Em balde as empresas substituíram títulos regalengos de T. de D. Maria II, D. Amélia, Príncipe Real, etc., por outros mais consentâneos da nova idolatria populacheira. A gente de dinheiro não sai de casa, ou debandou para a província, e quanto à outra, como há quase dois meses não trabalha, claro que não tem dinheiro para espectáculos, e engana o estômago fazendo demonstrações festivas aos mandantes, e mesmo nos intervalos desta a si mesma…»
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 31-32.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
XI – LISBOA “REPUBLICANA” (2)
«Ainda o ano passado, por este tempo [Novembro de 1909], quando às primeiras chuvas as famílias volviam do campo e praias, para encher as ruas lisboetas, às tardes do rumor alegre das suas chalras; ainda o ano passado, apesar de ter sido um mau ano de negócios, a capital tinha um tal ou qual aspecto de urbe fina, rica, elegante e algo soberba dos seus palácios de pedra, das suas avenidas, de ailantos e faulónias, dos seus coupés e dos seus autos, dos seus cavaleiros e das suas amazonas.
A mudança do regime transformou completamente a fisionomia das ruas, e influi na qualidade e até na quantidade dos viandantes.
Lisboa parece uma versão plebeia de si própria, uma cidade de criados de servir e de operários sem trabalho.»
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 28-29.
A mudança do regime transformou completamente a fisionomia das ruas, e influi na qualidade e até na quantidade dos viandantes.
Lisboa parece uma versão plebeia de si própria, uma cidade de criados de servir e de operários sem trabalho.»
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 28-29.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
X – LISBOA “REPUBLICANA” (1)
«Lisboa tem o ar de uma cidade coacta e constrangida, com as casas fechadas, as avenidas desertas, os restaurantes e as grandes lojas às moscas. Pelas ruas, de quando em quando, ajuntamentos de plebe arremangada, que parece esperar não sei que Páscoa; ou bichas de gente correndo ao governo civil e aos ministérios, e atroando os ares com berrarias que os jornais chamam pomposamente “manifestações”. A tropa sai dos quartéis para fazer apoteoses (!), como o outro dia ao Magalhães Lima. Os heróis e os ministros andam pela província no record dos vivas e na patuscada dos jantares. A gente rica retrai-se, a classe preponderante desaparece e some-se; e todos, atónitos, perguntam se é este o quadro de Portugal redimido e aberto à liberdade!
Digam-me então se pelo que acabo de expor, o país não ficou pior depois da República, do que estava nos “omniosos tempos da monarquia”».
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 25-26.
Digam-me então se pelo que acabo de expor, o país não ficou pior depois da República, do que estava nos “omniosos tempos da monarquia”».
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 25-26.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
VIII – A LEGISLAÇÃO REPUBLICANA
«O que se legisla é pouco e mau, como por exemplo, a lei de imprensa, incompleta e muito menos liberal que as anteriores, e cujos primeiros parágrafos parecem redigidos de propósito para por o jornal do Homem Cristo à mercê das prepotências da autoridade civil. Demissões, exonerações, juntas de saúde, convites à reforma… balões de ensaio nos jornais, e quem, ipso facto, o substitui; e em pouco mais se cifra a acção governamental republicana.»
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 21.
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 21.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
VII – OS MINISTROS DA REPÚBLICA
«Há ministros atacados da doença do sono, que são puros manequins republicanos; há outros, nefelibatas, cultivando principalmente a parte ornamental das pastas, - discursos bombásticos, recepções aos “patriotas”, viajatas com música e vivoteio -; e há, finalmente, alguns cuja actividade, geralmente exaltada nos centros de cavaco, se reparte entre a promulga de leis dispensáveis (verdadeiros fundos de gaveta), e a consabida incrustação nos lugares gordos, de uma variada e ilustre parentela.»
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 20-21
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 20-21
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
VI – A FUTILIDADE DA REVOLUÇÃO REPUBLICANA (II)
«A proclamação da República foi uma imprudência, filha das ambições de mando dos chefes e das cobiças desenfreadas dos subalternos. O povo português não está educado para compreender e amar a liberdade. Na monarquia tinha mais que a necessária, e por isso pela relaxação suprema dos dirigentes, a anarquia alastrou, e a revoluciúncula foi possível com um bando de soldados indisciplinados e meia dúzia de milhares de carbonários».
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 17-18.
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 17-18.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
V – A FUTILIDADE DA REVOLUÇÃO REPUBLICANA
«(…) em países cultos e com uma noção definida de liberdade, república e monarquia constitucionais são tabuletas anunciando uma só mercadoria. Não diferem quase como instrumento de governo. Dentro de uma constitucional, como dentro de uma república constitucional, cabem todas as reformas que possa desejar a nação mais progressiva e ter proposto o directório republicano mais radical. Para implantar no país essas reformas, não vale a pena derribar o monarca para assentar no trono o presidente».
