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terça-feira, 29 de maio de 2012

As crianças na República Portuguesa


No passado ano de 2010, em que o regime "celebrou" os 100 anos de descalabro, muita coisa ficou por dizer. Das "virtude" da República os media não se cansaram de falar, de utopizar, de mentir, de imaginar, de contrapor com o antigamente. Mas, os factos não mentem, os dados demonstram o inverso dos discursos: com dados de 2009 – ainda sem o efeito "desta crise" – a República Portuguesa estava num incómodo 25 lugar, em 29, no que respeita à pobreza infantil. Pior que nós só os países subdesenvolvidos. Rezo para que a República não dure mais 100 anos, por este caminho de pobres passaremos a miseráveis.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Isso é o que ainda vamos ver...



Aguardamos pela decisão final e desde já avisamos acerca daquilo que espera os possíveis "cedentes". Falamos muito a sério.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Vencemos!

Acabou da melhor forma, o período de comemorações da República. Aboliu-se o 5 de Outubro.

Em suma, tivemos o que queríamos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Maçons e jacobinos

(...) A discussão, que o governo colocou ao nível da economia, vai para além da necessidade de aumentar a produtividade e está a transformar-se num debate ideológico. O escritor e ex-eurodeputado do PSD Vasco Graça Moura diz ao i que o 5 de Outubro "é um feriado que assinala um regime de ignomínia e de uma violência extrema". "Não tem nenhum valor", acrescenta.

Graça Moura – que pertenceu à Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva – acusa de "demagogia" aqueles que apelam a Belém para se insurgir contra a decisão governamental e atribui a contestação a "maçons e jacobinos".

E porque o fado é património da humanidade vamos lá a cantar a nossa sina:

Lá vai uma,
Lá vão duas,
Três Repúblicas a voar.
Uma à bomba,
Outra à força,
Outra de quem mais roubar

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Até parece o portuguesinho a enfardar alegremente na República


É um concurso mas tem tanto da vida real. Da nossa. Vivemos num regime republicano que não presta mas em que a maioria pensa que se chegou através da "civilização". A verdade é que foi um regime que nos foi imposto, tal como neste filme, à marretada. Olhem para eles, para nós, a sofrer e a rir com a carinha de que se estão a transformar em Titãs, premiados a ambrósia. Por cá damos o corpo ao flagelo e ainda recebemos dívidas.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Pai tirano

O pai do partido socialista, pai da Constituição, pai da III República, pai do descalabro pós-25-Abril, ex-presidente da república apela à "rua árabe"! Rico republicano, de laico a muçulmano. Para que quer um ex-chefe de estado republicano uma "revolução árabe" nas ruas? Não lhe chegam os estragos que a revolução republicana, e socialista, tem feito nos bolsos, nos miolos, na moral e na ética dos portugueses?? Há! são saudades da Primavera...

sábado, 19 de novembro de 2011

Faça-se Justiça


Há momentos felizes que nos trazem verdadeiras referências sobre a realidade para lá da imagem. Não podia ser mais oportuna a junção destes dois portugueses na fotografia exposta. Eles representam tudo quanto eu penso da Justiça na República Portuguesa. Não digo em Portugal mas na República da Liberdade, de Abril, do "Portugal não pode parar". De gabardine, o advogado de Duarte Lima, um reputado advogado e político, um daqueles que teve o mérito de "nascer pobrezinho e agora ser muito rico" e que desde 1995 recebe uma pensão vitalícia por ter sido, quase, 12 anos deputado, agora acusado de coisas que demorarão o seu tempo a provar. Do outro um VIP-do-bairro, ou não viessem quase todos os VIP de bairros ou de "ilhas" escondidas nas traseiras de casarões. Um representa a inércia e o figurino da "respeitabilidade" a que todos temos direito, principalmente, do respeito à justiça a 10 Km hora, ou como quem diz, à lentidão processual que "todos merecem", uns mais lentos e arrastados que outros. Do outro um ilustre que se fez à custa de aparecer na TV, sempre à procura do espelho-câmara que o transporte e nos transporte a nós para a verdadeira dimensão deste país-República, sem subterfúgios ou disfarces. Temos assim, duas caras da mesma sociedade, uma que aparenta outra que se mostra como é. Não podemos ser injustos ao ousarmos pensar que o "emplastro" faz figura de ridículo. Ridículo é o que representa a defesa de larápios, ridícula é a figura de uma Justiça que não resolve, que se atrasa, que se imiscui por interesses, ridícula é esta República sectária que continua a dizer que é válida mas que nos cospe com uma ética que nos faz sentir que somos tratados como emplastros.

