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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A despótica república

A notícia que vem hoje na página 19 do Correio da Manhã (sem versão online) foi-me dada ontem ao telefone pelo seu pai atónito: Sebastião, acabara de voltar para casa proibido de participar numa sessão sobre o Centenário da República na Escola Secundária de S. João do Estoril por envergar uma t-shirt azul como a da fotografia. Este acto de descarado despotismo só se compreende na velha óptica republicana que por um ideal que acreditam sagrado e indiscutível se condiciona a liberdade de escolha e de expressão às pessoas. Da minha parte até percebo a cautela destes zelosos milicianos do regime: da minha experiência em escolas onde se promoveram debates francos e abertos sobre a monarquia e república, foi surpreendente a adesão e o entusiasmo dos alunos, sempre rebeldes, pela opção monárquica, ou simplesmente pela desmontagem da propaganda dos poderosos. Força Sebastião! Força Sebastiões!

PS: Para os interessados este modelo de camisola encontra-se à venda aqui.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O republicanismo em Portugal: uma análise.

Um dos factos que as actuais comemorações do Centenário permitem esclarecer é que existem pouquíssimos republicanos, ou seja, portugueses que se identificam com o regime e nele acreditam, que sabem destrinçar entre os símbolos identitários nacionais e a iconografia da república portuguesa, por exemplo. Uma viagem pela internet oferece-nos uma leitura proveitosa, a que alguns chamariam sociológica.

Por um lado, um pequeno punhado de literatos, na maioria ligados ao ensino (universitário ou liceal) inauguraram blogues cujo objectivo é veicular informações sumárias de carácter histórico, biográfico e bibliográfico sobre o regime e a sua ideologia. São discretos. Exaltam, embora de forma velada, a maçonaria (a cuja instituição devem pertencer) e outros instrumentos do republicanismo português. O seu projecto é anónimo ou quase (assinam o trabalho com iniciais e, ou, pseudónimos) e constituem um movimento silencioso que conquista através da publicação de um conjunto de imagens fortes que aliam a iconografia nacionalista à ideia de república como entidade indissociável de pátria. É o caso do Almanaque Republicano e do "República 100 anos 1910-2010".

Por outro lado, destaca-se um conjunto mais activo e interventivo de blogues que, embora assumindo a sua posição republicana são, essencialmente, espaços de discussão política, onde se comentam os assuntos cadentes e onde a República é apenas símbolo, como a Esquerda Republicana. Dentro desta categoria podemos incluir, ainda, os blogues de opinião pessoal. Conhecemos poucos republicanos dispostos a lutar pela república no espaço da internet, mas devemos destacar o sítio do Prof. Carvalho Homem, defensor acérrimo dos valores republicanos que não se coíbe de promover em entrevistas, conferências e estudos históricos que executa ou dirige.

Finalmente os blogues ou sítios que apresentam conteúdos propedêuticos, para além de propaganda ideológica, são em maior número por força das circunstâncias comemorativas, mas ficam aquém do que se suporia. O facto é que o número de investigadores sobre a República Portuguesa é extremamente diminuto e está concentrado, sobretudo, na Universidade Nova de Lisboa (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas), tendo à cabeça o Dr. Fernando Rosas, cuja formação de base até é o Direito. É uma historiografia tendenciosa, herdeira do pensamento do falecido Prof. Doutor A. H. de Oliveira Marques, grande historiador que nunca se coibiu de manifestar a sua protecção e predilecção pela obra republicana. Como tal, cabe aquele grupo de investigação fazer as honras do regime, que se desdobra em iniciativas e apoios para acalentá-lo. Em Coimbra, um núcleo menor, constituído por alguns moderados, fica com a restante fatia de investigação e influência historiográfica que, ainda assim, não tem força para ultrapassar o forte lobby lisboeta. Basta percorrer os escaparates das livrarias para aquilatar da dimensão e força deste grupo: todas as semanas são publicadas luxuosas edições sobre temas republicanos e História Contemporânea de Portugal.

