quarta-feira, 7 de março de 2012
Petisqueiros
E hoje a quem serve?
Responde o historiador Rui Ramos: "Salazar teve sempre muito cuidado para que a Família Real não tivesse meios, de que nunca conseguisse ter autonomia financeira, pelo que não deixou que herdassem os bens de Dom Manuel", acentua. Em síntese: queria a realeza "dependente e vulnerável"
terça-feira, 6 de março de 2012
"Focke" Wulff

Por cá, sabemos como a geringonça se paga. Na forreta Alemanha, os passivos presidenciais não se ficam por ninharias, senão vejamos:
O recentemente deposto Sr. Christian Wulff, receberá uma pensão vitalícia de 199,000 € anuais, embora apenas tenha mourejado menos de dois anos no trabalho de Hércules de totalmente ignorado corta-fitas berlinense. Alguma vez ouviram falar no fulano? Claro que não.
Mesmo assim a sortuda esposa, catorze anos mais nova que o derrubado vígaro de águas paradas, em caso de morte ficará também a título vitalício com a pensão completa do defunto. Sendo já seis os presidentes passivos em sistema comensal - juntando-se a estes uma viúva alegra como convidada para o banqueta -, os alemães ainda pagam fundos para um gabinete com o staff de assessores, além de uma limusina com chauffeur. Tal qual como em Portugal, há assim que desculpá-los. Já bem longe vão os tempos em que o Kaiser tinha de permanecer no seu posto até ao momento de partir para o Walhala, não havendo desculpas para reformas e "bem-bons" logo aos cinquenta e dois anos.
Por cá estamos na mesma, as somas serão assim tão diversas, apesar de Portugal ser infinitamente menos rico e produtivo em comparação com a Alemanha. Ficamos contudo em vantagem, porque por agora apenas temos Cavaco Silva na actividade que se sabe, enquanto outros três antecessores vão mais ou menos se entretendo, bem provavelmente "à alemã".
quinta-feira, 1 de março de 2012
Escola para a submissão
Como educador de quatro crianças, encontro amiúde uma tão premente quanto velha questão com a qual fui de novo confrontado há dias ao ajudar a minha filha num trabalho de História do 6º ano sobre a Revolução Francesa: acontece que passam governos de direita e de esquerda, passam anos e décadas depois do PREC e nós conformados que se continue a ensinar às criancinhas a disciplina de História sob a óptica do Materialismo Histórico. Acontece que dá muito trabalho desmontar da cabeça duma criança a perspectiva do passado maniqueísta, repleta de juízos explícitos sobre uma Nobreza opressora, um Clero interesseiro, uma Burguesia gananciosa e o povo oprimido, vítima de tudo o mais. Ensina-se aos miúdos que a História da humanidade é um campo de batalha entre classes sociais (tornadas entidades corpóreas auto-conscientes), entre opressores e oprimidos, uma ascendente sucessão de acontecimentos, cujo desenlace é a vitória dos bons contra os maus, consubstanciada na modernidade dos dias de hoje.
Infelizmente ou felizmente a coisa não funciona assim e percebe-se que seja considerado perverso pelos pedagogos do regime revelar às criancinhas certas “fontes”, factos e pensamentos que denunciem a prevalência de um relativismo casuístico na História.
De facto como referia há umas semanas Filipe Paiva Cardoso, no jornal i custa a aceitar que o nosso país não tenha a força para reclamar o lugar de topo na história da civilização, quando, quase cento e cinquenta anos antes da Tomada da Bastilha, exibe num seu documento fundacional, a legitimação democrática de D. João IV, no assento das cortes de Lisboa em 1641, algo como “[...] sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins [vida, liberdade e felicidade], cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la” – e “Nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela [nação] não emane expressamente”.
De resto, quase duzentos anos depois de outorgada Carta Constitucional, nesta república modernaça e democrática por acaso hipotecada aos estrangeiros, alguém acredita que a igualdade do cidadão perante a lei já tenha passado das intenções à realidade? E sabiam V. exas que, ao contrário do que acontecia na Idade Média a que eles chamam “das Trevas”, hoje neste País é possível adquirir-se um relógio por 5.000.000 euros ou um Yacht por 500.000.000,00 de euros, enquanto uma família dos subúrbios de Lisboa vive com 500,00 euros por mês, e uma outra em África sobrevive com um por dia? Querem impingir uma linha condutora a isto tudo? Haja paciência!
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Encalhados num beco da História

