
Num artigo interessante publicado no Público vários historiadores comentam a recente história de Portugal de Rui Ramos, criticando os "pontos de vista" deste historiador. O título do artigo diz tudo sobre as intenções. Estamos a falar da II República, aquela que não é assumida como tal pelos tais historiadores que recusam e refutam as histórias mal interpretadas. Esses mesmos historiadores (é ler o artigo...) que recusam, sequer, ouvir que Salazar não era um fascista repressivo, não entendem porque é que existem pessoas que insistem em considerar a República um estado terrorista e repressivo desde a sua implantação! Para eles a ditadura e a repressão só começou de 1931 até 1974!! Diz a historiadora Irene Pimentel: "É evidente que a República foi violenta. E que a seguir a sociedade é domesticada. Mas o PCP era sujeito a repressão. A PIDE percebe, a partir de certa altura, que é preciso prender o PCP, os funcionários e alguns apoiantes. É preventivo."... O artigo fecha com uma opinião de Rui Ramos: "Convivemos mal com a pluralidade, achamos sempre: "A verdade é minha." Vai mais longe: "A originalidade é mal vista. Por vezes, as teses têm dados num sentido, mas as introduções e as conclusões dizem o contrário porque os alunos querem repetir o pensamento dos orientadores. Há uma sujeição à hierarquia e os departamentos são marcados por correntes. A História é a preto e branco, ou genial ou porcaria, ou esquerda ou direita", sendo certo que, por vezes, nem é a questão ideológica que move os historiadores. É a "vassalagem" ao pensamento dominante. ...
Como leitor e estudioso não gosto de me sentir parvo, e não aceito – mas percebo – porque é que ao longo de milhares de caracteres nenhum historiador entrevistado (de "esquerda") tenha assumido a repressão do regime de 1910 até 1974....!! É isso que está em causa. Neste blogge. Na nossa história. Nas comemorações do Centenário da Repressão Republicana.