terça-feira, 16 de junho de 2009

As repúblicas não são eternas

Para aqueles que de forma sobranceira me perguntam quais as motivações para esta minha teimosa militância pela monarquia, que aspirações me movem para tão exótica causa, tão incómoda e excluída da “agenda politica”, eu respondo que o faço por uma questão de responsabilidade: a responsabilidade que me cabe para com a continuidade desta “utopia” no seu sentido mais nobre: o sonho dum Portugal com futuro.
Conheço alguns ilustres “compagnons de route” que optaram por “congelar” o seu ideal monárquico, imbuídos dum pseudo-realismo e embrenhados na espuma dos seus projectos pessoais, políticos ou profissionais. Tenho pena: eu sei como é difícil apregoar esta ingrata causa que não favorece carreiras ou comendas. Reconheço que a mensagem embate numa implacável “agenda mediática” que emerge do espectáculo popularucho e da mesquinha contenda política, das conveniências corporativas e interesses imediatos.
Não nego a evidência de que hoje os grandes males que Portugal padece são profundos e estão a montante da questão do regime. Como em 1910 as instituições estão descredibilizadas e não funcionam. Os portugueses, habituados ao assistencialismo e pouco atreitos a responsabilidades, parecem conformados com um medíocre destino, cuja perspectiva não passa do amanhã. E temos a merdização do debate político, com a gestão da rés pública ao nível do chão. Deste modo e dentro das minhas limitações, não prescindo de intervir de dentro do sistema em favor da minha comunidade e pelo futuro do meu país, com a liberdade que esta república me proporciona. Mas não me passa pela cabeça hipotecar as minhas mais profundas convicções.
Acredito profundamente na monarquia, na instituição real como a solução mais civilizada para a chefia dum Estado europeu e quase milenar como é o nosso. Num tempo de relativização moral, de fragmentação cultural e enfraquecimento das nacionalidades, creio mais que nunca na urgência duma sólida referência no topo da hierarquia do estado: o rei, corporização dum legado simbólico identitário nacional, garante dos equilíbrios políticos e reserva moral dum povo e dos seus ideais. O rei, primus inter pares, é verdadeiramente livre e por inerência assim será o povo.
Sou modesto: espalhar a doutrina e "fazer" mais monárquicos é o meu único objectivo. Que floresça nas mentalidades o sonho duma nação civilizada e de futuro, ciosa da sua identidade e descomplexada da sua História. De resto, o seu curso é sempre imprevisível e, quem sabe um dia, num instante tudo poderá mudar.

6 comentários:

João Amorim disse...

Obrigado, João. Foram pessoas com igual motivação que me conquistaram para a causa. Faço menção a dois dos que mais me influenciaram: o meu saudoso primo, João Camossa e o Gonçalo Ribeiro Teles. Que o ideal monárquico seja um ideal afectivo, de princípios e ética e de realização do seu povo e da sua história.

RPA disse...

Caro João Távora,

Eu, que não sou monárquico, identifico-me perfeitamente com todo o texto, sem qualquer excepção.

E há muito que acredito que a integração europeia, pelo perigo de diluição das identidades nacionais que traz consigo, é precisamente a oportunidade para a restauração da monarquia.

A que eu nunca me oporia, porque o único argumento que existe contra a monarquia é o do igualitarismo, com base no pressuposto de que o Rei é um privilegiado face ao povo.

Mas se há coisa que eu mais detesto, ainda mais do que a primeira república, é precisamente o igualitarismo. Por isso não me incomoda mesmo nada que o Rei detenha alguns privilégios.

Mas falta credibilizar a alternativa monárquica. Não me refiro ao pretendente, mas à própria ideia de restauração. Enquanto isso não acontecer, o seu sonho não se concretizará.

Um abraço
Ricardo Pinheiro Alves

Câmara disse...

"Mas falta credibilizar a alternativa monárquica."

Eu diria mais, falta aparecer a alternativa monárquica. Porque nos moldes actuais a Causa Real basicamente não existe para o "grande público" (ninguém fora da monarquia sabe sequer o que é), só se mostra no 1 de Fevereiro e afins e muito timidamente. A outra alternativa é o PPM (a única que constitucionalmente pode de facto restaurar a monarquia porque já se percebeu - fora o MPT e alguma parte do PP - que é tudo "mui" republicano (quando se vai para a esquerda então lol para a monarquia). Só que o PPM é odiado por muitos monárquicos por razões que não interessam agora e por isso nem o representante dos monárquicos fanáticos consegue ser. A internet é actualmente a base da monarquia portuguesa (sem dúvida que devido a "particulares" e não aos sites das instituições) mas só os que se interessam pela monarquia é que frequentam estes sites. Ou seja, a propaganda monárquica em Portugal não existe, pura e simplesmente. Assim é difícil.

Daniel Nunes Mateus disse...

Em resposta a Jorge Câmara: O que diz no seu comentário é uma verdade indiscutivel, só que há um pequeno promenor que não teve em conta: Dinheiro não há! E se não há não se pode fazer grandes milagres. Falta a base financeira, para, uma propaganda eficaz. E muito se tem feito. A Republica ainda se mantem, porque é sustentada, como em 1910 por grande base financeira. Mas não será eterno, porque, a Republica cada vez é menos viável. Mas o seu comentário é bastante elucidativo e com o qual concordo.
O que se pode fazer é picar!

João Paulo Carvalho disse...

Caro RPA,

Só uma pequena nota ao seu comentário: o Rei não tem mais privilégios que os restantes cidadãos, pelo contrário; ao abdicar da sua vida pessoal em muitas vertentes para servir o País no decurso da sua vida, o Rei efectivamente é alguém cujas liberdades mas estão restringidas por abraçar a causa pública deste modo.

Saudações monárquicas.

RPA disse...

Caro João Paulo Carvalho,

Não podia estar mais de acordo. O qrgumento contra não é meu, é daqueles que criticam a monarquia e dizem que é pior sistema do que a república. Eu nunca disse isso.

RPA