António Ribeiro Ferreira com o amargurado cepticismo com que nos vem brindando nos seus editoriais do jornal i, hoje retoma en passant um assunto de vital importância para o nosso regime em acelerado estado de corrosão: a reforma do sistema político.
Porque no meu entender o parlamento é o órgão de soberania plural e democrático por excelência, onde salutarmente se deveriam confrontar as diversas facções representativas de interesses e ideias, é trágico concluirmos que a famosa reforma nunca irá para a frente pela simples razão de os aparelhos partidários, velhos, desgastados, corruptos, clientelares, fechados, máquinas de emprego público e de muita cacicagem, não quererem assinar a sua sentença de morte.
De resto desenganem-se os iludidos, que os restantes vértices do regime também são enfermos e não auguram nada de bom. Perante a borrasca que nos ameaça a todos, atente-se como se encontra comprometido o papel basilar da Chefia de Estado, não especialmente por causa da proverbial aselhice do actual inquilino de Belém, mas pela natureza fundacional do cargo. Se a sua legitimidade sufragada eleitoralmente, especialmente nesta conjuntura, impele à intervenção e confusão de narizes com o Executivo, a sua real falta de poderes denuncia a sua patética inutilidade. Compreende-se porquê os mais genuínos republicanos, vacinados pelo regime semipresidencialista que vigorava na monarquia constitucional, sempre dispensaram a figura do presidente, ou a tal “benigna ficção” como lhe chama Miguel Morgado.
Hoje como nunca, a crise brutal que mina transversalmente toda a sociedade civil, apela à autoridade de uma voz (ou silêncio), independente, que seja ao mesmo tempo, representante dele próprio e de todos os que o antecederam e do todo que somos como povo, resiliente realidade transgeracional com 900 anos de História. É trágico, mas o regime não oferece aquilo que nunca como hoje foi tão urgente: uma reserva moral a montante da espuma dos dias, figura independente e aglutinadora de motivação e esperança. Algo impossível a quem emergiu da guerrilha politica e da gestão dos clientelismos e ilusórias negociatas que conduziram o país ao presente abismo. Estamos de facto entregues à deriva e favores europeus, cujos ventos esperamos se nos revelem indulgentes para com a nossa miséria. Que jamais as guerras, regicídios ou revoluções dos últimos duzentos anos conseguiram mitigar.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Discutir o regime
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
A república "impossibilitada"

À falta de melhor explicação sobre a "impossibilidade", o cancelamento à última hora da visita do Chefe de Estado à Escola António Arroio, onde era esperado às 10.30 com uma manifestação à porta, é um terrível sinal dos tempos. Onde está por estes dias difíceis - em que tanta falta faz - a tal referência unificadora e apartidária dos portugueses, a tal “ficção benigna” da Nação, como dizia em tempos Miguel Morgado?
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Liurai Portugal D. Duarte Varganza visita mai Timor-Leste

Liurai Portugal Dom Duarte Vargansa hasoru malu ho Prezidenti da Republika hodi koalia kona ba koperasaun entre Portugal ho Timor-Leste durante ne’e.
Enkontru ne’e hala’o Sesta-feira ne’e iha Palasio Prezidensial Nicolau Lobato, Dili, hafoin hasoru malu Liurai Portugal ne’e, Liurai ne’e hateten katak, hasoru malu ne’e koalia kona ba koperasaun nasaun rua durante ne’e.
Dom Duarte Vargansa senti kontenti hala’o vizita mai Timor-Leste tamba bele haree rasik Progresu dezenvolvimentu ne’ebe oras ne’e dadaun estadu Timor-Leste halo iha rai laran.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Isabel II
José Adelino Maltez, no Forte Apache
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Venha daí o referendo
Se a Restauração vier, virá para aprofundar a liberdade e a união de todos os portugueses. Foram cem anos perdidos, de bagunça seguida de ditadura e ditadura seguida de bagunça. Que venha, pois, o tal REFERENDO.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Cheia ou vazia?
A carteira está cheia ou vazia? Se for a minha tem moedas, se for a dele tem notas verdes, se for da Maria tem as fotos de família, se for da República tem um grande buraco, impossível de cozer.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
100 Anos: parabéns à Infanta D. Maria Adelaide!

