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domingo, 10 de outubro de 2010

Iconografia republicana

As cores da Segunda República Portuguesa (1926-1974). 
TEIXEIRA, Luiz - Perfil de Salazar:  Elementos para la Historia de Su Vida y Su Tiempo. Escelicer: Cádiz / Madrid, s.d. [1939 ou 1940 ?]. Imagem retirada daqui.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

De como a Segunda República Portuguesa nunca existiu.

E de como a História é, afinal, uma ilusão.
Esta imagem foi eliminada do mural da página do facebook Repórteres da República, num acto a que este regime já nos habituou desde 1910: o da CENSURA.

domingo, 19 de setembro de 2010

O parto republicano.



A História de uma nação apresenta momentos-chave em que o seu destino colectivo se vê perante dilemas ou aporias que é necessário resolver ou enfrentar. Foi assim com Alcácer Quibir, a Restauração de 1640 e o Ultimatum de 1890. A República nunca foi um turning point no percurso de Portugal enquanto nação, enquanto desejo colectivo ou ansiedade conjunta. É necessário que exista um Outro e que o Outro nos agrida ou nos subjugue para ocorrer no espírito colectivo (se é que ele efectivamente existe) uma "vontade de querer". Pelo contrário a República fez regredir o país em quase 100 anos, até às lutas entre Liberais e Miguelistas colocando, de novo, portugueses contra portugueses, em nome de um ideal que era de pouquíssimos. Como qualquer organismo infectado, o corpo reagiu com anticorpos e a República, aos poucos, entranhou-se, primeiro como uma constipação, depois já gripe (como a de 1918) que por pouco não matava o hospedeiro se não fossem as mezinhas salazaristas que pugnaram por um Estado Republicano forte e opressivo. Mas esta opressão não ocasionou uma reacção instintiva à doença e o corpo acomodou-se a achaques periódicos, até 1974 quando, de novo, não o país, mas o regime tentou uma refundação. Hoje, tenta-se construir a imagem laudatória e idílica da chegada do novo regime, em 1910. E o papel dos Historiadores nesse campo é fulcral. Num campo historiográfico praticamente inexplorado (quando comparado, por exemplo, com o da  vizinha Espanha), sem background quanto a estudos Políticos, Económicos e Sociais do país contemporâneo, foi entrada fácil a um pequeno grupo de historiadores tendencialmente ligados a correntes ideológicas de Esquerda que tomou de assalto esta área de estudo. De facto, o nosso corpus de historiadores, voltado ora para a medievalidade e para a Expansão, ora para temas avessos à Idade Contemporânea permitiu uma manipulação muito mais vincada dos factos ocorridos nos últimos 150/100 anos. E as Comemorações do Centenário da República, ainda que incipientes na sua programação pró-populi, consagraram o estudo de poucos, com conferências e livros de toda a espécie que não escondem a sua posição nitidamente sectarista. A Primeira República deixou de ser diabolizada para constituir um modelo de virtudes onde, diga-se, até se podem encontrar pontos de ligação entre o actual regime. E esta "Segunda República" passou a regime democrático, saltando sobre o Estado Novo que foi arrumado na secção de não-República. Traçou-se assim um ponto de vista inflexível e irrefutável: antes de 1910 não existia democracia em Portugal. Esta chegou a 5 de Outubro daquele ano. Foi suspensa com o golpe de Maio de 1926 e regressou a 25 de Abril de 1974. Ao percorrer a vasta bibliografia subsidiada, em grande parte, pelo erário público, (como era a propaganda nacionalista nas décadas de 1940 a 1970), constatamos o súbito interesse pelo papel da Maçonaria na implantação da República e no Regícidio, com uma clara desculpabilização desses dois actos em detrimento de um ideal  maior, a Liberdade, supostamente inexistente durante a Monarquia, ainda que esta fosse Constitucional e assegurasse, desde 1834, amplas liberdades que são hoje apanágio das maioria das democracias  ocidentais. Esta refundação de Portugal pela historiografia é preocupante e recorda o movimento surgido durante a 2ª República, não tão claro na sua catequização como a cartilha estado-novista, mas nem por isso menos gritante, sobretudo quando pretensos trabalhos históricos intitulam uma obra com o título "Viva a República". Aproximando-se o dia 5 de Outubro de 2010 e conhecendo já o programa das celebrações podemos, para já, asseverar algo: a propaganda erudita é vasta mas não chega para alimentar o espírito colectivo. No último século, apenas o totalitarismo do Estado Novo conseguiu mobilizar a opinião pública para se legitimar enquanto regime intrinsecamente nacional. Embora se espalhem mensagens de participação, em que tudo, hoje em dia, gira à volta de República (até relógios...) dificilmente se verão manifestações espontâneas de Viva a República! ou marchas populosas de apoio ao regime. Como em 1910, a ideia republicana de hoje é, ainda, uma ideia de poucos, a de uma classe oligárquica que deseja manter o poder, não para servir o "Povo", mas para se servir a si mesma. A República Portuguesa é como Saturno devorando o seu filho: fá-lo ciclicamente e em 2010 ocorre apenas mais um parto.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"Involução" no Arsenal de Marinha


