sexta-feira, 3 de abril de 2009

Das trevas às luzes: eleições na 1ª republica


A fulgurante ascensão eleitoral do PRP – de 7/% a 100% em um ano. O parlamento de partido único. Deputados nomeados pelo partido. O caciquismo, a fraude, o roubo de urnas. A cisão do PRP e consequente guerrilha politica. A máquina eleitoral do Partido Democrático. Saiba o que exactamente o que celebramos no centenário em 2010. Aqui»»»
Na imagem: o Zé, Afonso Costa e o atento Sr. guarda republicano

11 comentários:

Anónimo disse...

Caro João Távora,


Mais uma vez, espanta-me a sua tendência antirepublicana. Deixe-me dizer-lhe que cada época é fruto de circunstâncias sociológicas e épocais que estavam presentes na altura. Lembre-se do rotativismo partidário existente na Monarquia Absolutista que também tinha os mesmos moldes. É inacreditável como se escreve mal sobre História hoje em dia...

Nuno Castelo-Branco disse...

Para o amigo anónimo:

Exactamente! Andamos a ler uma história distorcida há cem anos e procuraremos dizer a verdade. Uma fraude é sempre uma fraude. Já agora, gostávamos de ler a sua opinião acerca da censura à imprensa. Censura a posteriori (multa) nos tempos da monarquia e a prior (lápis vermelho ou azul) nas duas primeiras repúblicas. Circunstâncias sociológicas, decerto...

E com o palmarés da república, o que podia o caro amigo esperar? Que déssemos vivas à coisa?

Anónimo disse...

Caro Nuno,


A "coisa" como diz não pode ser analisada numa perspectiva de que o "palmarés" que ela tem deixa uma imagem de um período de "fraude". Como todos os períodos existiram coisas boas e más. Agora estar aqui a criar uma "representação" (de má qualidade) com o intuito de denegrir o actual momento político não contem comigo. Quanto à sua questão sobre a censura, lembro-lhe que a liberdade de expressão era bastante mais democrática na República. Veja o exemplo das caricaturas... Para terminar deixo-lhe um conselho, eu na qualidade de historiador profissional, digo-lhe que a História como vocês aqui contam nunca pode ser verdadeira porque é demasiado tendenciosa, nem conseguirão tal feito. Não me chame de Velho do Restelo, mas neste blog terei todo o prazer em ser o "contra-poder". Cumprimentos JT

Nuno Castelo-Branco disse...

JT

Esteja como em sua casa, é isso mesmo que queremos. Quanto a sermos tendenciosos, enfim, limitamo-nos a vasculhar as fontes. Nem sequer é preciso visitar os testemunhos dos monárquicos da época, porque os próprios republicanos eram bastante prolixos nas considerações que faziam aos seus correligionários, à política do regime, etc. Tendenciosos, claro que somos, aprendemos bem a lição da república.

Quanto à questão da censura e das caricaturas. O Bordallo Pinheiro - que pena ele não ter vivido pelo menos até 1930 - sempre desenhou o que bem lhe apeteceu e segundo disse a rainha, os monarcas apreciavam muito a sua arte que sem dúvida, era superior. Muito acima da reles porcaria que saía das bocas dos srs. Costa, Almeida ou Junqueiro. Sabe bem ao que me refiro.

A censura é um tema nada complicado, pois os desmandos, a lei da rolha, o atque e destruição dos jornais da oposição - coisa jamais vista na monarquia - foram uma constante. Aliás, as referências de toda a imprensa europeia ºe unânime no relato de todo o tipo de violências, abusos, vandalismo, etc.

No que respeita ao dito palmarés - passe a expressão um tanto ou quanto deslocada -, usei-a devido ao esmagador número de factos que já não podem historicamente ser analisados como meros acasos:

1. Ruína económica.
2. Inaudita violência política.
3. repressão e supressão da oposição.
4. cerceamento brutal dos cadernos eleitorais, reduzindo o universo de votantes.
5. Colossal fuga de gente para a emigração.
6. Derrota militar em todas as frentes de combate, devido à incúria, irrealismo, megalomania e fragilidade da "frente interna".
7. Permanente instabilidade política, com uma média de 3 governos por ano, durante toda a vigência da I república. É certo que a 2ª compensou enormemente esta "contrariedade", mas sabe bem em que moldes.

e podíamos continuar indefinidamente, pois o regime é praticamente indefensável. Nem sequer valerá a pena recorrer aos argumentos da guerra à igreja, facto inegável e que devia ter sido evitado a todo o transe. Pagámos todos muito caro.

Nos dias que correm, ser Velho do Restelo é um elogio, creia-me. Até porque no essencial, julgo estarmos no mesmo lado.

