quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cronologia da república - 11 de Agosto

  • 1911


O rei da Itália resgata as jóias que D. Maria Pia hipotecou

  • 1912

O desrespeito ao hino nacional leva a confrontos em Lisboa

  • 1913

É fechado o jornal “A Portuguesa” de Aveiro

  • 1922

O presidente da república é autorizado pela assembleia, a ausentar-se de Portugal, para assistir às comemorações do centenário da independência do Brasil

  • 1924

A assembleia, concede ao governo o direito de suspender qualquer lei ou decreto que implique aumento de despesa

Tentativa comunista de tomar o poder

 
 
 
 
 
 
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terça-feira, 10 de agosto de 2010

3ª República - ditos inesquecíveis


Almirante Rosa Coutinho:
«Foram fixadas [no Pacto MFA-Partidos] as bases que o MFA considera indispensáveis para que se possa iniciar em Portugal uma consulta popular eleitoral sem que o Movimento possa perder - pelos resultados acidentais de uma consulta eleitoralista feita a um povo pouco esclarecido - o seu papel de motor do processo revolucionário».
Gonçalo Ribeiro Teles (então dirigente do PPM, que se recusou assinar o Pacto MFA-Partidos):
«Os partidos que assinaram o pacto-plataforma do MFA tiveram de comer sapos e comeram-nos».

Cronologia da república - 10 de Agosto

  • 1912


É fechado o jornal “A Pátria”

  • 1917

É fechado o jornal “O Echos de Chaves”

  • 1918

Tumultos em Lisboa

  • 1922

É fechado o jornal “A Folha Tavirense” de Tavira

Proibição de greve geral nacional

 
 
 
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

À beira-mar na República Portuguesa


Regressado de uns dias de descanso numa terra algarvia (este ano a água está uma sopa) quero partilhar um momento à beira-mar. Estava eu a mirar o mediterrâneo quando um jovem, inserido num divertido grupo, me perguntou sobre uma determinada distância para outra praia. Espanhol, não falou propriamente em castelhano mas muito bem nos entendemos – pelas piadas e trejeitos era um jovem que se vivesse cá no burgo alinharia em "bloquices". Reparei nos seus braços tatuados e em particular no desenho de uma bandeira espanhola com a coroa bem proporcionada. Disse eu: – ... mira, que é para toda a vida.... (apontando para a coroa)! Ao que ele respondeu mais ou menos assim: – vale, sou Espanhol até morrer!

Premonições fáceis


«... o nosso portuguesinho valente era sidonista esperançado como já fora thalassa de gema. E era patrióticamente. Era-o apaixonadamente.
Um dia, numa reunião de optimos portugueses, um deles interrogou-me:
- Que nos diz você cap., Sidónio Paes irá para a frente?
- Incontestávelmente! Não é homem que saiba recuar.
- Por muito tempo?
- Até que lhe façam enterro nacional...
- O quê, matam-no?!
- Como mataram El-Rei D. Carlos...»
in João Paulo Freire (Mário), O Livro de João Franco Sobre El-Rei D. Carlos.

Cronologia da república - 9 de Agosto

  • 1924


É fechado o jornal “A Imprensa Nova” de Lisboa






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domingo, 8 de agosto de 2010

A República, um «estonteamento nervoso».

MATOS, Sérgio Campos e FREITAS, JOANA Gaspar de - Correspondência Política de Manuel de Arriaga. Lisboa: Livros Horizonte, 2004. ISBN: 972-24-1309-0

Uma das fontes mais credíveis para o estudo da Primeira República é a epistolografia pessoal e política. Ela revela os momentos candentes e as manigâncias dos homens do regime, e uma descrição muito mais sincera dos atalhos para os fins, geralmente de cariz corporativo, partidário e ideológico. De resto, em 100 anos, neste aspecto, pouca coisa mudou.
Nesse sentido, apela-se para a leitura da Correspondência política de Manuel de Arriaga, o decano do republicanismo português que na sua proverbial carreira política soube, melhor do que ninguém, atalhar o melhor que pode para salvaguardar os interesses do regime, mas sobretudo os seus e os dos seu «partido». Sirva como exemplo maior a epístola 310, confidencial e datada de 23-1-1915, em que Manuel de Arriaga implora ao amigo Pimenta de Castro que o não abandone e a quem entrega de bandeja o governo do país, passando por cima da autoridade de Vítor Hugo de Azevedo Coutinho, o presidente do conselho de então. São, aliás, pungentes os adjectivos que Arriaga utiliza para se dirigir ao futuro ditador: «o teu austero e belo nome servirá para garantir a genuinidade do sufrágio, a conciliação e a paz na República e no exército».
Mas toda a obra mostra o decorrer da obra republicana no pós-Outubro de 1910: diferendos, cisões, ameaças, cartas de anónimos a vociferar contra a corrupção e a amoralidade da República. Sem esquecer a questão da própria bandeira rubra e verde que um amigo de Manuel de Arriaga faz questão de resumir num assertivo comentário datado de 1911:

Com esta carta envio-te o incluso estudo, que uma convicção, porventura ridícula do meu espírito, de acerto na solução, me faz considerar meu dever não a deixar desconhecida, tão profundamente se me encaixa na cabeça a ideia, ou antes o sentimento de que a bandeira verde-vermelha é a negação do sentir nacional, é um pavilhão sugestivo de ódios e de desunião, é tudo que há-de menos Português para simbolizar o velho venerando Portugal rejuvenescido, orgulhoso do seu Passado e transformado em anseio de felicidade, de Justiça, de Moralidade, de Progresso e de alegria vivificante de Paz e Prosperidade!
Não compreendo, não compreendo uma bandeira irritante do cérebro e que se não pode olhar por muito tempo sem estonteamento nervoso! Imaginemos um sujeito condenado a viver numa cela forrada de verde-vermelho! Seria textura que daria assunto científico para estudar a influência dessas cores conjuntas sobre o órgão visual com o tempo, que acabaria por enlouquecer a vítima! Seria um nunca acabar o desfiar de argumentos contra tais cores fundamentais! Perdoa este desespero sentido de um velho português. E perdoe-se-me a audácia da minha crítica e as pretensões ao meu projecto pela sinceridade do sentir, e pelos propósitos de ser tudo a que me abalancei, considerando um problema patriótico, que deve ser tratado como um problema democrático. Mil respeitos aos teus, e muito afectuosamente um abraço para ti do velho amigo

Pedro R. Folque

De Maria Filomena Mónica... à atenção de Moniz e Moura Guedes.


