domingo, 23 de novembro de 2008

Entrevista Revista Homem Magazine (1)

Durante as próximas semanas iremos transcrever aqui uma entrevista da jornalista Cláudia Baptista sobre o projecto Plataforma do Centenário da República publicada na revista Homem Magazine de Novembro.

HM - Quem são João Távora e Carlos Bobone?

R: Somos dois cidadãos da república portuguesa que tiveram a ideia de viajar até às origens do regime que nos tutela e ficaram fascinados com esse mundo tão desconhecido e tão diferente do nosso. Achámos que a experiência merecia ser divulgada e pusemo-nos ao trabalho, reunindo documentos, jornais, livros e fotografias que dão um panorama do que se passava e pensava na época da implantação da república. Não temos passado político.

HM - Em que principais aspectos acham que a história da república está mal contada?

R: Os aspectos mais repressivos e impopulares da história da república encontram-se protegidos por um manto de pudor que os protege de olhares indiscretos. Parece haver partes da história que não se devem desvendar, tal como há partes do corpo que se escondem dos olhares exteriores. Na história de Portugal a linha que demarca o pudor acaba em 1926. A partir daí expõem-se todas as “vergonhas”. Qualquer cidadão minimamente instruído conhece o aparelho repressivo do Estado Novo, e se tiver dúvidas a esse respeito encontra abundantíssimo material para seu esclarecimento: livros, revistas, catálogos de exposições, actas de colóquios, testemunhos públicos e privados explicar-lhe-ão o que se passava a respeito de censura, polícia política, eleições e oposição.
Quem dirija a sua curiosidade para os primórdios da república recebe um tratamento bem diferente. Não só terá de fazer sozinho a maior parte do trabalho de pesquisa, consultando jornais, folhetos, testemunhos da época, como encontrará pelo caminho obras recentes que o induzirão em erro, por vezes com o patrocínio do Estado Português. Se quiser saber, por exemplo, qual era a situação da imprensa durante esse período, arrisca-se a comprar, no Museu da República e da Resistência ou na Biblioteca da Assembleia da República, um livro muito bem ilustrado, onde lhe dirão que a república trouxe consigo uma nova era de ampla liberdade de imprensa, interrompida esporadicamente pelos efeitos da primeira guerra mundial e pela necessidade de defesa contra as agressões monárquicas. Mas nas próprias ilustrações do livro encontrará motivos para duvidar do optimismo do texto.

(Continua)

4 comentários:

space_aye disse...

"Somos dois cidadãos da república portuguesa que tiveram a ideia de viajar até às origens do regime que nos tutela e ficaram fascinados com esse mundo tão desconhecido e tão diferente do nosso"

Até que depois acordaram e perceberam (ou deviam) que as origens do regime já lá vão e que agora apenas se deve pensar no futuro apresentando propostas ao pais em vez de brincar aos reis, á monarquia e ao absolutismo.

Nuno Castelo-Branco disse...

Quem anda a brincar à democracia e ao absolutismo, é a república que liquidou o Estado liberal e nos proporcionou o século XX que o Space aye bem conhece (?). E isso de reescrever a história é uma coisa ridícula, pois agora, com as novas tecnologias da informação, é impossível ocultar a verdade. Até o João Medina, outrora defensor ferrenho da "coisa", já diz o contrário. Acorde que esse "space" que a república ocupa está muito infestado de percevejos.
Quanto ao mais longo período de absolutismo, vivemos na 2ª república e naquele que os republicanos tanto gabam: o sr. Pombal, grande herói (e ladrão) esse...

Anónimo disse...

Os republicanos gabam Pombar ... o ditador, gabam Afonso Costa o ditador ... e criaram Salazar o ditador ...

Anónimo disse...

www.homemmag.pt