Não
foi falta de educação, usurpação de "funções" ou megalomania de povo
promovido, a mulher do presidente da república sentou-se na cadeira,
desenhada propositadamente para o eleito, para ver se a perna estava
estável e não partia. Salazar caiu abaixo de uma e esta primeira-"dama"
dá-se bem no Palácio...
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quarta-feira, 11 de julho de 2012
Partir uma perna
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sábado, 9 de junho de 2012
E assim vai a República - mais um fado na Mouraria
Enquanto em Inglaterra os cidadãos rejubilam pelo regime e a sua democracia por aqui os portugueses, modernos, muito modernos e muito cientes do regime que herdaram, preparam-se para mais um arroto e um fadinho para os lados da Mouraria.
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quarta-feira, 4 de abril de 2012
Tirem-me deste filme
O presidente desta república disse, quando interpelado sobre o fim do 13º e 14º mês, de ordenado, que não emitia opinião por estar a entrar para uma sessão de cinema a "nível particular" com a sua farste leidi. A repórter, estrábica, insistiu e o presidente discursou as mesmas palavras no mesmo tom de voz. Esta não-notícia televisiva teve o dom de despertar em mim a cobiça de saber qual o nome do filme que o chefe ia ver! Seria "Vergonha", "Compramos um Zoo" ou "o Artista"? Deixo a minha pergunta, também, aos leitores.
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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Cheia ou vazia?
A carteira está cheia ou vazia? Se for a minha tem moedas, se for a dele tem notas verdes, se for da Maria tem as fotos de família, se for da República tem um grande buraco, impossível de cozer.
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012
O Presidente condecora a Infanta

Nunca lhe importaram as honrarias, as festas e as fatiotas brilhantes de lantejoulas. Não é uma republicana dos esquemas angariadores de prebendas e distinções traduzidas em farta manjedoura.
Cavaco Silva cumpriu hoje a sua obrigação, precisamente nas vésperas do centésimo aniversário da Infanta D. Maria Adelaide. Mais vale tarde que nunca.
Ordem de Mérito, uma Ordem republicana, quase uma capitulação. Muito pior teria sido se tivesse conferido uma daquelas outras e de sonoro nome, mas ignominiosamente mutilada em 1910. Houve inteligência, como convém.
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sábado, 21 de janeiro de 2012
Cavaquinhos
Eis a República pela voz do seu representante a queixar-se da sua reformazita. E dito com cara séria. Os portugueses não têm razão para se inflamar. Querem Repúblicas, paguem-nas e aguentem-nas. Todos os que foram para se sentar no penico da república são iguais no apego ao emprego e mordomias. E se fosse só um mas não, sustentamos mais três cavaquinhos.
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
O que Portugal há muito sabe
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quinta-feira, 31 de março de 2011
O discurso dirigido ao Landtag de S. Bento
O discurso que devia ser feito. O Sr. Cavaco Silva dissolve o Landtag de S. Bento e convoca as eleições para a data mais conveniente. Tece algumas considerações acerca das crises que trucidam o país e apela ao bom senso e moderação. As primeiras reacções partidárias parece que confirmam a total inconsciência pelo momento, pois logo veio partido do governo adiar o que já se considera como inadiável, além de insistir num patético alijar de culpas para as costas da oposição. O partido do Presidente, o PSD, pretende que seja Sócrates a carregar o ónus do pedido de ajuda ao exterior. Assim, já se prevê o tom da campanha eleitoral e até, um marcar de posições que impedirão aquilo que o Presidente deseja e o país necessita: uma aliança pós eleitoral do seu partido com os socialistas. Veremos até onde chega a loucura desta brincadeira de roleta russa e como reagirá a "grande tribuna" do Reichstag de Berlim.
A par daquele proferido no 1º de Fevereiro de 2008 - quando o Sr. Cavaco Silva esbofeteou o tal Landtag caído na vergonha de recusar a homenagem ao Rei D. Carlos I -, este terá sido o melhor discurso presidencial, quase "à Rei dos Belgas".
Conhecendo-se a profunda imbecilidade e o cavalgadurismo militante dos republicanos, pouco caso farão dos conselhos presidenciais. Triste sina.
A par daquele proferido no 1º de Fevereiro de 2008 - quando o Sr. Cavaco Silva esbofeteou o tal Landtag caído na vergonha de recusar a homenagem ao Rei D. Carlos I -, este terá sido o melhor discurso presidencial, quase "à Rei dos Belgas".
Conhecendo-se a profunda imbecilidade e o cavalgadurismo militante dos republicanos, pouco caso farão dos conselhos presidenciais. Triste sina.
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quarta-feira, 9 de março de 2011
Para os republicanos
Aí têm mais uma prova daquilo que significa ter um "presidente da República". Ouviram o discurso? Trouxe algo de novo? Reviram-se no vosso Chefe de Estado?
Em suma, gostaram?
Separadas as águas, se o PS tivesse um mínimo de decoro, reuniria esta noite a Comissão Política e declararia o seu apoio à instauração da Monarquia.
Em suma, gostaram?
Separadas as águas, se o PS tivesse um mínimo de decoro, reuniria esta noite a Comissão Política e declararia o seu apoio à instauração da Monarquia.
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Presidentes da República
sábado, 5 de março de 2011
Mão na massa...

