domingo, 21 de setembro de 2008

A república desvia-se progressivamente do Socialismo

António Arnault “Pai” do SNS questiona diginidade de médicos que trabalham para empresas de serviços.
António Arnaut, autor da lei que criou o Serviço Nacional de Saúde (SNS), está preocupado com o estado “comatoso” em que se encontra a Saúde em Portugal e acusa os médicos que trabalham através de empresas de “falta de dignidade”.
Em entrevista à Lusa, António Arnaut questionou a “dignidade da função” de médico dos profissionais que são colocados nos hospitais públicos por empresas que vendem serviços médicos como poderiam fornecer os préstimos de “canalizadores”.

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Para António Arnaut, a saúde está em coma, mas “ainda é possível fazer alguma coisa”. A solução passa, na sua opinião, por três respostas da tutela: restabelecimento das carreiras médicas, remuneração condigna e condições de trabalho.»

(Num artigo do PUBLICO, aqui)

António Arnault, mais do que criticar o estado actual da carreira dos médicos ou as condições precárias da Saude alerta para um eventual fim do SNS se o caminho ,até hoje seguido, não for alterado.
Consequência óbvia de um Liberalismo pedante e socialmente superficial leva as elites governantes a considerarem o acesso á saude como um serviço perfeitamente acessivel ao mais comum dos cidadãos..não estivessemos no seculo da informação e seria um puro acto de ignorância
No estado actual de eminência de recessão o caso resvala para para um desvio óbvio dos que devem ser as politicas Públicas. Já D. Manuel no longinquo ano de 1909 se apercebeu da questão social e o impacto que poderia ter, e veio efectivamente a ter em todo o sec XX.

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«Em 1909, D. Manuel II convidou Léon Poinsard e Paul Descamps, da escola de ciência social fundada por Henri de Tourville e Edmond Demolins, para dia­gnosticar a sociedade rural e operária.
O resultado foi um notável estudo sobre a família operária, que se ocupa na indústria em complementaridade com a cultura hortícola e a pecuária doméstica na produção do rendimento familiar.»
Embora as condições de vida dos trabalhadores agrícolas portugueses fossem muito difíceis e se encontrassem nos campos situações de pobreza extrema, aqueles que, na época, se preocupavam com a «questão social» identificavam-na apenas com as condições de vida dos trabalhadores industriais das grandes cidades. Apesar de, em Portugal, os trabalhadores na indústria não constituírem as grandes massas que se poderiam encontrar nos países mais industrializados como Alemanha, França, Grã-Bretanha, existia contudo alguma tradição organizativa, em associações profissinais nais de socorros mútuos, e, ao contrário dos camponeses, muitos sabiam ler.

Bem haja!

O que Teófilo Braga,( Presidente do Governo Provisório que implantou a República) pensava dos restantes republicanos e do regime

Em 1913 dá-se um incidente politico.Teófilo Braga com o intuito de ser nomeado Presidente da Republica, facto que atingiria em 1915, inicia em 1913 uma campanha de divulgação das misérias morais dos principais actores da Republica, facto que lhe valeu o ódio dos republicanos
Covém não esquecer que Joaquim Teófilo Fernandes Braga foi o Presidente do Governo Provisório que implantou a I República.


Teófilo Braga

«eu sempre falei da abolição do Conselho de Estado, da Câmara dos Pares e do corpo diplomático. Lavraram-se um a um os decretos que demitiam os antigos (diplomatas) e eu vi entrar essa gente toda que para aí está.»


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«- Oh meu caro amigo! tire o Bernardino que terá vontade de ser útil ao País, e o resto são todos uns ... eu não digo, eu não digo.» O DIA,

«GOVERNO ALGUM PODE TOMAR A SÉRIO COMO DIPLOMATAS OS INDIVÍDUOS QUE PRESENTEMENTE OCUPAM AS LEGAÇÕES DE PORTUGAL.» "O SECULO" (30/3/1913)

«é tudo uma lástima, meu caro. O Augusto de Vasconcelos quiz ir à viva força para Londres, mas lá não o aceitaram: lá não dão categoria aos cirurgiões para serem ministros plenipotenciários. O Junqueiro devia ir para Espanha, que ele conhece, ele que é todo arte e literatura. Mas por doença de família precisou de ir para a Suíça e então lá abalou para Berna e por lá anda a fazer coisas disparatadas.»

« Esse sujeito [Jose Relvas], logo nos primeiros dias da revolução apresentou-se-nos no conselho de ministros e disse: "Como o Bazílio Teles não vem para as finanças, eu queria ficar no lugar dele." Eu fiquei mesmo parado, a olhar para o Bernardino, pasmado do impudor. Estava uma noite de chuva. E eu então, para dizer qualquer coisa, disse para o Bernardino: Olhe, você vem para baixo? E como ele dissesse que sim, declarei que já era muito tarde, que o melhor era não se resolver nada naquela noite. Mas o homem depois tornou-se a impor, com o grupo do José Barbosa e do Inocêncio Camacho à frente, a empurra-lo, e ficou Ministro das Finanças.»

«Esse [João Chagas]é uma lástima, creia. Tudo que se diz agora contra ele na imprensa francesa não e novidade nenhuma para ninguém de ca. Antes de ele partir para Paris já aqui o Ministro da França tinha as suas informações.»

(21 de Setembro de 2008)


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Entrevista de Teófilo Braga com "O SÉCULO":
(30/3/1913)

1. Estou intimamente e absolutamente convencido de que é impossível uma conflagração europeia.

— É por eu estar íntima e absolutamente convencido deste facto que lhe digo que não há necessidade alguma de pensarmos nessa organização guerreira que para aí se apregoa.

— Falámos da questão propriamente interna; falemos agora da nossa situação no campo internacional. Não seria conveniente definir clara e precisamente os termos da aliança inglesa?

— Era bom realmente precisar os direitos e deveres que essa aliança impõe: todavia enquanto os cargos diplomáticos forem ocupados pelas individualidades que actualmente os ocupam não pensemos em tal. Eu sou sempre muito sincero nas afirmações que faço e em verdade lhe digo que estou convencido de que GOVERNO ALGUM PODE TOMAR A SÉRIO COMO DIPLOMATAS OS INDIVÍDUOS QUE PRESENTEMENTE OCUPAM AS LEGAÇÕES DE PORTUGAL.

— Devemos pois tentar definir a nossa situação internacional?

— Sim, mas convencidos de que a melhor garantia para o bom resultado dessa tentativa reside na própria administração do país e nas qualidades dos nossos diplomatas."

("O Século" de 30 de Março de 1913)
Entrevista a Teófilo Braga no "O DIA" (2/4/1913)

4. Não podemos — ainda que queiramos satisfazer a curiosidade dos leitores de "O DIA" — reproduzir tudo o que o actual presidente do Directório do partido [Teófilo Braga] que está no poder nos disse em informações que perfeitamente elucidam aquelas suas palavras que tão escandalosa discussão têm causado, mas que vão além da matéria estrictamente política a que nos circunscrevemos.
Sempre que falei, em conferências e em tudo, entre as coisas negativas que esperava da República eu sempre falei da abolição do Conselho de Estado, da Câmara dos Pares e do corpo diplomático.
Lavraram-se um a um os decretos que demitiam os antigos (diplomatas) e eu vi entrar essa gente toda que para aí está.
- E as suas impressões sobre todos eles?
- Oh meu caro amigo! tire o Bernardino que terá vontade de ser útil ao País, e o resto são todos uns ... eu não digo, eu não digo.
- Referia-se V. Ex.a há pouco ao corpo diplomático actual?
- Aí vou, aí vou; isso é tudo uma lástima, meu caro. O Augusto de Vasconcelos quiz ir à viva força para Londres, mas lá não o aceitaram: lá não dão categoria aos cirurgiões para serem ministros plenipotenciários. »


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(Augusto de Vasconcelos. Republicano moderado desde a sua juventude, era considerado amigo pessoal de Afonso Costa e politicamente próximo de Brito Camacho. Era professor catedrático de Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, pela qual se tinha licenciado em 1891. Estreou-se na governação como Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo presidido por João Pinheiro Chagas Enveredou então pela diplomacia, ocupando o posto de embaixador de Portugal em Madrid nos anos de 1913 e 1914, passando depois para a embaixada em Londres, que ocupou de 1914 a 1919, período que compreendeu a participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, altura em que a embaixada em Londres tinha um papel crucial na condução política do conflito.)