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, p. 17.
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, p. 17.
domingo, 13 de setembro de 2009
IV – EDUCAÇÃO, A EVOLUÇÃO E OS REGIMES
«Este Portugal republicano é aquele que tem nas cidades 75, e nas aldeias 90 por cento de analfabetos; que apedreja os médicos por ocasião das epidemias, que crê parvamente em Messias políticos e bruxas, que vive de indústrias fictícias e agriculturas rotinárias, e com um jornalismo pedante de repórteres, uma ciência de copistas e uma literatura de decalques, chegou a este grau de subalternização mental e moral: no campo das liberdades políticas só conhecer vivas e morras, e de tal maneira ter perdido a noção das realidades e o instinto justiceiro dos galardões, que é ver um diabo de espingarda, desata logo a chamar-lhe herói, e a trazê-lo pela rua às cavalitas.
E a razão é simplicíssima: só em Portugal se acredita ainda que as formas de governo tenham que ver na marcha perpétuamente evolucional das sociedades. As nações experientes, os homens de cultura e razão modalizada pelo estudo rigoroso da ciência social e da História, de há muito vêem como na realidade estas coisas, forma de governo e progresso social, vivem completamente estranhas uma à outra.»
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 15-16.
E a razão é simplicíssima: só em Portugal se acredita ainda que as formas de governo tenham que ver na marcha perpétuamente evolucional das sociedades. As nações experientes, os homens de cultura e razão modalizada pelo estudo rigoroso da ciência social e da História, de há muito vêem como na realidade estas coisas, forma de governo e progresso social, vivem completamente estranhas uma à outra.»
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 15-16.
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III – OS “ADESIVOS” DA REPÚBLICA
«A fúria das aderências foi tantas, e ameaça de tal modo subverter o núcleo dos republicanos primitivos, que ministros e próceres do novo regime, aterrados do enxurro, não fazem em escritos e discursos senão chamar vendidos e canalhas a esses cristãos novos, que terão de sofrer as vaias afrontosas – e muitos nem salvarão os víveres que os obrigam a estas figuras tristes – mas que nem por isso deixarão de acercar-se e cingir de perto a situação nova, gritando que são republicanos desde a aparição dos dentes caninos, que toda a sua alma é jacobina e toda a sua caspa é democrática».
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, p. 10.
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, p. 10.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009
II - A (DES)EDUCAÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA
«(…) o partido republicano não soube, nem quis cerebralisar nos seus trinta anos de oposição, essa grande força popular. O partido republicano não soube, nem quis coagir os governos monárquicos, com a poderosa força de oposição de que dispunha, a decretarem uma organização escolar progressiva completa e mobilizada pelos novos critérios educativos. § Não impôs a instrução primária obrigatória, não curou da educação moral e cívica das massas, não quis transformar em cidadãos os adeptos, em força inteligente a força bruta; e isto para haver em mãos só gentes fanatizáveis, irreflexivelmente crédulas e broncas, com as quais fácil chegaria pela arruaça e pelo sangue, à conquista do mando – quando a parte nobre de tal conquista estaria simplesmente em confiá-la a uma evolução pacífica e letrada»
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 11-12
ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 11-12
Nota: este excerto, apenas, vem contradizer o discurso apologético e ciníco que se pode ler no folhetim digital intitulado Jornal do Centenário: «Se D. Carlos foi um rei culto, dado às Ciências e às Artes, a generalidade dos seus súbditos partilhava uma realidade educativa diferente: a maioria da população era analfabeta. Ainda durante a monarquia, por impulso dos republicanos foram criadas várias instituições (centros escolares republicanos, sociedades promotoras da educação, grémios de instrução) com a preocupação de alfabetizar o povo, divulgar o ideário republicano e promover o ensino laico.» (Julho 2009, p. 4). Se efectivamente havia a necessidade de divulgar e inculcar o ideário republicano (ainda hoje presente na forma pueril com que se iludem as crianças acerca dos símbolos «nacionais»), à República Portuguesa não interessava uma população letrada, instruída, culta. Seria essa população a primeira a questionar os modos pouco democráticos do novo regime. O grande arranque na modernização e na promoção escolar e educativa começou ainda durante o Antigo Regime, durante o consulado do Marquês de Pombal, sob o reinado de D. José, mas se houve período fértil em renovação e modernização do velho sistema de educação (preso aos ditames da Igreja) tal ocorreu a partir do Liberalismo, durante os reinados constitucionais de D. Maria, D. Pedro V, D. Luís e D. Carlos. Este não foi aliás, o único rei culto, que o Jornal do Centenário frisa, mastigando as Ciências e as Artes, com a mesquinhez da inveja e do ódio, mas praticamente todos os monarcas que o antecederam nesse século. E a eles se deveu muito do que hoje é Cultura e Legado educacional que vive nas novas gerações que nele bebem grande parte do seu conhecimento sobre o País (basta recordar que os Museus Nacionais estão, de alguma forma, ligados à memória e intervenção desses monarcas).
