segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Um matinal burburinho de caserna
domingo, 30 de janeiro de 2011
Cronologia da república - 2ªedição - 30 de Janeiro
- 1912
O governo declara o estado de sítio e entrega Lisboa ao comando militar
Ataques a sindicatos pela G.N.R em Évora
Greve geral com incidentes
Estabelecido o regime de censura à imprensa
O governo com a desculpa de perseguir bombistas manda prender 700 pessoas, contando-se monárquicos e sindicalistas
O governo fecha a casa sindical
- 1916
Multiplicam-se os assaltos a mercearias pela província
Greve dos trabalhadores rurais na Golegã
- 1922
Façe aos 35% que os monárquicos conseguem nas legislativas, tendo em conta a existência de irregularidades, Cunha Leal demite-se
A justificação de Cunha Leal era da existência de um conflito diplomático com a Inglaterra por não reconhecer o dia 31 de Janeiro como feriado
Fontes
sábado, 29 de janeiro de 2011
Porto, Terça-feira 1 de Fevereiro 19hs

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Um povo sem memória é um povo sem futuro
Na próxima 3ª feira dia 1 de Fevereiro pelas 19h00, na Igreja de Nossa Senhora da Encarnação ao Chiado, será celebrada missa em memória do Rei Dom Carlos e do Príncipe Real Dom Luís Filipe homenageando-se o seu sacrifício ao serviço da Pátria há 103 anos. A Real Associação de Lisboa apela à presença de todos neste tributo que contará com a presença da família Real.
Não faltem!
Cronologia da república - 2ªedição - 28 de Janeiro
É fechado o jornal "O futuro da beira" de Castelo-Branco
Em solidariedade com as greves dos rurais alentejanos, a União dos Sindicatos Operários promove em Lisboa greve geral
Augusto Vasconcelos, em carta dirigida a João Chagas, diz que a greve foi boa para tirar 700 bombas à carbonária
Fontes
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Tinta no dedo!
Não pergunto por perguntar, pergunto porque já se percebeu que a abstenção é grande inimiga da situação, do regime que insiste em legitimar-se através do voto. Porém, na guerra dos números, chegam-nos notícias dos cadernos eleitorais, imaginem que ainda por lá sobrevivem um milhão e duzentos e cinquenta mil mortos, incluindo emigrantes… neste mundo! Sabemos também que houve problemas com os cartões de eleitor, tudo somado, quem nos garante que o resto dos cadernos eleitorais está certo? Quem nos garante que estas (e outras) eleições são válidas?
Ninguém.
1º de Fevereiro de 2011: uma necessária homenagem a Dª Amélia de Orleães

Aquela tarde de 1 de Fevereiro de 1908, para sempre confirmaria a grandeza de Dª. Amélia de Orleães. Não lhe podendo ser negada a iniciativa por numerosas obras de benemerência, algumas das quais pioneiras em Portugal, a rainha ofereceu a um país atónito, uma prova de fibra e de abnegação. Protegendo a vida dos seus, foi o único e firme braço que faltou ao governo, à policia e a uma população que fugiu em debandada, atemorizada pela arrogante investida subversiva que violentamente derrubaria o Trono, a Constituição e um Estado de Direito que se normalizara após um conturbado início do século XIX. Foi a rainha da legalidade e da destemida coragem que enfrentou o comprometido silêncio de muitos e as rancorosas e mortíferas maquinações de alguns. Quem durante anos ofendeu e procurou denegrir a sua estatura de mulher honesta e o inatacável serviço prestado como rainha cuidadosamente preparada para o difícil serviço, pôde sempre contar com o majestático silêncio e mais tarde, longe de um Portugal que jamais esqueceu, com o seu perdão. Este é um exemplo para os que hoje - muito mais poderosos do que Dª Amélia alguma vez foi - de nada e de ninguém se esquecem, com o único fito de não quererem relevar. Não querem porque não podem, dada a natureza de um sistema que como o caruncho, tudo vai corroendo sem olhar a reputações de sujeitos singulares, ou ao geral interesse pela tranquilidade que o progresso exige.
