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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Qual é?

A instituição que divide, é mais cara e é partidariamente muito parcial? Esta trilogia foi provada ao longo de um século e chegou o momento de darmos remédio ao conhecido mal.
O tempo urge.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Tu que sabes e eu que sei, cala-te que eu me calarei!

Oiço e leio todos os dias os opinadores encartados nas televisões constatarem que a campanha e os discursos não geram entusiasmo, divididos entre a demagogia dos candidatos que reclamam matérias fora do seus poderes, e os que se desculpam por não possuírem prerrogativas para intervir. O problema é que os analistas chegados a este ponto bloqueiam, não desenvolvem a partir daqui, quando seria lógico questionarem o regime. Porque tem um cargo simbólico como este de ser de sufrágio universal e directo? Porque não adoptar um modelo como o da Alemanha ou da Itália em que os elegem nos seus parlamentos? Porque não referendar a monarquia?
Mas recentrando-nos na questão principal: o que receiam os operadores da política (em que incluo os jornalistas) ao não debatem o modelo da Chefia de Estado e sua eleição? Será que receiam cuspir na mão que lhes dá de comer? É o medo da mudança?
O facto é que a monarquia constitucional e as duas primeiras repúblicas caíram de podres, não se adaptaram ou desenvolveram, com as trágicas consequências que conhecemos. Estamos fartos de saber o que não funciona... Até quando vamos continuar neste circo a fingir que tudo está bem

terça-feira, 13 de julho de 2010

Laureados pela FIFA na África do Sul


Admite-se que tenha vindo da Gorongosa até à Africa do Sul, baloiçando de cipó em cipó. Mas não é o Tarzan. Nem sequer o sempre credível Super-Homem. Não, este é o Dino Supremo. Um português como nós.
Acompanhou o Campeonato do Mundo, torcendo pela Selecção dos navegantes. Não naufragou, todavia, como ela. E chamou a atenção de todos, da própria FIFA, que o elegeu o melhor adepto do Campeonato. Viu a sua fotografia exibida no ecrã gigante do Estádio Soccer City, foi vibrantemente aplaudido e regressou num Hyundai a estrear. Tal o prémio que lhe foi destinado.
Olhando para Dino Supremo, vemos que está lá tudo: as alvíssimas ceroulas de gola alta, o garrido da bandeira republicana, nas caneleiras, no peito, na capa que o ajudaria a voar de bancada para bancada. Um misto de catatua e arara. Com o especial atractivo da bigodaça aparatosa, tipica dos anos aúreos do PREC abrilesco.
Está aqui, está, como tantos dos nossos, registado no Guiness.
É que a República ainda não nos tirou tudo. Ainda nos deixou a graça e a capacidade de improviso. O que nos resta para voltar destes grandes eventos mundiais de alguma forma medalhados.

sábado, 3 de julho de 2010

Insultos, anonimatos, republicanices


O jornalista Bourbon e Menezes, de O Mundo era o que costumamos designar um "chega-me isso" de Afonso Costa. Pau para toda a colher. Um dia, a propósito do Rei D. Carlos, escreveu:
«O frascário, que gostava de fazer patuscadas no iatch que tinha o nome da mulher, com galdérias e a guitarra do Reinaldo Varela a tocar o Choradinho e, no tédio das Necessidades, se dava de vez em quando à extravagancia de escrever à máquinas cartas insultuosas para a rainha...».
Tão elevada prosa mereceu do seu colega João Paulo Freire («O Livro de João Franco Sobre D. Carlos») o inequívoco e sonoro reparo:
«Em primeiro lugar chamar frascário a um homem morto já vai para 17 anos não é coragem, mas o que me arrepia e me confrange é aquela afirmação das cartas anónimas, afirmação baseada apenas em boatos torpes e que vai ferir escusadaemnte a memória de um Homem e a honra de uma Mulher!
Verdade que fosse, ainda havia que discutir o direito do insulto a uma pobre mulher viuva e mártir a quem mataram o marido e o filho. Mas Bourbon e Menezes é incapaz de me afirmar sob sua honra que aquilo é verdade. E não tendo a certeza dessa verdade - porque a não tem! - o meu camarada Bourbon e Menezes esqueceu-se, no momento aquelas abomináveis palavras linhas, de que era filho e de que era pai...»
Era assim na 1ª República. Tal qual como agora, quando já se avizinha o fim da 3ª República...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

República — o fim de uma mentalidade

Durante a I República, os monárquicos queriam restaurar a Monarquia contra o Governo. Na II República, a maioria pretendia a Monarquia através do Governo. Nesta III República, a posição dos monárquicos, pelo menos a dos mais significativos, que são os que aparecem agrupados em instituições, em forças políticas, é completamentediferente: defendemos que a Monarquia deve ser restaurada, ou instaurada, quando e da forma que o Povo Português quiser.