«O Junqueiro devia ir para Espanha, que ele conhece, ele que é todo arte e literatura. Mas por doença de família precisou de ir para a Suíça e então lá abalou para Berna e por lá anda a fazer coisas disparatadas.
- E do sr. Relvas que impressão tem?

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(Jose Relvas, inventor do "escudo" como moeda, Proclamou, a 5 de Outubro de 1910, a instauração da República Portuguesa da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, tendo sido ministro das finanças do respectivo Governo Provisório (cargo que obteve á força) de 12 de Outubro de 1910 até à auto-dissolução deste, a 4 de Setembro de 1911, tendo depois exercido o cargo de embaixador de Portugal em Espanha (onde os espanhois o chamavam de "tonto misterioso" pois nunca dizia nada) até 1914. Esteve em seguida bastantes anos afastado da actividade política, até ser nomeado primeiro ministro, a 27 de Janeiro de 1919, tendo exercido aquele cargo até 30 de Março do mesmo ano).


«- Não faz ideia, não faz ideia, meu caro amigo. Esse sujeito, logo nos primeiros dias da revolução apresentou-se-nos no conselho de ministros e disse: "Como o Bazílio Teles não vem para as finanças, eu queria ficar no lugar dele." Eu fiquei mesmo parado, a olhar para o Bernardino, pasmado do impudor. Estava uma noite de chuva. E eu então, para dizer qualquer coisa, disse para o Bernardino: Olhe, você vem para baixo? E como ele dissesse que sim, declarei que já era muito tarde, que o melhor era não se resolver nada naquela noite. Mas o homem depois tornou-se a impor, com o grupo do José Barbosa e do Inocêncio Camacho à frente, a empurra-lo, e ficou Ministro das Finanças. E foram eles que as derrancaram, meu caro amigo.
- E o sr. Relvas, para se propor a Ministro das Finanças, que preferências apontava?
- Ah! esquecia-me dizer-lhe. Alegou que o nome dele já estava apontado noplacard do "SÉCULO" e que a praça de Lisboa o recebia bem. Vê quem eles são?
- Conjecturávamos, com efeito...
- Agora lá está por Madrid, sempre empavesado, muito conselheiral, a fazer de pessoa grande sempre a abanar a cabeça e sem dizer palavra.
La chamam-lhe, por isso.- el tonto mysterioso. Isto não são diplomatas, meu caro amigo.
- V. Ex.a pode referir-se ao sr. Chagas?


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(João Chagas, jornalista, diplomata e político português, tendo sido o primeiro primeiro-ministro da I República de Portugal, amigo +pessoal de Jose Relvas foi um dos principais conspiradores contra a Monarquia)

«- Porque não? Conto-lhe coisas muito curiosas. Isso é um drama. Esse é uma lástima, creia. Tudo que se diz agora contra ele na imprensa francesa não e novidade nenhuma para ninguém de ca. Antes de ele partir para Paris já aqui o Ministro da França tinha as suas informações.
O nosso entrevistado aponta então alguns detalhes tão escabrosos da vida íntima do sr. João Chagas que, embora S. Ex.a nos autorizasse a referi-los e os acompanhasse da recomendação "pode pôr tudo isso", com que de resto nos ia munindo a cada passo, nós, contudo, resolvemos guardá-los, visto reflectirmos que estas colunas se destinam a um público bem mais susceptível do que um despreocupado entrevistador... e rigorosamente são interditas a tudo o que entre noutros domínios a que o público deve ser estranho.
- Quanto ao Teixeira Gomes, o senhor sabe, como toda a gente, do manifesto ao povo inglês, não é verdade? Então isto é um diplomata , meu caro?


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(Após a implantação da República, exerce o cargo de ministro plenipotenciário de Portugal em Inglaterra. Em 11 de Outubro de 1911 apresenta as suas credenciais ao rei Jorge V do Reino Unido, em Londres, cidade onde então se encontrava a família real portuguesa no exílio.Eleito presidente da república a 6 de Agosto de 1923, viria a demitir-se das suas funções a 11 de Dezembro de 1925, num contexto de grande perturbação política e social. A sua vontade em dedicar-se exclusivamente à obra literária, foi a sua justificação oficial para a renúncia.)


E vão pela mesma o Sidónio das matemáticas, que fez lá questão com o imperador Guilherme por causa do jantar que não comeu, e o Eusébio Leão, que os colegas de lá acusam de ter hóspedes na legação. Isto é uma vergonha, meu amigo. Quanto ao Alves da Veiga... Nem falar nisso! Salva-se um, meu caro; é o Bernardino, pode crer. E é então por essa gente que nós temos de ser defendidos? Podem chamar-me o que quiserem mas o meu projecto salvava estas misérias. Desde 72 que eu andava pregando a abolição do corpo diplomático...
— E que impressão guarda da atitude da sua câmara no momento em que, na sua ausência, o sr. Brito Camacho lhe fazia as referências que conhece já?
— Ah! meu amigo, eu resolvi não falar mais na câmara desde que se discutiu a Constituição, e alguém, sabendo que eu ainda estava para falar, propôs um abafarete, para me calarem a boca. A câmara, ouvindo e calando o que contra mim se disse, foi coerente, meu caro, assim como quando morreu minha mulher — e todos os meus amigos se me dirigiram — se esqueceu de me enviar condolências.

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(Brito Camacho, para além de um dos principais mentores da propaganda anti-monarquica atravéz do Jornal "A LUCTA", do qual era director,foi ministro do Fomento e dirigente do Partido Unionista que fundou. Também foi Alto Comissário da República em Moçambique de 1921 a 1923.)


«— E se publicasse (a história) de tudo isto deixava muita gente na grilheta.
Receio não ter ouvido bem! objectámos surpresos.
— Ponha lá isto assim mesmo. Cá tenho as minhas razões. O que eu poderia contar! Mas não quero, não quero; adeus, meu querido amigo...

(Entrevista publicada no "DIA" de 2 de Abril de 1913)»

fonte:
"Teófilo Braga e os republicanos" Org. Carlos Consiglieri, Vega edições

sábado, 20 de setembro de 2008

Republica..3º versão igual á 1º..ambas caloteiras

Deputados: Telemóveis cortados



Os deputados da Assembleia da República que utilizam o serviço da Vodafone ficaram com os telemóveis cortados, durante parte da manhã de ontem, por falta de pagamento da factura de Julho.



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(20 Setembro 2008)


A crise atinge a Assembleia da Republica. Falta de pagamento da factura de Julho leva operadora a cortar serviço aos deputados

Os deputados da Assembleia da República que utilizam o serviço da Vodafone ficaram com os telemóveis cortados, durante parte da manhã de ontem, por falta de pagamento da factura de Julho. Um responsável da operadora disse à Lusa que o corte, sem pré-aviso, se deveu a “um erro humano dos serviços” da empresa.



fonte:
Correio da Manhã

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Fica-lhes mesmo bem!