Caíram o marido e o filho, mas as porfiadas e desafiadoras homenagens que ano após ano e durante um século inteiro o povo jamais deixou de prestar aos monarcas, tornam a rainha num vulto maior e merecedor do mesmo tributo. A vingança da rainha é esta que não fere ou mata. É a vingança da memória que de políticos e celebridades facilmente se olvida, enquanto para sempre ficará uma obra, ou a simples e imponente presença imortalizada em antigas fotografias que ainda hoje testemunham o tempo dos nossos bisavós, afinal bem próximo.
Que este 1º de Fevereiro de 2011, inclua Dª Amélia na recordação daqueles que heroicamente tombaram sem culpas e indefesos diante bem organizada conjura que condenaria os portugueses a mais de oitenta anos de esbulho, opressão e atraso. Portugal tem na rainha Dª Amélia, um exemplo de serviço que a coloca entre os grandes da nossa História.
Mais do que muitos nados e com seculares raízes nesta terra, a rainha bem mereceu a nacionalidade portuguesa.
A Real Associação de Lisboa apela à comparência popular no acto de reparação do 1º de Fevereiro de 2011, a realizar-se na Igreja da Encarnação pelas 19.00H, em Lisboa (Chiado). Estará presente a Família Real.
Cronologia da república - 2ªedição - 27 de Janeiro
- 1912
Duelo entre os deputados Álvaro Pope e Camilio Rodrigues
- 1918
O general Tamagnini de Abreu, comandante do CEP no teatro de operações, pede a suspensão das suas funções e regressa a Lisboa
- 1919
Combates em Águeda, entre Monárquicos e repúblicanos
- 1923
É fechado o jornal "A Voz Republicana" de Viana do Castelo
Fontes
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Sair do quadrado
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
António Barreto enterra a 3ª República
Voto obrigatório: a sopa dos pobres

Alguns dos mais conhecidos e televisivos alcoviteiros do sistema, decidiram-se pela sugestão do voto obrigatório. Esmagada a instituição que consegue eleger um "presidente" por 23% dos eleitores inscritos, eis a solução drástica para disfarçar a viva repulsa que os "casos", "processos" e más políticas provocam.
De forma aparatosa, também caiu mais um mito republicano, precisamente aquele que aponta a absoluta igualdade na cidadania. Um candidato extra-partidário, o Sr. Coelho, não gozou dos mesmos direitos - e muito menos ainda dos privilégios - de qualquer um dos outros concorrentes à administração dos 16 milhões €/anuais, das dúzias de assessores e do exercício do beneplácito presidencial que providencia o bem estar a muitos. Nem um só debate televisivo - apressadamente antecipados para impedir o "intruso" de neles participar -, nem um simulacro de igualdade de tratamento , enquanto outros, precisamente aqueles detentores das chaves de cofres bem fornidos do pecúlio indispensável aos afazeres de campanha, tiveram a cobertura que desejavam. Ironicamente, com os seus pouco mais de 3.000€ gastos em campanha, o Sr. Coelho obteve um bom resultado, confirmando todas as conversas de café, de fila de supermercado e de hora do barbeiro da esquina. O que o madeirense disse, nada mais foi senão o que a rua abertamente discute há anos, daí a não-surpresa que os quase 5% de votos representaram. É de pasmar não ter obtido um ainda mais expressivo score eleitoral.
No rescaldo da "grande vitória" do "grande homem providencial" e "salvador da Pátria", um discurso inacreditável, num desnecessário ajuste de contas post-mortem. Pelos vistos, o embaixador norte-americano tinha razão quanto às "vinganças" que o Wikileaks divulgou. Longe vão os tempos em que D. Carlos I e Dª Amélia riam a bandeiras despregadas, com as caricaturas que Bordallo desenhava e que tinham como alvo frequente, o trono onde o régio casal se sentava.
