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sexta-feira, 16 de julho de 2010

A qualidade de vida na morte nesta nossa República


É notícia dos jornais: «Portugal é dos piores países para morrer». Mais concretamente - trata-se de um estudo denominado Index Global sobre a «Qualidade na Morte», realizado pela Economist Intelligence Unit (EIU), em que este nosso País, subjugado pela pata republicana «está entre os dez piores países para morrer».
Em 40 países avaliados, aqui ficam, por ordem decrescente, os dez primeiros: Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Irlanda, Bélgica, Áustria, Holanda, Alemanha, Canadá e EUA.
Na mesma ordem, os dez últimos: Portugal, Malásia, Turquia, Russia, México, China, Brasil, Uganda, Índia.
Não valerá a pena frisar o Reino Unido e os mais países que compõem a Commonwealth instalados nos lugares cimeiros dos que proporcionam a quem morre um condigno final de vida. Não, agora descobriu-se que a familia Real britânica é dona de uma fortuna enorme, e por isso tudo aquilo não presta, é uma farsa. O mesmo quanto às restantes Monarquias que estão em bom lugar na classificação geral.
Vamos é falar dos últimos. Do 3º e do 4º Mundos. Da miséria espalhada pelo planeta. Da Rússia surgente do Império comunista e subjugada por máfias. E de Portugal. Do nosso País que esta República definitivamente afastou da paridade com os demais países europeus e nem quando morremos nos sabe dar algum conforto.
Estariamos em tão baixo nivel em 1910?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Os sentimentos e o pensamento da raggazza


«... nós, republicanos, temos por nós a força irresistivel da civilização, porque a democracia, a república, não é hoje só uma forma de governo das sociedades, é a própria forma do sentimento, da acção e do pensamento contemporâneo...»
(Bernardino Machado, in "Da Monarquia para a República, 1883-1905").
Inteiramente de acordo com Bernardino. Estão aí todos os colarinhos brancos da actualidade para atestar a pureza dos sentimentos e a elevação do pensamento das figuras da República Portuguesa. Nem é preciso citar nomes, a televisão todos os dias os repete e as Comissões parlamentares afadigam-se em agitar um cenário e uma peça de teatro que já cansa e não convence ninguém.
Pobres de nós!...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A República de Abril


Foi, sobretudo, o recordar do saudoso "Passeio dos Alegres". Ontem, na RTP1, com Júlio Isidro no seu melhor, e uma apreciável lote de artistas então (há trinta anos) no auge das suas carreiras.
Mas "República de Abril", porquê? Por malandrice, apenas. Ou por razões de contenção de despesas, em tempos de crise. A tentar de uma cajadada acertar nos dois coelhos: as exéquias do "Centenário" e os festejos do "25/A".
O programa enfatizava o lugar da Mulher na sociedade portuguesa. Imparável, Júlio Isidro, lá teceu louvaminhas ao 5 de Outubro "libertador", para logo de seguir acrescentar: "foi preciso esperar 60 anos" para que às mulheres fosse reconhecido o estatuto de igualdade face aos homens. Já em plena República de Abril, portanto. A que emendou a mão aos lapsos e atavismos da República de Outubro e da República de Maio.
Certo, certo, é que, cada República, cada asneira. Maldizendo-se sempre, umas às outras. No programa da transacta noite esteve na berlinda a de Maio. Quase cinco décadas de República ditatorial, a que formalmente a Lei nº 1 de 25 de Abril de 1974, da Junta de Salvação Nacional pôs termo, destituindo o presidente da República e o Governo e dissolvendo a Assembleia Nacional e o Conselho de Estado.
Depois foi o que foi - dos excessos revolucionários aos actuais excessos de corrupção e inoperância. Em 1 de Maio de 1974, escrevia em Coimbra Miguel Torga:
«Colossal cortejo pelas ruas da cidade. Uma explosão gregária de alegria indutiva a desfilar diante das forças de repressão remetidas aos quarteis.
- Mais bonito do que a Raínha Santa... - dizia um popular.
Segui o caudal humano, calado, a ouvir vivas e morras, travado por não sei que incerteza, sem poder vibrar com o entusiasmo que me rodeava, na recôndita e vã esperança de ser contagiado. Há horas que são de todos. Porque não havia aquela de ser também minha? Mas não. Dentro de mim ressoava apenas uma pergunta: Em que oceano de bom senso iria desaguar aquele delírio? Que oculta e avisada abnegação estaria pronta para guiar no caminho da história a cegueira daquela confiança?»

