terça-feira, 27 de março de 2012

Retrocesso

Há uns dias discutia com uns conhecidos umas coisas banais quando um dos convivas disse que "pelo menos a república foi um avanço"! Descobri ali o motivo para render o meu dia e parti para umas pequenas frases que deixaram os meus parceiros um bocado engasgados sem grande vontade para falar. Sim, porque a república não foi, ou é, a fase adulta da Monarquia, não é a "sequência" natural da monarquia, porque a república não foi um avanço foi um gigantesco retrocesso, porque se a república só tem como virtude trocar "o nobre pelo homem do povo", como me disseram, então, porque se exalta o "nobre povo" que se cantarola no hino? A república tornou o nosso estado numa coisa privada, uma coisa de amigos e partidos. Perdeu a sua identidade pública e sem Rei não é res pública.

sábado, 24 de março de 2012

A República é uma coisa terrivelmente francesa, mal contada, imposta...


Para abrir o apetite aqui vos deixo um excerto da entrevista de Pedro Mexia a Miguel Esteves Cardoso hoje publicada na Revista do Expresso.

(…) Pedro Mexia - Ao mesmo tempo que há essa dimensão quotidiana, também há um lado mais ideológico: a fundação Atlântica, o prefácio a um livro de Teixeira de Pascoaes e a monarquia. O prefácio ao livro de Pascoaes sobre Portugal é uma verdadeira carta de amor.

Miguel Esteves Cardoso – Portugal é um país especial, os portugueses são especiais. Há aqui qualquer coisa de muito bom, qualquer coisa que merecia ser acarinhada e guardada, a nossa maneira de ser, a nossa boa educação. (…) Já desisti há muito tempo de lutar pelos princípios. Fiz a minha tentativa, as pessoas têm o direito quando são novas, fazem jornais, fazem uma tentativa de editora, tentam mudar a cultura do país, mas a partir dos trinta, trinta e tal, pronto. Tinha princípios, como restaurar a monarquia, tinha sonhos políticos para Portugal, mas abandonei-os completamente.

Pedro Mexia – Parece haver uma ligação entre esse amor por Portugal e o ideário monárquico.

Miguel Esteves Cardoso – Há. A República é uma coisa terrivelmente francesa, mal contada, imposta.

Pedro Mexia – Como chegou à monarquia?

Miguel Esteves Cardoso –  Eu nunca cheguei foi à República. Comecei pelo D. Afonso Henriques e fui por aí adiante. Eles é que fizeram a alteração, não fui eu.

Pedro Mexia – Mas do ponto de vista das convicções pessoais…

Miguel Esteves Cardoso – Conhece o D. Duarte? Uma coisa se nota, quando se fala com ele, é a maneira como se preocupa, mesmo, com toda a gente, com tudo o que faz parte de Portugal. Não há nenhuma noção de sectarismo. É uma pessoa obrigada a uma responsabilidade, recebeu esse legado e tem de tomar conta, saber as coisas. Isso é muito impressionante, não é para glória dele, é uma continuação.

Expresso Revista 24 de Março 2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

Reis-escravos

"Aos Reis não se aplica, decididamente, o "sistema social europeu". Começam a trabalhar aos quatro ou cinco anos de idade (trabalho infantil), não têm horário laboral (a Rainha de Inglaterra dedica 16 horas diárias a actividades oficiais) nem fim-de-semana, não auferem de reforma (trabalham vitaliciamente até ao passamento), as horas de lazer confundem-se com obrigações, as deslocações ao estrangeiro são cerrada e infindável sucessão de actos protocolares.
Acresce que os Reis não têm privilégios e se os têm resumem-se apenas a privilégios onerosos, aqueles que exigem um sorriso permanente, apertos de mão a multidões, participação em actividades filantrópicas, galas, inaugurações, banquetes, paradas militares, actos religiosos, discursos. Os Reis são o que resta de uma ordem antiga onde a cultura do dever se sobrepunha à cultura dos direitos. Mais, os Reis são escrutinados do nascer do sol ao momento em que recolhem, extenuados, ao leito, não podem ir a uma praia, sentar-se num restaurante, ir a um cinema. Vivem em permanente prisão e dela só se libertam quando dormem.
Há quem os inveje. São os pobres desmiolados, comummente gente riquíssima servida por legiões de criados, com vida privada roçando o hedonismo.
Ontem, ao assistir ao triunfo do Sistema Westminster sobre essas outras "democracias" plutocráticas que fazem as delícias de tanto pateta, tanto demagogo e tanto carreirista, confirmei a superioridade moral, funcional e estética da monarquia."


