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segunda-feira, 6 de junho de 2011

O exercício de Votar – A diferença entre o Presidente da República e o Rei

Ontem dia 5 de Junho Portugal foi a eleições, o Povo foi ouvido nas urnas, desde já os parabéns democráticos a Pedro Passos Coelho e a todos os portugueses que votaram.
Até aqui tudo é normal num regime Constitucional excepto algo … o Presidente Cavaco Silva foi votar. Parecendo que não é uma grande diferença entre o Regime Constitucional Monárquico e o Republicano, no primeiro o Rei nunca vota enquanto que no segundo o Presidente vota. No meio disto tudo é natural que se pergunte “onde está a imparcialidade do Presidente da República quando vota ? em que partido vota ? no dele ? favorece qual ?”. Ora seguindo os últimos 25 anos de democracia depreende-se que o Presidente tem vindo sempre de um passado político afecto a um dos partidos do arco da governação, portanto é de questionar só por isso a sua imparcialidade … ainda mais quando ao representar o Povo Português toma partido de uma facção do Povo e não de todos.
Como sabemos a Eleição Presidêncial condicionou a entrada do FMI em Portugal e como tal é legitimo pensar que todos os últimos meses nada foi ao acaso. Segundo a Constituição Portuguesa um Presidente só pode ser demitido pelo Parlamento em caso de Crime, se for doente ou maluco nada se pode fazer … Nunca poderia “arbitrar” um jogo de futebol porque iria beneficiar uma das equipas …
Precisamos mais do que nunca de um Chefe de Estado que una o país e que encontre consensos entre todas as forças políticas, com um Rei todos os partidos teriam a certeza de que a eleição legislativa seria justa e não condicionada.

Se a Crise agudizar provavelmente ainda vamos ver Cavaco Silva a sair de helicóptero de Belém … algo que já aconteceu à Argentina em 2002 pelas mesmas razões que afectam hoje condicionam o nosso país … o FMI

Paiva Monteiro

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Natal no ano do Centenário da República



De bolo-rei a bolo Arriaga

Temos assim que o bolo-rei atravessou com êxito os reinados da Rainha D. Maria II e dos reis D. Pedro, D.Luís, D.Carlos e D. Manuel II. Com a República, houve alguns problemas que depressa foram ultrapassados.
Vieram depois sem novidade o Estado Novo de Salazar e Marcelo Caetano e a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Cinco dias depois da Revolução do 5 de Outubro de 1910 eram já centenas os padres e freiras detidos. O ministro da Justiça e Cultos, Afonso Costa, dirigia pessoalmente interrogatórios a ponto de os seus adversários repescarem, para lha atirarem à cara, a alcunha de “mata frades” dada a Joaquim António de Aguiar.
Ainda em Outubro abolia-se o juramento religioso nos atos civis, suprimia-se a Faculdade de Teologia de Coimbra, extinguia-se o ensino da doutrina cristã nas escolas primárias e terminava-se com os feriados em dias santificados. A única exceção era o Natal, que passava a chamar-se Dia da Família.

Em boa verdade, os piores tempos para o bolo-rei foram os que se seguiram à proclamação da República, em 5 de Outubro de 1910. Meses depois, em 7 de Janeiro de 1911, o Diário de Notícias não fazia as coisas por menos: «O bolo-rei tende a decair ou desaparecer-Terá de ser substituído?» Poderá parecer estranho, mas a proclamação da República pôs em risco e existência do bolo-rei, na altura já considerado tradicional.
Tudo por causa da palavra rei, «símbolo do poder supremo», dizia o Diário de Notícias, que numa lógica que hoje nos faz sorrir, acrescentava na sua notícia-comentário: «Ora, morto este símbolo, o bolo tinha de desaparecer ou tomar o expediente de se mascarar para evitar a guerra que lhe podia ser feita.»
Em face disto, que fizeram os industriais de confeitaria? Partindo do princípio de que o negócio é negócio e política é política, seguiram naturalmente a segunda via, ou seja, continuaram a fabricar o bolo-rei, mas sob outra designação.
Os menos imaginativos passaram a anunciar um bolo que dava pelo nome de ex-bolo-rei, mas a maioria preferiu chamar-lhe bolo de Natal e bolo de Ano Novo.
A designação de bolo nacional era talvez a melhor, uma vez que remetia para a confeitaria que introduziu o bolo-rei em Portugal e também para uma certa ideia relacionada com Portugal, o que fica sempre bem em períodos revolucionários. Não contentes com nenhuma destas soluções os republicanos mais radicais chamaram-lhe bolo Presidente e até houve quem anunciasse… bolo Arriaga! Não se sabe como reagiu o primeiro presidente da República, Manuel de Arriaga, mas convenhamos que a homenagem dos confeiteiros não foi a melhor.

