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terça-feira, 6 de março de 2012

"Focke" Wulff



Por cá, sabemos como a geringonça se paga. Na forreta Alemanha, os passivos presidenciais não se ficam por ninharias, senão vejamos:

O recentemente deposto Sr. Christian Wulff, receberá uma pensão vitalícia de 199,000 € anuais, embora apenas tenha mourejado menos de dois anos no trabalho de Hércules de totalmente ignorado corta-fitas berlinense. Alguma vez ouviram falar no fulano? Claro que não.
Mesmo assim a sortuda esposa, catorze anos mais nova que o derrubado vígaro de águas paradas, em caso de morte ficará também a título vitalício com a pensão completa do defunto. Sendo já seis os presidentes passivos em sistema comensal - juntando-se a estes uma viúva alegra como convidada para o banqueta -, os alemães ainda pagam fundos para um gabinete com o staff de assessores, além de uma limusina com chauffeur. Tal qual como em Portugal, há assim que desculpá-los. Já bem longe vão os tempos em que o Kaiser tinha de permanecer no seu posto até ao momento de partir para o Walhala, não havendo desculpas para reformas e "bem-bons" logo aos cinquenta e dois anos.

Por cá estamos na mesma, as somas serão assim tão diversas, apesar de Portugal ser infinitamente menos rico e produtivo em comparação com a Alemanha. Ficamos contudo em vantagem, porque por agora apenas temos Cavaco Silva na actividade que se sabe, enquanto outros três antecessores vão mais ou menos se entretendo, bem provavelmente "à alemã".

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Presidente condecora a Infanta



Nunca lhe importaram as honrarias, as festas e as fatiotas brilhantes de lantejoulas. Não é uma republicana dos esquemas angariadores de prebendas e distinções traduzidas em farta manjedoura.

Cavaco Silva cumpriu hoje a sua obrigação, precisamente nas vésperas do centésimo aniversário da Infanta D. Maria Adelaide. Mais vale tarde que nunca.

Ordem de Mérito, uma Ordem republicana, quase uma capitulação. Muito pior teria sido se tivesse conferido uma daquelas outras e de sonoro nome, mas ignominiosamente mutilada em 1910. Houve inteligência, como convém.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A república da boçalidade

Acontece que estes modernos tempos de igualitária república "democratizaram" uma casta de gente mesmo “importante”, que se reproduz como coelhos de aviário, com supostas e ocultas ligações ao poder. Há momentos testemunhei aqui na rua aquela cena clássica que já todos um dia testemunhámos, em que um palerma enfarpelado, junto ao seu carro topo de gama mal estacionado, intimida um jovem polícia com um “você sabe com quem está a falar?!”.
Presumo que esta vulgar fórmula bem portuguesa da intimidação, atravessando os tempos até aos nossos dias, tenha origem no advento dos celebres “cidadãos limpos”, do devorismo liberal, cuja cartola, casaca e polainas não chegavam para os distinguir na sua intrínseca incorruptibilidade e inopinado poderio social.
Pela minha parte, que iniciei a minha vida profissional na hotelaria, mundo em que experimentei quase todos os papéis quase sempre em contacto com público, confesso que ainda hoje me revolta visceralmente este “guião” de profunda arrogância com que se identifica um tuga endinheirado… quase sempre um pobre diabo, afinal. Se não perante a lei, certamente perante Deus.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Os presidenciáveis

Não havia melhor maneira de comemorar a centenário da república que com a pior campanha para presidente da república que há memória, e com os piores candidatos de sempre.

Defensor de Moura
O que é que se pode dizer de um "alegado" candidato, que não sai da sua cidade para fazer campanha?
Se este candidato fosse conhecido do público há mais de 30 anos, Alberto Pimenta teria escrito em 1977 "O Discurso sobre Defensor de Moura".
Em Viana do Castelo, gastou milhões de euros num o programa Polis, que é composto por obras de fachada. Politicamente, revelou no Municipio, ser adepto do principio "Um Homem (Ele), Um voto (O dele)". Devido à falta de resultados, resolveu proibir a arte tauromáquica, pois Defensor é daqueles que adoraria ser "estrangeiro"
Foi impedido de se recandidatar pelo próprio partido.
A sua candidatura foi inventada pelo PS, para ter uma marioneta a debitar insultos e acusações a Cavaco Silva.
Em suma. É o retrato perfeito de um parolo de Portugal.

