quase 100 anos, até às lutas entre Liberais e Miguelistas colocando, de novo, portugueses contra portugueses, em nome de um ideal que era de pouquíssimos. Como qualquer organismo infectado, o corpo reagiu com anticorpos e a República, aos poucos, entranhou-se, primeiro como uma constipação, depois já gripe (como a de 1918) que por pouco não matava o hospedeiro se não fossem as mezinhas salazaristas que pugnaram por um Estado Republicano forte e opressivo. Mas esta opressão não ocasionou uma reacção instintiva à doença e o corpo acomodou-se a achaques periódicos, até 1974 quando, de novo, não o país, mas o regime tentou uma refundação. Hoje, tenta-se construir a imagem laudatória e idílica da chegada do novo regime, em 1910. E o papel dos Historiadores nesse campo é fulcral. Num campo historiográfico praticamente inexplorado (quando comparado, por exemplo, com o da  vizinha Espanha), sem background quanto a estudos Políticos, Económicos e Sociais do país contemporâneo, foi entrada fácil a um pequeno grupo de historiadores tendencialmente ligados a correntes ideológicas de Esquerda que tomou de assalto esta área de estudo. De facto, o nosso corpus de historiadores, voltado ora para a medievalidade e para a Expansão, ora para temas avessos à Idade Contemporânea permitiu uma manipulação muito mais vincada dos factos ocorridos nos últimos 150/100 anos. E as Comemorações do Centenário da República, ainda que incipientes na sua programação pró-populi, consagraram o estudo de poucos, com conferências e livros de toda a espécie que não escondem a sua posição nitidamente sectarista. A Primeira República deixou de ser diabolizada para constituir um modelo de virtudes onde, diga-se, até se podem encontrar pontos de ligação entre o actual regime. E esta "Segunda República" passou a regime democrático, saltando sobre o Estado Novo que foi arrumado na secção de não-República. Traçou-se assim um ponto de vista inflexível e irrefutável: antes de 1910 não existia democracia em Portugal. Esta chegou a 5 de Outubro daquele ano. Foi suspensa com o golpe de Maio de 1926 e regressou a 25 de Abril de 1974. Ao percorrer a vasta bibliografia subsidiada, em grande parte, pelo erário público, (como era a propaganda nacionalista nas décadas de 1940 a 1970), constatamos o súbito interesse pelo papel da Maçonaria na implantação da República e no Regícidio, com uma clara desculpabilização desses dois actos em detrimento de um ideal  maior, a Liberdade, supostamente inexistente durante a Monarquia, ainda que esta fosse Constitucional e assegurasse, desde 1834, amplas liberdades que são hoje apanágio das maioria das democracias  ocidentais. Esta refundação de Portugal pela historiografia é preocupante e recorda o movimento surgido durante a 2ª República, não tão claro na sua catequização como a cartilha estado-novista, mas nem por isso menos gritante, sobretudo quando pretensos trabalhos históricos intitulam uma obra com o título "Viva a República". Aproximando-se o dia 5 de Outubro de 2010 e conhecendo já o programa das celebrações podemos, para já, asseverar algo: a propaganda erudita é vasta mas não chega para alimentar o espírito colectivo. No último século, apenas o totalitarismo do Estado Novo conseguiu mobilizar a opinião pública para se legitimar enquanto regime intrinsecamente nacional. Embora se espalhem mensagens de participação, em que tudo, hoje em dia, gira à volta de República (até relógios...) dificilmente se verão manifestações espontâneas de Viva a República! ou marchas populosas de apoio ao regime. Como em 1910, a ideia republicana de hoje é, ainda, uma ideia de poucos, a de uma classe oligárquica que deseja manter o poder, não para servir o "Povo", mas para se servir a si mesma. A República Portuguesa é como Saturno devorando o seu filho: fá-lo ciclicamente e em 2010 ocorre apenas mais um parto.

Cronologia da república - 2ªedição - 19 de Setembro

  • 1911


40 Presos políticos

  • 1914

Adiamento das eleições

  • 1924

Entram em greve os armadores pesqueiros

A associação industrial do Porto reúne-se para debater o estado da nação

 
 
 
 
 
Fontes

sábado, 18 de setembro de 2010

Novo livro de Jaime Nogueira Pinto

Intitula-se "Nobre Povo - os Anos da República", pelo que o tema fica bem à vista. Em entrevista à Notícias Sábado, de hoje, o Autor explica o livro e a época a que este respeita. Vai ser, com certeza uma obra isenta, logo proveitosa. Quando se diz que em 1910 os republicanos eram uma minoria, embora activa e radicada nas classes médias e baixas patentes militares; ou que os nossos «brandos costumes» vêm do Estado Novo, como resposta à selvajaria da 1ª República, garantem-se, seguramente, caminhos de uma boa e esclarecedora leitura.
A ser dado à estampa em vésperas de Outubro, haverá, decerto, quem considere Jaime Nogueira Pinto um impertinente desmancha-prazeres...

