quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O despertar dum povo

Uma nova "dinâmica" nos orgãos de soberania

Por outras palavras, todos começam a dizer o mesmo, têm é o preconceito de admitir que a verdadeira mudança (dinâmica) começaria pela mudança na arquitectura do Estado, na eliminação da rede tentacular dos orgãos de soberania e na representação do chefe de Estado. Um chefe de estado descomprometido, isento e que "puxasse isto a sério", através da mobilização suprapartidária.

"Que pequenino efeito?
(...) Precisávamos de uma dinâmica nos órgãos de soberania e termos um Presidente que puxasse isto a sério e não temos.

Mas o Presidente da República está empenhado em que o PSD viabilize o OE...
Na fase actual, as preocupações em relação à passagem do OE situam-se naqueles que dominam o "centrão político" para se manterem no poder. Este pingue-pongue podia ser dinâmico, mas é um jogo. Por isso é que há pouco falava numa certa burguesia instalada que é preciso instabilizar. (...)

O PSD viabilizará o OE?
Estou convencido de que viabilizará. Mas só por uma lógica de manutenção do poder. E é aqui que entra a fragilidade do cenário das presidenciais. O actor [PR] é muito fraco e comprometido com o processo.

Saque directo


Sob o enfastiado olhar de D. Luís I que do alto escutou algumas verdades e bastantes efabulações, realizou-se um seminário internacional sobre a I República, no âmbito das comemorações da mesma e com direito de transmissão no canal de tv Parlamento. Exactamente, a Comissão decidiu-se pela verdade: comemoram a 1ª República e todos os debates e obras que têm surgido, invariavelmente se debruçam sobre este exclusivo tema. Sintomático.

Por outro lado e à boa maneira de certos regimes desaparecidos no final do século XX, verificam-se súbitos desaparecimentos de provas de gastos em actividades de lazer, com as quais os lambões do erário mutuamente se brindam. As somas são astronómicas e os leitores podem saber do que se trata, AQUI! Um jantarzinho por 150.000 Euros, umas "sete maravilhas" ao módico preço de 1.100.000 Euros, uma farra na Bolsa de Lisboa a 196.000 Euros, uma festa de aniversário (!) que subiu à estratosférica soma de 150.000 Euros e por aí adiante.

Garantimos não ser qualquer questão de "adiantamento", pois consiste apenas, num "saque directo".

Em simultâneo, começou o carnaval pelo qual tanto aguardávamos. Alegre acusa Cavaco da contratação de crianças em escolas, para o número da "multidão na rua". O problema não estará na atitude do rival, mas no facto de não poder fazer o mesmo.

Cronologia da república - 2ªedição - 14 de Outubro

  • 1924


Encerramento de várias casas comerciais contra a legislação sobre impostos

Tumultos no Porto e em Espinho contra o lock out




Fontes

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mocidade onde tu andas


Este candidato a ser "o representante de todos os portugueses" não aprova criançinhas com bandeirinhas prefere a mocidade com canetas na mão junto à urna da nação.


A despótica república

A notícia que vem hoje na página 19 do Correio da Manhã (sem versão online) foi-me dada ontem ao telefone pelo seu pai atónito: Sebastião, acabara de voltar para casa proibido de participar numa sessão sobre o Centenário da República na Escola Secundária de S. João do Estoril por envergar uma t-shirt azul como a da fotografia. Este acto de descarado despotismo só se compreende na velha óptica republicana que por um ideal que acreditam sagrado e indiscutível se condiciona a liberdade de escolha e de expressão às pessoas. Da minha parte até percebo a cautela destes zelosos milicianos do regime: da minha experiência em escolas onde se promoveram debates francos e abertos sobre a monarquia e república, foi surpreendente a adesão e o entusiasmo dos alunos, sempre rebeldes, pela opção monárquica, ou simplesmente pela desmontagem da propaganda dos poderosos. Força Sebastião! Força Sebastiões!

PS: Para os interessados este modelo de camisola encontra-se à venda aqui.

5 de Outubro de 2010: os luxos deles (2)


Olha... é ou não é o teu IMI?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A malaposta republicana.