José Manuel Coelho
É o Palhaço da campanha. Candidatura surpresa vinda do jardim do atlântico. Apesar da distância, viajou mais que Defensor. Se tivesse atacado os politicos em geral, os juízes e os grandes interesses poderia causar alguma surpresa no próximo Domingo. Mas devido à sua fixação em Cavaco e Alberto João, faz suspeitar ser esta a 3ª candidatura PS.

Francisco Lopes
Candidato que aparece para marcar a posição do PCP, mas que parece que nem sequer consegue entusiasmar aqueles que já estão convencidos. Arrisca um resultado humilhante.

Fernando Nobre
Atirado às feras por Mário Soares para "liquidar" a candidatura de Alegre, começou a campanha mal e aos tropeções, chegando-se mesmo a prever a sua desistência. Na campanha e apesar de ter alinhado inicialmente nas calúnias contra Cavaco, cedo recuou e passou a uma campanha pela positiva. As ultimas sondagens revelam que está na disputa do 2º lugar, o que pode abrir boas perspectivas para 2016.

Manuel Alegre
Há 5 anos atrás, o Vate de Águeda, concorrendo contra tudo e todos, foi visto com simpatia como D. Quixote a lutar sózinho contra os "Moinhos", daí o seu "milhão de votos". Hoje, ninguém vê Alegre como D. Quixote. Alegre é percepcionado pelos Portugueses como um "Moinho velho", apoiado pelos mesmos partidos que há 5 anos atrás apoiavam o moinho que D. Quixote Alegre destruiu.
A sua campanha, gerida pelo Bloco, limitou-se a maledicência, à calunia e a acusações torpes, coisas que a sua personalidade não está talhada para fazer. Para além deste facto, Alegre tem Salazar dentro de si. Por ter feito parte da oposição ao estado novo, Alegre acha-se mais que os outros, nomeadamente quem era criança, ou não tinha nascido antes do 25 de Abril, gente que Alegre vê como Portugueses de 2ª.
Poderá ficar em 3º lugar, o que seria justo devido à campanha que tem feito.

Cavaco Silva
Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. É o que se pode dizer de Cavaco Silva, quando comparado com a sua concorrência.
Durante 5 anos de mandato, pouco ou nada fez que se visse. Anunciou comunicações ao país com pompa e circunstância e depois falou sobre temas que ninguém se interessava. Recentemente promulgou um Decreto-Lei e passados 15 dias, em plena campanha, exortou a que o mesmo fosse "reavaliado".
Provavelmente vai ganhar por falta de concorrência, mas se atentarmos bem, a falta de concorrência foi sabiamente preparada por Cavaco através da aplicação da Lei de Gresham, onde a má moeda Cavaco, liquidou as outras boas moedas.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Acerca do lúcido post "Vergonhosa " Barraca" na Camioneta Fantasma"


Muito bem diz o Nuno Castelo Branco. Chega a ser revoltante tanta e premeditada cegueira. Muita gente que se diz rever nos "valores" da república – e uma maioria da que se diz de "esquerda" – vive e alimenta-se de slogans e frases mastigadas sobre a "liberdade". Até quando vão defecar muitos gajos acham que essa "liberdade" se deve a uma revolução dos intestinos. No fundo sofrem de diarreia cerebral.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"Involução" no Arsenal de Marinha


