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sábado, 25 de dezembro de 2010

Parasitismo no Centenário, património a leilão



“Neste país” – é assim que hoje em dia, os portugueses chamam à sua pátria -, existe sempre uma verba qualquer para comprar miserável sucata a prazo, como um Mercedes ou BMW, destinado a uma qualquer irrisória excelência. Simultaneamente, um desastre que ninguém quis comemorar, tem custado milhões sobre milhões, devorados em festas, parasitas do "Esquema", publicações que poucos adquirem e "templates" a martelo, numa cega-rega de chupismo sem peias. No entanto, adquirir belas obras que enriquecem o nosso património e garantem um hipotético renascer da nossa auto-estima, é coisa difícil. Na Sotheby’s de Nova Iorque, vai a leilão este belíssimo quadro que retrata um grande português do Oriente. A base de licitação está fixada entre os 80.000 – 100.000 Dólares (EUA). Não haverá por aí um mecenas capaz de oferecer a Portugal esta prenda de Ano Novo?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O ar da República...

(...) É paradoxal: os reis constitucionais cultivavam, na rua, a dessacralização do poder. A República, porém, fecha-se nos seus palácios. Nos anos 70 e 80 do séc.XIX, o rei D.Luiz, pai de D.Carlos, ia todas as tardes ao Rossio, beber a sua ginginha com os amigos. Sozinho e sem segurança. Qualquer súbdito poderia trocar dois dedos de conversa com o rei, que se apresentava no seu grosseiro jaquetão burguês, e trocar com ele umas palmadas nas costas. Hoje, qualquer mísero secretário de Estado passa em carros topo de gama de vidros fumados, alheio à plebe. O ar da República está irrespirável. (...)

- Filipe Luís, O ar impuro da República, na Visão.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O fariseísmo da República.

«A derrota republicana de 31 de Janeiro de 1891 podia ter representado o dobre de finados das esperanças de democratização do país.»
Prof. Amadeu Carvalho Homem

Depreendemos, então, que o país não era uma democracia em 1891. Ou seja, o que faremos a todo ao trabalho do Liberalismo, dos seus agentes e instituições, antes e depois de 1834?

Dito por um historiador de craveira isto é grave. Muito grave.
Esta é a nossa historiografia.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

29 de Abril de 1867

O BIC laranja, talvez o maior olisipógrafo da blogoesfera nacional relembra hoje a inauguração há precisamente 142 anos do monumento a D. Pedro IV na praça do Rossio.


O monumento, nada famoso, concepção dos franceses Elias Robert, escultor, e Jean Davioud, arquitecto, que venceram o concurso aberto, e no qual foram apresentados 87 projectos vindos de todos os pontos da Europa! A construção é de Germano José Sales.
O pedestal é de mármore de Montes Claros, e a coluna coríntia, canelada, foi arrancada de Pero Pinheiro; a base é de granito dos arredores do Pôrto. Essas figuras nos ângulos da base do pedestal representam a Justiça, a Prudência, a Moderação, a Fortaleza; quatro figuras em baixo relêvo adornam a parte superior do fuste. O segundo envasamento é ornamentado com os escudos de dezasseis cidades dos país.
E lá em cima, a 18 metros de altura, no bronze «eterno», D. Pedro IV, em general, cobertos ombros pelo «régio manto», cabeça coroada de louros."

" [...] Finalmente em 29 de Abril de 1867, a esforços de uma comissão de que fizeram parte o Duque de Palmela, os Marqueses de Sá da Bandeira e de Sousa Holstein, o Conde de Farrobo, os Viscondes de Benagazil e de Menezes, lançou-se a primeira pedra para o monumento que aqui
vês, inaugurado três anos depois, a 29 de Abril de 1870, com extraordinária solenidade."
Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, XII, 2ª ed., Vega, Lisboa, 1993, pp.67, 68

No entanto, a historiografia oficial republicana, comandada actualmente pelo inenarrável Doutor Rosas (Onde é que este tipo comprou o doutoramento?) continua a defender o mito urbano de que a estátua do monumento é do Imperador Maximiliano do México.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Ainda o debate iniciado no Corta-fitas

É pena que o caríssimo Luís Naves não tenha notado que, para além de comentários irados, que vieram de ambos os lados em contenda (veja-se o post do caríssimo João Tordo, um primado de equívocos que genericamente preside a quem fala daquilo que desconhece e não se dá ao trabalho de se informar, como é claramente o caso, desculpe-me lá caro João - creio que será a este tipo de coisas que o Luís se refere quando fala de emoções básicas, ou estarei enganado?), também tal debate originou textos interessantíssimos e de uma rara qualidade na blogosfera lusa.

