terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Uma Ideia para um Destino



Já percebeu o que possivelmente acontecerá no dia da não-ida às urnas e por isso, o marido da Sra. Dª Maria Cavaco Silva foi à Madeira insultar aqueles que no próximo dia 23, "comodamente ficarão em suas casas", abstendo-se de participar na inutilidade eleitoral que aí vem. Os dichotes nem sequer rasam as cabeças daqueles que já decidiram ignorar, os interesses pessoais do senhor que ainda ostenta a Banda das Três Ordens - mutiladas -, porque neste caso, a ameaçadora abstenção também conta. Consiste numa legítima e necessária decisão política e por isso mesmo pressentida e muito temida, indicadora da clara rejeição do discurso oportunista dos irresponsáveis que conduziram Portugal ao estado desesperado que todos temos que pagar. Nisto, como em muitos outros aspectos, o actual Chefe de Estado não se distingue de qualquer outro dos candidatos, com a desvantagem de não poder apresentar no seu currículo, qualquer aspecto meritório de acção em benefício daqueles desprotegidos, para quem um pedaço de pão e uma pequena lata de água meio salobra, consiste num vital auxílio à subsistência. Os "apoiantes de honra" do prof. Cavaco Silva são sobejamente conhecidos, com outro tipo de exigências e há que dizê-lo, o re-candidato não descurará a protecção dos fiéis amigos. Agora, avoluma-se a desconfiança que torna todo este processo eleitoral, numa táctica cortina de fumo que servirá para durante mais algum tempo, prosseguir a azáfama de ocultação de certos casos escaldantes.

Diz o fracassado "modernizador", que ..."o país precisa de alguém com experiência e que conheça o rumo que Portugal deverá tomar". Estamos de acordo, são sábias palavras de quem nos últimos trinta anos, muitos esperaram algo de "sustentadamente" positivo. Esse alguém não é, disso estamos seguros, o prof. Cavaco Silva ou qualquer um dos seus oponentes à presidência. De facto, o país não precisa de qualquer introspectivo e solitário homem providencial, mas sim, de uma ideia para um destino.

2 comentários:

JSM disse...

Completamente de acordo.
De facto o sr. cavaco não representa os monárquicos a aferir pelo número de vezes que em cinco minutos de discurso (de ano velho e relho)se referiu à república, com centenário incluído. Uma tristeza.
Abraço.

Miguel disse...

Um dilema: a bem da ilegitimidade moral e política do exercício da chefia do estado a que isto chegou, o ideal seria que o «eleito» deste ano só lá chegasse com grandíssima abstenção e à segunda volta, para que a humilhação fosse de ouro. Não me importaria de fazer o sacríficio oblativo de ir votar num galo de Barcelos qualquer na primeira volta para impor a segunda, e nela me abster então. Ouro sobre azul... E branco! O pior era se, assim mesmo, o candidato Silva vencia à primeira...