Foi casa onde se construíram muitos navios da Armada, dando trabalho a operários, mestres navais, engenheiros e militares. Grande obra da reconstrução de Lisboa, assistiu também aos eventos que marcavam as principais cerimónias de um Estado anfitrião dos grandes do mundo. A república deixou-o na mais triste decadência e durante a sua vigência, ardeu a Sala do Risco, perdendo-se preciosidades de incalculável valor.
Entulhou-se a carreira sobre a qual deslizaram para o Tejo, os navios das esquadras de naus que rumaram para a salvação, no Brasil. Ao longo de mais de um século, o Arsenal foi-se adaptando aos novos tempos e produziu corvetas, fragatas e os primeiros navios de construídos em aço. Barcos torpedeiros, contratorpedeiros, canhoneiras e cruzadores ligeiros, atestaram a razoável capacidade de uma indústria que o desleixo vai deixando morrer. Também podemos hoje vislumbrar, na outra margem, uma outra "fábrica de barcos", aquela que foi a maior doca flutuante da Europa. Vazia, como Portugal.

Hoje querem transformar a frente do Arsenal que dá para o rio, num espelho de águas mortas, mas de acordo com aquilo que se vê nas "revistas chiques lá de fora". É o estilo à Wallpaper, tão dilecto dos nossos senhores que decidem e gostam do "querer parecer bem". Se a 1ª República acabou com com os bergatins que douravam a imagem dos grandes acontecimentos públicos e colocou um ponto final na era dos cruzadores da Armada, a 2ª transformaria a carreira, numa estrada destinada à passagem da ruidosa e fumarenta sucata a prazo. Pelos vistos, a 3ª, que pouco cuida da praça adjacente, quer inventar mais um happening, muito de acordo com o betonismo do tal obervatório da droga. A isto, podemos chamar "involução".

*Na imagem, Dª Amélia embarca no Bergatim, dando início a uma cerimónia de Estado.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O lado crónico da 3ª República


«8 de Outubro de 1975 - Quase meio milhão de desempregados. A inflacção agrava-se no sector alimentar. Milhões de contos de défice no orçamento do Estado. As reservas de ouro e divisas baixam assustadoramente. Subida vertiginosa das notas em circulação. Os depósitos nos bancos descem. A dívida pública já galga para cima dos 70 milhões..
(Natália Correia, "Não Percas a Rosa Diário e algo mais (25 de Abril de 1974 - 20 de Dezembro de 1975)".

domingo, 6 de junho de 2010

Retrato robot de um presidente


Está na "Pública" de hoje e é da autoria de Daniel Sampaio. Nestas coisas de arte surrealista e da sua interpretação, não há como chamar um psiquiatra. A obra foi intitulada «O que eu quero de um PR». Está bem.
Sampaio, de cinzel, ou de pincel, em riste, começa manifestando a sua preocupação. Porque o próximo PR será «eleito num contexto de crise económica e social». Quanto a isso, é conclusão a não necessitar de psiquiatra ou artista para ser tirarada. Pelo contrário, reconhecer «a descrença nas instituições já hoje tão visivel» sempre me parece de mais honrosa contrição.
E depois, ataca o bloco de mármore ou a tela, não sei. E vai comentando:
Desde logo, a personalidade do candidato. Terá de ser «alguém com firmeza, mas com capacidade de ouvir, que não soletre as palavras e que tenha um discurso forte, dito sem hesitações e em voz clara. de uma pessoa que não receie os meios de comunicação social...» (toma lá Cavaco, vai buscá-la ao fundo da baliza... Estás a levar uma cabazada).
Claro que o candidato ideal não deverá tratar os «temas relevantes à saída de uma inauguração ou no intervalo de um encontro social». Admite-se o «sentido de humor e linguagem simples» q.b., mas, para isso, «é necessário muita leitura e um passado de cultura que permite a linguagem educada que deve caracterizar um PR». Em suma, «a personalidade do próximo PR deve também caracterizar-se pelo estímulo à produção cultural em todos os sectores, tornando Belém um polo aglutinador de vontades culturais...». (eh lá Poeta Alegre, parece que já temos um apoiante, não?)
Depois, o fatal alerta: a imprescindível «lealdade permanente aos valores essenciais...». (Pronto, pronto não é preciso mais. Sampaio também não abdica da Ética republicana. Alegre vate, estás sempre a somar, saiam mais umas trovas do vento que passa).
A rematar, uma palavra de desapreço para os qe «apenas são conhecidos como cidadãos de algum mérito». (Não adianta, Fernando Nobre, volte lá para a AMI, porque nestas sisudas andanças presidenciais precisaria de «ter experiência política, conhecimento da administração e um passado ideológico convincente»).
«UM passado ideológico convicente»! E´inacreditável, mas foi escrito!!!
Evidentemente, só há duas certezas no Mundo, se não houver outras: eu não voto no vate; nem jamais consultarei o Dr. Daniel Sampaio.
Quato ao mais, retenho na memória a secura de boca com que Alegre respondia a Judite de Sousa na entrevista da RTP1 a semana passada (então quando ela puxou a conversa para os temas económicos...). E, indo a notícias mais importantes, leiam por favor a crónica de Vasco Pulido Valente (de hoje, também, no "Público") acerca das aventuras de Sócrates no «mundo da pedinchice».