Enquanto se procedem a obras de melhoramento do hemiciclo em S. Bento, os trabalhos desta legislatura prosseguem provisoriamente na belíssima Sala do Senado que para o efeito foi remodelada. Na ausência do barrete frígio compraz-me que os nossos depreciados deputados da republica actuem, mesmo que temporariamente, sob a vigilante figura do rei D. Luís, (o popular) imponentemente representado na cabeceira da sala.

Publicado também aqui


quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A Republica e o Socialismo

As perseguições às organizações sindicais e operárias, consequentes prisões de militantes, a determinação dos dirigentes governamentais na defesa da ordem burguesa (contenção da evolução dos direitos dos operários em beneficio das classes detentoras da estrutura económica) confundem os trabalhadores, que, face às contradições que verificam existir entre a retórica e a acção dos republicanos ficam perplexos

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Semanário "A Bomba" Junho de 1912
Um grupo de operários observa a passagem de uma patrulha, com as baionetas desembainhadas, comentam:
-...Mas alguns dos que alí vão, são socialistas
-Sim, mas isso é cá na vida paisana

Ainda em 1912 seria aprovada uma lei (posteriormente revogada, na sequência de mais uma greve) que além de reprimir toda a propaganda anti-militarista decreta a criação de uma "carteira profissional" que além dos elementos básicos de identificação teria ainda uma folha de "anotações" com indicações do patronato sobre a conduta do operário...semelhante documento mais não serviria do que para registo criminal

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Tanta ética até faz mal!

Baptista-Bastos, dono de uma gramática escorreita e de uma pena aprumada, escorrega bastas vezes nos degraus da lógica. São já poucos os que se deixam impressionar pela estafada "ética republicana". Mas, de quando em vez, lá aparece uma mente esmaltada a debitar desvarios que não se tornam verdadeiros, por mil vezes que sejam repetidos. Um dos dislates preferidos é a adjectivação da ética. Porque há, pelo menos por trás da testa de alguns mamíferos, uma ética republicana, acreditando eles que no mundo em que respiram nenhuma outra é possível. E enchem os pulmões com ela, crentes na pureza do despautério.
A matriz ética da República de que fala o Baptista-Bastos é aquela que animava o Raúl Rego que, mesmo algaliado, se arrastou até ao parlamento para votar uma jacobinice qualquer (o aborto, acho eu). O desassossego dos dezasseis anos que durou o novo regime (sim, porque o Estado Novo, tanto quanto conseguem descortinar estas criaturas, era outra coisa que não república...) foi fruto do estrépito revolucionário de um punhado de talassas, claro está. Não era a ética republicana que instigava a que se matassem uns aos outros, como não era a ética republicana que fazia com que se derrubassem governos atrás de governos. Também não seria a ética republicana, nisto estou certo, a impor a bancarrota do Estado. Mas os da ética republicana, e seguramente por ela, morreram pobres. Como Salazar, diria eu.

domingo, 14 de setembro de 2008

A I Republica e o crime organizado

É ambígua a relação da República com o submundo do crime. Os marginais aproveitam as constantes crises de autoridade para expandir actividades. Muitos integram as tropas de choque dos partidos. A GNR afirma-se mais como guarda pretoriana do regime (ou até força de intervenção política) do que como dissuasora da criminalidade (que para o fim da década atinge proporções nunca vistas).


A GNR ,antiga guarda municipal da Monarquia, afirma-se mais como guarda pretoriana do regime, do que como dissuasora da criminalidade Um dos seus comandantes, Liberato Pinto, chega mesmo a primeiro-ministro, em Novembro de 1920.

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Durante a I Republica, crescem à margem da lei as casas de jogo ou tavolagem, às quais as autoridades fecham os olhos. «Em frente do Coliseu, o Clube dos Patos, com jogatina e mulheres», testemunha Raul Brandão. «Toda a noite se joga. Automóveis à porta. Vai-se para lá de casaca. Um amador de estatística afirma que as casas de tavolagem, em Lisboa, são quarenta e quatro.» Uma actividade tão conspícua leva André Brun a falar dela pela boca de uma personagem de A Maluquinha de Arroios: «O tal meu amigo explicou-me que, devido ao notável incremento que vem tomando a indústria batotífera, precisava fazer uma chamada de capitais. Eu aceitei. É capital garantido. Aquilo vem a ser o mesmo que uma pessoa ter inscrições de quatrocentos e meio por cento.»

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Nomeiam-se comissões para erradicar o mal das grandes cidades e Sidónio chega a proibir o jogo em Lisboa e Porto. Mas poderosos interesses movem-se nos bastidores para que tudo fique na mesma. Calcula-se que em 1918 estejam empregadas nos casinos de Lisboa quatro mil pessoas, podendo a clientela chegar às 30 mil pessoas (um quinto da população activa da cidade). Com os casinos cresce a vida nocturna na capital, através de uma dúzia de night-clubs, novidade surgida também durante a guerra.

Em 1920, após uma campanha de O Século, encerram diversos casinos lisboetas. Mas as forças ocultas têm outros planos, revelados pelo porteiro de um desses estabelecimentos, citado por Brun em crónica escrita nesse ano: «As batotas estão fechadas por uns dias. Tanto que vai haver três revoluções por causa disso.»

Ricardo Silva

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

República - Crónicas de um regime falhado

Ascensão

Proclamada a República, o P. R. P. (o partido!) dedica-se a ocupar o aparelho de Estado, enquanto grupos de civis armados, carbonários e republicanos, tomam de assalto de Lisboa.

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Noticia de "O Seculo"

Não surpreende que estes grupos concentrem os seus esforços sobre os que mais proximamente representavam as odiadas estruturas repressivas, a Polícia, a Guarda Municipal e a Igreja Católica. Assim, a caça ao «guarda e ao polícia» resulta em prisões efectuadas por populares de forma aleatória e indiscriminada.

Frequentemente estas prisões realizavam-se após espancamento, consoante a natureza antipática dos detidos ou o ódio pessoal de quem instigava ou a notícia de se tratar de «ferozes inimigos da República». Todavia, a sanha reparadora «das injustiças sofridas» dirigiu-se principalmente contra a Igreja.




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O clero regular foi severamente atingido. Escolas, conventos, recolhimentos e hospitais religiosos foram cercados, invadidos, por vezes pilhados, sendo expulsos e presos os padres e freiras que os ocupavam. Os batalhões de voluntários organizavam paradas com as «levas» de religiosos presos. Alguns dias após a Revolução, encontravam-se presos 130 padres e 233 freiras.



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religiosas numa "leva"

Em todos os conventos foram efectuadas buscas á procura de armamento escondido para uma "possivel" contra-revolução.Havia-se instalado a ideia e existiam ordens especificas nesse sentido, as buscas incluiam poços e subterrâneos




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-Sargento, acho que vejo dois gnomos armados lá em baixo!

Declarada em Lisboa, da varanda da Câmara Municipal, a implantação da República e anunciado o Governo Provisório do novo regime, o País adere e torna-se republicano por via telegráfica.



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Sala do Trono no Palácio das Necessidades

Os governos civis provinciais, avisados por telegrama da mudança política do regime, tal como faziam antes, acatam sem discussão as ordens emanadas do "Governo" (provisório) central. Os mesmos governadores que até à data tinham servido a monarquia fazem a sua declaração de princípios e de adesão à nova República.

Da província tornada republicana acorrem a Lisboa representações de municípios onde se incorporam ex-figurantes da política monárquica, agora ferverosos defensores dos princípios republicanos. O número de aderentes — «adesivos», como lhes chamavam — asseguram ao regime o alargamento das ideias republicanas às mais recônditas regiões do continente.
Portugal era todo republicano. Realmente, na nova República entrava toda a monarquia.

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Limpeza das ruas de Lisboa após o 5 de Outubro

Em Lisboa, as massas populares dominantes julgavam-se senhoras do Poder. À República redentora tudo se deve. E, diz-se: «O feijão desde que isto mudou, já baixou um tostão em litro.»



