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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Portugal na 4º Recessão, e desta até pode vir a ser uma Depressão!



Portugal podia bem ser o País dos ministros das finanças. É candidato? Então venha para Portugal que tem lugar garantido no "Hall of fame".Tivemos o Afonso Costa, Oliveira Salazar, e entre vários outros temos agora a líder do PSD (que já foi) e o Teixeira dos Santos. Em todos eles existe um ponto comum... a habilidade em pôr os portugueses na miséria e a inabilidade para controlar tudo o que vá além "do tostão", no gerla para todos eles investir é o mesmo que gastar (não existe qualquer diferença naquelas mentes).

Afonso Costa corrigiu o défice (1913) proibindo pura e simplesmente qualquer gasto, não sendo de admirar que o Pais tenha rapidamente passado de recessão para depressão e Caos. Convém lembrar que o rendimento per capita em 1921 regrediu Portugal para níveis de riqueza de 1850, um défice Orçamental de 10% e uma dívida publica de 90%! Quem tem ministros das finanças deste calibre não precisa de inimigos. Veio então Salazar, que achava que a "indústria era um mal necessário", frase interessante para um País que via o resto do Ocidente a montar fábricas e que tinha falhado a 1º Revolução industrial. Levou tempo, mas lá evoluiu e chegou à conclusão que o romantismo de cada português de enxada na mão não era viável, embora nunca tenha evoluído para um investimento sério.

A "era da Democracia", parece não ter trazido novidades. (entre o "pais está falido", "de tanga"...etc etc etc).

Para além de ninguém saber onde pára o ministro da Economia em 2008-9 (o tal que "decretou " o fim da crise, um tique luso que se compreende) temos um ministro das finanças que debita opiniões sobre investimento, mente descaradamente sobre a conjuntura económica, pública romances curiosos que dão pelo nome de Orçamento de Estado e promete dinheiro que não existe para planos tão densos e completos que cabem num power point de meia dúzia de páginas.

Pior ainda, chama o Orçamento de "suplementar" para não admitir o erro e correctamente chama-lo de rectificativo. Não admira que Portugal entre na sua 4º Recessão desde 1974 (embora seja mais uma continuação da de 2003), e desta existem fortes possibilidades de se copiar a Depressão da década de 20.

De todas as opiniões destes mestres na arte da dissuasão convém que todos os portugueses retenham a ideia de que Portugal tem uma das mais baixas taxas de incumprimento (não pagamento de dividas) bancário, a taxa de esforço nacional está nos 30% (em média 30% do rendimento é para pagar prestações) uma das mais baixas da Europa. O rendimento disponível nacional, apesar de ser dos mais baixos, não impede que os portugueses sejam conhecidos como gente cumpridora que prefere não comer a dever dinheiro ao Estado. Perguntamo-nos então porque somos o "Pais da tanga"? Porque todo o Poder transitório é irresponsável.

Ontem o 44º Presidente dos EUA teve esta frase curiosa: "Menos mensurável mas não menos profunda é a perda de confiança na nossa terra - um medo incómodo de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve baixar as expectativas". Salazar também teve uma frase curiosa sobre o mesmo tema (medo da pobreza): "Um povo que não tem medo de ser pobre é invencível".

Após 100 anos de pobreza contínua creio que é chegada a altura de nos questionarmos se somos nós que somos pobres ou se são aqueles que nos representam que não são responsaveis. Ou se não haverá forma de alterar este cenário...

bem haja

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Os malandros dos Braganças....

Ainda a questão da Monarquia Vs [pseudo] Republica, que entretanto esmoreceu e eu entendo o porquê...primeiro debita-se a cartilha (3 ou 4 frases chave) e depois fingimo-nos mortos para fazer da ausência uma reflexão profunda do passo seguinte e principalmente, não deixar ninguém perceber que afinal...desconhecemos o assunto

Li por aqui ou noutro blogue a afirmação:

à data do fim da Monarquia, éramos um dos países com maiores taxas de analfabetismo da Europa - actualmente não -, éramos industrialmente atrasados e atente-se que foi no tempo da Dinastia Bragantina (1640-1910) que perdemos o combóio europeu, depois de termos sido uma super-potência mundial.

Eu cá ando à espera que o caro Tiago desencante as ditas estatisticas ou números para sustentar a afirmação... certamente já percebeu que não existem.