Miguel Castelo Branco, in Combustões

terça-feira, 20 de março de 2012

C' alhos

Membros de uma seita secreta controlam e observam as "secretas" do país. Querem mais palavras para definir o que é a República? Para os adeptos deste regime não há incompatibilidades dentro da cloaca...

domingo, 18 de março de 2012

Fundação Casa de Bragança recusa acesso a relatório e contas

Fundação Casa de Bragança tem um vasto património,
mas esconde as contas de 2010. Os monárquicos acham "muito estranho".
S.A.R. D. Duarte não comenta as voltas da Fundação

A Fundação da Casa de Bragan­ça não permite o acesso às suas contas, alegando ser necessária autorização prévia da Presidên­cia do Conselho de Ministros, O Governo estranha a atitude e re­mete para a instituição a presta­ção de contas sobre o seu vasto património imobiliário que in­clui os bens pessoais do último rei de Portugal, D. Manuel II. Entre este pingue-pongue, o Ex­presso aguarda há duas sema­nas pelo acesso ao documento. "É inacreditável", diz. Augusto Ferreira do Amaral, monárqui­co e consultor jurídico de D. Duarte, o último duque de Bra­gança. "A Fundação, como enti­dade pública, devia ter a mes­ma obrigação de transparência exigida de qualquer outra pes­soa colectiva", afirma ao Expres­so. A verdade, porém, é que "não existe qualquer inventário de bens ou balanço publicado pela Fundação", prossegue Fer­reira do Amara, que condena o facto de a gestão da instituição ser feita "em circuito fechado, sem qualquer transparência". Natália Correia Guedes, presi­dente da Junta da Fundação Ca­sa de Bragança, disse ao Expres­so que o "último Relatório e Con­tas da Fundação, referente ao exercício de 2010, foi aprovado em 31.3.2011", mas condicionou a divulgação do documento a prévia e "competente autoriza­ção da Presidência do Conselho de Ministreis", O Governo autori­zou. Mesmo assim, a Fundação não cedeu ao Expresso o relató­rio e contas.
O clima de crispação entre a fa­mília Bragança e os administra­dores da Fundação ê indisfarçá­vel. Por diversas vezes e nos últi­mos anos, garante Ferreira do Amaral  “esteve para ser accionado um contencioso" contra os dirigentes da Fundação.
Os monárquicos apoiantes do duque de Bragança, D. Duarte, não escondem que "há matéria jurídica" para contestar a deci­são de "confisco dos bens da fa­mília" em favor do Estado, de­cretada por Oliveira Salazar em 1933 e que deu origem à actual fundação. "D. Duarte esteve, vá­rias vezes, para fazer sair esse contencioso", garantiu.
A tensão aumentou, nos últi­mos anos, quando foi abandona­do o princípio - consagrado por Salazar — de que metade dos di­rigentes da Fundação da Casa de Bragança fosse indicada pela família. "Essa cláusula desapare­ceu, nenhum membro da actual Junta da FCB tem qualquer liga­ção à família", diz Ferreira do Amaral. A verdade, porém, é que com a morte do último administrador, João Amaral Cabral, e a sua substituição por Marcelo Rebe­lo de Sousa, fica vago um lugar na direcção da Fundação da Casa de Bragança, composta por sete membros, nomeados de forma vitalícia. A necessidade de preencher o lugar, aliada à mu­dança da direcção para uma per­sonalidade "inteligente e com sensibilidade" pode ajudar a "en­contrar uma solução", diz o mo­nárquico. Para já, afastou-se a possibilidade de processar a fundação e confia-se na capacidade de Marcelo Rebelo de Sousa para “estabelecer conversações com a família”.
Para Augusto Ferreira do Ama­ral, "pode ser negociado um pla­no que leve a família Bragança a ter uma presença mínima na Fundação". O fundador do PPM, Gonçalo Ribeiro Telles, es­pera "um gesto" de Marcelo pa­ra pacificar as relações entre os Braganças e a Fundação. Mas o gesto ainda não chegou.


