quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ética... Monárquica!

Em Dezembro de 2008, na Bélgica, o então primeiro ministro Yves Leterme apresentou ao Rei Alberto II a sua demissão, e a do seu governo, devido, principalmente, às dúvidas suscitadas pela intervenção do Estado belga no banco Fortis (que se encontrava em risco de falência).
Em Abril de 2009, no Reino Unido, o então presidente do parlamento (Câmara dos Comuns) Michael Martin anunciou que se iria demitir devido ao escândalo das despesas pessoais de deputados suportadas por dinheiros públicos (embora o próprio não tivesse sido um dos beneficiários).
Em Julho de 2009, no Japão, o então primeiro ministro Taro Aso anunciou a antecipação das eleições legislativas – e, logo, a sua demissão prematura e a limitação do mandato do seu governo – na sequência da derrota do Partido Liberal Democrata nas eleições municipais de Tóquio.
Pelo menos três pontos em comum podem ser encontradas nestas notícias: todas se referem a Monarquias democráticas, todas se referem a demissões de políticos importantes... e todas se referem a motivos aparentemente fúteis para a demissão desses mesmos políticos (isto é, nada há que indique que eles tenham cometido crimes). Só que... são motivos aparentemente fúteis... na perspectiva portuguesa. Do estrangeiro, de outros países, vêm sempre bons exemplos... mas que aqui são seguidos muito selectivamente!
Deixando de lado a aparente inamovibilidade de incompetentes que ocupam importantes cargos públicos de nomeação por confiança política (como o governador de um certo banco nacional, ou o presidente de um determinado organismo europeu de cooperação judicial...), no nosso país, para um ministro se demitir ou ser demitido, quase que é preciso «bater na avó», ou então chegar ao «limite máximo de dez asneiras, sendo a última fazer um par de cornos para um deputado» - como aconteceu com Manuel Pinho. E o actual primeiro ministro de Portugal, nesse aspecto, parece um «Zé(zito) Sempre em Pé»: diploma pela Universidade Independente, casas na Guarda, resíduos da Cova da Beira, Freeport, pressões sobre jornalistas, promessas não cumpridas, insultos a opositores, negócios obscuros (computador Magalhães, Fundação para as Comunicações Móveis, Porto de Lisboa/Liscont), mentiras (o «estudo da OCDE» que não era da OCDE, entre outras...) – cada um destes casos seria suficiente para derrubar um ministro, um primeiro ministro, talvez até um governo inteiro, num país verdadeiramente civilizado, decente... ou seja, monárquico! Ou nem seria preciso tanto, como se viu pelos exemplos vindos da Bélgica, do Reino Unido e do Japão; nestes países o que conta é a Ética Monárquica.
Em Portugal, porque não há vergonha e a impunidade é (quase) lei, o que conta é a «ética republicana» - uma expressão que em si própria é uma contradição. E que, recorde-se, foi (re)lançada por António Costa num conflito com Ricardo Sá Fernandes quando ambos eram membros do segundo governo de António Guterres. «Ética republicana» que também «explica» o acordo que o actual Presidente da Câmara Municipal de Lisboa assinou com José Sá Fernandes, para manterem os «tachos»... perdão, para defenderem a capital da - «o horror»! – Direita!

5 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Octávio, deixe-se de mentalidade feudal e dessa coisa do sentido de honra e de serviço! Isso é coisa do passado, tal como as Monarquias... ;)

Octávio dos Santos disse...

Eu bem tento, Nuno... mas não consigo! Decididamente, sou um «reaccionário» avesso a «modernices»... :-)

João Mattos e Silva disse...

A direita tem, no País e na Capital, tantas culpas, de tantas más políticas e maus exemplos de falta de honra e de serviço público, ética e estética como a esquerda. É bom não ser parcial. E ter em conta que a direita,a que temos, é tão republicana como a esquerda.

Daniel Nunes Mateus disse...

Apelidemos antes de "vergonha republicana"

Octávio dos Santos disse...

Caro João Mattos e Silva,

Até 2005 era capaz de concordar consigo de que a esquerda e a direita tinham iguais culpas na má situação do país (pós-25 de Abril). Porém, este governo do Sr. Pinto de Sousa «rasgou» todos os eventuais «equilíbrios» e dissipou todas as dúvidas: estatização crescente e asfixiante da economia e da sociedade, iberismo galopante e desavergonhado, acordo ortográfico, liberalização do aborto, (promessas de) legalização da eutanásia e do casamento entre homossexuais, para além de todas as outras malfeitorias que eu indico no texto a que se referem estes comentários.

E sobre a direita ser, supostamente, tão republicana como a esquerda... vamos com calma. Formalmente, oficialmente, até pode ser verdade, mas o senhor sabe tão bem ou melhor do que eu que existem muitos, muitos mais monárquicos que votam PSD e CDS do que PS... e nem vale a pena falar do PCP e do BE...

Seria bom, de facto, não (ter de) ser parcial... mas no mundo concreto, e neste Portugal de hoje, esse é um conceito que não é prático. Sou idealista mas não deixo de ser pragmático. A mim não me é indiferente quem irá vencer as próximas eleições legislativas e autárquicas. E (ainda) gosto do meu país o suficiente para, se não consigo (por enquanto...) implementar o melhor, ao menos fazer o possível para que o mau triunfe sobre o péssimo.