Logo à noite prestaremos a SAS Maria Adelaide de Bragança a nossa homenagem e gratidão, pela sua extraordinária vida, exemplo de coragem e nobreza que tanta falta faz nos dias de hoje. Conheça a incrível história de uma verdadeira Princesa que completa hoje 100 anos, hoje no jornal i.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Monarquia Vs. República
Uma achega ao Rui C. Pinto: A instituição Real, tal coma uma Nação, até pode ser uma questão de Fé, mas um "presidente da república neutral" é definitivamente uma "ficção"... à qual um dia destes o Miguel Morgado apelidou de "benigna". Pela minha parte tenho profundas dúvidas quanto ao adjectivo.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Visto de fora...
Por detrás duma aparentemente equilibrada apreciação à polémica da eliminação dos feriados, o editorial de hoje do jornal i da autoria da Ana Sá Lopes esconde algumas contradições que eu gostaria de aqui salientar.
A cronista defende um esvaziamento simbólico das duas efemérides, nomeadamente que a República, “é um dado adquirido e irreversível”, cujas comemorações “já não comovem ninguém”, e na mesma lógica, uma suposta minoria de monárquicos não justifica a continuidade do dia da Restauração da Independência. Estes dois argumentos confluem num surpreendente equívoco: então porquê o ribombante remate ao texto, com a afirmação de que, a confirmar-se a eliminação dos dois feriados civis, “a derrota da UGT foi mesmo em toda a linha”? Precisamente porque estamos no âmbito do simbólico é que esta conclusão me parece contraditória.
Mas no final de contas eu até entendo a avaliação da Ana: dispersados em diferentes partidos, prioridades e causas, tantas vezes concorrentes entre si, os monárquicos de facto raramente dão notícia, são gente pacata o que é uma clara desvantagem competitiva face aos poucos republicanos: não parecem ser capazes que matar ninguém, muito menos o chefe do Estado. Apesar disso parece-me um erro subestimar o seu número e o seu potencial. E depois está errado concluir que apenas existe “o que é notícia”, para mais se considerarmos os alvoroços pueris com que se preenchem as manchetes da espuma dos dias nos media de consumo.
De resto a vida dá muitas voltas, e em 1907 a força e representatividade dos republicanos era pouco mais do que barulhenta, assim a modos como Bloco de Esquerda nos dias de hoje. Nessa altura nenhum analista ou cidadão informado se atreveria a prever o caminho vertiginoso que a História acabou tomando.
Finalmente uma palavra sobre a suposta “escandalosa submissão do governo à Igreja Católica”: até os comunistas do PREC aprenderam com a História (da 1ª República) que afrontá-la só serve para a fortalecer.
Isso é o que ainda vamos ver...

Aguardamos pela decisão final e desde já avisamos acerca daquilo que espera os possíveis "cedentes". Falamos muito a sério.
Digam lá, se este regime não é um...
Até hoje, o símbolo mais unânime que conseguiram arranjar para iconografar a "República" (aqui e além mar), e que até o Kumbayala usava como "uniforme", é o... .... barrete....
Nunca um símbolo se tornou tão verdadeiro na mensagem e resultado que o barrete para enfiar.
Manobras de diversão, ou simples republicanices?

Álvaro Santos Pereira veio ontem "anunciar" que Governo vai propor aos parceiros sociais a eliminação do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro. A procissão voltou ao adro, esta notícia podia ler-se há três meses e o 5 de Outibro jamais deveria ser comemorado. Mas é assim que se mantêm as hostes radicais de esquerda entretidas a rasgar as vestes em indignações de substituição. Suspeito que tudo isto não passa de uma triste manobra de diversão, enquanto se protelam as urgentes reformas ao sistema.
Imagem daqui
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Vencemos!
Em suma, tivemos o que queríamos.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
O Presidente condecora a Infanta