Rosa Pedroso Lima – Expresso 17 de Março 2012

sábado, 17 de março de 2012

Marcelo vai ter de reconhecer a actual dinastia de Bragança

"A existência da própria Casa de Bragança é,
evidentemente, um bom ponto de partida para se iniciar um processo de restauração".
Quase a fazer 90 anos, Gonçalo Ribeiro Telles mantém firme a defesa incondicional de uma monarquia democrática.

Gonçalo Ribeiro Telles, monárquico convicto e fundador do PPM, fala sobre a mudança de liderança da Fundação Casa de Bragança. Acredita que Marcelo Rebelo de Sousa vai reconhecer' "a actual dinastia de Bragança" e assume que a devolução do património) da fundação à família "e um processo em curso".

Expresso: Para os monárquicos é boa notícia ter um republicano à frente da Fundação da Casa Bragança?
GRT - Com certeza. Desde logo porque o novo presidente é um profundo conhecedor do assunto.


Exp. Não é estranho que seja logo um potencial candidato a PR o responsável pelo legado pessoal do último rei de Portugal?
GRT - O problema é dele. Foi nomeado, penso que é uma pessoa digna para assumir as funções e agora tem possibilidade de mostrar toda a sua autenticidade.


Exp. A fundação tem desempenhado bem o seu papel?
GRT: Da fundação foi criada na 11 República por Salazar. A continuidade da Casa Real passou de D. Manuel II para D. Duarte Nuno (pai do actual duque) e hoje para D. Duarte e família. Com certeza que o presidente da fundação tem isto em consideração e vai estabelecer uma ligação indispensável com a família, quer pela importância que tem para o país a dinastia de Bragança como pala a própria autenticidade da fundação.


Exp. Há queixas sobre o divórcio entre a família de Bragança e a fundação...
GRT - Nem é um divórcio! Não há qualquer ligação. A fundação funcionou como unia instituição do Estado e não se relacionou de forma alguma — como deveria ter feito — com a dinastia, que tem uma face humana.


Exp. Sendo uma instituição do Estado, a fundação deve aproximar-se da família Bragança?
GRT - Fundamental! Até pelo respeito que lodos nós devemos à família Bragança. Mesmo os republicanos! Desde o problema da independência nacional, até ao problema da liberalização da sociedade portuguesa, deve muito à dinastia de Bragança. O reconhecimento desta actual dinastia como património de todos nós é importante. Tenho a certeza absoluta de que o próximo presidente da fundação o vai fazer.


Exp. O que correu mal na relação entre a FCB e a família?
GRT - Da distância. Salazar tentou evitar um problema, afastando o mais possível a dinastia de Bragança dos portugueses,


Exp. Salazar pretendia que parte da direcção da fundação fosse indicada pela família...
GRT. Mas este não é um problema de 'pane', nem de 'metade' dos membros indicados pelo Estado ou pela família. O novo presidente vai ter de reconhecer na fundação toda a sua ligação com D. Duarte e com a Casa Real.


Exp. Os monárquicos querem que a fundação seja uma âncora para defesa dos seus ideais?
GRT - Não é a defesa dos ideais monárquicos, mas do património de Portugal Quando o povo português quiser defender os ideais monárquico; fá-lo-á de uma forma democrática. Não através de qualquer instituição.


Exp. Gostava que a fundação desse maior visibilidade à causa monárquica?
GRT - Não. Gostaria que desse mais visibilidade à Casa Real. que encarna esses ideais.

Exp. A devolução do património da fundação é um caso aberto?
GRT - Partilho a opinião de Augusto Ferreira do Amaral, que tem muito mais conhecimento jurídico do que eu.


Exp. Ou seja, que se tratou de uma espoliação de património, que deve ser devolvido à família...
GRT - Com certeza! É um processo que está em curso.


Exp. O facto de um professor de Direito estar à frente da fundação ajuda a encontrar uma solução?
GRT - Pode ajudar. Mesmo dizendo-se um republicano.


