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sexta-feira, 12 de março de 2010

Brito Camacho - um pluralista


«Lutas politicas entre República e Monarquia? Não: isso passou à História. As lutas políticas do nosso tempo são entre a Democracia e o Despotismo, entre a Liberdade e a Tirania.
Di-lo um grande Mestre do pensamento contemporâneo, Ferrere: - para salvar a civilização europeia, é sobretudo necessário e urgente defender a Liberdade.
(...)
A intolerância é um vício, um defeito da razão ou defeito de que sofre gravemente a moral.
É necessário radicar na criança o sentimento e a noção de tolerância, não apenas da tolerância religiosa, mas também da tolerância política, quase desconhecida entre nós».

in Brito Camacho, «De Bom Humor», Guimarães Editores, pág. 26 e 100.

Contribuição de João da Ega

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A república e os costumes


Os velhos republicanos de 1910 eram profundamente patriotas, machistas e homofóbicos. Foi a I República que, em 1922-1923, proibiu e mandou apreender a Sodoma Divinizada de Raul Leal e as Canções de António Botto, das primeiras defesas abertas da homossexualidade em Portugal. Que diriam os déspotas do PRP se soubessem que a comissão do centenário pensou em comemorá-los com o casamento gay? Saberiam apreciar a ironia da história?

Rui Ramos daqui

sexta-feira, 27 de março de 2009

A mulher e a sua condição, aos olhos dos “Democráticos” de Afonso Costa

Ainda a respeito da publicidade enganosa sobre o papel da republica na emancipação da mulher: esta nada teve que a ver com regimes, republicanos ou monárquicos, e em Portugal tratou-se antes duma coincidência cronológica (as mulheres adquirem direito ao voto sob o regime de Salazar), um fenómeno civilizacional transversal no ocidente liberal judaico-cristão. Mas afinal, como era a mulher encarada pelos revolucionários republicanos? Ora leiam esta pequena pérola autoria de Gonçalves Costa publicada em 1913 no jornal Humanidades de Coimbra conotado com o Partido Democrático de Afonso Costa:

(...) Muito se tem escrito acerca da educação da mulher, criticando as suas aberrações, traçando de varias formas qual deveria ser o seu trajecto na vida social. (...) Algumas vezes protestando contra os preconceitos que a esmagam, com um gesto repulsivo, grita revoltada pela sua emancipação. E nesta palavra ela compreende a fuga do lar, a fractura (cruel dos elos que a ligam ao esposo e aos filhos e aí vai sob a impulsividade da enganadora corrente feminista. Tristes quimeras! lutando pela sua regeneração, degenera-se. As mulheres na (sua maioria são verdadeiras crianças, com caprichos singulares, excêntricas exigências, são histéricas, nervosas, morbidamente tímidas, deploravelmente ignorantes.
Em frente desta fotografia, o que pretendem as feministas, onde quer que elas existam? (...)

Afinal, (...) Basta que ela saiba ser mãe para o que é preciso aprender. Uma parte desta sublime missão sabe-a ela instintivamente, outra desconhece-a geralmente - a educação dos filhos.



Imagem daqui

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Os republicanos e o descanso semanal

A instituição do descanso semanal obrigatório dos trabalhadores em discussão na Europa no final do Séc. XIX entrou na agenda política portuguesa em 1904. Então, os republicanos, com Teófilo Braga como protagonista, opuseram-se veementemente a tal prerrogativa, com o argumento de que: o descanço dominical, isto é, a morte de toda a actividade intellectual e fabril de um paiz, é o tédio ou a ruína. É o suicídio social para a gente fina que se diverte. Um domingo de Londres é, para os habitantes de Londres, o peor e o mais negro e húmido dos seus nevoeiros. Saiba mais aqui

Imagem: Calceteiros em obras municipais de Joshua Benoliel 1907 daqui.