sábado, 5 de junho de 2010

As três Repúblicas


Qual terá sido a menos má República? Eis uma pergunta cuja resposta não é fácil. Todas se distinguiram mais pela negativa do que pela positiva. Ainda assim, é de justiça se reconheça a actual III República garante aos cidadãos um muito satisfatório direito à liberdade de expressão. Algo que, sem dúvida, a superioriza em relação às suas antecessoras.
Mas permanecem, a manchá-la, a sua incapacidade para lançar o País nos caminhos da verdaeira modernidade, a corrupção que a mancha de cima a baixo e a desacredita perante os portugueses,
mesmo o facciosismo e a demagogia com que olha para trás, no tempo, e multiplica as mentiras com que pretende lavar a cara.
Todos o sabemos, todos o sentimos: vivemos dias muito dificeis, o futuro é incerto. Os 10 milhões de euros para a comemoração do centenário republicano é pão, toneladas de pão deitadas à arena do Coliseu romano.
Falta-nos um algo que é uma imensidão: a consciência de um Destino comum.
Vivemos de ilusões. Já em 1968 Marcello Caetano se iludia pensando ter o País consigo. Pois se até às Forças Armadas tinham assegurado ao Presidente da República plena liberdade de escolha do sucessor de Salazar, desde que fosse civil e não intentsse afrouxar a politica de defesa da integridade do Ultramar!
Alguns anos volvidos, eram essas mesmas Forças Armadas que punham cobro à II República. Aparentemente zangadas pela equiparação (remuneratória, sobretudo) dos oficiais milicianos aos do quadro permanente...
O que equivalerá a dizer que foi a partir de uma questão salarial que se concluiu pela inoportunidade da guerra colonial; pela pertinência da Revolução, do Conselho da Revolução, da descolonização, das nacionalizações...; e, felizmente, pela necessidade do 25 de Novembro também.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Parece que foi ontem...


9 de Outubro de 1910

Oh, meu Deus; nestas ocasiões é que eu queria ver por dentro estes homens lívidos e com um sorriso estampado na cara, que sobem as escadas dos ministérios para aderirem à República!
É este e aquele, os que estão ameaçados de perderem os seus lugares, as altas situações, o Poder. Os tipos não importam – o que importa é o fantasma que transparece atrás da figura; o que importa é o monólogo interior, as verdadeiras palavras que não se pronunciam, o debate que não tem fim, o que nestas ocasiões de crise ruge lá dentro sem cessar. Escutá-los a todos! Possuir o dom mágico de ouvir através das paredes e dos corpos!…Toda a noite, toda a noite de Cinco de Outubro, quantos perguntaram, ansiosos: quem vai vencer? Onde é o meu lugar? …Bem me importam a mim as tragédias e as mortes!… Interesses, ambição, medo, tantos fantasmas que nem eu supunha existirem e que levantam a cabeça!…
Não há nada que chegue a estes momentos históricos em que o fundo dos fundos se agita e remexe, para cada um se avaliar e saber o que vale uma alma…
E o desfile segue – o desfile dos tipos que sobem as escadarias dos ministérios, dos que descem as escadarias dos ministérios, uns já com o olhar de donos, mas vacilantes ainda, sem poderem acreditar na realidade, outros com um sorriso estampado que lhes dói. Estamos todos lívidos, por fora e por dentro…

