
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Memórias divertidas da 3ª República

terça-feira, 1 de junho de 2010
Juan Carlos de Espanha, visto por Maria Filomena Mónica

É sempre agradável a leitura de Maria Filomena Mónica, concorde-se ou não com os seus pontos de vista. A sua atenção e a sua imaginação suscitam permanentemente apreciações curiosas, e a sua independência permite a certeza de que acredita no que escreve. No seu recente «Vidas» (ed. Aletheia), conta-nos que viu o Rei de Espanha, pela primeira vez, em Cascais, em 1956. Achou-o «feio, estúpido e antipático». E seguiu en frente, até porque a sua família «nunca discutira a questão de regime, de forma que nem sequer sabia se, lá em casa, éramos monárquicos ou republicanos».
Não passou em claro o percurso de Juan Carlos pelas academias militares espanholas, nem a tensão existente entre o futuro Rei e o seu Pai, o Conde de Barcelona, mais «liberal».
Depois da morte de Franco, as Cortes proclamara Rei o já então «herdeiro da Coroa». Logo em 1981 foi a invasão da Câmara dos Deputados pelo Ten.-Coronel Tejero de Molina ("Al suelo, al suelo" e a adesão que lhe manifestou o Gen. Milan del Bosh.
«De madrugada, envergando o uniforme de capitão-general dos Exércitos, o Rei apareceu na televisão, apelando a que os insurrectos se rendessem, o que viria a acontecer». E conclui: «A forma como a Espanha passou de uma ditadura, nascida de uma guerra civil, para a democracia é um milagre. Em grande medida isso deve-se à actuação de um rei corajoso».
Há muito que ler, nestas memórias escritas de modo despretensioso, só para entreter. Desde logo, esta referência à passagem da ditadura para a democracia. Como às vezes nos esquecemos, coroada.