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À capital chegam notícias que «em tal ou tal sítio» a República era «como se não tivesse chegado», uma vez que «nada mudara», e que o «padre ou o cacique» continuavam a mandar como dantes.
De Lisboa e do Porto partem excursões que se espalham pelo interior a dar a conhecer a «boa nova» e a catequizar os descrentes.
Começam a publicar-se obras sobre a Revolução. Surgem litografias com os retratos dos «heróis» da República, dos grandes republicanos e de membros do Governo Provisório fazem-se peditórios para ajuda das vitimas (vitimas republicanas, obviamente).

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Peditório pelas vitimas da revolução...o dinheiro recolhido seria entregue á tesouraria da Câmara Municipal

Igualmente são vendidos, em barro cozido e policromado, bustos da República e bonecos ridicularizando os «grandes» do antigo regime.




O fim do "Éden"...antes de começar!


Um dos grandes activos e principal motor da sustentação da revolução eram as massas operárias.O movimento sindical, comum a toda a Europa, era uma realidade, tal como as greves e manifestações.Lisboa e arredores detinham na sua população 40% de operários ligados á industria e comércio, a maioria era alfabetizada e possuia uma especialização profissional.De facto a Capital de um Pais onde a maioria da população permanecia rural e não-alfabetizada, estava rodeada de fábricas e detinha no seu centro uma população consciente dos seus direitos, em claro contraste com o resto do País

As greves eram uma constante, como a dos corticeiros em Setembro de 1910 que agregou 13 000 pessoas, a dos tanoeiros e garrafeiros,
Mas o facto é que as greves até 1910 nunca degeneraram em batalhas campais entre as forças da ordem e os civis,nem os metodos utilizados nas greves incluiram descarrilamento de comboios ou o assalto a bens e pessoas

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As últimas greves em Monarquia

Após o advento da Republica tudo mudou. Os trabalhadores, confiantes nas promessas dos republicanos e conscientes da sua importância como força capaz de alterar regimes levou á letra as promessas expressas pelo PRP ,quando dos seus ataques aos modos de exploração capitalista do antigo regime na defesa de uma nova ordem baseada no trabalho e na justiça social, iniciam um forte movimento grevista em que se envolvem o campesinato, o proletariado urbano e os serviços. Assim, em menos de dois meses após a Revolução, declaram-se 69 greves até fins de Novembro, a mais importante das quais foi a do pessoal da Carris.

Em menos de dois meses foram 69 greves!... mais 26 até final do ano

Em Dezembro, o Governo Provisório,é forçado a satisfazer algumas das promessas feitas, decreta a lei conhecida por «direito à greve» numa altura em que o movimento grevista tinha adquirido grande élan. O Art.° 1.° do decreto, da autoria de Brito Camacho e popularmente chamado «decreto-burla», diz: «É garantido aos operários, bem como aos patrões, o direito de se coligarem para a cessação simultânea do trabalho.»

Após a publicação do decreto de Brito Camacho, os movimentos grevistas criam as maiores dificuldades à República, que sofre os ataques da extrema esquerda, desejosa de ganhar o maior número de regalias de carácter económico e social; e da extrema direita, que procurava opor-se e contrariar as reformas da República que beneficiassem as classes trabalhadoras. Desta forma, ao longo de Dezembro assinalam-se mais 26 greves.

A agitação social cresce com o PRP a não conseguir conter os vários movimentos radicais que havia alimentado e cumprir as faraónicas promessas feitas. Geram-se conflitos. Registam-se casos de mortes de trabalhadores em acções repressivas da Polícia. Do lado dos trabalhadores também há a assinalar actos de violência cometidos contra as autoridades. E neste clima termina o ano de 1910 ano "de liberdade, igualdade e fraternidade" em que se implantou a República.


O PRP retoma a propaganda do tempo da monarquia...como se o Rei ainda governasse

O ano de 1911 começa de forma auspiciosa.O PRP que entretanto havia tomado a totalidade do aparelho de Estado não abre mão do uso exclusivo desse poder .Retoma ,então ,uma velha practica...a propaganda

Nas esquinas de Lisboa, dirigidos ao povo português e aos eleitores, surgem os cartazes de propaganda onde se apresentam extractos comparativos das obras dos monárquicos e dos republicanos, referidos à dívida pública, à administração da Câmara Municipal, aos adiantamentos à família real, às obras nos paços reais, e outras.



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Capa do "Seculo Ilustrado" de 31 de Outubro de 1910

Nas mesmas esquinas, apregoavam-se folhetos que em verso satirizavam a monarquia, o rei, a rainha, os frades e freiras e outras figuras do regime deposto. O folheto ao Balance do Paiva Couceiro é um exemplo:

«Lá vem o Paiva Couceiro
Com sua gente aguerrida,
Quer ser herói o brejeiro
Mas já perdeu a partida!»

O estribilho dizia:

«O Balance, balance,
Balance sem ser real,
O Couceiro quer dar coices
Cá dentro de Portugal»

Tem fidalgos destemidos
Que por damas são armados
É que vêm resolvidos
A morrer santificados ...

Ó balance, balance,
O Couceiro é general,
E vem montado n´um frade
Fazer guerra a Portugal!...
O estilo chocarreiro, de sabor popular, mantém-se ao longo das vinte e oito quadras, que terminam:

Ó Paiva queres um conselho
Repara que não é peta
Fica a roer n'um chavelho
Vae despir essa fardeta.

E o último estribilho propõe:

Ó balance, balance.
Conspiradores pataratas,
Mandem o Paiva a Palmella
Vocês vão cavar batatas!...

Quando a incapacidade se mistura com a ingenuidade

Apesar da instabilidade social, o Governo Provisório dedica grande parte da sua actividade a tentar reformular e a reformar as estruturas monárquicas.




Governando em ditadura


Apesar das manobras dos anti-republicanos (que não se resumiam aos monarquicos), dos católicos e até das potências estrangeiras — principalmente a Espanha —, o Governo Provisório procura ,na maior parte das vezes forçado a partir das ruas, cumprir as promessas feitas durante a propaganda anterior a 1910.

Reorganizam-se os serviços de assistência pública; estabelece-se o descanso semanal, com a semana obrigatória de seis dias de trabalho; cria-se uma nova moeda, o escudo, equivalente a 1000 réis; reforma-se o ensino primário, estabelecendo-se a instrução oficial e livre para todas as crianças (João de Deus Ramos, filho do autor da Cartilha Maternal, prossegue a luta de reforma pedagógica iniciada por João de Deus e consegue fundar em Coimbra o primeiro jardim-escola); reforma-se o ensino técnico, o Instituto Industrial e Comercial é transformado em duas escolas de nível universitário: o Instituto Superior Técnico e o Instituto Superior de Comércio; a Escola de Agronomia e de Veterinária é desdobrada em dois institutos superiores; são criadas as Universidades de Lisboa e do Porto, em Lisboa institui-se a Faculdade de Direito e todas as faculdades de Lisboa, Porto e Coimbra são profundamente reformadas, tanto nos planos de estudo como no apetrechamento e equipamento científico e de pessoal docente.

A maioria não teria aplicação práctica e as razões são fornecidas pelos próprios republicanos

«A morte prematura dos chefes da revolução criou um grande vasio pois não havia nas fileiras revolucionárias quem, em seguida à vitória militar, assumisse o encargo de orientar e governar o País, nem havia outras personalidades que tivessem alcançado o prestígio e autoridade do almirante Reis e de Miguel Bombarda, cujos funerais nacionais constituíram imponente manifestação de pesar.

