terça-feira, 1 de junho de 2010

Vamos falar de República

Num artigo interessante publicado no Público vários historiadores comentam a recente história de Portugal de Rui Ramos, criticando os "pontos de vista" deste historiador. O título do artigo diz tudo sobre as intenções. Estamos a falar da II República, aquela que não é assumida como tal pelos tais historiadores que recusam e refutam as histórias mal interpretadas. Esses mesmos historiadores (é ler o artigo...) que recusam, sequer, ouvir que Salazar não era um fascista repressivo, não entendem porque é que existem pessoas que insistem em considerar a República um estado terrorista e repressivo desde a sua implantação! Para eles a ditadura e a repressão só começou de 1931 até 1974!! Diz a historiadora Irene Pimentel: "É evidente que a República foi violenta. E que a seguir a sociedade é domesticada. Mas o PCP era sujeito a repressão. A PIDE percebe, a partir de certa altura, que é preciso prender o PCP, os funcionários e alguns apoiantes. É preventivo."... O artigo fecha com uma opinião de Rui Ramos: "Convivemos mal com a pluralidade, achamos sempre: "A verdade é minha." Vai mais longe: "A originalidade é mal vista. Por vezes, as teses têm dados num sentido, mas as introduções e as conclusões dizem o contrário porque os alunos querem repetir o pensamento dos orientadores. Há uma sujeição à hierarquia e os departamentos são marcados por correntes. A História é a preto e branco, ou genial ou porcaria, ou esquerda ou direita", sendo certo que, por vezes, nem é a questão ideológica que move os historiadores. É a "vassalagem" ao pensamento dominante. ...
Como leitor e estudioso não gosto de me sentir parvo, e não aceito – mas percebo – porque é que ao longo de milhares de caracteres nenhum historiador entrevistado (de "esquerda") tenha assumido a repressão do regime de 1910 até 1974....!! É isso que está em causa. Neste blogge. Na nossa história. Nas comemorações do Centenário da Repressão Republicana.

5 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

João, existe uma grande diferença entre "estoriadores" e historiadores. É total.

bicho disse...

Não posso estar mais de acordo com o Rui Ramos, a cegueira com que se olha para o Salazarismo já mete dó, muito devemos nós ao Salazarismo e para se falar de Salazarismo é necessário entende-lo e contextualiza-lo no tempo e no espaço, e isso ninguém faz.

Quando se fala de Estado Novo fala-se sempre recorrendo ao cliché, esse do fascismo então é uma coisa gritante, mas o que é que o Salazar tem que ver com o fascismo ? Ser totalitário é ser fascista ?, D João VI era fascista ? Pimenta de Castro, Sidónio Pais eram fascistas ? João Franco era fascista ? E Estaline, Pol Pot, Enver Hoxha, Ceausescu tabém eram fascistas ? O que é o fascismo quem fala por clichés sabe ?

Mas outra ideia que se tenta vender é a falência da república devido à sua péssima gestão e diversos totalitarismos, mas... E a monarquia constitucional foi o quê ? Que riquezas acumulamos nós nesses períodos ? E democracia ? O Cabralismo foi o quê uma democracia ? o Franquismo também ? Falar do quê dos tempos antes da monarquia constitucional ? Falar do Marquês de Pombal, de D João III o tal que era o "piedoso" da Santa inquisição ? De Pina Manique ? Eram democracias estes sistemas ?

Quanto mais leio mais me convenço que o sucesso do regime vai dos homens que lá estão não do regime em si, é por isso que sou republicano, mas gosto da história e não gosto de a ver a preto e branco, nem tão pouco de olhar para ela de uma perspectiva de quem vê um Porto x Benfica !

João Afonso Machado disse...

É revoltante.
E é humilhante: esse punhado de mentirosos e aldrabões que nos querem fazer passar por estúpidos. A República tem 100 anos dos quais não foi República 48 anos.

Por fim é tristissimo: os portugueses alheiam-se do facto de lhes estarem a chamar estupidos e deixam correr.

E a mentira lá vei sendo repetida impunemente.

Felizmente somos diferentes. Se não começavamos a espalhar por aí que o Absolutismo não foi Monarquia.

João Amorim disse...

Muitos portugueses têm um defeito de "fabrico": não conseguem discutir sem oposição de forma – se eu critico A é porque sou B!! Muitas vezes é preciso saturar e persistir no âmago para se subtrair a essência. Estes "estoriadores", como bem diz o Nuno, sofrem do embate/complexo ideológico. É pena... por nós!! Porque o contraditório não resolve nenhuma questão, muito menos a hipócrisia e a falácia que envolve muito da recente História de Portugal.

Nuno R disse...

Caro Nuno, o fim do seu comentário é algo anárquico...
Em primeiro lugar, não vale a pena ir à Idade Média ou recuar para lá do Sec. XIX para fazer leituras à luz do Sec. XX...
Em 2º lugar, 'o sucesso do regime vai dos homens que lá estão'; esta frase nada tem a ver com regimes, onde como se sabe, tanto um como o outro, são tutelados por figuras pouco mais do que decorativas... os homens, serão os mesmos; o que interessa é mudar as mentalidades. E isso, você não faz com o seu voto; só uma mudança muito maior... é por isso que sou moarquico. ;)