Foi em 1961 que se inaugurou o primeiro troço da auto-estrada Lisboa-Porto. Duas dezenas de quilómetros, desde a capital até Vila Franca de Xira. Seguir-se-ia, a norte, o pequeno troço até os Carvalhos. E durante décadas não aconteceu mais nada - porque não ocorrera ainda a desão à CEE e escasseavam os esmoleres.
Lembram-se? A EN1 atravessando sucessivamente S. João da Madeira, Oliveira de Azemeis, Águeda, Coimbra, Leiria... Lembram-se desse inferno? Já nos suspiros derradeiros do século XX!
Finalmente ganho o Toto-CEE, a obra lá se retomou, sendo concluida em 1991. Apenas há 19 anos as duas principais cidades portuguesas se encontram ligadas por uma auto-estrada!!!
A culpa é, claro, da longa noite monárquica - oitocentos anos em que nenhum rei se lembrou de mandar fazer... auto-estradas.

Agradecidos pela deferência



Pela net fora, circula uma imagem que pretende fazer humor às custas da mais antiga organização política portuguesa, a Causa Real (Monárquica) que como todos sabem, fará 100 anos em 2015. Talvez tivessem pretendido chamar-nos de "azeiteiros" ou pior ainda, uma gente do passado, agarrada a coisas vetustas e sem mais valia.

Pois fizeram-nos um grande favor. O país letrado ou não, sabe instintivamente que a melhor garantia do porvir, será a apresentação ao mundo, daquilo que de melhor Portugal pode e sabe fazer. A produção tradicional - azeite, frutos secos e outros produtos agrícolas incluindo o vinho, excelentes conservas, doçaria regional, têxteis de elevada qualidade, etc - sempre bem vendida e consumida dentro e fora de portas, consiste naqueles bens de "valor acrescentado" que o amnésico residente de Belém desprezou na sua áurea época de mundos e fundos comunitários. Aí está, talvez pela graciosa mãozinha de um republicano, a reposição da verdade. Uma foto bem feita, com uma bela embalagem que exalta o melhor de Portugal. Um produto tradicional de excepção e de consumo quotidiano, amigo da saúde e do ambiente, consiste num precioso estímulo à ocupação do território que as pré-sucatas VW, as torres de escritórios e as negociatas bolsistas pretendem esvaziar. Para cúmulo, o chalaceiro ainda colocou as armas nacionais que adoptaremos quando a Monarquia for instaurada. Nada havendo para restaurar, será esta esfera armilar convenientemente adornada, a mostrar a capa dos passaportes de todos os portugueses. De todos.

* Apenas uma nota: agradecíamos que substituísse "oliva", por oliveira.

Ana Gomes, à beira de - mais um - ataque de nervos


No blog Causa Nossa - atenção, o nome é enganoso e ainda por cima, não admite comentários - a dra. Ana Gomes esperneia devido à condição das mulheres portuguesas, aproveitando para listar as inúmeras funções que estas meritoriamente ocupam, desde o jornalismo à diplomacia, segurança ou missões militares. Tem toda a razão naquilo que diz, até porque a sua amada república não foi, não é e nem previsivelmente será, um bom exemplo.

Percebemos o que a deputada quer transmitir aos seus numerosos leitores. Já foi embaixadora - termo feio e encartado à medida da "modernidade" -, deputada cá e agora, deputada lá. Pelo que se pode depreender da catilinária, falta-lhe um ministério, talvez aquele em que o croquette fez escola e ainda é pronunciado à francesa. Talvez.

Fique descansada a ruidosa e expansiva deputada "de lá". Durante a Monarquia, Portugal contou com duas mulheres no trono e com outras que de facto, reinaram como regentes. Assim, de cor, contamos seis que por longo tempo estiveram à cabeça do Estado e nem sequer nos daremos ao trabalho de mencionar tantas outras, que por diversas razões, assumiram o lugar primeiro. A última, foi Dª Amélia, precisamente aquela senhora que os "heróis do 5" expulsaram. De nada valiam as pressões de grupos nas Cortes, nos interesses bem instalados e aqueles outros, quiçá decisivos, provenientes dos homens do círculo familiar. Puseram, dispuseram, gizaram políticas no âmbito interno e externo, mantiveram a hierarquia militar em sentido e bastas vezes, foram decisivas para a obtenção de grandes sucessos que consolidaram a independência nacional.