Nunca lhe importaram as honrarias, as festas e as fatiotas brilhantes de lantejoulas. Não é uma republicana dos esquemas angariadores de prebendas e distinções traduzidas em farta manjedoura.
Cavaco Silva cumpriu hoje a sua obrigação, precisamente nas vésperas do centésimo aniversário da Infanta D. Maria Adelaide. Mais vale tarde que nunca.
Ordem de Mérito, uma Ordem republicana, quase uma capitulação. Muito pior teria sido se tivesse conferido uma daquelas outras e de sonoro nome, mas ignominiosamente mutilada em 1910. Houve inteligência, como convém.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Qual é?
O tempo urge.
Os custos duma república falida
Findo o mandato de representação da parte parte da Nação que o elegeu, com mais ou menos sectarismo, cada presidente da república tem direito a um gabinete com secretária e assessor da sua confiança, a um carro com motorista e combustível para serviço pessoal e ajudas de custo para as deslocações oficiais fora da área de residência, €300.000,00 ano tudo somado. O povo, habituado ao desgoverno, essa paga e não bufa.
Fonte DN
domingo, 22 de janeiro de 2012
O acessório (ou apêndice)
Cavaco Silva tem feito mais pela Causa Monárquica do que os seus antecessores, todos eles mais ou menos medíocres, cujo cargo sem dignidade e basicamente inútil não ajuda. Para a "má imprensa" que o presidente ostenta, contribui não só a sua proverbial aselhice, mas a sua explosiva matriz provinciana e conservadora. Algo que curiosamente constitui uma afronta, principalmente à cultura esquerda caviar predominante.
*O video, uma reportagem do cerimonial da Páscoa militar no palácio real do Reino de Espanha evidencia a importância do Chefe de Estado, (basta verem os últimos segundos).
sábado, 21 de janeiro de 2012
Cavaquinhos
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
5 de Outubro não acaba. Só a independência nacional.

Eis a razão profunda do nosso atraso: a casta caquéctica e facciosa, que com mais ou menos secretismo e às vezes descaramento controla o País há demasiado tempo. Mas o mais grave é o fenómeno que se encontra do outro lado da barricada: aí revela-se a apatia e complacência (ou cobardia) daqueles que penhoram valores fundacionais da nossa nacionalidade por um prato de lentilhas, umas telenovelas ou reality shows no quentinho da sua medíocre existência. Como diz o meu amigo Jorge Lima, a fractura não é hoje entre esquerda e direita. É entre patriotas e vendidos. Ou entre cultos e ignaros. Entre gente com espinha e oportunistas plebiscitados.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Segundo a lista da "Economist Intelligence Unit", das onze melhores democracias, oito são monarquias

A "Economist Intelligence Unit" publicou recentemente o seu relatório anual sobre o índice de "democratização" de 165 países. Considera que apenas 25 países funcionam em plena democracia (26 em 2010), entre os quais, uma vez mais, estão todas as monarquias constitucionais (são 12). Portugal é 27º, desceu um lugar tendo sido ultrapassado por Cabo Verde!
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Os Reis não têm "amigos"
(...) O Chefe da Casa Real não faz negócios, não mexe em dinheiro, não arranja empregos nem os pede, não faz lóbi, não anda em partidos e curibecas; em suma, não vive "disto". A simpatia que o rodeia em todas as ocasiões - nas festas populares, nos eventos culturais, nas feiras que visita, nos congressos que se honram com a sua presença - é o que parece: SAR transformou-se, paulatinamente, num amigo natural e sem artifício de tudo o que é português, de tudo o que tem a ver com o interesse português, de tudo o que eleva a nossa consciência colectiva.
A religião republicana
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Ladrões de Bicicletas: Portugal não é a Grécia, o Haiti não é aqui
sábado, 7 de janeiro de 2012
Bolo Rei

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Preparar o tacho
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Estamos pior?
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
República da Hungria = Hungria
Convém lembrar que nunca um partido de uma antiga "província" Soviética teve uma votação tão "à direita" e esmagadora como a que teve o partido conservador nas últimas eleições.
Direito de admissão
sábado, 24 de dezembro de 2011
Apesar de tudo, amanhã será Natal
sábado, 17 de dezembro de 2011
Nos 50 anos da invasão

