domingo, 1 de agosto de 2010

"Recordar caminhos da luta reviralhista"!!!


É título do JN de hoje. Já aqui tinha referido que, na comemoração do seu centenário, a República continua - jamais deixou de fazê-lo - a homenagear-se enquanto se guerreia. Desta vez, sempre no âmbito da dita romaria, Germano Siva passeou um grupo de interessados pela cidade do Porto. Evocando o quê? A revolta de Fevereiro de 1927. Coisa séria, tiroteio de muitos dias e muitas mortes.
Somente... iam lá 17 anos findara a Monarquia. E a notícia é clara: «... o republicano percurso reviralhista iniciado na Pr. Marquês de Pombal, onde o edifício do asilo do Terço foi atingido pelo fogo da artilharia fiel à Ditadura Militar, da Serra do Pilar disparado...». Aliás, a «revolta que eclodiu a 3 de Fevereiro, no Porto, tentando repor a ordem constitucional interrompida a 28 de Maio de 1926, fracassou, em boa parte por não haver concertação com Lisboa...».
Estamos conversados, não? Até porque «este passeio JN (...) está integrado no programa com que temos [eles teem...] vindo a assinalar o centenário da República...».
E assim o interessado público participante ficou sabendo mais sobre uma mais sangrenta revolta que em Fevereiro de 1927 opôs os republicanos reviralhistas contra os repúblicanos estado-novistas. Com vantagem de quais não importa, porque certamente com o maior dano para o massacrado povo português, pouco interessado em escolher entre a 1ª Série e a 2ª Série, mas decerto ansiando por paz, sossego e segurança.

11 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Como dizia no post anterior, continuam de esfregona em riste, a limpar as instalações sanitárias... Por enquanto, ainda vão na 1ª, mas terão ainda mais trabalho na 2ª. A 3ª, ficará para outra faxina.

bicho disse...

Entre A ditadura militar do 28 de Maio e os reviralhistas, só Salazar meteu a mão naquilo, e depois só cascamos em cima do velho professor da Lusa Atenas...

Os primeiros anos da "II república" para mim só há uma república, bem que deram aos Portugueses algum merecido descanso, que não viam desde o tempo do Fontes Pereira de Melo, mesmo com a grande depressão, com a guerra civil de Espanha e com a II guerra mundial; é obra !

Quanto ao nosso Geremano, está melhor entregue o centenário às mãos desse nosso ilustre professor da Invicta que às mãos da inépcia da máquina da capital que tanto dinheiro gasta e não se aprende nada !

Francisco RB disse...

Caro Bicho, a ditadura militar até queria ser de excepção, para acabar com o partido afonsista, digo, democrático, mas depois veio o asno das finanças, digo, o salazar.
Seja como for, mas por mal antes a primeira república...

bicho disse...

Caro Francisco.

Não é a minha opinião; quando é feito o pronunciamento de 28 de Maio, à imagem do 25 de Abril anos mais tarde, ninguém sabia o que fazer com aquilo no dia seguinte, foram golpes de derrube, com um intuito basicamente destruidor (no bom sentido) mas sem uma linha guia do que fazer a seguir.

Salazar e a igreja traçaram uma linha possível, note bem que estávamos na década de 30 e não podemos estabelecer paralelos com a época em que vivemos, esse é o primeiro erro que cometem a maioria doa analistas, olham para Salazar num contexto moderno.

O integrismo católico Salazarista, com fortes influências do tomismo, andava de braço dado com a falecida Acção Católica da qual faziam parte gente como o Francisco Sousa Tavares, e basicamente ganhou um espaço próprio nos contextos das décadas de 30 e 40, anti-comunista, não alinhado com democracia liberal e não alinhado com o fascismo.

Essa particularidade permitiu impor ao pais ordem social e financeira no plano interno e permitiu negociar com todos no plano externo.

Salazar de 58 para a frente é um espectro agarrado ao poder, já caduco, mas Salazar nas décadas anteriores foi o garante não só da estabilidade como da própria manutenção das fronteiras, não se esqueça que a Alemanha queria Angola, a Inglaterra queria Moçambique, a internacional comunista durante a guerra civil de Espanha queria a Ibéria, assim como Franco mais tarde, que inclusivamente tentou o apoio de Hitler para o efeito na "operação pelicano".

E mais, podemos chamar muita coisa a Salazar, asno ele não foi, nem medíocre, ao contrário do que hoje temos, naquele tempo os cargos políticos eram ocupados por gente com provas dadas, muitos vindos da cátedra de Coimbra, não haviam cursos ao Domingo !

Um abraço.

Francisco RB disse...

Caro bicho, o salazar fez pior há um texto sobre a burla financeira que ele fez, que um dia hei-de lho arranjar, vai ver que não era um mago das finanças...

João Afonso Machado disse...

Nuno:
É uma questão interessante, actual e do maior significado (embora extravase o âmbito deste blog): o português médio ACTUAL o que preferiria: a 1ª República ou a 1ª metade da 2ª República.
Há uma imensidade de factores a ponderar para formular uma opinião.
Eu ficaria por aqui: aquele «concurso» do «melhor português» de todos os tempos deu uma vitória folgada a Salazar e um 2º lugar a Cunhal. O que poderemos ver neste resultado?
Quanto a Cunhal, a militância e a mobilização da Esquerda. Mesmo em «concursos», não brinca em serviço.
Quanto a Salazar: muito gozo, muito humor, mas - também - um sinal claro de descontentamento perante a insegurança, a corrupção, o deficit, a ostentação, etc, etc.

bicho disse...

Caro Francisco.