Bem vistas as coisas como realmente se passaram, existiu um plebiscito oculto à 4ª República, aquela que alguns querem ver como presidencial. 52,94% de 46% é pouco, para não dizermos mais. Portugal teve a experiência sidonista que terminou como se sabe. Este "novo Sidónio" sem pingalim e a cavalo num Mercedes, terá apenas algo em comum com o original: a evocação da sopa dos pobres.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
A comissão e as festas
A república em plebiscito
Cronologia da república - 2ªedição - 24 de Janeiro
- 1912
Confrontos em Évora, entre trabalhadores rurais e a G.N.R, resultando num morto e seis feridos
- 1914
Protestos em Lisboa contra o governo
Os trabalhos parlamentares são adiados derivado à discórdia reinante
Para tentar por fim ao conflito governamental, Manuel de Arriaga avança com um conjunto de propostas para os principais partidos. Têm a oposição de Afonso Costa
João Chagas pensa que para haver ordem, não pode haver debate de ideias pela impossibilidade de diálogo
- 1915
O governo pede a demissão por Manuel de Arriaga recusar um decreto que suspendia as garantias individuais
Fontes
domingo, 23 de janeiro de 2011
Cavaco reeleito por 25% dos eleitores...
São estes 59,57% de desdenhosos do sistema, os brilhantes resultados obtidos pela centenária. Há quem teça loas ao "grande sucesso" e como sempre, aí estão as desculpas para uma derrota que é clara e que a todos os candidatos partidários atinge. O "novo cartão de eleitor", os "problemas do recenseamento" - como se fosse a primeira vez que Portugal vai às urnas -, o "frio glacial", o "sol de inverno", a "irresponsável preguiça" e outras casualidades mais, aparecem como a trilha de atalho para um estrondoso fracasso. Agora, bradam contra aquilo que dizem ser uma "trafulhice organizada pelo governo, CNE e capangas a soldo"! Uma campanha miserável feito por e para gente de discutível dimensão, para um país caído no mais profundo descontentamento que desta forma ignorou todos os apelos. Esta derrota do Esquema é tão mais visível, quando se avizinha um futuro próximo cheio de incertezas e eivado de perigos. Portugal muito bem fez em ignorar os apelos dos seus cangalheiros, sejam eles nulidades vociferantes ou semi-mudos situacionistas por conta própria. O "grande homem, previdente e consciencioso salvador da Pátria", é "reeleito" por 25% do eleitorado. É esta, a representatividade republicana.
Ninguém, a não ser os monárquicos, fez ouvir a sua voz em constantes apelos à não participação. Mesmo assim, muitos de nós houve que se decidiram pela ficção da participação cívica, sendo nítida e perfeitamente escusada, a sua presença nas três primeiras candidaturas.
Muitos conseguiram aquilo que se pretendia, lançando um pacífico aviso aos que querem e mandam. Há cem anos, os precursores dos vencidos de hoje, utilizavam outro tipo de métodos, condenando uma instituição à indelével mácula original. Hoje, a nódoa vê-se como nunca.
Não haverá 4ª República presidencialista. O sistema habilmente armadilhado, prosseguirá o seu caminho para a total insignificância. De facto, quem venceu fomos nós. Os da campanha pelo basta!
A avalanche de ingressos nas Reais Associações, significa algo que há muito aqui avisámos.
Cronologia da república - 2ªedição - 23 de Janeiro
- 1914
Manuel de Arriaga sugere o afastamento de Afonso Costa
- 1919
Tentativa de restauração monárquica em Lisboa
O governo tenta pressuadir todos os militares do CEP a defenderem a república
As insubordinações monárquicas em Bragança e em Viseu são reprimidas pelo exército
Fontes
sábado, 22 de janeiro de 2011
Tanto chinfim para nada
A conta

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Cronologia da república - 2ªedição - 21 de Janeiro
- 1911
Homem Cristo, director do jornal "Povo de Aveiro", exila-se em Vigo após o jornal ter sido encerrado
O governo determina que a capela da Universidade de Coimbra seja transformada num museu.
