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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Quando eramos livres...


«Somos hoje, sem dúvida, o povo mais livre da Europa»
Assim escrevia em 20.4.1852, no Revolução de Setembro, José Maria Latino Coelho.
Militar (atingiu o generalato), jornalista e político com uma carreira iniciada no Partido Regenerador e conduzida até ao Partido Republicano. Foi um dos fundadores do Centro Republicano Português, em 1879.
Foi deputado, ministro e, em 1885, ascendeu ao Pariato.
Já então era perfilhava ideias republicanas. Tal não o impediu, como se vê, de ser eleito para a Câmara dos Pares do Reino.
Latino Coelho morreu em 1891.
Em 1898 foi homenageado pela Academia Real das Ciências de Lisboa. SS. MM. o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia, bem como o S. A o Infante D. Afonso, compareceram à cerimónia.
Foi ainda condecorado com a Torre Espada e era grã-cruz das Ordens de Cristo e de N. S. da Conceição de Vila Viçosa.
À Coroa nunca perturbaram as convicções políticas de Latino Coelho. A Latino Coelho nunca ocorreu insultar ou difamar a Família Real. Eramos, então, realmente, um povo livre, respeitado e respeitador.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O ponto de vista de Miguel Sousa Tavares


Estava-se em 1997. A celebérrima Lady Di morrera há muito pouco, emocionando o mundo inteiro. Era a "Princesa do Povo"... Era? Miguel Sousa Tavares, em crónica na revista «Máxima», dizia que não. E explicava porquê:
«A Monarquia ou se aceita com o seu estatuto e consequências ou se abole. Mas não existem monarquias sufragadas pela opinião pública e pelas revistas de coração. "A Princesa do Povo" é uma expressão muito bonita, mas falaciosa. Num sistema monárquico não existem os Príncipes que o povo escolhe, mas aqueles que nasceram com esse destino traçado. É por isso que eu não sou monárquico. Mas se fosse cidadão de um país monárquico, ou emigrava ou aceitava a condição de "súbdito do Rei". E o que é irónico nisso é que a condição de súbdito não faria de mim escravo do Rei ou do Príncipe, antes faz deles escravos do povo. É isso que é o Príncipe de Gales: um escravo da condição, da tradição e do sistema condicional. Nada, na sua vida, é livre, nem sequer o direito de dizer o que pensa. Porque é que ele não abdica, então? Pois, porque essa é uma das regras não escritas de que depende a continuação da instituição monárquica. Um rei não abdica do trono, como fez Eduardo VII. Porque, ao fazê-lo, ele está a rejeitar a Nação de que é o símbolo. O Rei é o primeiro dos súbditos do povo».

terça-feira, 13 de abril de 2010

História honesta

A "História de Portugal" coordenada pelo Prof. José Mattoso tem o seu 6º vol. dedicado à transição Monarquia/República e chama-se "A Segunda Fundação". O título é aterrador e logo nos peparamos para mais umas catilinárias...
Mas não. O texto está eivado de verdades, até porque o autor responsável é Rui Ramos. Atentemos no seguinte excerto:
«Nos últimos 90 anos, a maior parte dos historiadores tem repetido piedosamente as calúnias que a propaganda republicana inventou contra João Franco. O franquismo foi desfigurado como uma desastrada tentativa de combater os republicanos com um governo brutal. Esta ideia é tão injusta como disparatada (...). Com efeito, João Franco veio para o poder com uma retórica de oposição. (...) Os republicanos ficaram desorientados e divididos perante um poder que subitamente passava a falar como eles, que até os promovia e apoiava. A João Franco ficaram os republicanos a dever a eleição de quatro deputados, a sua maior representação parlamentar até então. Se João Franco quis alguma coisa, foi inaugurar uma nova era de tolerância e democracia (...). Se falhou, não foi por ter usado a força, mas precisamente pelo contrário».
E esta? Que bom seria os comentadores históricos que "blogam" pela República vir aqui, a este espaço aberto, contrariar a verdade histórica...
in «História de Portugal», direcção de José Mattoso, vol. 6º, pág. 267.