Fonte aqui

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A coerência e a visão

Numa coisa tenho de concordar, há homens de coerência e visão; qual D. João II, um autarca de Paredes pretendeu (ou concretizou) erguer o maior mastro do mundo e lá no alto esvoaçar a maior bandeira do mundo. Eis-la, a ideia, no seu todo plena de sentido. Lá no alto, em todo o seu pano, a bandeira da pobreza, do desemprego, da desigualdade social da República, da frustração, um dos maiores índices de risco para empréstimo bancário do mundo. Mesmo que a crise não tenha permitido erguer o "tal" mastro a ideia fica pela oportunidade. Desde já, deve o povo agradecer o privilégio de tal visão, de coerência, do Centenário da República. Estão a vê-la? Sim. Olhai, lá no alto, essa bandeira-espelho – pena que já esfarrapada pelos ventos desta cíclica tempestade centenária que nos depaupera.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Para furar a cortina de propaganda

Logo às 17,00hs será inaugurada a exposição A Repressão da Imprensa na 1ª República, no Palácio da Independência em Lisboa e contará com a apresentação do jornalista e cronista José Manuel Fernandes. Esta é uma iniciativa da Plataforma do Centenário da República, à margem das comemorações oficiais, não falte!

Entretanto e num longo artigo dividido em cinco partes, a TVI presta hoje uma grande homenagem a D. Manuel II. Sinal dos tempos.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Todos a Guimarães Centenário da República

A Causa Real promove no próximo dia 5 de Outubro no Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães pelas às 15,00 horas, uma Proclamação de Lealdade para com S.A.R. O Senhor D. Duarte, Duque de Bragança, que juntará membros de todas as Reais Associações existentes no território nacional, simpatizantes da Causa Monárquica e cidadãos que não se revêem na actual forma de regime.

Apela-se à participação e presença de todos nesta acção em que terão ocasião de escutar uma relevante alocução ao país do Chefe da Casa Real. Para tanto a Real Associação de Lisboa disponibiliza transporte em autocarro com preços especiais, incluindo para jovens com 50% de desconto.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

De 04 a 15 de Outubro em Lisboa no Palácio da Independência


Não falte, a entrada é gratuita com oferta do catálogo

Estará patente no Palácio da Independência, ente o dia 04 e o dia 15 de Outubro a exposição “A Repressão da Imprensa na 1ª República”, organizada pela Plataforma do Centenário da República e com o apoio da Causa Real.
Esta exposição é feita à margem das comemorações oficiais dos cem anos da república portuguesa e também, o que é mais penoso, à margem da investigação oficial sobre os primórdios do regime republicano.
Trata-se da exibição dum conjunto de várias dezenas de quadros que evidenciam existência de um sistema repressivo regular e duradouro, mantido ao longo da primeira república. Durante esse período o regime estabeleceu formas imaginativas, directas e eficazes, de impedir o acesso do público aos textos perniciosos ou nefastos ao regime: o uso o assalto, a apreensão, a suspensão, e até a censura sem fundamento legal de jornais ou artigos foi tão frequente e continuado, que no seu conjunto constituiu um sistema repressivo sólido e consistente. A estratégia era a sustentação de um regime que não aceitava a contestação dos seus fundamentos, e uma classe política que não punha em jogo a sua permanência no poder. É esta a tese da presente exposição que assim se opõe à ciência histórica em vigor.