- 1913
Greve geral de funcionários ligados às actividades marítimas
- 1914
O senado aprova uma moção de desconfiança ao governo de Afonso Costa
Anúncio de várias greves em solidariedade com os trabalhadores da CP
A greve dos comboios gera uma onda de contestação
- 1915
O "Movimento das Espadas", protesto pela demissão do Major João Craveiro Lopes, conta com a participação de Machado Santos. Pretendiam entregar as espadas a Manuel de Arriaga. Resulta na prisão dos participantes.
- 1918
É fechado o jornal "A Resistência" de Castelo-Branco
- 1919
A monarquia é proclamada em Espinho
Governo nº19 da república, presidido por Domingos Pereira. (47 dias) Gabinete composto por quatro democráticos, quatro liberais e um socialista. Agrava-se a crise das subsistências com protestos contra a requisição de alimentos
- 1920
É decretado o estado de calamidade no Porto com o encerramento de redes sindicais e a efectuação de várias prisões.
- 1922
Greve na Carris
- 1926
É fechado o jornal "A opinião" de Setúbal
Fontes
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Antes pelo Contrário!

Daniel Oliveira, o timoneiro do Arrastão, anda a ler a "imprensa blogosférica" monárquica. No Expresso desfia o despesismo republicano e ainda indica que o actual presidente aumentou em 31 milhões, os gastos de Belém em 31%.
Por regra geralmente aceite, quando falam dos candidatos oficialistas dos partidos, declaram-nos como saídos da vontade das oligarquias financeiras e caciquistas. Quando falam dos candidatos/presidentes a eleger a Belém, colocam-lhes o rótulo de parciais, facciosos e servidores de Partido. Quando é eleito um cacique-chefe que não corresponde ao grupo de interesse, desde logo o acusam de incompetência, desleixo e contemporização oportunista com erros governativos. Quando entram em campanha, os argumentos republicanos baseiam-se no insulto pessoal, no boato acerca de "garantias de carácter" - aqui sim, no luso sentido do termo -, nas contas bancárias, títulos de propriedade, amigos semi-presidiários a prazo, etc. Assim sucessivamente, o tom vai subindo entre todas as candidaturas e o povo vai tendo a exacta percepção de quem ignominiosamente tem ocupado o trono deixado vazio por D. Manuel II.
Não precisamos de pesquisar muito, para concluirmos que seguem rigorosamente a cartilha do defunto PRP. Desta vez, contra eles próprios.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Os presidenciáveis
Cronologia da república - 2ªedição - 19 de Janeiro
- 1911
Greve dos estudantes do liceu Passos Manuel de Lisboa
- 1914
Os ministros do governo de Afonso Costa deixam de comparecer no senado
- 1915
Rumores de um golpe de estado militar
- 1919
Restauração da monarquia no norte do país
Governo nº14 da república de José Relvas. Um gabinete constituido por todas as facções repúblicanas para combater os monárquicos, devido à restauração da monarquia no norte. (62 dias)
- 1926
Greve académica a nível nacional
Fontes
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
A caravana ladra e os cães passam

Notícias"achistas" e republicanas
2. O julgamento do sr. Oliveira Costa foi adiado para DEPOIS das presidenciais? Você "acha" que isto não cheira a esturro e mesmo assim, deve ir votar?
3. O nosso putativo correligionário Fernando Nobre, "acha" que Cavaco destruiu o sector produtivo do país. Você também "acha", ou tem a certeza absoluta?
4. Francisco Lopes "acha" que Cavaco "acha" que Portugal é uma "área sua para vender a patacos". Você "acha o mesmo e também faz o favor de estender o "achismo" à política que o PC seguiu em 1974/75?
5. Você "acha" normal que estando o país neste estado, o presidente e o governo andem em guerras e coloquem as Forças Armadas na humilhante posição de alvo para exercícios de fogo real? "Acha" que um dia destes algo sucederá?
A república ISCSP no seu melhor
Vasco Pulido Valente quer mudar o regime: NÓS TAMBÉM!