Ora pense a senhora deputada nesta ironia. Se Portugal existisse em vez da actual república portuguesa, Ana Gomes até poderia ser a chefe de governo de uma rainha. Quem sabe?

5 de Outubro de 2010: os luxos deles (1)


Olhe..., o seu IRS sobre rodas!

Esperança de vida presidencial!

Estavam três presidentes mas tudo indica que num próximo programa (não muito longínquo) estejam mais, com mais mordomias, e mais despesa a recair sobre o orçamento de estado. Sem falar nos gastos com as eleições, que servem apenas para dividir os portugueses. Com efeito, e como também se verifica, os presidentes são considerados irresponsáveis pela situação a que chegámos (à boa maneira da realeza) pois todos são invariávelmente contemplados com palmas e sorrisos embevecidos!
Já ninguém se lembra que Ramalho Eanes protagonizou uma experiência partidária frustrada e frustrante, já ninguém se lembra que foi Sampaio quem entronizou José Sócrates, e já ninguém se lembra da descolonização apressada que Mário Soares incentivou para nos lançar nos braços de uma união europeia em que o próprio já não acredita!
Portanto se o assunto é reduzir despesa inútil por causa da dívida insustentável, talvez fosse melhor regressarmos à monarquia, fica mais barato, sustentamos só uma família, e é outro asseio. Sempre são oito centenários de experiência.. e alguns desses centenários até foram gloriosos. É uma sugestão.

Saudações monárquicas

Cronologia da república - 2ªedição - 12 de Outubro

  • 1910

Conflito entre o governo provisório e os membros do partido repúblicano português

Os carbonários exigem que o seu símbolo: as cores verde e vermelha com o escudo e a esfera sejam a bandeira nacional

  • 1911

Prisão de 142 monárquicos, na tentativa de derrube da república, no norte

Incursão de grupos monárquicos armados

  • 1916

É fechado o jornal açoriano “O Dia”

  • 1918

Tentativa parlamentarista de derrube da república em Coimbra, Évora e Vila Real

O governo suspende a constituição

Tentativa de derrube da república em vários pontos do País






Fontes

segunda-feira, 11 de outubro de 2010


Já sinto a falta! Há uma semana que o Grão-Mestre Reis nada vermelhusca contra os reis. Tantos meses passados, e ele sem dizer algo que nos mereça uma resposta à altura... Dessas, fulminantes, expressas em trnacrições dos coevos da desgraça.
Será o tempo das conclusões. O silêncio foi a regra que pontuou a nossa argumentação. Somente... contra nós atelevisão, os cartazes, as efemérides, uma máquina terrível..
(Começou mais um Prós e Contra. A tropa presente é republicana. Amanhã haverá mais...).

Medalha de uma censura da Silva

Na imagem, o tal logo do"template de borla", que custou 20.000 contos

Pelos vistos, os comemoracioneiros não se entendem. A dupla sr. Silva (presidente organizador) e sra. Silva (presidente do júri) da Comissão regimentista das Comemorações, acabou de dar um golpe nas espectativas do escultor João Duarte, o vencedor do concurso para a medalha comemorativa da "coisa". Pelo que parece, o presidente sr. Silva e a presidente do júri, igualmente sra. Silva, não deram cavaco a João Duarte e assim, o escultor sente-se vítima de censura. Como se tal coisa fosse uma novidade em república... Censura existiu na 1ª república, tornou-se fera na 2ª e nesta 3ª continua a existir, através de mais um artifício: a omissão.

Cansado do presidente da Comissão, sr. Silva e da presidente do júri, sra. Silva, o artista diz que reclamará junto do presidente, prof. Silva. O da república.

Qual causa?

Era suspeito em ano de centenário da república os estarolas não terem um prémio qualquer. Sai um pacote. Devem seguir-se os da legião maçónica. Se eu não fosse monárquico depois de uma notícia destas convertia-me à monarquia.