Não falte, a entrada é gratuita com oferta do catálogo - de Segunda a Sexta!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O rei Ghob do Albergue Espanhol

É incrível o que os putativos defensores do regime são capazes de fazer para defender um regime que todos nós sabemos que é a maior farça da História de Portugal. Vem este reizinho apontar números e indicar que os republicanos tiveram os resultados mais esmagadores que se possa imaginar em eleições livres ... Ups o home até desculpa a constituição de 1911 e defende que a matança eleitoral de 850 mil eleitores antes de 1910 para 470 mil em 1915 é um caso menor, não sei bem onde aprendeu o conceito de democracia representativa mas ... como convém a um republicano essa representatividade tem de representar uma fatia só do bolo a começar pela eleição do presidente da república. É mais um reizinho da blogosfera ...enfim

quarta-feira, 26 de maio de 2010

São verdes, não prestam


Talvez sob o patrocínio da Comissão Nacional para as Celebrações do Centenário da Republica do Dr. Santos Silva, o Diário de Notícias titula hoje que a “Rainha pede cortes no meio do luxo” a propósito do discurso na sessão inaugural do parlamento inglês. Este aleivoso título é ilustrado com uma imagem de pompa e circunstância de Isabel II à chegada a Westminster. Num pequeno texto a negrito em baixo pergunta-se, numa tentativa de ironia, se a casa real britânica que cujo orçamento de 2009 foi de 48,2 milhões de euros este ano também vai apertar o cinto.
Espantoso é todo este preconceito alimentado neste país sempre “na crista da onda”, esbanjador e à beira da falência, que pretende, quem sabe, direcionar a ancestral mesquinhez e ressabiamento luso, para os imperialistas da Velha Albion, a mais antiga, estável e prospera democracia do mundo. A rainha deslocou-se numa carruagem dourada usando uma tiara com três mil diamantes preciosos, salienta a jornalista Patrícia Viegas, sem explicar que todos estes artefactos pejados de simbolismo, pertencem ao Estado, e que nestes ancestrais rituais se identifica todo aquele povo empreendedor e orgulhoso. De resto não é feito nenhum estudo comparativo entre os 48,2 milhões e os custos de outras chefias de Estado europeias, como por exemplo a portuguesa: a presidência da república custa a cada português nada menos que o dobro do que custa a cada Britânico a sua Monarquia. A diferença é ainda mais gritante se a comparação for feita em percentagem do PIB (valores Wikipedia para 2007): 0.0115% do PIB em Portugal, 0.0023% do PIB no Reino Unido. De resto, não falemos de eficácia, sobre isso estamos conversados.

Fontes: The British Monarchy e Ministério das Finanças, Direcção Geral do Orçamento

Agradecimentos a Luís Bonifácio

domingo, 9 de maio de 2010

Centenário da República: os malabarismos da propaganda, ou uma mentira mil vezes repetida

Com uma simples pesquisa no google para as palavras “Cronologia da República”, verifica-se como enquanto a Plataforma do Centenário apresenta e analisa os factos subsequentes à implantação da mesma, o site oficial expõe alguns faits divers criteriosamente escolhidos relativos aos anos precedentes da revolução, que o mais das vezes revelam um regime tolerante e democrático. O mesmo acontece com os temas das diversas rubricas radiofónicas que tenho ouvido aleatoriamente nalgumas estações reverentes ao regime como a TSF e a Antena 1. Este desplante não é de espantar, tais foram as trágicas consequências da dita revolução que ninguém com um mínimo de honestidade pode negar, e que só alguém com má fé se poderia orgulhar. De resto vale tudo para promover a confusão entre os ideais de 1826 e as intenções jamais cumpridas pelos republicanos de 1910. Como um dia vaticinou Eça de Queiroz: O Partido Republicano em Portugal nunca apresentou um programa, nem verdadeiramente tem um programa. Mais ainda, nem o pode ter: porque todas as reformas que, como Partido Republicano, lhe cumpriria reclamar já foram realizadas pelo liberalismo monárquico. (…) A república não pode deixar de inquietar o espírito de todos os patriotas.

Na imagem: efeitos do empastelamento do jornal "A Nação" ocorrido a 21 de Outubro de 1913