O Governo Provisório, proclamado na manhã de 5 de Outubro de 1910 das janelas da Câmara Municipal, por ser produto de uma improvisação não correspondia ao previsto nas vésperas da revolução, e que devia ser presidido por Basílio Teles, que sempre se impusera para o desempenho dessa tarefa à quaí consagrara toda a sua vida de estudioso. Basílio Teles recusou o convite que os revolucionários triunfantes lhe fizeram para ocupar a pasta das Finanças, e a presidência do governo foi confiada a Teófilo Braga, professor do Curso Superior de Letras, autor de uma obra notável sobre a história da literatura portuguesa mas incapaz, pela sua formação e ignorância dos negócios públicos, de elaborar e pôr em prática as reformas que era necessário fazer em todos os sectores da administração pública. Esta situação foi agravada pelo antagonismo pessoal de alguns membros do governo provisório, recrutados entre os tribunos, parlamentares e jornalistas que na derradeira fase da propaganda se haviam imposto à consideração e reconhecimento públicos. As pastas no Governo Provisório foram assim distribuídas, por combinações de última hora: Interior, António José de Akneida; Justiça, Afonso Costa; Finanças, José Relvas; Negócios Estrangeiros, Bernar-dino Machado; Guerra, coronel Correia Barreto; Marinha, capitão-de-mar-e-guerra Azevedo Gomes; Fomento, António Luís Gomes. (...)desenharam-se nas fileiras do Partido Republicano e entre os seus dirigentes mais escutados, duas correntes de ideias sobre a maneira de governar o País, quando a República fosse proclamada. Segundo uns, aquele partido devia exercer uma ditadura revolucionária»

"História da 1º Republica", Carlos Ferrão, pp. 29-31

Portanto, a ideia inicial para a Republica seria a implantação de um regime dictatorial de cunho revolucionário, não fosse a morte prematura de dois republicanos que deixou um enorme vazio?...
O famoso quadro de Roque Gameiro ,onde estão representadas as personalidades mais relevantes para o advento da Republica, inclui 161 personalidades...161!
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Parte do quadro de Roque gameiro

tal era a pequenez de ideias e mingua de activos que bastavam duas baixas para inviabilizar o regime, não admira que a ideia inicial fosse um regime ditatorial



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Esta ideia da "Ditadura Revolucionária foi uma hipotese muito viável no rumo de Portugal até Maio de 1911 com o afastamento voluntário de Basilio Teles.
Não deixa ,porém, de ser curiosa a consideração de Teofilo Braga como incapaz para o cargo e de Basilio Teles como o mais apto, apesar de querer impor (continuar ) uma ditadura

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Teofilo Braga...o "incapaz"

Em Abril de 1911, António José de Almeida, elabora e faz promulgar a nova lei eleitoral e, com a preocupação de preparar pela educação um corpo consciente de cidadãos e para defender esse corpo da influência do caciquismo tradicional, ....rejeita o sufrágio universal e concede o direito de voto apenas aos cidadãos maiores de vinte e um anos que saibam ler e escrever ou sejam chefes de família há mais de um ano.

..ou seja apenas Lisboa elege o Poder

Em Abril de 1911 o Pais que até 5 de Outubro de 1910 constituia um vasto Reino ficou reduzido á sua capital..palco da ascenção e queda da I e II Republicas

(continua)

Ricardo Silva

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A questão do atraso económico Português

Um dos erros frequentes na analise da evolução do nível de vida em Portugal, é considerar todo o período de 1852 até 1914 como um único e indissociável ciclo… fruto da recorrência a autores estrangeiros (a queda da monarquia portuguesa é um facto único na história da Europa do sec XIX ate á I grande guerra, dai ser desconsiderado na analise que estrangeiros fazem). O facto é que existe não um mas dois períodos: o da a monarquia constitucional e o da I republica, sendo que isso não permite que digamos que se em 1852 o PIB per capita a preços constante era de 109 escudos e em 1914 de 142 escudos, que a evolução foi fraca… Falso! Em 1896 esse valor foi de 169, em plena monarquia! Ou seja, mistura-se a ascensão económica do período monárquico com a queda estrutural da I republica para dizer que no período de D. Carlos e D. Manuel não houve qualquer evolução e que as pessoas viviam na mais absoluta pobreza, sendo que a Republica foi a salvação da pátria.
Entre meados do séc. XIX e o inicio da I grande guerra, a Europa conheceu um crescimento rápido da produção. O arranque desta nova estrutura económica começa em 1780-1800 na Inglaterra; 1820-1860 na França (idêntico a Portugal); 1870-1890 na Suécia; 1890-1917 na Rússia.
Se na Inglaterra demora-se 50 anos a atingir a maturidade económica, na França o mesmo tempo, na Suécia 30 anos, na Alemanha 40 anos, no Japão 40 anos, nos EUA 50 anos e para outros países como a Turquia, Argentina, México nunca a maturidade foi atingida e só agora a China e a Índia começam a dar tais sinais, 57 anos depois do “arranque”.
Podemo-nos questionar se efectivamente Portugal estava atrasado em 1900! De acordo com P. Bairoch ("europe´s Gross Natonal Product 1800-1975") um Português em 1860 tinha 77% da riqueza de um alemão, 93% da de um Dinamarquês (imagine-se!!!), 75% da de um Francês, 47 % da de um Inglês… em 1913 cada português tinha 76,4% da riqueza que tinha em 1910 (apenas 3 anos o rendimento cai 23 % !!!). Isso quer dizer que, muito provavelmente (faltam-me dados) em 1910 o rendimento de cada Português poderia ser equivalente ao dum francês, superior ao dum alemão e á dum dinamarquês. Dá vontade de sonhar onde poderíamos estar se não tivesse havido a I republica e toda a propaganda de instabilidade social desde 1890.
Bom; em 1913 cada Português tinha 37% do rendimento de um alemão, 34% da de um Dinamarquês 42% da de um Francês e 29 % da de um Inglês… Em 1975 34% de um alemão, 36% de um dinamarquês 32% da de um francês e 44% da de um Inglês.
Ou seja mais uma vez se prova que entre Portugal e a Europa continuam a faltar o 16 anos de instabilidade da I republica e os 10 anos de propaganda caluniosa irresponsável e homicida que viria a terminar no homicídio do Chefe de Estado e consequente dessensibilização de Portugal no meio internacional.

A situação econónima antes e depois de 1910


A regeneração foi na verdade um “boom” económico que poderia ter adiantado os actuais níveis de vida em 30 anos, não tivesse sido a revolução de 1910 as crises económicas de 1890 e a implantação da republica no Brasil…


A linha azul mostra a evolução do rendimento “per capita” durante a monarquia, no período de 1855 ate 1910

A linha vermelha mostra a evolução do nível de rendimento durante a I República

A linha vermelha fina mostra a “tendência” (trend) que o ciclo económico poderia ter levado se não tivesse havido aqueles 16 anos ,entre 1910 e 1926

1- O 1910

Em 1855 o PIB era de 248.000 contos de reis, para uma população de 3.901.000 indivíduos, tal significava um rendimento per capita de 82 escudos (escudos de 1914). Esse rendimento viria a subir até 176 escudos (escudos de 1914), ou seja 114 % em 33 anos. A manter-se esse ritmo , o rendimento real per capita em 1921 teria sido de 189 escudos e não 90 como efectivamente foi (um hiato de 110%), sendo que era um valor inferior ao auferido em 1799.
Não podemos dizer que o nível de vida em 1799 fosse melhor do que em 1921, embora os dados indiquem nesse caminho, mas podemo-nos questionar onde foram parar os 110% de rendimento per capita, ou mesmo como foi possível a um país com um PIB real de um milhão de escudos em 1910 regredir para metade desse valor em 11 anos (555 000 contos em 1921). Para um país com seis milhões de almas e um rendimento per capita de 90 escudos… pode dizer-se que em 11 anos (1910-1921) Portugal efectivamente regrediu mais de 60 anos, anulando todo o desenvolvimento que a regeneração havia feito, condenando o país a um eterno atraso de uma a três décadas.