A misteriosa 2ª república que "nunca" existiu


Uns garotos a jogar à bola, talvez o maior símbolo do regime. Ao fundo, uma construção que decerto não será uma bierhaus bávara, um challet da Côte d'Azur ou uma cottage no Yorkshire. Pois é, estes dois rapazes devem saber falar português e hoje em dia, serão uns senhores que já ultrapassaram os sessenta anos de idade. Um deles, até poderá ser presidente, deputado e quem sabe?, membro da Comissão oficial do Centenário da República. O outro, se a sorte o bafejou, estará a fazer pela sua vida no Futungo de Belas. Jogam à bola, matando o tempo. Ao fundo, ondeia uma bandeira, talvez a daquela 1ª e 3ª repúblicas, aqui vistas um tanto ou quanto anacronicamente. A da 2ª, não surge. Como seria ela? Às riscas? Às bolas? Em xadrês? Perguntem aos senhores da tal comissão: são pagos para isso mesmo.

Cronologia da república - 2ªedição - 11 de Outubro

  • 1910


Detenções por suspeita de jesuitismo em Almada

  • 1922

Greve geral de marítimos de longo curso

  • 1923

Pescadores e Armadores protestam em Lisboa contra o vandalismo espanhol em águas nacionais

Greve geral de marítimos de longo curso

  • 1924

É fechado o jornal açoriano “A voz do campo”





Fontes

domingo, 10 de outubro de 2010

Como nunca antes


Falo de algo absolutamente real, embora passe despercebido à maioria dos cidadãos. Os festejos do Centenário da República foram um verdadeiro fracasso. Esbanjou-se dinheiro, tentando entusiasmar o povo - ao mais puro jeito bairrista, clubista - mas o povo não correspondeu. E houve uma onda enorme de desobediência - as Escolas que também quiseram dar voz aos monárquicos nos debates que organizaram; muita Imprensa a manter o pluralismo democrático; autarquias a rirem-se da conversa, abrindo, como sempre, as portas ao Chefe da Casa Real portuguesa...
E sobretudo, o ânimo cm que tantos rumaram a Guimarães, no 5 de Outubro. Numa manifestação convocada apenas pela Internet e pelo «passa-palavra».
Como nunca antes, as entidades oficiais perceberam quanto desprezo o povo lhes vota. e estão já pensando como reagir. O SIS está em campo.

Correio da Manhã – Há monárquicos no PCP e no BE


Mais de 45% dos portugueses não sabem qual é o centenário que hoje se comemora e só pouco mais de metade está informado de que se trata da implantação da República. Este resultado surpreendente faz parte de uma sondagem da Aximage para o Correio da Manhã, que revela também que mais de 12% dos eleitores do BE e mais de 11% dos que votam no PCP dizem preferir a Monarquia à República.

Por:Paulo Pinto Mascarenhas / J.F.

Apesar do desconhecimento, a esmagadora maioria dos inquiridos (66,1%) responde que a República é actualmente o melhor regime político para Portugal. Ainda assim, a Monarquia aparece como a melhor solução para 12,1% dos portugueses, enquanto 21,8% não têm opinião.

O historiador António Costa Pinto diz ao CM que se espanta “que 12,1% escolham a opção monárquica”, mas que “isso pode estar associado a algum sentimento imediato de descrença em relação à actual República”.

Já o historiador Luciano Amaral defende que “não há hoje uma questão de regime”. Mais: “Em Portugal, a Monarquia caiu e os portugueses deixaram de se preocupar com isso, à excepção de uma minoria de monárquicos.”

Na sondagem, o PS é considerado o “partido que melhor defende os valores da República”, seguido do PSD (20,2%) e do CDS (8,5%). O PCP, com 6,4%, e o BE, com 4,2%, fecham o pelotão republicano. Tanto Luciano Amaral como Costa Pinto consideram ser normal, uma vez que “o Partido Socialista tem uma maior tradição republicana.”

Fonte : Correio da Manhã, 5 de Outubro de 2010

A monarquia e o futuro do país

No rescaldo das comemorações de 5 de Outubro, João Távora concedeu uma breve entrevista a Henrique Raposo. Algumas breves considerações sobre esta e sobre o crescendo do movimento monárquico no país impõem-se.

Em primeiro lugar, a constatação de que não se podem repetir os erros dos republicanos de 1910. Várias vezes, em diversos debates, tenho alertado para esta mesma situação que o João Távora muito bem assinala: "Concordo que há esse perigo: não nego a evidência de que os grandes males de que Portugal padece são profundos, e estão a montante da forma do regime. Os portugueses continuam viciados no assistencialismo e pouco atreitos a responsabilidades, parecem conformados com um medíocre destino cuja perspetiva não passa do amanhã. Cabe aos monárquicos, dentro das instituições existentes do sistema, estar a favor da mudança e do futuro do país, usando a liberdade que esta república, apesar de tudo, proporciona."