Da minha parte, continuando à espera de uma resposta por parte do Tiago Moreira Ramalho, prefiro notar que a Monarquia tem sim interesse histórico, como o Luís Naves refere, mas a História não é algo que trate apenas do passado, é que não se pode projectar o futuro sem conhecer o passado caro Luís. E como tal, aqui deixo algo escrito ontem à noite para outro âmbito:

(...) na busca da “verdade”, se é que existe tal, a academia tem um papel fundamental a desempenhar. A imparcialidade na análise histórica, se é impossível, tem que ser pelo menos um objectivo para o qual tendamos. Se em Ciências Sociais um dos primeiros ensinamentos é o da inexistência da neutralidade, pelo menos no que à História concerne há que clarificar devidamente o passado para poder projectar o futuro. 

Essa mesma falta de imparcialidade e de clarificação do passado recente português, em conjunto com a politização exagerada operada em determinadas disciplinas académicas, agravada pela demagogia, desinformação e desinteresse individual pelo cultivo do saber, tem ferido de morte o nível educacional de uma nação que desde a Revolução Liberal de 1820 não vive em paz consigo própria. As constantes dualidades e incoerências que já se tornaram características da psique lusitana, onde não faltam comunistas a defender ideais demo-liberais com os quais a prática do comunismo é incompatível, democratas do pensamento único que fazem lembrar a personagem do Fidalgo em o Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, conservadores católicos que fazem lembrar a personagem do Frade dessa mesma obra, e, a mais irónica das incoerências, os republicanos laicos que não dispensam as regulares idas à Igreja, são precisamente sintomas de uma sociedade que prefere a propaganda demagógica à coerência e argumentação justificada. 

Os tempos passam, os conceitos evoluem, mas a confusão permanece generalizada. Quando os fantasmas da direita e os complexos da esquerda politicamente correcta extravasam o circunscrito campo do jogo político-social e chegam até à academia, resta a tentativa de através dessa esclarecer devidamente os objectos de estudo, almejando prosseguir o mui republicano ideal da educação do povo, que, no que à disciplina da História diz respeito, significa, pelo menos, retirar ilações dos erros do passado para evitar cometê-los no futuro. 

Porque invocando Jacques Le Goff e Aimé Césaire, é na memória que cresce a história. E um povo sem memória é um povo sem futuro.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

História e Teologia

Dentro de dois anos comemora-se o centenário da revolução de 5 de Outubro, que pela força, implantou o regímen dito “republicano” em Portugal.
As comemorações de dita efeméride, tal como até agora foram apresentadas, irão se debruçar não sobre aquilo que a 1ª República foi na realidade, mas sim sobre aquilo que os alegados “herdeiros” desse regímen gostariam que tivesse sido.
Em 2010 vai ser comemorado um regímen que nunca existiu.

Importa por isso fazer um combate. Um combate pela reposição da verdade e nada mais que a verdade.

E a verdade combate-se com FACTOS, factos esses prudentemente arrumados no fundo das gavetas da história, pelos “Historiadores” que nos últimos 50 anos escrevem a versão oficial da História, que na realidade nada mais são que teólogos que buscam apenas a confirmação dos seus dogmas.

Este trabalho de grupo que agora começa a dar os seus primeiros passos, não pretende ser uma obra teológica a qual, contra os dogmas da história republicana, procura contrapor os seus próprios dogmas. Os factos falam por si. Basta contá-los.

Tal como escreveu Ernest Renan na introdução ao 4º volume da História das origens do cristianismo – O Anti-Cristo […] Porque a história é a análise duma vida que se desenvolve, dum germe que se expande e a teologia é o inverso da própria vida. Atento apenas ao que confirma ou infirma os seus dogmas, o teólogo, até o mais liberal, é sempre, mesmo sem se aperceber, um apologista; o seu fim é defender ou refutar. O historiador não tem por missão senão contar […].

É norteado por esta visão de Renan, que inicio aqui e na plataforma a minha colaboração, tal como tenho vindo a fazer desde há três anos e meio no meu blogue Cartas Portuguesas.