Exp. Não precisa ser monárquico?
GRT - Não, basta ser português.
Rosa Pedroso Lima – Expresso 17 de Março 2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

Mau mau Maria


Manuel Maria Carrilho escreve no expresso um artigo que intitula de Sem Grandeza. Fala sobre a República e exercita uns adjectivos que só poderão ser seus, filosóficos. É o que eu mais aponto nos políticos; estarem longe da realidade. Esse mito do "homem" que emerge pelos votos ao "cargo" mais alto da nação tem muita falácia. Toda a prosa republicana acenta na probabilidade (bipartida, tripartida) dos partidos grandes (sem grandeza!) elegerem um dos seus para o controlo do estado. Nem um só cidadão independente chegou – ou chegará – a presidente. Dito isto, o filósofo escreveu com o único intuito de dar pau no presidente da república que anda por estes tempos com as costas quentes. Coitado, pois, de facto, numa República nunca haverá grandeza independentemente de quem esteja sentado no penico.


sexta-feira, 9 de março de 2012

Uma única utopia: Portugal




Somos uma Nação mal habituada ao decadente vício da autofagia. Não sei se podemos atribuir esse handicap, como afirma Henrique Raposo, ao “Instinto queirosiano” de que se impregnam as elites indígenas e que bloqueia a assunção de qualquer coisa de positiva sobre Portugal, mas uma coisa parece evidente: a aposta na promoção e dignificação dos símbolos e instituições nacionais seria um bom negócio para o País. Um projecto que pela intrínseca alteração de paradigma, exige um profundo consenso e empenhamento de todos os que “podem”, um penoso trabalho e investimento no longo prazo. Acontece que esta é a única fórmula limpa de o Estado se fortalecer sem onerar o contribuinte. Apesar de tal coisa ir contra a lógica mediática do conflito gratuito e dos resultados imediatos, esta é a única maneira de se viabilizar uma comunidade identitária, de motivar as pessoas a vestirem uma camisola da qual se possam orgulhar e pela qual possam bater, na sua cidade, família ou no trabalho.
Nos últimos duzentos anos as fracturas e a desconstrução permanente dos nossos símbolos, instituições e da nossa própria História, conduziram os portugueses à descrença, à desconfiança e à apatia generalizada. Uma mentalidade derrotista e sebastiânica que se traduz em trágicos resultados para a economia, e a prazo nos condena à extinção.
Levantar hoje de novo o esplendor de Portugal é um projecto premente para a nossa sobrevivência e uma utopia em que vale a pena investir e pela qual vale a pena lutar.  

* Fotografia de Homem Cardoso para o livro Navio Escola Sagres

quarta-feira, 7 de março de 2012

Petisqueiros


O funcionário-mor de Belém tem uma petição que o deseja relegar por causa de uma "ofensa". Onde estão as petições sobre o julgamento dos ministros e políticos que ofenderam a nação e o cofre comum através do roubo, compadrio e a traição? Isto é um país de petiscos habitado por petisqueiros.

E hoje a quem serve?

Foi recentemente recusada pela Junta Administrativa da Casa de Bragança sepultura à Senhora Infanta Dona Adelaide de Bragança em Vila Viçosa. Uma vez que estão lá sepultados suas Irmãs ( Dona Filipa e Dona Antónia ) e seu Irmão, SAR o Senhor Dom Duarte Nuno, gostaria de saber com que base a Junta Administrativa recusou receber aquela que foi uma neta de um Rei de Portugal e que tanto trabalhou para os mais desfavorecidos.
 Responde o historiador Rui Ramos: "Salazar teve sempre muito cuidado para que a Família Real não tivesse meios, de que nunca conseguisse ter autonomia financeira, pelo que não deixou que herdassem os bens de Dom Manuel", acentua. Em síntese: queria a realeza "dependente e vulnerável"

terça-feira, 6 de março de 2012

"Focke" Wulff



Por cá, sabemos como a geringonça se paga. Na forreta Alemanha, os passivos presidenciais não se ficam por ninharias, senão vejamos:

O recentemente deposto Sr. Christian Wulff, receberá uma pensão vitalícia de 199,000 € anuais, embora apenas tenha mourejado menos de dois anos no trabalho de Hércules de totalmente ignorado corta-fitas berlinense. Alguma vez ouviram falar no fulano? Claro que não.
Mesmo assim a sortuda esposa, catorze anos mais nova que o derrubado vígaro de águas paradas, em caso de morte ficará também a título vitalício com a pensão completa do defunto. Sendo já seis os presidentes passivos em sistema comensal - juntando-se a estes uma viúva alegra como convidada para o banqueta -, os alemães ainda pagam fundos para um gabinete com o staff de assessores, além de uma limusina com chauffeur. Tal qual como em Portugal, há assim que desculpá-los. Já bem longe vão os tempos em que o Kaiser tinha de permanecer no seu posto até ao momento de partir para o Walhala, não havendo desculpas para reformas e "bem-bons" logo aos cinquenta e dois anos.