Devemos assinalar, ainda que, recentemente, foi constituído na internet um grupo intitulado Republicanos Portugueses. A ele pertencem cerca de 500 pessoas. É um campo interessantíssimo de estudo. Constituído na sua maioria por emigrantes, são reveladoras as mensagens nacionalistas deixadas pelos seus elementos. Para eles, a ideia de republicanismo existe apenas na consagração de pátria, ou dos seus símbolos e ídolos (onde se destacam os futebolistas). Não há antítese possível a esta ideia, ou seja, a ideia de monarquia ou outro qualquer tipo de regime nem sequer é ali discutido. Apenas a anulação da pátria, pela supressão da nacionalidade. Neste sentido, a doutrinação republicana iniciada em 1910 falhou e mesmo que uma parte dos dez milhões de euros despendidos nestas comemorações se destinem à veiculação de “valores” republicanos pelas escolas do país (no fundo uma forma de catequese ideológica), julgamos que será necessário um orçamento semelhante, doravante anual, para criar alunos conscientes dos ideais de República.

Não há um movimento global de defesa da República, nem movimentos menores, que permitam identificar o apoio colectivo ao regime e à “ideologia”. Pontualmente, como no caso do 31 de Janeiro, pequenas colectividades, associam República e Resistência, confundido noções como democracia, fascismo, ditadura, etc. Mas essas associações não são republicanas: exaltam o espírito de liberdade e cidadania – uma análise do vocabulário utilizado na elaboração dos seus objectivos exclui a República e os seus “valores”. A “ética republicana”, expressão que nada significa e atenta contra a própria noção de ética, que se quer universal e plural, recusando ideologias e crenças, não tem raízes no republicanismo que herdámos da primeira república. É que apesar do período entre 1926 e 1974 constituir parte destas comemorações, contra a vontade de muitos dos seus corifeus, a doutrinação republicana foi suspensa nesse período, (a qual, em abono da verdade, resistiu em alguns indivíduos como forma de oposição, de resto elemento comum entre republicanos, monárquicos integralistas ou constitucionais, anarquistas, socialistas, marxistas, etc) para reintegrar-se, mais fraca, menos consistente, depois do 25 de Abril de 1974.

Por isso, e infelizmente, não pode a Comissão do Centenário senão ir beber nas fontes da Primeira República, profundamente exclusiva, nada moderada e fortemente autoritária. Mas, dado o tempo que atravessamos, tal colagem até pode fazer sentido…

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

II - A (DES)EDUCAÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

«(…) o partido republicano não soube, nem quis cerebralisar nos seus trinta anos de oposição, essa grande força popular. O partido republicano não soube, nem quis coagir os governos monárquicos, com a poderosa força de oposição de que dispunha, a decretarem uma organização escolar progressiva completa e mobilizada pelos novos critérios educativos. § Não impôs a instrução primária obrigatória, não curou da educação moral e cívica das massas, não quis transformar em cidadãos os adeptos, em força inteligente a força bruta; e isto para haver em mãos só gentes fanatizáveis, irreflexivelmente crédulas e broncas, com as quais fácil chegaria pela arruaça e pelo sangue, à conquista do mando – quando a parte nobre de tal conquista estaria simplesmente em confiá-la a uma evolução pacífica e letrada»

ALMEIDA, Fialho d’ – Saibam quantos… (cartas e artigos políticos). Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912, pp. 11-12