Não é porque se mude o regime, não é apenas porque passemos a ter um Rei como Chefe de Estado, que a situação do país vai melhorar automaticamente. É preciso ter cuidado com esta crença apocalíptica (no sentido de revelação) no progresso automático do país com a mudança de regime. A gestão de expectativas assume-se como uma vertente que os monárquicos necessitam de cuidar, para que não aconteça um fenómeno semelhante ao que aconteceu aos republicanos de 1910, ou seja, para que a teoria e os ideais não sejam, depois, completamente contrariados pela realidade e pela prática. Prometer uma melhoria automática das condições de vida e do desenvolvimento do país, fundada numa crença quanto à mudança de regime é uma utopia. Não acontecerá, e não é justo colocar sobre o futuro Rei esse peso, mas no fim deste texto deixarei mais alguns considerandos sobre isto.

Em segundo lugar, mais uma vez, João Távora assinala o longo trabalho que há a fazer, em termos de comunicação, particularmente pertinente no que concerne a misturar a religião Católica com o regime monárquico, um perigo que urge minorar: "Mas ainda há outro perigo: os monárquicos para quem a Causa não faz sentido sem uma colagem a uma ideologia política, normalmente ultraconservadora e que mistura outras vertentes como a religião e valores existenciais. Isso reduziria o sonho a um nicho de patuscos. São planos que urge separar!"

Já muitas vezes o tenho escrito ou dito mas nunca é demais salientar este ponto. Não é possível nem desejável misturar a religião e a Igreja Católica com a Chefia de Estado monárquica. Ainda que para alguns seja o que faça mais sentido, de um ponto de vista realista, independentemente das crenças de cada um - para mim, as crenças religiosas dizem respeito a cada indivíduo e a mais ninguém, sendo cada um livre de professar o credo que bem entende, mas não de o impôr aos outros por meio do monopólio da força legítima, ou seja, do controlo do aparelho estatal -, não é possível forçar esta combinação. Deitaria tudo por terra ao despertar um forte espírito anti-clerical em muitos sectores da sociedade portuguesa, daí surgindo fraquezas que os anti-monárquicos não hesitariam em explorar propagandísticamente, reeditando aquilo que fizeram no início do séc. XX. Ademais, vendo a questão por outro prisma, duvido que a própria Igreja Católica o deseje. Importa unir os portugueses e se já é difícil fazê-lo em matéria de crenças políticas, muito mais o é no campo das crenças religiosas. Há que haver um sentido prático e eficaz do que deve ser o futuro do país.

Por último, é quanto ao futuro do país que importa tecer algumas considerações. Como referi inicialmente, não é sobre os ombros do futuro Rei que deve repousar este peso, pelo menos na sua totalidade. É a toda a sociedade portuguesa. Tal como SAR D. Duarte no passado, o herdeiro ao trono já está a ser preparado para o assumir, e somos todos nós, portugueses, que temos de pensar no que queremos para o futuro do país. Isto passa, desde logo, por retirar peso ao propalado intuito de remover da Constituição da República Portuguesa (CRP) o limite material à sua revisão constituído pela alínea b) do Art.º 288.º, i.e., a forma de governo republicana. É que, o haver um Presidente da República, não implica necessariamente que haja uma forma republicana de governo, pois que república vem de res publica, que significa coisa ou causa pública. Esta foi teorizada desde os gregos e romanos, como ética a presidir aos actos da governação em qualquer regime. E essa ética, que tem no seu centro a representação dos desígnios do povo e a preocupação com a eficaz e transparente gestão da coisa pública, urge restaurar. Portanto, esta torna-se uma falsa questão, se tivermos em apreço o que recentemente referiu o Professor José Adelino Maltez no seu Facebook: "Ao contrário do que proclamam os monárquicos institucionalizados, sou capaz de demonstrar, pela hermenêutica simples de um aluno de direito constitucional, que a tal alínea b) do 288º não impede a chefia de Estado de caber a rei, que, de acordo com as leis fundamentais, desde 1385, está obrigado a "forma republicana de governo", dado que, no não-absolutismo, o rei reina, o povo é que governa."