"Dez milhões de portugueses foram vítimas de uma fraude, que os fará passar anos de miséria.Toda a gente acusa deste crime, único na nossa história recente, entidades sem rosto como os “mercados”, a “especulação” ou meia dúzia de agências de rating, que por motivos misteriosos resolveram embirrar com um pequeno país bem comportado e completamente inócuo. Mas ninguém acusa os verdadeiros responsáveis, que continuam por aí a perorar, como se não tivessem nada a ver com o caso e até se juntam, quando calha, ao coro de lamúrias. Parece que não há um único político nesta terra responsável pelo défice, pela dívida e pela geral megalomania dos nossos compromissos. O Estado foi sempre administrado com bom senso e parcimónia. Tudo nos caiu do céu. Certos pensadores profissionais acham mesmo que o próprio regime que engendrou a presente tragédia é praticamente perfeito e que não se deve mexer na Constituição em que assenta. Isto espanta, porque a reacção tradicional costumava a ser a de corrigir as regras a que o desastre era atribuível. Basta conhecer a história de França, de Espanha ou mesmo de Portugal para verificar que várias Monarquias, como várias Repúblicas, desapareceram exactamente pela espécie de irresponsabilidade (eprodigalidade) que o Estado do “25 de Abril” demonstrou com abundância e zelo desde, pelo menos, 1990. A oligarquia partidária e a oligarquia de “negócios” que geriram, em comum, a administração central e as centenas de sobas sem cabeça ou vergonha da administração local, não nasceram por acaso. Nasceram da fraqueza do poder e da ausência de uma entidade fiscalizadora. Por outras palavras, nasceram de um Presidente quase irrelevante; de uma Assembleia em que os deputados não decidam ou votam livremente; de Governos, que no fundo nem o Presidente nem a Assembleia controlam; de câmaras que funcionam como verdadeiros feudos; de uma lei eleitoral que dissolve a identidade e a independência dos candidatos. Vivendo a nossa vida pública como vivemos, quem não perceberá a caracterizada loucura das despesas (que manifestamente excede o tolerável), a corrupção (que se tornou universal), os funcionários sem utilidade, o puro desperdício e, no fim, como de costume, a crise financeira? A moral da coisa é muito simples: só se resolve a crise mudando de regime."
Nota do Centenário da República: bem vistas as coisas, é precisamente aquilo que os sectores monárquicos têm proposto até à exaustão: novo Parlamento, novo sistema eleitoral, redesenhar do mapa autárquico, independência da chefia do Estado.
Cronologia da república - 2ªedição - 18 de Janeiro
- 1911
Greve de trabalhadores rurais no concelho de fronteira
Devido aos protestos dos trabalhadores, uma fábrica de laníficios em Alenquer é encerrada
- 1916
Greve dos alunos do Instituto Superior Técnico em Lisboa
A federação académica incentiva a greve geral de todas as universidades
- 1917
É fechado o jornal "A Gazeta de Viana"
- 1921
Greve dos tipógrafos
Protestos do operariado em Almada por falta de pão
Fontes
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
As touradas da república.
Por sua parte [o povo português], acha-se no seio da civilização que o explora como o touro em tarde de corrida no meio do redondel. É puro, bravo, boiante e claro. Está aí para o que quiser dele o capinha, o bandarilheiro e o espada. Acenam-lhe com o trapo encarnado e ele arrancará sempre com lealdade e braveza, entrando pelo seu terreno, acudindo ao engano e indo ao castigo de todas as vezes que o citem para atacar, para escornar, para estripar e afinal para morrer, o que tudo para ele é unicamente marrar. § Como o boi puro, o povo não se desilude nunca, nunca se desengana na lide.
Ramalho Ortigão - «Farpas na República». verbo: 1910, pp. 33-34.
Os boatos e clichés são como cancros que quando se metastizam contaminam toda a sociedade, levando as células a considerar mau o que antes era bom, e vice-versa. Uma afirmação, por falsa que seja, proferida com certeza por um interlocutor carismático, pode espalhar-se como o fogo numa seara. Numa época em que a Imprensa, como nunca, foi utilizada para destruir um regime, a maledicência tornou-se numa arma manejada por qualquer um que soubesse ler e escrever, desde políticos a simples ressabiados. Um dos exemplos mais flagrantes foi o da piolheira, expressão que Bordalo Pinheiro colocou na boca de D. Carlos com o intuito muito claro de acelerar a destruição da reputação do monarca entre os súbditos. E quem não sabia escrever, desenhava, criando o grotesco (veja-se o Zé Povinho) como forma de crítica social. E assim se procedeu à catequização republicana que começou muito antes de 1910.
