quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ecos da República portuguesa na Europa


Em Londres: Carta do ministro plenipotenciário Teixeira Gomes a João Chagas - «mando-lhe uma fotografia e uma gravura do Daily Graphic por onde se vê a intimidade com que o Soveral [Marquês de Soveral, seu antecessor em Monarquia] vive ainda com a familia real inglesa».
Protestos do mesmo Teixeira Gomes ao Foreign Office quando na courbeille de presentes da princesa Mary, filha de Jorge V, figurava um com a indicação «de Manuel, Rei de Portugal».
O ministro dos Estrangeiros inglês, Lord Cruzon, convida D. Manuel para jantar em sua casa. Quando este chega, todos se levantam e tocou-se o Hino da Carta. A Legação da República portuguesa protesta. Lord Cruzon responde: em sua casa fazia o que queria.
O 1º Ministro britânico Asquith convida D. Manuel para o casamento da sua filha, deixando o Plenipotenciário Teixeira Gomes de fora da lista. Protestos informais do Governo da República.
Em Paris: durante a I GG, a Inglaterra proibe a exportação de sulfato de cobre para Portugal. Face à previsivel imediata ruina da próxima colheita vinícola, multiplicam-se os pedidos ao Marquês de Soveral para interceder junto do Governo inglês e evitar essa calamidade.
Nos teatros da cidade, se se ouvia um estampido nos bastidores, invariavelmente comentava-se - «C'est rien. C'est encore une revolution au Portugal».
Em Bruxelas: o Presidente do Parlamento interrompe uma sessão ruidosa, dizendo - «Meus Senhores, não estamos em Portugal».
Fonte: Paulo Lowndes Marques, «O Marquês de Soveral, Seu Tempo e Seu Modo», ed. Texto.

10 comentários:

Francisco RB disse...

Caro amigo, hoje à hora de almoço, ouvi um comentador da TVI, antigo inspector da PJ e criminalista, a referir que a solução para os problemas de Portugal, pelo menos em matéria de criminalidade, era encerrar as Faculdades de Direito e o CEJ!
Parece que a solução não é essa, pelo menos assim penso, a solução é encerrar o país, de preferência começando pelo Parlamento...
É que o problema nacional é antigo, resulta de um dia 4 de Outubro de 1910 e a respectiva manhã seguinte.

Jerónimo Eleutério disse...

As voltas que o mundo dá. Será que um dia deste, a propósito (ou desproposito) de um comentário mais ou menos separatista de um ilhéu, alguém dirá em Portugal "Senhores não estamos na antiga Bélgica"!

João Afonso Machado disse...

caro Francisco: totalmente de acordo. encerrar as Faculdades e os estudos judicais - não. Acabariamos pior, como em Angola e quejandos, a julgar segundo a codificação que lá deixámos em 1974!
O País de férias, não é má ideia. Voltavamos todos frescos e, se calhar, com ideias novas e produtivas. e sem preconceitos nem provincianismos modernistas.

João Afonso Machado disse...

Caro Jerónimo: a sua hipótese é verosimil, desde que se verifiquem duas condições - a) os ilhéus proclamarem a independência; b) os flamengos ou os valões também.
A 2ª condição é de verificação mais remota - implica acabar com a monarquia belga primeiro.

Jerónimo Eleutério disse...

Caro João Afonso
Não necessariamente. Há já muito tempo que em tom de gracejo que se dizia (na Bélgica) que só havia um belga. O Rei (e era o anterior). Sinceramente, do que me contam os meus amigos belgas só falta neste momento decidir a questão de que lado fica Bruxelas. Como seguramente sabe flamengos e valãos fazem o possível e o impossível para se infernizarem uns aos outros. Mas será que podíamos esperar melhor de um país inventado? Como o meu amigo disse há uns dias e muito bem, Hergé tinha que ser belga.

João Afonso Machado disse...

Caro Jerónimo:
Tudo o que quiser.
Mas o rei está lá. e conhece a designação oficial dele (que de certo mdo lhe dá razão - e a mim também): não é rei da Bélgica, mas «Rei dos belgas».
Ora isto não há-de ser por acaso. Se calhar não havendo rei, não havia belgas. O facto é que há.

Pedro de Souza-Cardoso disse...

O rei nao é da Belgica mas dos belgas, tem toda a razão caro amigo. Mas a minha questão é: ainda existem belgas?? Parece-me dificil. e as recentes eleiçoes parecem-me um sinal claro disso.

Daniel Nunes Mateus disse...

O encerramento de algumas faculdades de Direito em Lisboa e o saneamento do corpo docente é sim senhor uma solução para começar a resolver-se os problemas na justiça. Assim terminava-se a promiscuidade existente com o poder político. Também o centro de estudos judiciais não seria má ideia, tendo em conta a sua polítização. Criem-se outras faculdades de Direito noutros pontos do país e reforce-se a importância das de Coimbra ou Porto. Lembrem-se que fala um ex-aluno da FDL. Encerrar o país é a eterna solução queirosiana, a meu ver parva e ultrapassada

João Afonso Machado disse...

Caro Pedro:
Ainda existirão um ou outro... milhão. Creio eu e afirma-o um grande amigo. Mais: parece que os belgas (de que ele fala) se orgulham muito da sua tradição e do seu savoir vivre.
Eu também fiquei admirado, mas a fonte é fidedigna.
Pertence à Real Confraria de Santo Humberto, já o meu amigo vê.

Pedro de Souza-Cardoso disse...

Se pertence a tal afamada confraria nao me atreverei a colocar em questao. Até porque quem me dá a informação contraria é um euro deputado republicano convicto...