Ademais, com a mudança de regime, teria que ser elaborada uma nova constituição. Para muitos, como é o meu caso, a actual CRP tem um cariz demasiado programático e falhas quanto ao desenho do aparelho estatal. Na tradição do constitucionalismo liberal, relembrando, como Sir Karl Popper, que em democracia o que importa não é saber quem manda, mas sim como limitar o poder de quem manda, torna-se urgente centrar o debate na discussão do papel do Estado, do desenho constitucional e das implicações deste, com um sentido prático e realista quanto ao futuro do país.

Iconografia republicana

As cores da Segunda República Portuguesa (1926-1974). 
TEIXEIRA, Luiz - Perfil de Salazar:  Elementos para la Historia de Su Vida y Su Tiempo. Escelicer: Cádiz / Madrid, s.d. [1939 ou 1940 ?]. Imagem retirada daqui.

Pela primeira vez desde 1910!




No âmbito do V Centenário da chegada dos portugueses ao Sião, está de visita a Bangkok - de 9 a 14 de Outubro -, o navio escola Sagres. Em cem anos de república, é a primeira vez que um navio da Armada sulca as águas do Chao Praya. Anteriormente a 1910, o jack da Armada Real era frequentemente visto diante do Wat Arun e do Grand Palace. Outros tempos, outra consciência da posição de Portugal no mundo.

Cronologia da república - 2ªedição - 10 de Outubro

  • 1910


46 padres presos no Limoeiro

82 padres presos em Caxias

233 freiras presas no Arsenal da Marinha

Destruição dos jornais “Liberal” e “Portugal” de Lisboa




Fontes

sábado, 9 de outubro de 2010

Uma proposta solidária



"Vaquinha" em prol de Ricardo Rodrigues e colegas, a ser preparada pelo Aventar, AQUI!

Para já, o Centenário da República propõe um cabaz de emergência:
Um pernil Pata Negra, uma caixa de Moet et Chandon, trinta frascos de caviar beluga, uma caixa com 20 embalagens de trufas em conserva, duas caixas de Cartuxa, bombons da Chouchoute Chocolaterie (para a hora da telenovela), 40 Kg. de carne congelada da Patagonia Meats, 10 Kg. de sushi congelado da Banzai Sushi Co., um sortido de Porto, Armagnac e whisky da Vintage Wines Co., uma caixa de queijos da Moose House (produzidos com o leite das vaquinhas Gullan, Haelga e Juna, do Reino da Suécia), 20 Kg. de camarão graúdo do Canal de Moçambique.

Sugerimos donativos para a elaboração de um contrato válido por cinco anos, a celebrar com Felipa Vacondeus, com o fim de prestar serviço permanente na cozinha do sr. deputado, seguindo fielmente as premissas da saudosa série "Cozinho para o Povo".

Aceitam-se mais sugestões.

Cronologia da república - 2ªedição - 9 de Outubro

  • 1910


É fechado o jornal “Echos do Liz” de Leiria

É fechado o jornal “União” de Santarém

  • 1911

É fechado o jornal “Popular” de Lisboa

  • 1915

Conflitos em Amora entre operários e a polícia

  • 1920

Milhares de operários ficam desempregados





Fontes

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dedicado ao PCP e BE

Lá se foram os discursos do 6 de Outubro, púlpito da Assembleia abaixo. Depois da saga Ceausescu pai, mãe e filho, depois do sr. Tito e da Dª Jovanka, depois dos Castros, da corte de Brezhnev e da filhota Galina - grandes pândegas no Kremlin, com vodka, champanhe francês, caviar e... oficiais, ciganos, artistas de circo - do grande beduíno Kadhafy - por cá tão elogiado e visitado -, da família el-Assad, os Santos de cá de lá, etc, etc, etc, aqui temos mais um exemplo:
Kim I (Il Sung)
Kim II (Jong Il)
Kim III (Jong Un)
Conhecem-se também umas sucessões da praxe, embora republicanamente mais disfarçadas e que vão de palácios para Câmaras Municipais, de palácios para empresas públicas (sem concurso de admissão), de palácios para bancos, fundações, e outro tipo de coutos que definitivamente, não são nem reguengos e muito menos ainda, d'El-Rei. O PCP e o Bloco de Sushi Moet et Chandon-Caviar y Esquerda, estão de parabéns.