Um dos clichés mais frequentes ainda hoje persiste é associar monarquia a marialvismo. Nesse aspecto, seja permitida a crítica, o próprio lado monárquico, pouco tem feito para erradicar ou amenizar a ideia de uma aristocracia beata, frequentadora de festas e profundamente arreigada às touradas. Mas esta ideia das touradas reais, de que fala o fado "Lisboa Antiga", não acabou em 5-10-1910. Aliás, nem antes dessa data a frequência naqueles espectáculos era apanágio de monárquicos ou nobres. Todos, sem excepção, frequentavam as praças de touros de Norte a Sul do país. De resto, tais espaços foram cruciais para a evangelização do povo pelos políticos republicanos.
Em 1907, numa praça do Ribatejo, houve um enorme comício republicano, como documenta a Ilustração Portuguesa , e um ano antes, em Maio de 1906, Afonso Costa - que sabia dar à população o que ela queria -, apareceu no Campo Pequeno para ser ovacionado em frente à Família Real. Ele próprio era um apreciador daquele cruel "desporto". O novo regime, que para sobreviver devia decalcar muitos dos ritos da monarquia, instituiu as "touradas republicanas", onde no camarote, agora presidencial, os chefes de estado assistiam, para gáudio popular, a grandes e faustosas corridas. O próprio Sidónio Pais foi assíduo frequentador das touradas. António Cabral recorda-se de o ter visto em Maio de 1918 vindo da praça de Touros do Campo Pequeno (Memórias, volume IV, 1932, p 362). No ambiente de protesto, as corridas de touros ocorriam com a normalidade de sempre:
"Na capital, o povo delirava. Sidónio Paes, triumphador, era acclamado com louco entusiasmo. N'uma tarde de domingo, 12 de maio, os operarios da construção civil ajuntavam-se, em comicio, no parque de Eduardo VII, reclamando contra a falta de trabalho, ao mesmo tempo, na praça do Campo Pequeno, em festa de gala, corriam-se touros. Á saída do espectaculo, milhares de pessoas rodearam o carro do presidente, soltando vivas, dando palmas, saudando, n'um clamor de alegria, o homem, que poucos mezes depois, era abatido a tiro, como se fôra um animal perigoso!
Não era o único aficionado. Durante o Estado Novo, o toureio, como o galo de barcelos, ou a tricana de Coimbra, entre outros, tornaram-se símbolos inseparáveis da Nação e do regime. Era comum que Americo Tomaz presidisse a touradas e que Craveiro Lopes, acompanhado de sua mulher, assistissem a corridas de touros organizadas alegadamente por razões de beneficência.
Ainda hoje o regime tenta criar a ilusão de que se pode apoiar as touradas sem ferir susceptibilidades de quem as considera um acto de barbarismo. E aproveita-se de uns e outros, como sempre se aproveitou daquele espectáculo para veiculação dos novos ideais republicanos. No fundo, a República nunca deixou de tratar o cidadão como o touro que urge controlar com rodeios, segundo a genial narrativa e comparação de Ramalho Ortigão (ver acima) em Fevereiro de 1911. Mas se perguntar a um qualquer cidadão o que lhe lembra as touradas e os seus protagonistas, ele dirá, quase com certeza, que se trata de uma manifestação extemporânea de elites, ligadas ao "tempo dos reis e nobres". Engana-se. A prova disso é que as touradas ainda existem e Portugal já não é uma monarquia há 100 anos.
Olha a campanha de "todos os portugueses"
Notícias de outra república

Segundo a policia secreta, a "primeira-dama" tunisina, a griffeuse mulher do finalmente deposto presidente Ben Ali, fugiu do país com uma tonelada e meia de ouro, notícia "relativamente confirmada".