2- A REPUBLICA DO BRASIL E AS CRISES DA DECADA DE 90

Que ocorreu então entre 1890 e 1910 ?. A economia quase estagnou, mesmo apesar de em 1910 ter atingido o maior valor para o Rendimento Interno até então conseguido (1.007.000 contos a preços constantes de 1914). Mesmo apesar da enorme dívida que todos os anos crescia 11.000 contos, o país crescia… não havia uma tendência no sentido da descida, como se veio a verificar desde 1910 até 1921.
Para cumprir os programas de fomento necessários Portugal tinha obrigatoriamente de recorrer ao crédito internacional, e para isso era obrigatória a entrada no sistema do “livre câmbio”, através do sistema “padrão ouro” (cada moeda valia efectivamente uma quantidade fixa de ouro).
Esta abertura ao exterior era um enorme risco para uma economia ainda agrícola e a prová-lo estão as pautas aduaneiras portuguesas, que eram à altura as mais elevadas da Europa (o Estado cobrava em média 30% sobre as importações) o que no fundo reflecte o carácter proteccionista sobre a industria nacional.
Mas não se pode dizer que Portugal fosse efectivamente uma economia aberta, pois o peso das importações e exportações nunca ultrapassou os 7% (em Inglaterra a média era de aproximadamente 20%). Só com advento da República é que esta fasquia foi ultrapassada tendo a Balança comercial registrado desvios de 21 pontos percentuais com as importações a representarem 28% do PIB (1921) face aos 7% das exportações.
A real abertura da economia não advinha da balança comercial mas da exportação de trabalhadores (emigração - modelo idêntico ao italiano, com as mesmas consequências). Portugal exportava os trabalhadores, que enviavam remessas sob a forma de letras de câmbio sobre a praça de Londres (porque o Brasil tinha mais relações económicas com Inglaterra) permitindo aos nacionais e ao Estado ter crédito para contrair empréstimos.
Então tudo o que se passava no Brasil tinha reflexos imediatos no valor da moeda face á libra. Isto foi verdade na guerra do Paraguai (1868-71) e particularmente grave na implantação da republica do Brasil (1890-1907).
A desvalorização da moeda face ao exterior provocava o imediato aumento da Divida Pública e de facto o crescente endividamento que se verifica desde 1890 não advém de um endividamento real, mas do seu menor valor. Na altura todos queriam ver culpados no Fontes Pereira de Melo ou numa conspiração inglesa. Foi num estudo de 1915 ( “O Ágio”, Salazar) por um académico de nome Oliveira Salazar, que se provou o que já era sugerido por alguns… Foi o câmbio da moeda brasileira que determinou o câmbio da moeda nacional até 1907.
Tudo estava bem se tudo estivesse bem no Brasil (e D. Carlos sabia-o), mas desde Novembro de 1889, com o fim da monarquia no Brasil que este pais descambou num Carnaval de golpes de Estado, sendo que em 1891 já as praças internacionais previam a bancarrota, com o cambio da moeda portuguesa a cair 25 % e as transferências do Brasil a passarem de 4355 contos (1888) para 800 contos em 1891, uma queda de 80%
Portanto foi uma consequência da conjuntura internacional, o que determinou a fraca performance económica (1890-1907), sendo que o PIB per capita de 1909 só seria igualado em 1928…19 anos de diferença! e a prova do fracasso da I republica
De facto a I república foi um fracasso, não só ideológico como social. O Liberalismo assentava grande parte do seu pensamento no equilíbrio do Poder pela sua divisão. Ao monarca, o poder moderador contrapunha o poder executivo do governo e das assembleias. Mas a implantação da República apenas veio vincar o acrescido gosto pelo poder que as “elites” vinham vindo a adquirir e o quanto era incomoda a presença de um poder moderador. A enorme liberdade de movimento financeiro e executivo dos sucessivos governos veio provar que a independência orçamental tinha sido subestimada e que esta era de facto mais forte do que os poderes consignados na Constituição…mas seria de facto mais eficiente?
A República implanta-se muito devido ao escândalo dos tabacos, que em 1926 ainda não tinha sido resolvido.
O aumento do nível de vida foi uma mentira escabrosa… as diferenças sociais aumentaram, e se em 1910 não se vivia muito bem, em 1921 nem pão havia para comer, o que diz muito da igualdade entre os homens!
A dívida pública aumentou e não se construíram quaisquer estruturas. É legitimo perguntar-se para que serviu a republica ou se a monarquia era assim tão desnecessária.
Bom entre a linha azul e a vermelha a única diferença (do gráfico) é o Rei porque o resto estava lá tudo: as estruturas, os políticos, as mentiras e omissões!
…afinal a monarquia fez falta!

Fonte : Leonidas, Somos Portugueses, Forum Realistas

Eça de Queiroz sempre contemporâneo ...


Pelos vistos nada mudou com a República ... nem mesmo passado 100 anos.


“As Farpas” de Eça de Queirós

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»

in primeiro número de “As Farpas” 1871.

:))

Fernando Pessoa sobre a república

(...) E o regimen (a república) está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados mentais, nos serve de bandeira nacional - trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português - o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito natural, devem alimentar-se. (...)



Da República de Fernando Pessoa Editora Ática, Lisboa, 1978

terça-feira, 9 de setembro de 2008

RES PUBLICA - O anti-republicanismo de Antero de Quental

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«O pior que nos pode acontecer é sermos amanhã república .»
ANTERO DE QUENTAL, Cartas

Numa época em que se pretende enunciar os princípios republicanos e socialistas como sendo partes naturalmente integrantes do mesmo edifício político (com manifesto abuso, diga-se desde já), urge como nunca explanar em traços necessariamente céleres, condenados à aridez da simples enunciação, o que foi o desavindo percurso perpetrado por cada dessas escolas ideológicas nascidas sob o úbere pendão das ideias filosóficas posteriores ao ultimo quartel do século XVIII mas que não são - longe disso- definíveis uma pela outra. " Em Portugal» republicanismo e socialismo entram de mãos dadas, embora tardiamente,- com um século de atraso em relação à Europa. Os mais directos responsáveis pela sua introdução no tecido intelectual português, assinalaram o feito com um ciclo de conferências que ficou exactamente conhecido por Conferências do Casino ( 1871).

Antero, o maior vulto dessa novel escola política (socialista e republicana), secundado por alguns mais, cedo se aperceberia da natureza autónoma do ideal do regime e a do sistema político-económico almejado, e bem assim da necessidade de separar as águas adscritas a um e a outro.


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Teófilo Braga

Assim, a clivagem república/socialismo pode ser consubstanciada na disjunção Teófilo Braga/Antero de Quental e verifica-se «a partir do momento em que a Geração setecentista divide o seu caudal, separando-se em dois leitos distintos, o do Partido Socialista (fundado em 1875) e o do Partido Republicano (fundado um ano depois)'»

Ê assim que ainda mal nado, o socialismo português se divorcia do republicanismo e enceta uma clara aproximação ao até aí combatido regime monárquico.

Esse divórcio era ditado pelo mesmo Antero em carta dirigida a Oliveira Martins:

«A fantasia republicana está desfeita de todo o nosso grupo socialista e dou por isso graças aos deuses.É necessário, de toda a necessidade, que quebremos com os republicanos e eu estou resolvido a fazê-lo»(2).