«Enquanto viveu [Fontes Pereira de Melo], o País gozou de uma liberdade de expressão ímpar. Em Portugal, editavam-se livros - basta pensar em O Crime do Padre Amaro - que, noutras latitudes teriam dificuldade em ver a luz do dia. O mesmo se aplica à imprensa».

Cronologia da república - 8 de Agosto

  • 1911


Não é aprovada a alteração à constituição que permitia o presidente da república dissolver a assembleia legislativa

  • 1922

É suspensa a constituição

  • 1924

O governo regulamenta a compra e o abastecimento de cereais

O governo permite a exportação dos produtos agrícolas dos Açores





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sábado, 7 de agosto de 2010

Cronologia da república - 7 de Agosto

  • 1914


A assembleia da república dá autorização ao governo para este mobilizar tropas para intervir na 1ªGuerra Mundial

  • 1916

O governo concede ao Jardim Zoológico um empréstimo para este adquirir a quinta do Conde de Burnay

  • 1917

Brito Camacho apresenta na assembleia, uma proposta de lei para abolir o juramento político nos tribunais

  • 1921

Greve geral e protestos em Portalegre pelo aumento do preço do pão

  • 1922

A assembleia declara o estado de sítio no distrito de Lisboa com a suspensão das garantias constitucionais

Greve geral contra o alto custo de vida. Regista-se explosões de bombas que resultam em vários feridos e prisões

Greve em Lisboa para defesa de um único tipo de pão que resulta na morte de um operário

A polícia encerra as instalações do sindicato dos metalúrgicos, da confederação geral dos trabalhadores e da união dos sindicatos operários de Lisboa

Explosão de várias bombas

O jornal “A Batalha” é apreendido





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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Cronologia da república - 6 de Agosto

  • 1912


É fechado o jornal madeirense “O Radical”

  • 1914

É fechado o jornal a “Era Nova” de Barcelos

Voltam a circular as moedas de prata de 100 reis de D. Manuel II

  • 1918

O Parlamento é encerrado

  • 1919

É fechado o jornal “Avante” de Lisboa

  • 1923

A assembleia da república elege Manuel Teixeira Gomes como presidente da república

  • 1924

O governo proíbe a importação de automóveis






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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Provocação republicana... com resposta!



Ora venham ler o que A Q U I está!

Cronologia da república - 5 de Agosto

  • 1916


Revolta popular contra o alto custo de vida

Assalto a padarias

É fechado o jornal “A Evolução Republicana” de Braga

É fechado o jornal açoriano “O Debate”

  • 1917

A queda da ponte da Trafaria faz 30 mortos

  • 1920

Revolta na Guarda, Coimbra, Aviz e Azambuja

  • 1921

Afonso Costa é burlando num empréstimo de 50 milhões que prometera conseguir da War Finance Corporation. Isso leva a queda do governo, por este não conseguir prescindir do aumento de impostos

  • 1922

Agitação popular contra os tipos de pão, com assaltos a padarias

Os vários sindicatos promovem várias acções de protesto na defesa de um único tipo de pão

Protestos em Lisboa, Barreiro, Portalegre, Santarém, Évora, Faro, Olhão, Coimbra e Porto








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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Cronologia da república - 4 de Agosto

  • 1911


Julgamento de alguns soldados da GNR

  • 1915

A assembleia autoriza o governo a contrair dois empréstimos para fazer face às despesas com os contingentes militares em Angola e Moçambique

  • 1918

É fechado o jornal “A Tribuna” de Lamego

É fechado o jornal “O Sul” de Faro









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terça-feira, 3 de agosto de 2010

"Tenho os poderes da Rainha de Inglaterra"



Diz este! Por um centésimo daquilo que ele fez, ou ainda pior, não fez, Sua Majestade já teria sido deposta. O descaramento desta gente, ultrapassa os limites daquilo que a sanidade mental recomenda.

O embaixador imperial



No Expresso do passado fim de semana e no meio dos trastes do costume, o prático saquinho de plástico reservava-nos uma extensa e interessante separata, focando as já seculares relações luso-japonesas que dentro de três décadas comemoração o V Centenário. Este será um século de celebrações luso-asiáticas - a desconfiada Índias, as receptivas Tailândia, Indonésia, Ceilão, Malásia, Birmânia, e China - e se existisse a mínima intenção em se aproveitar esta oportunidade única, muitos proventos Portugal retiraria de um património que de tão esquecido ou negligenciado, pertence apenas aos poucos que por ele se interessam. Em poucas palavras, a um punhado de académicos, alguns dos quais persistem em manter esta memória e inestimável contributo para aquilo que o Ocidente ainda é.

O embaixador imperial concedeu uma importante entrevista, na qual focou os tradicionais pontos de contacto entre os dois países e sobretudo, a grande influência cultural que teima em vingar num Japão nostálgico de um passado sempre evocado.