Foto: DN, © Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens


Publicado também aqui


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

República que fede


Nesta centenária República que fede, implantada pelo terrorismo, dá-se tempo de antena e corteja-se entrevistas a um terrorista. Mais, amplia-se o arroto de um terrorista que vive sustentado com uma reforma paga pela República.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Falando em "marquises"...



Após um patético e encomendado intróito grasnado por uma menina muito ao estilo da propaganda do Dr. Goebbels, tivemos o prato forte da ora.
Num razoável e decerto inconsciente exercício de autocrítica com laivos quase maoístas, o Mr. Deficit de serviço contabilizou as oportunidades colocadas em termos de empréstimos sobre as "nossas" mesas ministeriais. Sem proferir uma única palavra relativa à sua ruinosa gestão como primeiro-ministro, o já avançado avô do défice das contas públicas veio dizer-nos que ..."durante alguns anos foi possível iludir o que era óbvio" e viveram-se ..."tempos de ilusões". Num auto-bofetão, acrescentou ainda alguns anos perdidos na ..."letargia do consumo fácil e na ilusão do despesismo público e privado".

Num discurso normalmente escrito por um serviçal disponível entre as grosas de assessores pagos a expensas do contribuinte - eufemisticamente conhecido como Erário Público -, acaba por enterrar quase trinta anos de carreira intensa e exclusivamente política, liquidando de uma penada, as manigâncias pretensamente económicas que abusivamente asfaltaram o país de norte a sul, descalcificando os cofres que abarrotaram de verbas colocadas à disposição pela "Europa" (Alemanha). Coortes de futuros consagrados meliantes arrastados para os lugares chave do poder, centos de milhar de novos funcionários públicos entrando pela porta de serviço do(s) Partidos(s), uma inaudita emergência de yuppies de cabelos compridos e bem oleados de gel, a barulhenta jeepalhada que substituiu tractores e os tais dois pequenos apartamentos T3 de algarvios investimentos que refundiram em betão, aquela traineira da faina outrora familiar. A todo este ridente progresso, acrescente-se o bem cavaquista ímpeto demolidor dos centros urbanos à mercê da cupidez imobiliária, as digestivas brincadeiras bolsistas, os negócios explosivos das amizades escusas, a total e subserviente cedência diante da prepotência estrangeira e pior que tudo, a completa rendição perante os espanhóis. Esta ultrajante República, consegue a proeza de numa brisa de pouco mais de duas décadas, liquidar a presença económica portuguesa no antigo Ultramar e os dados oficiais hoje trauteados pela televisão estatal, remetem as nossas trocas comerciais com os PALOP, ao ínfimo patamar de 1%, ao qual acrescenta-se mais uma unidade no que se refere ao Brasil. É um desastre praticamente irreparável, um verdadeiro Alcácer Quibir sem o remédio que há 350 anos era possível para a ambicionada cura: a posse do conhecimento das redes do comércio internacional de então, a presença pluricontinental e sobretudo, a vontade do querer fazer e de garantir a independência, por muito improvável que ela parecesse.

O nosso Mr. Deficit carrancudamente nos avisa acerca do "vivermos acima das nossas possibilidades" e quase parafraseando Salazar - o reconhecidamente inatingível alter ego -, apela à "austeridade digna", rejeitando-se os "gastos desmesurados" e insistindo no patriótico dever de consumirmos aqueles produtos que ele próprio fez um dia desaparecer das prateleiras dos mercados.

"Valor republicano da austeridade digna", balbucia. Assim sendo, comece ele próprio a dar o exemplo, prescindindo de 50% da lista civil e da criadagem engravatada repescada nos recônditos clubísticos dos interesses de onde ele próprio um dia saiu para a ribalta que nos encadeia e exaure. Siga o exemplo do vizinho João Carlos e passe a consumir uns módicos 8 milhões anuais. Já é muito e chegam e sobejam para este desastroso marquisamento mental a que submeteu este país.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sóquete tigela

A imprensa de sóquete tigela teima em colocar epítetos em numerosas personagens. Vive-se a moda de enunciar as pessoas por um só nome ou apelido {Freitas, o Esteves, Carvalhas} – como se toda a gente reconhecesse a "figura" como "representante" desse nome –, vive-se a mediana de apresentar as pessoas por uma suposta "qualidade". No que toca ao "jet Set", então, a coisa é caricata. Um conhecido travesti é apelidado de "Conde" – "o" Conde –. Sei que para muitos, dos que escrevem e dos que lêem, colar um Conde, ou afim, à "qualidade" (pela falta dela!) de certas pessoas é motivo de regozijo, de deixar espuma e satisfação nas entranhas. É algo que lhes está nos ossos, herdado, certamente, pelos sonhos do igualitarismo de cacete. 
Nem todos têm de entender/perceber de história, da história das sociedades, das regras de nobilitação do antigo regime, mas desfigurar um título colando-o ao sabor dos complexos é falta de cultura e de gosto. Toda a gente quer ser qualquer coisa, um degrau acima, a República agradece e distribui os baptismos com  Donas, com Senhoras Donas, com Doutôras, os Stôres, os Senhores engenheiros, os "Reis", da bola, da música e variedades. "Ó Rica" sociedade de meia, não, sóquete tigela.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A obra da República

A ver.

