quarta-feira, 1 de abril de 2009

República Outlet


Nos media não se evoca outra coisa. Freeport. Gostaria de saber se algum jornalista já fez um estudo ao antes-e-depois deste folhetim ao Outlet. Ganharam clientes? O negócio aumentou? Quem não quer comprar esta notícia, e a trocava de bom grado por uns artigos com integridade, tem que ter muita paciência e bom feitio. As "notícias" querem chegar primeiro que a realidade e para isso há que antecipar o julgamento apetecido. No fundo, diria, que este povo pulsa pelo permanente ajuste de contas: o empregado contra o patrão, mesmo que este lhe dê emprego, o "pobre" contra o "rico", mesmo que o facto seja pelas aparências, o ateu contra o católico, mesmo que a fé seja um sentido íntimo, a plebe contra o "nobre", mesmo que o "nobre" tenha sido promovido ontem da plebe, os justos contra os pecadores, mesmo que os justos tenham pecado um dia. Na essência estamos hoje como estávamos em 1911 – em plena guerra de cuspe de ressabiados em busca de poleiro. Os cidadãos desta república não possuem o respeito institucional, nem pelas hierarquias nem pelos organismos, porque a plêiade republicana não se respeita e quem vem atrás segue o exemplo; e de exemplo em exemplo esta República vai, cantaroleira, comemorar 100 anos como um dito Outlet: "licenciada" irregularmente e com a "borla" e a burla a singrar.

5 comentários:

Carlos Esperança disse...

Não podemos pensar na 1.ª República sem recordarmos a magnífica conferência proferida por Antero de Quental, em 27 de Maio de 1871, no Casino Lisbonense, em que sintetizou de forma lapidar as causas da decadência de Portugal (e também de Espanha):

1) A Contra-Reforma, herdeira do Concílio de Trento, dirigida pelos jesuítas;
2) A centralização política da monarquia absoluta, com a consequente perda das liberdades;
3) O sistema económico criado pelos descobrimentos, de pilhagens de guerra, que impedira o aparecimento de uma pequena burguesia.

Retomando e sistematizando teses de Alexandre Herculano, Antero abriu os horizontes para a interpretação do nosso crónico atraso e para o apuramento das responsabilidades históricas. O folheto publicado teve larga divulgação e enorme influência nas raras pessoas cultas da época e exerceu uma influência decisiva no historiador Oliveira Martins que, por sua vez, marcaria o início do último quartel do século XIX com a publicação da História da Civilização Ibérica e a História de Portugal, em 1879, e o Portugal Contemporâneo, em 1881.

Curiosamente, em Espanha e Portugal, onde jamais se fez sentir a Reforma, a Contra-reforma foi exuberante e atingiu níveis de violência e de perseguição política que só o efeito conjugado da Inquisição, da monarquia absoluta e do analfabetismo puderam lograr. Foi um pesadelo urdido pelo trono e o altar num país que o Vaticano tinha como protectorado e a família de Bragança como coutada.

Em Portugal, o triunfo da República, em 5 de Outubro de 1910, foi um furúnculo que rebentou. Das escassas tropas republicanas, cercadas na Rotunda, alguém disse: não podendo aguentar-se os sitiados, renderam-se os sitiantes. A alegria do povo de Lisboa sufragou a Revolução, tal como aconteceria no 25 de Abril, que iniciou a 2.ª República, depois de quarenta e oito anos de ditadura,

Não esqueçamos as velhacarias da ditadura de João Franco e a cumplicidade de D. Carlos que apoiou prisões arbitrárias, o fecho do Parlamento, o encerramento dos jornais, julgamentos sumários e deportações em massa de adversários políticos, monárquicos e republicanos, que o regicídio travou. A assinatura real na suspensão da Carta Constitucional instalou o terror e foi a causa da execução com que o autor expiaria o apoio à ditadura de João Franco.

Pode dizer-se da monarquia, parafraseando o Eça: «Não caiu porque não era um edifício, saiu com benzina porque era uma nódoa». E, caído o trono, estatelou-se o altar que o amparava.

A monarquia, que colocou Portugal no caos e na bancarrota, legou 75% de analfabetos, 80% de camponeses sem qualquer instrução ou assistência, uma crise financeira arrastada desde 1890, uma Igreja que cultivava a superstição e criaria Fátima e a desordem e o caos que iam da rua ao Paço.

A República suportou as conspirações monárquicas, as incursões de Paiva Couceiro e as cisões republicanas, numa réplica invertida das duas últimas décadas da monarquia. Sobreviveu à guerra de 1914/18, ao caos económico, à bancarrota, a Pimenta de Castro e a Sidónio Pais. Teve grandezas e misérias mas falta fazer justiça ao que Portugal lhe deve no centenário que se aproxima.

http://ponteeuropa.blogspot.com/2009/04/centenario-da-republica.html

João Amorim disse...

caro Carlos Esperança

Você acredita mesmo no que disse? O que sabe sobre as velhacarias da "ditadura" de João Franco? O que dizer, então, dos anos de 1910 a 1926? Sabe porque é que o Salazar foi erguendo o poleiro com a benção do mesmo povo que havia rejubilado anos antes em "Lisboa"? Sabia que o PIB Português em 1905 era o sétimo maior da Europa? D. Carlos foi assassinado, através de crime político e terrorista, não morreu a sair dos correios como é hábito nesta III (terceira) república, sem esperança...

Ruca disse...

Olhe Carlos Esperança

Em vez de enterrar-se informe-se melhor :

http://causamonarquica.wordpress.com/2008/02/04/abertura-a-esquerda-joao-franco/

Era de Esquerda João Franco sabia ? :))

Octávio dos Santos disse...

«Caro» Carlos Esperança:

De entre os muitos disparates que você postou aqui, há dois que justificam a devida réplica.

Primeiro, lendo o seu arrazoado, até parece que se passou directamente do absolutismo para a república. «Esqueceu-se» de que existiu a Monarquia Constitucional, que durou várias décadas e na qual se atingiram índices de progresso e de liberdades que só voltariam a ser atingidos com o 25 de Abril. E, sinceramente, prefiro estar numa «coutada» dos Bragança do que numa de Costa, Salazar & Pinto de Sousa.

Segundo, com que então «a alegria do povo de Lisboa sufragou a revolução»?! Tem de me explicar como é que funcionou esse «rigoroso» sistema de referendo... De qualquer modo, «alegria» foi o que não existiu no resto do país, contra cujas populações foi enviada a recém-criada GNR para «patrióticas» missões de porrada..

Anónimo disse...

Caro Octávio dos Santos,


O comentário do senhor Carlos Esperança parece ser mais lúcido do muitos do que vocês aqui publicam. Vamos lá a ver uma coisa, deixe-me esclarece-lo de que a Monarquia Constitucional apenas delimitava as competências e funções dos diversos órgãos governativos. Além disso, é necessário reconhecer no aspecto da educação as profundas alterações levadas a cabo pela República. Agora, estar a comparar regimes diferentes e acusar agentes políticos actuais com argumentos provenientes do passado parece-me pouco lúcido.

Ah e deixe-me dizer que a República existiu e foi original e a prova é que hoje alguns odeiam-na.

Cumprimentos,

JT