Para o primeiro ano deste segundo mandato de Cavaco Silva estão disponíveis 16 milhões de euros. Em 1976, havia apenas 99 mil euros para gastar. Mesmo sem contar com a inflação, em democracia, as despesas de Belém têm subido 18% por ano.
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Voto obrigatório: a sopa dos pobres

Alguns dos mais conhecidos e televisivos alcoviteiros do sistema, decidiram-se pela sugestão do voto obrigatório. Esmagada a instituição que consegue eleger um "presidente" por 23% dos eleitores inscritos, eis a solução drástica para disfarçar a viva repulsa que os "casos", "processos" e más políticas provocam.
De forma aparatosa, também caiu mais um mito republicano, precisamente aquele que aponta a absoluta igualdade na cidadania. Um candidato extra-partidário, o Sr. Coelho, não gozou dos mesmos direitos - e muito menos ainda dos privilégios - de qualquer um dos outros concorrentes à administração dos 16 milhões €/anuais, das dúzias de assessores e do exercício do beneplácito presidencial que providencia o bem estar a muitos. Nem um só debate televisivo - apressadamente antecipados para impedir o "intruso" de neles participar -, nem um simulacro de igualdade de tratamento , enquanto outros, precisamente aqueles detentores das chaves de cofres bem fornidos do pecúlio indispensável aos afazeres de campanha, tiveram a cobertura que desejavam. Ironicamente, com os seus pouco mais de 3.000€ gastos em campanha, o Sr. Coelho obteve um bom resultado, confirmando todas as conversas de café, de fila de supermercado e de hora do barbeiro da esquina. O que o madeirense disse, nada mais foi senão o que a rua abertamente discute há anos, daí a não-surpresa que os quase 5% de votos representaram. É de pasmar não ter obtido um ainda mais expressivo score eleitoral.
No rescaldo da "grande vitória" do "grande homem providencial" e "salvador da Pátria", um discurso inacreditável, num desnecessário ajuste de contas post-mortem. Pelos vistos, o embaixador norte-americano tinha razão quanto às "vinganças" que o Wikileaks divulgou. Longe vão os tempos em que D. Carlos I e Dª Amélia riam a bandeiras despregadas, com as caricaturas que Bordallo desenhava e que tinham como alvo frequente, o trono onde o régio casal se sentava.
Bem vistas as coisas como realmente se passaram, existiu um plebiscito oculto à 4ª República, aquela que alguns querem ver como presidencial. 52,94% de 46% é pouco, para não dizermos mais. Portugal teve a experiência sidonista que terminou como se sabe. Este "novo Sidónio" sem pingalim e a cavalo num Mercedes, terá apenas algo em comum com o original: a evocação da sopa dos pobres.
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sábado, 18 de dezembro de 2010
Os co-irresponsáveis

No debate com o Dr. Nobre, o recandidato Dr. Cavaco teve a gentileza de lembrar, não ser co-responsável por tudo aquilo que se tem passado em Portugal. Tem razão, pois responsabilidade é coisa difícil de se lhe atribuir, dado o seu palmarés de governante de há um quarto de século.
De facto, o Dr. Cavaco é tal como muitos outros, um ilustre co-irresponsável.
Com "o ar" mais sério deste mundo, aconselhamos a cívica abstenção.
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sábado, 6 de novembro de 2010
Nem Cavaco, nem outro qualquer
Engana-se, Dr. Rui Ramos: Portugal não precisa de Cavaco Silva, pois já o conhece há trinta anos. Aliás, não precisa de nenhum presidente. Basta!
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Coisas do progresso

Três cores que tudo dizem: Etiópia, Bolívia, Congo, Camarões, Guiné-Conacri, Guiana, Gana, Burkina Faso, Togo, Benim, Senegal, Mali, "República Portuguesa" e... CAVACO SILVA. Todo um progama.
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Eleições presidenciais na 2ª República.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Vamos tentar uma...