Cronologia da república - 2ªedição - 18 de Setembro

  • 1912


Conflitos populacionais em São João da Pesqueira

  • 1914

Assaltos a armazéns de alimentos no Porto

  • 1915

Dificuldade de abastecimento de produtos alimentares

  • 1922

Greve dos operários da indústria de conservas de Setúbal






Fontes

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Domingo arruada em Lisboa (PUB)

É já no próximo Domingo, dia 19 de Setembro, com partida da Praça Luís de Camões às 15 horas, que a Real Associação de Lisboa promove uma arruada pela baixa de Lisboa com o objectivo de contactar a população e dar-lhe a conhecer a opção pela Monarquia. Não falte e traga a sua bandeira!

Cronologia da república - 2ªedição - 17 de Setembro

  • 1911


É fechado o jornal "O Alarme" de Angra do Heroísmo

  • 1919

A assembleia extingue o Ministério dos abastecimentos e transportes

  • 1921

É fechado o parlamento

  • 1924

O governo contrai um empréstimo bancário

  • 1925

Comício da união sindical operária no Porto contra as deportações






Fontes

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sem palavras para a Segunda República.

 Jornal do Centenário n.º 6.

Num extraordinário arroubo místico o Dr. Elísio Summavielle vem gritar que a II República não existiu. Segundo ele sem democracia não há república. A ignorância, num Secretário de Estado, fica muito mal. Pior, se for num Secretário de Estado da Cultura. Ainda por cima quando o próprio Estado para o qual trabalha (ou milita) o desmente:


Clique para aumentar. Consulte aqui.

Não vale a pena varrer o lixo para debaixo do tapete, Dr. Elísio. O Estado Novo não só se parece com um regime republicano, como o foi. Basta ler a Constituição Política de 1933.

A 2ª que existiu



"Em ano de centenário, os representantes dos últimos resquícios do velho republicanismo intolerante, gostam de obliterar 48 desse anos, falando apenas em 1ª e 2ª república, criando um hiato histórico seguindo a escola estalinista de obliterar o que é incomodo ou inconveniente. como consequência, centram-se mais na comemoração dos 100 da instauração da República do que nos 100 anos da República. O que não é a mesma coisa…. Aquilo que designam apenas como «Estado Novo» (e não como historicamente de facto é, a 2ª república), na verdade é uma forma de república. Da mesma forma que uma monarquia absoluta é uma forma de monarquia. Monarquias ou repúblicas, assumem formas mais ou menos democráticas ou formas mais ou menos totalitárias. O facto de não se apreciar na actualidade uma certa forma, não pode, em termos históricos, pretender-se que a mesma não fosse de facto e de direito republicana. «Ah e coisa e tal, mas os valores…». Bom, se vamos por aí, seguindo tal subjectividade, então a 1ª República não teve sequer 16 anos. Nem teria havido apenas uma 1ª República, mas várias, tantas quantos os períodos intercalados entre as suas várias ditaduras.
Simplifique-se e restrinja-se a classificação a critérios históricos/formais e não de valoração circunstancial política: uma Republica é o período de vigência de uma Constituição que tenha como sistema formal de organização política do Estado a forma republicana. Estamos portanto na 3ª."

Por Gabriel Silva, no Blasfémias

Cronologia da república - 2ªedição - 16 de Setembro

  • 1918


O governo contrai um empréstimo na caixa geral de depósitos



Fontes

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Carta de Fernando Pessoa ao presidente da república

Ultima foto (1935)

[Ao Presidente da República]