Mas a partir de 1974 foi visível, creio que cada vez mais visível, a degenerescênciada República. Durante o consulado de Salazar ela mantivera-se com a estabilidade que todos conhecemos, e de certo modo lhe censurámos, que era uma estabilidade artificial, mas que lhe dava uma certa respeitabilidade. Depois do 25 de Abril voltou-se em grande parte à I República, à balbúrdia, não tão sanguinolenta, mas sem deixar de ter aspectos deviolência – não podemos fechar os olhos ao que se passou no Ultramar. Mesmo na Metrópole, a existência de formas larvadas de violência, de ódios de classe, é qualquer coisa de muito forte, e a própria intriga palaciana dentro e fora dos partidos, à volta dos Governos, em torno dos Presidentes, constituem outros tantos argumentos a favor da Monarquia. Quer dizer, a República está a afundar-se. É um espectáculo deprimente, degradante. É preciso encontrar uma forma de equilíbrio que só pode estar para além do próprio jogo dos interesses em presença, quer económicos quer outros.

Contudo, penso que o facto de as características desta III República serem muito diferentes não nos deve deixar esquecer que o principal para a Restauração da Monarquia é a reforma da mentalidade. Sem uma verdadeira e profunda reforma não faz sentido instaurar a Monarquia, pois as diversas reformas do Estado perdem-se, e hoje é muito fácil destruir num dia o que se construiu na véspera. Portanto, sem uma reforma profunda da atitude mental das populações é muito pouco valiosa qualquer reforma estrutural.

Henrique Barrilaro Ruas in Portugueses. Revista de Ideias, 6-7, Fevereiro-Março de 1989, pp. 39-40

Grato por esta pertinente contribuição do meu amigo Vasco Rosa. Também publicado aqui

sábado, 1 de maio de 2010

Estranhas comemorações

Dedicado ao Nuno Castelo Branco:
«Daqui a pouco, nós e os nossos centenários, e a estéril inanidade das nossas solicitações ruidosas ao Futuro, iremos na ressaca da mesma onda que virá colher o cisco da nossa Babel, e bem pode ser que o jesuíta, renascido do seio de outra civilização, surja depois para se rir de nós. Se os ultraliberais de 1882 estão com o Marquês de Pombal, quem nos afirma que as confederações republicanas e ateístas de 1982 não hão-de estar com os jesuítas. As situações parecem-me equivalentes nas paralelas do absurdo»
(in proémio do «Perfil do Marquês de Pombal», de Camilo Castelo Branco)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Abrantes: um século de república

Cronologia

17 Outubro 1910
: A Camara municipal manda retirar todas as coroas existentes em todos os edificios publicos.

28 Outubro 1911: Encerrada a IGREJA DE S. JOÃO de Abrantes.

2 de Dezembro de 1911: Republicanos assaltam a IGREJA Paroquial de S.Miguel do Rio Torto.

Natal de 1911: No Souto, a População irritada contra a Republica, dão vivas ao Rei D.Manuel e ao herói Paiva COUCEIRO.


14 Fevereiro de 1912: Depois de presos vários monárquicos, conseguem evadir-se da cadeia municipal.

1913: Os Republicanos fecham várias Igrejas Abrantinas e são assaltadas e vandalizadas quase todas as IGREJAS.

1914: Várias procissões da cidade são apedrejadas por republicanos, ferindo várias pessoas de bem, junto ao Passo da rua do Cabo.
Nesse ano são extintas várias importantes e muito antigas Irmandades devido à perseguição dos republicanos, destruindo tradições de centenas de anos.

18 Junho de 1914: Os parocos das principais igrejas de Abrantes são proibidos de aí ensinar doutrina cristã.

14 JULHO de 1915: a Camara MUNICIPAL procede à demolição (à sua custa) de 5 passos religiosos existentes nas ruas da vila, para tentarem exterminar a fé do povo abrantino. OS Passos estavam em bom estado e foi um tremendo crime patrimonial feito à cidade.

