quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Moral republicana


João Paulo Freire (Mário) foi sempre um homem inconformado. Jornalista de nomeada, na sua época, criticou acesamente a Monarquia, tal a conduta dos politicos que nela se destacavam. Depois veio a República e JPF percebeu tudo. Ou seja, que em Monarquia a Instituição é uma realidade distinta dos politicos e da actividade politica e que, em República, todos - Instituição politicos e actividade politica - se confundem.
JPF tornou-se então um crente na Monarquia. Em diversa obra publicada (por exemplo, neste «O Livro de João Franco sobre D. Carlos», de onde extraio as citações seguintes) incansávelmente denunciou as hiprocrisias da República e dos republicanos.
Lembremo-nos de que um dos motes preferidos dos ataques pessoais a El-Rei D. Carlos era o seu aventureirismo, o seu "marialvismo". Escrevia JPF (pág.130):
«Mas que lhe lance a primeira pedra o português, rico ou pobre, nobre ou plebeu, ilustre ou analfabeto a quem uns olhos de mulher não tenham na sua vida provocado uma loucura de amor!...
Que, quanto aos altos políticos da República, nesse capítulo, depois de 1910, por Deus! é melhor nem tocar nisso...
Que o Rei D. Carlos mesmo pecando fazia-o com galhardia de Rei. Nas as esperava às esquinas dos picadeiros, nem ia para as bichas do Coliseu pelos braços das dactilógrafas...».

10 comentários:

Pedro de Souza-Cardoso disse...

O grande problema é que eles depois de tudo fazerem para se instaurar a republica, e apercebendo-se do tremendo erro que essa instauraçao foi, nao fizeram o mesmo para que o país voltasse á Monarquia.

Nuno Gonçalves disse...

Caro Pedre,
Acho que a questão é a mesma de hoje; ninguém faz nada, em parte por por faltar uma alternativa válida e agregante, e em parte porque ainda há muita gente a ganhar com a situação...
é a minha perspectiva.
Cumps.

João Afonso Machado disse...

Caros Amigos:
Fazemos todos pouco, é verdade. Quanto mais não seja, porque não somos profissionais da politica. E se fossemos, iamos sempre buscar o melhor negócio.

Mas isso leva-nos a ver a questão de outro modo, que para mim já tem grande significado.
Falei da Instituição Real, não de eleições. Logo por isso, a nossa atitude nestas actividade não é comicieira.

E a Instituição é imortal. Está sempre nas nossas almas. Eu à república pago impostos e cumpro as regras de trânsito. O resto não me interessa. Para mim existe o Rei e é Ele e só Ele que eu respeito como representante da Nação.
Como se falássemos da Igreja: as verdades de Fé, a hierarquia, etc, só existem para quem se assume dentro dela. Para os mais, nada valem.
Pouco me importa que a maioria dos portugueses seja ou não seja monárquico ou religioso. Interessa-me o que eu sou e o que eu gosto: a nossa História, literatura, costumes, hábitos em que fui criado...
Se pensarmos assim, perceberemos que tal qual as Igrejas existem, a Monarquia também. Com uma construção jurídica reduzida à maior simplicidade, mas onde não falta o fundamental: o Rei e a Dinastia e Portugal.

bicho disse...

João Paulo Freire adoptou a fé monárquica e ser monárquico para mim é isso mesmo, uma profissão de fé.

Um Rei, no meu entender não é indissociável do Estado, um Rei depende do estado e como tal depende das suas "simpatias"; longe vai o tempo em que os bens da coroa se distinguiam dos bens da nação, o vintismo acabou com isso tudo; daí para a frente a figura constitucional do Rei passou a funcionar como funciona hoje a presidência em termos de poder (com constituições diferentes como é óbvio) o Rei assume o papel de mais alto funcionário do Estado, vive para o servir, e o estado paga-lhe como aliás deve ser.

Posto isto, é necessário ter fé para acreditar que um Rei será mais isento que um Presidente; se por um lado um Rei é uma figura que é nascida e educada para ser Rei, por outro só chega a presidente um ilustre cidadão com provas dadas (claro que falo da III república no pós PREC !!!)