As glórias da modernidade conquistada por uma administração competente e sob a orientação de um soberano de excepção, fizeram do Império do Sol Nascente, uma grande potência que sacudiu o torpor de séculos de isolacionismo que poderiam ter transformado o país, em mais uma colónia do avassalador imperialismo europeu que em oitocentos alastrava por todo o Extremo Oriente. O império consolidou a sua independência, abriu-se ao mundo, contratou técnicos e deu uma especial atenção à formação de quadros, libertando-se de preconceitos locais que viam o estrangeiro como uma ameaça à segurança de uma velha comunidade de enraizadas convicções e princípios. Seis décadas decorridas após a revolução Meiji, os couraçados japoneses já haviam vencido a frota russa em Tsushima, tinham perseguido os navios do Kaiser pelo Pacífico fora e substituído a Alemanha como presença em valiosos territórios na China, nas concessões internacionais que mais não eram, senão arremedos de possíveis futuros Hong-Kongs. Culminou esta ascensão, com a simbólica presença da frota japonesa nos portos da Indochina Francesa, onde risonhos vietnamitas respondiam às imprecações escandalizadas dos seus gálicos senhores coloniais, dizendo que ..."os japoneses são duros ocupantes, mas aqueles porta-aviões e couraçados foram construídos na Ásia e pertencem a gente igual a nós".

A parte substancial do discurso do diplomata, deverá ser entendida nas evidentes sugestões enviadas às eternamente distraídas, euro-obcecadas ou ignorantes autoridades portuguesas. O senhor embaixador diz aquilo que há muito tempo os monárquicos têm defendido, mas sem qualquer tipo de sucesso junto do poder instituído. Os governos portugueses olham demasiadamente para a Europa Central, um espaço que nos é estranho e pouco favorável. Portugal é um país europeu, mas as suas verdadeiras oportunidades de crescimento, encontram-se precisamente naquele património adquirido ao longo de séculos de persistente labuta daqueles que tendo governado o país, deixaram à iniciativa dos mais ousados, o estabelecimento de entrepostos comerciais que conseguiram irradiar uma cultura que decisivamente contribuiria para o progresso em paragens tão distantes e díspares como a África dos dois oceanos, a América do Sul e a Ásia.

Quase podemos sentir o desdém contido, em certeiros comentários que sugerem a hipótese que persiste em perder-se, de um Portugal que nas devidas proporções ..."poderia ser o Japão da Europa". A extraordinária posição geográfica no centro do grande comércio mundial que liga o Atlântico a todos os outros oceanos do planeta, uma língua que tende a expandir-se a par do inglês e do espanhol, uma situação climatérica privilegiada e uma população nada avessa à curiosidade e ao conhecimento do outro. O embaixador diz aquilo que no seu país é interiorizado como uma quase absoluta verdade histórica: Portugal não é a "mesma coisa". Os japoneses respeitosamente reverenciam os contactos estabelecidos com holandeses, espanhóis e ingleses, mas no caso de Portugal, esse respeito vai muito além da sua proverbial cortesia. Entra-lhes pela casa adentro, permanece nas páginas dos seus livros de história, come-se à mesa, continua em palavras do quotidiano e por mais paradoxal isso nos possa parecer, significa o progresso de um momento inesquecível. É isso mesmo que hoje os faz desfilar pelas ruas de uma Lisboa calcinada pelo sol de verão, procurando nas nossas fachadas, os elos nunca perdidos com aquele velho reino que tanto lhes deu e que decerto gostariam ver reerguer-se e figurar entre os maiores.

De uma forma cortês, o embaixador imperial desferiu um tremendo ataque a uma política ruinosa, estúpida e incompetente, que tem privado Portugal do seu verdadeiro lugar no mundo.

Em retribuição pelos missionários, militares e comerciantes que há quinhentos anos chegaram ao Japão, não poderá o único Tenno discretamente enviar-nos uma completa e multidisciplinar missão composta por Nakamuras, Konoyes, Suzukis, Oshimas ou Umezus, que contribuam decisivamente para o quebrar das grilhetas que nos prendem a este pelourinho e deixa Portugal à mercê de todas as intempéries?

Cronologia da república - 3 de Agosto

  • 1911


Homem Cristo filho é aconselhado pelo alcaide de Madrid a sair da cidade, por não estar garantida a sua segurança

A câmara municipal de Lisboa resolve mudar o nome a 30 ruas da capital

  • 1912

Contracção de um empréstimo de 2.400 para a construção do caminho do ferro do vale do Sado

  • 1913

É fechado o jornal açoriano “A Democracia”

  • 1914

Corrida aos bancos para levantamento de depósitos

  • 1918

Paralisação do Porto de Lisboa

  • 1923

Manifestações grevistas em Lisboa









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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Proezas de um predador em democracia


«Em 1875, aparecera como ramo da I Internacional o Partido Socialista. Fundado por intelectuais, tinha como base os artesãos, ameaçados pela industrialização. O Partido Republicano, nascido a 25 de Abril de 1976, retirou-lhe qualquer hipótese de crescimento».


(Maria Filomena Mónica, Fontes Pereira de Melo, Aletheia Editores, pag. 114).

Cronologia da república - 2 de Agosto

  • 1911


Invasão da assembleia constituinte por populares, registando-se prisões e feridos

A opinião de Raul Brandão do ambiente que se vive é de intriga política. Existem inúmeras manifestações, conflitos, protestos, insultos contra a classe política

Brito Camacho e Machado Santos são vaiados

As GNR intervêm e gera-se conflitos resultando em 56 presos

O Jornal o Mundo acusa os monárquicos de serem responsáveis por esta instabilidade

Segundo a opinião de Carlos Malheiro Dias, os burgueses do Partido Republicano Português têm como objectivo roubar os cidadãos

  • 1912

Uma missão russa – israelita têm interesses em colonizar Angola

Acusada de conspiração, é presa no Aljube, a jornalista Alice Lawrence

  • 1917

Requerimento enviado ao Presidente da República, pedindo para que não seja aplicada pena disciplinar ao bispo do Porto

  • 1921

O governo determina a venda dos bens das extintas ordens religiosas

  • 1923

O governo regula a emigração para os Estados Unidos da América





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domingo, 1 de agosto de 2010

"Recordar caminhos da luta reviralhista"!!!