Centenário da República: os ladrões à solta!



Veja onde o seu dinheiro é esbanjado, ou melhor, roubado. Festas, brindes e outras habilidades do estilo. Só em mobiliário de luxo para o Banco de Portugal, lá se foram 224.000 Euros. Que tal?

Loucuras louçãs



O caudilho Sr. Louçã, dizia há uns dias na SIC, sentir-se "preocupado" por existirem tantos monárquicos a participar cívica e política. Qual é a surpresa? Como se tal coisa fosse uma novidade! Se o próprio Parlamento tem dúzias deles...

Que direito tem o caudilho Sr. Louçã de contestar a participação cívica de alguém? Perante um embaraçado Carlos Alberto Amorim, anteontem a Sra. Dª Joana Amaral Dias exigia saber se o lider do PSD é monárquico. Porquê? O que tem a senhora com isso? É proibido? Pois bem pode recorrer aos queridos métodos da cartilha e dizer ao seu chefe, o caudilho Sr. Louçã, para espiolhar o seu próprio partido, porque quanto aos maiores da oposição e ao do próprio governo, estamos seguros, tranquilos e bem falados.

Antes mesmo do caudilho Sr. Louçã ir à televisão dizer seja o que for decidido pelo "comité da esquerda sushi", já os talassas estarão informados por várias vias. Embora até hoje nada de importante houvesse para precaver - o BE é um partido de grandes rezas e poucos punhos -, desses transpirares pode o caudilho Sr.Louçã ter a certeza. Absoluta, como republicanamente prefere.

Há solidariedades que se sobrepõem a qualquer partido. Ou não sabia disso?

Cronologia da república - 2ªedição - 8 de Outubro

  • 1910


Prisão aleatória de padres a mando de Afonso Costa

Basílio Teles é a favor da instauração de uma ditadura revolucionária

  • 1911

Convocação urgente do congresso, devido a todos os actos conspirativos pelo país

O ministro da guerra é demitido por não ter mobilizado o exército para combater as incursões monárquicas do norte

O ministro da guerra e apoiante de Brito Camacho, Alberto Carlos da Silveira alia-se à Jovem Turquia

  • 1912

Conflito entre populares e a GNR em Silves que resulta 2 civis gravemente feridos

  • 1916

Distúrbios no Porto





Fontes

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A todos os marimbistas que me lêem

Caros marimbistas:

Vós que representais mais de metade da população Portuguesa, convido-vos a sairem do vosso comodismo e a terem uma atitude cívica, porque é de vós que depende o futuro de Portugal.
   Tal como vossas exelências, eu também estou preocupado com a minha vidinha. Pudera! Estou a acabar o curso universitário e tenho uma data de projectos para realizar.
Mas ao contrário dos senhores marqueses, eu não fico encostado à parede a ver o eléctrico passar e vou atrás dele.
    Estou desiludido com vossas senhorias. Pensava eu, que no dia 5 de Outubro de 2010, me davam a alegria de ter notícias da vossa presença, de conhecer a vossa opinião, ler coisas diferentes nos jornais que falassem numa mudança de atitude perante uma efemeridade tão marcante. (Da pior forma, claro!)
   Mas não! Como nada se passasse. Li o mesmo de sempre, sempre as mesmas palavras e a falta de atitude. Tudo na mesma. Mesmo que o IVA suba, o poder de compra desça e a roubalheira continue, está tudo bem.
   Desde que haja futebol, novelas, subsídios e cerveja é o que importa. Quem quer saber do Sócrates ou do facto que a exposição organizada por esta plataforma não tenha saído nos jornais? Ninguém! E a resignação continua.
   Sim, dão a desculpa que está tudo mal, que há horários a cumprir, que há contas a pagar, que há trabalho a fazer. Só desculpas para não participar no colectivo. Mesmo que não percebam que ao preocupar-nos com os outros, preocupamo-nos connosco.
   José Sócrates e Cavaco Silva pedem coesão, pedem coragem, pedem sacrificios.
Já que pedem, penso que no dia 5 de Outubro de 2010 poderiam ter-lhes dito para gastarem menos.
Mas não! Reduziram-se ao vosso medo e egoísmo. Pela preguiça do acharem que isso é para os outros.     Mesmo que custe pouco.
    Para terminar, acho que o problema deste país é não haver opiniões. Não me assusta haver monárquicos, republicanos, fascistas, comunistas, socialistas, democratas. Assusta-me é existirem gente como os senhores que só aparecem para críticar e exigir.

