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sábado, 30 de abril de 2011

O Euro 2004 e Casamento Real Inglês de Príncipe William e Kate Middleton

É em momentos como os que vamos presenciar amanhã com o Casamento Real do Príncipe William e Kate Middleton que se pode ver a diferença de vivências em países monárquicos democráticos e republicas democráticas. Em Portugal a última manifestação de patriotismo no nosso país foi o Campeonato Europeu de futebol de 2004, todos andavam com as Bandeiras portuguesas de todas as formas e tamanhos desde os mais ricos até aos pescadores no Tejo ao acompanharem a selecção nos seus humildes barcos. O símbolo nacional era usado não para reafirmar os valores da história da nossa pátria mais na maioria só exclusivamente para apoiar a selecção de futebol, acabou o campeonato e o patriotismo ficou na gaveta.
Acabou o Euro 2004 mas muitas bandeiras nacionais ficaram nas janelas, perderam cor, romperam-se … aliás inúmeras são as fotos na internet do tratamento patriótico às mesmas. Eu pergunto o que um militar que serve o nosso país pensa quando vê uma bandeira “dessas”, dá-lhe vontade de servir um país que nem sequer honra a sua identidade ?
Vejamos o que vai acontecer amanhã em Londres com o Casamento Real Inglês de Príncipe William e Kate Middleton, bandeiras do Reino Unido por todo o lado. Os ingleses orgulhosamente usam a sua bandeira para celebrar um evento que para além de um mero casamento entre duas pessoas é um evento de união e de reafirmar uma identidade que embora muitos não gostem nos outros cantos do mundo fazem parte da história da humanidade. Não vão ver depois bandeiras descoloridas, bandeiras rotas, bandeiras esquecidas … Temos que aprender muito com os ingleses sobre o respeito e a identidade nacional. São acontecimentos como estes que ajudam um Povo a acreditar em si e avançar perante os momentos mais difíceis, não são recados por facebook que aliás ninguém na família real britânica o faz.
Resumindo o Casamento Real Inglês está a gerar milhões de libras dinamizando a economia, não foi preciso construir estádios de futebol que hoje alguns pensam que mais valia serem demolidos pelo prejuízo que dão. A Instituição Real está em constante renovação e ainda bem que a inglesa cada vez mais responde às aspirações do Povo, não me parece que os Estádios de Futebol façam cá o mesmo. É só fazer contas, claro que nem todos podem ser príncipes, mas nem todos podem ser presidentes e nem todos jogaram no Real Madrid.
Amanhã veremos ingleses orgulhosos com a sua bandeira, dos ricos aos mais pobres, em Liberdade e em Democracia mas respeitando a sua identidade.

Rui Monteiro
28/04/2011

domingo, 10 de outubro de 2010

Correio da Manhã – Há monárquicos no PCP e no BE


Mais de 45% dos portugueses não sabem qual é o centenário que hoje se comemora e só pouco mais de metade está informado de que se trata da implantação da República. Este resultado surpreendente faz parte de uma sondagem da Aximage para o Correio da Manhã, que revela também que mais de 12% dos eleitores do BE e mais de 11% dos que votam no PCP dizem preferir a Monarquia à República.

Por:Paulo Pinto Mascarenhas / J.F.

Apesar do desconhecimento, a esmagadora maioria dos inquiridos (66,1%) responde que a República é actualmente o melhor regime político para Portugal. Ainda assim, a Monarquia aparece como a melhor solução para 12,1% dos portugueses, enquanto 21,8% não têm opinião.

O historiador António Costa Pinto diz ao CM que se espanta “que 12,1% escolham a opção monárquica”, mas que “isso pode estar associado a algum sentimento imediato de descrença em relação à actual República”.

Já o historiador Luciano Amaral defende que “não há hoje uma questão de regime”. Mais: “Em Portugal, a Monarquia caiu e os portugueses deixaram de se preocupar com isso, à excepção de uma minoria de monárquicos.”

Na sondagem, o PS é considerado o “partido que melhor defende os valores da República”, seguido do PSD (20,2%) e do CDS (8,5%). O PCP, com 6,4%, e o BE, com 4,2%, fecham o pelotão republicano. Tanto Luciano Amaral como Costa Pinto consideram ser normal, uma vez que “o Partido Socialista tem uma maior tradição republicana.”

Fonte : Correio da Manhã, 5 de Outubro de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Gatunagens...