Não tenho Salazar por messias, tenho-o pela solução possível para aquele tempo, aliás, qualquer ditador, se quiser, equilibra umas finanças, para mais num estado corporativista; basta não importar que equilibra a balança, o povo aperta o cinto e quem berrar leva umas bastonadas, por isso interessava tanto a ruralidade do país, quem não conhece melhor não anseia por mais, ao estilo da Coreia do Norte, mas em todo o caso essa burla não conheço, um dia V. faz a gentileza de indicar o livro ou arranjar uma cópia, eu fico agradecido.

Friso apenas um ponto, os anos 30 não são o sec. XXI e "moderno" naquele tempo era o fascismo, a "nova ideia", Salazar era tudo menos moderno.

João.

Esse concurso foi uma aldrabice, ou pior, demonstra o que de pouco conhecem os Portugueses da sua história, até um tipo dos morangos com açúcar foi votado...

Mas o que o meu amigo diz tem razão, Salazar foi votado como reacção a uma certa mediocridade e crise de valores que inunda a democracia rotativista em que vivemos, o Cunhal foi uma "pérola" arranjada pela televisão para equilibrar (aldrabar) as contas e dar uma ideia de equilíbrio, que fez afinal o Cunhal de concreto pelo país ? O 11 de Março? Ainda bem que não fez mais, diga-se de passagem...

Nuno Castelo-Branco disse...

Muito contribuiu João Soares, para a rotunda vitória de Salazar. Quando se atreveu a apelar ao voto em Cunhal, quem não esqueceu aquilo que o "eleito" teria feito ao próprio pai do sr. dr. autarca, não deixou de lhe responder à letra. Soares pensa que todos os portugueses são estúpidos. Pois mais estúpido é, quem desta forma julga os demais.

Francisco RB disse...

caro Bicho, não é bem assim, como parlamentarista, obviamente que (das três repúblicas) com todo o mal prefiro a Iª.
E digo-lhe o mal de Portugal foi mesmo esse, Salazar não era fascista, como o era Franco, os fascistas (espanhóis e italianos) desenvolveram os seus países e criaram as bases para uma classe média estável, em Portugal faltou isso, face à mediocridade do Ilustre "asno" de Santa Comba, o mal de Portugal foi o Marcello Caetano ter vindo com cerca de 30 anos de atraso, quando veio foi tarde e as bases do Estado Social não foram suficiente para impedir a crise.

bicho disse...

Caro Francisco.

Acho que não estamos assim tão em desacordo.

Salazar, como integrista que era, e tomista, o que fazia dele integrista católico; era profundamente agarrado ao pregado nas encíclicas de Roma, ainda para mais com Pio XI, que era Papa nos anos 30 e do qual bebeu o fundamentalismo rural do "Deus, Pátria e Família", Cerejeira, há altura cardeal de Lisboa, traçava uma linha espiritual do caminho a seguir contra o racismo e materialismo contidos na violência fascista.

V. tem razão quando diz que o fascismo trouxe progresso à Alemanha, Itália e Espanha (que aderiu ao fascismo mais tarde), a guerra civil de Espanha potenciou a indústria pela necessidade bélica intrínseca nela própria e os países cresceram em tecnologia, o fascismo era modernista, o integrismo ruralista e conservador, e Portugal pagou com o atraso, embora o Estado Novo tenha deixado alguma obra, mas muito inferior à deixada numa Europa que crescia à parte como se fossem mundos diferentes, e então no fim da guerra, alimentado pelo plano Marshall, esse crescimento distanciou-se de sobremaneira ao Português.

(cont.)

bicho disse...

(cont.)

Quanto a Marcello, a história é diferente; como sabe, Marcello tinha origens diferentes, criado e educado em Lisboa, Marcelo vem do Integralismo Lusitano de Sardinha; era mais elitista e tinha uma convicção solene da sua missão de "educar o povo"; sempre fiel às suas ideias, e mais modernista devido ao seu passado, Marcello esteve encostado na prateleira por Salazar por mais de 20 anos, apareceu mais quando foi parar a ministro das colónias, onde se africanizou e se apaixonou pela terra, reforçando o seu ultramontanismo que era honesto.

No entanto, embora fosse mais modernista e adepto do desenvolvimento, Marcelo foi, para mim, Integralista Lusitano até ao fim dos seus dias, e com isso nunca acreditou na democracia, a qual considerava um capricho caro ao alcance de alguns povos mais formados e desenvolvidos que poderiam sustentar os devaneios do sistema.

Marcelo acreditava que a democracia e o liberalismo traziam ao de cima o que de pior havia no homem, anarquizando-o, mas isso sempre o caracterizou.

O povo, na primavera marcelista, é que tirou a peregrina ideia que Marcelo pretendia eleições; falso, não acreditava nelas, embora no fundo sempre tivesse a consciência de que sem elas, nunca seria verdadeiramente legitimado no poder.

Mas Marcello era honesto, quando os "cata ventos" comandante-em-chefe das colónias da Guiné e Angola Spínola e Costa Gomes deram aquele golpe de pacotilha com a publicação do Portugal e o futuro; Marcello por duas vezes pediu a demissão, por duas vezes foi-lhe negada, encostou os generais à parede e desafiou-os a fazerem o golpe, ambos juraram fidelidade ao chefe, e no fim "chefiaram" ou colaram-se à chefia do pronunciamento, com um cinismo atroz, dando a ideia que pelas armas conquistavam o "amanhã que há-de vir".

Bem se tramaram, à uma tirou Cunhal a Spínola o tapete, e à segunda ficou Costa Gomes entregue à sua sorte.

Aqui teve mérito o Soares e o grupo dos nove, mas a história já vai longa...

Obrigado pelo "exercício" que me proporcionou, foi boa a conversa.

Um abraço.