Logo a seguir, declarava a sua «completa isenção «do movimento republicano»(3). Em 1885, o seu descrédito nos decantados benefícios da instituição republicana para suprimento das minguas económicas e sociais do País, vai mais longe:

« (...) Está iminente a bancarrota e uma tremenda crise social; a proclamação da Republica não só não remediaria esses grandes males (...), mas trazia uma complicação e elemento de desordem, como ainda em 1873 se viu em Espanha»(4)


Oliveira Martins, plumitivo de credo monárquico, infatigável teórico da conciliação da doutrina [e] robustecimento do Poder Real com um Socialismo de Estado (5) ,seria a mais bela expressão dessa nova aliança entre o ideário socialista temperado e o regime sete vezes secular. Mesmo depois de ter passado fugazmente pelas esferas do poder, onde o seu sonho de reconstrução nacional esbarrou no imobilismo de um constitucionalismo aferrado e inerte, não cedia a confusões, depois de namorado pelos republicanos para seu deputado pelo Porto:


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Oliveira Martins

- « E quem lhes disse aos senhores, que sou republicano? Não sou, sou socialista..» E acrescentava: «República,anarquia e Castela»(6).

E se assim era no plano intelectual, também na esfera da acção política se verificou a dissensão, acrescida da perseguição que os republicanos começaram a. mover aos movimentos socialistas e sindicais. Em 1885, o Partido dos Operários Socialistas de Portugal acha-se ferido de morte, e mau grado Azedo Gneco tivesse fundado o Partido Socialista Português (1895), e tendo adoptado por estratégia de sobrevivência uma aproximação aos republicanos em 1901 , depois de controvérsia (Luís Figueiredo opôs-se terminantemente e o rompimento definitivo da-se em 1907), o sucesso da táctica era impedido por «uma forte desconfiança.em relação ao Partido Republicano», como escreve António Ventura (7).

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Azedo Gneco discursa

Com a fundação do Partido dos Operários Socialistas de Portugal recrudesce e ganha contornos inauditos de animada aversão o combate aberto que o Partido Republicano move aos socialistas. Estes conhecerão um único e fervoroso coadjuvante: El-Rei-D. Manuel II.

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D. Manuel II

O trecho da carta que de seguida expomos .(dirigida pelo monarca a Venceslau de Lima cm 15.6.1909), é a esse respeito bastante esclarecedora:

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Venceslau de Lima

«(..,) o Partido Socialista encontra-se desorganizado e dividido em fracções desde 1891. O Partido Republicano tem-lhe feito uma guerra de morte e arranjou sempre coisas de maneira que o partido se encontrasse sempre em desacordo („.). O Partido Socialista encontra-se há poucos dias completamente unido: a pessoa que conseguiu isso é o Alfredo Aquiles Monteverde (...). Eu tenho-me interessado muito há já bastante tempo por essa questão, que tenho vindo seguindo e ajudando».


Feitas as diligencias régias para que o Partido Socialista ganhasse uma compleição de poder, estudado o respectivo programa enviado por Gneco. Monte verde dirige-se desta parte ao Rei: «Venho agradecer reconhecidíssimo o bilhete e a carta que V.M. houve por bem enviar-me e o interesse que V.M. continua a tomar pelos seus operários. Mal sabem eles do alto patrocínio que tão eficazmente os está auxiliando neste momento». (8)

Após o advento da República, o Partido Socialista, no seu "Manifesto", perfila-se como oposição e não tem pejo em proclamar.

«O Partido Socialista entende que deve ser lançada aos actuais dirigentes e aos elementos mais preponderantes da República Portuguesa a inteira responsabilidade por todas as perturbações de ordem ultimamente havidas e por todas as que parecem prestes a haver ...»(9).


A repressão republicana contra o operariado, revestiu-se de contornos dignos da mais acerba dás tiranias. Em 1912, na Greve Geral de Lisboa, os grevistas foram duramente reprimidos e submetidos a degradantes prisões. Um ano depois o democrático (!) «governo de Afonso Costa proibiu o cortejo e o comício do 1º de Maio...» (10)

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Afonso Costa

Meses antes, o Anti-Cristo de Seia (o epíteto é do seu ex-colega de partido Cunha e Costa) assinava no jornal "O Mundo" um artigo em que demonstrava descrer no futuro do socialismo e bem assim no movimento das cisasses operárias e sindicatos. (11)

E dando vazante à ideia de enfrear o operariado, conta Carlos Mailheiro Dias que os proletários acusaram a «república de ter mandado fuzilar os operários grevistas de Setúbal como nunca-se tinha feito rto tempo da monarquia: (...) de decretar uma lei eleitoral mais reaccionária que qualquer das que estiveram em vigor no antigo regime» (12).

Em 1914 é fundada a União Operária Nacional, que o governo de então logo se apressou a extinguir, sendo reorganizada em 1917. Em Maio desse ano, como protesto contra a falta de pão em Lisboa, quatro milhares de pessoas manifestaram-se no Rossio e a Guarda Nacional Republicana recebeu ordens governamentais para dispersar os civis pela violência, O confronto saldou-se em dezenas de mortos e 547 prisões. (13)
Mas o conflito entre republicanos e socialistas, não se confinaria à I República (onde de resto, nas diversas legislaturas, apenas foi eleito um máximo de dois deputados socialistas, o equivalente a deputados miguelistas). Na II República foi o que se sabe; o socialismo seria banido oficialmente do solo português e o sindicalismo decretado, tal como na I República. adverso ao Estado» Só após o 25 de Abril os socialistas se puderam organizar livremente, como queria 65 anos antes, o Rei D. Manuel II.

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Por este apontamento poderemos ver que socialismo e república, andaram desavindos durante mais de cem anos. e só muito recentemente se reconciliaram...

J. Mendes Rosa

notas
1-João Medina "Antero e Teófilo"

2- Cartas inéditas de Antero de Quental a Oliveira Martins,1, Univ. de Coimbra, Coimbra 1931, pp 17-18

3-Ibiden

4- Carta a S. Costa Botelho de 1-VIII-1885, "Cartas II", p 746


Fonte : Blog Esquerda Monarquica : http://esquerda-monarquica.blogspot.com/
Somos Portugueses

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Uma Carta para o arraial do barrete frígio, por MAnuel Alves

"Sob o título "Aos Republicanos", o historiador João Medina publicou em 2006 no Jornal de Letras, uma Carta que julgo deve merecer a atenção de todos os que, como eu, entendem que a Instituição Real é a que melhor pode servir na Suprema Magistratura de um Estado verdadeiramente republicano e português.

Pedindo perdão aos seus "compatriotas de barrete frígio", João Medina vem dizer "com franqueza e sem quaisquer intuitos de desafio ou provocação, a dois anos do centenário da data da implantação da I República", "em termos simples, cordatos e benévolos": "... não creio que valha a pena preparar, oficialmente, ou mesmo em meios académicos, a celebração dum mau defunto que foi esse regime de década e meia de vigência atarantada, e que, bem feitas as contas, teve nada menos do que 47 governos que a desgovernaram por trancos e barrancos (...) de atribuladíssima e caótica duração, com muitas bernardas castrenses de permeio, sedições várias, tumultos constantes e quase sempre mais ou menos sangrentos, de atropelos à legalidade e ditaduras disfarçadas ou às escancaras, sem falar da Ditadura das Urnas, com o 'partido democrático' do dr. Afonso Costa (aquele homem de Direito que foi uma vez ao Porto, em 1902, com uma soqueira, para agredir à traição o Sampaio Bruno), mais uma participação em tudo funesta e catastrófica nos conflitos europeu e africano, e, por fim, uma degola que nos privou da Liberdade, com certa lógica fatal depois de tanta bagunça, desassossego, insensatez política e falta de implementação mínima dum regime sério de Cidadania, Educação generalizada ou Progresso material, porquanto nem se educou o povo, nem se fez de cada português um cidadão livre, nem se melhorou a vida dos portugueses".