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Achegas para um Dicionário da República Portuguesa
É de um escritor insuspeito, porque dono de um paradoxo pouco comum ao português dos primeiros anos do século XX («que digo eu?», ao português, ponto final) que saíram das crónicas mais luminosas e vibrantes sobre os primeiros instantes da República. Não são escritos a quente, nem palavras saídas da pena ressabiada de um detractor compulsivo (embora, reconheçamo-lo, Fialho de Almeida foi, acima de tudo, um crítico). Antes o registo de um juiz para quem ambos os regimes – Monarquia ou República – tinham a marca da indiferença, gizada por um povo desinteressado, analfabeto e facilmente manipulável pela demagogia. Assim se fizera a República de 1910, morta pelo cansaço de um rotativismo mas sobretudo pelas dissensões internas, onde homens esquecidos da honra e da lealdade pleiteavam sobre o individualismo e o egoísmo das benesses e do poder, que abriram caminho a uma dúzia de demagogos oportunistas inflamados.
“Saibam quantos…” é um dos melhores retratos da revolução republicana, dos seus métodos mesquinhos e dos atalhos dos seus homens (uma pequena minoria de cabecilhas) para tomar à força um país anémico, convertendo súbditos em cidadãos como se tal fosse a solução para o arranque económico e para o desenvolvimento cultural do país – embora tais objectivos, como anota e bem Fialho, estivessem longe de constituir o programa ideológico do republicanismo. Tomado o poder, havia que reparti-lo, dá-lo a quem merecia, convertendo oportunistas em republicanos e os novos republicanos em caudilhos. Formar uma classe política para dominar o Estado e a Sociedade, assegurando que os súbditos não reclamassem o regime deposto foi, até á chegada de Salazar, o principal móbil da política republicana. Só muito atrás vinham as causas da educação, do trabalho, da saúde, etc. O frenesi legislativo mostra um temor e um nervosismo que vai minando a república, ao ponto de criar a instabilidade que se conhece para o período e longe da ideia de grandes reformas está, nada mais nada menos, do que a destruição das instituições criadas pelo Liberalismo para erguer sobre elas um aparelho ideológico – espartilho e condicionador de liberdades que os republicanos apregoavam não existirem antes de 5 de Outubro de 1910. Fialho d’Almeida descreve este processo de coacção, resistência, eliminação, em suma destruição, que os republicanos (novos e velhos) vão levando a cabo nos primeiros “minutos” da longa noite republicana. Se estas crónicas são o espelho de um “verão quente”, ou no caso, um “inverno rigoroso”? Não. Basta pensar nos 99 anos que se lhe seguiram para perceber que muito pouco mudou. Não há como a leitura integral desta obra para ganhar um conhecimento lúcido e sincero sobre a República Portuguesa. Porém, na impossibilidade de dar à estampa digital a totalidade do livro de Fialho irei publicando aqui excertos das suas crónicas sob a forma de um dicionário, correspondendo cada tema a uma transcrição e um assunto versado pelo escritor nesta obra hoje praticamente ignorada… Nota: actualizei a grafia, para uma leitura mais apurada.
(*) O tema e a descrição do mesmo são, afinal, e como o leitor pode constatar, de uma actualidade flagrante.