segunda-feira, 8 de março de 2010

Afonso Costa e o exílio do Bispo do Porto, D. António Barroso

Afonso Costa enviou ordem ao Bispo para que se apresente em Lisboa. (...). Aí os carbonários, braço popular da maçonaria, bem industriados, esperavam-no na estação do Rossio. Para uma recepção de ultraje, Afonso Costa mandou o seu chefe de repartição, Germano Martins, esperar o bispo à estação de Campolide. O Bispo do Porto é conduzido de automóvel pelo centro da cidade (...). Os grupos da estação do Rossio precipitaram-se sobre o carro à pedrada e cacetada (...). D. António manteve atitude plenamente pacífica diante da agitação da turba jacobina, incentivada para o desacato (...)
Quando chegaram, o ministro não se encontrava em casa (...). Iniciou-se o interrogatório (...)até alta noite. O bispo é acusado dos seguintes crimes: Ter urgido aos párocos a leitura da pastoral colectiva; ter assinado e feito distribuir, sem o beneplácito do Estado, a pastoral colectiva; ter desobedecido às ordens telegráfucas do ministro da justiça, e ter pretendido insinuar a subordinação às determinações do poder civil, para mais à vontade as fazer infringir fora do Porto". Não obstante as explicações calmas e justas de D. António Barroso (...) a sentença de desterro já espreitava da gaveta, porque tem a data do dia do interrogatório, 7 de Março de 1911, e vem assinada por todos os membros do Governo provisório.

in Amadeu Gomes de Araujo e Carlos A. ;oreira Azevedo - 2Réu da República o Missionári António Barroso, Bispo do Porto", ed. Aletheia Editores, 2009, pág. 255, ss

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A 3ª República

Mais que saber até quando aguenta José Sócrates, importa saber quanto mais resiste esta III república, cujas instituições se arrastam num deplorável estado de descrédito. O regime, qual múmia putrefacta e imortalizada por uma qualquer mezinha maligna, fantasmagoricamente prossegue o seu desígnio, pairando a maquinar e sustentar uma cada vez mais imensa e diversificada clientela. Aliás é interessante verificar como para lá dos seus anafados validos, hoje nos deparamos com uma curiosa plateia de opinadores que se entretém num animado jogo duplo: brada de repulsa pela corrupção e ineficácia das instituições, mas que assobia para o lado, encolhe-se ou incrimina de extremista qualquer acção ou discurso de ruptura, que aponte para a inevitabilidade duma mudança que ameace minimamente as viciadas estruturas ou comprometa as rendas garantidas por pouco esforço.

Perante esta proverbial desorientação e apatia, é notório que não se vislumbre um cidadão de mérito e de bem que arrisque pôr as mãos, e muito menos a cabeça, na impossível missão de desenterrar este País do atoleiro. De resto suspeito que a manutenção da insustentável administração Sócrates interessa principalmente aos seus putativos sucessores porquanto a deterioração deste ambiente lhes conferirá a médio prazo o estatuto redentor sem que se vejam forçados a reformar ou mexer em profundidade nos toscos alicerces deste regime falido e ineficaz. O pântano promove os repteis.

Finalmente, acredito que se torna urgente romper com o regime e as suas ancilosadas instituições: é prioritário reconstruir o inoperante edifício da justiça, é indispensável reformar o modo de eleição do parlamento concedendo-lhe mais crédito e dignidade, é vital cortar rente o peso do Estado na economia, é premente acabar com o ensino que não ensina e despreza o mérito em nome da igualdade, é preciso rever o modelo de chefia de Estado, que emerge, se sustenta e definha da mais mesquinha intriga política em detrimento do seu livre arbítrio e simbologia unificadora. Tudo isto em louvor da liberdade, em prol da independência nacional e da sustentabilidade da democracia. É por isso que, a mim que me desgostam as revoluções, hoje me soa bem a palavra “romper”.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Guerra Junqueiro nunca foi republicano de verdade

Socorro-me do livro que tenho “Monárquicos e Republicanos de Homem Christo, edição de 1928″, aqui é publicado o prefácio da 4ª edição da “Pátria” de Guerra Junqueiro que pediu para retirassem nessa edição de tudo que ia contra a memória de El-Rei D.Carlos e que lhe atormentava a vida. Alfredo Pimenta atacou violentamente desrespeitando a vontade de alguém que já tinha falecido (Guerra Junqueiro ), chega nesse artigo do jornal “A Voz” editado em 30 de Outubro a fazer a sua tese de que efectivamente Guerra Junqueiro deixou de acreditar nos ideais republicanos indo a caminho dos monárquicos. Homem Christo reforça mesmo que Guerra Junqueiro nunca foi um republicano de verdade …


Fonte : a partir da página 187 de “Monárquicos e Republicanos de Homem Christo”, edição de 1928 da editora “Livraria Escolar Progrédior