A concluir, João Medina lança aos correligionários algumas perguntas: "Em 2010 vamos, em suma, celebrar o quê? O começo dum erro imenso e desastroso para o país que somos? A nova versão da comédia offenbaquiana da monarquia constitucional, agora em versão sanguinolenta? (...) Não seria melhor, em vez de celebrarmos o 5 de Outubro, rezarmos-lhe um responso (laico) pela pobre alma penada que ele foi? Antes isso do que comemorar uma República sem epublicanos, como a nossa é."

Fazemos nossas as palavras citadas do seu balanço da I República, mas acrescentamos ao desalento das suas interrogações finais: se o que é nefasto não se celebra, pode no entanto ser comemorado com a História diante dos olhos, como aliás o historiador, o ensaísta, e Professor Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, acaba de fazer nos trechos que escolhi desta Carta. Como deixou escrito D. Jerónimo Osório, nas vésperas do nefasto 1580, "A História é proveitosa para adquirir prudência, poderosa para despertar virtudes, saudável para sanear as feridas da República".

domingo, 7 de setembro de 2008

A república no seu melhor (4)

Entre 15 de Outubro de 1910 e 19 de Junho de 1911, a bandeira nacional foi alvo de acérrima contenda entre os republicanos, a chamada “Polémica das Bandeiras”. Para os revolucionários, por forma a marcar a mudança de regime, urgia mudar o mais importante símbolo nacional. Então estiveram em confronto a facção moderada representada por Guerra Junqueiro, que defendia a manutenção das cores azul e branca, e a facção radical liderada por Teófilo Braga, que defendia a adopção das cores “verde-rubra” da bandeira do Partido Republicano como nova bandeira nacional. Sobre a escolha triunfante é conhecida a opinião do poeta republicano que afirmou sem rodeios ser “uma bandeira de pretos”.

Imagem: a caricatura dos protagonistas da disputa Guerra Junqueiro e Teófilo Braga.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Agora tal como antes ...

Há cem anos, a 3 de Novembro de 1910, Afonso Costa, recém-nomeado ministro da Justiça da jovem República Portuguesa, apresentou a primeira Lei do Divórcio, completada por outras a 25 de Dezembro (que não era Natal, mas "Festa da Família Portuguesa" por decreto da presidência do Governo Provisório de 12 de Outubro). Na altura governava uma pequena elite urbana que se sentia dona do futuro e impunha as suas teorias à massa ignara. O resultado dessa governação foi a maior catástrofe social e económica do Portugal moderno.

João César das Neves
in Diàrio de Notícias, 1/9/2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Carta de José Lobo de Vasconcelos a D.Manuel II


Azedo Gneco


El Rei D.Manuel II consciente de que com os partidos rotativos não era possível construir um governo estável que reflectisse os desejos do povo entra em conversações com o Partido Socialista de Azedo Gneco. Fruto e testemunho da "Consciência Social" de El Rei D.Manuel II é esta carta dirigia a El Rei D.Manuel II por José Lobo de Vasconcelos depois de 1910, na resposta de El Rei D.Manuel II vê-se a preocupação do Rei expulso com a sua tão amada Pátria.
Por muito que os republicanos ofendessem a personalidade de D.Manuel II, por muito que a estória escrita com as cores verde e rubra tentasse demonstrar, D.Manuel II era uma pessoa muito mais do que se dizia. Foi o primeiro a ser chamado "Chefe de Estado" e de certeza que foi o mais brilhante de todos os que lhe sucederam ....

Chamei "estória" e não "história"ou seja de forma prejurativa porque a história que se conhecia até à pouco tempo foi fortemente mal contada de propósito pelo regime vencedor de 5 de Outubro. Sempre disseram que D.Manuel II não era um Rei capaz e sem personalidade, era comandado pela sua mãe. Esta é que é a estória, parte da História são as cartas que deixei.

Quem era José Lobo de Vasconcelos ?

  • General de Artilharia
  • Ajudante de Campo dos reis D. Carlos e D. Manuel II


  • Fontes : Dossier Regicídio, de Mendo Castro Henriques

    sábado, 16 de agosto de 2008

    A república no seu melhor (3)

    José Maria, António e Alberto Eça de Queiroz, filhos do grande romancista português tomaram parte nas incursões monárquicas de Paiva Couceiro e envolveram-se na monarquia do Norte. Como resultado, a viúva D. Emília de Castro Pamplona perdeu o direito à pensão devida pela carreira diplomática do seu marido.

    Imagem daqui, com a devida vénia ao Afonso Reis Cabral. Da esquerda para a direita: Alberto; António; José Maria; Maria; e a viúva Emília Eça de Queiroz.
    Reeditado

    quarta-feira, 13 de agosto de 2008

    A república no seu melhor (2)

    Na fotografia (daqui), a moderníssima Av. Rainha D. Amélia em 1908. Após a revolução de 5 de Outubro a conhecida artéria Lisboeta foi renomeada Almirante Reis.

    sexta-feira, 8 de agosto de 2008


    O antigo presidente do PSD decidiu não permitir  nas imediações do espaço aéreo vizinho da Vivenda Mariani, a passagem de qualquer tipo de aeroplano que incomode sua excelência. Os portugueses já há muito se habituaram ao despautério dos carros topo de gama que abrem caminho à força pelas ruas de Lisboa, precedidos de estridentes sirenes de batedores policiais.

     

    Já todos nos acostumámos a ter que esperar longos momentos dentro dos aviões acabados de aterrar, pacientemente resignando-nos às delongas deste ou daquele ministro que se demora na primeira classe, alheando-se completamente dos "passageiros vulgo" que pagam os seus bilhetes, mas que não podem sair antes da alta autoridade o fazer.

     

    Também se tornou rotina a abusiva utilização de viaturas do Estado - nossas, estas sim, de todos os portugueses -, para fins partidários ou lúdicos.

     

    O consumidor de uma dotação 16 milhões Euro/ano, não está com meias medidas e assim, prejudica as empresas de publicidade, corta cerce os voos  particulares que enxameiam os céus do Algarve e não se importa minimamente com este evidente sinal de desdém e prepotência. É isto, a república e quem a quer, que a pague.

     

    Como sugestão, sugerimos às dezenas de assessores belenzeiros, que influenciem para a construção de uma bateria de mísseis Patriot nas imediações da Vivenda Mariani, ou pelo menos, que recorram a uns antigos mas comprovadamente eficazes88mm A.A.


    sexta-feira, 1 de agosto de 2008

    A crise republicana

    A guerra surda entre a república (unitária) e as autonomias regionais produziu ontem mais um episódio insólito – numa inesperada comunicação ao país Cavaco Silva queixou-se do novo estatuto dos Açores (aprovado por unanimidade) alegando que lhe estavam a reduzir os poderes presidenciais.
    Foi rápidamente secundado pelos partidos e personagens do costume e com as cambiantes conhecidas: - em romagem de saudade comunistas e centristas vieram em seu auxílio; no PSD fez-se um silêncio religioso; Sócrates pôs água na fervura; e o Bloco disfarçou com coisas mais importantes!
    Porém não adianta desvalorizar o assunto pois estamos a falar do regime e da sua incapacidade para lidar com as autonomias regionais. Agora já não é o Governo que está no centro do conflito, é o próprio órgão Presidente da República que se ergue como força de bloqueio ao aprofundamento da autonomia e ao desenvolvimento regional!
    Para um açoreano médio Cavaco Silva é a partir deste momento um ‘inimigo’ dos Açores! E pela mesma bitola serão julgados os partidos que alinharem com o Presidente da República nas restrições à autonomia do arquipélago.
    E tudo isto com eleições à porta!
    ‘Os dados estão (assim) lançados’ e não foi por acaso que esta semana o ideólogo do regime (o ex-Vital comunista) se empenhava tanto em lembrar a quinta república francesa, uma espécie de visão de um presidencialismo redentor!
    Mas que o caso é grave, é sim senhor.
    Talvez seja o fim do Interregno…