... que os esclareça de uma vez por todas. Se nas próximas "presidenciais" os portugueses levarem a abstenção a um resultado superior a 50% do universo eleitoral, talvez o "caso" mude de figura.
Entretanto, o blog Aventar está a proceder a uma sondagem acerca das eleições presidenciais. Entre os candidatos Cavaco Silva, Manuel Alegre, Francisco Lopes, Fernando Nobre, Vieira, José Pinto-Coelho e Defensor Moura, surge D. Duarte Pio. Às 17.15H de hoje, o Duque de Bragança ia folgadamente à frente, com 63%.
Façam o favor de visitar o Aventar.
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sábado, 11 de setembro de 2010
Sempre a sacar
O residente de Belém, como sempre a fazer-se muito rogado, acabou por declarar no seu passeio eleitoral em Ponte e Lima, que quanto à recandidatura, muitos apelos nesse sentido tem ouvido um pouco por todo o país. O PSD deve estar a trabalhar bem na sua especialidade, o poder local. As manifestações espontâneas parecem medianamente bem organizadas, embora uns tantos apupos e assobios destoem da orquestra. Quanto aos "apelos populares", o senhor residente diz como sempre, que ..."sobre essa matéria já disse o que tinha a dizer".
Em relação ao Orçamento do Estado, o residente a 21 milhões de Euros por ano, referiu que ..."já disse aquilo que havia a dizer".
Todo este pífio banzé, vem a propósito de uma inócua carta de Edite Estrela, onde entre algumas banalidades de ingresso adesivo à candidatura de Manuel Alegre, profere excentricidades de um calibre tal, que diríamos não se referir certamente ao senhor Cavaco Silva. Uma das tiradas mais cómicas, terá sido o apontar de dedo a Belém, declarando que o seu residente "dificultou a acção do governo" de José Sócrates e que "dissimuladamente", actuou no sentido de "obstruir deliberadamente muitas medidas constantes do programa eleitoral do PS". Inacreditável, dado o palmarés de descarado apoio, compreensão e "cooperação estratégica" - seja lá o que ele entenda por estratégia - que ACS prodigalizou durante os anos do seu primeiro mandato. Mais colaboracionismo, é de facto, impossível. Nem o monsenhor Tiso, o sr. Otto Kuusinen e o Dr. Ante Pavelic conseguiram tanto e de forma tão ostensiva.
Por uma republicana boca de indecifrável sotaque, ficamos a saber que o chefe en titre dos republicanos, é:
- um empecilho aos negócios públicos.
- um dissimulado, logo, um reservista mental militante.
- um sabotador.
- um intriguista.
A platinada doutora Edite, deve pensar que os portugueses são todos "camaradas" apatetados. Não são. Cavaco foi o vosso homem - o tal "faca de mato" como se usava dizer na 1ª república -, como continuará a sê-lo nos próximos tempos. Se isso consiste numa "estratégia" que pouco interessa ao país, todos já tirámos as conclusões, de tão evidentes elas se apresentam.
O faz de conta republicano, no seu melhor.
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Limusinas, vaidades e corte de fitas