Raul Brandão, Memórias (13º Volume), via Caminhos da Memória.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O alegado caso das "escutas" a Belém


(...) é um produto da república. Quando o Chefe do Estado é parte da luta política, quando o Chefe do Estado está refém de uma ideologia e provém das forças partidárias que se degladiam e a elas deve a sua eleição, embora teóricamente esteja acima delas somente por força dos preceitos constitucionais,quando o partido do Governo está ideológica e partidariamente em dissonância com o Chefe do Estado e não concorda com a sua actuação que considera prejudicar as suas políticas, que se esperaria?

Texto de João Mattos e Silva na integra aqui »»»

quarta-feira, 10 de junho de 2009

As tricas políticas no 10 de Junho republicano




Das comemorações oficiais do 10 de Junho, aqui deixamos algumas notas:

1. A parada.

Tal como estamos há muito habituados, um péssimo enquadramento do desfile. Mau cenário, pouco espaço e sobretudo, pouco público. A escassez de efectivos evidenciou-se uma vez mais, nestes tempos de contenção orçamental.
Notas positivas: a inédita apresentação das históricas bandeiras nacionais, com relevo especial para a última, a azul e branca. Da actual, nenhuma e ainda bem, embora tivesse surgido subrepticiamente nos estandartes das unidades. Como deve ser. Os Meninos da Luz montando belíssimos cavalos brancos, bem tratados e sempre acarinhados pelo público presente.

O novo equipamento apresentado, com viaturas flamantes de novas, desde os Pandur aos gigantescos panzer Leopard II, deveras impressionantes. Não se prevêem avarias em público, pelo menos nos anos vindouros.

Um aspecto a destacar, consiste no aspecto aguerrido e bem equipado das unidades especiais das Forças Armadas, afinal, o que verdadeiramente importa.

Notas negativas: o péssimo marchar das tropas em geral - nem sequer existindo uma uniformidade no passo, bastas vezes descoordenado - , num ritmo triste, lento, quase de aprendizes. Sugestão: contratem instrutores dos nossos "novos aliados" do leste, ou em alternativa, russos ou chineses.

Ausência da presença de um passado que aliás, as Forças Armadas agora comemoram. Mais exactamente, nota-se a falta de uniformes dos tempos da guerra de libertação contra Bonaparte. Faça-se essa justiça em 2010, ano da vitória. Este tipo de eventos deve ter um carácter didáctico e cívico.

2. A sempiterna e escusada polítiquisse.

Foi evidente o mal estar existente entre alguns órgãos de soberania, destacando-se a atitude pouco correcta do actual residente de Belém, que não conseguiu esconder o seu desdém pela figura do seu primeiro-ministro, ignorando-o ostensivamente. Pelo menos, foi o que a televisão mostrou ao país e escandalizou o meu amigo, prof. Serras Gago. No rescaldo das eleições do passado domingo, o dr. Cavaco Silva já se sente suficientemente ancho para não manifestar o mínimo sinal de cordialidade institucional que o decoro exige. Tem assim início o período de sampaízação das relações entre Belém e S. Bento. Vergonhoso.

Sabendo o que ocorre nas monarquias europeias, desde já temos a garantia que sendo rei de Portugal, D. Duarte II manteria uma perfeita relação de lealdade institucional com o seu primeiro-ministro - fosse ele quem fosse -, pois os monarcas respeitam por regra a legalidade saída do escrutínio popular. Disto não temos qualquer dúvida ou hesitação em afirmá-lo. O tempo o demonstrará, se os portugueses assim o entenderem.

3. Nota final.

O surgimento de bandeiras nacionais azuis e brancas nas varandas de Santarém. O povo começa a deixar de ser tímido e a manifestar flagrantemente o seu patriotismo Finalmente.