Se continuassem a ser impressas brochuras como esta, de 1919, ao invés de trinta e tal páginas teriamos umas milhares só para relatar o descalabro dos últimos seis anos.

sábado, 20 de agosto de 2011

A arte dos artistas


Um artista português de nome Nuno Oliveira vai passar três dias numa gaiola (desenhada por si) na companhia de sete galinhas e sob o efeito de sedativos para demonstrar ao mundo a experiência "sonho que somos iguais"! Para quem pretender ir ver, é na Bienal de Cerveira (podem ir e visitar a vila que é muito bonita, passear e voltar que a performance acaba só no Domingo).
Não está disponível no catálogo mas este artista devia incluir na ficha técnica, da sua performance, a qualidade da molécula que vai mandar para o cérebro e a posologia que vai ingerir. Também, devia incluir na ficha técnica a raça dos galináceos, idade e peso e, por fim, a idade legal a partir da qual se pode ver a performance e se esta é discernível para espectadores só com a escolaridade obrigatória.
Quanto ao "sonho" deste intelectual, temo que nem as galinhas nem os Xanax o ajudem a acordar para a realidade, aliás, é graças a este e muitos outros artistas que eu me sinto tão diferente.


* Fiquei a saber que a seguir a esta performance a artista colombiana Triny Prada vai fazer arte e vai cozinhar as sete galinhas, anteriormente engaioladas, num repasto que será oferecido ao público presente!!... a "arte" dos "artistas" não pára...
... porque é que estas duas performances fazem-me tanto lembrar a arte política que se pratica na República Portuguesa?


sábado, 21 de maio de 2011

Chegámos a isto...



Vejamos.
Três Partidos que sabem ser imperioso entenderem-se, nem que seja para a partilha de despojos ou sinecuras. Sem juízo, persistem em erros e dislates velhos de décadas.
Dois Partidos que degustam a crise, delirando com a hipótese de um futuro ataque a um Palácio, num país onde o inverno nem sequer pode ser considerado Inverno.
Um Presidente sufragado por uma côdea eleitoral e que pertencendo a um dos Partidos, é o verdadeiro líder-sombra em oposição à chefia democraticamente eleita em Congresso e que nestas semanas de vésperas, desespera nas tentativas de desestabilização. Desestabilização do seu Partido, desestabilização de uma provável e bem possível maioria, pois resta-lhe a vanglória de dividir para mandar. Mandar o quê, mandar em quem e para quê? Há quem queira investir num "empate técnico", bem capaz de por si só, fazer embalar orgulhosos egoísmos sem sentido.

Chegou a isto, a República Portuguesa.

terça-feira, 10 de maio de 2011

SEiS, SEIS SUBMARINOS!




Aqui está, o espectacular resultado que a República Portuguesa conseguiu em época de regabofe pelo seu Centenário: só em juros, os portugueses terão de pagar 3.000 milhões (para que fique claro, três mil milhões!), ou melhor dizendo em politiquês actual, o equivalente a uma Armada de seis novos submarinos. Em suma, um descarado abuso perpetrado pelos nossos alegados benfeitores.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Olha-m'este!



Agora, pega no conhecido programa monárquico de racionalização do poder local - há 40 anos já disso falava Ribeiro Telles! - e copiando sem hesitações, diz que "existem freguesias e concelhos a mais". Também existem frotas automóveis a mais, assessores a mais, Gabinetes a mais, Institutos a mais, Fundações privadas com dinheiro público a mais e ex-Presidentes a mais.