Logo em Outubro de 1910, as novas autoridades do regime instaurado pelos obuses de 75mm, expropriaram uma colossal quantidade de bens pertencentes à Igreja. Nem mencionando as depredações que levaram à fogueira estátuas, preciosas alfaias e paramentos religiosos, há que mencionar pilhas de livros, inconábulos, arquivos, etc. No entanto, entre os bens mais cobiçados, encontravam-se os imóveis que foram logo ocupados por organismos estatais ou apêndices parasitários do novo regime, como "comissões para a promoção do ensino", ligas várias e outras necessidades prementes de agrado à devorista clientela que ainda medra sob várias denominações aggiornadas.

Quantos edifícios foram deixados ao mais completo abandono e depredação? Muitos, demasiados. Despiram-nos da decoração, talhas douradas e outras riquezas que para sempre se perderam após o saque, aproveitando uma mão cheia de gatunos bem instalados. Um desses imóveis foi a Igreja de Campolide, imponente construção que se ergue nas imediações da Penitenciária de Lisboa. Está sob a alçada do sempre esquivo Ministério das Finanças que durante tantas décadas deixou cair o "imóvel de interesse público" (séc. XIX) na situação com que hoje deparamos. É certo que continuam os useiros rodriguinhos da "falta de verba", "situação jurídica" e outras desculpas do estilo, chegando-se ao cúmulo - suprema ilegalidade - da igreja nem sequer se encontrar registada na Conservatória do Registo Predial, ou na matriz predial. Sabemos o que por outras palavras, isso significa: a construção praticamente "não existe", habilidade que outras entidades - como a Câmara Municipal - tem usado para demolições dentro da área histórica. Com a hipotética extinção da Penitenciária, já se calculam as manobras especulativas a que a CML se propõe com os seus amigos do costume. Lembrem-se do que se passa na Duque de Loulé, onde o 35 caiu vítima do camartelo, após a sua retirada do Inventário Municipal. Hoje, um miserável mamarracho (Fundo BES do primo Salgado) está em construção naquele terreno. Há alguns anos, não houve grandes problemas na devolução de bancos e outras empresas a muitos que hoje são os sponsor da "Situação".

O Provedor de Justiça solicitou ontem ao dr. Teixeira dos Santos, a restituição gratuita da igreja de Campolide ao Patriarcado, mas a tutela não está nada interessada em qualquer tipo de justiça. Quer continuar a enfardar, mesmo se neste caso, lucrar com o roubo dos seus predecessores. O mesmo se passa com a Real Quinta de Caxias - ao abandono pelas Forças Armadas - , cujo legítimo e roubado proprietário é o Duque de Bragança. O Estado - "nós" - quer devolver a igreja de Campolide à respectiva paróquia, mas exige dinheiro pela devolução do roubo que vergonhosa e abusivamente perpetrou. Por aquilo que não consegue manter, exige mais de 46.600 contos (233.000€)! O descaramento é total.

Crentes ou não crentes e independentemente de questões religiosas, trata-se de uma reparação. Ladrões, devolvam o que roubaram!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O Centenário do regabofe despesista



Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso.
Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África". Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.
Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência. O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares.
É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.

Mário Crespo

Entretanto, a Monarquia espanhola aperta os cordões à bolsa...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A I república e D. António Barroso

Crónica de João Carlos Espada no Jornal I

Há um livro recente que tem um título curioso e que vale a pena ler. Chama-se "Réu da República: o Missionário D. António Barroso, Bispo do Porto" (Aletheia, 2009). Os autores, Carlos Azevedo e Amadeu Araújo, contam a história de um homem - D. António Barroso - e da época em que ele viveu, entre 1854 e 1918. Na história desse homem e dessa época estão contidos alguns dos grandes equívocos que em Portugal - bem como na generalidade das culturas europeias continentais - foram associados ao conceito de liberdade. Foi em nome desses equívocos que se cometeram, e por vezes ainda cometem, gravíssimos atentados contra a liberdade.
A história da perseguição da Primeira República a D. António Barroso ilustra o paradoxo que consiste na perseguição à liberdade em nome da liberdade. Esse paradoxo domina a história política moderna da Europa continental desde, pelo menos, a Revolução Francesa de 1789 - essa "doença infecciosa", como lhe chamou Edmund Burke. Em Portugal, esse paradoxo esteve gritantemente patente na Primeira República, entre 1910 e 1926.
A grande questão política e filosófica que a perseguição ao bispo do Porto levanta é saber por que razão a Primeira República perseguiu a Igreja Católica em nome da liberdade. Porque a Igreja se opunha à liberdade? Ou porque os republicanos usavam a palavra "liberdade" para designar uma coisa muito diferente da liberdade propriamente dita? Continuar a ler »»»