É título do JN de hoje. Já aqui tinha referido que, na comemoração do seu centenário, a República continua - jamais deixou de fazê-lo - a homenagear-se enquanto se guerreia. Desta vez, sempre no âmbito da dita romaria, Germano Siva passeou um grupo de interessados pela cidade do Porto. Evocando o quê? A revolta de Fevereiro de 1927. Coisa séria, tiroteio de muitos dias e muitas mortes.
Somente... iam lá 17 anos findara a Monarquia. E a notícia é clara: «... o republicano percurso reviralhista iniciado na Pr. Marquês de Pombal, onde o edifício do asilo do Terço foi atingido pelo fogo da artilharia fiel à Ditadura Militar, da Serra do Pilar disparado...». Aliás, a «revolta que eclodiu a 3 de Fevereiro, no Porto, tentando repor a ordem constitucional interrompida a 28 de Maio de 1926, fracassou, em boa parte por não haver concertação com Lisboa...».
Estamos conversados, não? Até porque «este passeio JN (...) está integrado no programa com que temos [eles teem...] vindo a assinalar o centenário da República...».
E assim o interessado público participante ficou sabendo mais sobre uma mais sangrenta revolta que em Fevereiro de 1927 opôs os republicanos reviralhistas contra os repúblicanos estado-novistas. Com vantagem de quais não importa, porque certamente com o maior dano para o massacrado povo português, pouco interessado em escolher entre a 1ª Série e a 2ª Série, mas decerto ansiando por paz, sossego e segurança.

Cerveja, pastilha e charros




À falta de povo participante nas cerimónias de cariz marcadamente político, os limpa-latrinas do regime decidiram recorrer ao chamariz dos conhecidos festivais de verão. Normalmente ocorrem na época das férias e atraem grandes contingentes de miudagem, ansiosa por dançar, beber uns copos e para o que mais possa acontecer. É claro que os alegados repertórios festivaleiros da alambazadora comemoração, nada terão em comum com marchas patrióticas, "hinos à república", "canções de "intervenção" e outras besteiras do costume.

Desta vez, os comissionistas oficiais, transformaram o Festival dos Oceanos numa oportunidade de comemoração da república! O descaramento não tem limites e a manobra é tão evidente que se torna ridícula. Sugerimos que coloquem no palco, dois ou três oradores experientes nas coisas académicas e que tenham a capacidade de atrair a atenção do público, intercalando as bandas com uns inflamados discursos evocativos da "gloriosa 1ª república". Sugerimos a preventiva distribuição de uns charros e de pastilhas, para acalmar uns ânimos que se possam rebelar contra o abuso de confiança.

Estamos ansiosos, aguardando a reacção das "massas republicanas".


"O governo não gostou e lançou uma vaga de perseguições sem precedentes contra os monárquicos. Milhares foram detidos nos novos campos de concentração, centenas tiveram de procurar refúgio no estrangeiro e muitas dezenas pagaram com a vida a defesa da liberdade e do Rei contra a escalada liberticida".
"Ao sair do belíssimo museu, reforcei a ideia há muito inculcada que os reis são os maiores aliados do povo e os mais sacrificados protagonistas da luta sem tempo entre a liberdade e tudo aquilo que se lhe opõe; em suma, não há monarquia sem liberdade, como não há democracia sem monarquia".

Cronologia da república - 2ªedição - Fontes utilizadas

BRANDÃO, Fernando de Castro, A 1ª República Portuguesa. Uma cronologia, Lisboa, Livros Horizonte, 1991




CARDOSO, Eurico Carlos Esteves Lage, Primeira República. Em datas e ilustrada 1910-1926, Lisboa, Edição do Autor, 2008



MALTEZ, José Adelino, Tradição e Revolução. Uma biografia do Portugal Político do Século XIX ao XXI, Lisboa, Tribuna da História, 2004, 2 volume

Cronologia da república - 1 de Agosto

  • 1913


Tentativa de assassinato de Afonso Costa

Acordo com França, Inglaterra e Espanha, para o Tribunal de Haia resolver a questão dos imóveis pertencentes às ordens religiosas

  • 1918

Greve da CP com a prisão de vários funcionários

  • 1921

Na apresentação parlamentar, o reitor da Universidade de Coimbra António Luís Gomes, de regresso como deputado, caracteriza a situação nacional como sendo muito complexa devido ao sistema parlamentar assentar na mentira, os ministros serem criminosos que prejudicam os interesses dos cidadãos. Considera que os partidos da república só existem com a finalidade de satisfazerem as várias redes de clientela

  • 1924

É fechado o jornal “O Corgo” de Vila Real

  • 1925

É fechado o jornal “O Diário do Povo” de Lisboa

 
 
 
 
 
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sábado, 31 de julho de 2010

De vez em quando…

De vez em quando é preciso voltar ao assunto, nem que seja por descargo de consciência, é preciso frisar, acentuar, gritar, que o que mais incomoda nestas celebrações do centenário da república é a impossibilidade de dissociar as comemorações de um juízo negativo sobre o regime monárquico! Ora isto é que é intolerável para não dizer absurdo! Então não vivemos em monarquia durante oito séculos?! E não foi durante esse longo período que construímos a nossa independência?! E não foi nesse tempo que ‘demos novos mundos ao mundo’?! Mas ainda que (como nação) não tivéssemos emergido da mediania, os nossos antepassados eram estúpidos ou masoquistas e só deixaram de o ser em 1910?!
E os povos dos países monárquicos que connosco coabitam na união europeia serão estúpidos ou masoquistas?!

