sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Os malandros dos Braganças....

Ainda a questão da Monarquia Vs [pseudo] Republica, que entretanto esmoreceu e eu entendo o porquê...primeiro debita-se a cartilha (3 ou 4 frases chave) e depois fingimo-nos mortos para fazer da ausência uma reflexão profunda do passo seguinte e principalmente, não deixar ninguém perceber que afinal...desconhecemos o assunto

Li por aqui ou noutro blogue a afirmação:

à data do fim da Monarquia, éramos um dos países com maiores taxas de analfabetismo da Europa - actualmente não -, éramos industrialmente atrasados e atente-se que foi no tempo da Dinastia Bragantina (1640-1910) que perdemos o combóio europeu, depois de termos sido uma super-potência mundial.

Eu cá ando à espera que o caro Tiago desencante as ditas estatisticas ou números para sustentar a afirmação... certamente já percebeu que não existem.

Mas eu passo a explicar detalhadamente a aberração da afirmação: comecemos pelo "comboio", que como sabemos não foi inventado em 1640 mas teve um nascimento industrial nos primeiros 20 anos do sec XIX, portanto aí têm 2 gráficos que identificam a tendência (filtro Hodrick Prescott) do PIB per capita médio (dos paises do gráfico superior) em relação a Portugal:

Photobucket
A ideia é simples...quanto mais próximo do valor 1 ,mais próximo estamos do nível de vida médio dos paises considerados.É um gráfico que lida com uma realidade dinâmica que compara a evolução do PIB/capita português com o PIB /capita das economias mais dinâmicas.

Houve três periodos de aproximação ao Nível das economias desenvolvidas entre 1860 e 1890 (30 anos,com uma taxa muito elevada de crescimento no principio da decada de 80 do sec XIX, ainda não repetida até hoje), 1925 e 1938 (13 anos do ínicio do Estado Novo)e novamente de 1950 até hoje,mas nenhuma dessas evoluções nos aproximou do nivel de 1820 e só em 1970 atingimos o nível de 1890.

Se notarem estavamos mais próximos da riqueza dos paises desenvolvidos em 1820 do que actualmente... quase 200 anos !!!!!!!!!!, e não arrisco muito com uma extrapoloação de mais 1 anos porque entramos em recessão com uma 3º República mais gasta do que um pneu velho.

Estivemos entre 1820 e 1890 2 vezes a um nivél de quase paridade e apenas há meia duzia de anos é que voltamos a ter o mesmo nivél de vida (relativo) que havia no tempo de D. Maria II.

Acho que nem vale a pena falar do contributo da 1º república porque acho que o gráfico evidência isso muito bem. Mas há mais... ainda falta de 1820 para trás!

bem haja

O gráfico foi retirado do livro "economia portuguesa" de João Cesar das Neves

3 comentários:

Tiago Moreira Ramalho disse...

Ó Ricardo, caramba! Esteja descansado que se eu não tiver razão eu tratarei de fazer o "desmentido", agora, por favor, deixe-me ter a possibilidade de ir a uma maldita biblioteca à procura de uma História económica, que eu não tenho os livros do Pedro Lains e do César das Neves aqui em casa. A maldita biblioteca fecha cedo e a minha semana tem sido muito pouco recomendável.

Quanto ao conteúdo do post. Pode ter razão, podemos ter tido PIB's mais elevados no tempo da monarquia. Francamente pouco me importa. Também os tivemos no tempo do Salazar e isso não lhe legitimou o regime. Mas já que temos de ter esta discussão, descanse que eu vou procurar os números. E já agora, a história do comboio não era no sentido literal, mas sim no sentido figurado. Foi por essa altura que as grandes potências europeias se formaram, veja-se a Holanda que deu aquele salto de gigante à conta dos nossos portos pelo mundo fora.

Nuno Castelo-Branco disse...

Ó Tiago!

Falamos em regimes legítimos?! E então a Monarquia não era legítima? Quem instaurou a moderna forma de representatividade parlamentar em Portugal? Quem alargou o espectro eleitoral ao nível dos outros países europeus? Quem aboliu a pena de morte? Quem instaurou a liberdade de imprensa e de organização partidária, estendendo-a mesmo aos jurados inimigos do regime?
Diz que pouco importa... Pois a mim iinteressa-me e muito, porque tenho a certeza que sem a desordem e instabilidade que o prp trouxe, hoje Portugal seria bem diferente. Talvez nem estivéssemos tão atrás da sua aparentemente estimável Holanda que por acaso, também é uma "monarquia medieval, reaccionária e obscurantista".

Ricardo Gomes da Silva disse...

Ok, caro Tiago

Cá espero os números.

A República também teve aspectos positivos, mas a discussão necessita de ser enquadrada porque da forma que a maioria da população encara o problema...através da propaganda republicana do "somos todos iguais" e os Reis "opressores" e que a Dinastia dos Braganças é "um bando de inutéis", não convida a uma reflexão eficiente sobre o porquê de sermos hoje uma nação enfezada sobre os seus problemas

bem haja