Mas eu passo a explicar detalhadamente a aberração da afirmação: comecemos pelo "comboio", que como sabemos não foi inventado em 1640 mas teve um nascimento industrial nos primeiros 20 anos do sec XIX, portanto aí têm 2 gráficos que identificam a tendência (filtro Hodrick Prescott) do PIB per capita médio (dos paises do gráfico superior) em relação a Portugal:

Photobucket
A ideia é simples...quanto mais próximo do valor 1 ,mais próximo estamos do nível de vida médio dos paises considerados.É um gráfico que lida com uma realidade dinâmica que compara a evolução do PIB/capita português com o PIB /capita das economias mais dinâmicas.

Houve três periodos de aproximação ao Nível das economias desenvolvidas entre 1860 e 1890 (30 anos,com uma taxa muito elevada de crescimento no principio da decada de 80 do sec XIX, ainda não repetida até hoje), 1925 e 1938 (13 anos do ínicio do Estado Novo)e novamente de 1950 até hoje,mas nenhuma dessas evoluções nos aproximou do nivel de 1820 e só em 1970 atingimos o nível de 1890.

Se notarem estavamos mais próximos da riqueza dos paises desenvolvidos em 1820 do que actualmente... quase 200 anos !!!!!!!!!!, e não arrisco muito com uma extrapoloação de mais 1 anos porque entramos em recessão com uma 3º República mais gasta do que um pneu velho.

Estivemos entre 1820 e 1890 2 vezes a um nivél de quase paridade e apenas há meia duzia de anos é que voltamos a ter o mesmo nivél de vida (relativo) que havia no tempo de D. Maria II.

Acho que nem vale a pena falar do contributo da 1º república porque acho que o gráfico evidência isso muito bem. Mas há mais... ainda falta de 1820 para trás!

bem haja

O gráfico foi retirado do livro "economia portuguesa" de João Cesar das Neves

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A questão do atraso económico Português

Um dos erros frequentes na analise da evolução do nível de vida em Portugal, é considerar todo o período de 1852 até 1914 como um único e indissociável ciclo… fruto da recorrência a autores estrangeiros (a queda da monarquia portuguesa é um facto único na história da Europa do sec XIX ate á I grande guerra, dai ser desconsiderado na analise que estrangeiros fazem). O facto é que existe não um mas dois períodos: o da a monarquia constitucional e o da I republica, sendo que isso não permite que digamos que se em 1852 o PIB per capita a preços constante era de 109 escudos e em 1914 de 142 escudos, que a evolução foi fraca… Falso! Em 1896 esse valor foi de 169, em plena monarquia! Ou seja, mistura-se a ascensão económica do período monárquico com a queda estrutural da I republica para dizer que no período de D. Carlos e D. Manuel não houve qualquer evolução e que as pessoas viviam na mais absoluta pobreza, sendo que a Republica foi a salvação da pátria.
Entre meados do séc. XIX e o inicio da I grande guerra, a Europa conheceu um crescimento rápido da produção. O arranque desta nova estrutura económica começa em 1780-1800 na Inglaterra; 1820-1860 na França (idêntico a Portugal); 1870-1890 na Suécia; 1890-1917 na Rússia.
Se na Inglaterra demora-se 50 anos a atingir a maturidade económica, na França o mesmo tempo, na Suécia 30 anos, na Alemanha 40 anos, no Japão 40 anos, nos EUA 50 anos e para outros países como a Turquia, Argentina, México nunca a maturidade foi atingida e só agora a China e a Índia começam a dar tais sinais, 57 anos depois do “arranque”.
Podemo-nos questionar se efectivamente Portugal estava atrasado em 1900! De acordo com P. Bairoch ("europe´s Gross Natonal Product 1800-1975") um Português em 1860 tinha 77% da riqueza de um alemão, 93% da de um Dinamarquês (imagine-se!!!), 75% da de um Francês, 47 % da de um Inglês… em 1913 cada português tinha 76,4% da riqueza que tinha em 1910 (apenas 3 anos o rendimento cai 23 % !!!). Isso quer dizer que, muito provavelmente (faltam-me dados) em 1910 o rendimento de cada Português poderia ser equivalente ao dum francês, superior ao dum alemão e á dum dinamarquês. Dá vontade de sonhar onde poderíamos estar se não tivesse havido a I republica e toda a propaganda de instabilidade social desde 1890.
Bom; em 1913 cada Português tinha 37% do rendimento de um alemão, 34% da de um Dinamarquês 42% da de um Francês e 29 % da de um Inglês… Em 1975 34% de um alemão, 36% de um dinamarquês 32% da de um francês e 44% da de um Inglês.
Ou seja mais uma vez se prova que entre Portugal e a Europa continuam a faltar o 16 anos de instabilidade da I republica e os 10 anos de propaganda caluniosa irresponsável e homicida que viria a terminar no homicídio do Chefe de Estado e consequente dessensibilização de Portugal no meio internacional.