Por cá estamos na mesma, as somas serão assim tão diversas, apesar de Portugal ser infinitamente menos rico e produtivo em comparação com a Alemanha. Ficamos contudo em vantagem, porque por agora apenas temos Cavaco Silva na actividade que se sabe, enquanto outros três antecessores vão mais ou menos se entretendo, bem provavelmente "à alemã".

quinta-feira, 1 de março de 2012

Escola para a submissão

  

Como educador de quatro crianças, encontro amiúde uma tão premente quanto velha questão com a qual fui de novo confrontado há dias ao ajudar a minha filha num trabalho de História do 6º ano sobre a Revolução Francesa: acontece que passam governos de direita e de esquerda, passam anos e décadas depois do PREC e nós conformados que se continue a ensinar às criancinhas a disciplina de História sob a óptica do Materialismo Histórico. Acontece que dá muito trabalho desmontar da cabeça duma criança a perspectiva do passado maniqueísta, repleta de juízos explícitos sobre uma Nobreza opressora, um Clero interesseiro, uma Burguesia gananciosa e o povo oprimido, vítima de tudo o mais. Ensina-se aos miúdos que a História da humanidade é um campo de batalha entre classes sociais (tornadas entidades corpóreas auto-conscientes), entre opressores e oprimidos, uma ascendente sucessão de acontecimentos, cujo desenlace é a vitória dos bons contra os maus, consubstanciada na modernidade dos dias de hoje.
Infelizmente ou felizmente a coisa não funciona assim e percebe-se que seja considerado perverso pelos pedagogos do regime revelar às criancinhas certas “fontes”, factos e pensamentos que denunciem a prevalência de um relativismo casuístico na História.
De facto como referia há umas semanas Filipe Paiva Cardoso, no jornal i custa a aceitar que o nosso país não tenha a força para reclamar o lugar de topo na história da civilização, quando, quase cento e cinquenta anos antes da Tomada da Bastilha, exibe num seu documento fundacional, a legitimação democrática de D. João IV, no assento das cortes de Lisboa em 1641, algo como “[...] sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins [vida, liberdade e felicidade], cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la” – e “Nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela [nação] não emane expressamente”.
De resto, quase duzentos anos depois de outorgada Carta Constitucional, nesta república modernaça e democrática por acaso hipotecada aos estrangeiros, alguém acredita que a igualdade do cidadão perante a lei já tenha passado das intenções à realidade? E sabiam V. exas que, ao contrário do que acontecia na Idade Média a que eles chamam “das Trevas”, hoje neste País é possível adquirir-se um relógio por 5.000.000 euros ou um Yacht por 500.000.000,00 de euros, enquanto uma família dos subúrbios de Lisboa vive com 500,00 euros por mês, e uma outra em África sobrevive com um por dia? Querem impingir uma linha condutora a isto tudo? Haja paciência!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Encalhados num beco da História



António Ribeiro Ferreira com o amargurado cepticismo com que nos vem brindando nos seus editoriais do jornal i, hoje retoma en passant um assunto de vital importância para o nosso regime em acelerado estado de corrosão: a reforma do sistema político.
Porque no meu entender o parlamento é o órgão de soberania plural e democrático por excelência, onde salutarmente se deveriam confrontar as diversas facções representativas de interesses e ideias, é trágico concluirmos que a famosa reforma nunca irá para a frente pela simples razão de os aparelhos partidários, velhos, desgastados, corruptos, clientelares, fechados, máquinas de emprego público e de muita cacicagem, não quererem assinar a sua sentença de morte.
De resto desenganem-se os iludidos, que os restantes vértices do regime também são enfermos e não auguram nada de bom. Perante a borrasca que nos ameaça a todos, atente-se como se encontra comprometido o papel basilar da Chefia de Estado, não especialmente por causa da proverbial aselhice do actual inquilino de Belém, mas pela natureza fundacional do cargo. Se a sua legitimidade sufragada eleitoralmente, especialmente nesta conjuntura, impele à intervenção e confusão de narizes com o Executivo, a sua real falta de poderes denuncia a sua patética inutilidade. Compreende-se porquê os mais genuínos republicanos, vacinados pelo regime semipresidencialista que vigorava na monarquia constitucional, sempre dispensaram a figura do presidente, ou a tal “benigna ficção” como lhe chama Miguel Morgado.
Hoje como nunca, a crise brutal que mina transversalmente toda a sociedade civil, apela à autoridade de uma voz (ou silêncio), independente, que seja ao mesmo tempo, representante dele próprio e de todos os que o antecederam e do todo que somos como povo, resiliente realidade transgeracional com 900 anos de História. É trágico, mas o regime não oferece aquilo que nunca como hoje foi tão urgente: uma reserva moral a montante da espuma dos dias, figura independente e aglutinadora de motivação e esperança. Algo impossível a quem emergiu da guerrilha politica e da gestão dos clientelismos e ilusórias negociatas que conduziram o país ao presente abismo. Estamos de facto entregues à deriva e favores europeus, cujos ventos esperamos se nos revelem indulgentes para com a nossa miséria. Que jamais as guerras, regicídios ou revoluções dos últimos duzentos anos conseguiram mitigar.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Discutir o regime