22 Agosto 1915: 500 excursionistas de LISBOA, do Grémio Civil do MONTE, promovem um comicio anticlerical, incitando à violência.

NOVEMBRO DE 1917: Roubam todos os objectos das principais Igrejas abrantinas e levam o seu espólio para a CAMARA!!!

1918: O grande Abrantino Luis Falcão Pacheco Menna, é preso em Lisboa, por colocar uma bandeira monárquica na sua casa!

17 Janeiro 1919: Estado de sitio, devido a guerra entre Monárquicos e Republicanos, durante 30 dias. São presos mais tarde vários monárquicos.

21 Fevereiro de 1919: Prisão do Padre das Mouriscas, José Simão Nogueira.

1919: Manuel Proença R.Lisboa, exilou-se em Espanha por ser simpatizante monárquico.Foi perseguido a tiro em Lisboa. Figura que muito amparou mais tarde a cidade de Abrantes.

29 ABRIL 1919: MONÁRQUICOS atacam o Real Convento de S. Domingos para tomarem os militares. PRISÕES e mais humilhações.

1920: Descontentamento geral com toda a vida: greves, fomes e descontentamento. Sapateiros, padeiros e outros entram em greve.

FOME: retenção de azeite falta de farinha.

13 Fevereiro 1921: Um grupo de monárquicos funda a Sopa dos Pobres, para fazer face à miséria que a Republica criou em 11 anos.

Maio de 1921: Constituição do Grupo Monárquico Integralista de Abrantes.

1921: David Serras PEREIRA, concorre como Monárquico Regionalista, com boas votações.

7 Dezembro 1922: o Republicano Manuel Lopes Valente Junior, tenta assaltar o edificio da Câmara para roubar boletins de voto dos monárquicos.

11 Agosto de 1927: Suspensão por 60 dias do jornal "o eco da voz da republica", por não respeitar a censura.

1929: A ditadura da Republica começa a destruir parte do antigo Convento da Esperança.

12 março de 1933: é preso o serrador mecânico, Zeferino Seabra Esteves, condenado a 10 anos de desterro para Angra. SÓ é libertado em 1943.

15 Setembro de 1934: o Censor à imprensa distrital visita e fiscaliza as livrarias da cidade.

2o NOVEMBRO DE 1939: A Câmara destrói o Solar seiscentista armoriado em frenta à Misericórdia, para se construirem os actuais Correios.

Durante 48 anos de Ditadura Republicana feroz são presos, perseguidos e torturados abrantinos por pensarem de diferente modo.

2003: A Câmara obriga o Abrantino Dr. Joaquim Simões Ribeiro a retirar compulsivamente a Bandeira Portuguesa (azul e branca) de um seu edificio em frente às instalações do municipio. A liberdade de expressão é nula na cidade, perseguindo os patriotas e monárquicos.

2009: O Censor Republicano Candeias da Silva, da Revista "Zahara", paga com dinheiros publicos, não permite que se publiquem alguns artigos históricos nessa publicação, uma vez que contrariavam algumas das suas teses.

2009: Nelson de Carvalho, Presidente da Câmara, manda destruir por completo a "máquina da água" da cidade, que elevava a àgua desde o tempo da Monarquia.
Um crime patrimonial de grande gravidade.

2010: a Camara Municipal quer construir uma Torre (futuro Museu MIAA) ao lado de um CONVENTO classificado, sem ouvir a população e sem concurso publico, indo contra toda a ética democrática. Existe uma petição com mais de 1000 pessoas, que contestam o crime patrimonial ao centro histórico e à cidade.