Haja um pouco de bom senso e acabem lá com as iniciativas que diáriamente fazem a propaganda de um regime que nem sequer foi referendado! Sim, para ao menos sabermos qual o grau de felicidade que a república trouxe aos portugueses! Mas não, isso tornou-se impossível desde o início, e assim continuamos, com a actual constituição a dar-se ao luxo de proibir a mudança de regime! Come e cala transformou-se num hábito nacional, aceitamos tudo sem pestanejar, não admira que a república, sabendo da nossa fraqueza, nunca tenha consentido que nos pronunciássemos, por exemplo, sobre a adesão à união europeia!

Desculpem, mas isto tem que ser dito e redito para não embrutecermos de vez. Até por uma questão de higiene mental. O resto, se a república tem mais vantagens que a monarquia, se os portugueses se sentem mais confortáveis com um presidente ou com um rei, se os cem anos de república apresentam um balanço positivo ou negativo, isso é outra discussão, saudável por certo, necessária, especialmente se conseguirmos evitar anacronismos infantis e inúteis.
E no fim da discussão… talvez fosse lógico perguntar aos portugueses o que é que eles pensam do regime.

Saudações monárquicas

Cronologia da república - 31 de Julho

  • 1911


Partem para Beja os primeiros efectivos da GNR

  • 1919

É fechado o jornal “A Voz Pública” do Porto

É fechado o “Jornal de Leiria”

  • 1920

Assaltos a mercearias e a armazéns de alimentos em Santarém

Greve dos funcionários dos eléctricos de Lisboa

  • 1924

A União Socialista operária, promove um protesto contra a guerra

  • 1925

Conflitos entre pescadores Portugueses e Espanhóis no Algarve







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sexta-feira, 30 de julho de 2010

O regime Usucapião




Como seria de esperar, a blogosfera transmite tudo aquilo que é próprio daquele mundo animal, ao qual jamais deixámos de pertencer. Alguns velhos ódios e rivalidades que se esgrimem sem atender a um mínimo de moderação nos argumentos, preenchem durante horas a fio, páginas de leitura que por vezes se torna viciante, tal a qualidade de alguns textos. Noutros casos, as coisas não se passam da mesma forma, alternando entre o comum sarcasmo atirado boca fora, devido à conveniente protecção da varanda onde se encavalita o valente e o insulto ordinário que assim sendo, dispensa a réplica.

Não é este o caso. O Albergue Espanhol - o qualificativo espanhol parece hoje ser uma monomania de fim de estado de coisas - tem entre os seus cronistas, o jornalista Luís Naves, homem contra quem nada encontro, para uma animosidade de estimação. Luís Naves é mesmo um singular, existe, é de carne e osso e dá a cara. Não sendo um imaginativo "colectivo Abrantes, algures num T3 alugado perto de si, em Lisboa", pelo que se lê, tem vivido habitualmente o sistema implantado, sem que isso queira dizer que dele retire algum benefício próprio, colhido na selecta coutada a que alguns têm exclusivo acesso. Acredita que "assim estamos melhor" e esse é um direito que assiste à sua cidadania. Luís Naves está convencidíssimo daquilo que mais de um século de publicidade - o termo Propaganda, é por demais ofensivo e insinua desleixo mental do receptor - enraizou nas sempre permeáveis gelatinas cerebrais de quem se encontra disposto a escutar. Se existe aquele velho lugar comum que diz ser "a palavra de prata e o silêncio de ouro", tal se deve à sabedoria inata de dúzias de gerações de ignaros, fossem eles servos da gleba, mesteirais ou frequentadores de aprazíveis flanares em Paços perfumados por limoeiros, ou outros, mais modernos, confortáveis e funcionais, à beira Tejo. A avareza nas categóricas afirmações, dita sempre, aquela necessária prudência que conformará actos com indeléveis resultados políticos, afectando a indefesa massa de obscuros sujeitos de um poder indiferente, mas bastante senhor dos seus chamados "direitos adquiridos". Esses mesmos direitos ardilosamente adquiridos, simplesmente expressos em comissões, gabinetes, fundações, prémios, acumulação de reformas, jogatanas fora de Bolsa e outras tantas trivialidades, são hoje em dia, pobremente expostas nos parques de 920 automóveis que após dois ou três anos, podem ser adquiridos pelos usuários, a um preço de colocar os olhos em bico, qualquer chinês de loja de ocasião.

É este o pesado ónus da cadavérica República Portuguesa. Violentamente arrebatado o trono, em prol dos círculos de amigos e influentes militares, financeiros ou meros agentes do Partido, esse poder pode ser hoje considerado, como dilecto exemplo daquela figura jurídica que consagra o esbulho da vítima pela sua impotência ou ignorância do facto, plasmando-se assim o Usucapião. Bem vistas as coisas, esta figura do direito, está bem patente nos mirandeses Limites Materiais à Revisão Constitucional, impondo fórmulas imorredouras para alguns, mas muito prepotentes para os demais. A alegação auto-confiante, infalivelmente assenta no menosprezo da dimensão física da massa oponente - a "minúscula minoria" que Luis Naves insiste em querer imaginar, sem que para tal afirmar, conceba sequer o contar das espingardas próprias e alheias - e sempre que necessário, no recurso ao conhecido saquinho de onde saem os ovos podres arremessados à honorabilidade e sanidade mental daqueles que contestam já há muito, improváveis verdades intemporais. "Estúpidos", "bacocos", "toureiros semi-analfabetos", "bigodes retorcidos" e outros mimos do costume. Mal imaginam os ainda donos desta manada, que para cada epíteto arremessado aos "imbecis", existem outros com os quais a opinião pública criteriosamente julga o Esquema vigente: se os monárquicos são "estúpidos", os republicanos deste regime serão os bem conhecidos "chicos-espertos", como o comprovam as notícias diárias relidas em qualquer órgão noticioso escrito, orado ou online. Se os monárquicos são "bacocos", os republicanos poderão bem ser os tais ..."chulos que metem a unha à grande", de qualquer conversa escutada no café da esquina, ou na fila da caixa do Minipreço do bairro. Se os monárquicos serão os "toureiros semi-analfabetos", o que serão então os republicanos que pontapearam várias gerações deste país, para o mais inacreditável estádio de borreguismo que se conhece na Europa ocidental? Quanto aos há tantas décadas desaparecidos "bigodes retorcidos", é com um certo gáudio que ainda vemos por aí, uns exemplares repescados de outras gerações, mas que adoptando um modelo perene à egípcia, vão mantendo aquelas características imediatamente identificáveis de clã. Enfim, umas particularidades capilares transplantadas algures do baixo ventre para a zona facial e craniana, a caspa de griffe, o "ar" semi-teen ager Por-fí-ri-os de sempre e a insistir que aquelas 501 apertadinhas, lhes ficam tal e qual como nos tempos em que ainda não existiam pneuzinhos abdominais. Um omnipresente livrinho sempre nas unhas, veio substituir o pedaçito de lata partidária à lapela e aquelas velhas mariconeras de zip, que o travestis do sovietismo da moda, os MDP-CDE's, tanto gostavam de exibir nos idos de 75. Seguem sempre a máxima lampedusiana que apenas se traduz literalmente no confortável "fazer de conta". Olá! e se resulta, este fazer de conta...