A mim falta-me essa fé, que me diga que um Rei é claramente superior à política, talvez se um dia chegar à fala com D Duarte, o impacto seja tamanho que sinta essa fé e que me converta, porque a monarquia é isso mesmo, uma profissão de fé.

João Afonso Machado disse...

Meu caro Nuno:
É uma profissão de fé, com certeza. é acreditar no que não é matemáticamente demonstrável.
e em muito de emocional, também.
É um ideal. V. tem algum ideal político? A República é para si um ideal? Julgo que não. V. não é convictamente republicano, creio. Somenta «acha» que a R. é melhor que a M.
Está no seu pleno direito.
Nós somos monárquicos com a «razão» e também com o «coração».
Por isso aqui estamos, sem nada para ganhar e sem proppósito de catequizar. Apenas para defender a Monarquia dos injustos ataques de que é alvo.
Depois é com os portugueses.

Só um reparo. Não farei afirmações sobre o que não sei, designadamente sobre os rendimentos das familias reais europeias. Sei que a britÂnica tem umas massas. Parece que tem mais do que o Américo Amorim...
A nossa não. Tem uns prédios dispersos pelo País, mas o Senhor D. Duarte recusa aumentar as rendas dos inquilinos de idade avançada. e o seu meio de transporte preferido é o comboio. Assim viaja, quando vai de Sintra para Lx.
Já o meu amigo vê uma quantidade de diferenças a que eu sei que dá apreço.

bicho disse...

João, vamos lá a ver; eu parto do princípio que ser Rei de um estado implica um pagamento pela função que o monarca exerce, não tenho nada contra essa remuneração, na Espanha os monarcas também são pagos, o que não implica que não possam ter outros rendimentos ou bens próprios, isso é problema deles, na nossa monarquia constitucional os Reis também eram pagos, e gastavam mais do que recebiam segundo consta.

Eu não duvido da boa formação do Sr. D Duarte, V. é que o conhece eu não, por isso prefiro não falar do que não sei.

Quanto às convicções, olhe, tenho convicção que temos à volta de 75 anos para viver e temos que o fazer em sociedade, já que por cá andamos tentemos fazer o melhor possível; são as únicas convicções que tenho, isso e que Deus existe, quanto ao resto depende de quem lá puserem, eu não acredito na segunda vinda do messias com hora marcada, se tiver que vir vem; com Reis e presidentes é a mesma coisa, a gente espera sempre que nos calhe um bom, mal por mal posso votar no segundo caso, quanto mais não seja para me censurar a mim próprio !

João Afonso Machado disse...

Meu caro Amigo: V. é uma pessoa de bem e eu tenho sempre imenso gosto em conversar consigo.
Deixemos a História avançar (o futuro faz parte da História) e vamos vendo.
Importante é a certeza adquirida: o respeito mútuo por tudo: convicções, opções, anti-fundamentalismos.
Sempre em diálogo.
Uma boa noite para si.

Filipa V. Jardim disse...

João Afonso e Nuno F Couto:

Era bom que o vosso exemplo fosse seguido em mais espaços como este. Bom debate.Com respeito pelas ideias mútuas.
É com muito agrado que vou seguindo.
tenho por mim, que grande parte da população não é nem repúblicana nem monárquica: está aberta a propostas. Propostas essas que terão que surgir assim, em conversa e abertura de espírito.
Monárquicos e republicanos sempre foram amigos. Tirando os extremistas é claro. A prova viva têm-na o João: a tal bandeira da Câmara de Lisboa, arreada em 1910. Mandada guardar por um monárquico a um amigo repúblicano e, devolvida, cem anos depois, a um monárquico.


Deixo aqui um link a quem possa interessar: do Blogue do Dr.José Adelino Maltez. Gostei de o ouvir falar em Viseu. Muito nesta vossa linha do ir estudando e aprendendo. A conversar, também.

http://maltez.info/

João Afonso Machado disse...

Obrigado Filipa. Disse tudo, em palavras breves, o que é necessário.
O Amigo Nuno de certeza concorda.
Divergimos nas ideias (nem todas), convergimos na noção de respeito mútuo.

Anónimo disse...

O Afonso Costa passava a ida no Intendente, isso é sabido de toda a gente.

M. Figueira