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Alfredo Keil e a República

«No centenário da sua morte, surgem a lume algumas verdades: que Alfredo Keil nunca foi republicano, que não era um pintor sofrível e antes de grande qualidade, um músico elegante e empenhado e que A Portuguesa foi um acaso, um feliz acaso mas um acaso!» Notícia da Lusa, que acrescenta: «Alfredo Keil, autor do Hino Nacional, cujo centenário da morte se completa quinta-feira, foi um “homem genuíno do século XIX, pela sua formação cultural”, afirmou à Lusa a historiadora Ana Xavier, uma estudiosa da sua obra. “Ele fez todo o percurso de uma figura genuína do século XIX, nomeadamente a viagem que encetou pelas principais cidades europeias, além da sua formação”, disse a investigadora.
Alfredo Keil foi “um homem programático, que sabia o queria e que, curiosamente, se torna conhecido por algo que não programou, por um impulso, levado pela reacção nacionalista ao Ultimato inglês [1870]“, sublinhou Ana Xavier. “A Portuguesa” foi “absorvida pela República, sem Keil nada ter feito por isso, tanto mais que não há um único elemento que nos indique qualquer referência republicana em si”. “A Portuguesa”, que rapidamente se tornou popular, foi adoptada como hino nacional em 1911. Além de “A Portuguesa”, Keil foi autor de várias polcas, valsas, peças para piano além de óperas, de que “A serrana” é a mais conhecida, havendo outras que nunca foram levadas à cena no século XX como “Irene” e “Dona Branca”. (…) Para o maestro João Paulo Santos, que em 2002 levou à cena “A Serrana” no São Carlos, Alfredo Keil é um compositor que “procurou um idioma nacional para a música”.
Mas a par da composição, Alfredo Keil “foi um pintor compulsivo e apaixonado” tendo-se inspirado muito nas paisagens da zona de Sintra, onde tinha casa. Estudou pintura em Munique e Nuremberga e mais tarde em Lisboa. Expôs pela primeira vez em 1875, tendo recebido duas medalhas de bronze. Concorreu à Exposição Universal de Paris de 1878, onde obtém uma Menção Honrosa, e no ano seguinte recebe uma medalha de ouro na exposição do Rio de Janeiro. Em 1890 expõe em Madrid, sendo condecorado com a Ordem de Carlos III. Era um pintor bem aceite na sua época e vivia essencialmente da pintura, embora tivesse fortuna familiar. Em 1890 abre uma galeria em sua casa, que se situava no número 77 da Avenida da Liberdade em Lisboa. “Vendeu quase tudo” e o próprio Rei D. Luís comprou algumas telas para a sua galeria no Palácio da Ajuda, segundo João Paulo Santos. O pintor e compositor oferecerá aliás ao monarca o primeiro volume das suas obras musicais, editado pela Neuparth. (…)
Keil, que começou a pintar aos 14 anos, traz uma técnica diferente e isso mesmo lhe nota o crítico de arte António Enes, aquando de uma das suas exposições. A crítica de arte relativamente a Keil foi sempre “exacerbada”, diz António Rodrigues, referindo que o Grupo Leão, dominado por Silva Porto, “preferiu antes ignorar Keil, pelas suas origens românticas”. “Podendo ter sido um diletante, até porque era originário de uma família abastada que fez empréstimos à Coroa, o pintor foi essencialmente um artista empenhado na sua sociedade, um incansável trabalhador que com afinco tanto se aplicou na música como na pintura”, frisa António Rodrigues, sendo esta opinião partilhada por João Paulo Santos e Ana Xavier. (…)
Uma outra faceta desconhecida de Alfredo Keil é a de coleccionador e museólogo em termos profissionais, tendo chegado a organizar um museu de instrumentos musicais que no final da vida foi disperso. Parte deste espólio integra actualmente o Museu da Música, ao Alto dos Moinhos, em Lisboa. “Além de vários instrumentos, alguns fazendo parte da exposição ao público, há no Museu também várias partituras suas”, disse à Lusa fonte da instituição. Esse museu, cujo catálogo foi escrito por Keil, reunia 400 objectos da Europa, África e Ásia. »
Lisboa, 02 Out 2008 (Lusa) – excerto

Fonte: http://portadovento.blogs.sapo.pt/56611.html

Joshua Benoliel - Pai do fotojornalismo português



”Ó velhinho, mas afinal tu és monárquico ou republicano? Homem, eu cá sou fotógrafo!” Assim respondia Joshua Benoliel, primeiro grande repórter moderno em Portugal, quando o questionavam sobre as suas simpatias políticas. Benoliel era monárquico convicto. Mas, à sua maneira, ele exprimia o que era mais importante para ele: a liberdade de poder exercer a sua paixão, a fotografia.