(mais acima no outro comentárioa, em vez de a prior, leia-se a priori)

João Amorim disse...

caro JT

Li o seu último post e não consegui deslindar o seu "conselho"! Seria fecharmos este blogge? Agradecia, na sua qualidade de historiador profissional, que me orientasse na versão que acha correcta para emitir os elementos que têm sido desbravados pela "Plataforma da República" e que não sejam demasiado tendenciosos, isto porque eu gostaria de conseguir o "feito" de que a verdade venha ao de cima.

Anónimo disse...

Sr. João Amorim,

Estarei a notar uma certa ironia ou é impressão minha? Não recorreria ao encerramento deste blogue, mas penso que certos conteúdos poderiam ser tratados com mais imparcialidade que é o que se pede. Mais uma vez, a "verdade" é dificil de atingir, pois qualquer individuo escreve influenciado por factores ideológicos, pessoais e etc. Agora, penso que deveria de existir uma melhoria no vocabulário a utilizar, nomeadamente no emprego de expressões como "trevas" e "fraude" e nas alusões ao actual momento político numa comparações completamente absurda entre épocas e conjunturas completamente diferentes. Eis as minhas sugestões. Cumprimentos JT

Anónimo disse...

Caro Nuno,


Pensei que os seus argumentos fossem mais rigorosos e lúcidos. Pensei que a sua visão fosse mais esclarecida. Deixe-me esclarece-lo sobre cada um dos pontos que mencionou:

1)A ruína económica que menciona não é um produto do período republicano, é uma realidade já crónica em inúmeras conjunturais épocais da sociedade portuguesa. Aliás, antes de terminar a I República, Portugal estava a demonstrar indicadores de um grande desenvolvimento económico.

2)Numa época em que diferentes ideologias degladeavam-se entre si (incluindo monárquicos) e por falta de compreensão do próprio regime por quem o constituia infelizmente aconteceram episódios de alguma violência. Mas não se esqueça que certos monárquicos passaram para o lado republicano os então conhecidos como "adesivos".

3)Aconselho-o a olhar para a composição e origem profissional dos deputados do parlamento dos sucessivos governos. Ficará surpreendido com a pluralidade de ideologias.

4) Atenção, a emigração portuguesa é um fenómeno existente desde o século XVI. Deixe-me dar-lhe o seguinte indicador, durante os anos 70 e 80 do século XIX cerca de 18 mil pessoas saiam de Portugal todos os anos rumo ao Brasil.

5)Poderia estar todo o tempo a indicar adjectivos para qualificar este período. Mas qualquer poder para ser exercido terá de ser um pouco arrogante, a verdade é esta. Infelizmente veio ao de cima o seu fervor e não a sua racionalidade.

7)Inúmeras são as causas para a instabilidade política presente neste período. Deverá incluir as incursões monárquicas e a presença de Portugal na Primeira Guerra Mundial (presença justificada na legitimação de Portugal perante as monarquias europeias sedentas das colónias portuguesas).

Espero ter sido esclarecedor, e que compreenda que ver as coisas dentro de um prisma podem reflectir-se na falta de rigor das opiniões.

Bem-haja,

JT

Octávio dos Santos disse...

Ó JT:

Não se escreve «degladeavam-se» mas sim «digladiavam-se».

Anónimo disse...

Caro Octávio,

Eu trato este blog com respeito, perdoe o meu erro ortográfico. Mas pensei que estavamos aqui para trocar alguns argumentos numa discussão saudável. Não para responder de uma forma arrogante com ausência de argumentos válidos. Isso só contribui para descrédito deste espaço.

Cumprimentos,

JT

João Amorim disse...

caro JT

A "verdade" é difícil de atingir quando é sonegada e trabalhada para atingir determinado fim. Este blogge é um bom exemplo da mostra de perfis e fontes para a compreensão daquilo que foi a república. Mas não chega. E porquê? Porque a matraca do regime não pára de dizer que foi assim e assado como sempre lhe conveio, desde 1910 até hoje. A maior parte das pessoas até acha que a transição entre regimes foi algo tão natural como beber água da fonte. O que importa dizer é que existem factos no decurso da história que foram desvirtuados a bem de alguns e a desdém da maioria.

Anónimo disse...

Caro João Amorim,


Penso que faria bem a este blog uma maior pluralidade de opiniões. Não se esqueça que muitos monárquicos "colaram-se" ao regime republicano reconhecendo a sua legitimidade. Naturalmente, que no período final da nossa Monarquia exerceu-se uma repressão brutal sobre os apoiantes republicanos. Penso que temos de ser mais lúcidos.

Cumprimentos,

JT