A nave republicana, hoje bolina, mas já não pode contornar os escolhos escondidos por um mar perigosamente encapelado.

Os minúsculos e iletrados monárquicos ..."até já sabem ler", publicam e esgotam edições após edições, dão aulas nas universidades e zurzem impiedosamente o outrora imponente sátrapa republicano. Embora não partilhem da sua manjedoura, agarram-se-lhe à unha negra do pé esquerdo, tal como carrapatos de curral. A informação encontra-se democraticamente à disposição de todos e bem pode Luís Naves recorrer à Ilustração Portuguesa - pós 1910, claro -, ao Mundo, ao Século, às piedosas pajelas do PRP de Raul Rego e outros tantos órgãos de informação de solitária referência intelectual, deles extraindo os espampanantes ..."chapéus de Dª Maria Pia, as amantes reais, corridas à Arreda" e outros tantos factos insofismáveis daquela que para eles, é sem qualquer dúvida, a única, verdadeira e Grande Estória que convém frisar. Os argumentos atendem sempre à aparência e aos zelosos defensores da presente Ordem adquirida, não lhes passa sequer a hipótese daquele tipo de "plantação de provas" em que Portugal inteiro se tornou perito. Esta reedição saloia de E Tudo o Vento Levou, tem sido uma constante desde antes de 1910, quando se lançaram as sementes daquela farta safra que teve os seus melhores dias durante os tempos de passeio da Camioneta Fantasma e do Dente d'Ouro, da Formiga Branca e da sua zelosa sucedânea PIDE, dos controleiros saneadores do COPCON e homólogos escribas civis - alguns internacionalmente galardoados - e na versão do novo século, nos dedilhadores de teclado de serviço caseiro ou de horário de expediente.

Talvez podendo imaginar onde ainda se encontra encafifado, melhor faria Luís Naves em instar junto daqueles que imagina serem "os seus", pelo ressurgimento do surripiado dossier do Regicídio, provando assim ad nauseam, a acusada ..."perfídia monárquica que fez matar o seu próprio rei" e que para tal, abjectamente ..."usaram os homens do Partido que desde 1910, necessariamente ocupou a representação do Estado". Isso sim, seria o golpe decisivo nos "bigodes retorcidos desde o flutuar na placenta da barriga da mãe", para mais acompanhando a limpeza geral, pela espadeirada do prometido referendum que jamais veio e que para as suas divinas e augustas mentes, ..."jamais será necessário convocar". Ora, aqui estaria um excelente serviço, para aquilo em que o materialistas dialécticos estranhamente coincidem com os usurários e que comummente designam por factos. Não nos referimos à estória factual de emplumados chapéus, mas sim aos não ocultáveis números de carris de ferro colocados, portos construídos, institutos científicos e museus criados, liceus erguidos nas cidades, territórios adquiridos, liberdade de expressão e paz social, progresso material traduzido nos mercados, formação intelectual de gerações - entre as quais se contavam os republicanos de 1910 -, crédito externo nas bolsas e nas chancelarias, ou outras minudências. Deixamos tudo isso ao seu esclarecido critério e aguardamos ansiosamente, o seu final reconhecimento de palpáveis e "velhas conhecidas novas", há muito lidas.

Eles sabem que o que importa é que tudo fique, como há tanto tempo está. Desde que se mantenham as aparências e muito se berre e gesticule pelas liberdades - próprias -, justiça - a aplicar a outrem -, progresso - de carreira - e outras antigas, mas sempre convenientes originalidades. De preferência, num televisivo curro, com três ou quatro chocas de serviço e agitando os respectivos guizos.

Afinal sempre faz cem anos. Ou mais...


Foi novidade, ontem, no DN: «Os carros dos chefes de estado em exposição» A decorrer no Museu da Electricidade, até Outubro, intitulada «Os Carros da Presidência - o Motor da República».
A notícia é explicita: «Dos veículos puxados por cavalos, na monarquia constitucional, passando pelos imponentes descapotáveis do Estado Novo, até aos topos de gama do pós-25 de Abril»... está lá tudo. Mesmo, pelos vistos, qualquer phaeton palmado à Monarquia. Enfim, nada a que não estejamos habituados.
O importante é que se assumam os tais 48 de Ditadura entre os 100 de vida da velhinha festejada.. Esses anos de «imponentes descapotáveis» que precederam os «topos de gama» de Abril.
Na fotografia do jornal, de resto, o Senhor Presidente da República e a sua Senhora miram fascinados a grelha imponente de um Rolls-Royce, enquanto ouvem as explicações do cicerone. Pelas minhas contas, trata-se do utilitário em que se deslocava o Marechal Carmona aquando das grandes visitas de estrangeiros, como, por exemplo, a Rainha de Inglaterra. Afinal, só para não darmos um ar excessivamente pindérico.
P.S. O Peugeot acima não faz parte da exposição. Está à venda, nas redondezas de Barcelos e é da marca preferida d' El-Rei D. Carlos e do Senhor Infante D. Afonso.