Foi casa onde se construíram muitos navios da Armada, dando trabalho a operários, mestres navais, engenheiros e militares. Grande obra da reconstrução de Lisboa, assistiu também aos eventos que marcavam as principais cerimónias de um Estado anfitrião dos grandes do mundo. A república deixou-o na mais triste decadência e durante a sua vigência, ardeu a Sala do Risco, perdendo-se preciosidades de incalculável valor.
Entulhou-se a carreira sobre a qual deslizaram para o Tejo, os navios das esquadras de naus que rumaram para a salvação, no Brasil. Ao longo de mais de um século, o Arsenal foi-se adaptando aos novos tempos e produziu corvetas, fragatas e os primeiros navios de construídos em aço. Barcos torpedeiros, contratorpedeiros, canhoneiras e cruzadores ligeiros, atestaram a razoável capacidade de uma indústria que o desleixo vai deixando morrer. Também podemos hoje vislumbrar, na outra margem, uma outra "fábrica de barcos", aquela que foi a maior doca flutuante da Europa. Vazia, como Portugal.

Hoje querem transformar a frente do Arsenal que dá para o rio, num espelho de águas mortas, mas de acordo com aquilo que se vê nas "revistas chiques lá de fora". É o estilo à Wallpaper, tão dilecto dos nossos senhores que decidem e gostam do "querer parecer bem". Se a 1ª República acabou com com os bergatins que douravam a imagem dos grandes acontecimentos públicos e colocou um ponto final na era dos cruzadores da Armada, a 2ª transformaria a carreira, numa estrada destinada à passagem da ruidosa e fumarenta sucata a prazo. Pelos vistos, a 3ª, que pouco cuida da praça adjacente, quer inventar mais um happening, muito de acordo com o betonismo do tal obervatório da droga. A isto, podemos chamar "involução".

*Na imagem, Dª Amélia embarca no Bergatim, dando início a uma cerimónia de Estado.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Estado Novo - o início da 1ª legislatura


Ocorreu a 11 de Janeiro de 1935, com a abertura solene da Assembleia Nacional. Usou da palavra o Presidente Gen. Carmona, em cuja mensagem se preocupou em explicar aos portugueses as incumbências dos 90 deputados eleitos.
Historiando um pouco, o Presidente Carmona recordou a instabilidade que até aí caracterizara a República. Não esqueceu os eleogios aos Presidentes Arriaga e Pimenta de Castro e, sobretudo, Sidónio Pais, e ao «heroismo» da sua intervenção «contra a desordem em que se abismava o Estado». As prioridades de Carmona eram claras:
« A estabilidade da Presidência da República, a força do Governo, a segurança interna, a confiança pública, a formação de forte consciência nacional - garantias essenciais da ordem e do trabalho na paz - são conquistas definitivamente asseguradas (...)».
Fonte: Joaquim Veríssimo Serrão, «História de Portugal», vol. XIV (1935-1941), pág. 18.