Melhor faria em definitivamente dedicar-se ao "faz de conta" de reedição da "Rainha Dª Amélia II"- e proveitoso uso do respectivo atelier nas Necessidades -, fazendo algo de visível pela luta contra a tuberculose.

sábado, 23 de abril de 2011

Os republicanos

«É certo que o PS ainda não é o partido da "formiga branca", as milícias radicais que atemorizavam os adversários políticos nas ruas da Lisboa da I República, mas nas suas tropas não faltam hooligans modernos, hoje travestidos de bloguers anónimos que pontificam em sites como o Câmara Corporativa e deixam o seu ódio e ameaças vertidas pelas caixas de comentários da imprensa online. Sócrates também não teorizou, como Afonso Costa fez em Santarém em Novembro de 1912, o assalto dos militantes do partido aos lugares no Estado, mas os seus homens estão por todo o lado, ocupando postos na administração e nas empresas públicas, formando o grosso do exército fiel e dependente que foi agarrar nas bandeirinhas de Portugal para a celebração de Matosinhos. Há um século, os republicanos sabiam que nunca poderiam, em eleições livres e abertas, ganhar uma maioria, pelo que trataram de fazer uma lei eleitoral que fez diminuir o número de eleitores por comparação com os tempos da Monarquia Constitucional. Hoje não é possível mudar as leis eleitorais mas é possível afastar os eleitores das urnas. É por isso que os socialistas, que sabem que não podem ganhar em circunstâncias normais, tudo estão a fazer e tudo farão para que a 5 de Junho a abstenção seja a mais elevada possível, única forma de alimentarem a esperança que os votos do seu núcleo duro sejam suficientes. Já seguiram a mesma táctica nas Presidenciais, e com sucesso, pois trata-se de um recurso tão simples como rasteiro: fazer crer que são todos iguais naquilo que os políticos têm de mau, isto é, na mentira, no compadrio e no nepotismo. Criarão os casos que forem necessários não para provar que Sócrates não é mentiroso, pois aí não teriam sucesso, mas para dar a entender que todos os demais são igualmente mentirosos. Não podendo fazer esquecer os casos da licenciatura, do Freeport, da Cova da Beira, das casinhas na Guarda ou da casona na Rua Braamcamp, tentarão descobrir uma qualquer Casa da Coelha ou um simples pionés desviado. Como os republicanos de Afonso Costa, há muito que ao grupo de Sócrates lhe é indiferente as regras democráticas ou o prestígio do regime. Pior: neste momento interessa-lhes mesmo o desprestígio do regime e a descrença na democracia. Frases de aliados, como as do bastonário da Ordem dos Advogados, a pedir uma "greve à democracia", provam-no. Não temos hoje a violência física dos carbonários ou da "formiga branca", mas instalou-se um clima de violência moral alimentada por uma propaganda insana e insulto fácil. Nas eleições de Junho de 1915, que consagraram a ditadura dos "democráticos" de Afonso Costa, só votaram 280 mil dos seis milhões de portugueses; nas eleições de 5 de Junho quantos menos portugueses votarem (à semelhança do que se passou nas Presidenciais), mais hipóteses tem o partido de Sócrates de sobreviver. E a verdade é que o aumento irreal do número de indecisos nas sondagens que vão sendo conhecidas - um aumento que contraria o que é habitual em semanas pré-eleitorais - mostra que o estratagema pode estar a ser bem sucedido. Sócrates não anda nos velhos carros eléctricos, e por isso não se verá forçado a saltar por uma janela com medo do povo, como um dia sucedeu ao também odiado Afonso Costa, mas tal como o seu remoto antecessor também viu na instrumentalização de uma crise internacional a sua oportunidade. O chefe republicano impôs a entrada, desnecessária, de Portugal na I Guerra para assim conseguir a hegemonia definitiva dos radicais entre os diferentes partidos republicanos, congeminando o governo da União Sagrada; o caudilho socialista imaginou que de PEC em PEC iria conseguir amarrar a oposição ao seu navio à deriva. Costa reunia a "família republicana", Sócrates tratava de cumprir o sonho mexicano do "partido indispensável" e irremovível do poder. Os custos para o país dos delírios de Afonso Costa foram imensos - potenciados, para mais, pelo clima de violência que marcou a I República. Os custos para Portugal dos erros, da obstinação e do populismo de Sócrates já estão a ser muito pesados - e verdadeiramente não se sabe se o país está mesmo determinado a pôr-lhes fim. Até porque há em Portugal uma preocupante menoridade democrática: em mais de 150 anos de eleições, só uma vez um primeiro-ministro em funções foi derrotado. Aconteceu com Santana Lopes, e por muito menos do que hoje deveria ser suficiente para afastar Sócrates. Só que ele não liderava um partido com raízes longínquas no republicanismo da propaganda. Mesmo assim, apesar de todas as imensas diferenças entre as duas épocas, a simples permanência do estado de bancarrota então e agora deve fazer-nos meditar sobre onde desembocaram as manobras de Afonso Costa e seus seguidores.»

José Manuel Fernandes, Público