Recebido do Núcleo Monárquico de Abrantes por e mail

terça-feira, 23 de março de 2010

100 anos da República: portugueses de Macau influenciaram passado da China

Um ano após a implantação da República em Portugal, em 1910, seria a vez da China ver cair a dinastia imperial para dar lugar à república, uma ação onde os portugueses desempenharam um papel determinante.
João Guedes, jornalista e investigador português residente no território defende que a "influência de Macau na proclamação da República da China a 10 de outubro de 1911 é tão evidente, quanto mal conhecida" devido à falta de investigação.
"Uma parte significativa dos revolucionários da segunda metade do século XIX, que contribuíram para a implantação da República da China era originária da província de Guangdong, com destaque naturalmente para Sun Yat Sen", um médico radicado em Macau que viria a ser o primeiro presidente chinês.
Sun Yat Sen nasceu na pequena aldeia de Kui Heng, a pouco mais de 30 quilómetros de Macau e viveu no território onde, confessou, "ganhou consciência social".
Depois de concluir o curso de medicina em Hong Kong, Sun Yat Sen fixa-se em Macau, exerce no hospital Kiang Wu e estabelece um consultório e uma farmácia.
"Ele próprio afirma que o exercício da medicina em Macau visava facilitar as suas actividades propagandísticas contra o Império", sublinha João Guedes.
O jornalista explica que Sun Yat Sen formou em Macau o "bando dos quatro", um "grupo impulsionador da formação dos clubes de leitura que incentivavam a população a ler jornais e levava a cabo sessões de propaganda política."
Viviam no território "alguns dos vultos mais destacados" que a república chinesa haveria de produzir, publicavam-se jornais proibidos no continente e que derivavam de várias orientações políticas e que eram depois distribuídos clandestinamente na China.
João Guedes defende também que o republicanismo que dominava na Maçonaria - que tinha forte implantação em Macau através do Grande Oriente Lusitano - "explica" a cumplicidade de Macau nas actividades subversivas contra a China Imperial e salienta a figura de Francisco Hermenegildo Fernandes, proprietário de diversos jornais em Macau, um maçon que era o contacto entre os republicanos chineses e as autoridades locais.
"Foi Francisco Fernandes que acolheu Sun Yat Sen em Macau após a sua primeira e malograda tentativa de revolta contra o regime imperial (1895), organizando-lhe a fuga para o Japão. Há correspondência entre Francisco Fernandes e Sun Yat Sen, que revelam além do grau de amizade pessoal, a partilha dos mesmos ideários políticos e, em determinados aspetos, os laços de fraternidade maçónica que detinham entre si", disse.
Por Macau passaram também vários ideólogos chineses, desde liberais a republicanos que influenciaram Sun Yat Sen e os seus correligionários, destacando-se Zheng Guan Yin, autor de várias obras de economia - escritas e publicadas em Macau - que refletiam as correntes mais modernas do pensamento económico do liberalismo Ocidental.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Cinco de Outubro

Cinco de Outubro é o romance do “nosso” Lourenço Pereira Coutinho recentemente lançado pela pela Sextante, do grupo Porto Editora em ano de centenário da república. Trata-se dum romance histórico em que o autor utiliza os protagonistas da época para retratar os últimos meses da monarquia e a conspiração da revolução republicana.

Sobre o livro: «Junho de 1910: D. Manuel II enfrentava nova crise governamental, após queda do ministério Veiga Beirão. Entretanto, revolucionários e carbonários organizavam reuniões desencontradas para o derrube da monarquia. Cinco de Outubro acompanha os percursos dos principais protagonistas da época – D. Manuel II, Teixeira de Sousa, Paiva Couceiro, Afonso Costa, Machado Santos –, que se cruzam com personagens ficcionados, numa narrativa de intensidade crescente que culmina nos dias da revolução republicana: 3, 4 e 5 de Outubro.

Nos escaparates das livrarias por 16,50€

Lourenço Pereira Coutinho, nasceu em Lisboa em 1973, é autor do ensaio Do Ultimato à República (2003) e dos romances Na Sombra de João XXI (2006), Fim d’Época (2007) e Baile de Máscaras (2008).


terça-feira, 9 de março de 2010

Os custos da República vs. Monarquia

Orçamento do Estado do Reino de Portugal para 1910

Dotação da Família Real:
501 000$000
(Quinhentos e um milhões de reis - Quinhentos e um contos - Dois mil, quatrocentos e noventa e oito euros e noventa e oito cêntimos 2.498,98€)


A dotação da família real pagava os salários da família, os salários de cerca de 250 pessoas da Corte, as visitas de estado e a manutenção dos Palácios da Ajuda, das Necessidades, de Belém, do Palácio da Vila em Sintra e do Palácio Real de Mafra.
Nota: Os Palácios de Vila Viçosa, das Carrancas no Porto e o Castelo da Pena em Sintra eram propriedade privada da Família Bragança e suas despesas não eram cobertas pelo erário público.