Tem razão o João Ferreira do Amaral quando conclui, aqui em baixo, que Portugal não precisa de um chefe de Estado que assuma o propósito de fazer difícil a vida ao governo. (...) Que sentido fará eleger, por sufrágio directo e universal, o chefe de Estado, que assim carrega uma legitimidade em tudo idêntica à de outros órgãos de soberania? Não faria mais sentido que o chefe de Estado estivesse revestido de uma legitimidade diferente e historicamente qualificada? Não seria preferível termos um Chefe de Estado independente e que fosse, a cada passo, mais do que ele próprio? Que fosse ao mesmo tempo, ele e todos os que o antecederam? É que muito mais importante do que o poder - necessariamente sempre limitado- é a autoridade. E a autoridade do Rei é dos mais preciosos activos políticos.  

Nuno Pombo no 31 da Armada

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A república "impossibilitada"



À falta de melhor explicação sobre a "impossibilidade", o cancelamento à última hora da visita do Chefe de Estado à Escola António Arroio, onde era esperado às 10.30 com uma manifestação à porta, é um terrível sinal dos tempos. Onde está por estes dias difíceis - em que tanta falta faz - a tal referência unificadora e apartidária dos portugueses, a tal “ficção benigna” da Nação, como dizia em tempos Miguel Morgado?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Liurai Portugal D. Duarte Varganza visita mai Timor-Leste



Liurai Portugal Dom Duarte Vargansa hasoru malu ho Prezidenti da Republika hodi koalia kona ba koperasaun entre Portugal ho Timor-Leste durante ne’e.
Enkontru ne’e hala’o Sesta-feira ne’e iha Palasio Prezidensial Nicolau Lobato, Dili, hafoin hasoru malu Liurai Portugal ne’e, Liurai ne’e hateten katak, hasoru malu ne’e koalia kona ba koperasaun nasaun rua durante ne’e.
Dom Duarte Vargansa senti kontenti hala’o vizita mai Timor-Leste tamba bele haree rasik Progresu dezenvolvimentu ne’ebe oras ne’e dadaun estadu Timor-Leste halo iha rai laran.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Isabel II

(...) É por isso que recordo uma mulher, 60 anos de trono, 16 países. Uma rainha. Um contrato de gerações, para além dos Estados. Um problema para quem não compreende a tradição. Nem a macropolítica. Não cabe numa folha Excel. Nem num regulamento de manga de alpaca feito notável da treta.


José Adelino Maltez, no Forte Apache

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Venha daí o referendo


Se a Restauração vier, virá para aprofundar a liberdade e a união de todos os portugueses. Foram cem anos perdidos, de bagunça seguida de ditadura e ditadura seguida de bagunça. Que venha, pois, o tal REFERENDO.

Monarquia e republicanos

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cheia ou vazia?


A carteira está cheia ou vazia? Se for a minha tem moedas, se for a dele tem notas verdes, se for da Maria tem as fotos de família, se for da República tem um grande buraco, impossível de cozer.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

100 Anos: parabéns à Infanta D. Maria Adelaide!


Logo à noite prestaremos a SAS Maria Adelaide de Bragança a nossa homenagem e gratidão, pela sua extraordinária vida, exemplo de coragem e nobreza que tanta falta faz nos dias de hoje. Conheça a incrível história de uma verdadeira Princesa que completa hoje 100 anos, hoje no jornal i.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Monarquia Vs. República

 

Uma achega ao Rui C. Pinto: A instituição Real, tal coma uma Nação, até pode ser uma questão de Fé, mas um "presidente da república neutral" é definitivamente uma "ficção"... à qual um dia destes o Miguel Morgado apelidou de "benigna". Pela minha parte tenho profundas dúvidas quanto ao adjectivo. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Visto de fora...