Com uma de duas qualidades – de duas só – se afirma um homem chefe de um povo, comanda um homem a massa indistinta e informe da nação. São elas o poder oratório e o prestígio militar – a eloquência de um António José de Almeida, a bravura de um Sidónio Pais. Às qualidades de inteligência, por grande que seja, de trabalho, por intenso que possa ser, a essas e a outras, de menor relevo público, como a honestidade, a virtude, o patriotismo, encolhe o povo os ombros, sem sequer pensar em respeitá-las; deixa-as na sombra a que naturalmente pertencem. Convém não esquecer, Senhor Presidente, que uma nação é um teatro e um governo um palco: ninguém comanda a alma de um povo se não tiver nascido, ou se não se fizer, actor. É essa a razão do prestígio orgânico da monarquia: o rei nasce no palco e é educado, desde a infância, para estar e representar nele.
Pode a eloquência ser oca, a bravura postiça: o caso é que uma se ouça e a outra se veja.
*
Quer isto dizer, Senhor Presidente, que uma nação haja sempre de ser governada por chefes acentuadamente tais, que não haja período em que possam estar no poder os inteligentes sem aura e os patriotas sem prestígio? Não é o que quer dizer. O que porém quer dizer é que esse prestígio de chefe, desnecessário muitas vezes num governo de época normal, é indispensável num governo de época anormal, imprescindível num governo de autoridade. O que porém quer dizer é que o Prof. Salazar, não tendo tal prestígio, nem maneira de o ter, se deixou investir da aparência dele. É a sua túnica de Nessus.
Ninguém pode legitimamente culpar o actual Presidente do Conselho de não ter qualidades que não tem; pode legitimamente fazer-se de, não tendo tais qualidades, pretender tê-las e ter-se colocado em situação de, não podendo tê-las, ser todavia necessário que as tenha.
Culpa-se o Prof. Salazar disto: de ser incompetente para o cargo que assumiu.
*
Um homem que, tendo que presidir a uma distribuição de prémios literários, abre a sessão com um discurso em que enxovalha todos os escritores portugueses – muitos deles seus superiores intelectuais – com a fútil imposição de «directrizes» que ninguém lhe pediu nem pediria, e que, pedidas que fossem, ninguém poderia aceitar por não compreender quais sejam – esse homem, que assim, com uma inabilidade de aldeão letrado, de um só golpe afastou de si o resto da inteligência portuguesa que ainda o olhava com uma benevolência, já um pouco impaciente, e uma tolerância, já vagamente desdenhosa, não tem sequer o prestígio limitado que lhe permita governar uma república aristocrática, a aceitação de uma minoria que, ainda que praticamente inútil, fosse teoricamente inteligente.
*
Destinado assim naturalmente por Deus para executor de ideias de outrem, visto que as não tem próprias, de secretário de prestígio alheio, porque o não pode conquistar seu, o Prof. Salazar quis alçar-se, ou deixou que o quisessem alçar, a um pedestal onde mal se acomoda, a um trono onde não sabe como sentar-se. Não conseguiram os titãs, e eram titãs, escalar o Olimpo; como o conseguirão os anões, condenados, para que possam parecer grandes, ao desequilíbrio constante das andas que lhes ataram às pernas?
*
Isto não é ser mestre, nem ser chefe é: é ser exemplo. Mas igual exemplo nos dão e sempre deram as formigas e as abelhas – cujo Estado Velho está absolutamente bem organizado, e em princípios antiliberais a que ninguém desobedece –, sem que seja preciso promover a Abelha Rainha à posição, presentemente mais que régia, da Presidência do Conselho.
Realmente é um Estado Novo, porque este estado de coisas nunca antes se viu.
*
Chegámos a isto, Senhor Presidente: passou a época da desordem e da má administração; temos boa administração e ordem. E não há nenhum de nós que não tenha saudades da desordem e da má administração. Não sabíamos que a ordem nas ruas, que as estradas, as pontes e as esquadras tinham que ser compradas por tão alto preço – a da venda a retalho da alma portuguesa.
Tem todas as qualidades periféricas de chefe. Falta-lhe a principal – que é ser chefe.


Fernando Pessoa, «Contra Salazar», selecção, introdução e notas de António Apolinário Lourenço, Angelus Novus Editora, Coimbra, 2008, pp. 137-140.

Notas para uma carta, nunca enviada, que é a manifestação da indignação face ao discurso de Salazar, a 21 de Fevereiro de 1935, na cerimónia de entrega dos prémios literários do Secretariado de Propaganda Nacional, que distinguiu em exequo a obra «Mensagem». Fernando Pessoa viria a falecer a 30 de Novembro de 1935.