Considerado o criador em Portugal da reportagem fotográfica. Fez a cobertura jornalística dos grandes acontecimentos da sua época, acompanhando os reis D. Carlos e D. Manuel II nas suas viagens ao estrangeiro, assim como a Revolução de 1910, as revoltas monárquicas durante a Primeira República, assim como exército português que combateu na Flandres durante a Primeira Guerra Mundial. As suas fotografias caracterizam-se pelo intimismo e humanismo com que abordava os temas.

Fonte : Blogue Causa Monárquica, Wikiédia
Biografia Realistas Aqui

Gago Coutinho – Sobre a República

Nunca me meti na política, mas, até 1914, julguei que o regime República seria o melhor, por terem falido os políticos que aconselhavam os reis. A seguir às revoluções da República, que provaram também a falência dos seus homens, passei a considerar preferível um regime monárquico constitucional, como o inglês… mas mais socialista do que trabalhista. Este está arrebentando a Inglaterra, e se a rainha Vitória voltasse a este mundo, fugiria logo para outro… Almirante Gago Coutinho

Fonte : Blogue Gago Coutinho,

Blogue Gago Coutinho

Biografia Realistas de Gago Coutinho

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A urgência duma nova restauração

Estranho me parece que numa conjuntura como a actual, uma inusitada crise económica, de valores, e das instituições nacionais, as celebrações do 1º de Dezembro tenham passado de forma tão discreta pela comunicação social em geral e pelos jornais em particular.

Digo isto porque esta efeméride encerra quanto a mim uma mensagem de grande pedagogia e actualidade: o usurpador foi corrido e o assessor “defenestrado”.

Nestes dias em que a burocrática Europa se vê reforçada, por mais que se considere supérfluo e ultrapassado o conceito da identidade nacional, comunitária ou familiar, afinal perigosos contra-poderes, não me parece muito avisado que se abuse demasiado da famigerada bonomia indígena.

sábado, 10 de outubro de 2009

A ética será republicana?

Esta é uma ideia cara aos nossos presidentes da República que, perante o calendário de feriados predominantemente religiosos fazem questão, uma vez chegado o 5 de Outubro, de recordar ao país a importância da ética republicana. Cavaco Silva não foi excepção. Não duvido que os presidentes da República que temos tido defendam a ética da República mas daí a dizer-se que existe a ética republicana vai um passo demasiado largo. E no caso português perigosamente largo. Em primeiro e mais óbvio lugar porque não é o facto de o regime ser republicano ou monárquico que o torna mais ou menos ético. Portugal é uma república e a Suécia e a Holanda monarquias mas no que à ética da vida política e pública respeita temos muito a invejar aos súbditos de Carlos Gustavo e de Beatriz. Em segundo lugar esta associação entre a ética e a natureza republicana do regime envenenou-nos todo o século XX e ameaça-nos o XXI pois incapazes que somos de dissociar a ética da República esquecemo-nos da primeira para não nos malquistarmos com a segunda. A nossa incapacidade de debatermos o regicídio, a noite sangrenta ou, no pós 25 de Abril de 1974, a descolonização resultam em grande parte desta atávica associação entre a natureza do regime e a ética da sua classe dirigente. Onde estava em Novembro de 1975, a ética dos militares e políticos portugueses que, como relata Leonor Figueiredo no seu livro “Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola”, deixaram para trás nas prisões e campos de concentração de Angola cidadãos portugueses que tinham sido raptados pelo MPLA?

Enquanto os factos menos nobres praticados na República, a corrupção e o falhanço da Justiça continuarem a ser vistos como notas de rodapé na exaltação mais ou menos folclórica da ética republicana continuaremos reféns daquela divisão jacobina do mundo que envenenou a I República e que, de sinal contrário, se prolongou no Estado Novo, aí com a tentativa inversa de transformar em boa a ditadura com o argumentário da honestidade pessoal de quem a chefiava. A República que somos será mais ética não por ser república mas sim por ter entre os seus políticos e na sua administração quem não veja na condição republicana (tal como outrora o viram na condição monárquica ou em “ser da situação”) um atestado de impunidade.