“Saibam quantos…” é um dos melhores retratos da revolução republicana, dos seus métodos mesquinhos e dos atalhos dos seus homens (uma pequena minoria de cabecilhas) para tomar à força um país anémico, convertendo súbditos em cidadãos como se tal fosse a solução para o arranque económico e para o desenvolvimento cultural do país – embora tais objectivos, como anota e bem Fialho, estivessem longe de constituir o programa ideológico do republicanismo. Tomado o poder, havia que reparti-lo, dá-lo a quem merecia, convertendo oportunistas em republicanos e os novos republicanos em caudilhos. Formar uma classe política para dominar o Estado e a Sociedade, assegurando que os súbditos não reclamassem o regime deposto foi, até á chegada de Salazar, o principal móbil da política republicana. Só muito atrás vinham as causas da educação, do trabalho, da saúde, etc. O frenesi legislativo mostra um temor e um nervosismo que vai minando a república, ao ponto de criar a instabilidade que se conhece para o período e longe da ideia de grandes reformas está, nada mais nada menos, do que a destruição das instituições criadas pelo Liberalismo para erguer sobre elas um aparelho ideológico – espartilho e condicionador de liberdades que os republicanos apregoavam não existirem antes de 5 de Outubro de 1910. Fialho d’Almeida descreve este processo de coacção, resistência, eliminação, em suma destruição, que os republicanos (novos e velhos) vão levando a cabo nos primeiros “minutos” da longa noite republicana. Se estas crónicas são o espelho de um “verão quente”, ou no caso, um “inverno rigoroso”? Não. Basta pensar nos 99 anos que se lhe seguiram para perceber que muito pouco mudou. Não há como a leitura integral desta obra para ganhar um conhecimento lúcido e sincero sobre a República Portuguesa. Porém, na impossibilidade de dar à estampa digital a totalidade do livro de Fialho irei publicando aqui excertos das suas crónicas sob a forma de um dicionário, correspondendo cada tema a uma transcrição e um assunto versado pelo escritor nesta obra hoje praticamente ignorada… Nota: actualizei a grafia, para uma leitura mais apurada.
I - A LIBERDADE (*)
«Um mês depois de proclamada a República, a situação política não parece tão assegurada, nem tão certa a liberdade moral dos cidadãos, como a princípio prometiam os discursos dos ministros e o porta-voz optimista das suas gazetas. (…) § É o que pelo menos se infere da prisão do antigo presidente do conselho, João Franco chefe dos thalassas, efectuada hoje na sua quinta de Sintra, e a sua trazida ao tribunal da Boa Hora, donde saiu apupado e perseguido por uma escolta daquela turba-multa das ruas que, segundo parece, é quem governa e dirige as acções do governo republicano. (…) § Seis dias antes da prisão de João Franco em Sintra, tinha-se dado a do jornalista Homem Cristo, incisivo director do Povo d’Aveiro, e a suspensão imediata deste jornal, de que se vendiam cerca de vinte mil exemplares, e que tão violentas campanhas fez contra os republicanos, fora e dentro do governo. (…) § Se conjugarmos estes actos, tão indicativos como amostra, com os das espionagens que o governo autoriza sejam feitas por alcateias de populares, sem investidura legal nem competência policial de nenhuma espécie, aos cidadãos que essas mesmas alcateias tomam de ponta; e ainda por cima destes atropelos da liberdade e da segurança pessoal, repararmos nas demissões em massa, de funcionários antigos, alguns cheios de serviços, havemos de convir que afinal o começo deste regime novo cheira diabolicamente ao fim do velho, e que os puritanos e amigos de puritanos, cunhados de puritanos e primos de puritanos, tudo afinal são roedores de apetite voraz (…)». ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 5-8
«Um mês depois de proclamada a República, a situação política não parece tão assegurada, nem tão certa a liberdade moral dos cidadãos, como a princípio prometiam os discursos dos ministros e o porta-voz optimista das suas gazetas. (…) § É o que pelo menos se infere da prisão do antigo presidente do conselho, João Franco chefe dos thalassas, efectuada hoje na sua quinta de Sintra, e a sua trazida ao tribunal da Boa Hora, donde saiu apupado e perseguido por uma escolta daquela turba-multa das ruas que, segundo parece, é quem governa e dirige as acções do governo republicano. (…) § Seis dias antes da prisão de João Franco em Sintra, tinha-se dado a do jornalista Homem Cristo, incisivo director do Povo d’Aveiro, e a suspensão imediata deste jornal, de que se vendiam cerca de vinte mil exemplares, e que tão violentas campanhas fez contra os republicanos, fora e dentro do governo. (…) § Se conjugarmos estes actos, tão indicativos como amostra, com os das espionagens que o governo autoriza sejam feitas por alcateias de populares, sem investidura legal nem competência policial de nenhuma espécie, aos cidadãos que essas mesmas alcateias tomam de ponta; e ainda por cima destes atropelos da liberdade e da segurança pessoal, repararmos nas demissões em massa, de funcionários antigos, alguns cheios de serviços, havemos de convir que afinal o começo deste regime novo cheira diabolicamente ao fim do velho, e que os puritanos e amigos de puritanos, cunhados de puritanos e primos de puritanos, tudo afinal são roedores de apetite voraz (…)». ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 5-8
(*) O tema e a descrição do mesmo são, afinal, e como o leitor pode constatar, de uma actualidade flagrante.
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