Esta carta não revela Fernando Pessoa no seu melhor. Apresenta uma retórica brilhante mas considerar que os "chefes" ou são "militares" ou "oratórios" e que Salazar não era uma coisa nem outra, é uma visão muito limitada dos anos 30, do que deve ser a representação nacional. Para elogiar Antonio José de Almeida como "chefe", é preciso estar muito desiludido com o regime e mesmo a vida, como comprova a morte de Fernando Pessoa por cirrose, meses depois . Almeida fora homem do PRP encarregado no Verão de 1907, de estabelecer o programa do Regicídio com os carbonarios anarquistas na LOja Montanha. Após o sucesso do 5 de Outubro tornou-se um dos mais evidentes exemplos do "patriota estúpido", cheio de oratória em prol de Portugal mas com uma ignorância completa do que o país necessitava em termos sociais e económicos, um burguês satisfeito com o seu discurso mas que não se importava que o povo passasse fome. Um exemplo típico dos "apóstolos republicanos" cujo entusiasmo ia a par com o cretinismo político, tal como Magalhães Lima. E depois Sidónio, cheio de contradições, sempre a hesitar entre apoiar os monárquicos que o ajudaram a consolidar o poder e apoiar os republicanos que o tinham incitado ao golpe de Estado, sobretudo Brito Camacho a cujo partido pertencia. É ainda de ter em conta que Almeida e Sidónio pertenciam ao Grande Oriente e nesta fase Pessoa está revoltado com a Lei de proibição das Associações secretas (vg. Maçonaria) proposta pelo deputado José de Castro e aceite pela Assembleia Nacional quando na realidade Salazar estabelecera, por detrás, um acordo com o Grande Oriente, via Albino dos Reis, para não existir senão actividade clandestina do GOL.. Malhas que o império tece... Não publicando a carta, Fernando Pessoa mostrou que não se identificava com ela. MCH

Cronologia da república - 2ªedição - 15 de Setembro

  • 1921


É fechado o jornal "A Acção" de Viseu



Fontes

terça-feira, 14 de setembro de 2010

JOSÉ LUIS NUNES - dirigente histórico do PS


Eis a que terá sido, possivelmente, a sua última entrevista. Ao Monarquia do Norte, da Real Associação do Porto (Março/1998):
1 - Monarquia e socialismo democrático: é verdade que entre ambos não existe entendimento possivel?
R. - Os países onde os partidos social-democratas são os que têm mais profunda base eleitoral são os países monárquicos.
A questão não teria sentido posta a um norueguês, sueco ou dinamarquês.
Assim como não teria sentido posta a um inglês - Tony Blair é um monárquico - ou a um holandês. Ou a um belga... ou, ainda, a um luxemburguês ou a um espanhol. Quando Santiago Carrillo agradece ao seu Rei...
Na Europa, social-democracia e monarquia entendem-se bem... Muito bem até...
De resto, o Rei não descrimina os cidadãos por nenhuns motivos, principalmente por razões ideológicas...
Em Portugal, nos seus primórdios o Partido Socialista manteve-se alheio ao debate monarquia/república, que não considerava prioritário ou essencial.
2 - A Família Real é, no presente, uma mera referência do passado?
R. - Na vossa questão o essencial é a expressão "referência".
Diria ser a família real uma referência no passado, no presente e no futuro. Como poderá tal referência adquirir relevância no plano institucional é uma outra questão.
3 - Monarquia em Portugal: a questão está definitivamente encerrada?
R. Não existem "conquistas irreversíveis, nem questões "definitivamente" encerradas.
A História faz-se todos os dias e não tem fim, pois não é uma entidade fixa, cindível em compartimentos ou momentos estanques, mas uma convergência de integrantes transformadoras.
Só o futuro dirá como vai ser o futuro...
Uma vez mais, a homenagem de um homem de Direita, livre, a outro homem de Esquerda, livre também.

Seis e muitos mais erros capitais

"À incapacidade para romper o cerco e democratizar o sistema de representação política a República do PRP juntou outros três erros capitais. Desde logo, o permitir que a justa prioridade da política de laicização do Estado escorregasse para uma "questão religiosa", dando à Igreja Católica o pretexto para concitar o mundo rural contra os "inimigos da religião", contra a República "ateia" e as cidades "grevistas" e "desordeiras" - ou seja, os excessos do jacobinismo davam a uma Igreja, como era a portuguesa à época da implantação da República, ultramontana e subversiva, o poderoso argumento da "religião" para agravar o cerco ao novo regime. Um ataque que se revelaria sempre eficaz, mesmo depois de a questão ser pacificada pelas medidas sidonistas de reforma da Lei da Separação, em 1918.