domingo, 20 de dezembro de 2009

Uma História da Violência

O caos está instalado. Num quadro de governo minoritário, a elite política portuguesa prova mais uma vez que não sabe fazer política na base da negociação. A política, em Portugal, sempre feita através da imposição de uma vontade. E daí nasce essa aberração da cultura política portuguesa: a maioria absoluta, dizem, a única forma de governar. Que bela cultura democrática.
Mas de onde vem esta aberração? A resposta está nos últimos 200 anos da nossa história. Em Uma História da Violência em Portugal de 1834-1851 (Tribuna da História), Fátima Bonifácio recorda uma coisa: depois da guerra civil oficial entre miguelistas e liberais, Portugal conheceu uma guerra civil oficiosa (1834 e 1851) entre a esquerda (os setembristas) e a direita (os cartistas) do liberalismo português. Neste período, as mudanças de poder nunca ocorreram de forma normal, dentro das regras institucionais. Essas mudanças assentaram sempre na violência política. Ninguém estava interessado em desenvolver hábitos de negociação dentro de um quadro institucional partilhado por todos.
Após 1851, Portugal conheceu um período de relativa estabilidade, que durou até 1890. Mas foi só isso. Entre 1890 e 1910, a instabilidade regressou em força com a Monarquia Constitucional. E, depois, tivemos um longo Inverno político, composto pela I República e pelo Estado Novo, dois regimes que assentaram no desrespeito pelas regras institucionais de uma sociedade livre. Portanto, até 1974, Portugal teve apenas 30 anos de alguma normalidade dentro de um quadro institucional respeitado por todos. Tirando esses 30 anos, a nossa política passou sempre pela imposição da vontade do mais forte. E, como natural, 30 anos de democracia não chegam para tirar esse veneno maioritário do nosso ADN político.

sábado, 12 de dezembro de 2009

A comissão de festas disponibilizou até agora 724 114,5 euros, para contratos feitos sem recurso a concurso

Os gastos com a comunicação das Comemorações do Centenário da República, a decorrer em 2010, já somam 344,4 mil euros. No total, a Comissão responsável pelo evento disponibilizou até agora 724 114,5 euros, para contratos feitos com empresas por ajuste directo, isto é, sem recurso a concurso.

Para Paulo Teixeira Pinto, presidente da Causa Real e ex-presidente do BCP, "a política é fazer escolhas e fazer escolhas é ter prioridades". "Não se deve fazer ajustes directos e, neste momento, é completamente desproporcional à realidade e inoportuno", critica, em declarações CM.

Para preparar o evento, que terá acções pontuais entre 31 de Janeiro e 5 de Outubro de 2010, esta Comissão, presidida pelo responsável do BPI, Artur Santos Silva, já investiu 724 114,5 euros. Num ano em que Portugal atravessa uma das maiores crises financeiras, as comemorações, têm um orçamento de dez milhões de euros proveniente do Orçamento do Estado.

Para dar conhecimento do evento, a Comissão contratou a construção do site centenariorepublica.pt. O design foi atribuído a Henrique Cayatte, Lda e custou 99 500 euros. Ao conceituado designer foram ainda pagos, a título pessoal, outros 90 mil euros pela prestação de serviços e aquisição de material de suporte à comunicação dos eixos programáticos.

A Comissão de Honra das Comemorações, presidida por Cavaco Silva, conta com 13 elementos, entre eles Jaime Gama, presidente da AR, José Sócrates, primeiro-ministro, e Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Além disso, há uma Comissão Consultiva de 17 pessoas, presidida pelo ministro Pedro Silva Pereira, e da qual fazem parte, por exemplo, Júlio Isidro e Margarida Pinto Correia.

Correio da Manhã 11 Dezembro 2009 - 00h30

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Jornalistas perseguidos pela 1ª república


Desde 1919 a vigilância e repressão da imprensa passaram para a esfera de competências da Polícia de Segurança do Estado. Agindo sempre num muito vago enquadramento legal, pois a República mantinha-se firme na proclamação da plena liberdade de expressão – exceptuando o breve interlúdio de censura que acompanhou a intervenção portuguesa na guerra -, as autoridades republicanas evoluíam para uma forma de perseguição mais profissional e sofisticada.

A não prder na integra este impressionante testemunho do jornalista Norberto Lopes do diário republicano “A Manhã” em 1910 recuperado por Carlos Bobone a respeito da prisão dos jornalistas Félix Correia e Manuel Ribeiro.