Valor actual (2010) da dotação da Família Real:

10.528.177,09 €
(Dez milhões, Quinhentos e Vinte e Oito mil, cento e Setenta e Sete Euros e Nove Cêntimos)

O Método de cálculo do valor actual foi realizado, usando os coeficientes de actualização oficiais, publicados na Portaria n.º 772/2009 de 21 de Julho - Ministério das Finanças e da Administração Pública.


Orçamento de Estado da República Portuguesa 2010

Despesas orçamentadas da Presidência da República:
17.464.000,00 €
(Dezassete milhões, quatrocentos e sessenta e quatro mil euros)


As despesas são, salvo erro, relativas ao salário do Presidente, salários de todos os seus assessores e restante pessoal, visitas de estado e a manutenção do palácio de Belém.

Resumindo e concluindo: a República custa aos Portugueses de 2010, mais 68,88% que a Monarquia custava aos Portugueses de 1910.

Publicado também no "Nova Floresta"

domingo, 31 de janeiro de 2010

100 anos da república

O Partido Republicano em Portugal nunca apresentou um programa, nem verdadeiramente tem um programa. Mais ainda, nem o pode ter: porque todas as reformas que, como Partido Republicano, lhe cumpriria reclamar já foram realizadas pelo liberalismo monárquico. (…) A república não pode deixar de inquietar o espírito de todos os patriotas.


Eça de Queirós, «Novos Factores da Política Portuguesa»,
Revista de Portugal, Volume II, Abril de 1890,

Não deveriam significar qualquer surpresa as efabuladas evocações que se difundiram e publicaram nos últimos dias a propósito dos festejos do Centenário da República que este fim-de-semana com pompa arrancaram no Porto. Estas constituíram um generoso tempo de antena atribuído ao ancilosado regime pela Comunicação Social que afinal dele julga que depende e presta vassalagem. O que se lamenta profundamente é que a Comissão das Comemorações de Santos Silva e Fernanda Rollo, em conluio com a generalidade desses OCS, em desrespeito pela pluralidade de pontos de vista e liberdade de expressão da qual se consideram exclusivos senhorios, promovam um discurso mentiroso ou idealizado sobre os republicanos da revolução do 5 de Outubro e a história dos últimos cem anos. Isto é fazer pouco da inteligência dos portugueses que conseguem desmontar a mascarada: branquear desta forma impune um dos períodos mais negros da nossa história, que emerge na sequência dum tenebroso duplo assassinato (o regicídio), em que um conjunto de terroristas e radicais se apoderaram durante dezasseis anos dos destinos de Portugal. Nem Fernando Rosas, apesar da sua militância política, tem lata para disfarçar assim as mais salientes nódoas do regime nascido em 1910.

Nas múltiplas entrevistas recentemente concedidas pelas televisões e rádios a um qualquer porta-voz da comissão das festas, quando o pivot, por ignorância, inércia ou cumplicidade, prescinde do sua função critica ou de contraditório, tal constitui indubitavelmente um atentado aos mais basilares princípios democráticos. Quererem impingir-nos sem mais nem menos, que Portugal por causa da sua República é mais livre e desenvolvido do que países como a Bélgica, a Inglaterra, a Holanda ou a Suécia, é uma tremenda embustice que carece ser denunciada. Ignorar que a União Soviética, a China, a Alemanha nazi ou Cuba, foram ou são tão republicanas quanto os governos de Afonso Costa ou Salazar à sua época, no mínimo deveria ser motivo de escândalo. Proclamar que foi a revolução do Partido Republicano Português que trouxe a igualdade dos cidadãos perante a lei, o voto universal, ou a liberdade de imprensa, além de constituir uma prova de colossal ignorância, significa o desprezo pela profunda revolução liberal ocorrida durante o século XIX em Portugal, e um vilipendio a todos os seus protagonistas das mais diversas facções políticas; de então Almeida Garrett, Sá da Bandeira, José Estêvão, Fontes Pereira de Melo ou Ramalho Ortigão. E isso, nenhum jornalista de boa fé deveria jamais ignorar.

É deste modo em nome da liberdade e do direito ao contraditório, que se apela a uma urgente mudança de perspectiva e atitude por parte dos OCS, chamando os críticos da Iª república, monárquicos ou republicanos, ao palanque das celebrações. Porque desprezar a História e comprometer um livre debate sobre a república em nome da propaganda, compromete em primeiro lugar a nação que todos somos. Todos.