O Aviso Afonso de Albuquerque cumpriu plenamente a missão que lhe estava confiada. Nas águas de Goa defendeu Portugal e honrou a nossa história. Oxalá um dia possamos ver as unidades da Armada redimirem aqueles tiros há um século disparados diante da Necessidades, voltando a hastear a verdadeira bandeira e repondo a legitimidade roubada. Não precisam de muito, apenas de uns tiros de salva, com pólvora seca.
As bandeiras fornecemos nós.
Entrevista de Ribeiro Teles
Há sempre uma ligação. A nossa história é uma construção através de um regime monárquico e essa ligação à história e à continuidade perdeu-se. E nesse sentido há de facto um recuo enorme, que permitiu depois uma visão diferente do futuro. Quando a monarquia existia havia sempre um futuro na sequência da dinastia.
É essa a vantagem que vê na monarquia?
É essa a grande vantagem. Isso dá um somatório de uma cultura que é muito difícil de arrancar. Só à força é que se arranca. É o que está a suceder. Há a saudade dessa continuidade.
Os portugueses têm saudades da monarquia. Acha isso?
Dessa continuidade com certeza, porque isto é um país inventado e construído. Construído com as condições que tinha de mar, de terra, de solos e inventado pelo género português.
O caminho teria sido outro com uma monarquia?
Tínhamos seguido um caminho mais paralelo dos países escandinavos.
Os reis não são eleitos. Não é um bom argumento a favor da República?
Os reis são eleitos todos os dias.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Palhaços, saltimbancos, malabaristas
domingo, 11 de dezembro de 2011
O Natal, o vazio e a tralha dos imensos carnavais
Admitindo que os efeitos festivos das decorações natalícias nas ruas da cidade, podem contribuir para o Espírito que a quadra encerra, confesso que não sou seu incondicional aficionado, antes pelo contrário. Em plena crise financeira, a sua notória ausência não me incomoda: o mais das vezes, o seu efeito ostentatório resulta na tendência para a adulteração da festa do nascimento de Jesus, como mais uma pândega do calendário pagão.
Lisboa tem este ano, sob os auspícios do Zé “que faz falta”, dos esfregões 3M, da Câmara Municipal e mais 150.000 euros, em vez das habituais iluminações, sete “instalações” foram concebidas por “verdadeiros artistas da modernidade" para assinalar a quadra, de que afinal nenhum lhe conhece o sentido. Não consta que nalguma ”instalação” se encontre uma única menção ao nascimento de Jesus: na Praça do Chile são molhos de chapéus-de-chuva iluminados, junto ao Parque Eduardo VII exibe-se um conjunto de repugnantes gaiolas em forma de árvores de Natal entulhadas de lixo “para reciclar”. Nos ajardinamentos centrais da Rotunda foram espetados uma série de “sinais de trânsito” reflectores que anunciam a “Lapónia”, o “Bacalhau”, a “Neve”, o “Peru”, o “Pai Natal” e toda a vasta gama de iconografia mundana referente às festas. Este absurdo puritanismo laicista está também patente num anúncio da TV ao jogo da lotaria em que o apresentador enumera uma séride de tradições do Natal português evitando olimpicamente referências a Jesus ou ao presépio, mas mencionando uma inexistente “Noite do Galo”, como alusão disfarçada à Missa do Galo.
Através da abordagem mediática e demais tralha publicitária que invade as nossas casas através da imprensa, rádio e televisões, constatamos a tenacidade do regime tornar o Natal uma festa pagã. Afonso Costa por estes dias se não ardesse no Inferno, chocalharia veemente os seus ossos exultando no caixão: todas as festas perfilhadas pelo todo-poderoso Estado Laico, se vão assemelhando cada vez mais, a uma série de variantes do Carnaval: sejam elas protagonizadas pelo Pai Natal, por simples foguetório e embriaguez, por brasileiras desnudadas a tiritar de frio, coelhinhos de chocolate ou até sardinhas assadas. O motivo e finalidade comum é a simples alienação num tanto quanto possível desregrado folguedo.
~o~
Voltando ao essencial, não desisto de apregoar que, ultrapassada a perspectiva infantil, o Natal não é magia mas dum Milagre que se trata… a diferença é profunda e o fenómeno não requer luminárias ou artifícios. Porque esse incomensurável Milagre de Deus encarnado no humilde Menino acontece no coração das pessoas. Um Menino Jesus que Se nos entrega para derrotar a nossa soberba com o seu Amor, chegando desta forma tão próximo de nós que “podemos tratá-lO por tu e manter com Ele uma relação íntima de afecto profundo, como fazemos com um recém-nascido*”.
É a preparação para este Natal, na intimidade do Presépio em que cada um de nós possui a graça de participar a 25 de Dezembro, que me concede a mim uma profunda paz e a sensação mais parecida com felicidade que conheço e que se me exige dar testemunho.
Porque a felicidade é incompatível com o egoísmo e o júbilo impele-nos a partilhá-la, entristece-me que a república laica tenha expulsado o Menino Jesus desta magnânima festa, e a sua mensagem seja tão militantemente censurada. Finalmente, urge perguntar: quem ganha com tudo isto, quem fica de facto a perder?
* In "Pensamentos sobre o Natal" de Bento XVI, 1ª edição da Lucerna - Novembro de 2011.