Políticos são dos que perdem mais dinheiro, diz Deputado do PS @ TSF 2010



Num país avançadíssimo, regido pela ética republicana, a classe política dedica-se de alma e desinteressado coração à causa pública.

Alguém se Candidata a ser Parlamentar na Suécia???



Assim vivem os politicos num país atrasado* que desconhece a existência da "ética republicana.

* Na opinião do "Douto Historiador" Fernando Rosas

5 de Outubro: o Brasil esteve em Guimarães



Cronologia da república - 2ªedição - 7 de Outubro

  • 1910


Reposta em vigor, a legislação de Mouzinho da Silveira que extinguia as ordens religiosas

  • 1911

Incursão monárquica de Paiva Couceiro

Monárquicos são espancados em Lisboa

Prisão de monárquicos

  • 1920

Greve de motoristas em Lisboa

  • 1922

Assalto ao jornal “Palavra” de Lisboa

Assalto ao jornal “Correio da Manhã” de Lisboa





Fontes

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Centenário da República: 5 de Outubro em S. Miguel de Seide



5 de Outubro de 2010: o portão da Casa-Museu de Camilo, em S. Miguel de Seide

As comemorações da República

Do JN de hoje, 6 de Outubro, sobre as comemorações do tal Centenário:
Em Lisboa: discurso do PR e do nosso 1ª perante «uma praça com muitas individualidades convidadas, algum povo e dezenas de bigodes de "bigodes da res publica» (figurantes).
No Porto: «As vantagens do regime em foco no eléctrico 100» (que percorreu a marginal)
Em Santa Maria da Feira: «Mais figurantes que assistência em recriação» (histórica).

Alimentar a ignorância


Os media perguntavam durante a semana se a população ficou mais conhecedora e informada sobre a República. Perante algumas respostas que tenho lido e visto, pouca gente sabe o que é a República, o que foi e como este regime foi implantado. Ainda bem, devem dizer eles. Quantos menos souberem melhor. Menos questionam, mais agressivos ficam, mais imbecis se tornam. Mais obedientes são. O sucesso da "instrução" e o desenvolvimento promovidos desde a I República estão à vista. Quando se pergunta a um "republicano"sobre as virtudes deste regime logo se ouve: Porque Sim. Porque somos todos iguais, porque o posso mandar de lá para fora ao fim de 5 anos. Porque é o regresso ao passado. Nada sobre a "Arquitectura funcional" do Estado que é a principal razão da nossa decadência e degradação!
São os argumentos da simplicidade simplória, sem formulação crítica, sem visão colectiva ou noção da estrutura histórica. São lampejos da propaganda. Senão, como seria possível ter visto numa reportagem uns cidadãos republicanos – emanados desse profundo espírito da "liberdade, igualdade e fraternidade" – berrarem em público: morte ao Rei?

Pacheco Pereira dixit

"É verdade que houve de 1910 a 1926 instabilidade, violência política, guerra civil, intolerância, repressão, manipulação eleitoral, actuação anti-operária e anti-sindical, censura..."


A República também forma imbecís

Um imbecil, com as costas bem largas pela quantidade de seguranças do evento, começou a chamar ladrões aos monárquicos e disse que tinha orgulho de ser da "piolheira" – "como chamava D. Carlos ao povo"... Ora, sabe-se que não foi D. Carlos que chamou de "piolheira" nem os monárquicos foram ladrões da liberdade de imprensa, dos direitos de cidadania, do direito às greves, direito de voto, nem foram os monárquicos os responsáveis pela guerra civil, terrorismo, ditaduras e agora, passados cem anos, não são os monárquicos os responsáveis pela falta da liberdade do manifesto. É esta a ética republicana. Esta foi uma boa imagem das comemorações da república. "Seguranças" a impedir a colocação de máscaras (não eram armas, eram máscaras de papel) e entre outros insultos um assumido "piolhoso" a insurgir-se contra uma manifestação de cidadãos livres. Cóça-te república.