Helena Matos 8 de Outubro, 2009 no Público

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Comemorar a instabilidade

O 5 de Outubro chegou ao fim, com a indiferença da larga maioria dos Portugueses, que cada vez menos crêem na estafada propaganda republicana. A I República foi tudo menos um regime recomendável: Vigorou entre 1910 e 1926, durando menos de 16 anos, mais exactamente, 188 meses. Nesse curto período histórico, Portugal teve oito Presidentes da República e 44 Governos. Ou seja, cada Presidente não durou sequer 2 anos e cada Governo não durou mais do que 4,3 meses…
Para que se não pense que o regime era instável mas pacífico, abundam os exemplos de anarquia, de assassinatos políticos e de irresponsabilidade governativa.
Basta lembrar os feitos de um cacique do partido democrático, conhecido por “Ai-ó-Linda”, o qual, a 16 de Janeiro de 1920, entrou armado no Gabinete do presidente do Ministério (o equivalente a Primeiro Ministro), de seu nome Fernandes Costa, obrigando este a demitir-se no próprio dia em que tomara posse...
Outro episódio, ainda mais grave, foi o ocorrido a 19 de Outubro de 1921, quando a tristemente célebre “camioneta fantasma” percorreu Lisboa assassinando António Granjo (Primeiro Ministro demissionário) e Machado Santos (um herói do 5 de Outubro), entre outras pessoas.
Entre 1921 e 1925 conta-se que deflagraram, só em Lisboa, 325 bombas, o que dá a bonita média de uma bomba cada 4 dias…
Mesmo esquecendo esta deplorável realidade, também ao nível da governação a I República se saldou por um enorme fracasso, como os indicadores seguintes expressivamente ilustram: a mortalidade infantil passou de 14,6, em 1910, para 43,9, em 1920; o analfabetismo desceu apenas de 57%, em 1910, para 46%, em 1923; o défice da balança comercial subiu 50%, entre 1913 e 1924; a taxa de inflação subiu 2509%, entre 1914 e 1925; o défice orçamental subiu mais de 2000%, entre 1910 e 1925.
O estado de Portugal sob a I República chegou a um tal ponto, que um ilustre republicano, Guerra Junqueiro, declarou, enojado: “isso que para ai está é uma bacanal de percevejos numa enxerga podre”
Comemorar a República?
Apenas por ignorância ou sectarismo.

Rui Crull Tabosa no 31 da Armada

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Escutar a república em vésperas do centenário

Preso por ter cão, preso por o não ter: O Presidente se tivesse esclarecido os portugueses no momento oportuno (a mais de um ano das eleições legislativas), nada de mal viria ao pequeno mundo de intriguinhas palacianas em que vivemos.
Se o Presidente tivesse esclarecido o País quando saíu a "notícia" dos emails no DN e dito que havia vulnerabilidades nos sistemas electrónicos da Presidência, então teria sido acusado pelo PS de estar a dar uma ajuda ao PSD em plena campanha eleitoral. Como se manteve em silêncio, acabou na prática por dar uma ajudinha política ao Eng. Sócrates. Jogada magistral do PS que talvez lhe tenha valido ter sido até o partido mais votado!
Vem isto a propósito da necessidade de "escutarmos" a história política dos últimos cem anos das democracias ocidentais.
Nos regimes monárquicos constitucionais como os do Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Noruega, Luxemburgo, Espanha, Holanda, Bélgica, Japão, Austrália, Canadá, nunca o Chefe do Estado foi acusado de partidarismo, ou se levantaram suspeitas de que serviços secretos andavam a armar-se em espiões partidários.
É preciso irmos às repúblicas dos EUA (Nixon), França (Chirac) ou ao Portugal de hoje, - já sem falar na Itália ou na Grácia por uma simples questão de decoro, - para confirmarmos, mais uma vez, que a natureza da própria República acaba sempre, mais tarde ou mais cedo, neste espectáculo lamentável a que estamos a assistir.
Nas Monarquias constitucionais contemporâneas, o Chefe do Estado - a Coroa - é o garante do suprapartidarismo do Poder Judicial, das Forças Armadas e da Independência Nacional.
Em República as "secretas" andam quase sempre ao deus dará. Umas vezes só nas mãos do Chefe do Estado, outras sob a alçada do Governo da altura.... por entre os "mixericos" partidários de quem irá ser o próximo Presidente...
Mas alguém tinha dúvidas que iam começar mal as comemorações do tal "centenário" da república?
Luís Filipe Coimbra no 31 da Armada