terça-feira, 22 de junho de 2010

GRANDES CAUSAS DA MONARQUIA


É «o titulo genérico de uma série de exposições» que Rogério Afonso Seabra Leitão Cardoso se propõe «organizar sobre o longo período de vigência do regime monárquico em Portugal».
Isto porque, conforme o idealizador do projecto, «é corrente ouvirmos dizer, por ignorância ou malícia, que pouco ou nada foi feito em tempo de monarquia e tudo começou a melhorar com a república. Não poucas vezes, os comunicadores e fazedores de opinião somam erros e confusões quando falam da monarquia, daí resultando uma boa parte do desconhecimento sobre a vida dos portugueses durante os séculos em que vigoraram os sistemas monárquicos. A deturpação, a alteração e a invenção continuaram a ser utilizadas para denegrir muito do que foi feito a favor dos portugueses mais desfavorecidos.
A época mais próxima de nós - a do constitucionalismo monárquico - foi fértil na criação de instituições de beneficência, então assim se chamava o que hoje conhecemos por assistência social. Os governos de então e os membros da Família Real tiveram um papel importantíssimo na extensão dos serviços do Estado aos domínios da beneficência e da saúde pública, bem como na solução das carências sociais, contribuindo e apoiando a criação de inúmeras instituições assistenciais que colocaram Portugal no mesmo caminho e nível do que melhor se fazia na Europa».
A primeira exposição versa, pois, a Assistência Nacional aos Tuberculosos, «criada e presidida pela Rainha D. Amélia, é a prova iniludivel da vontade da Monarquia bem servir Portugal. Em poucos anos, foi criada uma organização de combate à doença que flagelava anualmente milhares de portugueses de todas as classes sociais. Apareceu uma rede de dispensários, hospitais e sanatórios que se estendeu a todo o país e continuou a servir durante dezenas de anos. Montou-se uma campanha de propaganda visando o esclarecimento e a profilaxia. Surgiram laboratórios dedicados à análise clinica e à experimentação de fármacos. Publicaram-se numerosos estudos científicos e houve a colaboração dos melhores médicos e investigadores. Arquitectos de prestígio projectaram edificios vocacionados para a luta anti-tuberculosa. Envolveu-se a sociedade civil nessa luta. Tudo isto em apenas 10 anos, apesar da exiguidade de meios e das tecnologias de então.
A República inaugurou um único sanatório cuja construção, concluida em Fevereiro de 1910, aguardava apenas a dotação de equipamentos para entrar em funcionamento no final daquele ano. Foi o caso do Hospital do Repouso, sanatório a que teria sido dado o nome de "D. Carlos I", em memória do Rei martirizado. A República mudou-lhe o nome, indevidamente, para Hospital Pulido Valente, segundo o velho preceito de matar a memória».
Sem os meios financeiros que o Estado atribui aos «situacionistas», esta era mais uma exposição patente no Teatro do Viriato, em Viseu, aquando do Congresso da Causa Real. Mais uma iniciativa de um português inconformado com este regime devorista e lutador pela reposição da verdade histórica e de um Portugal melhor.

7 comentários:

Pedro de Souza-Cardoso disse...

Vi ontem no hipermercado Continente à venda um livro infantil sobre a história das bandeiras nacionais desde a fundação da nacionalidade até aos nossos dias. Apresentava uma breve descrição dos Reis e presidentes da republica bem como das bandeiras que usaram e, se fosse caso, das alterações que inseriram nesse simbolo nacional.
Achei curioso a descrição tanto de El Rei D. Manuel II bem como da revolução de 1910... Se por um lado é explicado que o Rei foi demasiado fraco para suster a insatisfação do povo portugues face à Coroa, por exemplo pelos seus gastos excessivos enquanto que o povo passava fome, nao menos curioso achei a descrição que colocam sobre a revoluçao... Algo do género: uma revolta popular, o povo percebeu que a monarquia não era o melhor sistema de governaçao de um país, Portugal seguiu o exemplo dos grandes países europeus que perceberam que a monarquia estava caduca e que a republica era o sistema que melhor defendia os interesses do povo, etc etc etc... São estes os ensinamentos que são transmitidos aos nossos jovens hoje sobre a Monarquia/republica.
Uma palavra de apreço à entrevista dada ontem por S.A.R. ao canal TVI24. Pareceu-me muito bem; disse muitas verdades que precisavam ser ditas! Pena que não hajam mais iniciativas destas por parte dos media portugueses.

Real Associação do Médio Tejo disse...

Uma exposição muito bem conseguida!
Precisamos de mais iniciativas destas... brevemente teremos um espaço para exposições que colocamos à disposição.
Reais Saudações

AndreFC disse...

Esta exposição não vai circular o País? Era interessante fazê-la rodar e, seguramente, não é difícil consegui-lo.
Espero ouvir novas desta exposição.

Anónimo disse...

Não ser a doença capaz de dar conta dos tuberculos da classe política...


M. Figueira

Jerónimo Eleutério disse...

Para quem não sabe o Hospital Pulido Valente continua a ter à entrada do seu pavilhão central um busto do rei D. Carlos I onde é devidamente explicado a quem é devida a construção do hospital. Pelo estilo creio ser o busto originalmente projectado para o local.
Esse hospital aliás, não foi o único sanatório construído no tempo do rei D. Carlos, tendo, pelo menos do meu conhecimento, sido também construído o Hospital de Sousa Martins na Guarda com funções equivalentes.
Embora não seja uma regra absoluta, é habito em Portugal atribuírem-se nomes de figuras religiosas ou de médicos aos hospitais.

Jerónimo Eleutério disse...

Pensei que a mudança de nome tivesse ocorrido durante a 1a República, mas parece que o nome de Sanatório D. Carlos I até foi dado já durante a República (ver http://www.hsm.min-saude.pt/contents/pdfs/destaques/34Aniversario_HPV.pdf). A mudança de nome ocorre em 1975 com a passagem a hospital. Lamento mas não me parece adequada aqui a imputação de "apagar" a memória (e tinham-se esquecido de retirar o busto??).

Danies disse...

Alguém me sabe dizer quem é o escultor do busto de d. Carlos no Hospital Pulido Valente.