Uma hilariante dissertação de Cavaco Silva, na melhor tradição corta-fitas de outros tempos. Desde "atirar para um lado a bola e outros a atirar para outro", até a futebolisticamente comparar o seu papel como coordenador de selecção - que nas suas sábias palavras somos nós, os dez milhões -, Cavaco julga-se como olímpica figura que ao lado de serviçal sempre de taça de água perfumada nas mãos, nela mergulha as mãos, limpando-as de qualquer responsabilidade adquirida num passado distante ou ainda muito próximo. Cercado de amizades perigosas e comprometedoras, perora longamente diante de assembleias compostas por gente que na sua maioria, são as famosas gárgulas económicas e financeiras que tiveram a sua parte de leão na partilha dos despojos, que aqui chegaram no tempo das "vacas gordas" referidas pelo barrosão presidente da Comissão Europeia.
Pois não é assim. Cavaco está, como desde sempre esteve, em plena campanha eleitoral, servindo-se capciosamente das suas hipotéticas funções e dos recursos do Estado que diz querer defender. Podia começar por defendê-lo de si e dos seus próximos. É nítido este pendor eleiçoeiro e o chorrilho de banalidades proferidas em cada aparição presidencial, vem acirrar a convicção da imensa maioria de que tal acontece, devido precisamente ao sistema que o próprio ajudou a erguer e conservar. De flamante limusina vai chegando e aconselhando à morigeração de costumes e manias, enquanto os comprometedores silêncios, as amizades perigosas, o não querer dizer ou saber dizer, apontam apenas para a necessidade do cumprimento da vaidade pessoal, aliás confirmada a cada dia que passa. Supina nulidade, é um embaraço para os seus próprios aliados. Poderá este homem fixar-nos olhos nos olhos e apelar à compreensão e união todos, perante as tarefas que urge executar?
Tudo isto é muito mau, fazendo-nos sonhar com a passada classificação medíocre, uma mais desejável categoria a que todos já nos habituáramos.
Neste momento, não existe qualquer instituição, nem alguém que no regime consiga mobilizar a população, fazendo-a ver a necessidade de um radical virar de página que afaste o monte de térmitas que nos mina o soalho e a porta. É que os símbolos contam e muito. Como símbolo, o regime que ousa comemorar um centenário de torpezas, pouco vale, a não ser para o que deles se servem.
Olhemos para o que ontem sucedeu num país que há tanto tempo parece irremediavelmente divido. De facto, em Espanha existe uma instituição firme, inamovível e que concita a quase unanimidade. Ontem, de Vigo - a tal pretendida cidade lusíada que serve de Cavalo de Tróia -, a Sevilha, Valência, Santander, Murcia, Leão, Córdova, Ceuta, Las Palmas, Bilbau e Barcelona, as flâmulas regionais foram esquecidas e atiradas para o plano da curiosidade bairrista. Por todo o lado, um mar de bandeiras espanholas onde uma gigantesca coroa - que cada vez mais parece ocupar toda a flâmula de Espanha -, serve de símbolo que adverte os derrotados pela guerra, pela história e porque não?, pela conveniência do bem comum. Existe a convicção generalizada do sucesso que o país vizinho terá na luta contra a crise dos dinheiros e da unidade. O seu irreverente optimismo e a solidez da base constitucional são essenciais e geralmente reconhecidos.
Até nisso, Portugal está em desvantagem.
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sábado, 17 de abril de 2010
Tuga, paga lá o Falcon!

Custa-nos perto de Dezoito Milhões de Euros por ano, aos quais se somam todas as despesas inerentes aos seus antecessores vivos. Comitivas enormes e restante acessorizing on the rocks, são parte integrante do estafadíssimo Esquema a que nos habituámos. A tudo isto teremos ainda de somar Cimeiras, eventos festivos fora de Palácio, ajudas de custo para o servicismo permanente, viagens de Estado e consequentes imprevistos técnicos, ciclónicos, vulcânicos, etc, etc, etc.
E se Sua Excelência fizesse precisamente aquilo para que serve um Chefe do Estado, ou seja, representar de quando em vez o nosso país? Bem sabemos que um chefe de Partido - mais ou menos oculto mas nem por isso menos evidente - terá sempre dificuldades para encarnar a totalidade do povo de um país quase milenar.
Há uma semana, morreu em trágicas circunstâncias o seu homólogo de Varsóvia, acompanhado pela mulher e por dezenas de altos dignitários do Estado polaco. Viajavam num velho avião.
Cavaco Silva encontra-se a uma pequena distância de Cracóvia, onde se deslocarão personalidades tão insignificantes como os dirigentes da Rússia, EUA e Alemanha. Merkel dormiu esta noite em Lisboa e depois partiu para Roma, de onde seguirá por via terrestre até Cracóvia.
Mas afinal, quem é Cavaco Silva?!
A resposta é simples. Consiste num semi de difícil definição constitucional, mas isso não o impede minimamente de em tempos de contenção que o próprio não se cansa de alardear, fazer uma longa viagem em limusina fretada, com a respectiva escolta e segurança, coisa que até se compreende. Assim que com todos os luxos - também compreensíveis e igualmente aceitáveis - chegue a Barcelona, não regressará a Lisboa num voo low-cost - como sempre faz a Rainha Sofia de Espanha -, nem sequer numa viagem da TAP. Não senhor. O Exmo. Sr. Prof. Dr. Aníbal Cavaco Silva, Presidente da III República Portuguesa, Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Portuguesas e Grão-Mestre das Ordens Honoríficas, terá, assim como a respectiva cônjuge, um exclusivo e despesista Falcon à espera. Isto, para que na próxima 2ª feira possa retomar a sua agenda de contactos, por sinal a ser preenchida pelo novo chefe do seu Partido político. Há assuntos que não podem esperar. Coisas dos tempos que se avizinham, os da reeleição.
Faça aquilo para que serve essencialmente o Chefe do Estado. Represente o país se souber ou puder, coisa altamente duvidosa, pelo que se viu e vê.
Longe vão os tempos em que o Chefe do Estado viajava de comboio, quase incógnito e com escasso séquito.
Quem quer repúblicas, que as pague!
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
O Centenário do regabofe despesista

Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso.
Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África". Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.
Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência. O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares.
É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.
Mário Crespo
Entretanto, a Monarquia espanhola aperta os cordões à bolsa...
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
A noite do "Bolo-Arriaga"...