 

Por detrás duma aparentemente equilibrada apreciação à polémica da eliminação dos feriados, o editorial de hoje do jornal i da autoria da Ana Sá Lopes esconde algumas contradições que eu gostaria de aqui salientar.
A cronista defende um esvaziamento simbólico das duas efemérides, nomeadamente que a República, “é um dado adquirido e irreversível”, cujas comemorações “já não comovem ninguém”, e na mesma lógica, uma suposta minoria de monárquicos não justifica a continuidade do dia da Restauração da Independência. Estes dois argumentos confluem num surpreendente equívoco: então porquê o ribombante remate ao texto, com a afirmação de que, a confirmar-se a eliminação dos dois feriados civis, “a derrota da UGT foi mesmo em toda a linha”? Precisamente porque estamos no âmbito do simbólico é que esta conclusão me parece contraditória.
Mas no final de contas eu até entendo a avaliação da Ana: dispersados em diferentes partidos, prioridades e causas, tantas vezes concorrentes entre si, os monárquicos de facto raramente dão notícia, são gente pacata o que é uma clara desvantagem competitiva face aos poucos republicanos: não parecem ser capazes que matar ninguém, muito menos o chefe do Estado. Apesar disso parece-me um erro subestimar o seu número e o seu potencial. E depois está errado concluir que apenas existe “o que é notícia”, para mais se considerarmos os alvoroços pueris com que se preenchem as manchetes da espuma dos dias nos media de consumo. 

De resto a vida dá muitas voltas, e em 1907 a força e representatividade dos republicanos era pouco mais do que barulhenta, assim a modos como Bloco de Esquerda nos dias de hoje. Nessa altura nenhum analista ou cidadão informado se atreveria a prever o caminho vertiginoso que a História acabou tomando.
Finalmente uma palavra sobre a suposta “escandalosa submissão do governo à Igreja Católica”: até os comunistas do PREC aprenderam com a História (da 1ª República) que afrontá-la só serve para a fortalecer.

Isso é o que ainda vamos ver...



Aguardamos pela decisão final e desde já avisamos acerca daquilo que espera os possíveis "cedentes". Falamos muito a sério.

Digam lá, se este regime não é um...


Até hoje, o símbolo mais unânime que conseguiram arranjar para iconografar a "República" (aqui e além mar), e que até o Kumbayala usava como "uniforme", é o... .... barrete....
Nunca um símbolo se tornou tão verdadeiro na mensagem e resultado que o barrete para enfiar.

Manobras de diversão, ou simples republicanices?



Álvaro Santos Pereira veio ontem "anunciar" que Governo vai propor aos parceiros sociais a eliminação do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro. A procissão voltou ao adro, esta notícia podia ler-se há três meses e o 5 de Outibro jamais deveria ser comemorado. Mas é assim que se mantêm as hostes radicais de esquerda entretidas a rasgar as vestes em indignações de substituição. Suspeito que tudo isto não passa de uma triste manobra de diversão, enquanto se protelam as urgentes reformas ao sistema.

Imagem daqui

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Vencemos!

Acabou da melhor forma, o período de comemorações da República. Aboliu-se o 5 de Outubro.

Em suma, tivemos o que queríamos.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Presidente condecora a Infanta



Nunca lhe importaram as honrarias, as festas e as fatiotas brilhantes de lantejoulas. Não é uma republicana dos esquemas angariadores de prebendas e distinções traduzidas em farta manjedoura.

Cavaco Silva cumpriu hoje a sua obrigação, precisamente nas vésperas do centésimo aniversário da Infanta D. Maria Adelaide. Mais vale tarde que nunca.

Ordem de Mérito, uma Ordem republicana, quase uma capitulação. Muito pior teria sido se tivesse conferido uma daquelas outras e de sonoro nome, mas ignominiosamente mutilada em 1910. Houve inteligência, como convém.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Qual é?