E a isto se soma talvez a rotura mais grave: a do "Bloco do 5 de Outubro", a da aliança da I República com o operariado organizado. Era esse o sustentáculo do republicanismo nas cidades. A total insensibilidade do novo regime face à questão social, a repressão brutal e quase contínua de que, entre 1911 e 1926, o movimento sindical é objecto acabarão por fazer o operariado organizado desistir da República do "racha-sindicalistas" Afonso Costa, em Dezembro de 1917, como abandonarão a de António Maria da Silva e dos "bonzos" do PRP no pós-guerra. Sendo certo que pela República se tinham batido na Rotunda em 1910, contra a ditadura de Pimenta de Castro em 1915, escalando Monsanto contra o restauracionismo monárquico em 1919 ou saindo em massa, à rua, em Fevereiro de 1924 e de 1925. Depois das deportações sem julgamento de activistas sindicais para as colónias, em 1924 e 1925, a CGT anarco-sindicalista denuncia a "República dos assassinos e das deportações", afasta-se das tentativas de unidade com a esquerda republicana e, na prática, assistirá quase só com condenações pias do "militarismo" ao golpe de 28 de Maio de 1926."

A tudo isto falta no final do texto o reconhecimento, deste assumido historiador marxista, que a I República foi uma vergonha se comparada com a monarquia dos primórdios do séc XX. "Para pior" é o termo, único, e correcto do sexto pecado.

“oh mãe estes foram os reis ?” onde chega o desespero republicano


Este fim de semana fui visitar o Berço da Nação. No paço dos Duques (de Bragança), ao virar de uma esquina dei com esta tristeza. Achei um aproveitamento nojento de algo grandioso da Monarquia para se promover de forma reles a república. Pior do que isso foi, depois de ter explicado à minha filha quem ali morava e o que faziam em cada uma daquelas salas, ouvi-la dizer: “estes senhores foram os reis que aqui moravam?”… e a vontade de responder: “não, foram os responsáveis por os reis deixarem de morar, de existir e continuam a aproveitar-se e a roubar o espaço que a eles pertenceu”.

Sara Jofre


Fonte : Causa Monárquica

Fernando Pessoa - O Rei reside em segredo ...


O REI RESIDE EM SEGREDO…

O Rei reside em segredo
No governar da Nação,
Que é um realismo com medo
Chama-se Nação ao Rei
E tudo isto é Rei-Nação.

A República pragmática
Que hoje temos já não é
A meretriz democrática.
Como deixou de ser pública
Agora é somente Ré.

Fernando Pessoa, 1935

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Das Repúblicas - atentados diversos (I)


«As nossas riquezas artísticas são desbaratadas pelos portugueses


O Castelo de Beja transformado em prisão. O Convento de Soror Mariana em comissariado da polícia. A Igreja de S. João, em Beja, demolida para não tirar a vista a um teatro».

Do Diário de Notícias de 06.04.1920

Cronologia da república - 2ªedição - 13 de Setembro

  • 1911


O governo determina que o cidadão que deixar de estar no exército pagará uma taxa militar

  • 1913

É fechado o jornal "A Democracia" de Chaves

  • 1915

Greve de canalizadores

Greve de torneiros de metal

  • 1917

O governo mobiliza a guarda-fiscal para patrulhas no país

  • 1919

A constituição é alterada





Fontes

domingo, 12 de setembro de 2010

Tudo como antes - quartel em Abrantes


Desde a ocupação republicana, o País habituou-se ás ameaças anónimas, aos atentados, a quantos episódios políticos de traição e cobardia.
Cem anos volvidos, apenas mudaram os sistemas, assegurando eficácia aos métodos. Falo concretamente do insulto gratuito, do enxovalho, da perfídia sem cara que se veja, através da Internet.
Nem preciso de apontar exemplos concretos. Aponto apenas o dedo a quantos blogs proliferam por aí, carregado de torpezas e insultos, quando se fala da Monarquia em que a maioria dos portugueses acredita.
Já agora, uma (dispensável) pergunta: porque será?...

sábado, 11 de setembro de 2010

Sempre a sacar



O residente de Belém, como sempre a fazer-se muito rogado, acabou por declarar no seu passeio eleitoral em Ponte e Lima, que quanto à recandidatura, muitos apelos nesse sentido tem ouvido um pouco por todo o país. O PSD deve estar a trabalhar bem na sua especialidade, o poder local. As manifestações espontâneas parecem medianamente bem organizadas, embora uns tantos apupos e assobios destoem da orquestra. Quanto aos "apelos populares", o senhor residente diz como sempre, que ..."sobre essa matéria já disse o que tinha a dizer".