Nota: este excerto, apenas, vem contradizer o discurso apologético e ciníco que se pode ler no folhetim digital intitulado Jornal do Centenário: «Se D. Carlos foi um rei culto, dado às Ciências e às Artes, a generalidade dos seus súbditos partilhava uma realidade educativa diferente: a maioria da população era analfabeta. Ainda durante a monarquia, por impulso dos republicanos foram criadas várias instituições (centros escolares republicanos, sociedades promotoras da educação, grémios de instrução) com a preocupação de alfabetizar o povo, divulgar o ideário republicano e promover o ensino laico.» (Julho 2009, p. 4). Se efectivamente havia a necessidade de divulgar e inculcar o ideário republicano (ainda hoje presente na forma pueril com que se iludem as crianças acerca dos símbolos «nacionais»), à República Portuguesa não interessava uma população letrada, instruída, culta. Seria essa população a primeira a questionar os modos pouco democráticos do novo regime. O grande arranque na modernização e na promoção escolar e educativa começou ainda durante o Antigo Regime, durante o consulado do Marquês de Pombal, sob o reinado de D. José, mas se houve período fértil em renovação e modernização do velho sistema de educação (preso aos ditames da Igreja) tal ocorreu a partir do Liberalismo, durante os reinados constitucionais de D. Maria, D. Pedro V, D. Luís e D. Carlos. Este não foi aliás, o único rei culto, que o Jornal do Centenário frisa, mastigando as Ciências e as Artes, com a mesquinhez da inveja e do ódio, mas praticamente todos os monarcas que o antecederam nesse século. E a eles se deveu muito do que hoje é Cultura e Legado educacional que vive nas novas gerações que nele bebem grande parte do seu conhecimento sobre o País (basta recordar que os Museus Nacionais estão, de alguma forma, ligados à memória e intervenção desses monarcas).

domingo, 22 de março de 2009

Será na liberdade, igualdade ou fraternidade?

Em Barqueiros, perto de Barcelos, existe um contentor uma turma de ciganos, com 17 crianças que foram segregadas do resto da escola. (...) Onde fica no meio desta monstruosidade a Constituição Política da República que em principio nos rege? (...)

Vasco Pulido Valente Público 22 de Mar. 2009

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A História de Portugal...datas importantes para o 4º ano

Tabela cronológica incluida no livro "Outros tempos Outras Histórias" do 4º ano (Porto editora)

Clicar no botão da direita do rato e clicar "ver imagem"

Perante esta tabela suponho que foi a Republica que acabou com o dominio espanhol! isto dá vontade de rir, para não chorar.

Onde está o 1º de Dezembro? O dia da Restauração... supostamente a data mais importante!?

A data da fundação de Portugal... não está aí no dia e més... mas o 25 de Abril está (é a resposta que está no livro e é pedida aos alunos).

O coitado do Viriato foi plantar batatas.

O D. Afonso Henriques é menos importante que a adesão à CEE... nem aparece!

D. João I... Nem vê-lo!

Mas o que eu gosto mesmo é da coroa no meio da Peninsula Ibérica!... Será que temos professores tão maus que nem sabem que a Coroa Portuguesa era independente da espanhola?

As descobertas têm uma referência, mas os últimos 30 anos têm 3!!! Até me admiro o Mário Soares não aparecer nessa tabela, ou o Sampaio ou o Cavaco... já agora o Qim barreiros ou o Ronaldo.

Pobre povo que tem tão pobres espíritos a ensinar as gerações futuras!

bem haja

Portugal medieval explicado ás crianças do 4º ano

No livro do 4º ano de Estudo do Meio, "Outros tempos outras histórias" na página 40 as autoras explicam graficamente o panorama social de Portugal no início das descobertas, portanto séc. XV (portanto já Idade moderna).



Photobucket

A imagem acima só por si dispensa comentários, mas convém referir os erros:

Onde está o Rei? Explicar a sociedade do séc XV sem referir o Rei é como querer correr sem uma perna. Como se trata de um livro do 1º ciclo a intenção é clara:
Omitir o Rei como a peça fulcral da sociedade é um erro muito grave, e a sociedade resume-se a um retalho de grupos que procuram o lucro pessoal.
Traduzindo o que os vários personagens dizem para a mentalidade de uma criança de 8 anos: a Burguesia (curiosamente surge no topo) quer dinheiro, a Nobreza quer dinheiro, o Clero quer mandar e o desgraçado do povo "apenas" "pretende" não ser mais espancado.
Pura ideologia marxista!

Fala-se da "Educação", de que "a Educação" falhou, e que se investe pouco, que os professores isto e aquilo... o problema é este acima focado: nas escolas não se ensina... doutrina-se ideias passadas caducas e fora da realidade actual e factual. A deturpação da História apenas leva à repetição dos erros passados, por isso é que Portugal repete-se ciclicamente desde 1910. Que espécie de adulto teremos se aos 8 anos está a aprender esta "coisa" que de História não tem nada?

bem haja