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vasco Pulido Valente, o Dalai Lama e a verdade histórica

Hoje: Vasco Pulido Valente e o 14º Dalai Lama do Tibete. Duas figuras impossivelmente conciliáveis, salvo, talvez, no respeito que manifestam pela Verdade. Neste caso pela verdade histórica. Por isso fui buscá-los, já que, de certeza, a República não os convida para festejar o seu Centenário.
(Devias ser menos intransigente, Ilda. E essa mania que apanhaste logo no berço de contar umas patranhas... só essa mania, rapariga, já é o bastante para que não vás longe na vida. Olha para trás Ilda, olha e vê quanto nos desgraçaste).
Pulido Valente, então, no seu imprescindível "O Poder e o Povo" (pág. 27):
«(...) postulado falso: o de que o país queria a República. Depois do 5 de Outubro, depressa se tornou claro que não queria. E, assim, esquecendo as suas mais solenes promessas, o PRP nunca decretou o sufrágio universal ou lutou pela descentralização eleitoral ou administrativa. A longo prazo, o democratismo republicano não podia deixar de se revelar por aquilo que era: a expressão ideológica da vontade revolucionária da pequena burguesia urbana».
O historiador não consta seja monárquico. Somente imparcial. Tal como o Dalai Lama, que na sua passagem por Portugal (2003), entre nuvens de políticos zumbidores a cercá-lo, lá se conseguiu exprimir:
«O Rei de Portugal, Dom Duarte, poderá não ser Monarca Reinante mas tem (...) a dificil tarefa de manter vivo o espírito cultural da nação e isso é mais importante do que usar uma coroa...».
Entre a «vontade revolucionária da pequena burguesia urbana» e a «dificil tarefa de manter vivo o espírito cultural da nação» - El-Rei de Portugal. Doa a quem doer.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Portugal no ano 2000

1979. O virar do milénio é uma linha muito lá no horizonte. Os desafios colocados a Portugal são múltiplos e de difícil ponderação. Já se fala abertamente na adesão da CEE, algo por que ainda se teria de aguardar uns tempos. Entre a esperança e as preocupações há um espaço amplo que justificou a compilação de depoimentos, realizada po Jaime Nogueira Pinto, na publicação denominada «PORTUGAL NO ANO 2.000» (Editorial Intervenção).
Trinta anos volvidos vale a pena relê-la. Estão lá as velas todas do macabro centenário que agora se comemora - 16 anos de descalabro político e indisciplina militar; 48 de medo dos antecedentes e autocracia parola; e 36 de jogos partidários e corrupção à la carte. Denominador comum: a perda da consciência nacional, a incapacidade para construir uma economia de olhos postos no futuro.
Uma leitura que se aconselha.
E um excerto, a aguçar a curiosidade dos portugueses. Do depoimento de António Barreto (pág. 50):
«Mau grado as generosidades democráticas que conhecemos nos textos e no regime, a constituição e a lei são, em matéria eleitoral, singularmente sectárias, rígidas e não democráticas. O sistema eleitoral é concebido para conservar a dinâmica de uma sociedade aberta, que será uma das características essenciais da democracia moderna. Modernidade, eis outra palavra chave que devia interessar mais a classe política que apareceu em cena logo após o 25 de Abril. Esta reproduziu "tiques", atitudes e esquemas de pensamento da primeira República, com quase todos os seus defeitos».
Cada um pense para si. Estamos, ou não, como em 1979? Ou como em 1911?