Existe outro país "relativamente confirmado" na Europa do sudoeste e possuidor de uma espantosa e também "relativamente confirmada" quantidade de lingotes de ouro. Até agora bem guardados fechados nos cofres do banco central, oxalá assim permaneçam por muitas e boas décadas, não vá uma qualquer "relativamente confirmada" republicana dama, ter dourados apetites. Nos tempos que correm, tudo pode acontecer.
Cronologia da república - 2ªedição - 17 de Janeiro
- 1916
Greve de estudantes universitários no Porto e em Coimbra
- 1918
É fechado o jornal "A resistência" de Coimbra
- 1919
É decretado o estado de sítio no distrito de Santarém, exercendo-se a devida repressão
- 1920
Teófilo Duarte, ex-governador de Cabo Verde, é preso por razões políticas
- 1921
É fechado o jornal "A Noite" de Lisboa
Greve dos trabalhadores dos jornais de Lisboa, com larga adesão
- 1924
Sessão em Lisboa contra a pena de morte em que são oradores Raul Brandão, Jaime Cortesão e Câmara Reis
Fontes
domingo, 16 de janeiro de 2011
Cronologia da república - 2ªedição - 16 de Janeiro
- 1919
É fechado o jornal " 5 de Dezembro" de Guimarães
- 1923
É fechado o jornal de Évora "O Alentejo"
Fontes
sábado, 15 de janeiro de 2011
Tu que sabes e eu que sei, cala-te que eu me calarei!
Oiço e leio todos os dias os opinadores encartados nas televisões constatarem que a campanha e os discursos não geram entusiasmo, divididos entre a demagogia dos candidatos que reclamam matérias fora do seus poderes, e os que se desculpam por não possuírem prerrogativas para intervir. O problema é que os analistas chegados a este ponto bloqueiam, não desenvolvem a partir daqui, quando seria lógico questionarem o regime. Porque tem um cargo simbólico como este de ser de sufrágio universal e directo? Porque não adoptar um modelo como o da Alemanha ou da Itália em que os elegem nos seus parlamentos? Porque não referendar a monarquia?
Mas recentrando-nos na questão principal: o que receiam os operadores da política (em que incluo os jornalistas) ao não debatem o modelo da Chefia de Estado e sua eleição? Será que receiam cuspir na mão que lhes dá de comer? É o medo da mudança?
O facto é que a monarquia constitucional e as duas primeiras repúblicas caíram de podres, não se adaptaram ou desenvolveram, com as trágicas consequências que conhecemos. Estamos fartos de saber o que não funciona... Até quando vamos continuar neste circo a fingir que tudo está bem
Cronologia da república - 2ªedição - 15 de Janeiro
- 1911
A carbonária e os Batalhões de Voluntários da República manifestam-se contra as greves
Parada dos Batalhões de Voluntários da República
- 1913
Greve dos funcionários dos comboios
- 1914
Greve dos funcionários dos comboios, com sabotagens
- 1917
Reunião dos representantes dos jornais de Lisboa com o ministro do Interior para definir critérios na censura à imprensa
- 1919
Greve nos caminhos de ferro
- 1920
Greve dos funcionários dos Telefones do Porto
Assalto ao crédito público onde estavam membros do governo
O governo nº16 da república de Fernandes Costa que durou 12 horas não pode tomar posse
O governo nº17 da república é presidido por Sá Cardoso numa tentativa de encontrar-se um consenso
Fontes
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Povo que lavas no esgoto
Cronologia da república - 2ªedição - 14 de Janeiro
- 1912
Os respectivos bispos e governandores de Coimbra e Viseu são proibidos de residir nos respectivos distritos. São confiscados os seus bens.
- 1913
O ministério do Interior ordena aos governandores cívis para controlar as publicações do seu distrito.
- 1914
Greve dos funcionários da CP
- 1919
Formação de um movimento monárquico militar
- 1920
Greve da indústria corticeira
- 1921
É fechado o jornal "A verdade" de Viseu
- 1922
É fechado o jornal "Ideia Nova" de Silves
Fontes