Uma das curiosidades consequentes de qualquer golpe de Estado, consiste sempre na apressada mudança dos nomes, sejam estes os das ruas, avenidas, praças e até cidades, ou noutros casos, a alarvice chega mesmo à pastelaria.
Pois bem, em Portugal somos peritos neste tipo de actividade e aqui deixo alguns exemplos:
1. A Av. Rainha Dª Amélia passou a chamar-se Av. Almirante Reis, o tal senhor que apenas se notabilizou por desfechar um tiro na própria cabeça. Fez bem, coitado. Como teria passado os anos a seguir à vitória da Rotunda? Aliás, esteja onde estiver, a rainha agradece. A Almirante Reis é frequentada por uma certa calibragem que não é passível de se coadunar com o vestido de cauda de uma rainha. É a ironia da justiça deste mundo.
2. Uma localidade. Lembram-se de Poço de Boliqueime? Pois… Quando Sua Excelência o Senhor Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva ascendeu a 1º ministro – já foi, já foi e não vale a pena “fazer de conta” que não -, o autarca lá do sítio logo mudou o nome à terra, promovendo-a a Fonte de Boliqueime. Mas, o problema é que o cavalheiro agora é o Supremo Magistrado, o Venerando Presidente da República! Então como é? Para o segundo mandato, há que adequar a vila à sua nova categoria, saltando de Fonte, para Termas de Boliqueime. No mínimo! Aqui fica a sugestão.
3. Agora vem um dos meus favoritos. Quando o Afonso Costa concluiu que a coisa já estava feita e que o Directório do PRP não corria riscos de ir parar à fronteira, lá saiu, mais os amigos, dos Banhos de S. Paulo, onde “faziam de conta”, despreocupadamente nuzinhos e de toalha enrolada à cintura. Não fosse a Guarda Municipal pensar que estavam envolvidos na tramóia. Enfim, começaram logo a mudar o nome às coisas, a começar pelas ruas, avenidas, praças e navios da Armada. Logo depois, pegaram naPortuguesa – o tal Hino que o Keil e o Mendonça dedicaram em 1891 a D. Carlos e a D. Miguel! – e impuseram-no como símbolo nacional. Tudo bem, é grandioso e bonito. Chegou a vez da Bandeira. Pronto, é difícil, medonha, mas podemos tentar compreender.
Mas…
Que coisa, chegarem ao ponto de decretar sobre o novo nome do Bolo de Natal?! Incrível? Não, é verdade.
Daquelas cabecinhas pensadoras, aventaram-se algumas hipóteses, entre as quais o nome Bolo da Família. Mas não, a coisa cheirava muito a clerical. Estão a ver, família, logo eflúvios a incenso papista. Não dava.
Tiveram então a brilhante ideia de honrar o dito Bolo com o nome do primeiro presidente – aliás, pouco tempo depois forçado a demitir-se, acusado de cesarismo – Manuel de Arriaga. O Bolo era oficialmente conhecido por Bolo Arriaga!
Pelos vistos não pegou, até porque nestas coisas do merchandising, uma coroa sempre é uma coroa. Comprariam alguma coisa cujo rótulo ostentasse o "ovo estrelado" com os dizeres Fornecedores da Casa Presidencial? Duvido muito. Por exemplo, imaginem vocências abrirem um negócio com o nome Presidente das Meias, o Presidente dos Cachorros Quentes, ou o Presidente dos Frangos. Falência tão certinha, como a reconhecida perícia de Sua Excelência a Senhora Doutora Dona Maria Cavaco Silva em fritar sonhos para a Consoada.
Já sabem como é. A cada um, o seu bolo, seja ele Arriaga, Bernardino, Carmona, Craveiro, Tomás, Soares, Sampaio ou Cavaco & Esposa. Cá por mim, obscurantista de tintes medievalescos à inglesa, abarbato-me com o velho e prestigiado Bolo Rei. Sem fava e com muitas frutas cristalizadas.
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