Cronologia da república - 30 de Julho

  • 1914


O parlamento é encerrado

  • 1919

A sede da união operária nacional, em Lisboa, é invadida pela polícia

  • 1920

Crise da imprensa





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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cronologia da república - 29 de Julho

  • 1914


É fechado o parlamento

  • 1922

Greve dos corticeiros do Barreiro

Greve dos funcionários dos têxteis da Covilhã

  • 1923

Grande afluência de operários, ao forte de São Julião da Barra, para visitar os presos

  • 1924

A assembleia autoriza o governo a ceder gratuitamente o bronze, para a concepção da estátua a Guerra Junqueiro, a erguer no Rio de Janeiro

A publicação das cartas de D. Carlos a João Franco é um grande sucesso editorial. Em três dias são vendidos dez mil volumes





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quarta-feira, 28 de julho de 2010

de República em República


Incapaz de controlar a sua guerra intestina, a República Portuguesa (3ª Série) acabou por enveredar pelo inconcebível: festejar os seus cem anos, como sempre em profundo desentendimento consigo mesmo. A velha cicatriz, permanentemente a reabrir, da sua 2ª longuissima série. Até que as mais autorizadas e isentas vozes vieram dizer isso mesmo: a comemorada era apenas a 1ª Série. Os tais 16 anos de Ética e Democracia.
Nasceu mentirosa, a República Portuguesa, e mentirosa há-de morrer.
De João Paulo Freire (in O Livro de João Franco sobre oEl-Rei D. Carlos): «Os senhores desculpem mas eu sou um ignorantão chapado nestas coisas de política... Nunca percebi porque diabo a ditadura dum homem é um crime, e a ditadura dum partido o não é!
Em ditadura, e ditadura do pior, governou o sr. Afonso Costa. em ditadura temos nós vivido permanentemente, constantemente, sob o regime democrático. Ditadura fez o sr. Norton de Matos. Ditadura fez o sr. Coronel António Maria Baptista, cuja honorabilidade era tão grande como a sua igómínia de homem público. Ditadura e da mais vergonhosa e da mais afrontosa fez o sr. Liberato Pinto, antes de ser governo com o papão da Guarda Nacional Republicana, e quando governo com o papão da sua energia. Ditadura fez ainda o sr. Álvaro de Castro. De maneira que a gente é forçada a chegar a esta conclusão mirabolante: ditadura é todo aquele governo que não seja apoiado pelo partido democrático...».
Os nomes acima pertencem todos à 1ª Série da República Portuguesa. Dez milhões de euros não deverão chegar à 3ª Série para os fazer esquecer.

Cronologia da república - 28 de Julho

  • 1917


Protestos dos tipógrafos

  • 1923

É fechado o jornal “O Município” de Setúbal

  • 1985

Nasce em Castelo-Branco, o autor desta cronologia





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terça-feira, 27 de julho de 2010

Salazar por Pessoa


"No meio de um povo de incoerentes, de verbosos, de maledicentes por impotência e espirituosos por falta de assunto intelectual, o lente de Coimbra (Santo Deus!, de Coimbra!) marcou como se tivesse caído de uma Inglaterra astral. Depois dos Afonsos Costas, dos Cunhas Leais, de toda a eloquência parlamentar sem ontem nem amanhã na inteligência nem na vontade, a sua simplicidade dura e fria pareceu qualquer coisa de brônzeo e de fundamental."

Fernando Pessoa

Um grande "tripeiro" - monárquico


PAULO VALLADA. Presidente da Câmara portuense, um homem de todos respeitado. Monárquico convicto, sempre na primeira linha do nosso combate de ideias. Agora e sempre connosco. O Monarquia do Norte entrevistou-o em Setembro de 1999. Recordamos essa conversa:
P. Que faz mais sentido: Rei de Portugal ou dos portugueses?
R. Rei dos Portugueses. O Estado precede a Nação. Num aglomerado de famílias, uma comunidade escolhe um, de entre eles, que se impõe por mérito próprio e aclama-o - é o Príncipe. Foi assim com o Condado Portucalense.. Depois, é seguir a nossa história durante 800 anos.
P. Qual a diferença principal entre um rei e um presidente da república?
R. O Rei traz consigo o mito da perpetuação da Pátria, pela sensibilidade do afecto familiar, pelo desprendimento das várias correntes de opinião, livremente formadas nos partidos e movimentos democráticos, pela liturgia do Estado na representatividade da comunidade nacional. Tem uma função suprapartidária. É o primeiro defensor da constituição - a Lei Fundamental.. É a imagem viva do nosso passado comum - a memória de referência. É a imagem do nosso presente. É o juiz Provedor da Lei num processo de equidade. é a imagem do nosso futuro, como garante dos valores e dos princípios comuns a todos os portugueses.
P. Qual a função mais importane de um Rei?
R. Cumprir e fazer cumprir a Lei Fundamental - a Constituição. Num sentido ético-cultural a unidade fundamental, na sociedade, é o Casal, transmissor de vida. No imaginário da vida colectiva é a Casa Real. Dá a imagem de uma Pátria unida por afectos, interesses e poderes. A Pátria dos Portugueses existe em todo o mundo. O mito é a Casa Real. O Rei é a autoridade, a Rainha é a arte da tolerância, no afecto, e os Filhos a esperança de todos nós.
As palavras de Paulo Vallada são como ele próprio - sempre vivas, imemoriais.