A instituição que divide, é mais cara e é partidariamente muito parcial? Esta trilogia foi provada ao longo de um século e chegou o momento de darmos remédio ao conhecido mal.
O tempo urge.

Os custos duma república falida



Findo o mandato de representação da parte parte da Nação que o elegeu, com mais ou menos sectarismo, cada presidente da república tem direito a um gabinete com secretária e assessor da sua confiança, a um carro com motorista e combustível para serviço pessoal e ajudas de custo para as deslocações oficiais fora da área de residência, €300.000,00 ano tudo somado. O povo, habituado ao desgoverno, essa paga e não bufa. 


Fonte DN

domingo, 22 de janeiro de 2012

O acessório (ou apêndice)


Cavaco Silva tem feito mais pela Causa Monárquica do que os seus antecessores, todos eles mais ou menos medíocres, cujo cargo sem dignidade e basicamente inútil não ajuda. Para a "má imprensa" que o presidente ostenta, contribui não só a sua proverbial aselhice, mas a sua explosiva matriz provinciana e conservadora. Algo que curiosamente constitui uma afronta, principalmente à cultura esquerda caviar predominante.


*O video, uma reportagem do cerimonial da Páscoa militar no palácio real do Reino de Espanha evidencia a importância do Chefe de Estado, (basta verem os últimos segundos).

sábado, 21 de janeiro de 2012

Cavaquinhos

Eis a República pela voz do seu representante a queixar-se da sua reformazita. E dito com cara séria. Os portugueses não têm razão para se inflamar. Querem Repúblicas, paguem-nas e aguentem-nas. Todos os que foram para se sentar no penico da república são iguais no apego ao emprego e mordomias. E se fosse só um mas não, sustentamos mais três cavaquinhos.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

5 de Outubro não acaba. Só a independência nacional.



Que ingénuos acreditaram que se ia deixar de festejar (fazer festa) com a virulenta e sanguinária revolução do 5 de Outubro, pela simples cedência do 1º de Dezembro, dia da Restauração da Independência Nacional?
Eis a razão profunda do nosso atraso: a casta caquéctica e facciosa, que com mais ou menos secretismo e às vezes descaramento controla o País há demasiado tempo. Mas o mais grave é o fenómeno que se encontra do outro lado da barricada: aí revela-se a apatia e complacência  (ou cobardia) daqueles que penhoram valores fundacionais da nossa nacionalidade por um prato de lentilhas, umas telenovelas ou reality shows no quentinho da sua medíocre existência.  Como diz o meu amigo Jorge Lima, a fractura não é hoje entre esquerda e direita. É entre patriotas e vendidos. Ou entre cultos e ignaros. Entre gente com espinha e oportunistas plebiscitados.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Segundo a lista da "Economist Intelligence Unit", das onze melhores democracias, oito são monarquias



A "Economist Intelligence Unit" publicou recentemente o seu relatório anual sobre o índice de "democratização" de 165 países. Considera que apenas 25 países funcionam em plena democracia (26 em 2010), entre os quais, uma vez mais, estão todas as monarquias constitucionais (são 12). Portugal é 27º, desceu um lugar tendo sido ultrapassado por Cabo Verde!

Imparcialidades


Retirado do Obliviário

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Os Reis não têm "amigos"


(...) O Chefe da Casa Real não faz negócios, não mexe em dinheiro, não arranja empregos nem os pede, não faz lóbi, não anda em partidos e curibecas; em suma, não vive "disto". A simpatia que o rodeia em todas as ocasiões - nas festas populares, nos eventos culturais, nas feiras que visita, nos congressos que se honram com a sua presença - é o que parece: SAR transformou-se, paulatinamente, num amigo natural e sem artifício de tudo o que é português, de tudo o que tem a ver com o interesse português, de tudo o que eleva a nossa consciência colectiva.
(...) Ninguém é "amigo" do Chefe da Casa Real, como os Reis não têm "amigos". Os monárquicos não são "amigos" daquele que representa o país, o seu passado e o seu futuro. Devem servi-lo, como quem serve a pátria. Os senhores presidentes, esses sim, têm amigos e inimigos, protegidos e adversários. (...)

A religião republicana

“A criança nem ao pai pertence. Só ao Estado compete formar os espíritos. Só a ele pertence modelar as forças vivas da nação. Só ele sabe fazê-lo e só ele tem recursos para o fazer”. Miguel Bombarda