Em relação ao Orçamento do Estado, o residente a 21 milhões de Euros por ano, referiu que ..."já disse aquilo que havia a dizer".

Todo este pífio banzé, vem a propósito de uma inócua carta de Edite Estrela, onde entre algumas banalidades de ingresso adesivo à candidatura de Manuel Alegre, profere excentricidades de um calibre tal, que diríamos não se referir certamente ao senhor Cavaco Silva. Uma das tiradas mais cómicas, terá sido o apontar de dedo a Belém, declarando que o seu residente "dificultou a acção do governo" de José Sócrates e que "dissimuladamente", actuou no sentido de "obstruir deliberadamente muitas medidas constantes do programa eleitoral do PS". Inacreditável, dado o palmarés de descarado apoio, compreensão e "cooperação estratégica" - seja lá o que ele entenda por estratégia - que ACS prodigalizou durante os anos do seu primeiro mandato. Mais colaboracionismo, é de facto, impossível. Nem o monsenhor Tiso, o sr. Otto Kuusinen e o Dr. Ante Pavelic conseguiram tanto e de forma tão ostensiva.

Por uma republicana boca de indecifrável sotaque, ficamos a saber que o chefe en titre dos republicanos, é:

- um empecilho aos negócios públicos.
- um dissimulado, logo, um reservista mental militante.
- um sabotador.
- um intriguista.

A platinada doutora Edite, deve pensar que os portugueses são todos "camaradas" apatetados. Não são. Cavaco foi o vosso homem - o tal "faca de mato" como se usava dizer na 1ª república -, como continuará a sê-lo nos próximos tempos. Se isso consiste numa "estratégia" que pouco interessa ao país, todos já tirámos as conclusões, de tão evidentes elas se apresentam.

O faz de conta republicano, no seu melhor.

Cronologia da república - 2ªedição - 11 de Setembro

  • 1916


O governo determina que deixem de ter valor as moedas de prata de 500 reis de D. Pedro V

  • 1920

Greve na Marinha Mercante

  • 1923

Ataque bombista no Porto





Fontes

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

From New York with nerve!



"Underlining the national importance of the Champalimaud project, the government also requested that the center’s opening coincide with the 100th anniversary of Portugal’s becoming a republic."

A pergunta a colocar, é: o sr. Champalimaud gostaria de ser apenso a estes oportunistas de meia-tigela e furta-cores? Um dia destes, ainda inaugurarão a nova ETAR de Lisboa, em nome da tal "república". Que bando de mentecaptos!

A incompreendida vida dos deputados da República


1925. Deputado da Assembleia da República repousando.
(N.R. em 1910 o sofá ainda tinha 4 pernas).

A república no pantanal


A regra é não agitar muito para não se precipitar o afundamento. Mas a partir de hoje o presidente respira de alívio, impedido de dissolver a assembleia e poderá descartar-se de qualquer responsabilidade para com a actuação do governo e do ambiente de protesto que se irá assistir por via dos efeitos das medidas anti-crise que em breve começarão a produzir. A reeleição de Cavaco será de bandeja, que perante a catástrofe e falando o mínimo possível, reservar-se-á atrás da sua impotência constitucional. A Passos Coelho resta-lhe engolir mais um sapo, a ambiguidade de recalcitrar um Orçamento que afinal está condenado a aprovar. O facto custar-lhe-á alguma popularidade, nada irrecuperável, se considerar-se que irá ter cerca de um ano para embalar para umas eleições antecipadas, com o país em rápido naufrágio moral e financeiro. Se não souber aproveitar será porque foi aselha, ou então porque a crise terá enveredado a Nação para algum cenário muito diferente daquilo a que nos habituámos. Quem sabe uma grande oportunidade de verdadeira mudança.


Cronologia da república - 2ªedição - 10 de Setembro

  • 1912


Uma família é assassinada em Arraiolos

Filha de Manuel de Arriaga casa na igreja dos Jerónimos

  • 1917

O governo determina que qualquer exibição de filmes, sobre a guerra, têm de passar pela censura militar

  • 1925

É fechado o jornal "A flor da Ria" de Aveiro






Fontes