Cronologia da república - 27 de Julho

  • 1911


15 praças, da companhia de saúde, acusados de crime de revolta, em Dezembro de 1910, vão a conselho de guerra

  • 1912

D. João de Almeida é condenado pelo tribunal militar de chaves, a 6 anos de prisão

  • 1919

É fechado o jornal “O Dever” da Covilhã

  • 1922

Afonso Costa é agraciado com a Grã-Cruz da ordem de Santiago

  • 1925

A assembleia da república contrai um empréstimo de 100.000$00 para subsidiar a participação Portuguesa nos jogos olímpicos








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segunda-feira, 26 de julho de 2010

O rei Ghob do Albergue Espanhol

É incrível o que os putativos defensores do regime são capazes de fazer para defender um regime que todos nós sabemos que é a maior farça da História de Portugal. Vem este reizinho apontar números e indicar que os republicanos tiveram os resultados mais esmagadores que se possa imaginar em eleições livres ... Ups o home até desculpa a constituição de 1911 e defende que a matança eleitoral de 850 mil eleitores antes de 1910 para 470 mil em 1915 é um caso menor, não sei bem onde aprendeu o conceito de democracia representativa mas ... como convém a um republicano essa representatividade tem de representar uma fatia só do bolo a começar pela eleição do presidente da república. É mais um reizinho da blogosfera ...enfim

Cronologia da república - 26 de Julho

  • 1911


É fechado o jornal “A Revolta” de Coimbra

Circular do exército sobre disciplina militar, culto da bandeira e hino nacional

140 prisões políticas






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domingo, 25 de julho de 2010

Como é?



Acabei de receber esta imagem Quem a enviou e com que fim? O PCP sabe disto?

Cronologia da república - 25 de Julho

  • 1911


Bernardino Machado obriga os padres a declararem a sua posição perante a república

  • 1913

O governo autoriza a importação de trigo para alimentação

  • 1914

António de Sousa Neves é demitido do cargo de governador civil de Lisboa

  • 1915

É fechado o jornal “A Voz do Faminto” de Viana do Castelo

  • 1918

Explosão de várias bombas em Lisboa

Assalto ao jornal “A Montanha” no Porto

Assalto a estabelecimentos comerciais na Régua

  • 1920

A polícia invade a sede dos funcionários da Carris, em Lisboa

  • 1925

A assembleia concede pensões às famílias dos falecidos João Pinheiro Chagas e António França Borges

 
 
 
 
 
 
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sábado, 24 de julho de 2010

Domingos e dias santos

Devo ressalvar que nada me obsta que as grandes superfícies comerciais passem a abrir ao Domingo. Não concordo com o proteccionismo ao comércio de proximidade que tem e teve ao longo do tempo todas as oportunidades para se adaptar. Se assim fosse, também se criavam barreiras para o comércio electrónico (de que sou fã) que prolifera de mansinho, 24,00hs por dia 365 dias por ano: do pão quente ao leite do dia, aos discos, livros e medicamentos, quase tudo podemos comprar com grande economia através do computador em lojas virtuais. Por exemplo, veja-se aqui como criar e comprar a sua camisa exactamente à sua medida. Quanto à questão religiosa que alguma Igreja levanta, considero irrelevante: sempre existiram feiras e mercados ao Domingo a atrair comunidades e famílias “ao consumo”. Se um cristão falta à missa para ir ao hipermercado o problema é outro, bem mais difícil de resolver.

Interessante é constatar como a polémica afinal se repete, como encontra-mo-la no princípio do século XX com iguais argumentos do foro moral e económico relativamente aos Grandes Armazéns que então nasciam. Curioso é que, sabendo nós que o republicanismo em Portugal foi um movimento essencialmente burguês, foram personagens como Teófilo Braga, talvez sob os auspícios de outro eminente republicano, Francisco de Almeida Grandella, que em 1904 se opunha categoricamente e levantou a voz contra a instituição do descanso semanal dos trabalhadores, uma reivindicação popular na Europa desde o final do Séc. XIX: o descanço dominical, isto é, a morte de toda a actividade intellectual e fabril de um paiz, é o tédio ou a ruína. É o suicídio social para a gente fina que se diverte. Um domingo de Londres é, para os habitantes de Londres, o peor e o mais negro e húmido dos seus nevoeiros.

Adaptado daqui

«Diário de Um Adolescente em 1910»


É mais uma pantominice deste inenarrável centenário republicano. Da autoria de Alice Vieira, vai no seu nº 28 e é um folhetim publicado aos domingos no Jornal de Notícias. Recomenda-se a sua leitura pela exacta razão de ser um bom indicador da ignorância e da demagogia deste regime que nos oprime, e se festeja por isso.
Atente-se neste pensamento do menino José Joaquim quando a mamã comenta os 18 contos de reis que custara um chapéu da Rainha D. Maria Pia (essa mesmo que no Porto fundou o hospital para crianças ainda hoje existente...):
«Para falar verdade, eu nem consigo imaginar o que sejam 18 contos de reis... Já os 60 reis que eu pago pelo "Texas Jack" no quiosque aqui em frente me parece uma fortuna... E oiço sempre o meu pai barafustar quando paga 80 reis pela onça de tabaco francês que fuma..
O "Texas Jack" a 60 reis, minha Senhora? Permita-me esclarecê-la. O "Texas Jack" custava 25 tostões, quando surgiu, já na última década da 2ª República. Nessa mesma, em que V. Ex.cia decerto se deliciava com a leitura da fotonovela "Corin Tellado"...
Haja respeito pela História. E pelas criancinhas, também.
Sobretudo pelos Josés Joaquins e outros adolescentes que em 1910 já escreviam o seu diário com tanto apuro. Parece que o Ensino até funcionava, então.